Broken Hearts
21 Conversa na cama
Notas iniciais

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“Dois amantes felizes não têm fim nem morte. Nascem e morrem tanta vez enquanto vivem. São eternos como é a natureza”. (Pablo Neruda)
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*** Mansão Wayne / Dia seguinte ***
(SENSAÇÕES)
São absolutamente raras as ocasiões em que Bruce Wayne, o formidável Batman, é apanhado completamente desprevenido e, não seria exagero dizer, totalmente surpreendido.
“Jesus”. “Uau”. “Minha Nossa”
Seja qual for a interjeição... Nada poderia expressar o que ele havia experimentado.
Sua princesa, Diana de Themyscira, saiu de uma ilha habitada apenas por mulheres e claro, algumas vezes ele se perguntara se ela já teve alguma experiência no campo afetivo, com alguma de ‘suas irmãs’. Bem, não era o tipo de pensamento que o incomodava... Pelo contrário!
Mas depois da noite passada, da manhã seguinte, da rotina de atividades que continuamente ocorrera até a tarde de hoje – que só foi interrompida para que eles comessem os alimentos deixados por Alfred na antesala da suíte.
Tudo que sua mente podia pensar – Esperem... ele não podia pensar. Não depois que ela... ‘Nossa!’ Era tudo que um cérebro extraordinário podia dizer!
Ele sabia, obviamente que ele tinha sido o primeiro, mas... como?? Como ela saberia??
O corpo de Bruce formigava com uma sensação deliciosa de formigamento. A respiração irregular, pulsante, acelerada como se fosse o Flash. Os olhos abertos, surpresos, a boca tentando emitir outro som que não fosse apenas sussurros e gemidos.
O corpo nu, percorrido por finas camadas de suor, em pleno início do inverno em Gotham, cortesia de toda atividade intensa retomada no último par de horas, após uma pausa para o banho e o almoço (no quarto).
Seus braços fortes haviam desabado sobre os lençóis bagunçados na cama. Ele estava quente por toda parte, principalmente por causa do que ela tinha feito com ele. Ele ainda não podia acreditar. Até a noite anterior ela ainda estava um pouco tímida sobre o que fazer... até que de repente... ela era como uma leoa faminta.
Descansando o queixo preguiçosamente nos peitorais de seu amado, o resto de sua forma nua deliciosamente aconchegada sobre o corpo de Bruce, Diana sorriu para ele. Um sorriso preguiçoso, lindo e sexy... E Bruce se apaixonou. Mais uma vez. E outra vez. E Novamente, como tem sido pelos últimos quase dois anos em que a conhecera. Como um looping infinito de paixão que se renova e revigora todo santo dia.
Ele a virou de costas para cama e Diana riu, de forma tão adorável que Bruce jurou silenciosamente que dedicaria todos os dias do resto de sua vida a ter certeza de que ela faria esse som só pra ele sempre.
Ela mexeu seu corpo e aproximou o rosto do pescoço dele, sugando toda vida e toda vontade própria que ele pudesse ter um dia. O coração estava saltando de alegria e droga, o maldito Batman não grita de alegria.
Ele tentou perguntar... Ou algo assim!
“Princesa (os dentes dela estão mordiscando em torno da nuca)...
Como você (lábios no lóbulo da orelha)
Sabe... Jesus!! (unhas na parte interna da coxa)...”
“O quê? Você não gosta?”, ela disse, timidamente, divertindo-se ao vê-lo se contorcer.
Diana também estava extasiada. O que Bruce fez a ela a fez engasgar de prazer. E tudo que ela queria era retribuir todas as sensações que tinham-na devastado os nervos. Ele causou incêndios com cada um dos seus beijos plantados nos lábios, pescoço, mamilos e por todo corpo. A feminilidade umedecida, o amor crescente, um fogo inebriante, os olhos fechados, tentando recuperar a sanidade. Cada impulso parecia fazê-la querer amá-lo ainda mais, gemer seu nome, gritar em virtude do delicioso prazer que fez os dedinhos dos pés se contorcerem em êxtase.
“Eu amo, princesa. Eu simplesmente amo. Só estou surpreso”, Diana riu com o comentário dele.
"Então, obrigada, minha doce Afrodite. Meu cavaleiro das trevas foi conquistado", Diana brincou. Seu dedo estava de repente nos peitorais, preguiçosamente desenhando círculos com gentileza.
