Broken

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Olá pessoas :) Agradeço pelos comentários no capítulo anterior ♥ Coloquei uma imagem do Natsu na capa para seduzir vocês. Caso encontrem erros, por favor avisem. Boa leitura ♦

Natsu praguejou, sentindo uma dor aguda perfurando sua cabeça.

Era simplesmente por isso que odiava beber. Jamais conseguiu entender o fascínio de seus companheiros por algo tão idiota. A única coisa que lhe dava um mínimo de satisfação, era sentir o líquido quente descendo por sua garganta quando a temperatura era fria ao extremo. Tirando esses momentos, considerava o ato desnecessário.

Varreu a tenda com os olhos, buscando uma silhueta feminina específica. Ela não estava ali. Talvez tivesse fugido, pensou por um momento. Logo em seguida descartou essa ideia, Sting não permitiria que isso acontecesse. Mesmo que houvesse tratado a situação da noite anterior com tamanha generosidade, ele sabia que o mesmo devia estar vigiando-os de perto, caso precisasse intervir.

Levantou, esticando-se. A primeira coisa que faria seria encontrar sua hóspede.

Caminhou vagarosamente, sem o mínimo de pressa. Algo o dizia que ela estava bem, e ele confiaria nessa intuição até que se provasse o contrário.

Captou, sem nenhuma pretensão, uma voz feminina um tanto quanto conhecida.

— Agora você puxa a flecha o máximo que conseguir, sempre mantendo a postura ereta e o braço reto – ele cruzou os braços no peito, admirando aquela cena. De todas as possibilidades que se passaram em sua cabeça, aquela era a mais improvável. Sorriu de lado, sentindo uma pontada de orgulho – E mira na cabeça ou no peito de quem você quer matar.

“Sempre sutil essa mulher”. Pensou, rindo sozinho.

— E se eu não quiser mata-lo? – A loira perguntou, com o tom condescendente.

— Lembre-se disso Lucy: Sempre mate-os quando tiver a oportunidade.

Elas se olharam por um tempo. A ruiva mantinha o olhar firme, enquanto a outra absorvia aquele ensinamento em silêncio.

— Aah, Natsu – ela o chamou, assim que notou sua presença.

— Erza, ensinando como matar logo cedo?

— Nada melhor do que uma mulher que sabe se virar, não acha? – Ela arqueou uma sobrancelha, tirando sarro dele internamente. Em um combate corpo a corpo, Erza tinha a total capacidade de imobilizar Natsu. Isso quando ele não virava um demônio.

Finalmente seu olhar seguiu para a pessoa que estivera procurando. Ele não deixou transparecer nenhum sentimento enquanto avaliava a garota à sua frente.

Se questionava o quanto ela estaria desapontada, ou pelo menos com raiva, pela noite anterior.

— Bom dia – ela proferiu, com certa timidez.

— Bom dia – respondeu automaticamente.

Erza observou o quanto ele estava vidrado, o que não era natural vindo de Natsu Dragneel. Geralmente ele não se interessava por muita coisa.

— Sting estava te procurando – lembrou, subitamente.

— É mesmo? – Perguntou ainda sem tirar os olhos de Lucy – Por quê?

— Acredito que seja por causa do solstício de outono.

— Aah – direcionou o olhar à ruiva – Tem isso ainda.

— Não vai participar? – Empregou certa curiosidade, tendo em vista que ele sempre esteve presente.

— Esse ano não.

— Por quê?

Tenho algo mais interessante com o que me preocupar.

Lucy, de fato, tinha adorado os pães daquele lugar.

Jamais seria capaz de dizer isso para as cozinheiras do palácio, mas naquele lugar, o gosto era divinamente mais saboroso.

— Você come como um homem – o comentário a surpreendeu.

— Passei dias sem comer – justificou, sem aceitar aquilo como uma ofensa – Minha dieta é muito controlada, sou vigiada o tempo todo.

— Sério? Os servos têm esse tipo de tratamento especial? – Ela gelou, esquecendo-se por um momento de seu personagem.

— Você não entenderia – desconversou.

— É só me explicar, não sou tão ignorante quanto pensa.

— Eu não penso isso de você – a resposta foi mais espontânea do que ela gostaria.

— É mesmo? – Sentiu uma curiosidade latente – O que tem reservado para mim aqui então? – Cutucou a testa dela, sem muita gentileza.

Lucy esfregou o local por um momento, pensando naquela pergunta. Não é como se tivesse pensado muito nisso desde que chegara aqui.

— Você é esquisito.

— Uau! Sinto-me lisonjeado – colocou a mão no peito.

