Broken Girl

5 Capítulo cinco: Lobo mal


Notas iniciais
Eaew, como estão? Mais um capitulo gigante saindo - sério gente acho que sou incapaz de escrever capítulos curtos rsrsrs Mas como ninguém me apedrejou no capitulo passado, então... Confesso que esse não tá lá essas coisas, mas foi feito com muito carinho

Antes

Eu estava lá de novo. Aquela sala era uma velha conhecida minha. Durante todos os dias entrava naquele mesma sala. Sentava na mesma poltrona que me encontrava agora. E meus olhos sempre vagavam pelas paredes pintadas de branco, e a janela ao fundo mostrava o jardim.

Nesse dia o jardim era açoitado pela chuva que batia forte na janela e por alguma razão isso me atraía a atenção, o som da chuva...

_Isabel? Isabel? – a doutora me chamava. Ela era bonita. Os cabelos tinha cor de fogo e seu rosto era gentil e tinha aquela tranquilidade de que seus paciente precisavam para despejar todos os seus problemas esperando que ela os solucionasse.

_Com se sente hoje? – ela perguntou. A caneta em sua mão balançava enquanto ela mexia os dedos num movimento constante. A prancheta estava equilibrada em seu colo. Ela me olhava através dos óculos esperando minha resposta.

_Me sinto bem. – a resposta era automática. Nós sempre começávamos assim.

_Quer me contar o que viu ontem a noite? – ela instigou-me. _Um dos enfermeiros ouviu você falar com alguém e ele disse que não havia ninguém no quarto. Você continua vendo ele?

Estava envergonhada. Da primeira vez que contei sobre ele ela não acreditou em mim. Disse que não era possível alguém entrar no meu quarto e disse também que eu estava sofrendo com o trauma, e minha mente fazia com que eu visse coisas que na verdade não estavam lá. Daí ela me encheu de termos psicanalíticos que eu geralmente não entendia.

Mesmo envergonhada afirmei com a cabeça.

_Ele vem toda noite. É gentil comigo, diz que eu vou ficar bem. E fala como se me conhecesse. Ele também diz que não pode me tirar daqui por que também está preso, mas em breve ele retornará.

_O que mais ele diz? – perguntou ela mostrando mais interesse que da primeira vez. Eu continuei contando.

_Ele diz que eu sou especial. Diz que eu vou ficar bem se fizer uma coisa.

_O que ele pede a você?

_Ele não diz, só fala que eu tenho que ter paciência, que vai cuidar de mim. Que eu tenho que esperar. E ele me falou sobre você. – agora ela parecia muito ansiosa, quando percebe que eu notei se recompõe. _Ele disse que estar perto, o garoto vai está pronto.

_Você tem certeza?

_Tenho. "e quando chegar a hora você me dirá o que fazer". – recitei para ela o que ele me disse da última vez. _Doutora, o que isso quer dizer? Eu não entendo. – ela sorriu.

_Não se preocupe criança, você vai ficar bem.

Nessa hora eu olhei para ela e tive a leve impressão que seus olhos estavam totalmente pretos para que um segundo depois eles voltassem a cor natural. Não ligo se vi eles pretos ou não, por que afinal era eu quem via pessoas que não estavam lá...

Daí tudo termina e eu acordo com o coração batendo forte e o cabelo grudado a nuca com o suor. Foi assim durante uma semana. Não conseguia dormir sem que o pesadelo mais estranho da minha vida voltasse a assombrar minha mente. Dean me pergunta constantemente sobre esses pesadelos e eu não sei como explicar o que não faz sentido para mim.

Conhecia a doutora. E muito bem a sala e lugar. O que não fazia sentido é que não me lembrava de ter aquela conversa com ela. Não me lembrava de ter alucinações com um homem. Era como lembranças que foram apagadas da minha memória...

Agora

Cripple Creek– colorado

Tinha se passado duas semanas desde a nossa pequena viajem no tempo. Na primeira semana passei dias na cama com dor em tudo quanto é lugar do corpo e ainda não conseguindo dormir por causa de uma série de pesadelos recorrentes.

Na segunda semana meu tornozelo estava bem melhor e milagrosamente os pesadelos cessaram. O corte na nuca deixou uma fina cicatriz, nos braços a maioria dos cortes desaparecera e no rosto ainda restava um pequeno corte cicatrizado perto da sobrancelha.

Eu ainda sentia um calafrio subir a espinha quando me lembrava do homem de branco, que descobrir ser Lúcifer. Era assustador pensar que o diabo anda pela terra, o mais assustador é a sensação que ele deixou reverberando em mim. Como se tivesse me tocado e deixado sua impressão digital tatuada no meu corpo.

Dean passou a semana bem estranho, queria perguntar o que tinha acontecido entre ele e Lúcifer, mas sabia que não diria. Se tratando de assuntos assim Dean era como uma bomba relógio se cortasse o fio errado poderia explodir, preferia não arriscar.

Bati pela milésima vez na porta do banheiro do Hotel, escutava o som do chuveiro ligado. Bati mais uma vez fazendo barulho na madeira fina.

_Dean, você está aí a mais de uma hora, eu preciso usar o banheiro. – o som do chuveiro parou. A maçaneta da porta girou me afastei e Dean saiu de lá vestindo apenas uma toalha em volta da cintura. Teria ficado desconfortável ou vermelha com a visão, mas aquilo já era frequente, ele fazia de propósito para me deixar sem jeito. Tinha que confessar que era difícil não deixar a imaginação viajar naquele belo corpo ainda molhado...

_Até que em fim, achei que teria que chamar os bombeiros para tirar... Isso ai é minha toalha? – perguntei apontando para a toalha roxa enrolada em sua cintura.

_As toalhas daqui são como lixas, e essa — ele alisou o tecido felpudo. _Parece que fui tocado por nuvens. – respondeu retirando peças de roupa da sua mochila.

_Dean, essa é minha toalha. Você não pode pegar minhas coisas e... usar. – disse tentando não perder a paciência. Ah como ele conseguia me tirar do sério.

_Ok, se quiser eu posso devolver agora. – ele colocou a mão na barra da toalha. Não, ele não faria...

_Não! – gritei coloquei a mão direita sobre os olhos. _Quer saber, fica com ela. – abri os dedos para olhar entre eles, para meu alivio a toalha continuava em seu devido lugar. Abaixei a mão tentando parecer menos infantil.

_Qual o problema? – perguntou cínico.

_O problema é que ela tocou... em você. – respondi ríspida, ele riu.

_Fresca. – murmurou.

_Idiota.

_Mimada.

_Imbecil. – retruquei. Respirei fundo. _Será que dá para parar de mexer nas minhas coisas? – pedi tentando parecer o menos irritada possível, o que não deu muito certo, acabou soando como um rosnado.

_Eu não mexi nas suas coisas. Sua preciosa toalha estava no banheiro. E será que dá para parar de ser um pé no saco o tempo todo?

_Eu sou um pé no saco? – perguntei indignada. _ Bom, ficar com você não está sendo nenhum passeio no parque, Dean. – retruquei.

_Eu estou cansado dessas suas crises por qualquer coisinha. Por que tem ficar questionando tudo o tempo todo. Ha, por que você não atirou com aquela arma? por que temos que ir por esse lado? Por que o céu é azul? – ele zombava de mim fazendo uma péssima imitação da minha voz combinada com um sotaque britânico horroroso. Como não querer socar a cara dele mais uma vez?

_Eu sou obrigada a ouvir seus discos, discos não, suas fitas o tempo todo e ainda aguentar suas babaquices. E qual é a dificuldade Dean de passar por um lugar sem ter que dormir com todas as mulheres?

_Eu não dormir com todas as mulheres das cidades, sabe porquê? Eu estava ocupado tentando salvar você das suas estupidez...

Perdemos totalmente a paciência, estávamos gritando, falando por cima da fala um do outro.

_Se não fosse pela minha estupidez você estaria morto. Lembra aquela vez no Mississipi com o lobisomem?

_Aquilo foi pura sorte, você arriscou a minha vida e a sua...

_Olha para você. Dean Winchester o herói machão, seu ego é tão grande que ele é incapaz de admitir que foi salvo por uma mulher. – disse como se anunciasse uma manchete.

_Agora você está sendo patética, Srta. Boa demais para usar toalhas de hotéis ou comer em lanchonetes. – mesmo sem me ver sabia que estava vermelha de raiva assim como Dean ainda de tolha.

_Agora você está sendo patético. E ao contrário de você eu não gosto de me entupir de hambúrguer e torta! – gritei.

_Para! – gritou ele, sua voz como um trovão, ficamos em silêncio, não por muito tempo. _Consegue ouvir isso? – fiquei parada tentando aguçar minha audição para ouvir o que ele estava ouvindo.

_Esse é o som que eu quero ouvir ao invés dessa sua voz irritante gritando no meu ouvido. – disse ele baixo no meu ouvido. Agora tinha atingido o meu limite. Me afastei e peguei sua mochila em cima da cama colocando de volta o que ele tinha tirado.

_O quê está fazendo? – perguntou.

_Já que não quer ouvir minha voz irritante suma daqui. – imprensei a mochila em seu peito. Ele prendeu meu pulso com as mãos me puxando para mais perto, deixei cair à mochila sobre nossos pés. Meu rosto estava na altura do seu peito molhado, por um minuto perdi o ar.

_Não pode me expulsar. – afirmou ele usando sua voz potente sussurrada me fazendo arrepiar. Assustei-me com a imagem que me veio à mente; eu empurrando Dean na cama e me jogando em cima dele arrancando aquela toalha... O que está acontecendo comigo? Estava perdendo o pouco de decência e juízo que tinha. Tinha que manter o foco, levantei o rosto para encara-lo torcendo para não está ruborizada.

_Dean, se não sair por aquela porta agora eu juro que atiro em você. – ele sorriu atrevido a minha ameaça.

Dean se curvou e aproximou seu rosto do meu. Seus lábios roçaram nos meus lábios até preencher o vão da minha boca por completo, ele soltou meus pulsos envolvendo seus braços na minha cintura me apertando contra si e aprofundando mais nosso beijo.

