Broken: Amor irracional
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Tomara que gostem!
Boa leitura!
O sol batia nos olhos de Érika, já estava estressada daquela aula de matemática. Franzindo a testa, examinava as amigas; Cinthia quase dormia de olhos abertos; Elisa coçava os olhos e vez ou outra tentava fingir que prestava atenção no que o velho professor falava; Dalila anotava o que o professor falava, e as dicas que ele dava, a mais aplicada delas.
- Ou seja, noção científica é basicamente isso. –dizia lentamente, analisando a turma sonolenta. Era velho o bastante para saber quem eram os poucos que levavam aquilo a sério. Confessava, só de olhar Érika com aqueles cabelos escuros e enfeitados, e rosto todo pintado, sabia que não estava ali para estudar, apesar do que todos imaginavam, ela não era um menina patricinha, o total oposto de uma metida, talvez fosse por isso que o professor a achava intragável, ela possuía o espírito daquelas pestes que toda sala tem, o núcleo de toda confusão que acontecia na sala. – Dúvidas? –a sala continuava morta, foi quando Cinthia levantou a mão. – Cinthia?
- Que horas acaba essa aula? –a menina fazia cara de desinteresse, não queria estressar o professor, ou talvez quisesse, bem lá no fundo. Viu que o professor a encarava com uma expressão de desaprovação. Como meio de mostrar que não sentia medo, o encarou também, e fazia caretas, quase imperceptíveis, mas eram caretas.
- Acho que saberá quando o sinal soar. –e alguns segundos de silêncio formaram, mas logo o sinal tocou, e o professor saiu dali, dizendo sofrer por decepção profunda daquela sala. Os alunos deram de ombros.
- Quem aquele Matusalém de matemática pensa que é? –Elisa dizia enquanto fazia um coque malfeito nos cabelos vermelhos tingidos recentemente. – E pra piorar eu já cansei desse cabelo.
- Aquele “Matusalém” –Dalila fez aspas com as mãos. – Chama-se sr. Luciano. E, quem mandou tingir o cabelo? De novo.
- Eu tingi porque eu estava cansada daquele cabelo sem graça. –Elisa disse, tentando se conformar com o cabelo. Elisa era a “seduzente” da turma. Baixinha, olhos pretíssimos, cabelo que ultrapassava a cintura, corpo esbelto e definido; ninguém nunca a vira de maquiagem, somente quando chegava a noite e decidiam sair. Todo dia um cara estava atrás dela, não chegava a ser considerada uma galinha, escolhia categoricamente aqueles que apareciam, ficavam juntos por mais ou menos alguns dias, e depois, à pedido da menina, terminavam.
- Agora aguenta. –Dalila respondeu enquanto revisava os cálculos da aula passada. Dalila era a “nerd tímida”. Alta, olhos castanhos um tanto comuns mas que tinham um brilho incomum, cabelo com um corte reto e curto de uma coloração acaju, corpo esguio mas com curvas nos lugares essenciais; tinha pele tão clara que sempre estava com um blush para dar um aspecto saudável, e usava uma sombra fosca nos olhos, que os aumentavam e destacavam o fino rosto da menina. De tímida realmente não tinha nada, mas já que quem resolvia os apelidos era a maioria da escola e o que mais fosse usado ficasse, ficou conhecida por tímida; nerd foi pelo excesso de estudo, levava muito a sério a escola, porém se divertia com as outras, fazia um pouco menos de consideradas “travessuras” das rebeldes, mas ainda fazia parte das confusões.
- Acho que vou morrer...De sono. –Cinthia entrou na conversa, falando com a voz abafada, por estar com a cabeça entre os braços cruzados. Cinthia era a “geek girl”. Mediana, cabelo totalmente cacheado e escuro totalmente negro, olhos verdes, morena, corpo malhado. Estava sempre a andar com o seu Ultra debaixo do braço esquerdo. Usava óculos de grau no modelo Ray-ban. Como complemento usava todo santo dia gorros, de vários tipos e cores.
- Aquele cara me odeia. –Érika chegava, sentando na carteira de um nerd que agora encontrava-se desocupada. Alta, cabelo liso de chapinha e loiro tingido, olhos castanhos, corpo de modelo. A “encrenqueira”. Daquele grupinho todas eram encrenca, desde Cinthia até Dalila, mas Érika era a que sempre formulava os planos malignos vindos das meninas.
- Até parece que você não faz por merecer. –Dalila riu.
- Vá te catar Lila.
- Gente!!
- O que Lisa? –Cinthia continuava sonolenta.
- Me chamaram para sair.
- Quem?
- O tal do Marcellus.
- Ok, ele não é dos piores. –Érika concordava com a cabeça.
- Onde ele quer ir?
- Eu não vou aceitar.
- Elisa, eu não perguntei se você vai ou não aceitar, perguntei aonde ele te chamou pra ir.
