Broken Girl
22 Capítulo vinte e dois: O Terceiro Pecado
Notas iniciais
Era tudo muito estranho. Ou era só na minha cabeça que ameaçava a entrar em curto. Tudo fervilhava lá dentro com uma velocidade que não sabia assimilar direito. Na verdade as coisas estavam normais, considerando a tensão coletiva pelo motivo de estarmos ali. Dean estava devorando alguma coisa ao meu lado, Sam pesquisando qualquer coisa no notebook aberto em cima da mesa à minha frente e eu olhando fixamente para pontos insignificantes como a borra de café ao lado do meu prato com panquecas já frias e molengas.
Tentava achar uma saída. Uma escapatória do que eram meus pensamentos: Um emaranhado de fios de sentimentos, metáforas e palavras não ditas ou encobertas. Segredos guardados e toques com atitudes desesperadas feitas e seladas. Uma pequena parte egoísta ali dentro se preocupava comigo, meu futuro ou não futuro, mas a maior delas eram sobre como lidar com os dois.
A parte — cômica — trágica era que no antes conseguia não me importar o suficiente. Foram flashes de beijos sem real importância, sexo sem real significado e palavras bonitas ditas às quais não sabia responder. Daí poderia até contar os meses ou até dias para que as coisas desandassem. E eu fui sempre a culpada, a fria, a vadia sem coração e o favorito; A louca.
Me lembrava da última vez em que estraguei tudo. Da fumaça impregnando o meu moletom da faculdade. Lembrava vividamente daquele diálogo estranho e rápido. Era segunda feira, havia passado o fim de semana inteiro na faculdade, fugindo um pouco da responsabilidade de cuidar de me pai e basicamente de tudo, e lá estava ele, do meu lado esparramado na minha cama...
_Você deveria ir. – havia dito encarando o teto manchado e pipocado de estrelas verdes que brilhavam no escuro.
_É acho que é melhor, preciso estudar para a prova... – ele levantou e começou a se vestir.
_Não, eu quero dizer que deveria ir, eu estou terminando com você. – aquelas palavra soaram tão monótona para mim e normais que eu nem desviei o olhar das estrelas.
_O quê? Mas até ontem você disse que me amava.
_Ontem foi um dia diferente.
_Isso, só pode ser brincadeira, você está falando sério? É algum cara, você conheceu alguém? – o desespero na sua voz me fez sentar na cama e começar a me vestir também.
_Não, não é nada disso. – disse enquanto colocava a blusa, verde ou azul, não lembrava.
_O quê é então?
_Eu não te amo mais. A fumaça do seu cigarro me incomoda. – ele riu como se estivesse descoberto uma piada, mas no fundo sabia que eu falava sério, encontrou isso e ficou calado me encarando até dizer:
_O quê? Você nunca reclamou disso antes.
_É que antes existia certo... encanto. Agora isso acabou.
Não era o cigarro, ou ele, era eu. Tinha tirado dele o que precisava e estava satisfeita. As coisas eram assim, namorados e encontros, coisas banais que eu fazia para me sentir normal e tentar esquecer que tinha matado meu irmão e minha mãe. Algo que Adam esperava de mim. Aqueles prazeres eram como uma droga ou remédio. Eu os tomava para me sentir bem pelo quanto durava o efeito, para distrair, esquecer por enquanto toda a bebida e culpa que meu pai colocava em mim. Uma necessidade que me manteria saudável e lúcida.
"Não pode fazer isso. Não pode usar as pessoas desse jeito. Como pode ligar tão pouco para o sentimento dos outros? Fique sabendo que elas sentem, elas gostam de você, mas você as afasta como está fazendo agora. Você é cruel! Quer saber, você é uma vadia sem coração. As pessoas estão certas, você é louca! ".
Mas aí fui atropelada, depois fui ao um bar, sair dele com Dean e tudo mudou. Encontrei algo do qual poderia dizer que era a chama que precisava para descongelar meu coração, e havia uma rede de arame farpado e pregos a protegendo. Ficar próxima das labaredas também me feria...
Estava afundada na minha mente conturbada, tanto que não percebi quando alguém resolveu se juntar a nós na mesa. Olhei assustada para ele. Tinha sangue no seu rosto. O nariz pareceu ter sangrado há um tempo, o sangue coagulava acima do lábio superior um pouco cortado. A maça do rosto estava marcada com hematomas.
Um estalo na mesa me despertou do choque da visão. Dean havia colocado a faca que mata demônios entre ele e Steve.
_Qual é meninos, já passamos por isso. – disse Steve puxando um canto da boca num sorriso estranho para seus dentes sujos de sangue.
_O que faz aqui, palhaço? – Steve deu uma rápida olhada para mim e depois se voltou para Dean.
_Palhaço? É sério? Acho que faz melhor que isso Dean, daqui a pouco vai começar os xingamentos envolvendo minha mãe.
_Ah, eu tenho um aqui para você, seu filho da...
_Quem fez isso com você? – perguntou Sam interrompendo Dean.
_Demônios, os leais. Meg, aquela vadia e alguns amiguinhos. Descobriram que estou com Crowley e Isabel contra Lúcifer, e bem, sabe o final da história. – Dean sorria abertamente.
_Estou tentando decidir se mando flores ou uma caixa de chocolate para Meg. – disse Dean. Steve sorriu.
_Se acha realmente engraçado, não é, Winchester? – disse Steve o encarando. Uma garçonete veio com uma jarra de café. Ela parou quando ia falar reparando em Steve. _Café, por favor. – disse Steve pegando o copo vazio de Sam e estendo para a garçonete.
_Como escapou? – perguntou a garçonete. Todos os olhares voaram para ela, que encarava Steve com desprezo. Um demônio. Dean apertou o cabo da faca nos dedos.
_Ah, acho que fui superestimado. – respondeu Steve sorrindo.
_Pelo nome de Lúcifer, você queimara, junto com a vadia e os Winchester. – proferiu a demônio. E antes que qualquer um de nós tivesse uma reação, ela jogou o jarro de café na cabeça de Steve. A cafeteira se quebrou e o café nela manchou o cabelo claro de Steve. Então ela o agarrou pelo colarinho e o tirou da cadeira lançando-o do outro lado do salão. Steve foi amparado por uma mesa vazia. A garçonete marchava para cima dele.
Estava chocada com a ação repentina que só pude encarar enquanto ela acertava um, dois, três socos em Steve. As pessoas a volta gritaram e outras saíram correndo pela porta. Assim como eu, muitos estavam congelado no lugar tentando entender oque estava acontecendo. Surpresos demais para tentar reagir ou apartar a briga.
Steve conseguiu acertar uma na garçonete. Uma cotovelada que lhe arrancou sangue do nariz. Ela respondeu com uma joelhada em sua barriga. Os dois seguiram numa sequência de golpes com as mãos, cotovelos e pernas, alguns acertos e a maioria sendo interceptada por ambos. Era como observar a coreografia de uma dança.
