Broken
16 Talking to the moon
Meu primeiro dia de aula na faculdade com Alice foi muito bom. Na verdade, desde o termino do relacionamento dela com Jasper, ela não tem sido a mesma. Foram semanas complicadas. Edward ficou a noite inteira com a irmã no colo, ninando, até que ela finalmente disse o motivo que esperei para ouvir. Jasper e Maria foram para Harvard. Essa aproximação tinha outro motivo, um, no qual, jamais desconfiei. Jasper já tinha namorado a menina antes de Alice. Ela enlouqueceu com isso. No dia seguinte, eu perguntei se ele havia traído, sei lá, mas Alice disse que não sabia. Achava que não, porque ele era sempre sincero.
Carlisle, desesperado com a tristeza da filha, alegou conseguir leva-la para a instituição, mas a baixinha negou. Disse que não passou, não passou. O ponto que ninguém entendia era que não tinha necessidade para termino, só quando fui fazer minha matrícula para a faculdade com Edward, que vimos o nome de Jasper na lista de selecionados. Ele tinha a opção de ter ficado... Todos sabem que namoro de colegial não dá certo, mas no caso deles, daria, era só uma questão de tentar.
Eu conhecia Alice o suficiente para saber que ela estava transtornada com a distancia. Eles não ficavam horas sem se ver, imagine dias... Tudo ficou muito ruim quando Jasper finalmente apareceu e Edward me surpreendeu agindo sem pensar. Logo ele, sempre tão calculista. Saíram noticias e publicações dele estar novamente com Maria. Alice a mostrou confirmando em algo chamado twitter e várias fotos deles juntos surgiram nos dias seguintes. O clima era de enterro. Particularmente, eu não acreditava muito, porque tabloide sempre mente, mas... E quanto as fotos?
Eu não queria que Jasper apanhasse, embora ele merecesse. Também não tinha forças o suficiente para segurar Edward com toda sua ira. Quando dei por mim, o menino já estava no chão. Nunca se meta com a princesinha Alice… Isso devia ser um provérbio chinês.
As semanas passaram e ela ficou mais sociável. Digo, estamos na mesma faculdade e o prédio é o mesmo. Temos algumas aulas juntas, quase todas. Foi uma surpresa geral ter escolhido Economia, mas quando Rosalie veio conversar conosco, para um almoço de meninas, ela alegou estar cansada de ser a fútil da família. Também queria assumir os negócios. Ninguém mais tocou no assunto. Não é que não a queríamos estudando, mas sentia tanta falta da minha pequena alegre... Ela andava muda acuada, sem usar saltos altos ou grandes maquiagens. Até fazer compras! Ela não quis fazer compras comigo. Isso me preocupava demais.
Hoje, durante nossa primeira aula, conhecemos outros alunos, ela sorriu um pouquinho mais, não foi a mesma coisa. Alguns nos olharam meio como se fossemos alienígenas e era legal me sentir uma universitária. Quando acordei essa manhã e fui escolher minhas roupas, fiz um pequeno desfile para Edward, que continuava deitado na cama, morrendo de rir com minha excitação. Não queria parecer velha, brega ou animada...
- Amor, é a faculdade e não a pré-escola! – Edward comentou apontando para o arco que coloquei na cabeça. Depois de bater nele, expliquei que era apenas para a franja não cair nos olhos e não um acessório do dia.
- Estúpido.
Foi bem legal, apesar de não ter tido nada importante. Vi que meu curso foi bem puxado, porque as matérias pareceram fáceis pra mim. Ao sair da faculdade, fomos direto almoçar e para a empresa. Alice ia sair com Carlisle, algo assim. Não perguntei muito. As vezes sentia vontade de pegar seus ombros e sacudir pra ver se ela voltava ao normal. Eu vi umas fotos de Jasper com Maria na banca de jornal e forcei um tropeço fazendo Alice parar para me ajudar.
