Broken Girl

16 Capítulo dezesseis: Negócios.


Notas iniciais
Hii!!! Well, o que falar sobre esse capítulo. Acho que a palavra que definiria bem seria: Drama. Vou avisando de antemão que ele não tem muita a ação (dependendo do ponto de vista hehehe) acho que por isso o nome. É mais focado nos feels mesmo, enfim... Não vou entregar muito. O capítulo é longo, tenham paciência, espero sinceramente que gostem :) Enjoy ^^

_Vocês perderam a cabeça? – perguntou Dean. Estávamos todos, no caso eu, Sam, Dean e Bobby reunidos na sala do último discutindo a minha ideia de trazer alguns demônios para o nosso lado. De tentar uma aliança. E claro Dean já a rejeitava antes mesmo de eu ter terminado.

_Dean, escuta. Talvez pode não ser uma má ideia... – tentou Sam.

_Talvez não seja uma má ideia?Estamos falando em confraternizar com o inimigo. Em se aliar com demônios. Estamos falando de Crowley, lembra? o cara que nos enganou antes com o Colt.

_Dean, só pensa um pouco. Podemos fazer isso funcionar. Se usarmos o Crowley...

_Não. Isabel, se você está tentando se matar ou se entregar a Lúcifer pode esquecer essa ideia, por que enquanto eu estiver aqui isso não vai acontecer, não posso deixar você fazer isso. É brincar de caça-níquel com sua vida. – bufei exasperada. Estava sendo mais difícil do que imaginei. E Dean desde que voltou do Tour no céu e desde que acordou estava com um péssimo humor. Eu perguntaria o que aconteceu, mas tinha quase certeza de que ele não queria conversar comigo. Mas lá estava ele de novo tentando defender minha vida ou me proteger. Isso era tão irritante.

_Bobby, o que você acha? – perguntou Sam. Bobby parecia neutro. Ele não estava do meu lado nem no de Dean.

_Olha, eu não acho muita coisa, não é um bom plano. – sentir minhas esperanças evacuar. _Mas é o Apocalipse, ora, não temos tempo para fazer do jeito Doze homens e um segredo. Pode ser bom ter alguns aliados no time adversário. De acordo com o que Isabel contou existe uma chave, a jaula de Lúcifer. Não fazemos ideia de estão os outros cavaleiros. Mesmo com Miguel tendo o anel de Peste eu começaria por aí, é o melhor que vimos em meses. – me senti grata por ter Bobby nos apoiando, com certeza sua opinião contava muito. Resisti ao impulso infantil de mostrar a língua para Dean.

_Não pode estar falando sério. – Dean se virou para Bobby um pouco chocado. _Bobby, já tive experiência demais com demônios para saber que essa parceria não acaba bem. É só olhar em volta. – ele se virou para Sam. _Sam, você mais que ninguém sabe disso.

Mesmo de longe podia ver Sam ficar tendo. Certo despontamento passando pelo rosto, enquanto a culpa brilhava em seus olhos para o irmão. Eu quis socar Dean por isso. Será que ele não percebia o quanto estava sendo insensível com o irmão?

_Dean, sei o que eu...

_Não, você não sabe. É só uma criança que pensa que sabe o que está fazendo. – senti a tensão cair sobre nós como um cobertor. Eu fiquei por alguns segundos fitando Dean, sentindo uma raiva tão grande que não podia embarreirar as palavras que surgiram na minha boca.

_Engraçado dizer isso, não pensou que eu era uma criança quando abri minhas pernas para você. – minha voz soou tão fria que poderia congelar a sala. Senti que Sam e Bobby tentavam não se sentir desconfortáveis com aquilo. Dean olhava para mim os olhos faiscando, pareceu um pouco ferido, ótimo. Depois ele se recompôs engolindo em seco, as linhas da mandíbula tencionando. E foi Sam que interveio antes que qualquer um dos dois dissesse alguma coisa.

_Dean, vem comigo. – disse Sam ao irmão. Dean descruzou o braço e seguiu o irmão para fora da sala.

Soltei o ar que nem sabia que prendia. Ficamos eu e Bobby na sala. Ainda não conseguia encará-lo desde do que aconteceu na noite passada. Nunca tinha me sentido tão envergonhada, apesar de ele não ter visto nada demais. E se chegasse alguns segundos depois, o que ele poderia ver?

Ainda estava um pouco confusa com o que aconteceu. Sabia exatamente o que estava fazendo, mas por outro lado estava tão envolvida em sentimentos que tornou tudo muito real, real demais. Eu agi com sinceridade, estava me sentindo realmente atraída por Sam, por diversos motivos. E por um desses motivos quase entreguei para tudo á ele. Ia contar o que Miguel estava fazendo o que ele mantinha para me fazer ceder á ele. Por que confiei que Sam poderia me ajudar, poderia me tirar dessa sem se machucar. Mas o pânico de saber que poderia perder meu irmão novamente me impediu. Não suportaria ter de enterra-lo de novo e ainda pior seria a culpa que cairia sobre mim.

E só de pensar no que deveria fazer me sentir a pessoa mais repulsiva do mundo. Se estava tão certa dos sentimentos de Sam por mim será que iria conseguir o que Miguel queria?

Naquela noite o motivo principal de eu não conseguir dormir fora por que eu não conseguia fazer minha mente descansar. Por que sentia que deveria salvar meu irmão e não gostava nem um pouco do que eu precisava fazer para isso. E um motivo mais vergonhoso era que por uma mínima chances que fosse eu acreditava que encontraria Sam.

E também tinha Dean, ele me conhecia tão bem que se desse um passo em falso ele perceberia. Sabia como chegar onde queria, por mais que tivesse que quebrar seu coração uma vez. Por mais que quebraria o meu consequentemente.

Meu Deus, desde quando eu me tornei essa pessoa tão calculista?

Estava tão perdida nesses pensamentos que nem notei Bobby me encarando, quando isso aconteceu senti meu rosto esquentar. Abri a boca para dizer alguma coisa, mas Bobby foi mais rápido.

_Não precisa ficar assim toda vez que olhar para mim. Eu não tenho nada a ver com o drama mexicano de vocês, mas eu amo aqueles garotos como filhos e não quero que se machuquem. – aquilo tinha sido uma indireta mais direta. É claro que Bobby estava preocupado com no que aquilo resultaria, ele não queria que eu machucasse seus garotos.

_Também não quero que se machuquem. – disse baixinho olhando as tramas no tapete.

Sam e Dean estavam demorando lá fora o que me deixou um pouco inquieta. Fui para perto da lareira e sentei na mesma poltrona do dia anterior. Bobby se ocupava com outra coisa, alguns livros eu acho. E esperamos.

... — ...

Dean e Sam saíram para o quintal de Bobby. Dean estava com a cabeça fervendo com variadas coisas e Sam também tinha lá os seus problemas, mas lá estavam os dois, prontos para criarem mais.

_Eu entendo ela, mas você. Não já passamos por isso? – falou Dean assim que eles se afastaram consideravelmente da casa do Bobby. Dean encostou na lataria de um dos carros velhos e cruzou os braços. Sam respirou fundo, olhou para a casa onde acabaram de sair. Depois de alguns segundos ele disse:

_Olha, nós tivemos um bom momento naquele bar, antes de, bem eu morrer. Eu sei que as coisas entre nós ainda estão estranhas. Mas Dean, se continuarmos desse jeito eu acho que não vai dar certo.

_Do está falando? Está fazendo parecer que somos um casal que voltou depois de um tempo, seja lá o que tenha a dizer desembucha logo. – Sam olhou para Dean, ele sabia que o que tinha que dizer deveria ser dito antes. Já estava na hora de ele ditar algumas regras.

_Dean, eu sei o que eu fiz, o que causei, e estou tentando conserta. Eu quero sair desse buraco, mas você não está facilitando muito para mim.

_E o que eu deveria fazer?

_Se vamos continuar nessa é melhor você aprender a confiar em mim. Isso tem que ser uma via de mãos duplas.

_Então, voltarmos ao que éramos antes? – Dean descruzou os braços e se voltou para o irmão ajeitando sua postura. Não sabia o que Sam queria dele, ele sabia que as coisas entre eles estavam um pouco balançadas e mesmo que tentasse as coisas não iriam voltar como eram antes. Eles passaram por experiências muito fortes e recentes que de certa forma foram capazes de muda-los.

_Não, por que não éramos assim antes. E isso de certa forma foi o que me levou... – Sam parou de falar, não queria colocar aquilo de uma forma que parecesse que colocava a culpa em Dean.

_O que levou você a o quê? – questionou Dean. Sam suspirou e encarou o irmão.

_Uma das razões para eu ter ido com a Ruby foi para me afastar de você.

_Como é que é? – ele levantou as sobrancelhas um pouco confuso com o que Sam queria dizer.

_Estou dizendo que estava cansado de ser seu irmão caçula, de seguir você para onde for e fazer a que você me mandava fazer. Por que quando estava lá fora, por minha conta eu me sentia mais forte, livre, não era mais seu irmãozinho.

_Claro, por que isso o levou ao Eldorado. – Sam ignorou o comentário.

_Dean, eu quero dizer que não podemos voltar ao que fomos antes. Precisa começar a confiar em mim. – Dean passou uma mão pelo rosto um pouco exasperado.

_O que quer que eu faça? – Sam estava começando a chegar onde queria.

_Dê um pouco de credito a ela, a mim. Eu cresci Dean e ela também não é apenas uma garotinha assustada que você precisa proteger o tempo inteiro, ela sabe o que está fazendo.

_Estou começando a ficar um pouco confuso, isso é sobre nós ou ela?

_Isso é sobre você. As mudanças que tem que fazer para que nós dois, para que você e Isabel, façamos isso dar certo. – Dean não podia simplesmente desconsiderar o que Sam lhe disse. Ele iria pensar naquilo. Tentar pelo seu irmão ver as coisas de um ponto de vista diferente.

