Broken Hearts

15 Não diga mentiras


Notas iniciais
*Minha escolha para o personagem de Tommy Elliot: Matt Damon. Atentem para a ironia da escolha: Ele e Ben Affleck melhores amigos ‘na vida real’. *The Cat entra na estória só pra tumultuar. Por mais que Selina seja um personagem ótimo de se trabalhar, o contra-ponto será outra mulher. Sorry, Sel!! No mais, Bon Voyage!! ♥

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"Amar dói tanto que não dói mais, como toda dor que de tão insuportável produz anestesia própria”. (Tati Bernardi)

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*** Gotham City / Est End ***

Diana e Bruce podiam dizer que sua ‘amizade’ vinha crescendo demasiadamente bem. Ele não havia se afastado. Ela jantava com ele e os meninos uma ou duas vezes por semana. Não havia nada formalmente dito ou palavras elaboradas para definir ‘onde eles estavam’, no que diz respeito a uma relação pré-fabricada. Havia amor e ambos sabiam disso. Mas também havia carinho, medo, cuidado e zelo de um para com o outro.

Pequenos passos eram dados, mas era preciso caminhar com cuidado para que os telhados de vidros do emocional do morcego não viessem a rachar e ruir.

Eles tinham pouco tempo para ficar juntos, mas Diana estava animada porque as reuniões dos sete já indicavam a necessidade de adesão de novos heróis à Liga. O que lhes ajudaria a dividir tarefas com os novos integrantes, dando-lhes mais espaço para investir na vida pessoal.

Ambos estavam inseguros, tentando ajudar um ao outro, cuidando um do outro, da maneira que podiam. Batman tentou diminuir sua guarda ao redor dela, mostrando-se confiante em suas habilidades, mas apenas porque havia aumentado as sessões de sparring, para ensinar-lhe mais técnicas de combate. Ele também tinha que admitir que só fez isso porque ela era muito boa em convencê-lo a afazer o que ela queria.

Uma noite em questão, ela decidiu que era hora de somar suas habilidades de caçadora – presente da deusa da caça Artemis – às técnicas ensinadas por Batman. E quem seria melhor para ser surpreendido que seu ‘mentor’?

Após a localização enviada pelo Oráculo, Diana seguiu para Est End, para um telhado qualquer, onde o seguira por algum tempo. Ele parou por um tempo, envolvido pela escuridão da noite. Ela nunca se incomodara em observá-lo. Ela poderia fazer isso por toda uma vida. O homem atlético, de ombros largos e robustez masculina era um Adônis, belíssimo para ser contemplado.

Ele estava parado lá a algum tempo, como se algo tivesse chamado sua atenção e, ao invés de mostrar-se, ela decidiu que observaria um tanto mais. Quando uma figura petit e esguia saltou em sua direção. Vestindo um stretch preto justíssimo, a figura da Gata esgueirava-se em um movimento de quadris de deixar supermodelos com inveja. Causando arrepios na espinha de Diana, que sussurrava para si mesma: ‘Fuja, Bruce. Por favor!’.

Ele havia falado à Diana sobre Selina. Sobre Talia e sobre algumas outras tantas que passaram em sua vida. Ela sabia de seu passado e mesmo assim, isso não aplacou a angústia que ela experimentava naquele momento. Bruce lhe dissera como se sentira em relação à Selina, como Selina se sentira em relação à ele.

Diana sentia que ele a amava e que Selina estava apenas guardada com carinho em seu passado. Diana não queria e não podia duvidar disso. Duvidar do esforço que ele fazia, todos os dias, para ser honesto, sincero e sensível, mesmo indo de encontro à escuridão massacrante que seu coração mantinha em torno de si. Mas o ciúme dentro dela não a deixava em paz e carcomia como uma doença infecciosa, como se matasse as células de seu amor.

Ela tentou lembrar do seu abraço, há dois dias, na mansão, dizendo-lhe coisas boas, após uma missão da qual ela mal se lembrava. Ela, Batman e John perseguiram Chronos*, mas ela não conseguia lembrar de nada. Tudo que ela sabia é que, após a missão, Bruce a esmagou em um abraço que durou a eternidade.

Não havia uma razão particular. Não havia nada de especial. Não era um dia especial. Era um dia comum e ela estava presa em seu abraço, sentados no sofá, em frente à lareira, contemplando o retrato dos pais dele, sobre o alpendre de pedra. Ela simplesmente disse, como um sussurro “Eu te amo tanto, Bruce”.

