Broken

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Oi gente! Estão gostando da história? Espero que sim. Quero dedicar esse capítulo para as leitoras Allycia Marie e KuroiInu que comentaram no capítulo anterior ♥ Lembrando que: • Itálico - Idioma natural do Natsu. • Sem formatação diferenciada - Idioma natural da Lucy. Boa leitura!! /o/

O cheiro de fogo era sufocante.

Comprimiu os olhos antes de abri-los vagarosamente.

A primeira coisa que viu foi o topo de uma árvore, e acima dela o céu negro com algumas estrelas.

Por quanto tempo havia desmaiado?

Sentiu um aperto nos pulsos quando tentou mover as mãos. Desceu os olhos constatando a tira de couro que jazia prendendo uma mão a outra.

Mais adiante, ele estava encurvado de costas em frente a uma fogueira pequena.

Pelos movimentos, era óbvio que estava comendo algo, despedaçando o que quer que fosse com brutalidade.

Um selvagem do norte, ela tinha certeza.

Repreendeu-se por ter sido tão idiota a ponto de cair nas mãos de um animal.

Ele levantou-se atirando o resto da comida para o lado e esticou a coluna fazendo uma sequência de crecks ecoarem no lugar.

Ele era grande. E forte. Os cabelos róseos eram de uma tonalidade que ela jamais tinha visto na vida. Suas roupas também tinham certa estranheza rudimentar. O colete preto deixava seus braços à mostra, revelando músculos bronzeados, marcados por cicatrizes.

Era possível vislumbrar uma tatuagem em um dos ombros e no antebraço. A calça era justa demais e as botas surradas pelo tempo.

Ela arfou quando ele virou-se completamente e seus olhos a encararam com seriedade. Olhos negros, intensos, selvagens e com certa malícia.

Alguns passos foram o suficiente para que ele cortasse o espaço entre eles.

Ela observou enquanto ele se aproximava, sem proferir nenhuma palavra e examinava o corte na lateral de sua cabeça.

"Você vai viver" disse no idioma de Magnólia perfeitamente. "Sinto muito pelo cavalo, tive que sacrificá-lo".

Ela permaneceu estática, perplexa tanto pelo fato dele falar sua língua quanto por ter escutado as palavras sinto muito sair de sua boca. Bárbaros não sentem nada.

"Você tem nome, menina?"

Menina. Ela mapeou o homem à sua frente mais uma vez.

Se fosse para opinar, diria que ele tinha no máximo vinte anos. Enquanto que ela tinha dezessete.

"Garota" chamou com firmeza lembrando-a de que ainda estava ali.

Ela ponderou e decidiu por não revelar seu nome inteiro. Seria problemático se ele soubesse quem era ela de verdade.

"Lucy" ela disse quase em um sussurro. "Meu nome é Lucy".

Alguns segundos se passaram enquanto ele a observava com atenção. Lucy esperou pelo que viria depois desse breve diálogo com certa curiosidade. Ele não era o que ela esperava que fosse. Talvez fosse ingenuidade, mas ele parecia um tanto inofensivo.

"E posso perguntar Luce, porque você tem o brasão de Magnólia marcado em sua mão?".

Ela gelou, sentindo um frio percorrer a espinha. Encarou a mão nua, a marca sobressalente, sem nenhuma proteção.

"Vai me dizer o que significa? Ou eu vou ter que adivinhar?".

"Ela simboliza minha submissão ao rei". Disse com firmeza.

"Você é uma escrava?"

Lucy ponderou por um instante. Nunca havia pensado em si mesma dessa forma, mas revendo sua vida até aquele momento, era a denominação mais coerente que poderia dar.

"De certa forma".

Das várias hipóteses que surgiram na cabeça dele, a mais plausível, era a que possivelmente ela fosse uma das amantes do rei. Mas caso fosse isso, fazia menos sentido ainda.

"O que fazia aqui no caminho para o norte?"

Ela olhou sem entender, depois percebeu ao que ele se referia.

Seus planos haviam ido por água abaixo. Por sorte, ela era engenhosa e astuta o suficiente para saber como contornar a situação.