Por que ele achava que devia isso a Sam. Por que gostava dele por perto e não queria que voltassem á duas estações atrás. Quando estava com tanta mágoa e raiva culminada que nem podia trabalhar com o irmão sem que o que fizera com o mundo não refletisse na relação que os dois tinham.

Mas tinha algo que também queria falar, estava preso na garganta a manhã inteira e o que acabou com seu humor. Na verdade Dean nem sabia muito bem o que sentia em relação a aquilo. Depois de um tempo se remoendo ele resolveu quebrar o silêncio.

_Eu não sou cego e definitivamente não surdo. Ouvi passos ontem a noite, primeiro os delas voltando para cama, e depois os seus. Não sei o que fizeram e nem quero saber. Mas Sammy, tome cuidado. – agora foi a vez de Sam levantar as sobrancelhas surpreso.

_O que quer dizer com isso? – Dean pensou um instante.

_Ela não é para você. – não tinha raiva, nem sinal de ciúmes nas palavras de Dean, o que deixou o irmão mais intrigado, mas Dean já começava a voltar para casa.

_Por que não? – perguntou Sam de forma um pouco petulante. Dean parou no meio do caminho e se virou para o irmão, tinha alguns metros de distancia entre eles.

_Por que ela é só metade do que você pensa.

_Ela não é assim, ela não é a Ruby ou Bella, ela é só está tentando se defender para não acabar mais machucada. E você veria isso se não estivesse tão apavorado.

_Apavorado? – questionou Dean voltando pelo caminho percorrido.

_Você ama essa garota, está apaixonado por ela, ou melhor dizendo, de quatro. Se ela disser pula você pularia, e não diga que não por que eu conheço você. Está apavorado com essa ideia por que é algo que não pode controlar. Você mesmo disse que tem medo de perdê-la, então você inventa essas desculpas de que talvez esteja sendo manipulado por que seria mais fácil superar se tudo der errado. – Dean manteve alguma distância entre Sam, depois deu um sorriso fraco.

_Hum, teoria interessante, Sammy. – com isso Dean virou de costas e saiu andando deixando um Sam irritado atrás.

... — ...

_Tudo bem, onde vamos discar o 0800 para o demônio? – perguntou Dean entrando na sala. Eu e Bobby trocamos um olhar rápido. Logo atrás de Dean vinha Sam. Me levantei da poltrona.

_Está falando sério? – perguntei estupidamente surpresa.

_Eu não concordo com isso, nem um pouco, mas como o voto é da maioria, vamos nessa. – ele passou um olhar para Bobby, Sam e parou em mim. _Mas se isso começar a parecer que vai dar merda, esse acordo, aliança ou sei lá o que, acaba. – completou de modo paternal.

_Tudo bem. – disse solene.

_Ótimo. Preciso de uma cerveja. – Dean se afastou para cozinha.

_Bom, já que é assim, vou começar os preparativos para nossa recepção. – disse Bobby também se afastando deixando eu e Sam sozinhos.

Nós ainda não tivemos uma oportunidade de conversar sobre o que houve, só tivemos cinco minutos pela manhã quando ele me procurou e disse que era hora de falar sobre meu plano para Bobby e Dean. E foi só, Sam parecia ter feito um grande esforço para vir falar comigo naquela manhã. Eu entendia bem.

Fui até Sam. Era estranho como agora ele tentava evitar meu olhar ou muito contato comigo, seria adorável se não fosse constrangedor.

_Precisa me ensinar esse truque. Se fosse comigo seria quase uma hora discutindo e talvez uma arma envolvida para fazer ele ceder. – Sam riu um pouco e deu de ombros. _Obrigada, por fazer ele mudar de ideia. – finalmente ele olhou para mim.

_Disponha. – disse com um sorriso fraco. _Na verdade eu não sabia que ele ia aceitar até agora.

_De qualquer forma, obrigada. – disse, ele assentiu. E naqueles segundo e nos que vieram o desconforto e as palavras não ditas parecia palpável. Até que ele resolveu quebra-lo.

_Eu vou ver se o Bobby precisa de alguma coisa. – disse, assenti para o chão e ele se afastou.

_Sam. – antes que cruzasse a soleira da porta o chamei. Ele se virou, fui até ele. Abaixei um pouco o tom de voz quando cheguei perto o suficiente. _Sobre ontem – senti ele ficar um pouco tenso. Eu tinha que tomar uma decisão difícil agora, escolher bem as minhas próximas palavras. Dei um passo para frente. Pense no Jamie. _Foi uma das melhores noites, ou melhor, madrugada que tive em semanas. Talvez eu esteja um pouco confusa agora, mas eu quero que saiba que... eu realmente agradeço o que tem feito por mim. E eu não paro de pensar em tudo, tudo não, em nós. – ver seus olhos brilharem foi como se ele tivesse disparado duas vezes no meu coração.

O que estou fazendo? Não deveria dar esse tipo de declaração a ele, o amava de um jeito que talvez não fosse o que ele esperava. Mas a imagem de Jamie correndo para mim naquele parque passou rapidamente pela minha cabeça como um lembrete, então engoli em seco e olhei rapidamente em volta. Não tinha ninguém a vista. Dei mais um passo á frente e me coloquei nas pontas do pé. Sam inspirou ruidosamente enquanto eu depositava um beijo no canto de sua boca.

Antes que ele dissesse qualquer coisa ou fizesse qualquer coisa me afastei, dei meia volta e caminhei para cozinha. Sentia meu coração balançar um pouco e antes que caísse no poço do arrependimento bati com a cara no peito de Dean me desequilibrando um pouco. Dean agarrou meu braço para me firmar.

_Ei, aonde vai com tanta pressa? – perguntou estudando meu rosto com um sorriso torto, fiz o meu melhor para esconder o motivo de toda aquela afobação.

_Eu só... queria me desculpar com você, sobre o que eu disse, aquilo foi um pouco... grosseiro. – Dean me olhou com descrença.

_Espera um pouco, você está se desculpando pelo o que disse? – então ele riu. _Deve ser natal ou finalmente meu último dia na terra.

_É sério, e eu não falei em retirar o que disse. – disse sorrindo, ele balançou a cabeça se recostando na mesa e deixando a cerveja nesta.

_Foi bom ouvir isso, sabe as vezes você feri meus sentimentos com essa sua língua afiada. – não dava para saber se ele falava sério ou brincava. Apostei na segunda opção.

_Sentimentos? Achei que você fosse um robô da Skynet enviado do futuro para infernizar minha vida. – o provoquei conseguindo arrancar dele uma curta risada.

_Agora soa mais como você. – sorri correspondendo seu sorriso. E o silêncio se prolongou entre nós até que ficou tão desconfortável que me peguei olhando para o saleiro perto da pia e Dean olhando os sapatos com minuciosidade desnecessária. Eu daria tudo para saber o que se passava pela cabeça de Dean. Desde quando nos tornamos dois estranhos?

Felizmente Sam estava voltando junto com Bobby. Eles traziam algumas coisas nas mãos e eu sabia que era hora de por em pratica o que tinha proposto. Respirei fundo e tentei me preparar mentalmente para aquilo. Sentir a sombra de Dean atrás de mim me dava certa segurança e o olhar de Sam determinado e acreditável me dizia que iria me sair bem. Então com essas armas eu me juntei a eles.

...

Fazia uns dez minutos que o invocamos. E eu começava a ficar ansiosa e nervosa. Por que estava demorando tanto? Andava de um lado a outro, passando as mãos pelos cabelos. Desde de o comentário de Dean estava me sentindo insegura em relação a isso. Os fios começara a crescer novamente, mas as pontas irregulares demais era um incomodo. Comecei a tirar o suéter pela segunda vez, dividida entre o frio e o calor.

No meio do movimento algo mudou no cenário. Retirar a peça não tirando os olhos do homem a minha frente. Ele não era bem o que pensava, na verdade não sabia exatamente o que esperava. Ele havia aparecido equilibrando um copo de Uísque na mão.

_Se soubesse que teríamos Strippers teria trazido algum dinheiro. – comentou, detectei de imediato seu sotaque.Vestindo um terno impecável ele mostrava certo tédio na expressão. Um homem de estatura mediana encorpado, com algumas entradas no cabelo castanho indicando o inicio de uma calvície. E Crowley tinha todo um jeito aristocrata. Com certeza não era o que esperava. Seus olhos pararam em mim, me estudando, e desejei não ter tirado o suéter, agora estava com ele num amontoado de lã preta na mão. Mantive o olhar firme e levantei levemente o queixo. _Então essa é a garota que estar sempre nas páginas de revistas de fofocas no submundo.

_E você é o famoso desertor, Crowley. – Crowley deu alguns passos a frente e parou no limite da armadinha do diabo que foi desenhada em baixo do tapete da sala.

_É finalmente um prazer conhecê-la.

–Agora que já se conhecem eu tenho alguns negócios pendentes com você. – interveio Dean apontando a faca que mata demônios para Crowley. Seus olhos ameaçadores.

_Olha eu sei que você deve está um pouco... nervoso, mas eu imagino que tenha me chamado aqui para discutir negócios e transações. – disse Crowley dando um passo a trás.

_Nervoso? Não chega nem perto. E podemos sim falar sobre negócios, mas depois de eu retalhar essa sua cara.

_Dean. – disse em tom de aviso. Não era assim que eu imaginava que aconteceria.

_Eu não concordo nem um pouco com esse circo, mas você me deve explicações, depois do que fez...

_Depois do que eu fiz? Eu dei para você o Colt!

_E você sabia que não iria funcionar com o diabo! – dessa vez foi Sam que se pronunciou furioso chamando minha atenção. Será que tinham esquecido o real motivo de Crowley está ali?

_Eu? Jamais poderia saber. – se defendeu Crowley numa inocência exagerada.

_Perdemos pessoas naquela investida suicida, boas pessoas... – Crowley se precipitou para cortar Dean.