Corri os dedos pelo seu cabelo molhado, estávamos totalmente entregue aquele beijo, e Deus como era bom... Espera um minuto, por que ele estava fazendo isso? Por que eu estava fazendo isso se há um minuto seria capaz atirar nele? Ele estava se aproveitando de mim, me usando para saciar seu apetite sexual incontrolável.

Por me distrair com esses pensamentos de raiva mordi seu lábio inferior. Dean se afastou bruscamente, por um instinto irracional dei um tapa em seu rosto. Recolhi a mão levando-a boca assustada e arrependida com o que tinha feito.

_Ficou louca? – gritou ele com a mão na boca vermelha com o sangue.

_Me desculpe, eu não queria... – tentei consertar o estrago que tinha causado, me aproximei dele tentando tirar sua mão do rosto para ver melhor, ele se afastou e quando fez eu tropecei na mochila caída. Dean me segurou pelos braços me impedindo de estabacar no chão, meu rosto foi imprensado no seu peito molhado. E aconteceu o que temia desde o começo; a toalha caiu.

Demorou um segundo para reagimos, como se cena tivesse congelado, Dean me encarava com os olhos arregalados e eu encarava de volta com a boca aberta.

Com esses segundos passados me apoiei em seus ombros para retomara o equilíbrio e só então virei para não ver nada comprometedor. Escondi o rosto com as mãos invejando os avestruzes pela sua capacidade de enterrar a cara no chão. Senti o rubor tomar meu rosto. Toda a raiva que sentia por Dean foi substituída por vergonha. Mesmo de costas podia dizer que ele estava se vestindo depressa.

_Estou saindo. – anunciou Dean passando por mim tentando vestir a camisa com a mochila ainda aberta no ombro.

_Onde você vai ficar? – perguntei.

_Em uma distancia segura de você. – respondeu batendo a porta atrás de si.

Fiquei parada no meio do quarto não sabendo se ria ou iria atrás dele para me desculpar. Acabei optando por ir tomar um banho gelado, precisava esfriar a cabeça e o corpo.

O que teria acontecido se não fosse tão tonta a ponto de estragar tudo com meu ataque?

Na primeira semana com Dean nos demos super bem, até a semana seguinte quando tivemos nossa primeira briga por um motivo tão bobo quanto uma toalha. Confesso que no começo a culpa foi minha, canalizava meu luto com sarcasmo e raiva, e isso, apesar do meu esforço, transpareciam nas pequenas coisas.

Tínhamos construído uma amizade com certa intimidade como dormir na mesma cama, beber na mesma garrafa ou alfinetar um ao outro com algum comentário. Funcionávamos, nem sempre com êxito, mas funcionávamos juntos.

Sentia-me atraída por Dean, é claro, e aquele beijo me deixou de pernas bambas. A raiva se transformando em luxuria. Por outro lado tinha estabelecido um limite que não poderia ultrapassar. Nem podia sequer me permitir a esses pensamentos.

Nossa parceria agora estava se enrolando de um jeito que eu não sabia se sobreviveríamos ao fim da semana sem um dos dois arruinar tudo com um beijo feito aquele ou coisa pior.

Desliguei o chuveiro, e me enxuguei — com a toalha do hotel — vesti a roupa que tinha pegado; um vestido preto leve e simples. Calcei um par de botas montaria de um marrom escuro. Olhei no pequeno espelho do banheiro e balancei a cabeça em negação com o que vinha pensando: era óbvio que o beijo não tinha significado nada para ele, tentei me convencer. Liguei o secador na tomada, sequei o cabelo e prendi a juba que se formou num rabo de cavalo.

Sair em busca do paradeiro de Dean deixando a toalha intocada no chão.

...

_Ele pediu o quarto ao lado do seu e acabou de sair, se correr ainda consegue alcança-lo. – disse o gentil senhor recepcionista do hotel.

_Obrigada. – agradeci e atravessei o Hall em passos largos.

Lá fora olhei para os lados da calçada e não vi nenhum sinal de Dean. Era inicio de noite e o único poste na esquina a direita emitia uma luz amarelada que não era o suficiente para iluminar toda a calçada. Decidi seguir a direita. Assim que dei uma guinada, virando também à direita, no fim da rua avistei Dean indo em direção a uma lanchonete.

_Dean! – gritei, minha voz foi abafada pelo som de uma sirene, luzes vermelhas e azuis explodiram da próxima esquina; uma viatura da policia e uma ambulância. Corri para alcançar Dean na esquina.

_Dean, o que houve? – perguntei. Havia um amontoado de pessoas na rua formando um circulo que fervilhava em murmúrios horrorizados e expressões de choque.

_Não sei. – respondeu, sem nem sequer me olhar caminhando em direção ao aglomerado de pessoas, o segui.

Os policias davam instrução para que todos se afastassem. Aos poucos o grupo foi se dissipando, um policial passava uma fita amarela fazendo um circulo, provavelmente marcando a cena do crime ou acidente. No meio do perímetro um medico e um outro policial estavam agachados em volta de alguma coisa.

As pessoas bloquearam o pouco de visão que eu tinha. Dean estava passando entre elas com o distintivo falso em mãos, abriam passagem para ele e o mesmo não acontecia comigo. Com cotoveladas e empurrões consegui chegar mais perto, um oficial levantou a faixa amarela para Dean passar por baixo desta, me apressei chegando onde a barreira com a faixa me impedia de ir adiante.

_Desculpa docinho, não pode passar. – disse um policial que aparentava ter uns 60 anos.

_Eu estou com ele. – apontei para Dean de costas, o policial o chamou pelo nome falso que Dean tinha apresentado.

_A mocinha aqui disse que está com você. – o policial gesticulou para mim. Como eu odiava que me chamassem de mocinha.

_Não conheço. – disse Dean ao policial se virando para conversar com o outro oficial e o medico no meio do circulo. Tive que engoli em seco para não xingar Dean.

_Desculpa boneca. – o policial faz cara de falso lamento. Ouvi-lo me chamar de docinho e boneca me causou náuseas. Bufei lamentando não poder acertar a cara dele com um soco.

Meu olhar foi atraído para a janela quebrada a mais ou menos no terceiro andar de um prédio, foi ai que compreendi o que tinha acontecido. O que o policial e o medico estava examinando no chão era um corpo, provavelmente foi suicídio ou assassinato, não via como aquilo poderia ter algo de sobrenatural.

Abri caminho para sair da bifurcação e esperei por Dean encostada na parede da lanchonete quase vazia. Pela vidraça notei os pratos ainda quase intocados nas mesas. Sorri tentando compreender como alguém poderia parar tudo que estava fazendo para olhar um corpo destruído no chão. Como as pessoas se se deleitavam em presenciar uma tragédia?

Depois de alguns minutos Dean saiu do meio das pessoas e foi até mim.

_Fofoqueiro – zombei dele.

_O que é? Vai me bater ou me morder de novo? – respondeu na defensiva. É, ele não esqueceu.

_Podemos entrar? – indiquei a entrada da lanchonete.

Entramos e sentamos numa mesa no canto. A lanchonete era simples, estava mais para cafeteria, com quadros de grãos de café enfeitando a parede detrás do balcão. Uma garçonete veio até nós e anotou nossos pedidos. Revirei os olhos para Dean que olhava descaradamente a bunda da moça enquanto ela se afastava.

_Dean eu queria me desculpar. – comecei tentando atrair sua atenção. _Não queria bater em você ou te morder.

_Podemos esquecer o que houve? – respondeu Dean com certo constrangimento na voz, ele estava evitando olhar para mim. Era tão complicado entender como funcionava sua cabeça.

_Claro, vamos passar uma borracha e esquecer. Não aconteceu nada de constrangedor ou estranho. – disse lutando para não soar irônica. Nossos pedidos chegaram, a garçonete sorriu timidamente para Dean e me ignorou completamente.

_O que houve lá? – perguntei pegando uma garfada das minhas panquecas tentando parecer casual.

_Parece que um cara achou que tinha asas e resolveu alçar voou pela janela. – disse Dean dando uma generosa mordida no seu hambúrguer, nenhuma solidariedade nem compaixão na voz.

_Acho que pode ter alguma ligação sobrenatural?– perguntei.

_O colega de quarto disse que foi um boneco ou coisa do tipo, ele ficou repetindo isso, tinha que ver, foi sinistro. Bom, o medico disse que ele provavelmente estava em choque e então a policia o levou. Mas para mim eles andaram fumando uma ou algo parecido. – disse Dean ainda com a boca cheia. _Também vi o apartamento e nada, não tinha boneco nenhum. Sem enxofre, sem sinal de bruxa e sem EMF.

Terminamos de comer e Dean foi pagar a conta no balcão, de longe podia saber que estava flertando com a garçonete que nos atendeu, a menina loira sorria e abaixava os olhos, talvez fingindo falsa inocência. Fui tomada por uma súbita fúria. Como me deixei ser enganada por fotos nossas juntos, pelo modo que ele cuidou de mim quando estava de cama, ou pelo beijo? Ok, para com isso está sendo ridícula, parecendo uma adolescente. Ele estava me deixando louca.

...

Bati a porta do quarto ao lado meu. Naquela manhã fui à cafeteria buscar um café, estava adorando aquele tempo sozinha, poder respirar sem estar sendo monitorada, ter um tempo para passear um pouco pela bela cidade de Cripple Creek sem a companhia de Dean. Estávamos sufocando um a outro. Vendo por esse ponto nossa pequena discussão serviu para alguma coisa.

Dean atendeu com uma cara brava, obviamente estava dormindo, seus olhos lutavam para se manter abertos. Ele vestia calça jeans, provavelmente colocada as pressas, e uma camisa preta amarrotada.

_Eu trouxe café para você. – disse lhe entregando o copo enquanto entrava. Ele fechou a porta e me encarou curioso. _O mais longe possível de mim não é muito longe, e eu tenho algo para te mostrar. – ergui o jornal que trazia, sentei na cama e ele pegou o jornal apertando os olhos para ler a manchete.

Sentia um volume em baixo de onde estava sentada, passando a mão tirei de lá um sutiã. Dean notou meu olhar inquisidor, mas não sentiu necessidade de explicar, deu de ombros voltando a ler o jornal e dando um gole no café. A porta do banheiro se abriu e a garçonete que tinha nos servido no dia anterior saiu de lá vestindo seu uniforme de trabalho. Ela ficou extremamente vermelha quando notou minha presença.