"Tenho uma mensagem da princesa para o Rei do norte".

Ele semicerrou os olhos, avaliando-a. Aquilo não parecia muito certo.

"É você?" Lucy tinha certa expectativa caso aquele homem fosse seu futuro marido. Ele era excepcionalmente atraente.

"Não" ela notou a acidez no tom de voz.

"E quem é você?"

Natsu apreciou a audácia daquela garota. E não pôde evitar de ter pensamentos desvirtuosos em relação a ela.

Era linda ao extremo, e contrariando tudo o que ele esperava, ela mantinha-se calma.

"Natsu Dragneel."

"Posso revelar a mensagem para você?".

"Não". Ele riu. "Sua mensagem, sua responsabilidade".

"O que isso quer dizer?" Questionou confusa.

"Que você vem comigo para além da ponte".

Horas se passaram até que Natsu chegasse a Gray e Gajeel. Ele sabia que não seria nenhum desafio encontrá-los, já que era um bom rastreador.

E Então?— Gajeel perguntou apontando para a garota com a cabeça.

É uma serva, uma mensageira.

— De que tipo?— foi a vez de Gray perguntar.

— Não sei ao certo, diz ter uma mensagem para Sting.

Lucy observava a conversa dos homens sem entender absolutamente nada. Mas tinha plena consciência de que falavam sobre ela.

— Vamos arrancar a informação dela e depois matá-la — Gajeel sugeriu empolgado. Era incômodo para ele pensar em ter que lidar com ela.

Gray riu.

Sempre prático, han? Não é como se eu apoiasse, mas também não me oponho — passou a mão nos cabelos negro-azulados.

Ninguém vai tocar nela — o tom de voz dele foi firme, rude. Os outros dois o olharam — Não importa de onde ela veio, ou o motivo de ela estar aqui, isso vai ser resolvido do mesmo jeito de sempre. Eu a ataquei, ela é minha.

Natsu a ergueu, colocando-a em seu cavalo.

Lucy sentiu um arrepio quando ele montou atrás dela, chocando seu peito contra suas costas. Ele era quente. Ao extremo.

Os braços fortes rodearam-na, pegando as rédeas com firmeza. Estranhamente, ela pensou que aquilo parecia muito certo... E muito bom.

Não houve mais paradas desde que deixaram o acampamento a uma velocidade absurda.

Quando avistou a Ponte da extremidade norte de Fiore, seu coração acelerou.

Ela só havia ouvido falar dela, e quase ninguém de Magnólia a havia visto, de fato.

Tratava-se de uma ponte enorme que dava fim ao Reino de Fiore e iniciava o território do Norte. Não se sabia ao certo até que ponto era habitado pelos bárbaros, mas acreditava-se que mais além, as condições não eram propícias para a vida humana.

Quando adentraram o mar de tendas, algumas pequenas, algumas gigantescas, todos os olhares se voltaram para eles.

Mais precisamente, voltaram-se para ela.

Um em especial lhe chamou a atenção. Um loiro alguns centímetros maior que o homem que a trouxera para ali, aparentava ser um pouco mais forte também, e seu olhar era de completo descontentamento.

O que isso significa? - perguntou secamente — Quem é essa?

— Uma serva do reino de Magnólia— Ele prontificou-se a soltar suas mãos.

Ele arqueou a sobrancelha, desconfiado — Natsu.

Eu a encontrei há um dia daqui, foi enviada pela princesa. Com uma mensagem para você.

Sting analisou-a vagarosamente. Uma menina de beleza imensurável, mas que além disso, não parecia ter grandes habilidades. Muito menos a de vagar por dias levando mensagens secretas.

O cabelo loiro o intrigou, sabendo que sua futura esposa também possuía essa característica.

Uma serva com um manto tecido à mão e adornado com fios de ouro? Improvável.

Aquele manto não era pertencente à nobreza, mas sim à realeza.

A pele aparentava ser sedosa ao extremo. A única coisa que destoava era a marca rudimentar na mão, mas isso poderia ser apenas um desvio de percurso.

