Broken Hearts
5 Cena do crime
Notas iniciais

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“Tudo começara como uma página de romance. Mas agora, terminado o encanto, as coisas se apresentavam como uma realidade sombria”. (Agatha Christie)
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***Arkham Asylum***
Diana expressou um sorriso sutil ao assistir, bem de perto, o Batman levar abaixo 11 homens, em pouco menos de 50 segundos. Não era a primeira vez que ela o vira em combate: além de estrategista espetacular, Bruce também era muito bem treinado e eficiente ‘em campo’. Ainda sim, para Diana, aquele momento fora surpreendente, e ela não conseguiu conter um pequeno sorriso de admiração.
Ela era uma guerreira, treinada por séculos por suas ‘irmãs’ amazonas, até dominar variadas formas de combate. Lutas corpo a corpo, com uso do arco e flecha, além dos inúmeros tipos de espadas: do leve florete à espadas de lâminas longas e pesadas. Logo, Diana não teve dificuldade em reconhecer o Batman como um guerreiro. Ainda mais depois de ouvir de seu amigo Kal que ele era um homem comum, não um meta-humano, como o resto de seus companheiros.
Nesse mesmo dia, observando-o ‘em campo’, durante uma luta, em uma missão da Liga, ela disse a si mesma: ‘O Batman pode até ser um homem ‘sem poderes’, mas definitivamente, ‘comum’ não era um adjetivo apropriado para defini-lo.
Contudo, as ações do Cavaleiro das Trevas nesta madrugada, no Arkham, a surpreenderam sobremaneira. O Batman, membro fundador da Liga, seu parceiro de armas, era muito bom. Mas este Batman à sua frente, o protetor de Gotham, era espetacular. ‘O guerreiro mais formidável que já vira em sua longa vida. Melhor que Arthemis ou general Phillipus’, Diana pensou.
Era como se suas habilidades alcançassem o pico do nível de excelência, ao passo que suas ações foram impecáveis. ‘Como se o espírito de Aquiles* tivesse retornado à vida, para tornar-se novamente um dos maiores guerreiros que a humanidade já vira’, ela supôs.
(...)
De repente, Bruce a chamou e pediu que ela enlaçasse metade dos homens que ele abatera, enquanto ‘algemava’ a outra parte dos criminosos. A maioria deles fora imobilizada com o laço dourado. Eles olhavam para ela com a mesma expressão de terror que tinham quando viram o Morcego gigantesco planar sobre suas cabeças, pousando ao seu lado – uma mulher com a força do Superman, trabalhando com o Batman, em Gotham, poderia amputar-lhes um membro e espancá-los com o membro arrancado.
Outros três estavam inconscientes. E, por fim, dois deles, já algemados, tiveram a (não tão) brilhante ideia de, digamos, cortejá-la de forma desrespeitosa. No começo, quando o flerte não passava de gracinhas sobre ‘como ela bonita’, ‘gostosa pra caramba’ e ‘se você vai patrulhar Gotham com o Batman, eu vou dar um jeito de ser preso toda semana’, os heróis se mantiveram indiferentes. Diana realmente não se importava. Bruce sim, muito embora sua postura apontasse que não.
Então quando as gracinhas começaram a tomar um caminho desrespeitoso e lascivo, a paciência do morcego veio abaixo e um soco muito bem aplicado em cada uma das mandíbulas dos jovens os silenciara, provocando um sorriso no rosto de Diana.
(...)
Estando todos detidos, Batman usou o comunicador para enviar uma mensagem para o rádio da polícia, dizendo a Gordon que enviasse alguns policiais à ala 9, tomando os bandidos sob custódia. A menção da polícia calou ainda mais os ‘engraçadinho’ e Diana ouviu um barulho fraco, repetitivo, provavelmente em outro pavilhão.
Ela percorreu o imenso corredor que liga toda ala leste (onde eles estavam), até chegar ao local onde o som se tornara cada vez mais nítido. Foi quando ela, graças a sua audição aumentada, se deu conta de que o tilintar ritmado lembrava o som do movimento de ponteiros de relógio.
O ruído vinha do Bloco 1, mais próximo da saída. O tic-tac a levou até uma porta trancada, mas ela não teve qualquer dificuldade para abrir. Era como uma despensa para guardar material de limpeza. Sob a estante, uma caixa de papelão de onde vinha o som. O conteúdo: uma bomba relógio, que a fez gritar:
— Batman, saia gora... Isso aqui vai explodir!
