Broken Hearts
45 Perdas e Danos
Notas iniciais

► “Toda ação humana, para que se torne positiva ou negativa, depende da motivação”. (Dalai Lama) ◄
♣ Torre de Vigilância || Setor Médico-Hospitalar || Área Privativa ♣
(Terça-feira – manhã)
— Eu falhei com você, princesa. – A meia luz do ambiente escondia os olhos cansados e o tom escuro que se formara sob eles. As olheiras profundas eram prova inegável de seu esgotamento. Mas agora que o Batman estava finalmente na Torre, ele não sairia de lá. Nem por Gotham.
— Por favor, me perdoe, Diana. Por não estar aqui quando você precisava de mim. Me perdoe... “Eu não fui forte o bastante, não fui corajoso o bastante... para proteger você” (*1)... Eu não deveria ter deixado você chegar tão perto... Me perdoe, princesa. Eu deveria ter resistido. Eu deveria continuar negando que a amava. Que você é uma amiga valorizada...
— Eu sinto muito, princesa... Eu sou apenas um homem. Eu fiz tudo que pude para manter meus escudos erguidos. Mas diabos, princesa, eu não esperava ter que fazer isso por mais de dois anos... Por que você não é como todas as mulheres, Diana? Elas acabam se cansando da espera, da rejeição... Você não! Eu achava que você ia acabar desistindo dessa ideia estúpida de ter um relacionamento comigo...
— Que mulher, em sã consciência, desejaria ter um relacionamento com o Batman? O primeiro deles... Você não entende, não é Diana? Eu costumo ferir muito as pessoas que eu amo. Não é como se eu os ferisse propositalmente ou por sadismo. Mas cedo ou tarde, quando elas não se machucam por minha causa, eu acabo as machucando permanentemente para garantir que elas fiquem a salvo, longe de mim. Eu não vou me perdoar se eu ferir você, princesa.
— Eu não deveria ter cedido, Diana. Eu não devia ter concordado com a sua ideia maluca de “tentar”. Mas eu estava tão cansado de mentir pra você. De me sentir miserável toda vez que você disse que me amava e eu respondia que éramos amigos.
— Eu deveria fazer a coisa certa agora, o melhor para nós dois, mesmo que você me odiasse pelo resto da minha vida. Desde que você estivesse segura, eu poderia conviver com seu ódio.
— Eu deveria me afastar... Mas eu não posso, princesa. Eu não quero. Eu não consigo.
A fisionomia abatida, somada ao sentimento de culpa, estava refletida na imagem do homem ao lado da cama, tirando delicadamente uma mecha de cabelo de Diana que havia escorregado sobre a testa.
♣ Watchtower || Laboratório de Bio-Nano-Tecnologia ♣
(Terça-feira – tarde)
— Então, você conseguiu o antídoto, certo? – perguntou Shayera, que havia voltado ao laboratório, acompanhada do Superman, Vixen e Dinah – Você já o entregou ao Elétron? O que estamos esperando para dar à Diana?
— Não é tão simples, Mulher Gavião! – Batman respondeu de forma impessoal.
— O que você quer dizer? – A voz de Vixen subiu dois tons em cada palavra –Você sabe por quanto tempo essa coisa está no corpo dela, certo? O Elétron disse que estão se multiplicando a cada seis horas e...
Ela foi interrompida por ele.
— Eu tive que dar o antídoto para outra pessoa. – ele respondeu, inabalável como de costume, o que irritou as mulheres presentes. – Ela estava a beira da morte. O organismo é totalmente humano, menos eficiente que os genes meta-desenvolvidos de Diana, que podem dar a ela mais tempo de vida.
A declaração do Batman foi recebida com silêncio momentâneo de todos, inclusive o quieto cientista, que evitou se envolver nessas questões da Liga.
Após o choque inicial de incredulidade, quando percebeu o movimento de Vixen e Shayera em direção ao Cavaleiro das Trevas, Superman rapidamente envolveu um braço ao redor da cintura de cada uma, impedindo-as de avançarem sobre ele.
Ray continuou trabalhando, tentando ignorar a confusão recém-formada entre os heróis e agradeceu a Deus silenciosamente o fato de que Canário Negro parecia chocada demais para entrar na briga. Ela simplesmente permaneceu imóvel, os braços cruzados sobre o busto, olhando pro nada.
— Seu bastardo, por que Diabos você fez isso? Você é louco ou o quê? – Shayera rugiu, arrependida de não estar com sua maça.