Quando a garçonete ia acertar um soco em Steve ele desviou agarrando seu pulso e girando o corpo conseguindo passar seu braço em volta do pescoço dela numa gravata apertada. A demônio se debateu tentando afastar o braço de Steve, seus olhos ferozes e totalmente pretos piscavam rápidos. Ela agarrou o ante braço de Steve e fez força, vi que para ele estava difícil manter o aperto. Seus músculos tencionaram e seu braço tremia, até que ele a soltou, mas tinha algo em suas mãos.
Foi bem rápido; Steve sacou sua espada angelical e tentou acertar o demônio que no exato momento em que a lâmina ia perfura-la colocou uma pessoa inocente a sua frente como um escudo. A lâmina se enterrou na barriga de uma mulher e ela não teve nem tempo e forças de gritar. Daí começou o caos. As pessoas restantes gritaram e correram para a saída, assim como alguns funcionários. Levantei da cadeira assustada e com o coração martelando. Nem saí do lugar e já senti Dean apertar meu pulso.
_Não se meta. – disse ele. O ouvi mas não prestei muita atenção. Olhava para Steve e o demônio. Tentando de alguma forma achar uma brecha para poder ajudar. Era um instinto tão natural que eu não pensava direito no que queria fazer; me colocar em perigo para ajudar um demônio. Mas parecia o certo, afinal Steve já tinha salvo minha vida vezes o suficiente.
O demônio conseguiu de alguma forma tomar a adaga de Steve, já eu consegui tomar a faca de Dean. Ele tentou me parar, mas eu já estava correndo em direção a Steve. Parei a poucos metros e lancei a faca no exato momento em que ela ia acertar Steve — que não tive certeza que conseguiria desviara á tempo, ele tinha um belo corte atravessando a camisa rasgada e já ensopando de sangue -. Minha mira era boa com uma arma, mas com uma faca... porém consegui acertar o meio de suas costas. As luze se acenderam dentro dela, piscando em laranja com seu curto.
Ela se virou para mim, os olhos revelavam pura fúria. Levou a mão as costas retirou a faca a jogando com força no chão. Ela deu um risinho e estendeu a mão. Uma pressão forte me atingiu como uma onda me empurrando para trás meus pés saíram do chão e eu senti meu corpo voar. No meio do arco eu só consegui registrar um borrão e depois estava rolando no chão enroscada no corpo de alguém.
Quando paramos amparados pelo pé de uma mesa, olhei para o lado e vi Dean ofegante. Tirei impacientemente o cabelo do rosto para vê-lo melhor. Ele me olhou irritado.
_Eu disse, Não se meta! – disse Dean.
_Eu ouvi. – respondi e um grito soou. Olhei a tempo de vê Steve desencravando a adaga dos anjos do peito do demônio. Se fosse possível ele estava mais sujo de sangue ainda.
Dean pegou minha mão me ajudando a ficar de pé. Meu cotovelo havia batido em alguma coisa e a dor começava a pontuar meu braço inteiro. Sam estava recolhendo a faca do chão. Steve estava limpando a lâmina na manga da jaqueta suja de sangue — o que me pareceu inútil, mas acho que era como um costume.
_Já vi que faz sucesso com as mulheres. – comentou Dean.
_É, tenho até o selo de aprovação da sua namorada. – no exato momento quando Steve terminou a frase Sam e Dean olharam para mim.
_Não! – era inacreditável que eles realmente pensavam na possibilidade de mim e Steve.
_Vamos sair daqui antes que a policia apareça. – disse Dean ainda com uma expressão dura no rosto.
_Ora, que bagunça. – exclamou alguém atrás de nós. Os meninos sacaram suas armas e agora a apontavam para os três demônios na entrada. O do meio era familiar, o mesmo terno impecável, o corpo esguio e os cabelos escuros bem arrumados com faixas prateadas nas laterais e a mesma postura arrogante. Sebastian. E ele trazia uma maleta, parecendo ainda mais um banqueiro ou empresário com seus dois seguranças as costas vestindo ternos simples. _Demônios, não conseguem manter a ordem por muito tempo. Sempre se enfrentando e derramando sangue. Lamentável. – franzi o cenho enquanto Sebastian varria o local com uma expressão de desprezo pousando em Steve o demônio morto no chão e a pobre mulher.
_O que faz aqui Sebastian? – disparou Steve. Sam e Dean se entreolharam com nítida confusão.
_Meu assunto não é com você, garoto. – ele se voltou para mim. _O que está esperando, menina, não quero sujar meus sapatos. – perto de nós o sangue da inocente que Steve esfaqueou e o do demônio se alastrava rapidamente no piso polido da lanchonete.
Mantive a cabeça reta e dei um passo à frente. Algo em Sebastian me incomodava, não sua arrogância, mas ele era... diferente dos outros demônios. Era possível — e impossível ao mesmo tempo — eu senti em mim a energia negra vindo dele. Ele era como um poço imerso a penumbra, assim como seus olhos. Um sentimento de vazio que ficou mais claro agora do que na noite em que nos encontramos pela primeira vez.
Dei outro passo e de novo Dean me impedia de ir à frente.
_Não tenho dia todo. – disse Sebastian irritado.
_Tudo bem, eu conheço ele. – tranquilizei Dean, ele olhou para mim com uma expressão de desconfiança e irritação.
_Vamos ter muito o conversar. – disse ele baixinho me soltando.
Fui até Sebastian me mantendo a alguns passos de distância. Sentia a tensão dos meninos logo atrás de mim. Sebastian deu um passo à frente e me estendeu a maleta.
_Pegue. – hesitante peguei a maleta.
_O que tem aqui dentro? – não era pesada, na verdade parecia vazia.
_Aí tem o que eu deveria levar à Fome. Oque irão fazer com isso não me interessa, mas estou oficialmente me declarando um dos seus. – ele me cravou com seus olhos intensos, parecia tentar extrair algo de mim, talvez ainda tentava decidir se fazia a coisa certa. E então o mais surpreendente movimento em seu rosto surgiu: Um sorriso. Largo e confiante, mas ao mesmo tempo continha as pregas de sua frieza. Um desenho estranho no seu rosto belo e austero. _Espero vê-la em breve, um jantar talvez, o que acha? – perguntou em tom de conversa.
Estava tão chocada que não consegui extrair da minha mente uma resposta ou algo para dizer, então apenas assenti hesitante.
_Ótimo, mandarei um convite. – disse, depois de uma mesura discreta ele se virou. Os outros dois demônios imediatamente abriram a porta para que ele passasse. Mas antes de ir para a calçada — onde um carro preto o esperava com a porta aberta por um dos demônio — ele se virou, seus olhos passaram por mim e pousaram em um ponto acima.
_Espero que pare Fome logo. Isso vai ficar pior Sam. – olhei para Sam assim como Dean, ele engoliu em seco e ignorou nossos olhares. _Tenham uma boa tarde.
_Do oque ele estava falando? – disparou Dean para Sam.
_Eu não sei, acho que quis dizer que se não matarmos Fome teremos corpos pela cidade. – Dean assentiu devagar ainda o olhando desconfiado.