_Acho que vocês já se conhecem. – disse Dean com um sorriso torto. Sorri forçado para agarota, ela também forçou um sorriso para mim, chegando perto de Dean ela disse alguma coisa no seu ouvido e foi em direção à porta.

_Ei, acho que esqueceu isso aqui. – levantei o sutiã rosa shocking. Tentei parecer o menos ríspida possível. A menina foi até mim quase correndo pegou o sutiã e voltou para porta. Parou diante de Dean encostado no batente, se inclinou para beija-lo, ele se esquivou, ela sorriu e disse discretamente para ele ligar mais tarde. Dean sorriu de volta sem responder e fechou a porta quando a garota saiu.

_Sério? Pessoas estão morrendo e você não consegue manter as calças no lugar. – disse não controlando a raiva que sentia, o pior foi o desapontamento.

_Pessoas morrem o tempo todo, não é por isso que vou parar de...

_Ok, tudo bem, eu vim em missão de paz. – interrompi não querendo iniciar outra discussão.

Dean franziu o cenho para o jornal.

_Aqui diz que um homem viu outro ser foi morto por um unicórnio. – comentou analisando a noticia de capa do jornal.

_Você não acha estranho, primeiro o cara de ontem diz que o amigo morreu por causa de um boneco agora esse diz que viu um cara ser morto por um unicórnio. Isso com certeza não é normal, não acha? – perguntei tentando não parecer muito ansiosa, esperava que ele não dissesse que eu estava louca.

_Isso é estranho. – afirmou Dean balançando a cabeça. _ Mas fala sério, unicórnios? Não dá para acreditar nessas coisas. – falou com atenção para mim, me senti ligeiramente envergonhada, não acreditava em unicórnios, mas as mortes eram muito bizarras, tinha alguma coisa acontecendo.

_Até ontem se alguém me contasse que existiam fantasmas eu riria dela, mas aqui estou eu enfrentando demônios e lobisomens. Só acho que não custa nada dar uma checada. – Dean ponderou sobre o que eu disse.

_Temos Chuck o boneco assassino e um unicórnio maligno. – citou dando outro gole no café refletindo sobre aquela loucura.

_Isso pode ser divertido. – tentei anima-lo.

_Você tem uma definição muito estranha de diversão. – respondeu sorrindo para mim, sorri de volta. _Tudo bem, saímos daqui à meia hora. Vamos fazer uma visita ao maluco aqui.

_Ok, vou me trocar. – disse enquanto deixava o quarto.

No meu quarto tirei a camiseta e vestir uma camisa social azul clara com risca de giz, joguei os coturnos num canto e calcei as botas por cima da calça jeans. Fiz um coque no cabelo passei o mínimo de maquiagem, peguei brincos discretos e desci a espera de Dean.

Dez minutos depois ele desceu vestindo um terno preto. Estava colocando o brinco que faltava na orelha.

Fomos para o estacionamento e a primeira coisa que Dean fez quando entrou no Impala foi ligar o rádio no último volume.

_Ok, eu já entendi. – falei alto me fazendo ouvir entre o solo de uma guitarra.

O problema não era o gosto musical de Dean, gostava de rock, o problema era que ele não ouvia nada depois dos anos 90 eram sempre as mesmas fitas tocando repetidamente.

_O quê? Eu não consigo te ouvir. – um sorriso triunfante em seu rosto. Cínico.

_Eu odeio você. – disse baixo sorrindo o sorriso de Dean se alargou. Poderia ser um sinal de que já tivesse esquecido o desentendimento entre nós.

Seguimos — com Dean cantando Bon Jovi – para o departamento de policia da cidade para falar com o cara do boneco.

...

_Eu sou o agente Morrison e essa é minha assistente Rachel. – Dean mostrou seu distintivo do FBI ao delegado. O delegado suspirou e assentiu, sinalizou com um dedo para que o seguíssemos para área das celas. O delegado era um homem negro magro com um bigode espesso que praticamente cobria seu lábio superior. Passamos por um grupo de policias que dividiam entre si uma caixa de cupcakes, não rosquinhas.

_O que houve com os clichês? – comentou Dean baixinho no meu ouvido, soltei um risinho nasal o delegado nos olhou de esguelha com cara feia.

Chegamos ao bloco de selas. Estavam quase todas vazias, exceto por duas, uma com um homem barbudo sentado infeliz no seu local de dormir, ele sorriu para mim exibindo uma boca com poucos dentes amarelados. E minha lista de bons pretendentes está só aumentando.

Na outra cela um rapaz deitado de costa para nós no banco de concreto. Ele soluçava baixinho envolvido até o pescoço em um lençol de flanela esfarrapado.

_Temos visitas para você Joe. – disse o delegado abrindo a cela, entrou e algemou Joe que grunhiu em relutância. _Vamos dar um passeio. – incentivou.

Fomos levados para a sala de interrogatórios, Dean sentou em uma ponta da mesa no centro da pequena sala e Joe na outra. Fiquei em pé ao lado de Dean. Joe olhou de mim para Dean assustado, sua expressão o deixava com uma aparência quase infantil, seus olhos castanhos estavam vermelhos e inchados.

_Queremos conversar com você sobre o que... – começou Dean, mas foi interrompido pela voz fanhosa de Joe:

_Eu não matei meu colega de quarto, foi ele... Ele... Por favor, vocês precisão acreditar em mim. – gaguejou Joe voltando a chorar o que reforçou ainda mais seu aspecto infantil.

_Eu acredito em você. Conte-me o que realmente aconteceu. – disse Dean cauteloso. Joe fungou o nariz no seu moletom e se recompôs, ou quase.

_Eu estava voltando para apartamento, tinha esquecido uma coisa lá, então eu entrei e vi o Steve meio paradão num canto da cama dele. Sabe eu achei que ele estava chapado... – Dean ergueu uma sobrancelha para mim, revirei os olhos e voltei minha atenção para Joe. _Não que a gente fume esse tipo de coisa, não, a gente não faz isso. – tentou Joe concerta o dano. _Se encontrarem alguma coisa no apartamento não é meu é do Paul, um amigo nosso... quer dizer eu não sou amigo do Paul, eu mal conheço o cara...

_Foco Joe! Não queremos saber se você tem uma plantação de maconha no quintal ou não, queremos saber quem matou seu colega de quarto. – pressionou Dean o interrompendo.

_Bom, eu entrei no quarto e perguntei “cara o que você estar fazendo ai?” ai... – Joe voltou a soluçar. Dean bateu com mão espalmada na mesa o que fez o prisioneiro a sua frente pular com um gritinho de susto.

_Foco Joe! – gritou Dean bancando o tira mal.

_Ai eu vi o boneco parado, eu juro para você tinha alguma coisa naquele boneco ele estava em pé e tinha uma faca na mão. Eu e Steve corremos e ele foi atrás, cara foi à coisa mais sinistra que eu já vi. Foi então que Steve tropeçou num skate e caiu da janela, ai eu parei e o boneco veio para cima de mim, e... cara eu me mijei todo. Quando eu achei que ele ia me esfaquear ele parou, eu chutei aquela coisa para longe e sair do apartamento. Depois a policia e a ambulância apareceram. – Joe se calou, ficamos um tempo em silêncio absorvendo o que ele havia dito. Era loucura demais para uma mente racional.

_Como era exatamente esse... boneco? – perguntou Dean ainda cético.

_Um daqueles bonecos em que você coloca a mão atrás e então pode controla-lo. – respondeu Joe fazendo gestos, limitados por causa da algema, para ilustrar o que dizia.

_Obrigado pela cooperação. – disse Dean se levantando.

Agradecemos o delegado e saímos da delegacia deixando um Joe frustrado e amedrontado na cela.

_Tudo bem, isso é muito estranho, ou tem uma droga nova rolando por aqui ou... – começou Dean.

_Ou...

_Eu não sei. – admitiu. _Vamos falar com o cara do unicórnio.

Pegamos o carro e seguimos para o endereço do homem que viu um cara ser morto por um unicórnio. Dessa vez a viagem foi mais silenciosa.

Chegamos ao Campus da faculdade da cidade, um zelado indicou o prédio dos dormitórios e o numero onde podíamos encontrar Thomas. Subimos os andares do prédio e batemos a porta com o numero que foi dado a nós. Thomas atendeu com um sorriso que murchou imediatamente quando nos viu.

_Thomas McDannol? – perguntou Dean, o rapaz assentiu.

_Eu sou o agente Morrison e esta é Rachel, somos do FBI viemos conversar com você. – disse Dean mostrando seu distintivo para Thomas.

_Eu já falei tudo o que tinha para falar á policia. – rebateu Thomas.

_Não vamos demorar, são só umas perguntas. – insistiu Dean. Thomas abriu passagem para que nós entrássemos. Entramos num quarto surpreendentemente limpo, sem pôsteres de mulheres seminuas na parede, latas de cerveja no chão, nada que indicasse que aquele era o quarto de um universitário.

Thomas era um rapaz bonito, cabelo castanho encaracolado, olhos castanhos e poucas sardas espalhadas pelo rosto. Ele indicou para que sentássemos em um sofá marrom de veludo, bem confortável por sinal.

_Thomas conte-me o que houve. – o garoto pareceu ligeiramente desconfortável, ele olhava de mim para Dean, com um suspirou se sentou na poltrona de frente para o sofá.

_Eu estava numa festa num bosque com uns amigos, me afastei do grupo e ouvi um barulho de alguém correndo e gritos, quando fui olhar melhor vi um grande cavalo branco com um cifre na testa, e ele tinha... – ele parou e olhou para mim, sorri de leve para incentiva-lo, ele baixou os olhos. _Ele tinha no lugar do rabo um arco-íris, conseguiu alcançar o cara que estava correndo e o cifrou no peito, quando terminou foi galopando embora.

_Entendo. – disse Dean tentando parecer compreensivo.

_Eu sei que vocês me acham louco, eu também pensei que estivesse, mas foi isso que vi, e por favor não quero que isso pare nos jornais novamente. – completou Thomas um pouco acanhado.

_Não se preocupe. Obrigado por nos receber. – disse Dean se levantando. Antes de sairmos meu olhar foi atraído para o monte de panfletos numa bancada cheia de embalagens de balas vazias na pia. Thomas notou meu interesse, pegou um dos panfletos e me entregou. Era um convite para uma festa.