_Quem vocês levaram é problema de vocês! Mas, eu juro que achei que o Colt ia funcionar. Também perdi algumas coisas importantes por que agora o diabo sabe que eu o quero morto. O que devo dizer? Agora eu tenho um alvo nas minhas costas. Sou o filho mais ferrado da criação. – Crowley olhou de Sam para Dean esperando um pouco de compaixão. Dean o olhou desdém e um ódio velado, Sam não parecia muito diferente.

_Não está mesmo esperando que eu ligue. – disse Dean.

_Eles queimaram minha casa. – continuou ainda esperando alguma comoção. Crowley estava se tornando uma grande surpresa. Era quase cômico. _Comeram meu alfaiate! Eu passei meus últimos dias em lugares que até para vocês humanos é desumano.

_Você quer um ombro para chorar enquanto fazemos carinho no seu cabelo? – disse Bobby pela primeira vez.

_E eu achando que ainda restava alguma compaixão na humanidade. – Crowley tomou do uísque com uma careta. _Mas ainda estamos nessa turnê juntos. Ainda quero o diabo morto. – Crowley se voltou pra mim. _E imagino que seja por isso que estou aqui, ainda respirando, quero dizer não literalmente, mas vocês me entenderam.

Eu estava começando a sacar a de Crowley, ele era um negociador ambicioso, talvez poderia vir a ser um bom aliado se soubesse como jogar com ele.

_Tem razão, sua permanecia nesse plano vai depender do quanto pode ser útil. – disse num tom claro e firme dando encerramento a qualquer que fosse o planos dos meninos de malhar Crowley.

_Sou a todo ouvido, princesa. – olhei bem para Crowley me aproximando da borda da armadilha.

_Disse que estamos nessa juntos, você quer ajudar, e é isso quero de você.

_Ouvi muito falar de você, principalmente o que fez com aquela pobre cidadezinha. Estão chamando de O massacre de Buford. Deixou muitas mães chorando por seus filhos e amados perdidos. Mas devo dizer, você tem estilo. – disse ele como se jogasse conversa fora. Engoli o nó que se formou na minha garganta.

_Então você sabe oque posso fazer com demônios. – falei seca.

_E como sei. Mas e os camponeses carbonizados das cidades vizinhas, eram suspeitos ou você queria dar um tom mais dramático? Confesso que fiquei impressionado. – o quê ele estava dizendo? Quando comecei a entender oque ele estava tentando dizer senti como se cada palavra sua fosse um prego fincado no meu peito. De relance eu vi Sam e Dean s entreolharem e parecerem mais nervosos que antes. _Oh, você não sabia. Parece que temos um problema de comunicação aqui.

_Crowley, eu juro que se não calar a boca eu vou...

_Dean, você cala a boca. – disse um pouco ríspida demais. Para minha surpresa Dean ficou calado. Pisquei uma, duas, três vezes. Senti um arrepio subir a espinha me deixando com uma sensação gelada nas veias. Tentei buscar de novo o meu auto controle. Não ia fraquejar agora. Sustentei no rosto uma máscara impassível.

_Bom, as melhores óperas são carregadas de drama e uma boa dose tragédia, não é? – disse de um modo indiferente e sombrio, deixando qualquer emoção calorosa longe da voz. Por mais que fosse um pouco cruel estava satisfeita com o resultado que obtive. A sombra de um sorriso passou pelo rosto de Crowley. _Eu quero conversar com ele, sozinha. – falei a ninguém em especial. Como previa Dean foi o primeiro a se manifestar.

_Esquece, isso não vai acontecer.

_Dean está tudo bem, ele não pode me machucar, está preso na armadilha. – Crowley tomou de seu uísque tranquilamente.

_Não. – me afastei da ponta do círculo e trouxe Dean comigo nos levando para a porta.

_Dean, por favor. Deixa que eu cuide disso. – disse em voz baixa. Tentei deixar a raiva que pontuava meu peito de lado. Era mais fácil ficar com raiva de Dean e Sam por terem escondido aquilo de mim do que sofrer pelo que fiz.

_O que tem de tão secreto que queira falar com ele sozinha? – Sam se aproximou parando ao lado do irmão. Não parecia inclinado a concordar comigo.

_Ele tem razão, não é bom ficar sozinha com Crowley, sozinha – disse Sam.

_Confiem em mim, ele vai falar mais se estivermos sozinhos. E vocês parecem que vão enfiar a faca no coração dele a qualquer momento, isso não ajuda muito. – Sam olhou para Crowley com o cenho franzido. O demônio falava alguma coisa para Bobby, não sabia o que, mas pela resposta do caçador não era algo que queria ouvir. Com os olhos suavizados Sam se voltou para mim.

_Tem certeza? – Dean olhou para o irmão como se tivesse sido traído.

_Não, isso é pedir demais. – disse Dean para mim.

_Dean, Por favor. – pedi um pouco suplicante. Peguei sua mão me aproximando um pouco mais dele, esperando que o toque o fizesse ceder um pouco. _Confie em mim. – ele me fitou, senti sua mão correspondendo ao aperto da minha. Dean soltou um suspiro frustrado.

_Ok, mas se ele disser ou fizer qualquer coisa...

_Eu grito. – Dean assentiu uma vez. Por um momento achei que ele se inclinaria e me beijaria e me preocupei com isso. Desviei o olhar para Sam, ele parecia um pouco inquieto e incomodado. Dean soltou minha mão e com um último olhar de aviso para mim e para Crowley chamou Bobby e vi os três sumirem no corredor.

Estava sozinha com Crowley e sem saber muito bem o que fazer em seguida, minhas mãos começaram a suar. Não tinha medo dele, mas sim de parecer só uma garotinha, ou como Dean colocou, uma criança que acha que sabe o que está fazendo.

Usando um pouco de esforço afastei a insegurança e me agarrei ao pouco de coragem deixando meus instintos sobre Crowley me guiarem. Ele me olhava com curiosidade esperando.

_Não falei sério sobre o Stripper, mas se você...

_Por que está nos ajudando? – cortei sua piada com essa pergunta. Arremessei o suéter para uma mesa um pouco distante. Ele pousou na beira e o tecido sob a superfície lisa o fez deslizar para o chão.

_Sobrevivência. – respondeu Crowley prático.

_Não, é mais que isso.

_É mesmo? – nos encaremos por um tempo. Cada um avaliando o outro.

_Você é britânico? – perguntei, uma pergunta idiota, mas precisava de um pouco de tempo para compreender certas coisas sobre ele. E também estava curiosa.

_Hum, não. Uma dica: Digamos que somos famosos por exibir nossas belas panturrilhas.

_Escocês.

_Merece uma estrela dourada. – me permitir dar mais alguns passos para frente.

_Você deve saber que não é único AntiLúcifer. Sabe que estão começando a se rebelar, deve ter ouvido rumores. O que quero de você é que ache esses descrentes, convença-os de que estão absolutamente certos. Faça eles acharem que podem ser livres. Pregue que estão sendo usados e que no momento que não forem mais úteis serão dispensáveis. Espalhe rumores de que eu quero e posso derrubar o Rei. – Crowley pareceu interessado, mas ainda relutante. _Diga a eles que tenho em mãos suas cartas de alforria.

_Isso seria colocar uma corda em volta do meu pescoço.

_Você já tem uma corda em volta do seu pescoço. Estou oferecendo a você a chance de conseguir uma navalha. – disse me aproximando mais. Estava gelada e com o estômago revirando. Porém estava acostumada com aquilo, sabia fazer isso.

_Se eles acharem que podem se rebelar, isso não seria dar mais motivos para matarem você. – ele não acreditava exatamente naquilo.

Estudar os jogadores em uma mesa de pôquer era bem parecido. Primeiro você procura sinais nas palavras e gestos, pequenos gestos, eles não querem mostrar demais. Depois escolhe bem suas palavras e deixe que sua expressão mostre oque quer passar, porém usando sempre a sutileza. Flertar era bom truque, blefar poderia funcionar se fizesse direito. Normalmente eu os deixava acreditarem de que era só uma garota entediada que resolveu brincar com as cartas, mas isso não funcionaria ali, não agora. Crowley tinha que ver em mim alguém que sabia exatamente o que estava fazendo. Confiança era a palavra.

_Se não fosse um demônio eu diria que está preocupado com minha segurança. – me permite a um breve sorriso torto. _Me ajude e eu te darei o que quer.

_E que seria exatamente? – sabia dos riscos, mas mesmo assim deixei que meus passos me guiassem para dentro do pentagrama. Agora estava bem diante de Crowley. Não tinha medo, na verdade me sentia bem. Podia de alguma forma sentir a energia vinda dele. Me perguntava se ele sentia também.

_A coroa. – disse baixo como se conspirasse.

_A coroa. – replicou ele no mesmo tom. Nossos sotaques se assemelhando. Fui um pouco mais ousada e tentei pegar dele o copo de Uísque. O copo escapou da mão dele para a minha, mas quando ia vira-lo na boca ele segurou meu pulso. Meu coração deu um solto. Ele não ia me machucar, mas podia sentir uma corrente elétrica varrer nós dois. Não era nada tão forte quanto o que senti com Lúcifer, mas estava ali. Aquela energia demoníaca inebriante. _Isso é... bom. – a reação dele foi como se estivesse injetando em sua veia a droga mais alucinógena e prazerosa. Quebrei nossa conexão com puxão fraco antes que aquilo ficasse embaraçoso.