_Você está bem? – perguntou.
_Eu?
_Não, estou perguntando para o demônio na sala. – Sam suspirou.
_Eu estou bem, obrigado pela preocupação. – respondeu Steve, Dean fez um esforço para ignora-lo.
_Estou bem. – afirmou Sam, não convencendo nem ao irmão e nem à mim. Tinha alguma coisa errada.
_Podemos ter nossa discussão familiar depois, eu não tenho certeza mais acho que isso é a polícia. – Steve estava certo, ao longe se ouvia o som das sirenes. Dean ainda fitava Sam com o cenho franzido e eu também, ambos unindo o elo da preocupação. _É sério, precisamos ir.
Seguimos Steve para a rua e corremos virando o corredor dos fundos da lanchonete aos olhos de curiosos e corremos em disparada para o hotel.
... — ...
Sam observava o demônio limpar o machucado do rosto com um algodão e álcool. Ele vestia uma camisa xadrez limpa e um pouco larga no seu corpo, fora emprestada de Sam — ele não tinha intenção de pegar de volta. E lá fora estavam Isabel e Dean, brigando como cão e gato.
A discussão dava para ser ouvida do outro lado porta. O problema era Steve. Dean estava com raiva por Isabel ter se arriscado para salvar Steve, e tinhas outros tópicos contra o demônio que Sam não poderia discordar do irmão. Isabel se defendia dizendo que Steve já havia salvado sua vida, que devia o favor, e Dean respondeu dizendo que já tinha ouvido aquilo antes.
Sam sabia do que ele falava, por que o próprio já tinha dito isso à Dean sobre Ruby. Ele entendia Dean, confiar em um demônio, deixá-lo entrar era um convite para que ele te arrastasse para a lama.
Steve era uma incógnita. Agora mais inútil que nunca, tinham perdido seu contato com o outro lado. Ele era como Crowley, estavam usando Isabel para livrarem a própria cara da fúria de Lúcifer.
Se preocupava com Isabel. Já tinha deixado isso bem claro quando se declarou. Aquilo havia sido libertador, e depois se tornou intimidante. Não deveria ter dito nada. Mas não podia mais segurar. Não deveria ter a beijado daquele jeito. Mas não pôde se segurar. Não posso mais segurar...
Sebastian, o demônio desconhecido. O demônio do qual ele pôde sentir o cheiro de longe de tão forte e inebriante. Estava certo, estava pior, ia ficar pior. Sam sentia agora, o vibrar em seu interior, como a superfície de um lago plácido interrompido por uma pedrinha, as ondulações se alastrando dentro dele e pulsando. Um bater de asas fortes em seu peito, algo que quisesse se libertar, se saciar e cessar de vez a fome...
_Não posso culpar seu irmão por não confiar em mim, afinal eu sei como demônios podem ser... malignos. Conheci Ruby. Éramos parceiros, amantes, ou como os garotos gostam de dizer hoje em dia "Amigos com benefícios". – Sam encarou Steve.
_O quê você disse? – aquilo tinha atraído a atenção turva de Sam. Steve sentou na beira da cama de Dean.
_Ah, ela era boa, se é que me entende... – ele se interrompeu com um sorriso cúmplice para Sam. _É claro que entende. – Sam sentiu seu estômago revirar.
_Conhecia Ruby, sabe sobre mim desde.... o início? – não foi bem uma pergunta apesar de ter soado como uma.
_É, eu sei cada detalhe do seu passado sórdido. – ele se moveu mais para trás da cama, encostando as costas na cabeceira. Um sorriso brilhando no rosto. Sam não sabia bem o que pensar ou fazer com aquela informação. _A coitada foi caçada. Todos a acusaram, mas ela era uma cadela esperta. Eu sabia que tinha coisa ali. Quando todos queriam a cabeça da Ruby, onde acha que ela se escondia quando não estava manipulando você, o envenenando aos poucos? Eu fui o único que soube sobre tudo. Ela não me contou no início que estava com Lilith, mas uns drinks depois, uma boa transa e ela se abriu para mim como uma flor. E quase fui morto por isso. Mas o quê posso dizer? Sou bom em domar um cavalo rebelde. – Steve sorriu e levantou as sobrancelhas sugestivo.
Sam sentia a raiva fluir nas veias. Os dois riram dele. Planejaram o próximo passo para enganar o trouxa. Sam só tinha algo na mente: Rasgar a garganta de Steve. Seu peito subia e descia. E ele usou todo o autocontrole para não atacá-lo naquele momento.
_Que dizer que sabia que Lilith era o último selo, que eu a mataria e daria início ao Apocalipse. – Sam mal ouviu a própria voz, seu ouvido latejava. Steve franziu o cenho.
_Tudo bem aí, cara? – perguntou ele, os músculos ficando tenso.
_Se sabia de tudo muito antes, por que deixou acontecer? Por que agora quer impedir a droga que você ajudou a começar? – Steve riu.
_É sério? Sammy, eu não comecei nada. E quer saber, eu também queria conhecer o famoso e grandioso Satã. Tinha comprado toda ladainha fanática da Ruby sobre Ele, Cheguei até pensar que você e eu poderíamos ser amigos depois de tudo....
_Seu desgraçado...
_Eu estava errado, Sam. Muito errado. Por que acha que estou aqui? A princesa estava certa, eu já a salvei, na verdade você também. Estou contando tudo isso por que confio em você, e quero o mesmo em troca.
_Como isso pode ser uma prova de confiança? – perguntou Sam levantando da cadeira. Steve fez o mesmo.
_Por que eu sei que mais do que qualquer outro, isso afeta você, todo esse lance com a Ruby mexe com você. O suficiente para me atravessar com a faca dela. E eu sei que você pode me matar. Mas não vai, por que eu posso ajudar.
_Até agora não fez nada que valesse mantê-lo respirando.
_Como não? Eu coloquei você aqui a tempo o suficiente para impedir um monte de mortes inocentes. Não é esse o todo o lance dos Winchesters? Eu cuidei de Isabel quando não estavam por perto. Tenho mais a oferecer, mas não gosto da sensação de que a qualquer momento posso ser esfaqueado pelas costas. – Sam não estava nem um pouco convencido. _Eu fiz muita coisa errada, assim como você, antes e depois de me tornar um demônio. Me forço a lembrar constantemente de como era ser humano. Da vontade de sobreviver. É isso que estou fazendo, tentando sobreviver assim como você, e para isso temos que começar a trabalhar juntos. Temos o mesmo inimigo, Sam.
Era muita coisa para ele assimilar direito. Muita informação.
_Isabel sabe?
_Não. – ele sorriu. Sam odiava aqueles sorrisos, sua mão coçava para desfazê-lo com um soco. _Vai ser nosso segredinho sujo. Não acho que você vai querer contar. – Steve estava perto o suficiente para Sam sentir o sangue correr nas suas veias. Estava mal, sabia disso...
_Você é desprezível. – disse Sam num quase rosnado. Steve gargalhou.
