Notas iniciais
Meus queridos leitores, Eu devia ter avisado antes, mas ainda é tempo, já que estamos bem no início. Acho que todos perceberam que estamos começando uma “nova fase” narrativa. Após a detenção de Elliot, a primeira parte da fanfic foi concluída e agora estamos tomando um outro rumo, para dar fôlego novo à trama. Agora Bruce e Diana estão vivenciando as primeiras fases de seu relacionamento e irão enfrentar as dúvidas, inseguranças e compensações de um enlace. Será que o relacionamento entre os heróis sobreviverá aos problemas causados pelos fatores externos? Ou à eles mesmos, com suas inquietações e vidas tão peculiares? Veremos...

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"Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente". (William Shakespeare)

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*** Mansão Wayne / Sala de jantar ***

Bruce olha para o prato, sem tocar na comida, ostentando a tradicional carranca. Tim e Diana se entreolham, tentando dizer a si mesmos que tudo ficaria bem.

A TV está ligada no canal de notícias, que Bruce gosta de assistir para manter-se informado sobre crimes e noticiários políticos. Quando a repórter da Gotham TV anunciou a tragédia, um sorriso formou-se no rosto de bilionário playboy. Ao passos que os rostos de Diana e Tim mostraram-se horrorizados e a bandeja com o lombo caiu das mãos de Alfred.

(Áudio da TV)

“Joe Chill, o assassino do Casal Wayne, foi brutalmente assassinado na tarde desta quinta-feira, logo após sua saída do Tribunal de Justiça de Gotham City. A polícia não ainda não pode identificar o assassino ou a motivação para o crime, mas sabe-se que Joe Chill era um alvo em potencial de mafiosos, contra quem iria testemunhar. Imagens de uma câmera de segurança, instaladas pela polícia de Gotham. e pelo FBI, que fazia a escolta do ex-presidiário, no local, apontam para um suspeito, mas não podem identificá-lo”

A repórter transmitia a notícia na TV, em um link ao vivo, em frente ao prédio do Fórum, onde o juiz deu a sentença de libertação provisória condicional à Chill. A imagem da loira de cabelos cacheados, com um microfone na mão foi finalizada e agora a uma âncora anunciava outras novidades sobre o caso, direto do estúdio da emissora.

Um vídeo mostrava uma imagem não tão nítida, de câmeras sem alta precisão, exibindo uma imagem em preto e branco:

Quatro homens à paisana, identificados pela narração da repórter como agentes do FBI que fariam a proteção à Chill – que fora inserido no Programa de Proteção à Testemunha, à pedido do promotor de Justiça de Gotham City, Peter Grant. Eles estavam entrando em uma casa modesta, em local não informado pela polícia à imprensa, para não comprometer as investigações.

No vídeo, os quatro policiais e Joe são alvejados antes de entrar na residência, ainda no jardim da frente. Uma figura encapuzada efetua os disparos. Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da Promotoria, os tiros que atingiram os policiais não foram fatais. Apenas os disparos em direção à Joe Chill. Indicando a intenção óbvia de que ele era o alvo.

A imagem é congelada no assassino, portando a arma e um close é dado, para eventual identificação.

A figura usava um manto e um capuz, e a máscara com a imagem de uma caveira cobria todo rosto. Em uma das mãos, ao invés de dedos, havia uma foice.

O sorriso de Bruce, outrora em seu rosto, fruto de uma satisfação momentânea de pura raiva e frustrações reprimidas por anos, após a morte de seus pais, desaparecera ao ver a imagem. Ele sabia quem havia matado Joe Chill.

Ela estava de volta!

*** Departamento de Polícia de Gotham / Manhã seguinte ***

Bruce lembra perfeitamente deste lugar. Não é uma lembrança agradável. As paredes têm a mesma essência, mesmo cobertas por novas tintas. Ele não esquece. Por mais que tenha lutado por anos para esquecer. Não é uma opção. Não é sadismo. Não é uma questão de manter firme uma lembrança na memória. É uma lembrança ruim. Algo do qual ele gostaria muito de se livrar, mas nunca conseguiu.