_Me ajude e eu darei o que você quer. – repeti. Levei o copo aos lábios virando o que sobrou do Uísque na boca. A bebida — que não era a das melhores — , não queimou tanto na garganta. Parece que estou me acostumando. Levei o copo vazio para uma mesa perto e o equilibrei acima de um livro. _Você pode dizer, e repetir, que estar fazendo isso por sobrevivência, mas é mais que isso. Você é ambicioso. Quer o trono, chega de ser um mero demônio da encruzilhada. Mas é claro com Lúcifer no comando você se torna tão dispensável quanto os outros. Sabe que não chegaria a lugar nenhum sozinho. Então engoliu o orgulho e arrogância e se aliou a meros humanos, que você pode até desprezar, mas são úteis. Você estar usando os meninos, como fez entregando o Colt, por que somos loucos o suficiente para encarar o diabo, e se morrêssemos... bem, pelo menos não seria você, não é? – me movi um pouco sentando no tampo da mesa, cruzei as pernas e continuei: _Foi inteligente, tenho que admitir, usando da fraqueza humana, da grande fraqueza dos Winchester de achar que é dever deles livrar o mundo do terrível Satã. Crowley, você se aliaria até a anjos se achasse que assim iria conseguir poder. Você sabe jogar, sabe que não se consegue as coisas com apenas caos e violência gratuita. É preciso planejar e organizar. Você é um estrategista. E é por isso que acho que vai sobreviver a essa e mais outras.

Minhas palavras ficaram dançando pela sala fria como se fosse algo vivo. Os olhos de Crowley estava pousados em mim e quanto mais demorava para dizer qualquer coisa mais eu me sentia ficar nervosa. E depois de um tempo ele ergueu as mãos dando leves e estaladas palmas. O momento durou pouco, ainda bem, não queria que os meninos viessem ver o que estava acontecendo.

_Estou até arrepiado. Parece saber mais de mim do que eu mesmo. – disse Crowley. Era difícil saber se o tinha ganhado ou não.

_Estou te conhecendo agora. Não desmentiu nada do que disse, então suponho que esteja certa. – desci da mesa e me juntei a ele novamente no pentagrama.

_Sabe que o que está me pedindo é ariscar meu lindo traseiro e provavelmente ter meu terno caro rasgado. Que aliás foi o pouco que me sobrou.

_É, sei dos riscos, mas você é esperto, vai saber se virar. – disse abandonando a questão. Afinal aquilo não era um Não, vai se ferrar. _Ah, pense que se vencermos vai poder ter sua mansão em Malibu ou até mesmo um palácio na Escócia. Sendo Rei do inferno pode ressuscitar até Coco Chanel para desenhar ternos impecáveis para você. – ele pareceu se agraciar com a ideia.

_E você? Todo rei precisa de uma rainha. – aquilo era um flerte? Sorri docemente.

_ Não vou sobreviver para tanto.

_Tão bela, tão mórbida. – Crowley colocou as mãos no bolso. _Vou ajudá-la. Temos que preparar sua campanha para rainha do baile. O incidente em Buford é um bom começo, um pouco de eufemismo aqui e ali, afinal você matou muitos deles, e podemos conseguir alguma coisa. Mas estou confiante de que eles vão segui-la, princesa. – não era bem isso o que eu queria, na verdade queria demônios longe de mim e não comigo, mas Crowley parecia está certo, isso só daria certo se eu estivesse envolvida mais arduamente.

_É, eles vão me seguir por sou adorável. – disse sarcástica e incrédula. Crowley sorriu.

_Não, vão seguir você por que é uma vadia.

_Como é? – perguntei mais surpresa do que ofendida.

_Desfaça essa cara de ofendida, princesa. Lembre-se, são demônios. E você é quase uma de nós, vai precisar provar isso, e eu tenho certeza que não será problema. Seu... perfume, eles ficaram animados como abelhas no mel. E bem, essa carinha de anjo pode enganar Alce e Esquilo, mas não a nós. – balancei a cabeça enxotando o insulto. _Tenho minhas opiniões sobre você. – cruzei os braços entretida.

_Eu adoraria ouvi-la.

_Ora, somente um tolo não perceberia a tensão sexual entre você e os Winchesters. Nem quero saber o que acontece toda sexta a noite. – torci ao máximo para não estar ruborizada. Pensei em algo para dizer, mas achei que não precisava defender minha honra para um demônio. Enfim ele voltou a falar, quase nostálgico: _Me lembro como se fosse ontem, todo aquele alvoroço por causa do pequeno Alce, o garoto estrela, muitos estavam pronto pra segui-lo, tinham fé nele. Mas Sam preferiu salvar gatinhos em árvores. – tive que quase morder a língua para não pedir por mais detalhes, não conhecia aquela história de Sam. Mas não me pareceu certo ouvi-la de Crowley.

_Então, temos um acordo?

_Ainda não. E o arcanjo dourado?

_Eu também quero a cabeça de Miguel numa lança. – disse veemente. _Miguel não é tão impressionante como pensam. A verdade é que não faço ideia de como matá-lo, mas vou achar um jeito, e também tenho os Winchesters comigo. E claro, seria bom usar eufemismo aí também.

_Não é muita confiança num pacote tão pequeno? – Crowley me olhou de cima a baixo. Tentei parecer arrogante e confiante.

_O truque está na propaganda, Crowley. – o demônio pareceu pensar, depois estendeu a mão. Apertei a mão dele hesitando um pouco. Tinha que admitir que era bom sentir aquela energia, como uma luz negra se acendendo em mim. Era um pouco extasiante, e uma vontade vinda de um canto sombrio em mim queria experimentar uma voltagem maior, como quando matei o anjo. A voz de Miguel brincou na minha mente"Eu vi o jeito que ficou quando matou Joriel, vi a satisfação em seu rosto, você gostou daquilo. Gostou da sensação de poder. Você viu como se transformou. Isabel, você sente prazer no poder que o sangue de Lilith proporciona a você."Talvez ele tivesse razão.

Ele soltou minha mão primeiro.

_Me considere seu agente, princesa. Volto, se ainda estiver vivo, e aí podemos treinar seu lado demoníaco. – assenti um pouco confusa com o que ele quis dizer. Me afastei dele e levantei a borda do tapete para desfazer a armadilha. Usei a ponta dos sapatos para riscar o círculo. Crowley fez uma pequena reverência e antes que ele sumisse o chamei.

_Não me chame de princesa. – e no segundo seguinte ele já havia sumido.

Fiquei parada um tempo olhando para onde ele estava á alguns segundo atrás. Soltei a respiração e tentei me acalmar um pouco. Toda a minha pose confiante me abandonando de uma vez só. Eu só conseguia pensar no que aconteceu Buford. Tinha certeza de que Crowley acreditava que eu poderia matar Lúcifer ou liderar um exército de demônios por que de alguma oque eu fiz com aquela cidade tinha deixado alguma impressão nele. Antes que fosse até os meninos eles já estavam ali.

_E aí, o que houve? – perguntou Sam. Só olhei para ele. No momento não queria fazer um resumo da minha conversa com Crowley detalhadamente. Então só disse:

_Ele vai ajudar.

_Confia mesmo nesse demônio? – perguntou Dean incrédulo.

_Não. – respondi simplesmente. Passei por eles as pressas. Ouvi passos atrás de mim. Antes que alguém me perguntasse mais alguma coisa subi as escadas para o quarto. Vasculhei um pouco a mochila e encontrei o notebook.

Não precisei pesquisar muito. A internet estava lotada com notícias sobre O Massacre de Buford. Aparentemente ninguém conseguia explicar oque houve naquela cidade. Alguns diziam que foi uma praga, outros arriscavam dizer que era o começo do fins dos tempos, os mais lunáticos acreditavam em ataque alienígena. Mas ninguém sabia explicar bem o por que de pessoas simplesmente entrarem em combustão espontânea enquanto assistiam tv, por exemplo.

Tinha também alguns vídeos com depoimentos chorosos de mães, pais, irmãos e namorados que perderem suas parentes de forma grotesca e inexplicável. Acenderam velas na porta de uma igreja, preencheram os degraus com elas, fotos, pertences das vítimas, inclusive brinquedos, e variadas flores. Nomes foram escritos nas pedras da estrutura, alguns ilegíveis por conta da imagem á distância.

E o vídeo que fez meu coração se apertar foi de uma garotinha fazendo uma prece para um irmão perdido, para que ele tivesse sido guardado pelos anjos. Minha cabeça começava girar me deixando um pouco tonta. A foice da culpa enterrada no meu peito. Mas o que me surpreendeu foi que nenhuma lágrima veio.

Senti o colchão ceder sob o peso de Dean sentando ao meu lado. Sem dizer uma palavra ele gentilmente fechou o notebook no meu colo fazendo a imagem da garotinha sumir de meus olhos.

_Você está bem? – perguntou em tom preocupado. Me virei para ele. Não sabia como parecia, mas senti que ele recuou um pouco. Desviei o olhar, não queria direcionar em Dean minha ira sem motivo aparente.

Qual era o meu problema? Chacinei praticamente uma cidade inteira e nem conseguia derramar uma lágrima sequer por isso. Talvez estivesse entorpecida demais, dura demais. Tinha chorado tanto ultimamente que talvez meus canais lacrimais secaram. O que acabou sendo uma coisa boa, estava farta de tanto chorar.

Respirei fundo. Peguei da mochila minha câmera e sem dizer uma palavra á Dean sair do quarto batendo a porta.

... — ...

O crepúsculo começava a pontuar o céu. Estava sentada em cima do capô de um carro para desmonte no meio do ferro velho do Bobby. Deixei que o vento frio de começo de tarde arrepiasse minha pele e que meus olhos enxergassem ângulos e maneiras diferentes de fotografar um lugar como aquele. Tinha que confessar que começava a me sentir um pouco enferrujada.

Porém aquilo me causou uma distração de meus pensamentos sobre guerra celestial, conspirações e meu irmão a mercê de demônios. Me preparei para mais um clique quando Sam entrou no meu campo de visão como um novo foco para minha foto. Conseguir alguns cliques até que ele pôs a mão na frente do rosto. Abaixei a câmera quando ele já estava perto.

_Sei que quer ficar sozinha, mas só vim para dizer que o jantar estar pronto, e é melhor comer. O Bobby cozinhou. – assenti deixando um sorriso leve aparecer, ele correspondeu o sorriso e deu meia volta. Quase o chamei de volta, não queria que fosse, por mais que não tivesse um motivo para sua permanência. Como se ouvisse meus pensamentos ele se virou novamente e disse: _O que tem de tão inspirador num ferro velho com uma casa antiga nos fundos? – sorri por sua curiosidade.

