Notas iniciais
Hello There! ~ Aqui estou eu com mais um capítulo! Coloquei umas coisas novas nele, e estou fazendo algo que vai ser muito importante pra história. Inclusive estou aproveitando alguns recursos do Nyah, espero que dê certo e agrade! Enfim, boa leitura e espero que gostem.

Querido Diário...

Eu havia me preparado, tanto fisicamente, quanto mentalmente, para sair com o Shuya. Poderiam até pensar que alguma coisa poderia acontecer. Afinal de contas, há muito tempo nós dois temos uma certa rivalidade. Mas tenho que admitir, ele estava muito bem trajado. Na mensagem ele me falou que eu deveria estar vestida de uma maneira formal, então tive que seguir a regra... Havia prendido meus cabelos em um coque, soltando algumas mechas, e deixando a mostras os fios violeta da minha franja e as duas mechas que caíam sobre meu rosto. Estava com um vestido preto que batia abaixo dos meus joelhos, sapatos de salto prateados e luvas longas pretas. Já disse que tenho uma tara por luvas em minhas produções? Acho que elas deixam os looks mais diferentes... Sem contar que eu caprichei na maquiagem, hehe.


Eu havia falado para o Shuya que era uma de minhas melhores roupas, e ele de fato concordou. Eu realmente estava achando isso estranho, porque ele sempre aponta algo que parece fútil pra mim. Bem, tenho que admitir que ele amadureceu bastante. Mas que sinto falta de nossas brigas, é um fato. Estava pensando em tudo isso enquanto ele ligava o carro e eu estava muito bem acomodada no banco do passageiro. Quebrando aquele silêncio monótono, resolvi falar com ele.

– Shuya... Você é realmente uma ótima pessoa para a Aiko-san.
– Eu tento ser um bom marido, todos os dias. — Ele deu um sorriso de canto — Afinal, eu a amo.
– Entendo... — Disse desviando o olhar — Para onde nós vamos?
– Bem, vamos jantar fora e tomar uns drinks hoje. É um restaurante bem sofisticado, um de meus favoritos.
– Mas eu ainda não entendo, Shuya... — Continuava com o rosto virado — O que você quer tanto falar comigo?
– Eu só quero conversar, Yumene. — Ele rebateu rindo um pouco — Como duas pessoas adultas, entende?
– Yare, que seja.

Ele então finalmente deu a partida e seguimos viagem. No meio do caminho, ele pediu para eu ligar o rádio, e prontamente eu o fiz. De fato, estavam tocando algumas músicas bem populares no Japão, de vários estilos. Rock, Eletrônico, Pop, Techno... Tenho que falar, o Shuya tem um bom gosto musical. Porém nós dois fomos surpreendidos quando uma música conhecida começou a tocar no rádio. Antes que ele pudesse falar alguma coisa, eu tomei a frente. Ele apenas deu uma risada enquanto continuava dirigindo.

– Ah, céus, eu não acredito! — Ri um pouco quando ouvi a primeira parte da música — Está tocando "Glacial" no rádio!
– Sua fama está se espalhando bem rápido, Yumene. — Ele disse enquanto aumentava um pouco o volume — E de fato, sua voz é bem bonita.
– Ahn? Shuya... Você me elogiando? O mundo vai acabar hoje, só pode.
– Não se acostuma não, só estou falando do seu trabalho.
– Haha, admita. Você quis mesmo me elogiar.
– Tenho coisas mais importantes a tratar com você, Yumene. — Ele então mudou seu semblante, e ficou mais sério — É bom se preparar.

Depois dessas palavras, senti um frio percorrer na minha espinha. Em todos esses anos, nunca tinha visto o Shuya tão sério. Por um momento pensei que fiz algo ruim para ele, mas logo descartei isso, afinal havia um certo limite para a nossa rivalidade, e creio que ambos sabiam disso. Alguns minutos se passaram, e finalmente chegamos ao restaurante. O acompanhei e fomos até a recepção, parei para olhar o lugar enquanto ele confirmava a nossa reserva. De primeira impressão, parecia um daqueles palácios europeus, a se tratar da decoração. Haviam alguns lustres de cristal, o lugar era tingido em um misto de tons terracota e perolados. Havia uma grande escada branca, delicadamente decorada, que levava ao segundo andar do local. Do pouco que eu vi, haviam poucas mesas decoradas com rosas brancas. Na parte de baixo, em uma espécie de palco, havia um vistoso piano. Parecia que alguém iria se apresentar ali hoje.