_Não ouviu nada do que eu disse? Vamos ser amigos Sammy, você e... – Sam não conseguia impedir seu punho de acertar Steve. O som nauseante dos ossos dos seus dedos acertando os do rosto do demônio. Steve tentou se afastar, mas Sam o agarrou pela gola da camisa e apertou seu pescoço, sentindo uma força animalesca tomar seus sentidos, ele não via mais nada a não ser o sangue vermelho escorrendo do nariz de Steve.
A próxima coisa que Sam sentiu foi mãos fortes o agarrando e o puxando. Mas ele estava resistente. Queria matá-lo, arrancar ainda mais seu sangue e...
_Sam! Sammy! Solta! – gritava Dean.
_Sam! Por favor. – a voz agora era de Isabel. E ele soltou cambaleando para trás. Estava respirando forte, lutando contra uma sensação claustrofóbica. Dean estava com uma mão em seu ombro e perguntava alguma coisa para ele. Sam respirou fundo e tentou se acalmar. Tinha perdido o controle. Ele se afastou de Dean passou a mão no rosto ajeitou o cabelo recobrando a compostura.
_Isabel, tire ele daqui. – disse Dean se referindo a Steve. Isabel olhava para ele, os olhos assustados e confusos. Sam queria pedir desculpas a ela, mas então ela desviou o olhar para o demônio que ofegava apertando a garganta e grunhindo por causa do nariz sangrento. _Isabel!
Ela finalmente se mexeu e pegou Steve pelo braço. O empurrando porta a fora. Dean se virou para ele esperando uma explicação. Mas o que Sam conseguiu dizer foi:
_Estou bem.
_E quer me explicar o que fez você dá uma de Patrick Bateman para cima do demônio? – Sam contaria para Dean, mas na verdade não queria, e seu descontrole tinha sido por mais do que Steve lhe contara sobre Ruby.
_Nada, ele disse as gracinhas de sempre e eu não me segurei. Foi só, estou bem. – Dean continuou o olhando com o cenho franzido e a preocupação estampada no rosto. Sam tentou passar sinceridade. _Dean, está tudo bem, você sabe, ele causa esse efeito nas pessoas.
_Eu conheço você, Sammy. Não se descontrolaria por qualquer coisa, não desse jeito. E tem alguma coisa errada com você desde que chegamos aqui, e aquele demônio no bar quis dizer algo. Precisa me contar irmão, qual é o problema? – Sam suspirou e sentou na beira da cama.
_Eu não sei, acho que tem alguma coisa nessa cidade, acho que é Fome. De alguma forma está me afetando. – confessou sentindo um calafrio subir a espinha.
_Como assim te afetando? – perguntou Dean sentando de frente para ele na cadeira onde antes estava sentado.
_Eu sinto... sinto fome.
_Fome? Fome de quê? – Sam só precisou olhar para Dean.
_Não... – murmurou Dean.
_Eu estou mal, Dean, muito mal. Aquele demônio tem razão, está ficando pior. Você tem que achar Fome, e logo. – pediu Sam.
_Mas eu nem sei por onde começar. Não tem nada de estranho aqui, não tem padrões, nada. – Sam via o desespero nos olhos de Dean. Não queria preocupar o irmão, mas não podia mais mentir e dizer que estava bem.
_A maleta, é um bom começo. – Dean desviou o olhar para a maleta em cima da mesinha.
_Tem razão. – Dean deu uma olhada nas trancas. Sam se aproximou e observou por cima do ombro dele. Não tinha números ou coisa assim, continha símbolos. Não muito familiares, talvez fosse enoquiano. _Hora de ligar para o Cass, e quando ele estiver aqui vou pedir para te levar para o Evereste ou sei lá, não pode ficar nessa cidade.
Dean se afastou e abriu a porta do hotel chamando Isabel, deixando Steve de fora com algum comentário grosseiro e depois batendo a porta na cara dele. Pegou o telefone do bolso e começou a discar um número.
_Você está bem? – perguntou Isabel parando bem diante dele. Ela parecia preocupada. A princípio ele só fitou seus olhos tentado encontrar ali alguma tranquilidade. _Sam, o que foi? – ela o tocou no braço. Sam sentiu vontade de puxa-la para seus braços, mas não fez nada e se apressou a dizer:
_Estou bem, vou ficar bem. – ele conseguiu sorrir para ela. Naquele momento Castiel apareceu no quarto de frente para Dean, o telefone ainda na orelha. Isabel retribuiu o sorriso à ele, uma mensagem: "vai ficar tudo bem" estampado nele.
Depois de um resumo básico sobre tudo que Dean deu a Cass os quatros se colocaram em volta da maleta. A expectativa fluindo de todos. Então Dean abriu a maleta e um brilho forte os atingiu fazendo todos recuar e apertar os olhos. O que era aquilo?
_Então Cass, qual é a da maleta de Marsellus Wallace? – perguntou Dean. Sam olhou admirado para o conteúdo ali dentro; era como uma esfera de pura luz, só que não tinha exatamente uma forma, era só luz.
_Essa não é a maleta de Marsellus Wallace. – disse Castiel sério. É claro, ele não reconheceu a referência ao filme Pulp Fiction. Dean dispensou explicações.
_O que é essa coisa? – perguntou Dean impaciente.
_Uma alma. – respondeu Cass olhando para dentro da sacola.
_Uma alma? – replicou Isabel, olhando com interesse a esfera de luz.
_Se isso é uma alma, de quem ela pertence? – Cass deu de ombros.
_Os demônios estão recolhendo almas das vítimas de Fome para que ela se alimente. – Dean olhou para Sam, que se esforçou para parecer concentrado.
_Viu alguma coisa pela internet? – perguntou.
_Não, acho que não. – Dean suspirou e pegou o notebook em cima da cama.
Talvez Sam tenha deixado passar alguma coisa naquela lanchonete. Enquanto Dean pesquisava Castiel sumiu e voltou com um saco de hambúrguer na mão. Sam foi até o banheiro jogar uma água no rosto. Ouvia Dean questionar Cass por sua recente gula por hambúrguer, e Cass respondendo que era Jimmy, sua casca e seu apetite por carne. Depois disso ele fechou a porta e ligou a torneira, quando mergulhou as mãos na água fria e corrente a porta se abriu de novo. Isabel entrou no banheiro apertado e fechou a porta atrás de si.
_Como está se sentindo? – perguntou ela.
_Como? – perguntou Sam. Tinha curiosidade e preocupação em um só olhar.
_É. Quero dizer, o sangue do demônio, como você... sente ele? Eu sempre quis perguntar, mas achei que não seria muito apropriado, na verdade estou percebendo que tenho um péssimo timing. Não precisa responder. – Sam não sabia o que dizer. Ela se aproximou dele os deixando mais juntos no banheiro apertado, começou a brincar com a água corrente da pia, os dedos transpassando a água em movimentos graciosos e quase hipnóticos.