_O que tem de tão inspirador em você? – respondi com outra pergunta. Sam poderia se virar com variadas respostas sarcásticas para a pergunta, mas ele escolheu me questionar.

_Como assim?

_Acabei de tirar fotos suas. Então, o que tem de inspirador em você? – ele sorriu e se aproximou um pouco mais.

_É diferente, sou uma pessoa. – balancei a cabeça sorrindo.

_É, só que como fotografa parece que meus olhos foram treinados para conseguir enxergar a inspiração nas coisas mais inesperadas. Eu gosto de usar a fotografia como uma fonte para guardar memórias que futuramente podemos esquecer. Um momento, uma expressão inconsciente ou uma pessoa. Quando morremos o que deixamos para trás não é apenas bens matérias, mas sim memórias. Pessoas que nos conheceram iram lembrar de nós, mas e o resto? Quero que quando isso for achado alguém olhe e pense em quantas histórias e aventuras um ferro velho poderia guardar, que alguém viveu aqui, ou que simplesmente um lugar desse completamente vazio com carros sem vidas e uma iluminação um pouco escura possa despertar algum sentimento. – parei de falar quando percebi que estava tomando um caminho um pouco distante. Sorri para Sam. _Poderia ter me parado no momento que quisesse. As vezes eu gosto de tagarelar algumas pieguices sobre fotografia. – ele chegou mais perto e se recostou no capô ao meu lado.

_Você poderia estar falando até sobre latas de latas de cerveja vazias que ainda assim eu acharia a coisa mais interessante e profunda que alguém já me disse. – ri me sentindo mais leve instantaneamente.

_Você treina para ser tão legal comigo?

_Todos os dias. – sorri um pouco mais, ele também. Quis me afundar naquele sorriso que me encantava e cativava os cantos da minha boca á acompanha-lo.

_Quer tentar? – disse indicando a câmera. Sam assentiu, assim me ajeitei no capô para ficar mais perto dele, passei os braços em volta do seu ombro segurando a câmera frente á seu rosto. Minha cabeça estava praticamente pousado no seu ombro, podia até sentir seu cheiro. O meio cítrico, como limão, do sabonete, e o mais foral do shampoo de cabelo de hotel. _Esse vai ser nosso enquadramento, mas podemos deixar as coisas mais interessantes com um pouco de foco aqui – falei no seu ouvido colocando o foco na casa ao fundo. _Ou aqui. – agora o foco estava carros velhos ladeando o caminho que ele havia tomado.

_E claro, tem os efeitos, iluminação, controle de ruído. Enfim uma infinidade de coisas que podemos usar para deixar uma foto... inspiradora, ou simplesmente passar o que queremos dizer na imagem. – deixei que Sam assumisse a câmera. Ele mexeu um pouco com o foco antes de fazer a foto.

Tirei meus braços em volta dele e o observei enquanto tirava algumas fotos, testando o foco, ângulo, zoom e algumas outras funções da câmera. Ele virou a lente para mim, um sorriso aparecendo por trás da câmera.

_É... inspirador. – lhe ofereci um sorriso antes de colocar a palma da mão na lente bloqueando a sua visão. Ele afastou a câmera do rosto e olhou para mim. _O que mais?

_Algo muito importante é a velocidade do obturador, enquanto estiver aberto vai determinar a quantidade de luz que chega no filme e... – Sam estava tão perto que senti meu coração dá um salto, e ele quase parou quando Sam se inclinou e seus lábios roçarem nos meus tão de leve que chegou enviar um arrepio ao meu corpo. Por algum motivo eu me retrai interrompendo o que viria a seguir.

Foi um momento constrangedor e inesperado. Sam olhou para mim um pouco acuado o rubor pontuando suas bochechas, já meu rosto estava em brasas.

_Sam...

_Acho melhor irmos logo. – disse ele me devolvendo a câmera. Assenti me sentindo estranha e uma ponta se precipitando no coração. Assim o segui de volta para casa enquanto a noite caía sobre nós.

... — ...

O jantar foi no mínimo constrangedor e estranhamente silencioso. Todos evitando contato direto com os outros. Mas pelo menos a comida estava boa.

Quando terminei de escoar os dentes me permitir olhar para meu reflexo no espelho mais detalhadamente. Estava com uma aparência deplorável, talvez fosse o cansaço e as noite mal dormidas. Estava exaurida. Exausta mesmo que não tenha movido muito os músculos nas últimas horas. Mas carregava um peso enorme nas costas, arrastava nos pés quilos, e minha cabeça servia de apoio para a toneladas de pensamentos e o coração quase explodia de tanto sentimentos.

Eu tinha quase beijado Sam pela terceira vez em tão pouco tempo, e o mais surpreendente foi que algo ainda me fez recuar na última tentativa. Mas não sabia se conseguiria me impedir numa próxima vez. Eu queria, ou pensava que queria, e com toda a pressão da imagem do meu irmão na minha cabeça eu deveria. Só não conseguia para de pensar em todo o suporte que tive dele hoje. Começava a pensar que talvez era disso que precisava, alguém que acreditassem em mim e ainda assim se preocupava comigo.

Sam era como a água. Acalmava e me fazia flutuar, suas adulações me levavam a novos estados de paz e certeza. Lavava meus ferimentos e eu sentia que poderia lançar garrafas com meus segredos dentro que eles estariam seguros. Eu estaria segura por que era terno e sem ondas fortes.

Já Dean era o oposto. O fogo. Suas chamas me consumiam, até eu estar totalmente acesa. Qualquer coisa era combustível. Seu beijo poderia me incendiar, seu toque me fazia arder e seu amor e paixão me reduzia a cinzas e eu renascia como a Fênix.

Eu poderia morrer incinerada ou afogada.

Estava tão confusa e dividida. Pela primeira vez sentia um vazio em mim que antes Dean preenchia, mas agora eu só conseguia ouvir o eco produzido por minhas duvidas e lamentações. E o que estava fazendo me machucava mais do que se eu não fizesse nada.

Sentia falta de Dean, queria ser capaz de voltar e estar de novo naquela casa velha onde tudo começou. Onde despejei para Dean todo o meu passado e ele me envolveu nos braços e disse que ficaria tudo bem. Onde ele disse que eu era sua, sua garota. Sentia falta daquela paz rara em tempos de guerra, por que era só nós e mais nada. Por que agora eu praticamente estava o mandando para abatedouro.

Inspirei fundo. Fechei os olhos e tranquei todas as minha emoções, deixando de fora o que poderia me ser útil. Me foquei em minha recente aliança com Crowley e no quanto isso podia dar certo ou muito errado. Mas sem perceber sentia meus ânimos se animarem. Deixei o banheiro no fim do corredor e rumei para o quarto.

Dean levantou o olhar para mim quando entrei depois voltou-se para o que estava fazendo. Estava envolvido entre as peças de sua arma espalhadas no colchão. Estava tão atolada de pensamentos que resolvi dividi-los com Dean.

Comecei contando o que achei de Crowley, ou como eu o tinha sacado usando isso para conseguir que ele colaborasse, depois passei para o que ele disse para mim sobre eu conseguir com que os demônios me apoiasse.

_E Crowley me disse que voltaria para me ajudar com meu lado demoníaco, eu estive pensando nisso, talvez ele estivesse falando de... – Dean sorriu amargamente. Ele não tinha dito nada desde que comecei falar, na verdade nem notei se ele sequer tirou os olhos do esqueleto da arma — que ia recolocando peça por peça — para olhar para mim enquanto falava. _O que foi?. – ele levantou o olhar.

_Nada, só você aí toda animada com os planos do demônio, falando do Crowley como se ele fosse um velho amigo. Parece que estou vendo uma reprise de um filme muito ruim com final pior ainda. – falou calmo, calmo demais. Talvez também estivesse cansado.

_Dean, já falamos sobre isso. É nossa única chance de conseguir alguma coisa, é nossa primeira investida em meses. Chega de ficar de braços cruzados esperando que tudo venha até nós, eu estou cansada de correr de cidade a cidade, me esconder e esperar pela próxima coisa ruim acontecer. – disse determinada.

_Eu já vi isso antes. Já confiei em um demônio antes, deixei que se aproximasse demais e olha no que deu. –Dean largou a arma montada e devidamente limpa no bolso da jaqueta, um amontoado de couro na cadeira ao lado da cama. _Parece meu pesadelo, tudo de novo. – sabia que ele falava sobre o que houve com Sam e Lillith, o motive de estarmos nessa e do por que ele havia se afastado do irmão antes.

_Dean, então o que quer eu faça? Não temos nada, não temos uma pista sequer dos cavaleiros, não temos peste, não temos nem Deus. Talvez se aliar a um demônio seja nossa melhor chance. E o que pode dar errado que já não tenha dado? – falei sentindo uma pontada irritante da minha ira contida que crescia gradativamente nos últimos dias. E me peguei desejando sentir a sensação do poder de Lilith fluindo em mim novamente. Queria me sentir mais viva e energética.

_Podemos resolver isso de modo que sempre resolvemos eu, Sam, Bobby e você. Podemos achar um jeito de concertar... de... – o jeito que ele falava me lembrou de quando estava influenciado pelo poder de Afrodite. Tinha certo desespero em seu olhos. _Eu estive pensando, cheguei a comentar com Sam, que talvez podemos achar uma bruxa ou pedir a ajuda ao Castiel, para poder bloquear esses seus poderes...

_O quê? – perguntei de súbito antes mesmo de ele terminar.

_Não é isso que Lúcifer quer? Miguel quer ou sei lá mais quem. Todos estão em volta de você como se fosse um maldito poço dos desejos por causa dessa droga que Lúcifer fez com você. Se pelo menos não tivesse mais isso eles iriam parar de tentar te usar como uma arma para guerra deles, e aí iriamos resolver as coisas como sempre fizemos. – olhei para ele chocada, sentindo o sangue fervilhar nas veias.