— Ela? Ela quem? Não me diz que você deu o remédio pra sua ex porque eu não respondo por mim?! Você a deixou sozinha no dia do aniversário dela pra jantar com essa mulher e agora, quando tem a chance de salvar Diana, você dá o antídoto pra ela?! – Vixen gritou.
— Batman, a Di foi a primeira pessoa infectada. Eu não sei se você aplicou o remédio na Andrea, mas não importa quem foi. Essa tal “ela” não poderia ter sido exposta por mais tempo que a Mulher Maravilha. Ela poderia esperar! – Canário Negro sentenciou, muito calmamente.
— Shayera, Vixen, acalmem-se. Tenho certeza que o Batman pode nos explicar o que houve. Ele certamente pode nos dizer seus motivos. Estou certo que ele não faria nada para prejudicar Diana. – Clark disse, não apenas para acalmar as mulheres, mas para acalmar também a si mesmo. Era uma maneira de evitar um confronto com seu amigo ou julgá-lo injustamente.
— Não há nada a explicar. Eu fiz uma escolha lógica. Está feito! – Bruce disse simplesmente, voltando-se para Elétron, ignorando os olhares de fúria de seus colegas. – Agora se vocês não estão aqui para ajudar, saiam! – ele virou as costas para eles e se dirigiu à bancada de apoio de um dos microscópios, para analisar a plaqueta com uma amostra de sangue de Diana. – Ray, você já conseguiu decodificar todos os elementos na amostra do antídoto?
— Eu estou perto do gol, Batman. Eu sintetizei duas amostras muito semelhantes ao composto, mas ainda não repliquei ao ponto exato. – Ray disse, sorrindo, tentando abrandar o clima angustiante que as discussões causaram.
Mas tudo que recebeu foi silêncio. A presença dele parecia indiferente para o Morcego. Contudo, ele achou melhor pensar que é o jeito do Batman, que não é nada pessoal.
Quando os outros heróis os deixaram sozinhos, a conversa prosseguiu.
— Eu consegui que a WayneTech me enviasse um agente que pode resolver o problema com os nanobots.
— Como você conseguiu ter acesso à isso? A WayneTech tem um sistema de segurança mais impenetrável que o Cadmus. – Ray sorriu para Bruce. Ele era basicamente um super-herói-nerd doce e gentil. – Há um mês eu assisti a palestra de Lucius Fox no MIT. Ele apresentou alguns dos projetos vanguardistas da companhia. Foi impressionante... Os estudantes não perceberam, mas eu sei que havia uma combinação de tecnologia alienígena.
— Eu tenho bons contatos... – Batman respondeu e o laboratório voltou a ficar silencioso. – Posso conseguir um convite – Apesar da gentileza, Bruce sequer olhou pra ele – Você quer fazer apenas uma visita às instalações ou prefere se envolver em algum projeto do seu interesse?
— Sério? – Ele se sentiu bobo quando reagiu como um adolescente – Se eu puder me integrar a qualquer equipe, está ótimo.
Após horas trabalhando no laboratório, Batman viu quando os dedos do herói ao seu lado voavam freneticamente pelo teclado. Ray abriu um arquivo em seu computador:
— Eu pensei em algo que pode ajudar: Este é um projeto em que eu estava trabalhando há alguns meses. Com o genoma certo, alguns bacteriófagos são ainda mais eficazes do que os antibióticos. Eu vou trabalhar com essa combinação.
(...)
Já passava das 22h quando Superman e Shayera voltaram ao laboratório. Clark havia trazido comida para a dupla, mas a bandeja intocada que ele trouxera com o almoço mostrou-lhe que ambos estavam concentrados demais para lembrarem-se que deveriam comer.
— As duas primeiras amostras estão prontas para teste, Batman.
— Você precisa testar as amostras antes de dar a Diana, Ray? Como você vai fazer isso? – perguntou Clark.
— Eu já tenho a cobaia – Ray sorriu.
— Nós não temos animais para testes laboratoriais, meu amigo. Por acaso você trouxe um dos seus? – Superman sorriu de volta.
— Normamente, usamos ratos, mas eu vou testar em um morcego.
— Ele vai infectar a mim, Superman! – Respondeu Batman.
Embora a atitude de Bruce tenha sido das mais corajosas e, arriscar a própria vida por Diana fosse, um sinal claro de seu amor por ela, não foi o bastante para diminuir a fúria nos olhos de Shayera. Mas ele não estava preocupado com a ruiva. Ele estava mais que habituado a ignorar a raiva que as pessoas sentiram dele. Sua mente e seu coração estavam todos voltados para Diana, no momento.
