Broken Angel
4 Bruxas
Seus olhos estavam semicerrados, lágrimas saiam de seus olhos, a tristeza a machucava de um modo incomparável, a agonia à dominava aos poucos, a loira escondia sua tristeza o máximo possível.
–Mãe? – chamou Scott, descendo as escadas devagar- Você está bem?
–Estou sim, meu filho- ela bocejou devagar- você tem certeza disso? – Perguntou preocupada
–Mãe, eu tenho que ir... – ele manteve um longa pausa- Não vou ficar preso no meu quarto pela eternidade, tudo bem? – disse o garoto, abraçando a mãe e expondo um pequeno sorriso.
–Tem razão. – Ela arrumou a gola da camiseta do filho- Preste atenção na escola! Scott ajeitou seu cabelo e saiu pela porta.
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Seus passos eram leves, o castanho de seus olhos procuravam por alguma coisa, um lugar específico. Ela movia-se devagar mas mantinha sua cabeça erguida, vestia uma calça jeans e um casaco roxo de lã.
–Ali está. – sussurrou enquanto observava uma mesa de xadrez no meio do grande parque.
Ela sentou sobre uma das cadeiras próximas, sua paciência era pouca, a garota não gostava de esperar mas tentava manter a calma.
–Parece que a ratinha saiu da toca! – Brincou Rebeka enquanto aproximava-se da morena.
–Eu não sou “A ratinha”, sou a filha dela- Retrucou, em um tom sério.
–Filha? Hm...- Ela bateu seu pé esquerdo no chão e sentou ao lado da menina- Qual é o seu nome?
–Diana... Diana Bianchi
–Diana, belo nome- Rebeka arrumou seu cabelo- Por que me chamou aqui?
–Você quebrou o acordo. Sabe que minha mãe não gostaria nada disso — Diana fez um sinal negativo com o dedo.
–Não ligo para a sua mãe! Não ligo pra esse maldito acordo, Estamos em caso de emergência- Gritou para todos ouvirem
–Emergência?
–Sua mãe não te explicou? Nós vivemos lá, como vocês vivem aqui, temos problemas- Esclareceu Rebeka, abaixando o tom de voz
–Vocês estão mortos- Lembrou Sra. Bianchi – Não merecem ter o prazer de apreciar os problemas naturais.
–Não seja tão racista, meu filho está sumido-
–Fugiu de você- Brincou Diana interrompendo a rainha
–Alguém o tirou de sua casa e trouxe para esse... – Rebeka deixou um longo silêncio dominar o ar e fechou os olhos com força- Poderiam traze-lo para qualquer lugar, menos aqui- sussurrou ela abrindo os olhos.
Diana ficou séria em um piscar de olhos.
–Você sabe o que o trato diz, não é? — Perguntou a morena
– “O que morre, deve permanecer morto e jamais deve voltar. Em troca da nossa prisão, vocês nos fornecem energia necessária para sobrevivermos. Se, por acaso, o acordo for quebrado as “de chapeuzinho pontudo” teriam que tomar medidas drásticas” – Pronunciou Adoriabelle
–Serei obrigada a avisar ao conselho que você libertou toda a sua população sinto muito, mas... – Diana estendeu a mão em direção à Rebeka, esperando um aperto de mão- ... Que a guerra retorne!
–Assim vocês querem, assim será. – A rainha apertou forte a mão de sua adversária e permitiu que ela se levantasse.
Seus passos haviam mudado, não estavam mais tão leves e calmos, seu jeito estava diferente, ela se preocupava com algo, algo ruim estava pra vir e ela sabia disso.
–Ei! – Gritou um garoto alto, dentro de um carro preto- Vamos! Estamos atrasados! – Ele acenou com a mão direita para Diana.
A morena entrou no carro e deixou Rebeka sozinha, sentada no banco.
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“Você está bem?”,” Soube que ele está machucado...”,” Me disseram que ele matou sem dó, nem piedade...”,” Meu pai disse que um amigo dele contou, que ele seria preso por matar o ladrão”. A cabeça de Scott latejava por ouvir as mesma coisas o dia todo, Ele estavam sendo o centro das atenções, e ele não queria isso; Já estava na hora do intervalo e o garoto ignorou todos os comentários e seguiu direto para o lado de fora da escola e sentou sobre a grama baixa, numa sombra da grande macieira.