Sam se sentia estranho, não tinha nada demais naquilo, mas de alguma forma ele achou tranquilizante. Podia ver com clareza, enxergar os movimentos contínuos e suave dos dedos e discerni-los. Sinais de que não estava realmente perdendo a cabeça.
Ele colocou a mão por cima da dela na água. Isabel levantou os olhos para ele e ele soube a resposta.
_É como uma corrente arrastando você para um fundo escuro, mas cada minuto que você resiste e se contorce conseguindo se libertar no fim se sente mais poderoso e dominante da própria força.
_Uau, não esperava uma resposta tão poética. – ele tentou sorrir mesmo sentindo o calafrio da abstinência em cada célula. Ela apertou sua mão molhada e olhou bem em seus olhos. _Não precisa ser forte agora, Sam. Apenas se concentre em ficar bem.Posso ser forte por nós dois.
Antes que Sam dissesse qualquer coisa ela soltou sua mão e saiu do banheiro, fechando a porta atrás de si, levando a única coisa em que Sam se segurava.
...
Respirar o ar da noite era um tanto relaxante. Estava começando a ser consumida pela preocupação e o aflição de está com as mãos atadas. Sam estava a poucos metros de mim, atrás de um armário depois de uma parede algemado na pia, a princípio achei um exagero, mas Sam estava realmente mal. Só que parecia longe o suficiente dando-me a sensação de não poder alcança-lo se ele precisasse de mim.
E ainda estava com a briga com Dean fervilhando na cabeça. Por que tínhamos de ser tão cabeça duras? Não o culpava somente, eu não tinha facilitado. E tinha que engolir o orgulho e admitir que ele estava com a razão. Odiava está brigada com Dean, ainda mais agora, com ele lá fora num possível perigo. Seguindo uma possível pista: Uma morte estranha. Era como sentir um prego entalado na garganta.
Não saberia nem o que faria se alguma coisa acontecesse com ele comigo estando tão longe. Ele sabia muito bem se cuidar sozinho, é obvio, mas era difícil para mim deixá-lo ir, ainda mais com algo tão grande acontecendo. Só podia esperar e confiar em Castiel para protegê-lo.
Do estacionamento via Steve andando na minha direção com um refrigerante na mão. Seu nariz vermelho, assim como o hematoma em volta do olho, e ele tinha também um corte perto da sobrancelha e um pequeno no lábio. A camisa de Sam, larga nele, um pouco torta no ombro. Queria saber oque ele ainda estava fazendo aqui.
Steve subiu a pequena escada do motel e se juntou a mim na varanda extensa depois de cada porta do motel plano em forma de C com o estacionamento no meio, do outro lado da rua tinha apenas uma loja de conveniência. O refrigerante de Steve era de lá, e só agora percebi o quanto estava com fome. O que levantava outra questão. Eu não sentia fome de nada, aparentemente nem Dean. Como era possível?
_Oi. – disse ele colocando os cotovelos na barra da sacada, assim como eu estava.
_Oi? – ergui uma sobrancelha para ele.
_É, não é assim que as pessoas se cumprimentam hoje em dia? O que esperava? – disse ele tomando um gole no refrigerante.
_Uma cantada barata ou um comentário mais criativo. – disse olhando os carros passaram na estrada, os faróis em suas pequenas explosões de luzes na rodovia escura.
_Quando se tem o nariz amassado três vezes em um só dia, fica mais difícil ser encantador. É claro que mesmo com essa cara eu ainda tenho meu charme, mas estou guardando para o momento certo.
_E aí está. Sua aura irritante começando a estragar minha noite ainda mais.
_Você começou. – ele deu de ombros.
_Ainda quero saber oque disse ao Sam para ele agir daquele jeito. – disse o encarando.
_Seu precioso Sammy está trancado num banheiro por que é um ex viciado em sangue de demônio em abstinência. Muito prazer, sou Steve, um demônio. – olhei para ele séria.
_Não fale assim dele. – ele levantou as mãos em sinal de rendição depois me encarou com cenho franzido. As luzes de fora deixava seus olhos mais dourados, assim como o cabelo desgrenhado e um pouco oleoso. _O que é?
_Você e Sam.
_O que tem eu e Sam? – olhei para a estrada de novo tentando não revelar nada à ele. De canto de olho já podia ver o sorriso dele se formando.
_Espera, deixa eu ver se entendi. Você e Alce tiveram um momento Edward e Bela, e o Esquilo é que está levando a galhada?
_O quê? – virei para ele com o rosto já quente. Ele gargalhou sonoramente.
_Oh, você transou com o Sam. Não adianta negar, está escrito na sua cara. – agora era eu que gostaria de estrangula-lo.
_Não é considerado traição se oficialmente você não está com a pessoa. – disse num fiapo de voz.
_É sério, é essa a desculpa que você quer me vender?
_Quer saber, não vou falar da minha vida com você. – disse irritada.
_Ah, não? Se não falar comigo com quem vai? Acho que sou seu único amigo. – ele não era meu amigo, não era o Adam, e nunca seria. Mas tinha algo nele que me lembrava meu melhor amigo. Talvez fosse o único motivo de eu ainda mantê-lo por perto. Sabia dos riscos, mas Steve tinha razão, eu não tinha amigos e precisava falar.
_É... complicado. – Steve foi para a parede e sentou no chão ao lado da porta. Depois pousou o refrigerante e deu um tapinha no chão indicando para eu sentar. Cruzei os braços em relutância.
_Vamos, traga esse traseiro para cá e vamos conversar. – bufei e sentei ao seu lado, encolhendo os joelhos. Steve me olhou esperando eu começar. Olhei para aqueles olhos quase felinos e tentei encontrar ali compaixão ou qualquer coisa, mas só sabia pensar em quando eles se tornariam pretos.
_Isso não vai funcionar. – declarei.
_Não confia em mim? – perguntou com falsa inocência.
_Não. – respondi friamente. Ele deu um sorriso torto.
_Tudo bem, então só escuta. – assenti curiosa com o que ele tinha para falar. _ Eu poderia até dizer para você continuar pegando os dois. Mas até eu sei que isso é errado. Não venha me dizer que você e Dean não estão juntos, por que só um cego não veria que o cara está de quatro por você, o que chega a ser patético na verdade, esperava mais do fodão Dean Winchester, enfim. E a princesa está simplesmente pegando o irmão do cara pelas costas. – ele riu. _ Isso é cruel. Oque pensa que está fazendo?
_Com é que é? – o encarei surpresa.
_Olha, enquanto você fica presa nesse seu draminha adolescente tem pessoas morrendo, pessoas ferradas como eu. Sam, Dean, Dean e Sam, tanto faz. Escolha um, ou nenhum. Não está numa comédia romântica, e não é a protagonista de um livro para garotas. Isso é tediante.
_Por que eu deveria está ouvindo você. Nunca amou alguém, não sabe como é. É só um demônio egoísta. A única coisa que importa para você é salvar a própria pele. – disse sentindo a raiva pontuar minhas palavras. Steve sorriu para mim, um sorriso frio. Ele tirou um fiapo de linha da calça jeans escura manchada de sangue.