— Em primeiro lugar, como sabe a minha língua?

— Achei útil aprender, quando soube qual seria o meu futuro – ele adotou uma postura informal e despreocupada.

— Aah – ela proferiu, impressionada – E qual é o seu futuro? – Curiosa, mesmo sabendo que não era da sua conta.

— Desisti dele. Entreguei a outra pessoa.

— Por que fez isso? Não era bom? – Questionou, absolutamente interessada.

— Porque eu achava que eu não queria aquilo. Pensei que não fosse me adaptar, que não conseguiria. Mas ao que tudo indica, seria muito bom.

— E.… se arrependeu?

O olhar direcionado a ela foi destruidor. Lucy já tinha constatado e aceitado a perfeição daquele homem, mas aquela expressão, a fez quase ter uma parada cardíaca. Contrariando tudo o que ela poderia imaginar dos selvagens, Natsu era digno de ser considerado um Deus, extremamente atraente.

— Tenho quase certeza de que vou me arrepender – disse por fim, quebrando o estado de transe dela.

Lucy sentiu tristeza naquelas palavras.

Alguns minutos se passaram. Nesse meio tempo, ela apenas o admirou. Queria sentir a textura de seu cabelo, nem que fosse por apenas um segundo.

— E o que mais? – Natsu perguntou, mudando o tom de voz – Além de saber sua língua? O que mais faz de mim um esquisito?

Ela sorriu. Se ele não queria falar sobre aquilo, tudo bem.

— Seu cabelo é rosa! – A afirmação foi tão espontânea, que ambos riram – A primeira vez que te vi não imaginei que você fosse assim.

— Assim como? – Tentando segurar o riso.

— Você é um cara legal, Natsu.

Eles se olharam por um instante. O suficiente para ele lembrar do episódio anterior.

— Não sou – afirmou, o olhar sustentado no dela.

— É sim – ela sorriu. Doce e resiliente.

— Ontem... – começou logo sendo interrompido.

— Ontem, não aconteceu nada – ela impôs com magnitude.

“Por pouco”. Ele pensou. Mas não diria em voz alta. Não tinha necessidade nenhuma de enfatizar aquilo.

— Quero te dar uma coisa – disse levantando-se.

Caminharam em silêncio.

Lucy poderia admitir com facilidade que o tempo passado ali estava sendo muito bom. Perguntava-se como seria quando descobrissem sua verdadeira identidade. O primeiro pensamento que lhe veio à mente era como seria a reação de Natsu. Se ele se importaria com a fato de que ela havia mentido. Se ele se importaria com o fato... de que ela se casaria com outro.

Balançou a cabeça, na tentativa de afastar aquele pensamento. Era errado de sua parte fantasiar com algo desse tipo. Sabia que não podia criar uma relação em sua cabeça. E que muito menos poderia acreditar que fosse verdade.

Quando chegaram já era noite, foi quando ela percebeu o quanto haviam explorado naquele dia. Ele a havia levado em vários lugares, para conhecer várias pessoas. Mesmo que não parecesse algo tão magnífico, para ela tinha significado muito.

Assim que entraram na tenda de Natsu ela arrancou os sapatos. Ele riu com a atitude mecânica dela, como se já tivesse se tornado um hábito.

— Venha aqui um instante – chamou, direcionando-se para um enorme baú.

Lucy observou com curiosidade quando ele o abriu. O que estava guardado ali era algo incrível, forjado com perfeição. Devia ser muito caro, ela pensou, e muito importante.

— Há algum tempo existiu um guerreiro – Natsu começou com seriedade – Diziam que com um golpe ele conseguia decepar cinco cabeças de uma única vez. Era tão forte, que achavam que a criatura não era humana. Taurus era como o chamavam. Era muito maior do que eu inclusive – ele riu, debochado.

— E então? – Lucy perguntou.

— Eu o matei.

Seu olhar se perdeu naquele homem. Jamais poderia esquecer a qual propósito ele servia. Natsu era um guerreiro, um assassino. E assim seria, para sempre.

— Quero que fique com isso.

— O quê? – Não entendeu tal atitude – Qual o sentido disso?

— Já se esqueceu do que a Erza te disse? – Ela ponderou – Não crie embasamento só no arco e flecha, aprenda outras práticas ofensivas também. Esse machado, o poder ele é incrível. Posso te ensinar, se você quiser.

Aprender a lutar não estava nos seus planos.

Mas só o fato de ele querer ensiná-la, já era digno de que tentasse.

— Sim.

Era o suficiente.

Naquele instante ambos sabiam que era o começo de algo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.