♣ Torre de Vigilância || Setor Médico-Hospitalar || Área Privativa ♣
(Quarta-feira – noite)
Batman agradeceu a J’onn limitar o horário de visitação das 10h às 16h. Apenas para os membros fundadores o horário limite era até às 20h. Ninguém além do Batman, Superman e J’onn – o responsável médico – tinha autorização para acesso ao setor privado, que Bruce adicionara ao projeto de reconstrução da Torre para si, para não correr risco de expor sua identidade, ao tirar a máscara.
Passava das 22h e o som ambiente eram apenas o da máscara de oxigênio e do bip que marcava o ritmo dos batimentos cardíacos da amazona.
Desde que começara o horário de visitas, pela manhã, até o fim, a tarde, não houve um segundo de sossego. Os heróis e a tripulação de funcionário da Torre iam vê-la em grupos de 4 e tinham dez minutos para ficar.
Bruce sabia o quanto a Mulher Maravilha era popular entre os heróis – veteranos e novatos – e a tripulação civil de funcionários que trabalhavam na Watchtower. E ele sabia exatamente porquê. Ele era um exemplo prático do quão apaixonante Diana era. “Todo mundo ama a Mulher Maravilha... até mesmo o Batman”.
Ele queria ficar sozinho com ela. Os dias longe de Diana, mesmo com a mente focada nos eventos enervantes, deixaram uma sensação de vazio dentro dele. Sua necessidade de estar com sua princesa, nesse momento, era maior que o sacrifício auto-imposto, ao qual ele se obrigava a contrariar os pedidos de seu coração, por causa da missão, como um teste para si mesmo, a fim de provar que é capaz de enterrar seus sentimentos por Gotham.
Mas só havia uma pequena fagulha em sua mente, dizendo-lhe que ele estava quebrando seu compromisso com sua cidade. Uma lembrança insignificante quando comparada à voz do Morcego, quando ele martelava em sua cabeça, intermitente.
— Eu não vou embora, princesa. Eu não vou deixar você até que você esteja pronta pra ir pra casa comigo... Alfred tinha razão, Diana. Ele me disse que haveria alguém, que me faria bem, de muitas formas, não só em um aspecto. Que haveria uma mulher tão apaixonante que tudo e todos em mim amariam-na tanto quanto eu.
— Sim, princesa... eu estou delirando em febre. Ray me infectou, mas ele está testando amostras e nós vamos ficar bem, minha princesa... minha... E se você partir, Diana, eu irei com você, meu amor... Eu estarei com você
— Diana, eu odeio precisar de você. Eu sempre soube... Eu não sou estúpido. Eu só fingia que estava alheio ao fato de que você era a pessoa certa. Me poupou de muitas conversas que eu não queria ter. Era isso que eu queria evitar: Dar certo! Eu não preciso de nada... mas eu preciso de você agora... Mesmo que me negassem ver você pelo resto do dia, eu seria feliz se me deixassem apenas acordar com você, ver seu cabelo bagunçado, com as mechas mais curtas da parte da frente caindo desgrenhadas no seu rosto bonito.
— Alfred tinha razão, princesa: Existem amores que não doem. Que ao contrário do que eu sempre pensei, porque foi isso que vivi, quanto mais dor e sofrimento, é porque a paixão era tão intensa quanto a profundidade das cicatrizes que deixaram. Que esse amor que faz bem, não é menos intenso porque não nos deixa cegos, como a paixão. Não é menos profundo só porque não nos leva a cometer loucuras — que eu cometi, muitas vezes, indo de encontro aquilo que sou Princesa.
— Eu.. – Bruce engasgou, pingando de suor — estou tão fodido, princesa. Que aquele velho inglês não me ouça dizendo palavrões... Mas é tão forte e intenso quanto todos os meus amores mais loucos, Diana. Eu amo você e eu nunca me senti assim... Por mais que eu amasse, a centelha da desconfiança permanecia lá... Eu estou perdido, princesa. Porque eu não quero outro amor que não seja o seu. Eu não quero perder essa coisa estranha que eu tô sentindo, que eu nem sei o que é porque é tudo tão novo e diferente. Você desperta o melhor de mim, Diana.
— Volte pra mim, princesa. Por favor... Volte para nós. Para nossas vidas. Eu prometo que eu vou tentar. Mas eu preciso de você, Diana... Eu preciso de você comigo para fazer dar certo. Eu prometo que não vou mais lutar com meu coração e afastar você!
(...)