- Nossa desculpe senhora Érika. Ele me chamou pra ir no showzinho de quinta da tal nova bandinha.
- Broken? –Dalila perguntou, por imediato, e logo começou a rir.
- São uma merda.
- Nossa, como vocês sabem?
- Querida, todas as histéricas dessa escola estão babando nesses caras. –Dalila rolou os olhos.
- São umas babacas.
- O pior que não são somente as meninas. –Cinthia falou, e todas começaram a rir.
- Acho que o Marcellus tá querendo um deles. –Elisa confirmou, rindo.
- Tá bem, Cinthia, pesquisa aí, por Broken.
- Ok.
- Achou?
- Yep. Broken, boy band brasileira conhecida por sua ousadia e por suas fãs frenéticas.
- Téeeedio.
- Continuando... Formada por 5 integrantes, Ashton Villela (17), Dylan Ximenes (16), Isac Mattos (16), Vitor Young (16) e Brandon Fonseca (17). O quinteto tem como inspiração grandes nomes do rock’n’roll, como a banda Bon Jovi, Red Hot Chili Peppers, Nirvana.
- Como se o que eles cantam fosse rock. –Elisa zuou.
- Nossa, assim nunca vou terminar, toda hora vocês se metem, não é como se eu estivesse amando ler sobre esses perdedores. Continuando... Adquiriram a fama recentemente, com seu álbum “Quebrando corações”.
- Que nome horrível para um álbum. Pega uma letra aí. Canta aí Lisa.
- Que merda de música é essa? – Elisa disse enquanto corria os olhos pela tela do computador. Sabia que teria de cantar, conseguia alcançar um tom que as amigas não conseguiam, tinha certeza de que se as amigas criassem uma pequena bandinha alcançaria os topos das paradas e teriam uma vitória arrebatadora naqueles lá.
- Canta logo Lisa.
- Lá vai. Bateu na minha porta
Querendo ir embora.
Chorando desesperada
Queria voltar pra casa.
Senti meus olhos transbordarem
E de lá as lágrimas brotarem
Você quer me deixar.
Não quer mais me amar? - Elisa alcançaria a alta mais aguda, mas foi interrompida por uma mão masculina que passava por entre seus cabelos.
- Garotos! –gritou a voz grossa. –Achei mais uma fã! Novidades! Essa sabe cantar!
- Vá te catar? E quem és tu? Estranho desconhecido?
- Como assim quem sou eu? –o garoto lançou um olhar fatal, aquele que fazia para derreter as garotinhas, não havia funcionado, e logo fez uma expressão de choque. Alto, dava umas duas Elisas, cabelo totalmente liso e castanho, olhos azuis que de tão claros lembravam águas cristalinas ainda não navegadas, pele clara que tinha um tom bronzeado falso, uma pinta perto do olho esquerdo que dava-o um charme maior. Aquele sorriso cafajeste derreteu o coração de Elisa, que não demonstrou, sabia o que ele queria, finalmente havia encontrado um candidato a sua altura.
- Ainda não sei quem é! –soltou um gritinho.
- Isso é um ultraje! Estava cantando uma de minhas músicas.
- Querido, que eu saiba essa era uma música de uma tal bandinha nova ai. Não saia por ai plagiando os outros. –Elisa cruzou os braços, nervosa, revoltada. Sentiu que Cinthia a chutada por debaixo da mesa. – Que é? –disse em um breve sussurro, Cinthia cochichava algo em seu ouvido, e o garoto continuava a falar.
- Que ultraje! Canta as minhas músicas e não sabe quem eu sou, estou profundamente magoado, brinks. –o garoto continuava a falar e falar sobre sua enorme magoa, Elisa e as amigas olhavam-no procurando os fatores que comprovariam a verdade, a porta da sala estava fechada com uma enorme multidão amassada tentando enxergar pelo pequeno vidro que permitia vista para a sala, encostados na porta estavam mais outros três rapazes, que fingiam não ligar para a confusão lá fora, os três mastigavam chicletes e riam do amigo que tentava ensinar para as meninas quem era; um fator incrível era que umas 3 ou 4 garotas que estavam no meio da multidão choravam, de emoção; vez ou outra um dos outros três virava e cumprimentava o bolo de pessoas. – Eu sou...-antes que pudesse continuar sua apresentação foi interrompido por Elisa, que olhava a foto em grupo do quinteto, e completou a frase pelo garoto.
- Brandon Fonseca.
- Então, quer um autógrafo?
- Vá pra outro lugar com esse autógrafo, seu arrogante.
- Baixa o tom baixinha. –riu do próprio trocadilho idiota.
- Haha’, você só está nervosinho por saber que até gritando minha voz é beeeeem melhor que a tua. –Lisa deu a língua.
- Fofa, você está indo pelo caminho mais difícil.
- Caminho?