Demetri tapou a nossa visão quando o Jornal tinha o nome de Maria... Seguimos em frente com os olhos dela cheio de lágrimas. Se eu pudesse, iria até onde Jasper estava e lhe cuspiria tudo que estava preso a minha garganta. O mais estranho era a sensação de que ele não era assim... Algo errado pairava sobre nossas cabeças.
- Bella, obrigada. – Alice sussurrou quando me abraçou e foi para a sala do seu pai.
- Jéssica, Edward está ocupado? – perguntei e ela negou com a cabeça, digitando freneticamente no computador. Nem sequer me olhou.
Não bati na porta e entrei de fininho. Ele estava com a cadeira virada para a janela e pelo reflexo, tinha vários papeis no colo e na mão. Sua atenção completamente focada que não me percebeu entrar. Antes que ficasse congelada vendo o quanto era lindo, parei atrás da cadeira e toquei seu ombro. Foi engraçado vê-lo pular de susto, mas sua expressão ficou aliviado ao me ver.
- Oi amor. – sorri e ele rapidamente me puxou para seu colo.
- Oi universitária. A que devo a honra? – sorriu beijando primeiro meu queixo, depois nariz, bochecha, a outra bochecha e por fim, segurei o rosto dele e ataquei seus lábios. – Apressadinha.
- Estou a sete horas e meia sem te beijar. Não me culpe. – dei os ombros. – E então, o que há de legal hoje aqui?
- Não sei... Depois que uma bela morena sentou no meu colo, esqueci-me de tudo. – sorriu e virei-me de frente, colocando cada perna na lateral de sua cintura. – Agora mesmo que não me lembro de mais nada. – sussurrou chupando meu lábio inferior.
- Epa! Sexo no escritório. – Emmett estourou pela porta e pulei do colo de Edward morrendo de vergonha por ver Carlisle e Alice logo atrás.
- Qual a parte de que você precisa bater na porta, seu imbecil. – Edward ralhou
- Eu avisei. – Carlisle bateu na nuca de Emmett. Alice estava quieta. Ela normalmente estaria saltando pra cima e pra baixo. Edward percebeu a mesma coisa que eu. – Bom, nós decidimos que iremos todos ao cinema hoje.
- Quê? – Edward perguntou cético.
- É, fazer programa de família. – Emmett comentou inclinando a cabeça para Alice. Ela não percebeu o gesto. Sua expressão estava voltada para o nada.
- Porque não usamos a sala de cinema em casa? Eu vou me sentir melhor. – Alice murmurou baixinho. Foi como um soco no meu peito. A antiga Alice iria saltar, gritar e planejar tudo no lugar de todos.
- Eu acho que devíamos fazer um grande jantar, depois comemos besteiras juntos e vamos dormir todos por lá. O que acha Emm? Rosalie vai concordar! – falei animada e a expressão de Alice foi de alívio.
- Claro. Será ótimo. – sorriu forçado olhando para Alice.
- Então, eu vou para casa agora com Alice e vamos cozinhar. O que acha daqueles cookies de manteiga de amendoim?
- Epa, isso eu quero! – Alice sorriu e meu coração se derreteu. Foram semanas sem vê-la sorrir.
- Ah... Eu acho que vou embora também. – Carlisle animou-se como criança. – Vocês dois, até mais tarde.
- Injusto. Só porque o velho está se aposentando. – Emmett murmurou.
Observei eles saírem novamente e sentei no colo de Edward com um suspiro preso na garganta. Deitei minha cabeça no seu peito e percebi o quanto ele era minha cidade de refugio.
- Não sei mais o que fazer... Minha irmãzinha está tão magoada. – respirou no meu cabelo, deixando um beijinho delicado ali.
- Amor, eu vou pensar em algo. Nós vamos conseguir. – beijei seus lábios com cuidado e peguei minhas coisas.
- Bella, você pode fazer aqueles cupcakes com gotas de chocolate? – pediu feito criança e sorri impossível de negar.
Alice ficou muda no carro conforme eu fui obrigada a contar nos mínimos detalhes ao meu sogro como foi o primeiro dia de aula. Particularmente animada por ter sido fantástico e muito triste por minha companheira não ter a mesma empolgação. Fomos recebidos por Max miando na entrada e Alice pegou no colo, subindo diretamente para seu quarto, como nos últimos dias.