Em condições normais, o Batman conseguiria desativá-la com facilidade, ela pensou, mas com o relógio, em contagem regressiva, indicando 45 segundos restantes, essa opção estava descartada.
Ela o viu passar por ela, em direção à saída, carregando dois dos jovens que ele prendera. Um em cada ombro. Os outros estavam sendo trazidos por policiais. Mas a distância entre as alas 9 (quase a última) e 1 era imensa. Ainda havia muitos policiais correndo pelo corredor com um dos presos nos braços ou sendo amparado. A detonação era iminente. Era humanamente impossível chegar à saída antes da explosão.
Diana voou em velocidade na direção da entrada. Lembrara da imensa porta de aço que dava acesso aos pavilhões. Arrancando-a da parede com facilidade, a levou em direção ao corredor e se posicionou em frente aos policiais e detidos que ainda estavam lá. Sua intenção era conter o fogo e os estilhaços provocados pela explosão e proteger as pessoas.
A explosão causou uma onda de choque que pegou todos de surpresa, mas a princesa amazona conseguiu conter boa parte do fogo e do impacto, além da maioria dos estilhaços, que com a força do impacto, deixou suas marcas na porta de aço.
A onda de calor e força sacudiu o prédio, deixando para traz alguns pontos de incêndio, fumaça e gritos de dor. Batman estava do lado de fora quando a bomba detonou. Seu coração disparou angustiado quando ele fez seu caminho de volta. Sua preocupação para com os policiais, e até para com os homens que acabara de prender, era genuína... mas estava há anos luz de distância do sentimento de angústia que ele estava experimentando com relação a Diana. Ele sabia que sua fisiologia meta lhe garantia mais resistência que uma mulher comum e o fator de cura acelerada viria a calhar. Mas ela não era invulnerável e ele ainda não tinha um relatório completo sobre os níveis de resistência dela.
(...)
Não se via praticamente nada ao longo do corredor, apenas fumaça. Podia-se ouvir gemidos de dor e alguns passo em direção à saída. De repente, uma figura esguia e alta vinha em sua direção, até que aos poucos, se tornava mais nítida: a beleza de longos cabelos negros como a noite e olhos mais brilhantes que safiras azuis.
No rosto, algumas mechas rebeldes agarraram-se ao suor no rosto parcialmente coberto de fuligem, fazendo-a incrivelmente bela – como se as pequenas mostras de ‘defeito’ em sua imagem impecável acrescentassem ainda mais inocência à sua exuberância.
Uma onda de alívio cobriu o coração do Cavaleiro das trevas e ele soltou um suspiro inconsciente, mas profundo. Do seu ponto de vista, a cerca de 20 metros de onde ela estava, ela parecia bem, mas havia um corte aparentemente profundo na altura da testa, arranhões e um tanto de sujeira.
Ao redor deles, gemidos dos policiais e bandidos atingidos, mas nenhum ferimento fatal. Apenas escoriações por causa de parte dos estilhaços que escaparam da proteção de Diana.
Saldo final: Número de mortos: zero. Feridos: 20 policiais, 3 vigilantes e 6 bandidos. Mulher Maravilha os tinha salvado da morte!
*** Batcaverna ***
O Batwing pousou na área de desembarque da caverna. Diana olhou todo aquele aparato e ficou boquiaberta. Ela jamais tinha estado em Gotham, ou mesmo na Batcaverna. Diana não escondia a excitação por Batman levá-la lá. Era um sinal de sua confiança e ela estava animada com essa demonstração de fé em sua amizade, ela pensou.
Bruce estava preocupado com os cortes e os arranhões. Ele sentiu-se seguro para levá-la à caverna, para observá-la. No fundo, ele não admitia, mas estava grato pelo que ela fez, e seu afeto crescente não lhe permitia abandoná-la as sortes da cura avançada de sua genética extraordinária. Ele preferia cuidar dela por si mesmo e avaliar os danos e ferimentos, para sentir-se mais seguro.