_Se você quiser está convidada. – disse Thomas abrindo um sorriso pretensioso. Sorri para ele também. Dean fez uma careta.

_Quem sabe. – o rosto de Thomas se iluminou e Dean praticamente me empurrou porta a fora.

...

_Não está pensando em ir a essa festa, não é? – perguntou Dean quando já estávamos no carro.

_Na verdade estou pensando em que roupa usar. O cabelo, preso ou solto? O que acha? – provoquei.

_Você não pode ir. – decidiu Dean voltando a ligar o rádio. Seguíamos para o necrotério onde o corpo do cara que foi atacado, supostamente, por um unicórnio estava.

_Por que não? – perguntei.

_Estamos num caso lembra?

_Eu sei, essa festa pode ser o alvo perfeito para sei lá o que esteja acontecendo aqui. – ele me encarou por um longo momento.

_Não acredito. Você quer ir por causa do espinhento. – seu tom transbordava desdém.

_O quê? É claro que não. – tentei me defender da acusação ridícula.

_Aposto que ele nem chegou à puberdade.

_Você só pode ter sido afetado por essa onda de esquisitice por que ficou louco.

_A qual é, eu vi ele olhando para você. – na voz de Dean certa irritação.

_É claro que ele estava olhando para mim, você ficou encarando o garoto como se ele tivesse liderado um ataque contra o Obama.

_Que lindo, já está defendendo o namoradinho. – o encarei tentando identificar a expressão indecifrável que se formou em seu rosto.

_Da onde você tirou essa ideia absurda?

_Do jeito que ele olhava para você. – o mesmo tom de desdém anterior.

_De que jeito? – quis saber.

_Como se tivesse visto a chance de se dar bem essa noite. Você é uma garota bonita e com certeza não é burra, merece coisa melhor do aquele delinquente perturbado. – disse em tom paternal.

_Você acha que sou bonita? – perguntei pescando a única coisa que me interessou, contive um sorriso.

Pausa silenciosa.

_Você não vai nessa festa. – disse Dean autoritário.

_Você não é meu pai Dean. E eu não sou uma adolescente. – falei na defensiva.

_Tem coisas mais importantes acontecendo aqui do que uma festa.

_Você pode vir comigo.

_Para ver um bando de adolescentes se esfregando e você com o colecionador de My little poney? Tentador, mas não obrigado. – seus dedos apertavam com força o volante, os nós ficando brancos.

_Está com ciúmes? – Dean gargalhou.

_Essa foi boa – disse ele entre risos. _Ciúmes... – balançou a cabeça.

_Está agindo como meu namorado ou algo do tipo, admita você está com ciúmes. Não se preocupe, não vou abandonar você. – zombei. Ele deu outra gargalhada forçada.

_Sério, acho que deveria ser comediante. – ironizou.

_Foi você quem me beijou, lembra? – Era gratificante ver Dean lutando para achar uma resposta a minha provocação. Por fim ele falou:

_Fica quieta e coloca o cinto.

Voltei-me para estrada com um sorriso satisfeito no rosto.

...

Esfreguei as mãos nos braços para tentar espantar o frio do ar condicionado altíssimo. Dean puxou a gaveta de metal onde havia o corpo do homem que foi atacado no bosque. Colocou luvas e levantou o plástico branco que cobria o morto. Dean aproximou o rosto para ver melhor o buraco no peito do homem. Um buraco pequeno, do tamanho do circulo que se forma ao unir o polegar e o indicador.

Dean cutucou com o dedo a ferida e olhou mais de perto, em seguida levantou o rosto e pegou uma luminária aproximando-a das extremidades do ferimento.

_Só pode ser brincadeira. – sussurrou.

_O que? – perguntei me aproximando, ele indicou para que olhasse mais de perto, o fiz. A pele em volta do ferimento não estava tão pálida, tinha leve cintilancia e alguns pontos brilhavam. Após examinar mais atentamente, cheguei à conclusão que se tratava de purpurina.

_Algum palpite? – perguntei mais confusa que antes.

_Não faço ideia, vamos voltar e pesquisar sobre os dois casos.

...

Digitei o nome do falecido no notebook (que convenci Dean a comprar), após olhar os links da primeira pagina não encontrei nada, cliquei para abrir a segunda, no quinto link algo me chamou a atenção, cliquei e a pagina abriu, era um post antigo no site da prefeitura da cidade.

_Dean, vem ver isso. – Dean levantou da cama e deixou de lado o livro que usava como pesquisa. Podia sentir sua respiração quente na minha nuca enquanto ele lia. Tentei parecer que não senti algo se agitar no estômago pela sua proximidade, era difícil odiá-lo quando tão perto.

_Charlie, o cara que foi morto pelo unicórnio foi acusado de maus-tratos com animais. Eu acho que sei com o que estamos lidando. – concluiu quando leu parte do post.

_O que é?

_Um brincalhão. – levantei uma sobrancelha. Dean se afastou. _Um semideus, ele é capaz de criar coisas do nada, tem um jeito muito criativo, mata suas vitimas de forma incomum geralmente com certo humor, como o unicórnio e o boneco. E tem esse senso de justiça meio distorcido.

_E como matamos um brincalhão? – perguntei.

_Com uma estaca de carvalho mergulhada no sangue da vitima, direta no coração. – respondeu com ar de especialista.

_E como sabemos quem ele é?

_Esse é um dos problemas, não dá para saber, ele curti doces e...

_Espera, você disse doces? – perguntei o interrompendo.

_É, geralmente sim.

_Thomas! Vi embalagens de doce na pia da cozinha dele. – não contive a animação por pelo menos saber nosso alvo, Dean pareceu animado também.

_Seu namoradinho? – comentou com um sorriso debochado. _Tenho que dizer, você tem um péssimo gosto para homens. – ignorei seu sorriso vitorioso.

_Agora sabemos quem é, ou pelo menos está na lista de suspeitos, podemos voltar ao campus e...

_Não é tão fácil assim – interrompeu Dean. _Ele é muito poderoso, já o enfrentei antes. – Dean voltou a sentar na cama.

_E... – quis saber mais.

_E... eu e Sam não conseguimos pega-lo. Da última vez não foi um encontro agradável – Dean pareceu recordar a última vez, balançou a cabeça negativamente, provavelmente tentando afastar a lembrança. Uma sombra de preocupação pairou sobre ele.

_Tem mais algum problema? – perguntei, ele olhou para mim, sabia que estava tentando me dizer alguma coisa. _O que foi?

_Isso é muito perigoso para você, acho melhor ficar fora dessa. – seu tom surpreendentemente calmo e controlado.

_Por quê? – perguntei.

_É muito perigoso. – respondeu pausadamente com ênfase.

_Claro. O que nós temos feito até agora não é nada perigoso. – disse sarcástica tentando não parecer muito na defensiva.

_Isso não é só desenterrar ossos, jogar sal e queimar. Essa cara já me fez morrer umas cem vezes. – disse Dean levantando assim como seu tom de voz. Não me esforcei muito para entender a última parte do ele tinha dito.

_Eu posso ser a isca. – sugeri.

_O quê? de jeito nenhum. – renegou a ideia.

_Foi você quem disse que ele estava interessado em mim, eu o atraio e você faz o resto. – Dean me olhou.

_Ele sabe quem eu sou, sabe que você está comigo, não ia cair nessa.

_É, mas ele não sabe que nós sabemos quem ele é. – Dean virou de costas pondo as mãos na cintura.

_Não! – disse se virando. Lá vamos nós de novo...

_Dean, não nasci ontem, posso lidar com isso e você sabe disso, só preciso que me mostre como. É nossa melhor chance. Até porque não conseguiu acabar com ele antes o que te faz pensar que conseguiria agora, sozinho?

_É muito arriscado. – desde que voltamos do futuro Dean tem assumido uma postura mais protetora, isso estava me irritando demais, não era nada acostumada a esse tipo de afeto. Ter alguém cuidando de mim era algo novo e não estava gostando nem um pouco. Ficava melhor no papel de protetora do que da protegida. _E na situação em que estamos não podemos correr riscos. – completou.

_Até agora você não me apresentou nenhum plano melhor. Quer ir embora e deixar essas pessoas morrerem por causa de um palhaço? – perguntei em tom desafiador.

_Então me diz caçadora qual seu plano brilhante? – rebateu ele usando o mesmo tom que eu tinha usado. Minha mente trabalhava a mil para desenvolver um plano decente, Dean aguardava minha resposta.

_Vamos para festa e...

_Ele vai se mandar assim que me ver. – vetou sem nem antes eu terminar.

_Eu vou, atraio ele para fora e você...

_Agora está insultando a inteligência do cara.

_Existi uma maneira de prende-lo ou...

_Não.

Tinha que me render, não tinha nenhuma ideia melhor.

_Ok. Se vamos fazer isso vamos fazer direito. Parabéns você vai ser a isca.

...

Enquanto Dean estava procurando o material para arma que mataria o brincalhão e fazendo mais algumas investigações, fui a cidade comprar algumas peças que ajudariam no plano.

Puxei a barra do vestido que não estava me deixando nem um pouco confortável. A peça era preta, curta e justa, achava impossível eu usar essas duas proporções juntas. Resistir à vontade de voltar a vestir jeans e coturno. Olhei meu cabelo no reflexo do espelho do banheiro, surpreendente estavam bem bonitos. Os cachos largos definidos com brilho natural, o volume controlado. Isso me fez acreditar em milagres.

Só faltava uma coisa, dar um jeito no rosto pálido. Tentei lembrar os truques de maquiagem mais elaborados. No rosto passei a base — que havia comprado — disfarçando as sardas que tinha espalhadas pelo rosto, usei corretivo para disfarçar a olheira de noites mal dormidas, uma fina camada de pó e arrematei com o mínimo de blush. A cor dos meus olhos ganhou destaque com o contraste da sombra preta e os cílios espessos e longos por causa da máscara para cílios. Na boca um gloss rosinha.

