Broken.
1 Capítulo Único.
Mo Guan Shan estava escorado à grade da quadra, pensativo. Observava ao longe He Tian, que como de taxe, estava rodeado de garotas com um sorriso artificial no rosto.
“ Falso.” Pensou.
E para o seu pior pesadelo, o rapaz de cabelos negros o percebeu àquela distância.
— Ora, vejam o que está aqui.
— O que você quer?
O simples fatos de He Tian lhe dirigir a palavra já o deixava irritado.
— Que menino mal-educado. Quero apenas conversar.
— Não tenho nada pra falar com você.
Sorriu.
— Passa na minha casa hoje, depois da aula.
— Hã? Por quê eu deveria?
He Tian se aproximou ainda mais do outro, encurralando-o contra a grade.
— Posso fazer aqui, se quiser. Eu não me importo de ter público...
He Tian respirou ao pé de sua nuca. Mo Guan Shan estremeceu.
— T-tá, já entendi!
— Ótimo!
***
Ao final da aula, o ruivo avistou He Tian vindo em direção ao portão da escola, onde deveriam se encontrar. Porém, viu logo algo que lhe deixou apreensivo. O moreno fazia um cafuné divertido no colega ao lado. Jian Yi reclamava do sufoco agitado, desesperado pela atenção de Zhan Zheng Xi, que estava completamente despreocupado. Mas a única coisa que o rapaz de cabelos alaranjados notou foi o quão próximo He Tian estava do outro.
Os dois foram andando o caminho inteiro em silêncio. Pararam no mercado para comprar alguns ingredientes e He Tian como sempre, encontrou oportunidades para caçoar o ruivo, que respondeu mais reativo do que habitualmente. He Tian logo percebeu, mas preferiu não comentar nada. Ao chegar, deixaram as coisa na cama e o ruivo pôs-se logo a cozinhar.
Mo Guan estava cortava o alho-póro enquanto salteava alguns cogumelos na manteiga. Estava pensando no dia de hoje, mais cedo. He Tian todo sorrisos, se entregando tão facilmente para aquelas garotas que o rodeavam. É, isto lhe deixava um pouco irritado, fato. Então lembrou-se do momento em que acariciava a cabeça do amigo de cabelos claros.
— Outch!
Cortou-se. Estava tão puto, e nem sabia porquê. No momento em que ia levar o dedo à boca, sentiu uma presença o abraçando por trás.
— Você se cortando, isso é bem raro. – Encaixou seu rosto ao ombro do outro. – Aconteceu alguma coisa?
Estremeceu. Sem saber como responder, permitiu-se levar pelos estímulos do outro. He tian lhe acariciou o pescoço com os dentes, com um leve beslicar. Deixou-se perder o fôlego conforme seus toques lhe desciam o corpo. O moreno lhe subiu a regata e desligou o fogo da frigideira.
Na cama, as carícias ficaram mais intensas. Os rapazes trocavam beijos e toques de corpo inteiro. He Tian despidiu de sua camisa ao abaixar as calças do outro, expondo o membro rijo do rapaz. Cosumiu com prazer ao escurtar os gemidos rígidos de Mo Guan, que como sempre, se recusavam a sair em total liberdade, sempre mesclados em timidez e orgulho. E ele adorava vê-lo se contorcer daquele jeito. Na hora da penetração, estava indo tudo bem, até He Tian notar que em dado momento, o ruivo ficou estranho. Parecia, de repente, muito incomodado com alguma coisa.
He Tian parou o movimento e o encarou com um sorriso curioso no rosto. Mo Guan estava tão ligados em seus próprios pensamentos que demorou um pouco para perceber.
— O-o-o que foi...?
— Você está agindo estranho hoje.
— Não estou agindo estranho...
— Ah é? – He Tian fechou a cara. Levantou-se e vestiu a calça.
— Onde você vai?
— Não sei, fazer alguma coisa. Sei lá, algo interessante.
Shan sentiu-se aflito. Sentiu seus olhos umidecerem. Se tinha algo que o deixava pertubado era irritar He Tian durante o sexo. Antes que o outro se afastasse completamente da cama, Mo Guan alcançou suas costas.
— Espere!...
He Tian não se virou. E esperou uma resposta. Ficaram em silêncio durante alguns segundos.
— Se não tem nada pra falar, eu...
— Desculpe. – Encostou a testa nas costas do outro. – Por favor, não vá.
— Então me conta.
O garoto segurou o fôlego. Era difícil processar as palavras de tudo que estava lhe passando pela cabeça. Quando o conheceu, nada disso importava. A simples presença de He Tian o irritava, ainda mais depois de tantas amolações abusivas com que era tratado pelo outro. Mas de tanto que o rapaz de cabelos negros insistia em vê-lo, encontrá-lo se tornou algo natural,e com o tempo, o que era obrigação, virou cotidiano. Passado algum tempo, ter o outro em sua vida tornou-se uma necessidade. E ultimamente, um misto de sentimentos tem deixado o jovem de cabelos alaranjados pertubado. Toda vez que via He Tian dividindo seu carinho e atenção com outras pessoas, isto o deixava totalmente constornado.
Não era fácil transformar tudo que estava passando, mas algo em peculiar o torturava mais do que qualquer outra coisa. Em um suspiro, tomou coragem e confessou.
— Você sente algo pelo Jian Xi...?
— Hã?
— É que... Você sempre é tão próximo dele, e... está sempre tão perto dele, e...
He Tian pôs-se a rir. Mo Guan o encarou, aflito.
— O quê é isso? Ciúmes? Que fofinho!
— N-n-não estou com ciúmes!! – Ficara com a cor dos cabelos.
Tian o encarou com um sorriso sério.
— Você é idiota?
— Hã?! Que merda---
— É claro que eu não gosto dele. Não assim. – Shan estava sem palavras, sem reação, sem nada. – Vem cá.
O rapaz de cabelos negros lhe puxou e o abraçou contra o peito, sentindo o úmido das lágrimas do outro em sua pele. O pressionou num abraço forte e murmurou palavras ao seu ouvido que o fizeram corar. Então folgou o abraço, lhe encarando o rosto.
— Eu nunca vou te abandonar, idiota. Agora pára de chorar.
Tian lambeu suas lágrimas e lhe depositou um beijo doce, que contentou o ruivo num sorriso leve, aliviado. Aquelas palavras era tudo que o menino precisava ouvir. He Tian podia ser o sádico que fosse, mas sempre sabia bem como acalmar seu coração inseguro. E aquele “Eu te amo” era tudo que ele, e somente ele, precisava ouvir.
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