- Então, vou me cuidar para assumir a cozinha. – sorri quebrando o devaneio de Carlisle, que olhava em direção da escada completamente devastado.
- Vou tentar achar Esme por aí. – sorriu e quase desejei boa sorte. A mansão era estupidamente enorme mesmo.
Fui para o antigo quarto de Edward e procurei por alguma roupa confortável que deixei aqui para dias como esse. Assim que desci, Rosalie estava entrando cheia de sacolas na mão.
- Ei, passei na feira e comprei umas coisinhas para fazermos doces. E ah, você acha que Edward faria aquele Ravioli com mel? Não sei falar aquele nome chique. Comprei algumas coisas, outras eu liguei para Ana e ela confirmou outras...
Deixei Rosalie falando com Ana decidindo ingredientes e fui até o telefone, entrando no sistema interno, ligando direto para o quarto de Alice. Ela atendeu no segundo toque fungando. Resolvi dar uma de mandona, sempre funcionava. Edward dizia que ninguém gosta quando começo a gritar.
- Desça essa bunda magra até aqui ou vou subir e você não vai querer isso, Mary Alice Cullen.
- Okay. – sussurrou com a voz arrastada.
Cinco minutos depois, Esme entrou na cozinha rebocando Alice e começamos junto com Ana e outra funcionaria tímida a fazer um monte de besteira. Parecia que íamos receber umas trinta pessoas, mas Rosalie garantiu que Emmett ia comer sem deixar estragar. Meu coração estava batendo feliz, sabe? Naquela sensação gostosa de estar em família. Cercada de pessoas que você ama. Ama de verdade. Tudo ficou melhor quando Edward entrou, já de banho tomado, vestindo uma calça de moletom e camiseta branca. Meu coração bateu descompassado com ele apenas brincando de empurrar Rosalie com o quadril e assumir o controle do fogão.
Esme me viu olhando para Edward e piscou pra mim, completamente emocionada. Ouvi Carlisle e Emmett descendo as escadas com gargalhadas ruidosas. Ficamos na cozinha rindo horrores com Emmett e Rosalie e acho que o sentimento feliz deles estarem bem novamente era compartilhado por todos. A surpresa maior foi a campainha ser tocada quando ninguém esperava.
- Quem deve ser?
- Hm, porque o segurança não avisou? – Emmett perguntou sério.
- E você acha mesmo que eu tenho que avisar minha chegada? Se liga O Coisa*! – uma mulher, alta, de cabelos ruivos e olhos verdes, bem parecidos com eles, entrou na cozinha agitando os braços rapidamente.
(N/A Coisa é o personagem do quarteto fantástico)
- Charlotte! – Esme gritou feliz
- Tia Esme! Surpresa! – sorriu e um homem, segurando um bebê muito pequeno entrou logo atrás.
- Peter! – gritaram novamente.
Foi beijos, abraços, apresentações, gritos e elogios. Depois de muito custar, entendi que Charlotte era sobrinha de Carlisle e Peter era seu marido e o pequeno Ethan seu primeiro filho. Ela disse que veio para Nova Iorque, porque mora em Londres, fazer uma surpresa e porque viu que sua princesinha estava triste. Achei tão malditamente fofo ela abraçando Alice maternalmente. Uma delícia!
- Nossa! Edward cozinhando! Quem foi? – perguntou rindo e todos apontaram pra mim.
- O que eu fiz agora? – perguntei inocente.
- O quê? Edward quer te prender pela barriga? Coisa feia menino! – brincou apertando a bochecha dele. – Bella, quando nós morávamos perto, Edward ia sempre jantar lá em casa na desculpa de conversar com Peter. – revirou os olhos e ele ficou rubro.
- E você me chantageando, dizendo que se alimentava sozinho! Como fui inocente! – brinquei fingindo estar brava.
- Amor, as vezes eu ficava cansado...
- Sei sei... – resmunguei causando risos na cozinha.