Sorri satisfeita com o resultado e involuntariamente pensei no que Dean acharia, queria impressiona-lo. Nos dias que passaram não me preocupei em levantar antes dele para me arrumar e parecer decente logo pela manhã, ou ao menos deixar de usar shorts e camisetas largas para dormir ou usar maquiagem diariamente. Estava mais que acostumada à presença masculina, perdia a conta de quantas vezes dormir na casa de Adam e ele vise versa. Nunca houve essa preocupação em parecer sempre bonita para alguém que fosse meu amigo.

A ideia do que Dean achava da minha aparência estava martelando há dias na minha cabeça. Sempre afastava esse pensamento condenando a mim mesma pelas passadas de mão constante para ajeita o cabelo ou o uso de maquiagem em certos dias. Nunca tinha me importado com isso e não começaria me importar agora.

Coloquei uma sandália de salto na cor azul marinho, dei alguns passos no quarto e senti uma fisgada no tornozelo, o sinal de que não estava totalmente curada da contusão. Ignorei esse aviso e caminhei de um lado a outro do quarto treinando meu andar, não estava nem um pouco familiarizada com saltos.

As batidas na porta me fizeram quase tropeçar nos meus próprios pés. Olhei pelo o olho mágico, Dean estava parado com uma arma na mão direita, mais especificamente uma besta, e na esquerda duas estacas de madeira. Respirei fundo e abri a porta, ele entrou sem nem reparar em mim, fechei a porta e o vi parado no meio do quarto me encarando com olhos arregalados e a boca entre aberta. Ficamos assim por um tempo, um canto da boca de Dean se curvou em um sorriso. Senti toda a minha confiança se despedaçar naquele sorriso.

_Eu sei, pode falar, eu estou parecendo uma vadia nesse micro vestido e essa maquiagem...

_Você está incrível! – disse Dean me olhando de cima a baixo e parando num ponto onde o vestido deixava um decote generoso, sentir minhas bochechas queimar, puxei a barra do vestido inquieta.

_Dean, meu rosto fica um pouco mais acima. – levou um segundo para ele entender, feito isso ele levantou o olhar para meu rosto. Sorri agradecida, por ele não achar que estou ridícula e também por está muito envergonhada.

_Posso olhar isso ai? – perguntei apontando para a besta desviando sua atenção de mim. Ele me entregou a arma. Dean tinha feito uma adaptação para que coubesse a estaca de espessura mediana (a outra era bem mais grossa). _Acha que vai funcionar?

_Mata-lo não, isso vai distrai-lo, o problema vai ser você. – respondeu ele sério.

_Eu já falei Dean, vou ficar bem ele não vai me matar. – disse confiante.

_Eu fiz umas perguntas sobre esse tal Thomas, as pessoas disseram que ele chegou há pouco tempo na cidade, e olha que coincidência, no dia em que chegou um homem foi encontrado mutilado no apartamento. Sem sinal de arrombamento ou coisa parecida, só tinha no chão marcas de pegadas de um lobo ou cachorro. – relatou Dean.

_E isso se encaixa no perfil do brincalhão? – perguntei.

_Não exatamente, mas talvez ele quisesse tentar algo novo. Aposto que era o lobo mal querendo fazer uma boquinha. – Dean deu de ombros._ E tem mais. – ele tirou do bolso um lenço com manchas amarronzadas e as iniciais C.P bordado na ponta. O peguei para analisar.

_Não me diz que isso é sangue. – lhe entreguei o lenço esperando sua explicação.

_Encontrei no apartamento do seu amado, C.P de Christian Parker, o nome da primeira vitima, e, além disso, embalagens de doces e jornais com os casos anteriores. E mais, parece que o cara é um nerd virgem viciado em mangá pornô. – disse Dean com um sorriso de aprovação. Ele tirou bolso da jaqueta um gibi e deu uma folheada. Na capa tinha dois personagens desenhados em posições que só se via nos filmes de "conteúdo adulto".

_Pervertido. – rolei os olhos.

_Isso é arte. – argumentou pondo de volta o gibi na jaqueta.

_Enfim, é hora de por o plano em pratica. – peguei uma bolsa pequena tira colo, o tamanho era suficiente para colocar uma arma.

_Esse é um péssimo plano. – disse Dean.

_Que otimista. – comentei irônica. Ele me avaliou mais uma vez, escaniando meu corpo com seu olhar.

_Vamos. – disse abrindo a porta e saindo antes que Dean fizesse alguma piadinha maliciosa.

_Hora do show.


...

O taxi me deixou na porta do prédio onde ia ser o local da festa. Um lugar bem estranho com becos escuros e ruídos suspeitosos. Tinha muito pouca gente na rua envolta a uma bruma deixando um aspecto mais sinistro.

Do alto do apartamento podia se ver as silhuetas das pessoas nas janelas, a luz piscava a musica agitada. Caminhei tentando manter a confiança. Podia fazer aquilo.

Peguei o elevador e parei no ultimo andar, tinha muitas pessoas do lado de fora. Mulheres e rapazes com copos de plástico vermelho a mão, eles conversavam alegremente, muitos lançaram olhares curiosos quando passei. Entrando no apartamento com a porta escancarada me senti de imediato deslocada, não frequentava muitas festas.

O lugar era espaçoso, não dava para ver muito do apartamento pela quantidade de gente que se espremiam e dançavam ao som da batida da música. Consegui identificar uma improvisação de bar no fundo. Fui até lá. Antes mesmo de chegar reconheci o cabelo cacheado de Thomas, meu coração se agitava no peito, um arzinho frio percorreu meu estômago, ignorei e coloquei um sorriso no rosto.

_O que está bebendo? – perguntei no pé do ouvido de Thomas. Ele se virou e apertou os olhos tentando me reconhecer depois sorriu.

_Você veio. – saudou ele, falando alto para ser ouvido acima da barulheira.

_Você convidou, eu vim. – disse ainda sorrindo.

_Seu amigo do FBI ele... – ele olhou por cima do meu ombro.

_Não, fica tranquilo ele não vem. – Thomas pareceu aliviado. _Ele foi resolver um caso no outro lado da cidade, acho que achou quem está... – deixei a frase no ar como se não quisesse revelar nada sobre o caso. Thomas assentiu e me entregou um copo.

_Você está linda. – comentou me avaliando discretamente. Sorri o mais sedutora possível. _Me conta, Rachel não é? O que uma garota como você faz com os rabugentos do FBI? – perguntou ele casualmente como se quisesse puxar assunto. Disfarcei para não demonstrar a estranheza daquilo tudo.

Os minutos se passaram e dei a Thomas os detalhes da minha vida fictícia, ele agia com naturalidade e se permitiu até a umas cantadas, contou sobre o curso que estava fazendo e seus planos. Estava confusa, esperava algum comportamento estranho, mas nada aconteceu. Ele parecia interessado no que eu falava, e quando escutava permanecia com os olhos grudados no meu, sem nenhum sinal de desconfiança. Verifiquei a hora no celular. Estava na hora da segunda parte do plano.

Dean adentrou o apartamento, Thomas ficou tenso. Dean se aproximou e me puxou pelo braço não para muito longe. Thomas se levantou do banco onde estava e ficou sem ação.

_O que você está fazendo aqui? – perguntou Dean, interpretando sua parte. Tinha ferocidade quase genuína em sua voz.

_Disse para você que viria. – devolvi no mesmo tom tentando parecer o mais natural possível. Olhei para Thomas, parecia nervoso, colocou a mãos no bolso observando a cena. Sorri para ele como se pedisse desculpa.

_Estamos num caso! – disse Dean entre dentes. Sua voz estava elevada, só assim poderia ouvi-lo.

_Esse é seu caso, não meu, eu preciso me divertir um pouco, não sou sua prisioneira.

_Pessoas estão morrendo aqui, e eu acho que sei quem está fazendo isso – uau ele era bom ator. _Vem comigo. – acrescentou um pouco mais baixo, e olhou em volta como se tivesse medo que alguém poderia ouvir, Thomas desviou o olhar.

_Não Dean, não vou sair daqui, vai lá mata o mostro ou sei lá o que, mas me deixa em paz! – praticamente gritei. Algumas pessoas olharam para nós. Afastei-me de Dean e fui até Thomas. Dean foi atrás parou diante de nós e nos lançou um olhar furioso, saiu pisando firme. Thomas soltar o ar que prendia.

_O que foi isso? Achei que ele ia acabar com a festa. – comentou Thomas. Já não tinha certeza se ele era mesmo o brincalhão.

Conversamos por mais alguns minutos, ele me disse que o apartamento era de um amigo que estava viajando.

_O que você acha de subir um pouco. – pousei a mão discretamente em seu joelho. Ele sorriu, sorri de volta.

Saímos e fomos para o corredor. Queria voltar atrás, não era ele, não poderia ser ele o brincalhão, porém Dean me assegurou que era e todas as setas apontavam para Thomas.

Ele tirou a chave do bolso e abriu a porta do quarto, entramos dispensando os olhares maliciosos das pessoas. O quarto era sofisticado e simples, a janela grande estava escancarada como já sabia, a Tv ligada.

_Devo ter esquecido de desligar – disse ele pegando o controle. Algo me chamou a atenção. Coloquei a mão em seu braço impedindo que ele desligasse.

Aproximei-me do visor para ver melhor do que se tratava. ... Todos os policias foram encontrados mortos, mutilados, a policia federal acredita que foi ataque de um animal selvagem. Mostramos agora a imagem que a câmera da delegacia captou. Disse a mulher do noticiário. Uma imagem trêmula em preto e branco do interior da delegacia preencheu a tela. Nela policias corriam, um deles parou e atirou, entrou em foco uma massa negra, apertei os olhos para ver melhor, parecia um imenso lobo. O animal atacou um policial olhou para a câmera. Tinha um brilho vermelho em seus olhos, como pedras rubis incrustadas em carvão. No instante seguinte o lobo saltou para lente deixando só estatística. A mulher que anunciou a noticia voltou a parecer.

Tentei entender o que significava aquilo, talvez fosse à inocência de Thomas. Olhei para ele e sem pensar muito o empurrei, com o ataque surpresa ele caiu. A estaca que entrou pela janela atingiu a televisão, faíscas voaram do visor agora com imensas rachaduras. Recuperava o fôlego. Por poucos milésimos de segundos uma pessoa, talvez inocente fosse morta. Thomas me encarava com olhos arregalados.

_O que diabos foi isso? – perguntou histérico. Olhei para o volume no lençol da cama, onde Dean tinha deixado à estaca que eu usaria para matar o brincalhão.