Ele não havia se tornado rei à toa. Sua percepção era insuperável.

Tinha grandes chances de ela ser a princesa Lucinda.

— Seu nome? – Seu idioma. Ele estava perguntando a ela.

— Lucy...

Ele sorriu de lado, pensando no quanto ela era tola. Ao invés de abreviar o próprio nome, deveria ter dito qualquer outro que fosse.

Uma faísca de raiva brilhou em seus olhos por imaginar que ela acreditava veemente que ele era desprovido de raciocínio lógico.

Mas se ela queria brincar... Ele facilmente brincaria com ela.

— Qual a sua mensagem?

— A princesa... — Ela estancou, não sabendo o que dizer exatamente. Natsu a olhou com expectativa, assim como todos que os rodeavam. A curiosidade era geral naquele momento — Ela está desinclinada a casar-se sem ter conhecimento de sua cultura. Ela deseja que eu faça um reconhecimento antes de sua chegada.

— E por que eu deixaria isso?

— Ela suplica que o faça como presente de casamento.

Sting ponderou. Ela queria viver entre eles anonimamente. Talvez estivesse amedrontada com a ideia de ser jogada ali sem nenhuma verificação prévia. Era uma súplica compreensível.

Ele concederia a ela esse privilégio.

— E ela confia em sua distinção, serva?

— Eu posso afirmar, que a minha opinião é absoluta para ela.

Talvez fosse seu tom de voz, ou a postura soberba que ela adotara ao dizer tais palavras, Sting não sabia ao certo, mas algo nela o despertara um desejo iminente.

Sua futura esposa possuía uma presunção sedutora.

Em meio a tantos pensamentos incoerentes, o que mais lhe atraiu foi o de deixar ela por cima na noite de núpcias.

— Então, que assim seja. E sinta-se convidada a ficar na minha tenda durante sua estadia — Lucy encolheu-se diante da oferta carregada de malícia. E ele sentiu o corpo estremecer em excitação.

Instintivamente ela olhou na direção de Natsu. O que não passou despercebido por Sting.

— Aah — proferiu divertido — Parece que meu irmão passou na minha frente.

Você a quer?— Lucy contorceu-se querendo saber o motivo de ele ter voltado ao seu idioma original. Ele e Natsu se encaravam.

— Posso ficar com ela, se quiser — sorriu com certa malícia.

— Você a violou? — perguntou aparentando preocupação. Seria um péssimo começo, caso ele o tivesse feito.

— Não.

— Não toque nela até o meu casamento.

— Qual o motivo disso? Desde quando se importa com uma serva qualquer?

— Prova de obediência. Apenas faça essa vontade do seu rei. Logo você vai entender – disse retornando ao idioma anterior — Espero que ela esteja em boas condições para o jantar. Nós dois sabemos o que pode acontecer se você se empolgar demais... Etherious.

Natsu franziu a testa diante daquela divergência. Não, mais que isso, era uma ameaça.

Ele conhecia Sting, quase como se fosse ele mesmo. Aquele diálogo teve um motivo significativo. Só não sabia ao certo qual.

Olhou para Lucy com uma dúvida repentina.

Talvez fosse loucura da sua cabeça, mas juntando os fatos até fazia sentido.

— Luce, por acaso você...

Natsu — uma albina atirou-se em seus braços esfregando seu corpo no dele.

— Que foi?— ele puxou os braços dela de seu pescoço, ainda encarando a loira, que subitamente abaixou a cabeça.

— Quem é essa? – Lisanna perguntou com desdém.

— Uma mensageira — respondeu com incerteza.

— O que ela faz aqui?

— Ela vai ficar comigo por enquanto.

— Por quê?

Natsu arfou, parcialmente indignado.

“Porque Sting quer me testar”.

— Lisanna...

Ela voltou o olhar para Lucy novamente.

— Você a quer.

Ele olhou-a de canto, começando a ficar irritado.

— Eu não disse isso.

Lisanna soltou o ar que estava prendendo.