Ele rememora estar sentado em uma cadeira em frente à mesa de trabalho de um dos policiais. A placa de identificação dizia “Det. James Gordon”. Mas não havia ninguém na mesa. Bruce estava sozinho, perdido, com os olhos arregalados, esperando por Alfred.

Um homem se aproxima dele, coloca sua jaqueta no menino. Ele só tem oito anos e acabou de testemunhar a morte brutal de seus pais. O policial se identifica. É o detetive da placa. Ele diz pra chamá-lo de Jim. É o único que mostra um pouco de compaixão pelo garoto.

Jim diz que vão achar quem fez isso, mas Bruce precisa cooperar... E Bruce se esforça ao máximo. Ele descreve o atirador com habilidade que impressiona Gordon. Ele repete tudo que acontecera, onde acontecera, que horas, o que foi roubado e o que o assassino vestia.

A polícia prende Joe Chill na mesma noite, sem muito esforço. Pela descrição do menino, fora fácil identificá-lo. Era um velho conhecido da polícia. Já havia sido preso outras vezes, por furtos e assaltos, nunca com agravantes (morte, lesão grave ou tentativa de assassinato). As sentenças eram brandas porque as infrações na eram graves. Seus furtos eram para uso de drogas. Nunca premeditados ou com intenção de matar.

Bruce identificou o assassino facilmente e depois de um rápido inquérito, Joe foi condenado à duas prisões perpétuas, sem direito à condicional.

Na polícia, é consensual a suspeita de que a morte do homem que matou os Wayne esteja ligada à Máfia. Uma retaliação clara à Promotoria, que o usaria como principal testemunha contra os cartéis. A morte de Chill era a garantia de impunidade de homens poderosos e perigosos de Gotham. Para polícia, não havia dúvidas que algum chefão havia encomendado a eliminação permanente do criminoso a um assassino de aluguel.

Mas para Promotoria, especialmente para Peter Grant, nenhum suspeito deveria ser descartado, sendo assim, Bruce Wayne, também figurava na lista de interessados na morte do ex-presidiário e deveria prestar depoimento.

Bruce atendeu prontamente o chamado da Polícia e foi à delegacia espontaneamente. Não era costume o comissário conduzir pessoalmente a entrevista com o suspeito, mas sendo Bruce um amigo, Gordon fez questão de tomar seu depoimento.

Nenhum policial de Gotham acreditaria que Wayne fosse capaz de matar Chill. Nenhum negava que ele tinha motivos, mas conhecendo sua reputação frívola, despreocupada e suas atenções sempre voltadas para mulheres, sexo e bebidas, os oficiais não acreditavam que ele tivesse coragem, habilidade ou mesmo a inteligência adequada para arquitetar um plano para executar o assassino de seus pais. Mas Grant insistiu e Gordon o entrevistou, apenas por precaução.

Para alívio do policial, mais de uma centena de pessoas poderia garantir seu álibi: ele estava na Wayne enterprises. Tendo sido visto por cinco dezenas de funcionários e repórteres que o esperavam no hall, no momento do homicídio.

*** Praça de São Pedro / Roma / Itália / Dois dias depois ***

Não seria nenhuma surpresa se os homens – e provavelmente algumas mulheres – presentes no local, assistindo o desenrolar da ação à sua frente, passado o susto inicial do perigo, dirigisse a Deus algum tipo de agradecimento pela oportunidade de testemunhar aquilo.

Era uma beleza sem tamanho. Uma obra de Leonardo, ou Michelangelo. Uma obra-prima. Uma beleza... Sim, definitivamente, aquilo não poderia ter outro conceito que não a visão do que é belo.

A petit blondie bombshell, usando uma jaqueta que cobria o collant preto que deixava as pernas deslumbrantes de fora, emitia uma onda sonora com seus gritos, capaz de varrer o que estivesse em sua frente. À exemplo do que fez com o homem vestido como uma cobra. Ela o desorientou com um par de gritos e depois, mostrando toda sua habilidade nas artes marciais, o derrubou com uma sequência de chutes e jabs.