_Por que tem tanto doce na sua casa? – perguntei tentando extrair alguma coisa dele que me olhou como se de repente eu começasse a falar mandarim.

_O que? – perguntou ele atônico. Tirei a arma que trazia na bolsa e apontei para ele que se encolheu.

_Responda! – gritei com a voz firme.

_Eu tenho baixo nível de glicose. – respondeu ele em tom trêmulo, estava muito assustado.

_Você tem um lenço com as iniciais C.P?

_Como sabe disso?

_Tem ou não? – perguntei destravando a arma na mão.

_Tenho, era do meu avô, Christopher Colin Pearson. Por favor, não atire. – implorou. Após avaliar a situação coloquei a arma de volta a bolsa. Não era Thomas.

_Me desculpa. – disse com constrangimento na voz. Sair porta a fora.

Desci correndo a escada e peguei o celular da bolsa. A empurrões consegui sair do apartamento. Liguei para Dean.

Thomas não era o brincalhão e o que vi na Tv podia ser a causa das mortes bizarras. Dean atendeu no primeiro toque.

_O que foi aquilo? – perguntou do outro lado da linha. Podia sentir a confusão na sua voz.

_Dean? Espera! Não estou ouvindo nada, espera eu descer. – desliguei. Peguei o elevador e sair correndo do prédio quase tropeçando nos saltos. O celular vibrou, era Dean, atendi.

_Não era Thomas, é outra coisa. – atravessei correndo a rua do prédio para chegar ao outro.

_O quê? como assim? – perguntou Dean.

_Dean, desce e eu explico. – desliguei o celular. Alguém esbarrou em mim, um homem barbudo, provavelmente um morador de rua, notei pelas vestimenta. Estava tão afoita que não percebi na hora que o homem barbudo parecia familiar. Olhei para trás, o barbudo olhou também, ele sorriu, uma boca com faltas de dentes, seus olhos cintilaram um brilho avermelhado e então ele sumiu virando a esquina.

Fiquei parada na calçada deserta, não sabendo o que faria a seguir. O brilho avermelhado nos olhos do barbudo era o mesmo do lobo da Tv, o sorriso desdentado era o mesmo do presidiário que vi mais cedo na delegacia. Senti uma mão forte pousar no meu ombro, pulei com um grito, dei meia volta. Era Dean, meu coração voltou a seu lugar.

_Você pode explicar que droga foi aquela? Eu poderia ter matado você. – perguntou ele alarmado, ainda tinha a besta na mão. Expliquei de forma clara o que tinha visto no noticiário, acrescentei meu encontro com o barbudo há pouco e também as explicações de Thomas.

_Um lobo... – refletiu Dean, era quase possível ver as engrenagens da sua cabeça a todo vapor. Dean começou a andar depressa, praticamente corri para acompanha-lo, só agora sentia o tornozelo reclamando.

Chegamos ao Impala estacionado numa ruazinha deserta. Não tinha prédios nem casas só enormes galpões e uma construção mais a frente. Estava bem escuro, não tinha poste de luz por perto, contávamos somente com a luz da lua. Aproveitando que paramos tirei as sandálias, não me importando em ficar descalça, senti de imediato o alivio no tornozelo.

Dean abriu a porta do carro jogou no banco a besta e tirou do porta luvas um pequeno livro — o mesmo que estava lendo antes — e uma lanterna, ele o folheou e parou para ler uma página a iluminando com o facho da lanterna.

_Aqui. – disse me mostrando o livro. _ “Fenrir, um dos filhos de loki, é descrito como um grande lobo. Ele causa confusão e devastação por onde passa, e também é acusado por devorar Odin.” – citou parte do livro.

_Vejo que não preciso me apresentar. – uma voz grossa cortou a noite. Viramos. O barbudo em pé na escuridão. Dean deu um passo se colocando a minha frente.

A face e o corpo do barbudo se contorceram, se redimensionando, suas vestes se dissolvendo em nada, era assustador e impressionante. Ele tinha tomado à forma de um homem mais jovem, vestia só uma calça social preta e sapatos lustrosos. Exibia o peitoral e abdomen bem definidos, seu rosto muito belo. Os olhos se destacavam com a íris de um vermelho escuro que cintilava. A pele cor de porcelana e o cabelo tão negro quanto o asfalto. _Bem melhor, não acha? – perguntou diretamente para mim. Fiquei muda estava encantada com sua beleza feroz.

_Não ouviu falar em camisa? – perguntou Dean. Sua tentativa de piada soou hesitante e cautelosa. O homem sorriu, exibindo dentes brancos e perfeitos.

_Dean! – saudou. _Ouvi muito falar de você. É realmente um prazer poder finalmente conhecê-lo. – o homem usou em cada palavra um tom cortês. Dean sorriu. A tensão era grande. Meu coração martelava e minha cabeça buscava desesperadamente uma saída.

_Desculpa decepciona parceiro, mas não jogo nesse time. – o homem gargalhou uma gargalhada grave que fez um calafrio percorrer meu corpo.

_Posso ver. Que bela jóia tem ai. – disse ele me secando indiscretamente. Senti meu corpo tremer de pavor.

_Papai sabe o que anda aprontando? – perguntou Dean com os punhos cerrados ao lado do corpo.

_Meu pai? Não, imagina. Digamos que nossa última reunião familiar não foi muito agradável – respondeu Fenrir com a fala calma e casual. _Como você pode ter notado tentei seguir o estilo do pai, mas aqui entre nós me divirto muito mais fazendo da minha maneira.

_Esquartejando pessoas inocentes, há é isso é muito divertido. – disse Dean furioso sacando a arma. Fenrir levantou as mãos em sinal de rendição.

_Calma Dean, estamos só conversando... – Dean não esperou. Sacou a arma e atirou. Calma era algo que passou longe dele nesse momento. Fenrir desviou num movimento tão rápido que foi quase imperceptível, a bala atingiu a parede atrás dele. _Se você quer assim... – o corpo de Fenrir estava se contorcendo mais uma vez, se tornando maior, unhas afiadas saltaram dos seus dedos em transição do humano para o animal, ele se curvou, sua coluna vertebral esticando de forma humanamente impossível, poderia se ver os ossos se moverem sob a pele. Seu rosto tomou uma forma felina.

_Vamos! – ordenou Dean, não esperando para ver o resto da transformação corremos. Meu tornozelo doía toda vez que pisava no chão, senti as pedras e umidade do solo sob meus pés. Olhando para trás vi um lobo duas vezes maior do que o tamanho natural do animal, seu pelo negro reluzia a luz prateada da lua. Ele mostrou seus dentes enormes e afiados, parecia até um sorriso.

Dean me pegou pelo braço e me empurrou para o terreno em construção, entramos na completa penumbra. O local estava cercado com andaimes e cortinas de plástico branco, que se agitava na brisa fria como fantasmas. Nos jogamos no chão atrás de uma estrutura de madeira.

_Me diz que sabe como matar aquela coisa. – disse baixinho com a respiração entre cortada. Não podia enxergar muito bem o rosto de Dean.

_Eu não faço ideia.

_O que faremos agora? – perguntei tentando não ficar desesperada.

_Schhh – sibilou Dean. Fiquei quieta e atenta. Só ouvia o ruído provocado pelo vento, depois um som novo; uma respiração pesada e passos. Ele estava perto. Fiquei imóvel. Os passos de múltiplas patas ressoaram por todo o local. Fenrir estava se afastando as passadas soando distantes. Arriscamos dar uma olhada. Nem sinal do lobo. Dean se levantou, levantei junto.

_Não, você fica – sussurrou Dean bem baixo. _Pegue sua arma, eu já volto. – Balancei a cabeça negativamente, não queria ficar ali sozinha com um lobo assassino a solta.

_Não, eu vou... – Dean segurou meu rosto com as mãos e pressionou seus lábios contra o meu me calando.

_Eu já volto. – sussurrou.

Observei ele se afastar cautelosamente por entre os andaimes e cortinas de plástico. Seu beijo funcionou como um tranquilizante, uma promessa de que ele não deixaria nada de mal acontecer comigo. Voltei a sentar, mais tranquila, porém com coração ainda batendo forte no peito. Peguei minha arma e verifiquei se estava carregada. O silêncio era absoluto e os segundos se arrastavam. Olhei por trás da estrutura, nem sinal do lobo nem de Dean.

Virando o rosto um grito escapou da minha boca quando dei de cara com Fenrir. O coração parecia que parou e depois voltou em batidas aceleradas. Apontei a arma para ele que num movimento rápido de mão a jogou para fora de alcance.

Fenrir estava muito próximo, um sorriso sinistro enfeitava seu rosto. Encolhi-me ficando colada na parede de madeira, ele agachado, dobrei os joelhos para que não chegasse mais perto. Ele se apoiou em um joelho e formou uma barreira a minha volta com os braços torneados se apoiando na parede atrás de mim.

_Você é a garota de que tanto falam. – disse Fenrir, uma afirmação não uma pergunta, sua voz era como um sussurro rouco.

_Não sei do está falando. – tentei não deixar transparecer o medo na voz. Seu sorriso se alargou. Ele ponderou.

_Você não sabe, não é?

_E você, sabe? – dessa vez soei mais firme atiçada pela curiosidade e a vontade de saber mais sobre o que ele dizia.

_Apesar da aparência eu vivi em muitos e muitos tempos, ouvir coisas, contei coisas, vi coisas. Sou muito bem informado, e bom... você tem sido o assunto do momento. – Seus olhos vermelhos me avaliavam de um jeito curioso. Seu rosto numa proximidade que não queria.

Uma sombra se precipitou atrás dele; Dean com uma estaca de madeira em mãos. Fenrir não percebeu o movimento, tinha que mantê-lo distraído. Passei a mão pelo lateral do seu rosto deixando os dedos desaparecer no seu cabelo negro, ele tinha o olha fixo no meu, deixei meu rosto bem mais próximo do dele, encostei os lábios em seu ouvido.

_O que sabe sobre mim? – perguntei num sussurro. Senti Fenrir inspirar na minha nuca, seus dedos agarraram meu cabelo.