_Não. – disse. Dean suspirou.

_Isabel, seja um pouco sensata...

_Não! – praticamente gritei. Tinha a pesada consciência do quão assustador uma verdade apareceu para mim. Até ontem eu sentia-me enjoada por mim mesma, pelo o que Lúcifer fez a mim, mas agora eu sentia uma necessidade muito grande de me proteger de quem quer que quisesse tirar aquilo de mim. E pior ainda era a vontade de explorar ainda mais o mostro que vivia domesticado dentro de mim. Estava mudando, me transmutando. Finalmente via uma chance de achar um lado bom para aquilo, de aprender a dominar e usar essa coisa contra seu criador. E não ia permitir que Dean tirasse isso de mim.

Lúcifer deve está sorrindo orgulhoso agora. Pensei assombrosamente.

Dean parecia um pouco chocado com a minha reação, mas aquilo passou tão rápido por mim que eu não conseguiria me impedir de recuar. Estava inflando de raiva, sabia que não era muito justo com Dean, mas tinha que extravasá-la se não explodiria.

_Eu não sou uma boneca quebrada que tem que consertar para servi para você. O que tem dentro de mim não pode ser bloqueado ou apagado. Isso sou eu! Essa coisa abominável que tem dentro de mim já salvou minha pele mais do que você fez. Será que já passou pela sua cabeça que isso é o que me mantêm viva?!

_Eu posso te manter viva, porra! – Dean explodiu. Parecia que iria quebrar todos o móveis daquele quarto com as mãos. _Você pelo menos está se ouvindo? Pretende mesmo desfilar por aí como se fosse um cavalo premiado do Crowley? Para quê? E depois, o que você vai fazer, assumir o lugar de Lúcifer? Eu estou tentando te salvar de você mesma. – e como se respondesse a ele o espelho na parede ao lado de sua cabeça explodiu em milhões de estilhaços. Dean abaixou com as mão na cabeça a tempo de não ser ferido. Tremia de raiva que parecia efervescer no meu sangue. Ele olhou para o espelho estilhaçado no chão em cacos e depois para mim. O horror em seus olhos me quebrou mais que aquele espelho.

_Eu... – deixei o pedido de desculpas morrer na minha boca. Eu não sabia como tinha feito aquilo e não sentia por ter feito. Estava agradecida de Sam ter saído com Bobby para buscar algumas peças para um carro, ou coisa do tipo.

Fiquei no meio termo entre sair porta a fora ou ficar ali com Dean e acabar o machucando de verdade.

Por fim não fiz nem uma coisa nem outra, simplesmente cedi ao cansaço e esperei que Dean falasse alguma coisa. Nada parecia lhe servir bem, o choque já tinha abandonado seu rosto e ele agora se assemelhava a mim. Cansado. Antes que o silêncio nos consumisse resolvi falar:

_Estou cansada disso. – disse com a voz fraca. Dean abaixou a cabeça tornando impossível de identificara expressão em seu rosto. Ele encontrou um caco do espelho no chão e o chutou para longe.

_Espera... – ele voltou a olhar para mim. O cenho franzido e os olhos com emoções que não sabia ler. _Está terminando comigo?

_Não. – disse rápido demais, depois: _Sim. Eu não sei... – passei as mãos pelos cabelos extremamente confusa e ainda me agarrando ao pouco de fúria. Parecia que era o que me mantinha de pé.

_Não, você não sabe oque está dizendo. – disse Dean balançando a cabeça passando uma mão um tanto trêmula pelo cabelo e rosto.

_Acho que nós dois sabemos que isso não está dando certo há muito tempo. Isso é tudo o que fazemos, estamos brigando o tempo inteiro. Estou cansada dessa nossa novela mexicana. E tem o jeito que você olhou para mim quando estava morrendo naquele bar como um demônio, ou quando eu salvei você de ser esfaqueado. Pode achar que não, mas doí ver você olhar para mim daquele jeito, como fez agora, horrorizado e... enojado...

_Isso não é justo! – esbravejou, sua voz como um presságio de uma tempestade. Dean começou a se movimentar pelo quarto. Nervoso e um pouco desesperado, talvez. Então ele parou respirou fundo como se quisesse engolir a fúria e encontrar as palavras certas. _Eu admito que congelei naquele bar, eu não sabia o que fazer. Tenta entender o meu lado, você estava morrendo, como um demônio, o que eu deveria ter pensado? Mas acima de tudo eu vi você morrer, e... por Deus isso quase me levou junto. Não fale do que não sabe. Você não faz ideia de como foi para mim simplesmente ver você morrer e eu não poder fazer nada. – disse exasperado.

_Dean. Eu só quero saber se para você tudo bem se eu me aliar ao Crowley, ou se consigo explodir espelhos com a mente e matar anjos com as mãos? Quero saber se você consegue aceitar que eu não sou mais a garota que você encontrou há alguns meses naquele semáforo? Ela morreu e não vai voltar. Consegue lidar com isso? Por que é disso que preciso de você. Alguém que esteja comigo nas minhas batalhas, que me aceite do jeito que sou, que confie em mim, que me dê carinho antes de me arrastar para cama. Alguém que seja meu namorado. Pode fazer isso? – senti um abismo se abri entre nós.

_Não. Me desculpe. – e eu me vi caindo violentamente naquele abismo. _Então é isso, acabou?

_Como se se importasse. – disse amargamente. Eu queria chorar, queria sentir soluços balançar meu peito, mas não conseguia derramar uma única lágrima. Talvez estivesse muito entorpecida.Qual era o meu problema?

E oque eu deveria fazer a seguir? Arrumar minhas coisas e ir dormir no quarto de Sam? Começava a me sentir perdida, claustrofóbica. Depois de alguns minutos de silêncio Dean falou.

_Tem razão, eu não me importo. – e foi assim eu atingi o fim do abismo. Sentindo todos os meus ossos se quebrarem.

E a mais estranha sensação varreu cada nervo meu. E eu me peguei sentindo uma vontade forte de cruzar aquela porta e corre toda a Dakota do Sul se fosse preciso para achar Sam e me jogar em seus braços. Corresponder seu beijo e implorar por perdão pelo o que eu tentava fazer. E naqueles braços fortes encontraria o que precisava, encontraria o que Dean não podia me oferecer. Antes que guiasse meus pés para aquela loucura Dean foi mais rápido ao cruzar o espaço entre nós e me puxar em seus braços me colocando contra a parede. Seu corpo prensado no meu.

Estava encurralada e não iria á lugar algum.

Minha cabeça começou a girar jogando tudo o tinha nela pelos ares. Dean estava tão perto que só conseguia pensar qual seria seu próximo passo para me fazer quebra em seus braços só para ser moldada novamente em seus dedos? E não demorei muito a descobrir, Dean se possível me puxou para mais perto e deixou que sua boca encontrasse a minha.

Profundamente, desesperadamente. Suas mãos estavam na minha cintura e a sua respiração quente começava a pesar. Já eu mal consegui respirar quando ele interrompeu o beijo.

_Se quer acabar com isso, se quer que eu pare é só me dizer e eu paro. Mas, Isabel – só a menção do meu nome pelo seus lábios, sonoramente com sua voz grave, me deixava arrepiada. Não posso para-lo. Não quero entrega-lo a Miguel. _Eu não me importo por que sei que você ainda me quer.

_Dean, eu preciso saber, preciso que me diga. – disse um pouco ofegante. Dean encostou sua testa na minha e tomou meu rosto com a mão afastando carinhosamente meu cabelo do rosto, estudando-o minuciosamente o olhar cheio de significado, um pouco distantes e terno.

_O que quer que eu diga? Que eu faria qualquer coisa por você, que diria qualquer coisa? Sim, eu faria qualquer coisa, diria qualquer coisa. E acho que o que você quer ouvir você já sabe a muito tempo. Não vou dizer de novo, não quero que perda o significado ou seja algo banal. E não estou pedindo muito em troca, eu só quero poder ter você aqui, poder te chamar de minha. Não posso ser seu príncipe encantado e estou muito longe de concordar totalmente com algumas de suas decisões e atitudes. Não vamos ter um apelido fofo e não vou lembrar de coisas como o que você estava vestindo quando nos beijamos pela primeira vez. Eu bebo demais, assisto pornô japonês e não prometo não olhar para uma gostosa na rua. – levantei uma sobrancelha.

_Espero que chegue a algum lugar com isso. – disse, ele sorriu.

_Vou chegar lá. O que estou tentando dizer é que não sei ser namorado de ninguém. Nunca fiquei com uma garota por tanto tempo quanto fiquei com você.

_Acho que você não teve muita escolha aí. – ele riu um pouco.

_Ah, sempre existiu a opção de te largar num posto de gasolina. Sempre me pareceu tentador.– dei um tapinha nele. Pronto, ele tinha quebrado toda a tensão entre nós. Como ele conseguia me fazer quebrar um espelho de raiva e depois me fazer querer está desesperadamente em seus braços?

_Meu Deus, você é horrível.

_Mas você adora.

_Não, adoro não.

_Adora sim.

_Adoro sim. – ele sorriu e me beijou lentamente. Parou pouco depois se afastando de novo.

_Quero que saiba que sou o cara que não vai ser seu namorado, mas sim aquele que vai fazer de tudo para salvá-la. Eu fiz uma promessa, lembra? Não vou parar de cuidar de você mesmo que... mesmo que você mude, ou que tenha um exercito de demônios. Você pode terminar tudo agora se quiser. Eu vou entender, mas não peça para me afastar ou para deixar de olhar por você. Pode quebrar mil espelhos na minha cabeça e não vai conseguir me deixar de fora. Por que você e o Sammy são tudo o que eu tenho. Não posso perder isso.

Segurei seu pescoço o puxando para mim, não resistindo ter sua boca tão perto e não beijá-la. Dean voltou a pressionar seu corpo no meu, fazendo eu sentir todo o ele se encaixando no meu. E como eu o desejava mais e mais perto enquanto seu língua fazia maravilhas na minha boca. O queria até tivesse coberta por ele. Marcada por ele.