— Tudo bem. Eu não me importo. Faça o que quiser com ela. Nosso relacionamento não vai mudar por causa disso. Até, quem sabe — ela aproximou- se deslizando a mão direita por seu abdômen — Eu posso participar também.

Natsu repreendeu-se mentalmente por apenas pensar naquela possibilidade. Mas como não estava com vontade de discutir naquele momento, deixou Lisanna com suas fantasias sórdidas.

— Estou cansado, depois nos falamos.

Passou por Lucy vagarosamente.

Venha comigo— ela obedeceu, sabendo que não tinha mais nada que pudesse fazer ali senão segui-lo.

A tenda era grande, uma das maiores do local.

Tinha uma cama enorme, que naquele momento depois de dormir por dias no chão parecia muito receptiva.

Uma mesa ao canto, com uma bacia e um jarro de água. O chão era coberto com peles, aparentemente macias.

Já era fim de tarde e ele começou a acender as várias velas espalhadas em suportes de metal.

Ela observou-o em todo o processo. Naquele momento, Natsu parecia estar em intenso estado de serenidade.

Lucy não sabia ao certo o que devia fazer, então permaneceu parada próxima à entrada.

Ele sentou na cama, tirando as botas e atirando-as no canto. Depois levantou-se e fez o colete juntar-se a elas.

Era a primeira vez que Lucy via um homem sem camisa, e admitia internamente que a visão que tinha era no mínimo, satisfatória.

Sentiu-se culpada por estar tendo esse tipo de pensamento.

Notou um pequeno cristal preso a um cordão preto que ele levava no pescoço.

Ele olhou-a pela primeira vez desde que entraram ali.

— Fique à vontade — disse apontando para seus calçados.

Ela prontificou-se a tirá-los.

Por algum motivo, as instruções de Virgo pairavam em sua mente.

Resiliência e obediência, mescladas com audácia.

Natsu caminhou até a mesa, despejando a água na bacia.

Lucy observava-o. Uma pergunta lhe veio à mente.

— Aquela mulher. Lisanna. É sua esposa? — perguntou enquanto ele afundava as mãos na bacia e depois molhava o rosto, a nuca e os cabelos.

— Não — estranhou que ela fizesse uma pergunta tão pessoal.

— Aah, me pareceu que fosse.

— Mas não é.

Com as duas mãos espanadas na mesa Natsu olhou-a. Os cabelos pingando davam a ele um ar selvagem. E Lucy estava surpresa consigo mesma por achar aquilo tão... Erótico.

— Bom — disse sem jeito por causa de seus próprios pensamentos — Da onde eu venho não é permitido esse tipo de proximidade em público.

Ele caminhou até ela, parando em sua frente e deslizando os dedos por uma mecha dos cabelos loiros. Sting o mataria se ao menos imaginasse o tipo de fantasia que se passava em sua mente naquele instante.

— Aqui, essa proximidade é bem comum — disse com certa malícia — Nós somos livres.

Ele desceu os olhos para os seios dela e subiu-os para os olhos achocolatados novamente. Imprudente, ele sabia. Mesmo assim não conseguiu evitar.

Lucy refletiu sobre o significado daquela frase. "Nós somos livres". Era sugestiva demais, para que tenha sido dita sem nenhuma intenção.

Aos seus olhos, aquilo claramente havia sido uma investida.

Ela desviou os olhos para baixo, tentando fugir dos lagos ônix à sua frente. A intensidade do olhar de Natsu chegava a queimar.

Lucy sentia o coração martelar no peito.

Era a primeira vez que se sentia daquela forma.

Era, no mínimo, uma estupidez que a tentação viesse para si em forma de um selvagem.

Ele tocou a face de Lucy, obrigando-a a olhar em seus olhos.

Ela sentiu uma excitação desconhecida, e por uma fração de segundo, desejou que ele arrancasse sua roupa.

Até que uma dúvida surgiu, interrompendo seu momento de luxúria.

— Etherious... O que significa? – Luce perguntou tirando-o do transe.

Ele se afastou.

— É complicado de explicar. Mas pra simplificar, no final... é algo que vai tirar a minha vida.