– Não sabia que havia um lugar assim em Inazuma...
– É como eu te disse, Yumene. — Ele então fez um sinal para que eu desse a mão para ele — Muitas coisas mudaram, inclusive gente de outros países tentou seus negócios aqui.
– Isso aqui tem muitos traços da França e da Itália... — Respondi sorrindo e enlaçando meu braço ao dele — Você tem gostos muito peculiares.
– Obrigada. Agora vamos para o segundo andar, nossa mesa já está pronta.

Então subimos as escadas, e seguimos para a nossa mesa. Pude perceber que boa parte dos clientes me olhou da cabeça aos pés, parecia que haviam me reconhecido de algum lugar. Pensei novamente que poderia ser o fato de ser uma artista, mas por ora eu havia conseguido me "esconder", com muita sorte. Afinal eram poucos em Inazuma que sabiam que eu estava por lá. Tanto como pessoa, e artista.


A mesa onde estávamos era decorada de uma maneira super delicada e caprichada, com rendas e traços de ouro. Haviam duas cadeiras envernizadas, que brilhavam tanto como um cristal. Estávamos do lado de uma sacada, onde era possível ver uma boa parte da cidade, e as luzes que a cobriam. Era uma vista privilegiada, por sinal. Fizemos os nossos pedidos para o garçom, primeiramente os pratos. Quanto as bebidas, Shuya pediu vinho e eu pedi whisky. Bem, eu já era acostumada com o whisky depois do que presenciei quando olhei para a cara do Fubuki pela última vez.

– Não sabia que gostava de bebidas fortes, Yumene.
– Isso é forte para você? — Ri um pouco do que ele disse — Ou você é fraco demais pra beber?
– Está me desafiando?
– O que você acha?
– Vamos resolver isso depois. — Ele então tossiu um pouco — Tenho algumas coisas pra te perguntar.
– Bem, fique a vontade.
– Mas vamos comer primeiro, depois começamos, está bem?
– Ok, vou fazer as coisas do seu jeito, só dessa vez.

Não demorou muito e nosso pedido já estava pronto. O garçom deixou os pratos sob a mesa, e ficou prostrado ali, esperando o próximo pedido. o Shuya ia dispensá-lo, quando o garçom se dirige à mim, ficando ao meu lado.

– Senhorita... Por um acaso, você não é Hanne, uma das maiores cantoras da Coréia do Sul?
– Sim, sou eu.
– É uma honra tê-la aqui em nosso restaurante... Se importa de me dar um autógrafo?
– Oh, claro!

Estava tão focada em minhas próprias coisas que havia esquecido completamente que sou uma cantora, sabe? A vida no estrelato ainda é uma coisa muito nova para mim... E não pude negar aquele pedido. Ele me deu uma folha daquelas que se anotam os pedidos, me ofereceu uma caneta, e escrevi minha marca em poucos segundos: "Para meu querido fã, Hanne." No final desenhei uma pequena flor ao lado de meu nome, e o entreguei. O garçom me agradeceu, fez uma pequena reverência e se retirou, enquanto o Shuya observava tudo aquilo, de braços cruzados e rindo um pouco.

– Bem, isso foi melhor que dar uma gorjeta.
– Como você é mão-de-vaca, Shuya!
– Sou econômico, essa é a palavra. — Ele deu de ombros — Eu estava quase jogando a batata quente em você.
– Eu pagaria, sem problemas. — Então peguei os talheres e o encarei — Bom apetite.
– Igualmente.

Começamos a comer, e nesse meio tempo as nossas bebidas foram postas à mesa. Assim que terminamos, os pratos foram retirados e apenas o vinho e o whisky foram mantidos ali. Fiquei com um certo receio, até que o Shuya resolve servir minha bebida. Fora algo bem educado da parte dele, por sinal...