A morena esguia, de cabelos curtíssimos, que evidenciava ainda mais o rosto de traços delicados e os olhos verdes, vestia um macacão tão justo quanto Deus. Bastava um toque em seu amuleto, pendurado ao pescoço, que ela adquiria a força de um elefante, a velocidade de um leopardo ou a destreza precisa das acrobacias dos primatas. Mesmo esguia e alta, incapaz de ter força suficiente para abater um homem com o dobro de seu tamanho e massa muscular, ela o atacou com uma força sobre-humana, jogando-o contra uma parede de concreto e deixando-o inconsciente.

Outra, embora hostilizada em princípio por terem-na identificado como uma das responsáveis pelas invasões alienígenas (Thanagarianos*) que tomara de assalto todo o planeta, não podia ser-lhe negado o fato de que também era uma visão para encantar. O longo cabelo vermelho-alaranjado que caía sobre os ombros e as costas, pareciam chamas ardentes. Os olhos verdes mostravam a fúria inebriante que ardia nela. O conjunto de calça e top de ginástica pretendiam mostrar sua “desfiliação” à orda de seu povo – por isso ela abandonara o uniforme e a máscara, mas para quem a observava, o jeito descolado era incrivelmente sexy.

Mas após a surra que ela dera com uma espécie de “tacape de metal” em sua oponente, uma bruxa magra de cabelos roxos, mais da metade dos homens, apesar de desejosos, estavam com medo dela.

A plateia viu quando a linda morena, vestindo meias arrastão e uma cartola, fazia truques de mágica para envolver os adversários que estavam causando danos à cidade, criando grades que aprisionaram os recém-capturados. Ela tinha um sorriso arrebatador e era tão sedutora quanto suas companheiras.

Por fim, mas não menos importante, a heroína que praticamente toda população mundial conhecia. Ela vestia sua armadura tradicional, deixando à mostra as longas pernas tonificadas. Quem a vira pela TV, jornais ou vídeos na internet já havia sido capturado por esta visão, porém, era inegável que, ao vivo, as lindas imagens dela não lhe faziam jus. Ela era mesmo uma criação divina.

A morena destacava-se em altura, acima da média. Os cabelos negros estavam soltos, livres – mas ao invés de formarem um emaranhado desgrenhado, pareciam ondas calmas de um mar escuro, movimentando-se com o vento, acompanhando os golpes que ela desferia em sua adversária felina, cuja pele, garras, força, velocidade e ferocidade, era semelhante a de um leopardo-fêmea, denominada pelos africanos de Cheeta.

No fim da luta, reunidas no centro da Praça de São Pedro, as heroínas da Liga – Dinah, Vixen, Shayera, Zatanna e Diana – sorriam e falavam umas com as outras, como em um encontro normal entre mulheres.

A soma das belezas distintas, porém igualmente sedutoras, era um sinal divino da existência dos anjos. Uma visão inesquecível para quem estava em Roma, assistindo o espetáculo gracioso e épico de uma luta contra beldades.

— Precisamos fazer isso mais vezes, meninas – Dinah começou.

— Foi um ótimo exercício para descarregar as tensões – Shayera arrematou.

— Pra mim, sexo seria um caminho bem melhor – Vixen soltou, com um sorriso, para provocar Shayera, já que estava namorando John. Mas não fora de todo ruim, a ponto de tirar Shayera do sério. Ambas estavam trocando esse tipo de farpas sutis entre elas, que agora parecia mais uma brincadeira que ofensa gratuita.

— Diana, você devia vir conosco para a noite das garotas qualquer dia – disse Zatanna.

— Eu não sei, Zee. Eu ando tão ocupada com os deveres da Liga. Eu tenho pouco tempo pra ficar com o... – Diana parou no meio da frase para não revelar demais.

— Hum... alguém tem passado seu tempo se divertindo com um certo Cavaleiro escuro. – Dinah brincou.

— Shay, você contou? – Diana disse, envergonhada.

