Broken - Emison
33 Capítulo 33
POV EMILY
Odeio despedidas.
Odeio despedidas em filmes, séries, livros... odeio em toda e qualquer história. Agora sabendo disso, imaginem como eu estou me sentindo agora, vendo minha irmãzinha partir num avião, rumo à Itália... ficando lá por quase cinco meses.
Se eu estou um lixo emocionalmente?
Sim. Eu estou.
Emily: Eu não acredito que você está indo embora. Não, não vai. – choraminguei
Carolyn: Ei! Não seja dramática... O que são cinco meses? – deu de ombros.
Emily: MUITA COISA! – reclamei. – E o pior, você vai estar do outro lado do mundo. Não é como se você estivesse aqui na cidade vizinha. – suspirei.
Carolyn: Ah Emmy... desculpa. – me puxou pra um abraço. – Eu também vou sentir muito a sua falta, acredite. – afagou meus cabelos. – Mas você vai ver... num instante eu estarei de volta... prometo!
Emily: Assim espero. – sorri fraco
Carolyn: É sério... vai passar rapidinho. E mais agora que você tem a Alison... – piscou o olho.
Todos lá em casa já sabiam do meu namoro com a Alison. Lembro que a Carolyn quase me deixou surda com seu grito ao telefone.
Emily: Não vai ser tão difícil com a Ali ao meu lado, mas mesmo assim eu vou sentir sua falta. – completei.
…
Depois de vários abraços, recomendações e algumas lágrimas, Carolyn embarcou no avião rumo à Itália. Caminhamos lentamente até a saída do aeroporto, meu pai e Chris foram pra loja e eu pra faculdade. Hoje saía o resultado da primeira etapa da seleção e eu estava bastante tensa. Chegando ao campus, fui direto até a sala da coordenação, ver se a lista já havia sido divulgada. Pela quantidade de pessoas no local, percebi que o resultado tinha saído.
…
PROCESSO SELETIVO – DEPARTAMENTO DE FISIOTERAPIA
LISTA DE CLASSIFICADOS PARA A SEGUNDA FASE
ÁREA DE PESQUISA: (1 vaga)
Alexander Prescott
Damian Philipp Jones
Patricia Calderón
CLÍNICA ESCOLA: (1 vaga)
Gordon Hewitt
Claire Williams
Kimberly Eastwood
Johanna Saint
ÁREA DESPORTIVA: (1 vaga)
Kevin Mills
Christian Fernandez
Emily Rose Fields
Mary Jane Falcone
Jessica Walcott
Ian James Holt
– HOLY SHIT!!!!!!!!!
Admito que nem prestei atenção nos nomes restantes. Abri um enorme sorriso e quase caí no chão quando alguns colegas vieram me abraçar gritando ‘parabéns’ nos meus ouvidos. Gastei mais alguns minutos agradecendo as pessoas e parabenizando os outros que também passaram de fase, mas logo em seguida corri pro meu carro, precisava compartilhar dessa felicidade com a minha garota.
…
Batia freneticamente na porta da casa de Alison, sem nem me importar com quem estava em casa... estava feliz demais pra pensar em outra coisa. A porta se abriu e meu sorriso aumentou ainda mais. A imagem de Alison apareceu na minha frente, ela vestia um conjunto de moletom cinza, seus cabelos bagunçados e a carinha amassada denunciava que ela estava dormindo. Mas continuava a pessoa mais linda da face da terra.
Alison: Em, o que aconteceu? – resmungou coçando os olhos.
Emily: Ali... a prova... eu... passei! – falei pausadamente. – estou na segunda fase da seleção!
Alison abriu o maior sorriso do mundo, e literalmente pulou em meus braços, enchendo meu rosto de beijos.
Alison: Eu sabia, Em. Eu sabia que você iria conseguir! Parabéns! – disse animada.
Emily: Obrigada, meu amor. – beijei-lhe a testa. – Desculpe eu chegar assim de surpresa... e quase derrubar sua porta, mas eu queria que você fosse a primeira a saber. – me expliquei.
Alison: Não precisa se desculpar. Fiquei muito contente em saber da sua conquista, e ainda mais feliz pelo fato de você querer me contar primeiro. – fez uma pausa. – Estou muito orgulhosa. – me abraçou de novo.
Emily: Minha garota merece ser a primeira a saber. – acariciei seu rosto.
Alison: Sua garota? – sorriu de canto.
Emily: Sim, minha garota. – roubei um selinho.
Alison: Eu te amo.
Emily: Eu te amo mais.
Agora me digam... como não se apaixonar por uma pessoa assim? Eu sei... é impossível.
A cada dia que passava, Alison parecia cada vez mais segura e menos retraída… pelo menos com sua família. Seus pais pareciam cada vez mais contentes com os avanços da filha, mas mesmo assim eles pediram que ela fizesse pelo menos um curso fora de casa, para ajudar na sua socialização, mas Alison dizia que ainda não estava pronta, e eu não insisti.
Desde aquele dia não houve mais nenhuma menção aos ferimentos infligidos pela Alison a si mesma. Vendo-a quase todos os dias, eu pude constatar que não havia mais nenhuma marca em seus pulsos, o que me deixava tranquila. Claro que eu não havia esquecido de tudo, mas resolvi dar um tempo, já que minha Ali estava numa fase muito boa, e não merecia que eu retomasse esse assunto incômodo.
…
Passei o resto do dia na casa de Alison. Comentei sobre a viagem da Carol e expliquei como será próxima fase da seleção de estágio. Ela ouviu tudo com atenção e parecia bastante entretida e empolgada com o assunto, mesmo sem entender um terço do que eu estava falando.