– E então, podemos começar...?
– Claro, Yumene. — Ele então tomou um gole do vinho e voltou a falar — As coisas estão bem complicadas.
– Quer logo ir direto ao ponto? — Respondi impaciente, tomando um pouco do whisky — Você não é do tipo que enrola em um assunto sério.
– É sobre você. Creio que já presenciou o que aconteceu com o Fubuki.
– Quero mais que ele se dane... Aquele estúpido destruiu meu coração, e mentiu pra mim.
– Yumene... Eu sabia disso desde o começo.
– E porque raios não me contou? — Disse um pouco entristecida — Poderia me poupar de ver aquela cena tão horrenda!
– Não queria te magoar. Além do mais, pensei que poderia perdoá-lo. Cheguei até a pensar que isso aconteceu, e que você esteve com ele o tempo todo.

Naquele momento, eu me vi obrigada a contar uma mentira. Apesar de não querer nunca mais tocar no nome do Fubuki, eu não tinha escolha. Afinal de contas, não tinha mais nada a perder, indo contra os meus princípios.

– Mas de fato, eu estava conversando com ele! Não foi uma coisa das melhores, mas eu estava...
– Tem certeza disso?
– O que está insinuando? — Retruquei aparentando estar um pouco furiosa — Acha que eu não poderia estar falando com o Fubuki? Pense bem, estávamos separados há dois anos...
– Yumene, não minta para mim. — Ele me encarou sério — Sei muito bem que você estava com outra pessoa.
– E se eu estivesse, o que tem demais?
– Sinceramente, nada... Porque estava com alguém de minha confiança. Eu só queria entender o que aconteceu de fato.
– Chega de joguinhos! Se você sabe mesmo das coisas, porque não me fala logo?
– Você estava com o Kazemaru, não é? — Ele então deu mais um gole no vinho — Afinal de contas ele é seu melhor amigo.
– Tudo bem, você venceu. — Dei um suspiro, visto que não iria poder continuar — Falei com ele ontem.
– Você só foi conversar com ele?
– Sabe como eu sou, Shuya... — Disse levando uma das mãos ao peito — Depois do que eu vi, eu não sabia o que fazer... Mas posso te perguntar uma coisa?
– O que você quiser, Yumene?
– Como sabe de tudo isso?
– O próprio Kazemaru me contou. — Ele disse enquanto servia mais um pouco de whisky pra mim — E ele me disse que ainda ama você.

Senti meu coração apertar quando ele disse isso. De fato, eu sentia algo muito forte pelo Kazemaru-kun, que eu não conseguia explicar, não tinha palavras certas. Se ele contou algo, não o culpo, porque sei que o Shuya não é o tipo de pessoa que espalha segredos. E ainda tinha mais uma coisa, aquele que eu tive como rival por tanto tempo, agora demonstrando uma certa preocupação...Era algo de se admirar.
De repente, somos interrompidos. Uma pessoa do restaurante sobe no pequeno palco, e pega um pequeno microfone, pedindo a atenção de todos os que estavam presentes. Claro que tanto eu quanto o Shuya estávamos prestando atenção no que estava prestes a ocorrer.

– Senhoras e senhores, quero que prestigiem uma bela canção de uma das maiores estrelas da atualidade. Quero bastante palmas para a cantora Hanne!

Eu fui pega de surpresa. Agora teria que cantar para todas aquelas pessoas... O Shuya riu um pouco da minha expressão, que era de surpresa, para variar. Dei um sorriso aos presentes, e fui até as escadas. Ainda pude ouvir o Shuya dizer "Boa sorte, Yumene" antes de eu começar a descer os degraus. Não demorou muito e eu estava de frente ao piano, enquanto ouvia as palmas dos presentes. Percebi que havia um pouco de whisky em uma pequena mesa ao lado do piano, então tomei um pouco antes de começar a tocar uma de minhas músicas mais famosas, "Sakura-iro". Era a música que fiz em homenagem a minha mãe, e sempre toco a melodia no piano. Isso caiu como uma luva pra mim, de certa forma.


Respirei fundo e fechei meus olhos por um momento. Estava tudo pronto, e quando tomei o último gole de whisky, comecei a tocar a música e cantar meus versos.



Kawazoi ni saiteta
Sakura namiki wo
Tomo ni ikiteyuku to
Futari re aruita...

Estava aos poucos sendo tomada pela melodia, e logo lembrei do que ocorrera com minha mãe. Contendo meus sentimentos, continuei a cantar, lentamente... Acompanhando as longas notas do piano.

Sekai ni nomikomare
Hakida sarete wo
Tada soba ni itakute
motto, motto, motto...
Jikan no, nagare to
Ai no hasaba ni
Ochite, anata wo ushinatta...
Yeah, yeah yeah...