Bruce Wayne não era um homem de fé ou religioso. E ele nunca havia orado a qualquer deus que seja desde que seus pais morreram naquela noite, há muito tempo. Mas Diana o fez repensar as coisas, depois de vê-la, absolutamente linda, com os cabelos desgrenhados, sorrindo, sentada sobre ele, completamente desprovida de quaisquer cobertura que não fosse a pele e os braceletes.
E Bruce silenciosamente agradeceu à deusa do amor, da beleza e da sexualidade. Ele não podia negar a existência fabulosa do ‘presente’ que Diana recebera dela.
(...)
No Monte Olímpo, uma mulher de cabelos dourados como a luz do sol e ainda mais bela que a Mulher Maravilha sorria para a visão dos dois amantes que se desenrolava diante de seus olhos. Feliz por sua campeã, Afrodite trouxe à boca um delicioso gole de sua taça com néctar. Ela estava satisfeita com eles, por hora!
(PILLOWTALK – Horas mais tarde)
— Bruce, você tem orgulho delas? – Ela pergunta, dedilhando os cumes das cicatrizes.
— Sim! – Ele suspira, para e pensa, lembrando os anos de sua vida dedicados à sua cidade, sua missão.
— Me conta sobre algumas?!
— Bom, princesa... Eu fui ferido à faca, balas e mordidas de cão, mais do que consigo lembrar, acredite. Foi por isso que fui adaptando o traje com o tempo. Hoje, a armadura* me protege de muita coisa. – Ele deu mais um suspiro – Eu já fui ferido com cacos de vidro, hastes de metal, chapas de metal, pedras e Alfred sabe mais o quê foi removido da minha pele... E bom... – Ele olhou para ela, que fazia uma careta de dor, com cuidado para saber se continuava – Tenho cicatrizes de chicote deixadas por uma ladra muito, muito, muito, muito irritada.
Ele prosseguiu, acariciando os cabelos dela, que tinha a cabeça sobre seu peito nu.
— Eu não dormi com a maioria das mulheres com as quais Bruce Wayne finge estar. Como eu poderia explicar todas as cicatrizes que Batman recebeu?
— Então você não dormiu com muitas mulheres?
— Bom, mais ou menos... Ocasionalmente eu usava uma forma de liberação sexual na parte de traz da limusine, mas era ocasionalmente, Diana – Ela arregalou os olhos – Assim eu não precisava ficar com meu torso nu, de qualquer forma. Mas não é algo que eu me orgulhe... Como qualquer homem, eu tenho algumas necessidades e esse tipo de interação acaba ajudando na minha reputação fútil de playboy.
— Eu acho que elas são bonitas, Bruce. Contam sua história, seus feitos, mostram sua vontade inabalável, sua alma corajosa. – Ela se move devagar e olha com carinho para seu rosto. – É a impressão digital de seu corpo. Se eu pressionar o meu peito contra o seu, eu posso sentir os cumes, o relevo de cada uma delas. Minha pele formiga ao seu toque, Bruce, quando você se move sobre mim.
Ele remove sutilmente a mecha de cabelo preto que escorre pela testa da amazona e a beija. Deitados em silêncio, absorvidos por um sentimento de completude difícil de descrever, de conjurar, de medir. É como se a vida estivesse borrifando felicidade sobre ambos.
Ele suspirou e sorriu novamente, trazendo-a para perto. O cheiro bom de rosas, jasmim e sexo feito com amor e desejo, ao longo de todo o dia os deixou esgotados. Mas ele tinha mais algumas horas de bom sono antes de sair em patrulha.
— Eu amo você, Diana. – Bruce a segura protetoramente em seus braços e deixa-se experimentar a sensação de paz que o inebria naquele instante. Tudo mais é dispensável... por agora!
*** Região de Tarapacá / Chile / Dias depois ***
Um terremoto de magnitude 6,8 na escala richter havia atingindo o Norte do Chile. Ao todo, houve dano significativo em mais de 10 cidades da Região de Tarapacá, mas graças a intervenção imediata da Liga da Justiça – até o presente – o relatório de Bombeiros e autoridades locais não relatou nenhuma vítima fatal.
Centenas de pessoas foram feridas ao todo. Mas a maioria, apenas apresentavam ferimentos leves. Os feridos gravemente foram escassos e poderiam ser tratados, e ninguém corria risco de morte.
Diana estava exausta após um dia inteiro resgatando pessoas debaixo de escombros, erguendo edifícios gigantescos, levando bombeiros à locais de difícil acesso, oferecendo palavras de apoio e solidariedade para as pessos resgatadas que perderam tudo na tragédia.