_Tem razão, é óbvio que quero salvar minha própria pele, por que sou eu e somente eu, não tenho dois irmãos bonitões disputando para se sacrificarem por mim, por tanto você é única coisa que eu tenho para me salvar. – ele raspou coma unha o sangue seco na calça. O pó vermelho se soltando e manchando seus dedos. _ No fundo você sabe o que quer, mas está muito preocupada em ter que magoar os corações frágeis dos seus meninos. E olha que não sou super fã do Winchester mais velho, e adoraria contar para ele sobre sua noite romântica e sensual...
_Se fizer isso eu mato você. – disse em tom de ameaça.
_...mas não vou contar. Só me faça o favor, pelo o amor de... você sabe quem, se decida. Eles são grandinhos, vão superar. Você é uma guerreira, uma caçadora se preferir, e também uma arma muito poderosa. Não pode se dar ao luxo de viver em um conto adolescente. Então foque no que é realmente importante. Não sei se notou, mas não está exatamente na lista de natal do céu.
_O que quer dizer com isso?
_Matou o Arcanjo Miguel. O céu deve está um inferno, provavelmente está rolando uma competição para saber quem vai colocar sua cabeça numa lança. – senti um calafrio subindo a espinha. Sabia que não era nenhuma queridinha no andar de cima, já provaram isso tentando me matar algumas vezes, e falharam.
_Não estou com medo. – disse mais para me convencer do que a Steve. Ele riu.
_Não faz ideia mesmo de quanto isso é grave. Praticamente declarou guerra ao céu. – ele olhou para mim sério, um possível sorriso à quilômetros de distância. O encarei engolindo a seco. _Deveria está com medo. Sei que se acha invencível, mas não é. Não peque por arrogância. Foi por isso que Miguel virou pó e tantos outros antes. Está na hora de parar de brincar de casinha princesa.
O que doía mais era saber que ele tinha razão. Estava perdendo o foco. Estava com medo de magoar alguém, mas não percebia que já estava fazendo aquilo. Eu definitivamente tinha ferrado com tudo, mais uma vez.
_Não acredito que eu acabei de levar uma lição de moral de um demônio.
_De nada. – ele sorriu para mim e tomou o resto do refrigerante.
_Odeio admitir, mas talvez tenha razão, estou perdendo o foco. – disse em tom baixo tentando atravessar as palavras através do orgulho. Ele sorriu vitorioso.
_Eu sempre tenho razão. Bom saber que passamos de "Novela mexicana" para "Vamos falar em como vencer a guerra." Por onde começamos?
_Sebastian. – okay, era hora de começar a falar sério. Se estava naquela teria de me entregar a causa.Começando com conhecer meus aliados.
_É um bom tópico.
_Hoje, na lanchonete ele falou com você como se desprezasse demônios, mas isso não faz sentido já que ele é um. Foi... estranho. E tem sempre uma... sensação.
_Bem observado. Isso É por que ele não é um demônio demônio.
_Como assim?
_Temos 50 tons de preto, princesa. Diferentes sabores, como Lilith, Azazel, Alaster, Sebastian. Ele é um Cavaleiro do Inferno.
_Um o quê? – indaguei já começando a me preocupar.
_Um Cavaleiro é um dos primeiro caídos, escolhidos por Lúcifer e moldado por ele. Dizem que eles eram anjos que caíram junto com Lúcifer por está ao lado dele e tiveram suas essências angelicais distorcidas no inferno. São extremamente poderosos. Mas são uma espécie extinta. Os Arcanjos acabaram com todos eles, mas alguns conseguiram escapar do ataque, como nosso querido Sebastian.
_O que mais sabe sobre ele? – não sabia se aquela notícia era boa ou ruim.
_Sebastian é um tanto... excêntrico. – Steve ficava mais sério enquanto falava de Sebastian. Talvez a sensação de vazio vinda do demônio funcionava também com a espécie semelhante. _Ele poderia causar uma destruição em massa, mas agora prefere usar pincéis ao invés de facas. Ele é um patamar da sociedade rica em Seattle, tem uma mansão, uma coleção impecável de obras de arte. E como Crowley disse, ele realiza pactos quando quer, de gente poderosa, do alto escalão. Antes de achar que somos sujos demais para ele, era o responsável pelo fluxo de almas no inferno. O melhor em pactos, o melhor em tortura, o que ele podia fazer com uma alma era... bem, eu admirava o cara.
_Nossa, então ele é o todo poderoso, mas serve Fome? – era difícil acreditar que alguém assim foi deixado de lado por Lúcifer.
_A guerra começou e ele foi convocado por Lúcifer, não se nega um convite desses, nem pela Mona Lisa.
_Por isso ele está comigo, por quê Lúcifer o está usando e ainda por cima mantendo num cargo que não é justo para suas habilidades.
_Por aí. Ele é um bom aliado. Se ainda insiste na ideia dos anéis, é com ele que eu começaria. – se não queria me sacrificar tínhamos de arranjar um jeito de usar os anéis, o problema era acha o anel de Peste.
_Ele sabe de alguma coisa, como poderia ajudar?
_Eu duvido que o anel de Peste esteja numa loja de penhores. Sebastian pode ajudar vocês a conseguirem o que é preciso, uma localização, uma entrada, uma negociação, não sei. Acredite ele é o cara certo para isso. Por que acha que Crowley babou o ovo dele por semanas para trazê-lo para o nosso lado? – respondeu Steve com convicção.
_E se ele resolver acabar com Crowley e governar o inferno? – Steve sorriu sombrio.
_Crowley daria um jeito de tirá-lo da jogada. Ele está apenas a uma escala abaixo de Sebastian. Deve ter notado também que ele não é bem um demônio de encruzilhada comum, eu sinceramente não sei tanto sobre Crowley quanto gostaria, mas sei que ele saberia lidar com alguém feito Sebastian. Como está fazendo com Lúcifer.
_Você diz me usar como arma nuclear. – o sorriso de Steve se tornou mais divertido. Ele não respondeu. Crowley, está aí outro tópico interessante.
_Sabe, ele está usando todos nós, é inteligente. Pode ser que seja um bom Rei. – disse Steve sincero.
_Vocês são bem amiguinho, não é...
_Que tom é esse? – perguntou ele me examinando com o cenho franzido.
_Tom? – sorri com falsa confusão.
_Não somos amiguinhos, estamos num negócio juntos. Pode ser que agora moramos no mesmo lugar, mas isso não significa nada. – se defendeu.
_Moram juntos? – dessa vez não escondi a risada.
_Estou sendo caçado lembra? Crowley tem um bom esconderijo, estamos no mesmo barco furado agora.
_Ok.
_Ok?
_O quê?
_Pode tirar isso dessa sua cabecinha princesa. – sorri para ele com inocência. Steve parecia nervoso com o rumo da conversa.
_Olha quem entrou na defensiva. – ele me olhou sério. Sorri sentindo o gosto da vitória de deixa-lo desconfortável pela primeira vez.
