Broken

5 Capítulo 5


POV ALISON

Sentada em frente a janela do meu quarto que dá pra floresta, observando os galhos das árvores sacudidos em decorrência do vento, fico pensando na mudança astronômica que aconteceu na minha vida nesse último ano. Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto ao lembrar que nada será como antes.

Ouvi uma batida na porta e tratei de secá-la rapidamente.

Alison: Pode entrar.

Byron: Ali, estamos de saída, tem lasanha e sorvete na geladeira, e eu deixei dinheiro em cima da mesa, caso você queira comprar algum lanche. Você precisa de mais alguma coisa?

Alison: Não, está tudo bem.

Byron: Tem certeza de que não quer ir? Vai ser divertido – tentou mais uma vez.

Alison: Tenho sim. Até mais tarde.

Meus pais iriam passar o domingo fora com Aria, era um trato feito por eles. Se durante a semana a Aria fizesse todas as suas tarefinhas na escola e se comportasse bem, a atividade ou passeio do domingo seria escolhido por ela. A de hoje seria praia, mas como está frio e meio chuvoso ela acabou escolhendo cinema e rink de patinação.

Todo domingo é assim, acontece esse mesmo diálogo com meu pai. Normalmente ele avisa que tá saindo, pergunta se eu quero ir, ou se preciso de algo, eu apenas digo que não.

Eu não queria sair com eles, fazer esses programas em família, porque eu não vou me divertir, eu sei disso. E pior, vou acabar atrapalhando a diversão dos outros. Então acho melhor ficar em casa.

Pensei em descer pra comer alguma coisa, mas acabei sentando na cama. Fiquei olhando a tela do meu celular, comecei a rolar a lista de contatos até parar no nome "Emily". Minhas mãos ficaram trêmulas só de pensar em ligar pra ela. Afinal, o que eu iria dizer quando ela atendesse? Num ato quase que involuntário, pressionei o botão verde e a chamada foi iniciada.

Cinco segundos se passaram e eu entrei em desespero quando percebi o que tinha feito. Rapidamente cancelei a chamada, rezando para que ela não tivesse sido completada.

Deitei e fechei os olhos tentando esquecer a estupidez que eu estava prestes a cometer, e acabei adormecendo.

"Estava escuro, não havia ninguém nas ruas. Eu virei a esquina e continuei caminhando.
Um som atrás de mim me chamou a atenção e eu me virei. Ninguém.


Eu continuei andando pelas ruas à passos largos e de repente, algo atinge minha minha cabeça e tudo ficou preto."

"Ahhhhhh" — Eu gritei.

Abri os olhos e vi que ainda estava no meu quarto. Menos mal.
Eu estava suando, respirando com dificuldade, apertando a minha mão com muita força e várias lágrimas caiam pelo meu rosto.

Ouço Lego House tocando e percebo que vinha do meu celular. Estava tão desnorteada que nem olhei quem estava ligando, peguei o aparelho e rapidamente atendi.

Alison: A-aalô – minha voz estava embargada e fraca.

Xx: Alô, quem está falando?

Alison: Que-mm é você?

Xx: Alison, é você? Aqui é a Emily, você me ligou mais cedo?

Alison: Ah, o-oi Emily, me-me desculpe liguei sem querer. – estava impossível controlar minha voz.

Emily: Alison você está chorando? Onde você está? – sua voz estava preocupada.

Alison: Estou em casa, tá tudo bem. – falei rápido demais.

Emily: Tem alguém aí com você?

Ouvi um estrondo vindo do lado de fora, e de repente as luzes se apagaram bem como os aparelhos eletrônicos.

Emily: Alison, o que foi isso?

Emily: Alison, RESPONDE! – sua voz agora estava desesperada.

Alison: N-não sei... acho que foi um blecaute. Eu estou com medo. – comecei a chorar de novo.

Emily: Fica calma, onde estão seus pais? Tem alguém aí com você?

Alison: Não. Eles eles saíram com minha irmãzinha, vão passar o dia fora.

Emily: Alison, por favor se acalma. Me diz, onde você mora?

Alison: 8092 Old Cutler, Coral Gables. Emily, eles estão vindo me pegar. – minha voz quase não saiu.

Emily: Alison, me escuta. Ninguém vai te pegar tá?! Está tudo trancado?

Alison: Si-sim.

Emily: Então tá! Fica calma. Eu chego aí em 15 minutos. Fique onde está, não abra a porta pra ninguém!

Emily: Terei que desligar pra poder prestar atenção na estrada, mas qualquer outra coisa você me liga, entendeu?

Alison: tá.

Emily: Feche os olhos, cante uma música que você gosta, daqui a pouco nos falamos...

A chamada foi encerrada e tudo que eu conseguia ver era a luz do meu celular e os clarões no céu. Agora chovia forte e os barulhos dos galhos das árvores estavam martelando na minha cabeça. Meu corpo tremia furiosamente e as lágrimas não cessavam de nenhuma maneira.

Fiz o que Emily pediu, comecei a cantar baixinho fingindo que estava tudo tranquilo. Fingindo que meus pais estavam lá embaixo e minha irmã no quarto ao lado brincando de bonecas.

Não sei quantos minutos haviam se passado, senti meu celular vibrar e atendi sabendo que era Emily.

Emily: Estou na frente da sua casa.

Não respondi, e nem desliguei, apenas saí desesperada com o celular na mão em direção à porta da frente.

Destranquei as fechaduras e abri a porta dando de cara com Emily. Ela estava completamente ensopada e ofegante.

A última coisa que eu me lembro são dos seus braços me envolvendo antes de eu desabar novamente na escuridão.