POV EMILY

Depois da ligação da Alison eu dirigi feito uma louca pelas ruas de Rosewood. Nem sei quantas infrações de trânsito eu cometi, mas não importa. Alison estava sozinha, no escuro, e apavorada. E a cada segundo que passava, eu ficava mais apreensiva.

12 minutos depois de encerrar a chamada, eu finalmente estava de pé, na porta de sua casa. Numa cena digna de filme a porta se abriu, revelando uma garota assustada... chorando copiosamente. E num piscar de olhos, ela simplesmente desabou em meus braços desacordada.

Com certa dificuldade consegui deitá-la no sofá da sala. Estava escuro e agradeci por não ter tropeçado em nada. Voltei até a porta para trancá-la e fui na direção da cozinha em busca de lanternas e velas. Aproveitei e tirei minha jaqueta, que por sinal estava ensopada.

Depois de um tempo consegui encontrar apenas uma vela de aniversário no fundo de uma gaveta... era rosa e tinha o formato do número 6. Acendi a vela e retornei até a sala. A chuva ficava cada vez mais forte e os relâmpagos cada vez mais frequentes.

Sentei no braço do sofá e fiquei observando a Alison... deitada de barriga pra cima, com as mãos na altura do peito. Achei aquilo meio mórbido, então tratei de desvencilhar suas mãos. Ela mesma depois colocou uma na altura do estômago, e a outra ao lado do corpo.


Quando dei por mim já estava acariciando seus cabelos. Ela parecia tão frágil, tão indefesa... tão ferida. Ela silenciosamente implorava por cuidados, por carinho. Só que parecia que ela mesma havia bloqueado isso, como se acreditasse que ela não merecia receber amor das pessoas.

Passei a mão levemente no seu rosto e notei que sua pele estava muito fria. Subi as escadas procurando o quarto da Alison e presumi que fosse o último do corredor, já que a porta estava aberta. Entrei, peguei o edredom em cima da Cama e desci rapidamente.

Coloquei o edredom sobre seu corpo com o maior cuidado do mundo, e soltei um longo suspiro vendo-a tão indefesa. Acabei não resistindo e sentei na ponta do sofá colocando sua cabeça no meu colo, e de novo acariciando seus cabelos.

Os minutos se passavam e eu não tinha certeza se deveria acordá-la. Ela finalmente parecia dormir tranquilamente, e eu estava com receio dela surtar quando acordar e me ver aqui dentro da sua casa. Porque tecnicamente eu não fui convidada para entrar... e pior, estou sendo seu ‘travesseiro’ e lhe fazendo cafuné. Mas ela parece tão à vontade que eu deixei isso pra lá.

O som de um celular tocando cortou o silêncio, e eu sabia que só podia ser o de Alison.
Tentei me levantar, com cuidado pra não acordá-la, mas ela se mexeu bruscamente.
Meu coração parou.


Fiquei esperando ela abrir os olhos, mas tudo o que ela fez foi se virar para o lado e aconchegar no meu corpo, passando os braços ao redor da minha cintura. Não pude deixar de sorrir com sua ação completamente inesperada.

Depois de chamar mais 3 vezes, o celular finalmente parou. O que me fez lembrar que meu pai deveria estar preocupado comigo, já que eu tinha avisado que sairia apenas pra comprar algumas coisas no supermercado. Bem... isso foi há duas horas.

Tirei o celular do bolso, e enviei uma mensagem pra ele, dizendo que eu tive um imprevisto e iria demorar, mas que ele não se preocupasse pois estava tudo bem. Mr. Wayne, como eu o chamo às vezes está longe de ser aqueles pais autoritários que criam os filhos em bolhas. Ele é super liberal e compreensivo comigo e com meus irmãos. Até um certo ponto, claro.

Numa ação sincronizada, as luzes se acendem e a porta da cozinha foi aberta.
Os pais da Alison chegaram! Não me levantei, pois sabia que se o fizesse iria acordar a Alison, e agora definitivamente não é uma boa hora de ela despertar. Continuei sentada, na mesma posição, tentando não entrar em pânico, mas seus pais provavelmente entrariam.

Xx: SANTO CRITO! Quem é você? O que faz aqui? – uma senhora fala assustada com a mão no peito. Provavelmente a mãe de Alison.

Um homem chega na sala logo atrás dela. Ele estava com uma criança no colo, não deu pra ver direito mas acho que ela estava dormindo.

Emily: Meu nome é Emily, conheci a Alison no grupo de apoio, eu sou voluntária lá. – a expressão de ambos suavizou um pouco, mas continuavam preocupados.

Xx: Emily, este é Byron e eu sou Ella. – assenti com a cabeça.

Byron: Eu vou levar a Aria até o quarto, já volto. – disse o homem saindo rapidamente

Ella: E como você veio parar aqui? – sentou-se no outro sofá.

Emily: A Alison me ligou mais cedo, estava assustada... chorando. – Sua expressão não era de surpresa. Então esses pequenos surtos da Alison devem ser frequentes. – No meio da ligação houve um blecaute, e ela parecia muito transtornada, então eu pedi seu endereço e vim até aqui.

Nesse momento o homem chegou na sala e sentou ao lado dela, com uma cara extremamente curiosa.

Ella: Como ela está? Ela está bem?

Emily: Então... assim que eu cheguei ela meio que apagou. Está dormindo aqui desde então. Mas ela me parece bem. – tentei tranquilizá-los.

A mãe de Alison se levantou e veio na minha direção, tentando ver seu rosto que estava praticamente enterrado no meu abdômen. O clima ficou estranho, nenhum dos dois falava nada, e eu não sabia o que falar... então foi a minha deixa.

Emily: Acho melhor eu ir embora.

Mais uma vez movimentei-me para tirar a Alison do meu colo, apoiando as duas mãos no sofá e levantando o tronco devagar. Mas de repente suas mãos, que ainda estavam ao redor da minha cintura, começam a puxar minha camiseta, me forçando a sentar novamente.

Seus pais assistiram à cena incrédulos.

Olhei pra mãe de Alison, que encarava as mãos da filha me apertando e fiz uma cara tipo: “E agora?’’

Notas finais
Espero que tenham gostado XOXO