_Quer dar uma volta?
...
O plano era comprar algo para comer e depois correr de volta para o hotel. Mal tinha chegado à porta e já sentia que não deveria ter saído de lá. As últimas palavras de Dean para mim foram: Cuide do Sammy. Volto logo. E lá estava eu faminta.
Empurrei o vidro e um sininho tocou acima da nossas cabeças. Passamos por revistas, cartões e envelopes, chegamos aos chaveiros e finalmente vimos comida. Notei tarde demais que nós éramos os únicos ali, ou pelo menos era o que parecia.
O caixa estava sem atendente, a máquina aberta sem as notas e moedas. No mesmo instante fiquei alerta. O ar começava a pesar e tinha a impressão de que as paredes se aproximavam mais e mais nos estreitando em uma armadilha. Olhei para Steve e ele parecia perceber a mesma coisa.
Estávamos parado entre o caixa e uma prateleira de salgadinhos. Só tínhamos visão daquele corredor. E agora eu sentia que estava errada; não estávamos sozinhos. Como se para confirmar minha suspeita ouvimos um grunhido vindo do fundo da loja.
Procurei na cintura a arma. Caminhei o mais cautelosa possível pelo corredor. Estava começando a ficar nervosa a medida que os barulhos estranhos ficava mais próximo. Tentava me manter o mais aguçada a tudo o possível empurrando o ar gelado e em nós para os pulmões. Depois de ser capturava pelo vampiro daquele jeito eu temia mais que tudo ser surpreendida em um ataque.
Viramos outra prateleiras e aí tropeçamos no primeiro cadáver. Uma mulher, parecia ter seus quarenta anos, seu rosto estava virado para cima, os olhos vítreos e a boca aberta, e aí a coisa começava a ficar estranha. Era possível ver a massa de bolinhos entupindo sua boca, as embalagens estavam aos montes no chão e na mão lambuzada de creme ainda existia um pela metade.
_Fome. – disse Steve baixinho.
O barulho mais à frente se tornou mais forte, era como alguém sendo estrangulado ou... afogado. Pulei o corpo da mulher e escorreguei em uma das embalagens no chão liso de tão afoita que estava, mas consegui recuperar o equilíbrio antes de cair.
_Precisa ter mais cuidado princesa. – comentou Steve.
_Cala a boca. – consegui chegar ao fundo da loja.
E lá estava o homem de joelhos no chão, um funcionário, pelo uniforme. Estava certa sobre o afogamentos. Ele entornava sem parar uma garrafa de Whisky na boca. Várias outras garrafas de bebidas alcoólicas vazias estavam no chão de qualquer jeito, o cheiro forte que incomodava até o nariz.
O líquido escorria pela sua camisa já encharcada. Por um momento fiquei sem ação, mas no seguinte me joguei ao lado dele e larguei a arma no chão. Segurei seu pulso para impedir que ele tomasse mais um gole, mas o homem era forte, enquanto eu fazia força para trás ele aproximava mais o rosto da boca da garrafa. Parecia hipnotizado, eu não era uma pessoa para ele, era só alguma coisa que o impedia de tomar seu whisky. De saciar sua fome.
_Ei, por favor, me escuta, precisa parar... – pedi. Mas ele não escutava, estava engasgando, solvendo o ar em gorgorejos, mas mesmo assim ainda insistia comigo em pegar a garrafa. Aquela altura já estava com o jeans molhado assim como a camiseta enquanto a bebida se chacoalhando era lançada para tudo quanto é lado. _ Steve! Me ajuda aqui. – ele parecia indiferente a tudo.
_Ele já está morto, não se dê ao trabalho. – disse simplesmente. Sacou a adaga me deu as costas e começou a vasculhar os outros corredores. O olhei ainda conseguindo ficar perplexa com suas atitudes impassíveis perante à esse tipo de coisas, mas também o que esperava de um demônio? Aproveitando meu momento de fraqueza o homem arrancou a garrafa da minha mão me fazendo cair para trás no chão escorregadio.
Antes que pudesse impedir ele voltou a entornar o líquido na boca e depois caiu para trás. O peito em espasmos e a garganta provocando arquejos. Estava se afogando, e rápido. Me coloquei ao lado dele segurando sua camisa tentando decidir o que fazer. Respiração boca a boca? Massagem no peito? Mas Steve tinha razão, ele já estava morto. Então deixei que os últimos espasmos o tomassem e ele fosse embora para sempre.
Me levantei me sentindo tonta e impotente. Afastei o cabelo do rosto não me importando com a mão molhada de bebida, e foi então que o sininho da porta tocou. De onde estava não dava para ver quem era. Uma mão agarrou meu pulso e me puxou, ia reagir quando vi que era Steve. Ele indicou para que eu ficasse em silêncio. Me arrastou para a lateral de uma geladeira onde nos escondemos com as costas pressionada no metal frio e pulsante. Steve indicou com o queixo um ponto acima. Um espelho de segurança.
O espelho dava uma ampla visão da loja, deixando de fora onde estávamos. Na imagem refletida e arredondada via-se um grupo de seis demônios vestindo ternos pretos. Um deles carregava uma maleta, quatro homens e duas mulheres. Uma delas disse alguma coisa para o grupo. Dava para ouvir os murmúrios das vozes, mas não entender muito bem o que era dito pelo tom baixo usado. Então o grupo se dividiu, um homem e uma mulher possuídos saíram da loja.
Quando a compreensão me atingiu me condenei por ter deixado o hotel. Meu coração disparava no peito, martelando a mesma coisa: Sam. Dei um passo para fora do esconderijo, tinha de chegar lá, mas não fui ao lugar nenhum por que Steve apertava meu pulso. Olhei para ele decidida a dizer para ele me soltar mas continuei congelada onde estava quando notei o alarme urgente em seus olhos dourados.
Os demônios começaram a se movimentar. Dois deles, um com a maleta, seguiram o corredor onde se encontrava a mulher dos bolinhos. O outro foi para onde o corpo do afogado estava. A mulher demônio seguiu o corredor ao lado. Quando eles estávamos no meio do caminho Steve indicou com o dedo para que nós andássemos no corredor oposto.
Demos passos cautelosos, as prateleiras eram altas o suficiente para nos esconder sem ter de nos encurvar tanto. Steve me fez parar de novo. Se continuássemos poderíamos sair pela porta sem ser notados, estava logo à frente, mas claro isso parecia ser bom demais. Ele apontou para a parede de salgadinhos. Procurando nos cantos encontrei outro espelhos de segurança, ele nos mostrava claramente e também o demônio bem no corredor ao lado olhando para a nossa direção, mas sem nos ver. Congelei. Se ela olhasse para cima e encontrasse o espelho seríamos descobertos.
Prendi a respiração e não ousei me mexer. Um brilho intensou lampejou no outro corredor, não dava para ver, mas tinha certeza de que era a pobre alma da mulher. Isso também chamou a atenção do demônio, ela virou a cabeça em direção ao brilho e se afastou um pouco, Steve tocou nas minhas costas indicando para andarmos. Desejando ter os passos silenciosos e flutuantes dos Elfos em Senhor dos anéis.