No dia anterior, na terça, Dr Ray Palmer testou as duas primeiras amostras resultantes de suas pesquisas, mas não obteve o resultado desejado. Para sorte de Bruce, infectado neste dia, a fim de testar as primeiras amostras, apesar do elemento que Elétron produzira não ser capaz de combater o vírus até o estágio de cura, a amostra conseguia impedir que o vírus proliferasse, garantindo estabilidade no quadro clínico dos pacientes contaminados.
As 6h de infecção a que Bruce fora exposto, servindo de cobaia para os testes de Ray, fizeram um estrago considerável em seu organismo. Embora ele já tivesse passado por situações piores, ainda que esta não figurasse entre elas, não significava que não era terrivelmente dolorosa e debilitante.
Seu corpo sofrera os abalos em decorrência da febre altíssima, dores de cabeça terríveis, náuseas e vômitos que causaram uma desidratação severa. O corpo todo doía, mas nada comparado ao coração, quando ele olhou para cama ao lado e viu Diana – imediatamente pensando no sofrimento dela, que estava assim há cinco dias.
Três tentativas depois, a substância de número 4, sintetizada por Ray Palmer, foi testada em Bruce, na madrugada da quarta-feira.
Duas horas depois, o exame de sangue do Batman confirmou que Elétron tinha conseguido: Ele havia replicado o antídoto, associado ao composto cedido pela WayneTech, capaz de desabilitar os nanobots e varrer o vírus do organismo dos infectados.
(...)
Eram quase 5h da manhã na Terra, quando o marciano entrou no quarto, para verificar a evolução do quadro de recuperação de Bruce e Diana. O Batman já estava de pé, ao lado da cama dela, com a máscara de volta ao lugar. Ele não estava completamente livre do vírus, mas a cada par de horas, um por um, gradativamente, os sintomas da doença iam diminuindo até desaparecer.
Mas embora tenha recebido a mesma dose uma hora depois de confirmada a eficiência do antídoto, Diana continuava dormindo, como em coma induzido, sem sinais de evolução ou melhora – ao menos, não evidentes, como os dele.
— Quanto tempo mais para o antídoto fazer efeito, J’onn? Por que ela está demorando tanto a despertar? O soro não funcionou?
— Pelo contrário, Batman. O antídoto fez sua parte. Mas ela precisa de mais tempo para se recuperar, meu amigo.
— Algo deve estar errado, J’onn. Ela é uma meta-humana. O organismo dela é ultra-especializado, a renovação celular dela é acelerada. Ela cura rápido... Há algo errado!!
— Ela foi exposta ao vírus por muito mais tempo que você, Batman. Mesmo seu organismo humano pôde se recuperar antes dela. Mesmo sua amiga, que você disse que estava à beira da morte, quando você aplicou o soro, deu sinais de melhora em pouco tempo, certamente foi contaminada muitas horas a menos que Diana. Até receber a dose antiviral, foram quase cinco dias. Todo esse tempo seu organismo lutou bravamente para mantê-la viva. É como se ele estivesse exausto. Ele precisa de tempo para voltar a trabalhar. Mas o antídoto já está combatendo o vírus e ela não corre mais risco de vida. Agora precisamos esperar que seus agentes restauradores façam sua parte quando estiverem novamente aptos.
— Eu tenho a sensação que há algo mais, J’onn. O que você não está me dizendo?
— Eu não quero alarmar você até ter certeza.
— Não se atreva a me esconder nada, J’onn! – As palavras do Batman tinham a aparência imperativa de sempre, mas o som fraco das que vieram a seguir, eram um sinal claro de que ele estava longe do equilíbrio emocional habitual – Por favor... Diga-me a verdade.
— Eu tomei a liberdade de fazer uma ressonância, para avaliar se o antídoto estava agindo como esperando e... bem, eu percebi que algumas áreas do cérebro parecem comprometidas. Mas eu não posso afirmar a natureza dos danos. Não até o meta-gene de cura agir completamente e Diana acordar... Só depois que ela acordar eu poderei diagnosticar se os danos foram ou não completamente sanados e, se não, quais seriam as consequências.
Não era preciso ter a habilidade de ler mentes para saber o quanto a revelação do Caçador de Marte abalou o Batman.
(...)
(Quinta-feira)
A primeira coisa que Diana notou quando sua consciência estava voltando à realidade foi um sinal sonoro constante em forma de bip.
Seus olhos se abriram lentamente, resistindo às luzes brilhantes acima dela, tentando adaptar a visão à claridade, enquanto se empurrava em uma posição sentada, se ambientando e avaliando o lugar onde estava.