Ele olhou para ela como se algo o tivesse picado. Mas havia um misto de felicidade nos olhos dele que ela pensou que ele fosse chorar. Não de dor, mas de uma significação de afeto e reconhecimento. Ele estremeceu e ela sentiu o tremor em seu abraço. Eles estavam olhando-se nos olhos. Nenhum beijo, nenhuma ação outra que não fosse o abraço de dois espíritos amantes, que se bastam por si mesmos: entrega e amor é maior que luxúria. Nada é mais sublime que amar. NADA!

Ele não se moveu, mas sorriu, como se fosse o primeiro sorriso de uma vida inteira. E ela sorriu de volta: com os olhos, a boca, o corpo, a alma.

Ele estava feliz... Ela estava feliz... E Bruce a abraçou, como se nunca mais pudesse deixá-la partir. Nunca mais!

Quando o abraço afrouxou, ele escondeu o olhar. Havia medo e ela sorriu, compreendendo tudo que ele estava sentindo. Ela sentiu que para ele, ela era seu mundo, mas ele precisava de tempo, de espaço, de respiro. Ele não sabia o que fazer.

Ela podia ver mais do que apenas a adoração que ele tinha por ela em seus olhos naquele momento. Ela podia vê-lo querendo dizer a ela que a amava muito. Ele abriu a boca várias vezes, mas só conseguia tomar fôlego, nada mais, como se doesse algo dentro dele. Como se ardesse, como se rasgasse algo lá dentro, sufocando-o.

— Bruce, está tudo bem... você não precisa responder. Eu te amo, Bruce. Eu te amo. Mas eu posso esperar até você estar pronto.

Ele a fez encostar a cabeça em seu peito e respirou aliviado.

Ela não viu a lágrima solitária escorrer pelo canto direto dos olhos dele. Bruce a amava... Realizado. Como um morto que volta à vida. Como o coração que teve o sopro do renascimento. Ele estava vivo novamente!!

As lembranças fugiram de sua mente quando ela o viu encurralar a Mulher-Gato. Ela esperava que a luta fosse iminente e quase se mostrou, para ajudar o Caped Crusader.

Ela viu os adversários se olharem, sem tomar a iniciativa. Ela entendia. Foi a mulher que um dia ele amou. Ele não iria machucá-la. Selina foi a primeira a tomar um outro caminho de ação que não o de ataque/contra-ataque. Ela caminhou sedutoramente para ele. E Diana sentiu o engasgo na hora vendo que ele não se moveu ou refutou a ação.

‘Não vai funcionar, querida... Ele não te ama mais!’, foi o que seu coração sussurrou, descrente do que via. ‘Ele não vai... ele.. ele..’, ela podia ouvir os cacos do coração no chão.

As mãos dela no pescoço dele, deslizando por sobre o peito, beijando-lhe a mandíbula... e Ele imóvel. ‘Por que ele não a empurra para longe? Por que?’

Tijolos começaram a rachar. Ela estava segurando com tanta força uma das chaminés de um telhado que o concreto estava virando pó.

Então ela o beijou. A Mulher-Gato... A mulher que ele dissera não mais amar. Como ele poderia mentir assim para ela? Ela não era especial? Ela não era nada além de divertimento? Como Diana poderia respirar e mover-se quando o cérebro fervia furioso e o coração se mantinha magoado e quebrado.

As mãos do Batman percorreram o caminho dos quadris para o pescoço, onde ela envolvera-o e Diana ouviu o clique. Eram algemas! E o rosto de Selina contorceu-se de ódio.

Ela ainda estremecia no canto do telhado. Era um ardil? Diana não se importava. Vê-lo beijar outra mulher não saiu de sua mente. Ficou gravado no coração. A dor não passou sequer quando ela o viu entregar Selina à polícia.

Mas havia uma fúria que renovara-lhe as forças, quando ela o viu sozinho novamente. Ela flutuou a um ponto em que ele podia vê-la. Os cabelos ao vento, emoldurando o rosto bonito da morena amazona, ainda vestida com seu uniforme tradicional, mostrando as longas pernas torneadas.

Batman a vira e sorriu, imediatamente. Mas antes de pensar em soltar, com divertimento, sua famosa admoestação de ‘não quero metas em minha cidade, princesa’, ele viu o rastro de lágrimas em seus olhos e disse internamente a si mesmo “merda”.

Ele sabia. Ela o vira com Selina. Ele não sabia o que dizer. Ele não estava acostumado a se desculpar, a se justificar. Eram as mulheres em sua vida que o machucavam e não o contrário.

— Princesa! – Sua voz parecia impassível.

