Broken.
3 Capítulo 3
Ravena podia sentir os olhos dos amigos nas suas costas, mas não falava nada. Ela sabia que eles estavam confusos, sabia que eles tinha escutado o que ela tinha dito. Sabia que eles queriam saber porque ela disse para Terra que Mutano é dela. Mas como ela sabia que Robin estava se fazendo as mesmas perguntas, ia esperar ele chegar para responder essas dúvidas. A empata olhou para o rosto de Mutano. Ela nunca pensou que ele pudesse ficar tão pálido. Nunca pensou que ela ficariam tanto tempo sem ouvir a voz dele. E que isso a deixaria tão triste. Já fazia mais de vinte quatro horas que ele não contava nenhuma piada. Ravena passou a mão no rosto dele. Ele estava febril.
– Ravena? – Cyborg a chamou parando ao lado dela.
– Sim?
– Ele vai ficar bem. – ele disse colocando a mão no ombro dela. – Vai dá tudo certo.
– Tem certeza? – ela perguntou secando uma lágrima que caiu.
– Sim. Ele é forte. Ele vai ficar bem. Você vai ver.
– E o trauma na coluna? – ela perguntou.
– Não sei. – ele disse nervoso. – Eu fiz uma leitura nele, mas não posso dizer nada até ele acorda. Não tem como eu saber isso agora.
– Ravena, será que você pode mandar o doutor de volta? – Robin perguntou entrando na enfermaria.
Ravena fez um portal se abri, sem mesmo olhar para eles. Quando o fechou olhou para os amigos.
– Como vamos cuidar dele e lutar contra o crime? – perguntou quebrando o silêncio.
– Toda vez que saímos um fica. – Robin disse. – Vamos fazer turnos. Cada noite um dormi aqui com ele...
– Não. – Ravena o cortou. – Eu fico com ele. Posso usar uma das camas e dormi aqui.
– Por que? – Robin perguntou franzindo o cilho para ela. – Você está estranha, Ravena. Desde que perguntou por ele antes de ligarem para a torre, você está estranha. E aqui que aconteceu com a Terra. Como você sabia que ela estava lá? Sem falar do que você disse. Mutano é seu. O que isso quis dizer?
– Mutano e eu estamos namorando escondidos a dois anos. – ela disse sem olhar para os amigos. – Depois que voltamos de Tóquio, conversamos e começamos a namorar. Não falamos nada por que você tinha terminado com a Estelar e disse que o namoro entre companheiros de equipe estavam proibidos. Então, escondemos. – ela olhou para Mutano. – Eu deveria ter ido com ele. Se tivesse lá, isso não teria acontecido. Mas estava com raiva por causa aquelas fãs malucas que aguaram ele, e me neguei a ir. Ele não teve culpa, sei disso, mas mesmo assim, estava com raiva. Que tipo de namorada eu sou para fazer isso? – ela começou a chorar. – Ele precisava de mim e onde eu estava? Como pude deixar isso acontecer? Eu não estava...
– Está tudo bem, amiga. – Estelar disse abraçando ela. – Vai ficar tudo bem. Estamos aqui.
– Dois anos? – Robin perguntou. – Como nunca notei nada diferente? Como vocês conseguiram isso? Como Mutano conseguiu?
– Não mudou muita coisa, Robin. Mutano e eu sempre nós defendemos na luta contra o crime. A gente ainda brigamos por motivos bobos, ainda não como tofu e ainda odeio as piadas deles, apesar de rir de algumas. Mas mesmo assim, conseguimos manter as coisas os mais normais possíveis. Mutano, gostava de ver a cara de vocês quando brigávamos e ele vivia apostando comigo que não ia encontra um modo sarcástico de acabar com as piadas dele e que ia acabar rindo de alguma delas. Durante o dia, não mudamos nada. A noite ele ia para o meu quarto. Às vezes saímos, mas vocês nunca notaram. Ele falava que ia em alguma festa e vocês acreditavam. E como ele é o único que vai no meu quarto com risco que ser lançado pela janela, nunca notaram que eu não estava.
– Como eu pude ser tão burra? – Estelar disse chamando a atenção dos amigos.
– O que foi, Estelar? – Robin perguntou confuso.
– Esperem. – ela disse e saiu voando da enfermaria.
– Vocês nunca saíram durante o dia? – Cyborg perguntou. – Tipo, um encontro de dia?
– Já. Mutano adora praia. E sempre que pudemos vamos. Vocês não notam, mas a gente sai sempre que podemos.
– E vocês não iam contar nada para a gente? – Robin perguntou se sentando perto dela.
– Íamos. – ela respondeu depois de um tempo em silêncio.
– Olhei, amigos. – Estelar disse entrando na enfermaria com umas revistas nas mãos. – Isso saiu ao longo desses dois anos. São fotos de nossas. E tem umas dos nossos amigos Ravena e Mutano bem intimas. Principalmente essa.
Estelar abriu a revista e mostrou uma foto em que Mutano estava tirando uma mexa de cabelo do rosto de Ravena, com um pequeno sorriso no rosto. Ravena sorria de volta. Mas o que mais chamava a atenção na foto, era que a empata estava com os braços ao redor dos ombros dele.
– Quando eu vi a foto. Pensei que você tinha caído ou se machucado em alguma batalha e estava se apoiando nele, apesar da legenda e da matéria. Agora que olhei com mais atenção, vi que vocês estavam no parque e não tinha nenhum perigo.
– Foi no nosso aniversario de um ano. – Ravena disse passando a mão no rosto para secar as lágrimas. – Ele me levou para um piquenique.
– Que romântico. – Estelar disse sorrindo. – Amiga, quando vocês iam falar para a gente do seu romance?
– Em dois meses. Depois do nosso casamento. – respondeu corando.
– Casamento? – os três perguntaram juntos.
– Sim. Mutano me pediu em casamento a cinco meses, e íamos contar depois dele. Assim Robin não podia falar nada sobre os riscos de rompimentos. Já que estaríamos casados.
– Você não está gravida também não? – Robin perguntou.
– Não. – disse com um pequeno sorriso. – Mutano é responsável quando o assunto é esse. – disse vendo a cara de nojo de Robin e Cyborg. – Mas ele me disse que assim que casarmos, ele quer começar a tentar.
– Agora entendo. – Robin disse pegando a mão dela. – Aquele dia em que você e ele não se falaram sem motivo aparente, o que aconteceu?
– Ele estava com raiva de mim. A gente tinha discutido por causa do Aqualand. Ele me convidou para sair, eu dei um fora nele, mas mesmo assim fiquei conversando com ele. Mutano ficou chateado, disse que se fosse ele que ficasse conversando com alguém que estava afim dele, ele o teria mandado para outra dimensão.
– Mas mesmo assim, lutaram juntos. E muito bem. – Estelar disse.
– Sim. Eu não podia deixar nada acontecer com ele. Assim como ele não podia deixar nada acontecer comigo.
– Amiga, é por isso que eu escutei você e o amigo Mutano discutindo sobre ele se transforma em gatinho com você longe?
– Foi, Estrelar. Ele não pode se transforma em gato perto de você, que você o acaricia. E como eu disse hoje, ele é meu.
– Eu nunca... – Robin foi interrompido com o alarme. – Ravena, você...
– Fico com ele. Não se preocupem. – ela disse olhando para o líder.
– Voltamos o mais rápido que pudemos.
Os outros saíram, deixando Ravena e Mutano a sós. Ravena estava tão cansada que deixou na cama ao lado de Mutano e dormiu.
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