- O caminho para se apaixonar por mim. Começamos assim, brigando, depois conversando, depois virando amigos, você se apaixona e depois sem perceber eu quebro seu coração!
- Boa! –gritou um ao fundo.
- Fofo –Elisa disse imitando a voz de Brandon. – Elisa Blake não tem coração quebrado, Elisa Blake quebra corações. Fica a dica. –disse chegando perto o bastante do rosto do garoto, ouviu ele engolir seco, e soprou o rosto dele.
- Boa! –Érika gritou, fitou o garoto de antes, e lhe apontou o dedo médio. – Essa é a minha garota.
- Agora, estrela, vá procurar a sua turma.
- A gente já tá aqui! –gritou outro lá do fundo.
- O que fazem aqui? Atrapalhando a ordem de nossa humilde escola? –Cinthia disse, irônica.
- Bem, viemos aqui para acompanhar Dylan e Isac, e logo Brandon e eu iríamos para nossa classe. –disse Ashton, igualmente alto, cabelo ralo, olhos castanhos, pele morena, e com uma barba também rala e malfeita.
- Ok, mas o que vieram fazer aqui realmente? –Érika perguntou, desconfiada.
- Acho que se estuda em uma escola. –Ashton sorriu, sarcástico.
- Mas também se pode quebrar a cara de idiotas como vocês, e se dermos sorte podemos ser suspensas, ou seja, quebramos as caras de vocês e ainda ganhamos férias! Isso não é demais?
- Sua...
- Continua se você é homem o bastante.
- Deixa quieto Érika! Ele faz parte de uma boy band que canta músicas deprês e que vestem roupas coladas. Ele nunca será homem o suficiente! –Dalila disse, fazendo as amigas morrerem de rir.
- Vão se danar! E, o que têm contra boy bands? –Dylan se manifestou.
- Nada contra boy bands, amo boy bands, caras gostosos e que cantam bem! Isso é demais, mas vocês não são nenhum nem outro. Se fossem pelo menos gostosos, ai eu curtiria vocês, mas não são.
- Eu tenho pena de vocês. –Brandon disse, com nojo. – Achei que você seria minha primeira transa depois que cheguei nessa escola, mas fazer o que né. –falou, fitando Elisa.
- Eu também pratico PENA.
- Como se pratica pena Elisa? –Brandon perguntou, a olhando como uma idiota.
- Pegando E Não Apegando. Agora, se você tiver um pingo de amor a vida saí da minha frente.
- Por?
- Você me chamou de fácil. Posso ser de tudo, eu beijo, beijo e beijo, mas falar que eu seria a primeira que você possivelmente iria pra cama, é demais. Você acabou de pegar o caminho mais difícil.
- Qual? O de me apaixonar?
- Não, o da morte. –e saiu do lado das amigas, chegou ao lado dos outros três, deu-lhes o dedo médio, conseguiu uma pequena fresta e saiu da sala, passando pela multidão.
- Ela me assusta. –Isac afirmou, temeroso.
- Vocês ainda não viram nada. –Cinthia falou, com uma voz obscura.
- Vocês são do demônio. –Ashton gritou.
- A voz de vocês é do demônio!
- Espera!
- Que foi Lila?
- Não está faltando um da boy band de vocês?
- Uau! Você sabe contar! Parabéns! –Dylan disse, irônico.
- Hahaha’, engraçadinho. Cadê o outro estúpido?
- Se brincar o que falta deve ser o mais inteligente. –Cinthia brincou.
- Ele está meio doente.
- Tadinho dele, onde ele mora? Posso ir lá dar uma cuidadinha dele. Porque olhando as fotos de vocês, ele é o mais catável. –Érika brincou.
- Ele tem namorada.
- E foi-se minha esperança de arrumar um boy magia pra mim nesse ano. –Érika fez beicinho, quase rindo.
- Desesperada. –Ashton fez cara de descontente.
- A conversa não chegou no chiqueiro ainda!
- Por que não vão atrás da amiguinha?
- Porque o Brandinho já fez isso por nós. –Dalila sorriu.
- Ahn? –Isac começou a procurar o amigo, que não estava mais na sala. – Desde quando?
- Vocês são tão burros, quanto desatentos. –Dalila parou e analisou os outros dois mais calados. Dylan, o mais baixo dos três, mas era mais alto que ela, cabelos encaracolado e loiro, olhos verdes, e pelo branquinha. Isac, alguns centímetros mais alto que Dylan, cabelos lisos com as pontas rebeldes e um tom caramelo com algumas luzes puxadas, olhos pretos não tão pretos quanto os de Elisa, e um tom de pele único, meio moreno porém bem clarinho.
- Vão lá, atrás do Brandon.
- Isso mesmo, será o que faremos. Onde um vai, os outros vão.
- Até ao banheiro?
- Engraçadinhas, passarem mal. –e os três saíram.
- Érika.
- Que?
- Novos alvos?
- Óbvio.
Notas finais
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