“Por que eu estou no hospital?”, ela pensou, balançando as pernas, saindo debaixo das cobertas e plantando os pés descalços no chão. Sua mão voou para sua testa quando sentiu uma dor atravessar sua cabeça. Mas não era tão ruim, era apenas um desconforto causado pela hipoglicemia natural de quem alimentara-se exclusivamente de forma intravenosa, nos últimos três dias.
— Diana! – o homem de preto, que parecia cochilar ao seu lado, a chamou.
Ela ficou quieta, sentando-se novamente na cama, com os olhos fechados, por alguns minutos, agradecendo intimamente a compreensão do homem de preto, que manteve-se em silêncio, dando-lhe tempo para organizar sua mente.
Ela cautelosamente abriu os olhos, tirou as mãos das orelhas e olhou ao redor. Ela espiou por cima da borda da cama. O homem de armadura negra estava olhando pra ela, mas havia retirado a máscara.
J’onn e Bruce já esperavam que ela apresentasse uma certa confusão mental quando despertasse – o período prolongado de incubação dos nanobots interferindo nas funções neurais certamente provocariam um desarranjo em sua memória e ela precisaria de um tempo para organizar a bagunça.
Ela soltou um suspiro de alívio.
— Diana?
— B... Bru... Bru... ce
Ela não conseguia falar direito, como se a mente funcionasse, mas a fala não. Algo estava errado. E os dois se olharam nos olhos, cheios de amor e saudade, mas um novo sentimento fora somado: para Diana, incertezas e para Bruce, culpa.
♣ República Árabe da Síria || Ásia Ocidental ♣
Talia entrou no quarto, sem saber se seria ou não bem-vinda. Ela raramente se dirigia até lá sem um pedido prévio para anunciá-la ou solicitação para vê-lo. Mas sempre que certo assunto retornava à sua vida, ela enchia-se de coragem e desprendimento, tomando certas liberdade que normalmente não costuma tomar... Este era um daqueles dias em que a necessidade de fazer-se pró-ativa era essencial.
Ela olhou ao redor do quarto escuro. Haviam algumas velas acesas nas paredes, mas o quarto era tão grande que a luz não poderia oferecer a claridade devida. Ela mal podia ver metros à frente dela.
Deu alguns passos mais adiante, tentando ver bem seu pai, para ler suas feições ao fazer-lhe um pedido.
— Pai? – Ela disse para nada em especial, já que não podia ver o que havia no quarto. – Pai, você está aqui?
Houve silêncio. Talia deu mais alguns passos para frente.
— Pai? – ela repetiu. – Você está aqui?
De repente, uma luz veio do teto, iluminando o centro da sala. Talia levou a mão ao rosto dela, enquanto seus olhos se ajustavam à repentina luminosidade.
Ra's Al Ghul estava sentado em uma cadeira no meio da sala.
— Por que você quer me ver, filha? – ele perguntou.
Talia aproximou-se dele.
— Pai, peço-lhe que reconsidere seu curso de ação por um momento.
Ele olhou para ela.
— Você me conhece bem o suficiente para saber que não vou fazê-lo, Talia – disse ele. – O curso de ação que eu escolhi é o curso de ação que eu vou tomar. Você sabe disso. O que você realmente quer, Talia? O que está realmente pedindo?
Talia olhou para baixo e afastou os cabelos de seu rosto.
— Pai – ela começou – Peço que poupe meu Amado.
Ra’s colocou a mão sobre a dela.
— Minha filha, acredite, tudo que eu sempre quis foi que o detetive se juntasse à nós em nossa causa, mas eu não prevejo isso acontecendo. Ele fez suas escolhas, e nós temos que fazer as nossas.
— Mas pai, deixe-me tentar mais uma vez. Eu tenho um plano que talvez o faça vir para o nosso lado. Dê-me apenas algum tempo antes de seguir com seus planos.
— Está bem. Você pode tentar uma última vez, mas se não der certo, você vai obedecer: Eu a proíbo de entrar em contato com ele, ou ir até ele, se seu último curso de ação falhar. Eu preciso de você aqui, ao meu lado.
Talia ficou em silêncio por alguns instantes.
— Como quiser, pai – Disse ela, finalmente.
Talia se virou e se afastou. Ela chegou à porta, depois parou ao ouvir a voz de seu pai.
— O que você acha que poderia fazê-lo mudar de idéia, Talia? – disse ele, levantando a mão.
— Nosso filho, meu pai. Nosso menino. Aquele que é verdadeiramente o sangue do seu sangue!
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