_Posso mostrar a você. – sussurrou beijando meu pescoço passando as pontas dos dedos na minha coxa completamente desnuda. O vestido tinha subido dando uma visão privilegiada a ele. Não queria, mas fiquei arrepiada a seu toque. Ele era perigosamente sexy e isso assustava e atraia ao mesmo tempo. Olhei para Dean pedindo que fosse rápido, queria me afastar de Fenrir.

Dean puxou Fenrir pelo cabelo e enterrou a estaca na lateral esquerda de seu corpo atingindo o coração. Sangue brotou e escorreu do seu peito como tinta jogada numa tela branca. Levantei depressa e puxei a barra do vestido. O corpo de Fenrir se contorceu, ele arrancou a estaca, o sangue formando uma poça no chão. E então Fenrir começou a gargalhar. Olhei para Dean surpresa e constatei que ele parecia tão surpreso quanto eu.

_Eu não sou meu pai. – ele rolou no chão e respirou fundo pronto para ficar de pé.

_Isso foi revigorante – disse Fenrir se levantado e sacudindo o corpo. Sua ferida estava cicatrizando. _E Dean é melhor tomar cuidado com ela, ou pode acabar sendo apunhalado pelas costas. – seu olhar estava preso em mim.

_Não se ofenda querido, não é você sou eu. – disse armando um sorriso convencido, ele sorriu de volta.

_Gosto de garotas atrevidas como você. – rebateu Fenrir ainda com a atenção em mim.

_Você não faz meu tipo. – seu sorriso se alargou.

_Assim você parte meu coração. – retrucou Fenrir. Sobressaltei-me com o som de um disparo. Dean havia disparado para o alto atraindo toda a atenção para si.

_Acabaram com DR? – vociferou. Fenrir se voltou para ele, Dean o encarou com um olhar assassino.

_Não sabia que era tão ciumento Dean. – Fenrir tinha um ar divertido na voz.

Os fachos de luz prateada da lua escapando belas brechas da telha permitiu que eu notasse um brilho metálico bem perto. A estrutura de madeira era na verdade uma imensa caixa de ferramentas. Dentro pés de cabras, alicates, pás, entre outras coisas, o que realmente me chamou a atenção foi um machado. Dean viu o que eu olhava e me lançou um olhar significativo, ou pelo menos foi isso o que pareceu a pouca luz.

_Por que não voltamos de onde parei, eu tentando matar você. Vamos me mostra o que tem ai além de esteroides. – sugeriu Dean carregado de desafio na voz. Aproveitei para pegar o machado com cuidado para não fazer barulho.

_Podemos fazer assim, se eu ganhar fico com a garota e se você ganhar... – o impacto da lâmina atingindo seu pescoço fez o machado vibrar e logo passar por ele. A ferramenta quase voou da minha mão com a força que apliquei. A cabeça de Fenrir faz um arco no ar antes de cair, meio segundo depois o corpo foi ao chão.

Olhei para Dean, ele tinha uma expressão que não conseguir definir. Seu sorriso foi como uma luz se acendendo em seu rosto.

_Uau, isso definitivamente foi muito sexy. – disse ele deixando escapar um assobio. Joguei para o lado o machado. Sai de perto do corpo de Fenrir para não sujar meus pés com seu sangue.

_Eu disse que ele não era meu tipo. – sorri vitoriosa. Aquilo me deixou um pouco eufórica, a adrenalina corria solta pelas minhas veias. Nunca tinha matado alguém de fato, ou nesse caso uma criatura. Uma sensação boa de confiança se alastrou dentro de mim, talvez fosse parecido com o que uma mulher sente ao usar uma roupa bonita ou um sapato da moda, aquela sensação de se sentir poderosa.

_ Esse perdeu completamente a cabeça por você. – disse Dean com um sorriso maroto no rosto.

_Essa foi péssima. – comentei.

_Ele literalmente perdeu a cabeça por você, essa é a graça. – tentou se justificar.

_É uma piada óbvia, você consegue fazer melhor. – ele apenas sorriu.

_Parabéns esse foi seu primeiro monstro. Temos que comemorar. – anunciou Dean enquanto envolvia a cabeça de Fenrir com plástico, fez o mesmo com o corpo.

_Tem noção do quão isso é doentio? – perguntei não conseguindo conter um sorriso.

_Se serve de consolo essa coisa não era uma pessoa. – disse Dean colocando o embrulho do corpo mutilado de Fenrir juntos.

_Vamos pegar alguma coisa inflamável no carro;

Instantes depois voltamos com um galão de gasolina na mão e minha sandália na outra. Apoiei na caixa de ferramentas para coloca-la, quando terminei Dean já ateava fogo no corpo.

Ficamos ali por um tempo observando o fogo lamber o corpo de Fenrir. Passava de uma da manhã, não estava nem um pouco cansada, pelo contrário.

O fogo já estava se dissipando.

_Você me usou como isca. – falei, distraída com as últimas chamas douradas e azuladas que teimavam em resistir. Dean olhou de relance para mim e deu de ombros. _Sabia que assim que se afastasse Fenrir iria atrás de mim ou de você. Arriscou minha vida num palpite de que ele pudesse não querer me matar.

_A ideia de ser a isca foi sua. Eu sabia que ele não ia matar você. Na verdade eu não cheguei me afastar. – afirmou Dean tranquilo. Não disse mais nada para não criar caso, apenas dei de ombros. Foi ariscado o que ele fez, mas funcionou e isso que importava.

...

Depois de um tempo dirigindo o Impala parou numa loja de bebidas. Dean entrou e saiu de lá com uma sacola na mão.

_O que tem aí? – perguntei quando ele estava de volta ao carro, ele tirou de lá duas garrafas de uísque e um pequeno engradado de cerveja.

_Ficar bêbado é sua ideia de comemorar? – ergui uma sobrancelha.

_Tem sido uma semana estranha, merecemos isso. – disse Dean com divertimento.

Chegamos ao hotel. Ia entrar no meu quarto quando Dean me puxou para o dele.

_Comemoração, lembra? – balançou a sacola fazendo as garrafas tilintarem. Entrei no quarto e fui à direção do banheiro, parei com a mão na maçaneta, olhei para Dean que tirava a sua costumeira jaqueta e depois a camisa xadrez, colocou as peças na cabeceira da cama ficando só de jeans e camisa preta.

_Quando eu abri essa porta não vou encontrar nenhuma garçonete ou estrela pornô, ou vou? – alfinetei. Dean olhou para mim com um sorriso sacana.

_Não que me lembre. – disse ele quando abri a porta. Dentro lavei meus pés na banheira e sequei com uma toalha. Quando voltei Dean tinha dois copos cheios na mão, me entregou um deles, hesitei um pouco.

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_Já é maior de idade! – incentivou Dean dando um gole no seu. _É maior de idade, não é? – perguntou desconfiado.

_Em alguns estados... – dei um gole na bebida, fiz uma careta com o gosto amargo e forte, Dean ainda me olhava com desconfiança.

_Quantos anos você tem? – ele quis saber.

_21 e na contagem aos 22, faltam oito dias. – lhe disse dando outro gole, ele fez o mesmo. Era surpreendente o quanto sabíamos um do outro, mas não fazíamos ideia das informações mais simples. _E você?

_Sou um pouco mais velho. – falou em tom hesitante. Bebeu mais e foi até o radio, mexeu até encontrar uma estação que o agrade.

Depois do terceiro copo a radio tinha começado a tocar Satisfaction do Rolling Stones.

Na cama nos encostamos à cabeceira e cantamos a musica. Eu fazendo a segunda voz cantando junto o refrão. Nossas vozes afetadas pela bebida se unindo num coro desconcertado. Não sabíamos onde um terminava e outro começava, simplesmente íamos cantando como dois adolescentes.

Terminamos a musica com uma risada curta. Ele bateu seu copo no meu em sinal de brinde.

_Para uma pirralha até que você não foi nada mal hoje.

_Para um coroa até que você é rápido. – retruquei abrindo um sorriso.

Na madrugada adentro se foram risadas abobadas e copos de uísque. O nível de álcool que corria nas minhas veias estava alto me deixando mais solta e elétrica. Sem preocupação alguma, coisa que não sentia há meses. Levantei da cama e troquei a estação. Aumentei o volume quando ouvir a voz aguda do Adam Levine, a música era Harder To Breathe.

_Adoro essa música! – deixei o ritmo tomar conta do meu corpo.

_Que droga é essa? – resmungou Dean fazendo uma careta.

Dancei fazendo movimentos sinuosos enquanto cantava baixinho. Dean observava a cena com um misto de excitação e recusa no olhar. Dancei mais provocante para atiça-lo, sem preocupação alguma de parecer ridícula.

Dean levantou para reabastecer seu copo o parei no meio do caminho para cama, estendi meu copo vazio.

_Acho que não é uma boa ideia, você já bebeu demais. – ele afastou a garrafa de mim, fiz bico para ele. Na ponta dos pés beijei de leve seu pescoço.

_O que está fazendo? – perguntou não se preocupando em me afastar. O álcool desencadeou um desejo reprimido. Queria Dean e não via problema em mostrar isso.

_Tentando beijar você, idiota.

_Você está bêbada.

_Você também.

A resistência de Dean não ia durar muito tempo, beijei seu pescoço com mais vontade, ele deixou escapar um gemido baixo.

Ele esticou o braço e colocou a garrafa na mesinha perto, logo envolveu minha cintura e me olhou por um instante. Seu olhar intenso que fazia algo queimar dentro de mim. Me destruía e me desarmava.

Num ímpeto ele beijou minha boca de forma desesperada, feroz, descendo a mão da minha cintura apertando meu bumbum contra si. Pude sentir o quanto ele me desejava e isso era tão bom.

Nos afastamos apenas para tirar a camisa de Dean, levantei os braços e com um movimento rápido meu vestido foi arrancado e jogado num canto do quarto. Agora estava só de lingerie, isso diminuía um pouco a vontade que eu tinha e ter minha pele em total contato com a dele.

Dean me devorou com os olhos escurecidos pelo desejo e vontade e só então voltou a tratar minha boca com a sua. Pulei enlaçando minhas pernas na sua cintura. Ele sentou na beira da cama com nossas bocas e corpos ainda grudados, desceu os lábios para meu pescoço traçando com beijos a área, afastou meu cabelo para que tivesse livre acesso. Deixei um gemido escapar da garganta com a pressão dos seus lábios.