…
Sábado chegou e fomos juntas ao grupo de apoio. Ninguém lá exceto meu pai sabia do meu namoro com a Alison... no máximo sabiam que nós éramos próximas. E pela Ali, eu prefiro que continue assim… pelo menos por enquanto.
…
Eu gostaria de saber como vivem as pessoas felizes, aquelas que não tem nenhum problema na vida. O que elas pensam, como atraíram essa condição para as suas vidas. Porque eu, do dia em que nasci até hoje, só vi tristeza, só vi problema. Há momentos felizes, conquistas... mas em seguida acabo perdendo tudo de novo. É difícil pensar em um porquê... não sinto que tenha feito algo para merecer isso… Eu sempre tive grandes expectativas… queria me tornar alguém, realizar todos os meus sonhos… que, pensando bem, não eram tão grandiosos assim: só queria ter um padrão de vida legal e uma família feliz. E hoje, vendo que mais uma vez, perdi tudo o que tinha e estou aqui sozinha diante da minha derrota, percebo o quão são vencedoras as pessoas “felizes”. Não culpo Deus, não culpo o Governo, não culpo a minha criação, não culpo nem a mim mesma. Vai ver, apenas era pra ser assim. A gente não controla essas coisas de destino… a única coisa que eu queria saber, era se realmente faço falta se for embora desse mundo. Pois eu acho que tudo talvez ficasse melhor sem mim…
A moça dizia essas palavras de uma forma tão serena, tão calma que eu simplesmente não conseguia acreditar que tudo aquilo era realmente o que ela pensava. Parecia mais a leitura de um texto, sem nenhuma emoção… sem nenhuma conexão entre a pessoa e o que estava sendo dito.
Olhei ao redor e todos se encaravam confusos, mas ao mesmo tempo admirados de uma maneira que eu não consegui entender. Alison por sua vez não se mexeu nem um milímetro. Continuava olhando atentamente a moça que no seu primeiro dia no grupo de apoio já dava um depoimento.
Xx: PESSOAS DEPRIMIDAS NÃO TEM VEZ NO MUNDO. – aumentou o tom de voz.
– O mundo foi feito para os felizes e bem sucedidos. E não adianta vir com esse papo de pensamento positivo e de confiar no amanhã... – pausou.
– Quando a desgraça acontece só existe desespero e solidão. – finalizou, dando um suspiro como que se estivesse tirando um peso das costas por ter falado tudo o que sempre quis.
Um silêncio mortal se instalou e nem meu pai sabia o que dizer. Quem olhasse pra garota, nunca imaginaria que ela escondia esses sentimentos no peito. Maya St. Germain parecia ter sido tirada de um catálogo da Victoria Secrets. Pele morena, cabelos brilhantes, olhos marcantes e sedutores, e um corpo perfeitamente desenhado. O que pode ter dado errado na vida dessa jovem para ela estar tão deprimida e negativa?
As vezes nós esquecemos ou não acreditamos naquele velho ditado... mas ele é bem real...
‘’as aparências enganam’’.
Xx: E por que você está aqui? Por que veio para um grupo de apoio se o que você acabou de dizer vai contra praticamente todos seus princípios? – Alison quebrou o silêncio. E admito, fiquei surpresa com sua intervenção.
Maya: Apenas pra dizer que antes de sumir desse mundo, eu tentei todas as alternativas. – falou simplesmente, em seguida cruzou as pernas.
Emily: Você está enganada, ou melhor... se enganando. Não interessa o que você tente, no fundo você já sabe que a decisão já foi tomada.
A morena engoliu em seco e abaixou a cabeça, dando a todos nós a confirmação do que eu havia dito.
Emily: Primeiro você tem que querer, senão não adianta. Acredite quando eu digo que tem gente aqui que passa ou já passou pelo mesmo que você. Que tem os mesmos medos, que já pensou mais de um milhão de vezes em sumir, em desaparecer. Mas você também deve acreditar que as coisas podem melhorar. Por que SIM! Elas melhoram. Você não pode desistir.
Procurei Alison com o olhar, e ao encontrá-la, recebi um belo sorriso. Ali era a prova viva de que pessoas deprimidas têm uma vez no mundo sim! Antes dela aparecer eu estava ‘bem’... mas estava longe de viver plenamente e com felicidade. Sempre sentia um vazio, sempre faltava algo. E de repente, no lugar mais improvável, ela entra na minha vida... despertando uma infinidades de sentimentos.
Emily: Basta você dar uma chance. – Maya se ajeitou na cadeira e parecia ouvir atentamente o que eu dizia. — Mas você tem que fazer isso de verdade, de coração.
…
A sessão acabou e Maya foi a primeira a sair da sala. Alguns cochichavam e comentavam que ela nunca mais pisaria aqui. Mas algo me dizia que eu a veria no próximo sábado, e esse instinto dificilmente falha.
Emily: Vamos? – acenei pra Alison
Alison: Claro.
Já estávamos no carro, eu dirigia rumo à casa de Alison e notei que ela estava pensativa.
Emily: Aconteceu algo? – perguntei quando paramos num semáforo.
Alison: Eu estava pensando... a forma como você falou com aquela garota... o jeito como você comentou a história dela, não sei... pode ser coisa da minha cabeça mas... você pareceu se identificar com ela. – disse timidamente.
Emily: Ali... tem coisas sobre mim que você ainda não sabe... – a encarei. – Lembra aquele dia, quando eu disse que você me salvou? – ela acenou de leve.
– Eu falei sério.
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