Vendo a preocupação em suas ações, Diana sorriu para ele, quando desceram da cabine da nave. Nada mais precisava ser dito. Ela se mudou para a plataforma e esperou que ele indicasse o caminho. O lugar era úmido e um tanto escuro, mas era enorme, limpo e hi-tech, absolutamente impressionante.
— Sente-se ali, princesa. Eu quero dar uma olhada nesse ferimento na sua testa! – Bruce disse, escondendo qualquer emoção na voz, enquanto indicava a sala transformada em enfermaria, na batcaverna.
— Está tudo bem, Batman. Eu vou estar curada em um par de dias! – Ela sorriu para ele, com os lábios e os olhos.
Ele não respondeu, mas a expressão corporal dizia que ela deveria obedecê-lo. O que, devido a falta de experiência, Diana não reconhecera como afronta à sua criação amazona. Ela estava aparentemente ‘tomada’ por este homem, sem sequer reconhecer os sintomas da afeição que estava criando raízes, sem sequer conhecer seu rosto.
— Você não vai fazer isso! – Ela disse, enquanto ele fazia a limpeza do corte com anticéptico, causando arrepios em sua pele macia.
— Fazer o quê? – Ela notou a crescente tensão em sua linguagem corporal. Ele estava sentindo-se responsável por colocá-los em perigo. Era mais um peso a ser adicionado à sua personalidade escura.
— O que aconteceu lá não foi culpa sua – Ela olhou com doçura para as lentes d opacas do capuz. Podia jurar que ouvira um suspiro lento e a queda dos ombros dele, indicara-lhe o quanto ele sentia-se mal.
Foi quando os olhos se encontraram que tudo mais desapareceu. Tudo era irrelevante para ambos: Ela só enxergava a mandíbula poderosa exposta sob o capuz e ele não podia ver além das safiras que ocupavam os olhos da princesa amazona. Os rostos próximos, distantes apenas por polegadas, sentindo uma brisa morna da respiração, um desejo crescente tomando-lhes as emoções e a necessidade de sentir o sabor um do outro se fez maior, impossível de não ser sentida.
Até o computador central da caverna indicar a emergência: um assassinato brutal na Joalheria!
*** Joalheria Tiffany & Co./ Gotham ***
Diana e Bruce entraram no hall principal da joalheria, onde o comissário os aguardava. Havia peritos criminais fotografando, coletando amostras de sangue, e tudo mais relacionado ao trabalho da perícia.
Havia um corpo estendido no chão. O cheiro nauseante do sangue tomava conta do ambiente. Havia rastros dele nas paredes, nas vidraças de expositores de joias e ao redor do corpo mutilado.
Batman fora cuidadoso em sua abordagem, como sempre. Todos, à pedido do comissário, tinham se retirado, deixando-o a sós com Diana, para dar início às suas investigações paralelas ao Departamento de Policia de Gotham City.
Ele olhou nos olhos da princesa, cheios de assombro e horror, dirigindo-se ao corpo. O aposento apresentava a mais selvagem desordem, com a algumas vidraças quebradas, uma palma da mão ensanguentada marcando um dos balcões de venda, como se a vítima estivesse lutando para encontrar apoio em algo para levantar-se.
— Princesa, tem certeza que quer fazer isso? Que quer ficar? – Ele não estava sendo grosseiro, para alivio dela. Sua voz tinha um leve tom de preocupação, mas não estava claro.
Ela apenas balançou a cabeça, negativamente, ainda cobrindo a boca e o nariz com o lenço que Gordon educadamente lhe oferecera, para maquiar o odor nauseante de sangue.
Sobre uma poltrona exuberante de couro, uma navalha, encharcada de Sangue. Ele verificou a bolsa da vítima. Aparentemente, cartões e dinheiro continuavam lá, em grande quantidade. Além disso, nada fora roubado. Mas ele iria esperar o relatório do proprietário sobre a coleção de diamantes, para ter certeza se houve algum tipo de subtração.
O corpo ainda estava quente, indicando que a morte acontecera a pouco tempo. Ao examiná-lo, notaram-se numerosas escoriações, causadas, sem dúvida, pela violência. Ela estava com o rosto, seios e região abdominal completamente desfiguradas, dada a mutilação desmedida. Era como uma fúria passional. O corpo mal conservava qualquer aparência humana.
Batman deu-se por satisfeito. Era hora de voltar a caverna.
Hora do grande detetive assumir seu posto!
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