Empurrei seu ombro o deitando na cama, percorri com beijos toda extensão do seu abdomen subindo chegando à boca. Era maravilhoso ver o que isso proporcionava a Dean, ele estava com os olhos fechados e ocasionalmente deixava um gemido escapar. Ergui o corpo e tentei desatar a armadilha que era a fivela do seu cinto, ele riu do meu esforço e me puxou invertendo nossa posição ficando ajoelhado com as pernas entre as minhas desabotoando a fivela com facilidade. O puxei de voltar não querendo ficar nem um segundo sem seu toque, sua pele na minha me fazia arder.

Estávamos perdendo o fôlego, mas não queria parar. Arranhei as costas de Dean com as unhas não me controlando de excitação, ele grunhiu. Suas mãos frenéticas me apertavam e apalpava passando pelas minhas coxas e cintura. Sua boca explorava a minha com a língua. O empurrei para inverter novamente a posição, não calculei direito a extensão da cama. Dean caiu com um baque no vão entre a cama e a escrivaninha. Olhei para baixo.

_Você está bem? – perguntei preocupada, com a mão Dean puxou meu braço me fazendo cair por cima dele.

Demos risadas escandalosas não conseguindo nos conter sob o efeito do álcool. Saí de cima dele e deitei a seu lado ainda rindo. Depois de a euforia acalmar ele recomeçou o que ficou em aberto. Colocou-se em cima de mim ainda com um sorriso no rosto, eu estava sorrindo também.

_Garota, você está me deixando louco. – falou ele entre risos. Respondi com um beijo lento e demorado, o álcool se misturando nas nossas bocas. Ele enterrou o rosto no meu colo, no decote que o sutiã fazia.

Coloquei os dedos nos passadores da calça de Dean a baixando alguns centímetros, foi quando percebi uma mudança no cenário do quarto, um homem estava parado no meio do cômodo. Gritei percebendo um pouco tarde que se tratava de Castiel.

Dean ficou de joelhos me olhando surpreso.

_O que foi? Eu machuquei você? – perguntou e depois seguiu meu olhar. Castiel parecia desconcertado. Dean xingou baixinho.

_Desculpa, não queria atrapalhar. – disse Castiel tentando não olhar para eu e Dean seminus no chão do quarto.

_Você chegou numa péssima hora, sabia? É quatro da manhã. O que estar fazendo aqui? – perguntou Dean frustrado com a respiração ofegante. Levantou abotoando a calça novamente. Ergui-me ficando sentada tentando controlar meus batimentos. Senti uma tontura repentina e uma náusea ao levantar.

Não dava a mínima importância para o fato de está vestindo um par de lingeries pretas na frente de um anjo.

_Eu liguei, você me deu esse endereço. – Castiel era a calma em pessoa.

_É, eu disse que poderia aparecer pela manhã. Mas são quatro da manhã! Eu estou bêbado e estava no meio de... esquece, espero que seja algo muito importante, Cass. – Dean deu um longo suspiro.

Senti meu estômago revirar, corri para o banheiro. Me ajoelhei no chão, segurei o cabelo e expeli tudo que estava no meu estômago na privada.

Senti-me vazia depois disso, minha cabeça girava me deixando tonta, dei a descarga e levantei com dificuldade. Ouvia vozes abafadas vindas do quarto, não conseguia discernir o que eles diziam, mas também não me importava. Lavei o rosto e a boca na pia, liguei a torneira da banheira e sentei encostando a cabeça na estrutura fria. Passei as pontas dos dedos na água fazendo desenhos circulares e quando nem percebi apaguei.

...

Acordei enroscada no corpo de Dean, a primeira coisa que vi foi o desenho do pentagrama tatuado em seu peito. Metade do meu corpo estava em cima do dele, minha perna direita por cima da sua esquerda, seu braço em volta do meu ombro e os meus agarrando seu corpo. Contorci-me, com o esforço de uma contorcionista do Circo de Soleil, para poder sair da cama sem acorda-lo.

Minha cabeça parecia cheia de pedras, qualquer movimento faziam essas pedras chacoalharem e enviar dor a cada ponta do meu cérebro. Para completar a sensação nada agradável de mal estar. Por alguma razão o lado esquerdo do meu rosto estava dolorido. Apertei os olhos contra a claridade do quarto que me incomodavam. Vestia a camisa de Dean que funcionava como um vestido em mim. Fiquei feliz por constatar que não estava nua.

Olhei para Dean em busca de resposta, ele dormia a ponto de roncar. Em volta do quarto garrafas de bebidas vazias espalhadas para tudo quanto é canto e uma delas pela metade na escrivaninha. As lembranças da noite passada estavam bem anuviadas, não conseguia pensar com muita clareza.

Pulei na cama e tentei acordar Dean o balançando, ele resmungou sem abrir os olhos. Peguei um travesseiro e bati em seu rosto, bati mais algumas vezes até ele acordar de fato.

_O que é? – perguntou sonolento.

_Nós não... quero dizer eu e você, a gente... você sabe. – ele me encarou por uns instantes antes de responder, como se pensasse na resposta. Pelo visto não era só minha mente que estava ferrada.

_Não, não aconteceu nada. Você apagou no chão do banheiro com a cabeça na beirada da banheira, e por sinal teria se afogado se eu não entrasse a tempo. – relatou Dean levantando, ele esticou os braços se espreguiçando, usava só uma cueca box preta. Apertei os braços em volta do corpo tentando resgatar o mínimo de dignidade que me restou.

Nunca tinha bebido tanto e pior foi ter me jogado nos braços de um homem daquele jeito. Imagens inundaram minha cabeça; O corpo de Dean colado no meu, suas mãos viajando de forma indecente, o beijo extremamente excitante...

_Tudo bem? – perguntou Dean com o cenho franzido, pega de surpresa pela sua aproximação repentina dei um passo para trás, meu pé deslizou por uma superfície redonda, Dean me segurou intercetando minha queda. _Calminha ai parceira. – um sorriso estranho estava estampado no seu rosto, bufei e me livrei do seu braço.

_Preciso voltar para meu quarto. – tentei não soar desconfortável com a situação. Dean parecia se divertir com tudo aquilo.

_Eu trouxe sua mala para cá. – ele apontou para o canto do chão ao lado da cama, minha mala estava lá. Fui até o canto sentindo cada passo meu sendo estudado por ele.

Da mala tirei um suéter largo azul marinho, uma lingerie limpa e confortável, meia calça que fazia par com o short jeans.

Passei como raio por Dean que me fez parar no meio do caminho.

_Preciso da minha camisa. – disse ele estendo a mão para mim. Fiquei parada no meio do quarto decidindo o que faria a respeito sobre o que aconteceu na noite passada, ele provavelmente esperava que eu ficasse sem graça ou desse um ataque. Decidi entrar no seu jogo. Entreguei-lhe minhas roupas e tirei sua camisa devagar sem desgrudar meus olhos do dele. Ele arfou, peguei minhas coisas de volta e caminhei lentamente até o banheiro só de langerie. Mesmo de costas podia saber que ele estava sorrindo.

Olhando no espelho estremeci com minha imagem refletida. A maquiagem preta escorreu pelas extremidades dos olhos, meu cabelo parecia um ninho de rato. Liguei o chuveiro e entrei na água fria tentando amenizar a dor de cabeça.

Minutos depois estávamos no Impala decidindo nossa próxima parada.

_Sobre o que aconteceu... – ele iniciou a inevitável conversar, o cortei.

_Não acredito que quase transei com você, sem nem a menos ter me pagado um jantar. – estava tentando manter o bom humor. Apesar de tudo a noite passada foi divertida. Ele olhou intrigado para mim e depois sorriu vendo minha expressão leve e sorridente.

Tinha tomado um remédio para dor de cabeça que felizmente estava surtindo efeito. O tempo estava nublado e mesmo assim coloquei óculos de sol para camuflar a pouca claridade que queimava meus olhos.

_E essa foi à segunda vez, estou começando a ficar preocupado, isso está virando assedio sexual. – disse Dean com um sorriso convencido. Não pude deixar de rir.

_Não me lembro da primeira vez. – vasculhei a memoria tentando lembrar essa primeira vez.

_Quando nos conhecemos, no bar, fomos para o estacionamento, o que achou que íamos fazer? – ele sorriu travesso.

_Sei lá, conversar sobre politica ou o preço absurdo da gasolina? – ele riu. _Você não ia nem me levar para um hotel? – perguntei fingindo indignação.

_O banco ai de trás é bem confortável. – ele apontou com o polegar atrás de si. Dei um tapa amigável no seu braço.

_Dean Winchester sempre um gentleman. – um sorriso bobo estampado nos nossos rostos.

Nossa amizade tinha atingido novas proporções, tinha aberto uma brecha na minha barreira e Dean estava tirando proveito disso. Minha cabeça estava muita confusa, não sabia se isso era bom ou ruim, minha melhor opção seria deixar rolar e ver no que isso daria.

_O que Castiel queria? – perguntei lembrando o motivo de não ter ido adiante à minha loucura, o que foi bom já que o risco de me arrepender no dia seguinte era enorme.

_Nada demais. – percebi uma mudança no seu humor.

_Qual é Dean, ele não apareceu só para te dar um beijo de boa noite. – disse irritada por ele ainda tentar me esconder às coisas.

_Ele disse que as coisas estão complicadas lá em cima. – estava tenso. Esperei até ele falar mais alguma coisa. Nada veio.

_Dean! – disse tentando arrancar mais informações dele.

_Os anjos estão ficando nervosos. Eles querem você, querem saber o que você é.

_Ótimo, anos atrás eu achava que era a garota mais sem graça do mundo agora eu tenho anjos na minha cola.

Estava cansada de se referirem a mim sem nem saber meu papel. Não sabia o que era e nem a que propósito serviria. Fenrir talvez tivesse as respostas, mas ele está morto agora. Quem mais poderia desvendar os enigmas da minha vida? Quanto mais o tempo passava mais perto do perigo ficava e mais longe das respostas. Até quando isso duraria? Conseguiria sobreviver para descobrir?

Notas finais
Gostaram? Preciso saber se estão gostando, deixem seus reviews, é indolor e deixa a autora muito feliz =D Até a próxima pessoal. XOXO