Um barulhinho de bebê fez a cozinha inteira suspirar. Charlotte chegou trazendo alegria. Ela era esfuziante, tagarela de um jeitinho bem Alice. Seu bebe era uma fofura. Cabelos loiros como o pai e com bochechas rosinhas. Vontade de apertar até não poder mais. O ponto alto da noite para mim foi quando Edward segurou o pequeno bebê. Foi a cena mais linda da minha vida, vê-lo andar, meio ninando, enquanto segurava a mãozinha gordinha e pequena. Quando me viu babando, o bastardo piscou. Arrogante.
- Ele é tão lindinho... – Rosalie suspirou segurando o bebê. Fingi ainda estar concentrada decorando os cookies, quando Edward me abraçou por trás, beijando minha nuca.
- Então, alguém estava me paquerando enquanto segurava uma criança... Tsc tsc tsc. – sussurrou prensando meu corpo mais um pouquinho contra o balcão. Minha mão tremeu.
- Você estava bonito segurando o bebê. Não me culpe. – dei os ombros meio tremula. Eu estava ficando excitada com o hálito quente dele batendo contra minha pele, seu corpo firme me apertando contra o seu, e podia sentir alguém ficando animadinho.
- Hm... Nós teremos quantos?
- Vamos com calma amigão, não é porque meus ovários acharam lindo você segurando um bebê, significa que eles querem receber um. – respondi e ele gargalhou alto.
- Espertinha.
- Estupido. – virei para ficar de frente a ele. – Nós não estamos falando filhos, estamos?
- Estamos apenas falando... – deu os ombros – Mas se você quiser...
- Cai fora. – empurrei-o de leve. – Daqui a uns dois anos ou mais, o que acha? – “bem mais” completei em pensamento.
- Podemos negociar isso. – sorriu
- Ugh, Edward. Preciso terminar a faculdade primeiro.
- Claro claro... Mas se você engravidar antes? De uma menininha... – sorriu
- Meu Deus, sai de mim! – gritei chamando atenção da nossa família. – Edward quer me engravidar. Sai.
- Emmett acabou de dizer que quer começar a treinar. – Rosalie revirou os olhos – Esse bebê está mexendo com a cabeça desses meninos.
- Ah... Que ideia. – resmunguei voltando a enfeitar meus biscoitos. Alice tinha desaparecido com Charlotte. Fiquei com um pouquinho de ciúmes, mas logo deixei isso de lado, porque Edward veio de novo com o bebê pra cima de mim. – Oi bonitão.
- Que tal convencer a titia Bella e dar um filho pro Tio Edward? – Edward sussurrou e neném gofou. Todos na cozinha caíram na gargalhada. Ele ficou frustrado. – Obrigada, Ethan.
— Ah amor. Olha que adorável. – ironizei apertando a bochecha de Edward com força.
Ele riu contrariado e foi se limpar. Não adiantou e subiu para tomar banho, porque o cheiro de leito azedo não saiu. Eu tive que subir atrás dele e ficar perturbando. Acabei convencendo a Peter a deixar Edward trocar fraldas e Ethan fez xixi nele. Foi risada até a hora do jantar. Minha barriga estava doendo com Emmett tentando zoar Edward, mas acabou ganhando uma gofada também. Épico. O mais importante foi Alice rindo de chorar conosco. Ficou estampado no rosto de Esme o quão leve seu coração ficou com isso.
- Então, que filme vai ser? – Emmett perguntou depois que Peter e Charlotte colocaram o pequeno Ethan para dormir em um bebê conforto ao nosso lado. Estávamos na sala de vídeo há quase meia hora assistindo Edward e Carlisle tentando ligar tudo.
- Nada de romance! Eu preciso extravasar meus dias de dondoca esposa e mãe vendo sangue escorrer na tela! – Charlotte gritou e eu Rosalie jogamos pipocas para o alto concordando.
- Eu não concordo que Bella veja filmes de ação. Ela é muito agressiva normalmente. – Edward comentou jogando-se ao meu lado e sem pensar, dei um tapa bem forte. – Viu. Sofro agressões dentro de casa.