_Oh, Dean. – suspirei/gemi/falei. _Não quero que pare. Nunca quis.

Não precisei dizer muito. Dean me pegou no colo, minhas pernas enroladas ao redor do seu quadril. Seus lábios marcaram meu pescoço, minha garganta e ele se moveu um pouco para me colocar na ponta da pequena mesa no canto do quarto, os cacos de vidro iam sendo esmagado pelas solas de seus sapatos. Uma mão no meu pescoço outra embaixo da minha blusa subindo devagar pela minhas costas.

Sua coxa estava entre minhas pernas, sua mão de minha coluna foi deslizando para baixo, fazendo um caminho pela minha coxa, atrás do joelho subindo de novo. Ele só podia querer me deixar louca. Quando chegou no bolso detrás da calça ele encaixou os dedos ali me puxando para perto facilmente. Deixei um gemido escapar da garganta quando senti o volume projetado do zíper da sua calça Jeans. Quando ele parou mais um beijo puxei o ar com força, a cabeça a mil e o corpo fervendo em excitação.

_Isabel. – disse ele com a respiração entre cortada.

_O quê? – perguntei já querendo sua boca de novo, aproximei meu rosto do dele que se afastou um pouco. Odiava quando ele brincava assim, Dean sorriu maroto, fiz um biquinho.

_Levanta os... – ele disse ofegando um pouco. _Deixe eu tirar sua blusa.

Estava tão afoite que demorei para entender, perdida em seus olhos escurecidos pelo desejo. Então ele disse mais firme.

Desperta levantei os braços. Ele agarrou a barra da minha blusa e puxou pra cima em seguida jogo-a no chão. Agarrou minha cintura tomando minha boca novamente. Uma mão atrevida subiu pela minha cintura onde sua mão encontrou um encaixe perfeito no meu seio. Tive que me concentrar para não morde-lo.

Eu não resistia em vê-lo com tanta roupa. Comecei retirando sua camisa xadrez e depois a camisa preta. Me agarrei a ele beijando seu pescoço e deixando uma mão passar pelas suas costas e a outra segurando sua nuca passando os dedos de leve na região. Dean gemeu na minha boca. Ele inclinou o corpo me deitando na mesa. Escapou de meus braços para descer com beijos toda minha pele exposta me fazendo arrepiar e arfar.

_Isabel. – como ele adorava me provocar chamando meu nome tantas vezes. _Levanta um pouco o quadril para mim. – nunca estive tão lezada quanto a seguir suas deixas nesse quesito. Assim como ele pediu levantei um pouco o quadril. Dean abriu o botão da minha calça descendo o zíper, fez o mesmo com o dele. Prendeu os dedos na cintura da minha calça e as laterais da minha calcinha puxando-as ao mesmo tempo.

Estava totalmente exposta em cima daquela mesa, vestindo nada a não ser um sutiã.

E ele voltou para mim deixando suas mãos subirem pelas minha perna tomando o caminho pelas partes de dentro das minhas coxas enquanto seus lábios cuidam da área do meu peito descendo para meus seios que mesmo sob o tecido não impediram de Dean me levar a um estado de prazer ainda maior. Agarrei seus ombros não me contendo. Eu o sentia quente nos meus dedos e era bom saber que ele também estava queimando feito eu.

E ele escapou de mim mais uma vez, seus olhos encontraram os meus, um sorriso malicioso brincando nos seus lábios que durou só alguns segundos, nos outros eu fechei os olhos sabendo que se morresse agora para mim estaria tudo bem. Por que quando Dean escolheu onde trabalhar com a boca eu tinha certeza que não estaria viva até o final da noite.

Dean conseguia como ninguém desatar todas as minhas amarras que seguravam o pouco de compostura que ainda me restava. Minha sanidade foi abandonada no espaço e só o eco dela me impedia de gritar. Mas mesmo com os lábios selados na boca e presos pelos meus dentes não foram capazes de sustentar a quantidade de gemidos que escapam da minha garganta e escapam pela boca.

Minha cabeça delirante pressionada na madeira e minhas mãos agarram com força as laterais da mesa. Nem se me perguntasse quanto era dois mais dois eu não saberia responder. Não iria me importa nem se descobrissem a cura para o câncer por que tudo o que importava era Dean de joelhos com a boca em meu corpo, suas mãos na minha pele feito ferro em brasas. Era nós dois em nosso delírio.

Com certeza confessaria para quem quiser ouvir que estava completamente louca. Meu coração estava se chocando loucamente no peito e minha respiração começava a pesar. Meu corpo respondeu á uma explosão e não consegui segurar o grito e muito menos meus dedos de se infiltrarem em seu cabelos.

E antes que me desse conta de que poderia estar gritando de novo chegando a um nível superior Dean se levantou e me agarrou nos levando para cama. Logo ele estava em cima mim com os lábios entre os meus misturando meu gosto com o gosto de sua boca. Dean me beijava com uma ansiedade e intensidade que me perguntava se não estava me desfazendo em seus braços.

Suas mãos viajaram por um tempo em meu corpo e as minhas tomaram a liberdade de passar pelas laterais de seu abdômen, parando na barra folgada de sua calça. Por que ele ainda não tirou essa porcaria feita de jeans? Dean percebeu minha urgência e se afastou saindo da cama ficando de pé. Ele voou para sua jaqueta na cadeira tirando de lá sua carteira. Dean não se importava com papeizinhos e cartões que caíam dela enquanto ele retirava de lá uma cartela inteira de camisinhas. Não consegui conter a risada.

_Você é muito pretensioso mesmo. – comentei Dean sorriu maroto para mim. Destacou uma e largou as outras no chão. Engatinhei sobre a cama enquanto Dean se aproximava. Antes que ele tivesse a chance de fazê-lo agarrei a barra de sua calça e a deslizei para baixo, ele terminou o trabalho agitando os pés e se livrando dela. O peguei pelo braço puxando-o para cama. Dean se estendeu sobre mim e eu o empurrei o tirando de cima.

Subi em cima dele, seus olhos estavam presos no meu e não conseguiria desvia-lo. Ele subiu as mãos pelas minha coxas e parou na minha cintura. Devagar fui retirando a minha última peça, deixei as alças caírem pelos braços depois o atirei em algum canto do quarto. Ver o olhar desejoso de Dean me deixou ainda mais ávida. Coloquei minhas mãos sobre as deles fazendo-as deslizar pela minha pele chegando ao volume dos meus seios e deixei que ele tomasse toda a liberdade ali.

Ele me fazia arfar, gemer e me contorce em cima dele. Parecia que todo o ar daquele quarto foi contaminado com o nosso desejo crescente. A vontade que sentíamos de possuímos um ao outro exalados na nossa respiração ofegante.

Me inclinei marcando sua pele com meus lábios. Começando no pescoço e descendo, passando pelo seu peito e parando ali, Dean olhou para baixo.

_Feche os olhos. – pedi.

_Não. – ele respondeu numa lufada de ar.

_Dean, feche os olhos. – ele me olhou com os olhos enlouquecidos, mas enfim cedeu.

Então contornei com os dedos toda linha que a costura do tecido macio de sua cueca boxer fazia. Dean estava respirando tão forte que podia ver seu peito subindo e descendo, seus olhos apertados com força e a cabeça tombada para trás, seus lábios separados sugando o ar.

Toquei nele com delicadeza, de novo, e de novo. Dean apertou os lábios segurando um gemido e virou a cabeça no travesseiro. Senti seu corpo todo enrijecer e o mais leve espasmos passar por ele. Minhas mãos deslizaram para cima de sua coxa descendo um pouco até acima de seu joelho, devagar as afastei conseguindo espaço o suficiente para fazer uma trilha de beijos na parte interna de suas coxas, deixando a respiração escapar do nariz para sua pele enquanto subia.

Dean parecia estar sentindo dor. E não esperei mais, encontrei o elástico da sua cueca e a puxei para baixo a retirando. O tomei para mim, tendo certeza que naquele momento se eu pedisse Dean diria Sim para Miguel e até para Lúcifer, mas o que saiu de sua boca foi meu nome em forma de um gemido curto me incitando ainda mais.

Deixei que meus lábios fossem guiados pela luxúria que tomava cada nervo do meu corpo clamando por Dean, implorando para que encontrasse uma maneira de tê-lo em mim de qualquer forma possível. Minha língua como um condutor que o eletrizava e minha boca continha o que podia dele. Dean deixou escapar da garganta um palavrão. Não resistir e intensifiquei minhas investidas, e via o ponto em que ele iria urrar para mim.

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Dean não permitiu que eu fosse muito longe, com rapidez ele me puxou para si novamente, meu corpo contra o colchão e o dele prensado no meu. Ele se ajeitou entre meu corpo e a embalagem da camisinha já voava pelo quarto. Me agarrei nele, passando os braços em volta de seu pescoço deixando os lábios roçarem ali enquanto ofegava. Ainda que Dean parecia ter ânsia em seus atos ele queria me tortura, deslizando para dentro de mim devagar, muito devagar.

Não me aguentava quieta, enlacei minhas pernas na sua cintura e movi meu quadril para frente o enterrando ainda mais em mim. O começo era sempre um pouco incomodo, bem, por questões de números poderíamos dizer, mas quando nos movíamos qualquer desconforto ficava para trás. Dean assumiu o controle encontrando um ritmo intercalando entre o lento e rápido. Parecia querer aproveitar cada segundo daquilo.

O som dos nossos corpos se chocando, dos ruídos e gemidos saído de nossas bocas acompanhava o ranger da cama era sinfonia. A forma como nossos corpos se encontravam, ondulando e se movendo, seu hálito fresco chicoteando meu pescoço me fazia ascender. Minha pele parecia reagir a ele de um jeito que chegava me surpreender, era quase um truque de mágica. O modo como nossos corpos se chocavam me fazia me apertar nele quase deixando a sensação orgástica me arrasar pouco depois de começarmos. Enquanto eu gemia descaradamente Dean ria de mim.