Koishikute me wo tojireba
Ano koro no futari ga iru
Sakura-iro no anata wo koto wo
Sakura-iro no atashi no koto wo
Sakura-iro no jirai wo wasurenai...

Zutto, zutto, zutto...
Zutto, zutto, zutto...

Quando terminei de tocar, involuntariamente derramei uma lágrima, e todos me aplaudiram de pé. Toda vez que toco essa música, eu fico de fato sentida, por ser em homenagem a minha mãe. Até mesmo o Shuya, estava no segundo andar de pé também e me aplaudindo com um certo entusiasmo. Fiz uma pequena reverência e agradeci a todos, subindo as escadas e voltando para a minha mesa, porque antes de todos voltarem, o Shuya havia acenado para mim, e eu precisava subir, então ele tinha algo pra me dizer.

– O que houve agora?
– Você nem imagina... — Ele aparentou um certo receio — Acabei de receber uma ligação da Ai-chan.
– Bem, e o que há de tão importante nisso?
– Ela me disse algo que vai te deixar de cabeça pra baixo. Calma que logo ela vai ligar pra você.

Não demorou muito e meu celular começou a tocar. Dito e feito, era a Aiko-san me ligando. Tirei o aparelho da bolsa e o levei ao ouvido, esperando ouvir a voz dela do outro lado da linha.

– Hanne-chan... Tenho uma bomba pra te contar!
– Me fale logo, Aiko-san... Do que se trata?
– Acho que descobriram que você está em Inazuma... Tem um monte de gente parada aqui na frente de casa gritando o seu nome! Você tá mais famosa do que eu esperava!
– Caramba, isso é realmente uma notícia daquelas! E o pior é que estamos saindo daqui a pouco!
– Já assinaram um tratado de paz? — Deu pra perceber a ironia dela nas palavras — Ou ainda estão brigando por isso?
– Isso está muito longe de acontecer, Aiko-san... Você sabe disso.
– Enfim... Acho que eles não vão sair daqui até você chegar. Vou dar um jeito no pessoal aqui fora, qualquer coisa, entrem pela porta dos fundos, ok?
– Espero que dê tudo certo...
– Bem, você tem que lidar com isso, Hanne-chan... Afinal, você é uma estrela! Bem, até mais!

Ela desligou o telefone, mas antes disso pude ouvir uma risadinha dela. Enquanto isso, o Shuya já estava arrumando tudo, estávamos prestes a ir embora. Ele pagou a conta, e nós fomos descendo as escadas em direção a saída. Enquanto isso, recebia olhares agradecidos e radiantes dos clientes do restaurante, eles realmente gostaram de mim, e de minhas músicas. Sorri e acenei para eles antes de partir, e já estávamos indo em direção a porta, quando a encontramos fechada, com duas trancas. Pude perceber uma movimentação estranha do lado de fora, e ouvi algumas batidas na porta. Então o recepcionista do restaurante chega ao nosso lado e olha para nós dois, mas principalmente para mim.

– Bem, creio que ter uma estrela da música encheu o nosso estabelecimento... E agora parece que tem algumas pessoas que sabem que está aqui, Hanne.

Olhei para o Shuya em uma expressão que misturava surpresa e espanto, eu estava desacreditada. Quando olhei um pouco pela janela de vidro do lugar, e vi várias pessoas com cartazes, CDs meus nas mãos, e gritando histericamente meu nome, a ficha havia finalmente caído. A minha fama finalmente eclodiu em Inazuma, e aquilo era o reflexo disso. Eu estava feliz por ter muitos fãs, mas ao mesmo tempo estava espantada, não sabia que tudo iria ser tão rápido.

– Oh céus... Shuya, nós estamos muito encrencados.

Diário... Sei que isso não é legal, mas te conto tudo depois. Sabe que não te abandono, né?
Volto logo.

Beijos.

De sua amiga, Hana.

Notas finais
E aí, pessoal... Gostaram? Eu espero que sim! ^^ Estou tentando usar todas as ferramentas do Nyah para tentar deixar a fic mais atraente e inovadora, porque quando escrevo, acho uma imagens bem inspiradoras... XD Enfim, o próximo capítulo é da Clara-chan! Arrasa, molier!