...
Depois do café da manhã recheado de gargalhadas com Edward ainda tentando me convencer que poderia ser um bom pai, de um bebê pequeno como Ethan era. O rapazinho era esperto demais para quem tem só sete meses. Alice e eu nos arrumamos para faculdade e saímos antes do horário do rush ou nunca chegaríamos, por isso, não deu tempo de combinar muitas coisas para o dia.
Quando cheguei em casa deparei com as minhas contas no balcão e abertas. Sabe quando você lembra que fez algo e vai acabar brigando por isso? Então, consegui com Victória meses atrás de desviar as contas do débito automático de Edward e tudo que fosse meu, viesse para casa. Eu conseguia pegar antes dele, mas eu sentia que algum momento ele iria dar falta do dinheiro não sendo retirado.
Edward estava sentado no sofá e com o telefone na mão, gravata frouxa e uma expressão azeda.
- Então, as contas foram pagas normalmente esses últimos meses? – perguntou secamente, mal me olhando. Agora ele iria descobrir tudo. Deus me ajude. – Obrigada pela sua atenção. Peço que retorne ao boleto bancário sendo descontado imediatamente da minha conta pessoal e não troque sem minha autorização. Boa noite.
Um silencio estranho cresceu na sala. Sem ter a mínima noção do que dizer, passei direto para o quarto, tirando minha roupa para tomar banho. Ouvi a respiração pesada de Edward atrás de mim. Eu não estava tecnicamente errada por querer pagar minhas próprias contas. Errei em mudar isso, burlando um sistema do banco, que provavelmente ele iria demitir alguém e arrancar o pescoço de Victória. Na verdade, se fosse fácil fazer isso sem brigar, eu faria. Juro.
- Bella, nós precisamos conversar... – Edward surgiu no closet e parou um pouco olhando por um tempo exagerado meu soutien. – Poe uma blusa porque preciso estar coerente. – pediu jogando-me qualquer peça que viu pela frente, mas rindo, neguei.
- Não, estou bem assim. – dei os ombros. Edward ficou me olhando, coçou a cabeça e bufou frustrado. Comecei a deslizar a calça e ele teve novamente uma visão do meu conjunto de renda azul. Ele sufocou a respiração um pouco.
- Só me explica porque você se nega a receber o que tenho para te dar? – perguntou de forma magoada.
- Edward, eu posso cuidar de mim mesma. Eu me sinto mal usando seu dinheiro sem trabalhar. Eu realmente quero fazer a faculdade, por isso resolvi usar o fundo universitário deixado pelo meu pai. – respondi sinceramente.
- Amor, nós moramos juntos. Meu dever como homem da casa é cuidar de você.
- Eu posso cuidar de mim, Edward. – rebati irritada.
- Eu não faço isso porque você não pode cuidar de você. Eu te amo, Bella! E quero, vou te dar tudo que puder.
Pela primeira vez que brigamos por causa disso fiquei sem resposta. Não tinha pensando as coisas por esse ângulo, ainda assim continuava confuso o fato dele me amar e me bancar.
- Bella, não é porque tenho dinheiro ou simplesmente você ser incapaz de assumir suas contas. Amor, você viveu 22 anos antes de mim e sobreviveu, eu sinceramente não duvido disso... Só que eu te amo, muito. E tudo que posso fazer por você é te mimar, pagar o que você quiser, cuidar que esse período que está dedicando aos seus estudos sejam com conforto. – completou bagunçando o cabelo frustrado. – Eu tenho uma proposta...
- Qual? – perguntei baixinho. Eu simplesmente não sabia o que falar. Ele encostou na soleira da porta. Tão lindo.
- O dinheiro do seu fundo universitário para ser aplicado em ações, no qual você não precise se preocupar com nada pelo resto da sua vida. E, enquanto isso, todas as contas, de todas as pessoas dessa casa serão pagas pelo cara chamado Edward Anthony Cullen, ok?
- Edward...