_Está me deixando louco, amor. – sussurrou no meu ouvido dando uma mordidinha na minha orelha. Em resposta mordi os lábios deixando minhas unhas descerem pelas suas costas. Foi a vez dele de grunhir para mim.

_Dean... Me devora. – sussurrei de volta ofegante.

E ele acatou meu pedido devorando minha boca dando força e velocidade ao seus impulsos, deixando claro para mim que eu era dele e de mais ninguém. O empurrei um pouco nos invertendo. Coloquei meus cotovelos entre sua cabeça jogando o cabelo para um lado. O beijei me movendo sobre ele, Dean agarrou minha cintura coordenando melhor meus movimentos.

Ele deixou uma mão passar pela lateral do meu rosto e se embrenhar no meu cabelo me segurando firme enquanto deixava beijos no meu pescoço e queixo. Não importava quantas vezes fizemos aquilo sempre me parecia novo, um jeito diferente de prazer cada vez melhor e viciante. Sempre novas palavras e algumas velhas atitudes, mas nunca me parecia que estávamos fazendo pela terceira ou quarta vez. Era como uma primeira vez.

Dean girou na cama me firmando pela cintura e erguendo o tronco comigo junto a si. Respirávamos muito rápido e aqueles olhos fitando os meus me fazia fraquejar. E tiramos aquele momento para tomar fôlego e permitir que soubéssemos de algumas coisas mesmo que não dissemos nada. Mascarado pelo desejo via nos olhos de Dean tantas emoções, um significado mais profundo para o nosso ato. Uma pontada de tristeza e outra de paixão. Me dizia tanto do que ele poderia falar para mim em um parágrafo.

Ao invés de palavras tracei de beijos todo o seu rosto. Do pescoço suguei um pouco mais, da linha do maxilar deixei meus lábios leves como plumas, na orelha arisquei um contorno suave e depois uma mordidinha, a sua reação me encorajando a dizer mais sem usar de frases, consoantes e sílabas. Beijei sua bochecha e cobri com outro suas poucas sardas nas laterais do dorso do nariz. Não conseguir parar até que tivesse beijado sua testa, o espaço entre as sobrancelhas e por último sua boca de que tanto gostava.

Dean me apertou ainda mais em seus braços e tive que me contorcer um pouco para voltar a me mover. Ele espalmou uma mão abaixo da minha cintura e a outra encontrou minha nuca. Subia e descia como numa montanha russa. Aquela sensação de sentir o vento no rosto vendo a mais bela vista do alto antes de cair deixando milhões de borboletas se agitando no estômago.

Queria dizer seu nome, mas mal conseguia respirar. Sentia que estava chegando a última curva, aquela mais alta e mais excitante, ele me apertou um pouco mais e me ajudou a intensificar as escalas. Encostei minha testa na dele mirando seus olhos mesmo que tudo se movia. Parecia que nossos corações ia explodir e o oxigênio se extinguir. Aquele tão aguardado momento chegou me arrebatando numa onda tão forte que fez meu corpo se convulsionar e o de Dean estremecer junto ao meu.

Aqueles poucos instantes que parece uma infinidade e ao mesmo tempo rouba do momento alguns segundos. O beijo que Dean começou na minha boca poderia inspirar poesias e acordes de guitarra, poderia fazer as estrelas brilharem mais intensamente e o mundo parecia tão menor. Paramos respirando forte cada um no pescoço do outro. E talvez tivesse ouvindo coisas, ou quisesse ouvir aquelas coisas, conforme fosse eu ficaria com aquele eu te amo saído dos lábios de Dean ou da minha imaginação.

... — ....

Ela estava bem onde ele queria que estivesse. Agarrada a ele, dividindo uma cama, metade do corpo nu e a outra coberta por uma peça fina, que ele podia tirar facilmente, pensou malicioso. O silêncio do quarto era preenchido apenas pelas suas respirações. Dean queria congelar aquele momento ou colocá-lo num globo de neve por que ele sabia que dali em algumas horas aquela pequena calmaria iria se evaporar com os primeiros raios de sol.

Tinham chegado tão perto de um fim naquela noite que Dean ainda sentia uma parte dele que havia ruído se reconstruindo aos pouco. E ele sorriu na penumbra do quarto, o cabelo de Isabel — ainda úmido do banho — espalhado no seu peito enquanto ela dormia ao som das batidas constantes de seu coração.

A garota que gostava de envolver as pernas em volta de seu quadril, por que era assim que encontrava segurança. Não envolvia os braços em volta dele quando estavam em perigo, por que assim se sentia fraca.

Ela gostava de tenta-lo. Ele gostava de testa-la. Provar aos poucos que se não ficaria viciado, mas que se dane ele já estava drogado.

Ela fazia joguinhos com sexo e ele adorava descobrir seus novos métodos de não se entediar. Suas receitas para a paixão e excitação envolviam palavras embebidas a fúria, e como dava certo. Ele se fartava e queria sempre repetir o prato.

O caminho que ela traçava começava em seu pescoço e ia descendo, descendo e descendo até que quando ela se encontrava e ele já tinha perdido a cabeça.

Seu pequeno anjo caído. Sua perdição onde não queria usar a bússola. Estava perdido em suas curvas e emaranhado em seus cachos. Sugava o ar de seus lábios para poder respirar melhor e se conectava a ela para encontrar o divino através do prazer.

Metade anjo, metade demônio. Metade menina, metade mulher. Metade sua, metade do mundo. E ele se perguntava se era dela. E queria dizer: sou seu. Mas isso seria um erro, por que quando se jogava com Isabel ele podia acaba perdendo tudo, até a dignidade e seu atestado de "Homem da relação".

Mas Dean simplesmente adorava estar rendido aos seus caprichos. Isabel podia ser cruel com ele por que estava louco por ela.

_Dean. – seu nome foi ouvido num sussurro. _Está acordado?

_Sim. – respondeu. Ela ficou em silêncio por tanto tempo que Dean achou que tivesse voltado a dormir, mas então ele a ouviu de novo.

_Você disse que faria qualquer coisa... por mim.

_Disse.

_Pode me prometer mais uma coisa? – Dean sentiu o coração de Isabel bater um pouco mais rápido próximo ao seu.

_O que é? – Isabel se apertou ainda mais nele.

_Eu quero... quero sentir pela primeira vez um pouco de paz. Eu quero ser feliz. Quando isso acabar promete para mim que eu vou poder, nós vamos, sentir isso juntos. – Dean encarou o teto acima. Tinha certa dor nas palavras de Isabel que ele não queria ouvir novamente.

_Prometo. – disse, mas a primeira palavra que lhe veio a cabeça foi: Sim. Sim para Miguel.

Sim por ela.

... — ...

Lavei o rosto pela terceira vez. Na verdade eu queria cair num lago congelado e ficar lá até sentir meus ossos congelarem. Eu tinha certeza de que o que fiz Dean prometer seria seu fim. Eu pude sentir em suas palavras o peso do que eu pedia.

Fechei os olhos com força sentindo a queimação neles anunciar as lágrimas que tanto se reprimiram o dia inteiro. Coloquei a mão na boca velando um soluço. Sentindo rasgar uma ferida no meu peito. Deixei a água da torneira lavar meu rosto mais uma vez enquanto engolia em seco o nó na garganta.

Enxuguei meu rosto na camisa de Dean que vestia e apaguei a luz do banheiro decidida a não chorar. Se começasse não iria parar.

Saí para o corredor, tomando cuidado para não fazer barulho. Meu coração foi na boca quando vi uma sombra no fim dele, e demorou pouco para descobri que era Sam. Com os batimentos assentando cruzei o corredor de encontro a ele. Paramos no meio em frente a porta do quarto que ocupava em frente ao dele.

_Conseguiu o que queria comprar com o Bobby? – perguntei num sussurro.

_Ah, é, conseguimos sim. Bobby reclamou o tempo inteiro por eu ter de empurrar a cadeira algumas vezes, mas foi tudo bem. – sorri imaginando a cena. Sam tirou, impacientemente, da testa algumas mechas do cabelo. Meus dedos formigaram querendo sentir no tato aquelas ondas castanhas.

_Boa noite. – disse, me preparando para voltar ao quarto antes que fizesse alguma idiotice. Iria voltar para o canto escuro na cama onde afundaria num mix de sentimentos que esmagava meu peito e tentaria ao máximo não chorar me agarrando a Dean para que ele não saísse daquele colchão.

_Boa noite. – respondeu ele se virando para o seu. Assim que toquei a maçaneta senti uma mão no meu pulso.

Antes que desse por mim já estava nos braços de Sam me sentindo tão pequena e quebradiça como uma boneca de porcelana. E só tive pouco tempo para olhar naqueles olhos brilhando no escuro, ou ver um segundinho de hesitação antes de sentir pressão de seus lábios invadindo e espaço entre os meus. Sam segurou firme minha nuca aprofundando o beijo.

Seu beijo era diferente, suave e viciante. Seus lábios finos se encaixa aos meus com perfeição.

Começava a sentir uma sensação vertiginosa, e todo o meu corpo parecia flutuar. Estava aproveitando aquele beijo como um sede cada vez maior. Agarrei sua camisa enquanto ele enlaçava minha cintura. E minha mente não queria saber se aquilo era errado ou não, eu só buscava conforto e não tinha culpa se o encontrei no beijo de Sam.

E assim como Crowley todos podiam pensar que eu era uma vadia, ou simplesmente uma garota que não sabia o que queria da vida. E eu não podia discordar de nenhum deles.

Uma luz forte nos banhou. E minha reação imediata foi me afastar de Sam de súbito depois olhar petrificada para Dean.

E a sensação de ser jogada em um lago congelado me atingiu em cheio.



Notas finais
E aí, oque acharam? Chato? Confuso? Bom? Mais ou menos? Deixem reviews!! Até breve Anjos ;) XOXO