— Eu não, mas você acabou de fazer isso – a ruiva entregou. – Diana, você confirmou o que ela queria. Você precisa aprender certas coisas... Jesus!

No fim da conversa, já havia outro foco: roupas, a dificuldade de namorar bilionários ciumentos, flertes, e coisas do tipo. Diana estava grata por um dia assim. No fundo, ela estava preocupada com o estado de espírito introspectivo e sombrio de Bruce. E nada como uma reunião como esta: com amigas e diversão – que para uma amazona, era uma boa luta!

*** Mansão Wayne / Sala de entretenimento ***

Bruce cedeu aos pedidos de Diana e Tim para ver um filme com eles. Ele não queria, mas o olhar suplicante de Alfred o obrigara. Além da culpa que estava se misturando às frustrações por não dar a Diana, nas últimas duas semanas, a atenção e o carinho que ela merecia.

Ele não queria isso pra ela, porque ela merecia mais do que ele poderia dar-lhe. Mas ela era teimosa. Disposta a estar com ele, mesmo que sua escuridão o engolisse muitas vezes. Ela parecia aceitar o fato de que para estar com ele, precisaria pagar o preço da escolha, e lidar com isso era parte do pacote.

Bruce se esforçou para ser gentil. Não era muito, mas era um começo e o sorriso no olhar dela deu-lhe a confirmação do óbvio: ela o amava e o aceitava com suas cicatrizes físicas e emocionais.

*perspectiva de Bruce*

Eu vejo a herança régia de Diana em seu olhar, em sua postura. Se eu não soubesse que ela era uma princesa, eu a chamaria ainda sim por esta alcunha. Ela é a realeza. Não poderia descrevê-la de outra forma.

Sua natureza de guerreira amazona prevalece sobre todos com essa fúria apaixonada que ela carrega em seu coração. É uma chama descontrolada que consome tudo à sua frente. Ela captura todos. Não há modo ou maneira de não amá-la, de não apaixonar-se por este espírito formidável.

Eu tentei assustá-la. Porque eu quero e preciso protegê-la. Especialmente de mim. Eu preciso dizer-lhe para ir. Para me deixar. Para me odiar. Para que ela não se arrependa do que eu fizer a ela mais cedo ou mais tarde.

Eu não quero que ela discorde de mim. Que ache que posso fazê-la feliz. Queria que minha vontade se sobressaísse a dela. Que ela se submetesse, que parasse de lutar. Mas tudo que vejo é uma mulher ainda mais forte e eu sou o único a ceder às suas súplicas pela nossa chance de amar um ao outro.

Deus, ela ainda está aqui. Mesmo que eu não tenha sido tão bom pra ela há semanas. Agora tudo o que resta é envenená-la com amor, uma aliança profana de instinto e vontade até que ela também esteja quebrada. Ela deveria sair, o que eu estou fazendo de errado?

"Eu não vou tentar mudar você Bruce, mas vou lembrá-lo que há sempre outro lado da sua alma que você pode explorar", foi o que ela me disse ontem a noite, na cama, quando voltei da patrulha.

Eu me sento no sofá com ela e Tim e a envolvo em meus braços. Eu sei que não vou conseguir fazer isso por muito tempo, mas tudo que eu desejo, por hoje, é fazê-la feliz.

*perspectiva off*

Alfred entrou na sala de repente. Anunciando uma visita para Bruce. Ninguém havia percebido, porque a expressão do mordomo era sutil, mas Bruce viu no rosto de seu pai substituto um quê de aflição não tão legível.

— Eu não estou esperando ninguém, Alfred. Quem é? – Bruce disso.

— Senhor, por favor, venha comigo. Há alguém na biblioteca que o senhor deveria atender.

Diana e Tim ficaram curiosos, mas permaneceram no sofá, após Bruce dizer que resolveria, sozinho. Entendendo que a discrição de Alfred queria dizer mais que o requinte da etiqueta inglesa.

— Mestre Bruce, eu recomendaria um chá de camomila. – Alfred disse para Bruce assim que fechou a porta da sala.