Mas toda a cautela, todo o cuidado e apreensão foi destruída por um simples barulho; um tilintar leve de metal contra metal. A adaga de Steve havia batido na prateleira. Olhei do espelho o demônio, nossos olhos se encontraram naquele reflexo. Ela sorriu e se moveu na nossa direção. Podia correr para a porta, mas não daria tempo, ela me alcançaria. Então fiz a primeira coisa que me veio a mente; joguei meu corpo contra a prateleira.
Meu peso não foi o suficiente para derrubar tudo, a prateleira só inclinou quando Steve jogou seu ombro contra ela. Vi a chuva de produtos caindo em cima do demônio e depois a prateleira alta a engolindo. O estardalhaço soou alto, assim como o grito raivoso do demônio. Corri para a saída, mas não fui longe, um segundo demônio me esperava como um segurança da loja.
Ele avançou para mim e Steve interveio erguendo a adaga atacando, o demônio mudou seu foco, foi para cima dele jogando seu ombro contra o abdômen de Steve jogando-o para trás. Steve tropeçou em uma das latas caídas e caiu, mas não sem antes agarrar a lapela do terno do demônio o levando juntos. Os dois caíram em cima da prateleira tombada, se engalfinhando em cima dela.
Tinha de deixar Steve se virar, corri para porta de vidro de novo e empurrei. Nada, estava trancado, empurrei com toda a minha força e nada dela ceder. Freneticamente comecei lançar meu corpo contra ela, só parei quando vi que lá do outro lado da rua a porta do quarto do hotel estava aberta, a luz vazando para a varanda. Engoli a seco um grito e lutei para pensar em alguma coisa.
Um peso desabou nas minhas costas. Um corpo, pressionando o meu contra o vidro, uma mão pesada segurando minha cabeça contra o adesivo de cerveja colado na vidraça. A mão agarrou meu cabelo e puxou minha cabeça para trás a depois voltou com força. O som surdo da minha testa batendo no vidro se juntou a cacofonia que era lá trás de coisas se quebrando.
Forcei meu corpo a permanecer estável apesar da tontura e o impulsionei para trás com força. Teve o resultado que queria, o demônio caiu junto comigo. Minhas costas batera em seu peito e eu lutei para conseguir sair de cima dele. Engatinhei no chão com cuidado para não escorregar nas latas. E foi aí que pensei no que precisava para sair dali. A arma. Tinha que chegar ao fundo da loja para conseguir atirar no vidro da porta.
O demônio me agarrou por trás, pegando meu calcanhar e me puxando. Meu queixo bateu no chão fazendo meus dentes trincarem. Girei o corpo e chutei sua cabeça, uma, duas até ele me soltar. Levantei e comecei a correr no meio da confusão de produtos no chão e prateleiras tombadas.
Steve estava em algum lugar ali, podia ouvir o som da luta. Mas não podia parar. Em outro corredor encontrei o demônio da pasta. Ele a fechava depressa selando o brilho que vinha dela e iluminava seu rosto. Quando parei perto ele levantou a cabeça para me olhar. E nós dois ficamos parados sem saber ao certo o que fazer. Ele se levantou e eu fiquei alerta. Franziu o cenho para mim inclinando a cabeça, depois abriu os olhos em surpresa.
_Você é ela, não é? – perguntou. O demônio possuía um rapaz jovem, que do jeito que perguntou se assemelhava a sua aparência jovial e inocente. Não respondi. Não fazia diferença, ele já sabia quem eu era. Seus olhos agora pretos soltaram e ele gritou: _Espere! – olhei para o ponto atrás de mim de onde ele olhava.
Fiquei tão entorpecida com a presença do demônio e sua pergunta que nem notei quando o outro demônio vinha por trás. E trazia com ele uma chave de fenda, provavelmente pega da loja. Seu braço estava erguido num movimento interrompido, ele provavelmente iria me acertar com aquilo. Me afastei com um pulo.
_Não pode machucá-la, são ordens, sabe disso. – disse o demônio mais novo.
_Dane-se as ordens.
_Jason, nós devemos... – sua frase ficou no ar. Ele agora gritava e lampejava olhando para baixo, a ponta da adaga dos anjos se projetando do terno. Foi o que o demônio com a chave precisou para me atacar.
Ergui o braço batendo o meu com o dele bem a tempo, provocando dor em mim onde os ossos se chocaram. Ele me agarrou pelo ombro e me empurrou para trás. Minhas costas bateram em uma prateleira, está tombou mas não caiu.
Ele tentou me atingir de novo, o empurrei para trás, o jogando para Steve. O demônio foi rápido em girar o corpo e usar a chave contra Steve. A ferramenta se enterrou no braço de Steve, atravessando a carne e aparecendo do outro lado. Foi difícil para mim olhar, mas Steve só fez uma careta e grunhiu. O demônio o agarrou pela camisa e o jogou do outro lado do corredor. Numa distância e força sobre humana. Steve caiu sobre a banca de revista com estardalhaço que ecoou por toda a loja.
O demônio se virou para mim, dei passos para trás enquanto ele avançava. Algo agarrou meu cabelo e um braço foi colocado em volta do meu pescoço. Ela ria ao meu ouvido.
_Olha só, dois numa tacada só. – disse a demônio atrás de mim. Tentei me soltar, mas o aperto era forte demais. O demônio que vinha riu junto com ela. Ele agachou e pegou uma garrafa de bebida intacta, a bateu na prateleira. Metade da garrafa virou caco, o líquido se espalhou no chão. Agora ele tinha uma arma poderosa.
_Não podemos matá-la, mas podemos dizer que ela resistiu e acabou se machucando. – disse o demônio. Me debati enquanto ele chegava mais perto. Respirei forte começando a me preocupar com a as pontas dentadas da garrafa.
Ele parou perto de mim, a ponta afiada do vidro escuro deslizando pela a minha pele sem me ferir a princípio. Parei de mexer, tinha de arriscar a entrar em combustão espontânea usando meu poder. Apertei a mão em volta do ante braço do demônio e fechei os olhos
Meu coração tamborinava feito uma bateria e minha energia pulsava em mim tentando se libertar como um pássaro enjaulado. Se pudesse falar diria: Vamos lá, me deixe sair. Por favor, vai ser bom, você vai ver. É só me libertar. Não tive de me esforçar muito, ela estava lá para mim, pedindo para ser liberada e estava mais forte, podia sentir. Por outro lado eu sentia como se minha pele fosse feita de pergaminho, tão fina que poderia quebrar ou queimar com todo aquele poder inebriante e escaldante.
A ponta do vidro ia me aranhando cada vez mais fundo, recuei contra o corpo da demônio ainda de olhos fechados tentando me concentrar em não explodir a loja inteira, quando ouvi o barulho de sino.
_Deixe ela ir. – disse uma voz firme. Sam.
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