Ela respondeu algo tão baixo e com uma calma tão fria que ele congelou porque sequer pode ouvir.

— Princesa... escute: eu só queria colocá-la em uma posição que pudesse prendê-la sem maiores danos. Não é o que você pensa!

— Você poderia ter feito isso apenas lutando com ela – Ela finalmente respondeu, calmamente.

Ele ficou mudo por um tempo, até ter vontade de responder alguma coisa, como se estivesse cansado e triste, mais consigo mesmo que qualquer outra coisa: – Diana, você não tem que se preocupar. Eu não a amo. Meus sentimentos por Selina não passam de cuidado. Eu só não queria machucá-la.

— E por acaso você ama alguém, Batman? Porque eu sinceramente não sei quais são os seus sentimentos e eu estou tão cansada... – Ela latiu e não o deixou responder, por causa da raiva e da frustração crescentes em seu peito – Eu sinto que sou a única lutando uma batalha. O exército de um homem só. Uma mulher não pode agüentar tanto, Batman.

— Eu estou tentando, Diana... eu estou dando o meu melhor. Não desista de mim. Não agora! Você sabe como eu me sinto... Você sabe, princesa!

— Eu achei que sabia, Batman. Mas eu já não tenho certeza! E até que você possa realmente me dizer o que sente, eu acho que devemos parar de nos ver e sermos amigos, como temos sido sempre!

*** Sentinela / uma semana depois ***

Diana estava se preparando para sair. Ela usava um vestido bonito, mas simples, de noite. Ela ia jantar com alguém que oferecera-lhe um ombro amigo e tinha sido sempre gentil: Tommy Elliot. Ela dissera-lhe que amava outro homem e não poderia dar-lhe nada além de sua amizade e ele foi sensível o suficiente com ela para compreender a situação.

Bruce estava no monitoramento quando ela tomou a direção do teletransporte. A princesa podia ver as linhas tensas em torno de seus olhos relaxarem ao olhar para ela com afeto. “Eu sinto sua falta, princesa”, ele sussurrou para si mesmo. Ela ofereceu-lhe um sorriso fraco, jurando para si mesma que queria estar com ele, mas seria forte, até que ele fosse firme quanto aos seus sentimentos.

Como ele estudou seu perfil, olhando-a nos olhos, Diana podia sentir a frustração e confusão irradiando dentro dele. Com o canto do olho ela o viu arquear os ombros, derrotado. Ele baixou a mão e tocou seu antebraço, com delicadeza, como uma voz mediadora entre o Batman e Bruce: “Princesa. Eu sinto muito!”. Era uma voz dolorida, angustiada e sofrida. Ela queria abraçá-lo, beijá-lo, dar-lhe todo carinho e afeto que ele precisava.

Isto não é nada fácil para ele. Era a coisa mais difícil que já fizera em anos. Ele estava com o coração oscilando. Entre a razão que o mandava se afastar e o coração que clamava por ela. Adicionado a isso, a natureza do relacionamento deles era tão complicada: haviam as razões. As malditas razões. Mas doía como o inferno dentro dele. Quando ela estava por perto, tudo era melhor. Como se o vazio não fosse realmente tão abissal.

*** Restaurante Blue River / Metropolis ***

Diana jantava tranquilamente com seu amigo Tommy. Eles pareciam ter um tempo tranquilo e divertido, apesar dos poucos sorrisos que ela emitira por toda noite.

Bruce os observava do topo do prédio na frente do restaurante. A familiaridade que Tommy parecia ter com a princesa – SUA PRINCESA – fez nascer em Bruce uma outra emoção. Era um sentimento bem menos familiar: era puro ciúme, pura raiva, puro dissabor. Vê-la com outra pessoa era como esmagar seus ossos, um a um. E ele imaginou o que ela deve ter sentido ao vê-lo com Selina.

Aquilo não tinha comparação. Doía muito. Não era a raiva por causa dos rumores da mídia que a emparelhavam com o Superman. Este sentimento incluía desespero. Incluía medo. E apenas um sentimento conseguiu se cristalizar em seu coração: MINHA!! Ela é MINHA... e ninguém vai tirar ela de mim!

Notas finais
Trilha para o Capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=dulMxrNiLNE A Great Big World feat Christina Aguilera - Say Something * O East End de Gotham City é dito ser poluído com tabernas, clubes de strip, prostitutas e crime. São um conglomerado de favelas na fronteira da histórica Old Gotham. * Episódio da Liga com Chronos: https://www.youtube.com/watch?v=etWuwdIdzIg