- Pensa bem... Esse dinheiro será financiado para seus estudos. Todo ele só para sua futura profissão...
- E então será o quê? Você vai me sustentar? – franzi o cenho. – Eu posso trabalhar...
- Eu sei que pode. Nos próximos dois anos você tem uma bolsa integral para cumprir. Eu cuido de você até lá... Por favor...
- Edward... Eu não entendo... – falei baixinho, minha voz saiu meio quebrada, por isso ele veio abraçou-me forte, cheirando meu cabelo e pescoço. – Você pode me amar... E não pagar minhas contas.
Edward suspirou.
- Quando seus pais eram casados, sua mãe trabalhava? – perguntou-me e quase fiquei puta com a menção dos meus pais na conversa. Ele sabia que odiava esse detalhe na minha vida. Me deixava triste. Irritada, neguei com a cabeça. Renée sempre cuidou de mim. Não tenho lembrança dela trabalhando fora. Charlie era o provedor da casa, sendo o homem e... Merda. Ofeguei. Era isso que ele queria. – Entendeu agora? Não é por uma questão machista, é só porque você como minha noiva, precisa dormir do meu lado pacificamente sem problemas.
Eu entendi o ponto dele. Era algo da personalidade de Edward, ele foi criado por Carlisle, o patriarca provedor de toda boa vida. Edward não deixava a peteca cair e com 28 anos de idade estava acostumado a assumir tudo. E também não abriria mão tão fácil do seu ideal assim.
- Tudo bem... – suspirei. Edward sorriu e me apertou mais forte contra seu corpo – Só pelos próximos anos de faculdade, ok? E demita ninguém por minha causa.
- Okaay. – sorriu beijando a pontinha do meu nariz. – Terminou?
- E o que você acha de preparar aquele banho quentinho para nós dois e depois vamos ver o que Carmelita fez para o jantar?
Edward me pegou no colo e fiz o imenso favor de me apertar mais ainda nele até o banheiro, onde nós dois preparamos a banheira e ficamos abraçados enquanto despejamos um no outro o dia. Sem mais problemas, sem mais segredos. Fiquei surpresa o quanto nosso relacionamento evoluiu. Tempos atrás isso seria com gritos e choros. Uma simples conversa e resolvemos. Nunca mais iria fazer algo do tipo, que pudesse envolver outras pessoas e também porque meu namorado, de alguma forma sobrenatural, aprendeu a ouvir e conversar sem ser grosso, estupido ou agir por impulso.
Antes de descobrir o que tinha para jantar o celular de Edward tocou duas vezes. Eu sempre atendia ou ele atendia o meu. Nós realmente não tínhamos problema e nada a esconder um do outro.
- Alô?
- Edward Cullen, por favor.
- Quem deseja? – rebate a grosseria da mulher.
- Tânya Denali. – respondeu e pude ouvir o sorriso debochado em sua voz.
Que diabos? Tudo bem, ela era funcionaria de Edward quando nos conhecemos e antes de se mudar para Londres e ser assistente pessoal dele, ela pegava o metrô com Emmett. Não necessariamente, mas depois do baile de gala, que foi o divisor de águas no meu sentimento por Edward, esse pensamento me ocorreu. Emmett sempre a cumprimentava. Ela era uma das mulheres que me olhavam com pena por serem bonitas... Demais.
- Só um minuto, por favor. – murmurei irritada. Joguei o telefone com força em Edward, que estava no sofá, mexendo no bolso do seu paletó Armani. Ele me olhou assustado e com dor. – Tânya Denali pra você. – rosnei e voltei para cozinha, mas o telefone residencial tocou. Inferno. Vai ser quem agora? – O que é?
- Maninha!
- O que é? – repeti. Emmett, essa hora, que saco.
- Peter e Charlotte estão aqui. Venham jantar conosco, ok? Traga o Eddie.
- Ok, estamos atravessando a rua. – suspirei. Seria bom dissipar essa ligação com o clima legal de Charlotte e Emmett.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou-me preocupado. – Eu conheço esse tom de voz... Vocês brigaram.