–Parece que alguém está encarando bem os boatos- sorriu Jackson aproximando devagar de Scott- Posso sentar ai? – disse ele apontando para o outro canto da árvore, ao lado do menino.
–Bem... – Scott coçou a cabeça- Temos algum assunto pendente? – perguntou, meio tímido
–Você ainda pergunta? Claro que temos... – Respondeu com um grande sorriso no rosto
–Olha, se for sobre o beijo... Eu estava completamente desesperado- Lembrou, em sua defesa.
–Eu ia falar sobre o cara que você... – Disse ele, franzindo as sobrancelhas- Enfim... Eu andei fazendo umas pesquisas nos jornais e no computador e.... parece que ele já invadiu lojas e outras escolas, só que o mais curioso é que, de acordo com uma grande quantidade de sites de jornais locais, ele foi capturado pela polícia e cumpriu sua pena de morte logo depois no dia vinte e cinco de outubro de-
–Então é mentira, quer dizer, ele entrou na nossa escola esses dias- Interrompeu Scott
–... mas tem outro fato estranho... – continuou Jackson- ... Essa notícia foi documentada no dia vinte e cinco de outubro de mil novecentos e quarenta e sete...
–Nossa, que estranho. – Sussurrou Scott- Por que pesquisou tanto sobre esse cara? – Perguntou confuso
–Não sei, quer dizer, ele parecia familiar...- Respondeu Jackson abaixando a cabeça com uma expressão séria, permitindo que o silêncio os dominasse- Mas... Por que me beijou? – Perguntou levantando a cabeça e expondo um pequeno sorriso vingativo
–E-eu não sei, quer dizer, você me fez sentir algo que eu não sinto a muito tempo... Segurança e conforto, unidos em uma única pessoa, e-
Antes que pudesse terminar de falar, o sinal da escola tocou provocando um som agudo de um sino alto.
–Parece, que teremos que esperar para terminar essa conversa... – Jackson levantou e estendeu a mão para Scott, ajudando o a levantar
–Tem razão.
Tudo estava calmo nos corredores, ninguém sequer abria a boca, somente observavam, algo estava diferente, ele ainda havia matado um homem mas dessa vez ele estava acompanhado. Os olhares dos fofoqueiros e o barulho dos sussurros cercavam os dois, mas eles simplesmente ignoravam tudo e todos à sua volta.
–Atenção, alunos — Falou o homem na frente da classe, aumentando o tom de voz- Eu me chamo Trent e eu sou o professor de ed. física, eu estive ausente, por causa de uns problemas pessoais mas agora estou de volta; Como eu me atrasei um pouco para iniciar as aulas, sou obrigado a mandar um trabalho para vocês fazerem e recuperar as notas perdidas- O professor pegou uma bola de futebol no canto da sala, ao lado do quadro e jogou para um aluno de trás- Vamos para o campo! — Disse ele batendo palmas cinco vezes.
Todos os alunos levantaram de suas carteiras e seguiram direto ao vestiário, para trocarem de roupa.
–Ei, você conhece aquele garoto? — Sussurrou um jovem para o seu colega de classe, apontando para Jackson
–Acho que o nome dele é.... — O ruivo estalou os dedos três vezes- Jason, acho que é Jason. Ele estava no banheiro, junto ao Scott quando aquele homem invadiu...
–Entendo.
–Estão prontos, mocinhas? — Brincou o Professor enquanto jogava a bola de um lado para o outro.
O Grande campo verde e cheio de obstáculos chamavam a atenção de Scott, ele já estava cansado somente de observar o recinto. O sol cobria tudo, impedindo que uma simples sombra aparecesse.
–Vamos começar correndo um pouco sobre a quadra e logo depois, faremos uma partida de futebol. — Gritou o Prof. Trent, assoprando o apito logo em seguida.
Antes que Scott pudesse finalizar a primeira volta, algo estranho aconteceu, seu pé começou a doer instantaneamente, como se uma agulha perfurasse o peito de seu pé.
–Sinto muito- uma voz sussurrava em sua cabeça
–Professor! ele se machucou- Gritou jackson, segurando Scott para que ele não caísse
–Levem- no para a enfermaria- Ordenou Trent Jackson levantou o moreno e o apoiou sobre suas costas.