A Fundação Wayne prontamente se ofereceu para fornecer os meios financeiros para reconstrução das cidades e a ONU se responsabilizou em assumir outros aspectos.
No topo da colina de uma das cidades atingidas, Pisagua, Diana sorriu quando ouviu de longe a aproximação de alguém. Mas a previsão antecipada se dava mais porque ela reconhecia bem aquele perfume que pelos sentidos meta alimentados.
— Olá, Kal! – Diana disse sorrindo, ainda sem se virar para cumprimentá-lo e já prevendo que seu melhor amigo estava sorrindo em retribuição.
Não era preciso um intelecto de detetive ou intimidade com ele para facilitar esse tipo de previsão. Kal-El, o Superman, a criatura mais forte do mundo, era a simpatia personificada, além de um ‘sorridente compulsivo’ para com os que amava. Nem mesmo Bruce ou Batman escapavam de sua distribuição de sorrisos e de seu bom humor – forte o bastante para se sobrepor ao mal humor de seu melhor amigo.
— Olá, Di – Ele flutuou até posicionar-se ao lado da morena coberta de fuligem e poeira. – Fizemos um bom trabalho hoje, não? Eu não sei você, mas eu me sinto particularmente feliz quando não perdemos vidas inocentes. – A parede de músculos em forma humana também estava com os cabelos sujos de poeira e o rosto manchado de pó.
— Eu também, Kal. – Diana olhava para o horizonte, onde o sol se despedia de todos, escondendo-se devagar, por traz das montanhas, exibindo os hipnotizantes tons de laranja e vermelho com que costuma cobrir o céu, sempre que faz sua partida, ao fim do dia.
— Você parece diferente, Di – Ela olhou de relance quando o ouviu dizer isso – Eu não sei dizer o que é... – Kal olhou para sua melhor amiga, sorrindo – É como se estivesse mais bonita... mas.. bem... É... Isso você sempre foi. – Ele não conseguia evitar que sua timidez se mostrasse em alguns momentos, nem mesmo com Diana. – Quero dizer... bem... eu...
— Eu entendi, Kal. Não se preocupe em explicar! – Ela o viu respirar aliviado por não precisar justificar que não estava flertando com ela.
— Má (Kent) costuma dizer que quando estamos felizes, apaixonados, ou ambos, nós e o mundo ao nosso redor fica mais bonito – Clark não esperava o que veio a seguir.
— Ela está certa... – veio como um sussurro.
O belo homem, que vestia um impecável traje azul marinho, agarrado milimetricamente à cada um dos músculos perfeitamente esculpidos do seu corpo e cuja exuberante capa vermelha, movendo-se constantemente, servia como lembrete de que ele podia alcançar o céu, flutuou em direção ao abismo, pairando, frente a frente ao alvo de sua curiosidade.
— O que quer dizer? – Ele a olhou curioso – Nós não temos conversado há algum tempo, Di. Você está apaixonada? – Ela assentiu, timidamente – Eu não tenho visto você pelo Sentinela nas suas folgas.
— Eu... tenho estado em outro lugar, nas minhas folgas. – Diana estava ponderando sobre o que poderia revelar – Não sempre, mas alguns dias por semana.
— Onde? – Ele quis saber!
— Em Gotham! – O rosto de Kal mostrou a completa surpresa.
— Di, você sabe que o Batman não quer metas em sua cidade. Por favor, não o desafie dessa forma. Eu não quero lidar com vocês dois em pé de guerra.
— O Batman não se opôs, Kal... – Quando viu seu amigo arregalar os olhos, Diana completou – Aliás, ele está bastante ciente das minhas visitas. – Ela riu para seu amigo incrédulo – Já que eu tenho passado meu tempo livre na Mansão.
Foi então que o Superman engasgou.
*** Bunker / Esconderijo do “Retalhador de Gotham” ***
O homem sorri para a beleza deitada inconsciente sobre a cama, enquanto tira a mecha teimosa de cabelo negro que lhe cai sobre o rosto.
Ele admira, com os olhos brilhando, cada curva do corpo esguio da mulher vestida em um uniforme com as cores da bandeira americana. Thomas Elliot não pode negar a beleza divinal à sua frente. Ela é admirável, mesmo em uma posição tão frágil, desacordada.
Tudo que seu coração pulsante é capaz de emitir no momento é um sussurro.
“Não se preocupe, princesa. Eu vou cuidar de você”.
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