–O que aconteceu?- perguntou para Scott
–E-eu não sei, meu pé está doendo muito e minha cabeça arde muito, parece que vai pegar fogo- Explicou, permitindo escapar alguns gemidos
–Vamos- Ele retirou o garoto do campo e o levou até um corredor
–Onde fica a enfermaria?
–Não faço ideia-
–Me ajuda, Scott!- Sussurrou uma mulher com voz aveludada e calma
–Você ouviu isso? -Falou Scott chamando a atenção de Jackson e sentando chão encostado na parede do corredor
–Ouvi, estranho, de onde veio?
–Do banheiro, sempre vem do banheiro... — Explicou colocando a mão na cabeça
–Vamos?-Perguntou Jackson animado Scott apontou para seu pé machucado, esperando que ele entendesse o recado.
–Vamos, eu te levo- O moreno carregou o companheiro até a porta fechada do banheiro
–Não sei se devemos entrar. Você não acha estranho uma mulher gritando meu nome no banheiro masculino?- perguntou Scott
–Na verdade, me sinto traído... — Brincou Jackson.
A porta abriu devagar com a brisa de uma janela, que estava localizada ao lado da porta, provocando um som irritante aos ouvidos e expondo a imagem de uma mulher ruiva, sentada em uma cadeira de ferro.
–Vocês não precisam entrar, só precisam prestar atenção- Disse a mulher Ruiva, no meio do banheiro- Vocês estão correndo perigo, existe uma garota nessa escola que deseja acabar com a vida de vocês-
–Espera, estou confuso- disse Jackson franzindo as sombracelhas- Se somos nós que corremos perigo, por que você pediu ajuda? E quem é você?
–Podem me chamar de Sophie-Ann- A mulher cruzou as pernas- Quando você era pequeno, Scott, Eu que o colocava para dormir...
–Você conhece ela? — O moreno estava totalmente perdido, mas Scott estava paralisado.
–Não- Respondeu seco
–Claro que conhece, estou aqui- Ela apontou para a sua própria cabeça- Sempre estive te acompanhando, desde que nasceu.
–Por que você está no banheiro?- Perguntou Scott
–Este banheiro, ele virou uma grande fonte de energia, depois que você executou um dos nossos, nesse lugar, você abriu um tipo de portal, que me permitiu chegar aqui. Muito obrigado.
–Portal?! — Perguntou os dois em unissom.
–Não estou aqui para falar sobre isso, quero fazer um acordo com vocês-Explicou Sophie.
Ela se aproximou de Scott.
–Existe um lugar, onde você deseja voltar- O garoto mantinha-se imóvel, algo o dizia para não se mover- Eu posso lhe fornecer sua antiga vida-
–Para! — Gritou Diana, indo em direção ao banheiro- Sério? Na minha escola?
–Ora, Ora, Ora, se não é a "Vadia do chapéu pontudo" — Brincou a ruiva- a Rebeka avisou que a guerra iria começar, só não disse que seria agora.
–A guerra existe desde 1720, e sabemos disso-
–Do que diabos vocês estão falando?! — Gritou Scott
–Saiam daqui. — Respondeu a garota em um tom rude.
Os dois correram em direção a uma sala, encontrada no corredor esquerda do banheiro, com Scott ainda mancando.
–Olá, o que desejam?- perguntou uma senhora com a pele lisa e branca como a neve.
–Parece que achamos a enfermaria, o pé do meu amigo está machucado- Avisou Jackson
A senhora, sem dizer uma única palavra, enfaixou o pé de Scott e o deitou sobre o leito.
–Ele precisa descançar, sozinho- disse a enfermeira.
–Tudo bem, vou voltar para o campo- Jackson deixou o recinto, abandonando Scott, adormecido.
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–Ai, ai, esse garoto dá trabalho- disse Diana entrando na enfermaria
–Ei, você não pode ficar aqui- Avisou a idosa.
–Olhe nos meus olhos- Os olhos da morena estavam fixados aos da enfermeira- Eu posso ficar sim, somos melhores amigas, na verdade.
A doutora permitiu que Diana entrasse e manteve um longo silêncio. A dama pegou um grande cristal guardado em sua bolsa e colocou em cima de seu pé machucado.
–"Dormite, quorumque animula curam, cum luce..."- Sussurrou ela, pressionando a pedra–"...Energize anima tua et mundaret"- Ela passou a pedra sobre a barriga e na testa de Scott e guardou na bolsa- Espero que eu possa conversar com você descentemente... A morena abandonou o recinto...
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