- Ainda não. Não de novo. Que seja. Tchau. – bati o telefone, passando direto para o quarto a fim de trocar de roupa. Não sei porque, eu estava me roendo de ciúmes.
Alice tinha me contado que ela foi quem “ajudou” na revelação sobre minha verdadeira identidade, mas mesmo assim. Nós nunca nos falamos, a não ser no baile, sei lá. Eu pensei que ela tivesse sumido, saído da empresa. Esme não gostava dela e achava que a mesma nutria sentimentos por Edward. Quem não nutriria? Bonito, rico e solteiro.
- Estamos de saída? – Edward perguntou e entreguei-lhe uma calça e blusa de botões.
- Sua prima está no apartamento da frente e Emmett acabou de nos convidar para ir lá. – respondi e ele me empurrou contra porta para um beijo violento. – Isso é para me animar a sair de casa?
- Tudo bem, eu só preciso ligar para Victória e descobrir porque diabo Tânya ainda trabalha para o banco. – respondeu vestindo a roupa.
- E porque ela seria demitida? – perguntei confusa.
- Ela invadiu a minha vida pessoal quando não lhe dei permissão. – deu os ombros.
- E o Rh aceitaria isso?
- Espertinha. Claro que não...
- Edward você pode ser processado por isso.
- Eu sei.
- E?
- E o que, amor?
- Você não pode simplesmente demiti-la, além do mais, ela é boa funcionaria, deixe-a bem longe de mim e vamos ficar bem.
- Algumas pessoas deviam dar graças ao seu por você ser tão boa. – beijou-me e finalmente saímos de casa, atravessando a rua correndo para o prédio de Emmett. Era tão longe.
Mais algumas semanas se passaram e Alice estava aos poucos se introduzindo a vida humana novamente. Não tinha mais notícias de Jasper ou Maria. Nós também não procuramos mais e por isso, minha paciência se esgotou. Antes de Charlotte ir embora, ela inventou um maldito baile de verão no central park, quase a joguei pela janela, mas Ethan no colo me impediu. Eu juro, cheguei a soar frio, mas isso me deu outra ideia.
Fiz Rosalie comprar um colírio na farmácia e acredite, ela brigou com atendente pela falta de receita, mas conseguiu um. Espero que essa merda não me deixe cega.
- O que você vai fazer? – Rosalie sussurrou.
- Cala a boca, eles vão nos ouvir. – rosnei beliscando minha bochecha para simplesmente ficar vermelha. Baguncei meu cabelo e arranhei um pouco meu rosto.
- Você não tem aquela coisa de mutilação não, né? – Rosalie perguntou e quase a soquei. Estupida. Se ela não tivesse rindo, juro que não seria brincadeira. Edward e Emmett estavam na sala. Max sendo sufocado entre os dois enquanto jogavam vídeo o game no chão, na casa dos pais deles.
Apliquei o colírio entrando em casa como um furacão. Em pouco tempo iria começar a chorar. Edward, vendo meu estado saltou em minha direção, mas não podia me impedir. Meu plano precisava ser completo. Só esperava que Charlotte me perdoasse caso meus gritos acordem Ethan. Será por uma boa causa.
- Não quero falar com você agora. – gritei para Edward, subindo as escadas com um rompante. Eu iria precisar fazer algo extraordinário para me desculpar mais tarde. Ele ficou congelado no lugar e segui adiante. Tinha que dar certo.
Abri a porta do quarto de Alice e simplesmente encontrei-a, olhando para lua com Bruno Mars tocando ao fundo. Ela saltou ao me ver.
- O que foi?
- Não posso mais Alice. – chorei. Isso funcionava mesmo. Quantas lágrimas!
- Não pode mais o quê? – perguntou frenética.
- Cuidar de tudo. É muita pressão sabia? Escolher decoração, equipe, roupa, um bom maquiador, qual melhor sapato... E o idiota do seu irmão não entende nada disso! – gritei ultrajada. – E sabe quantos bailes de verão já organizei? Nenhum. Vai ser um fracasso Al... Eu não sei o que vestir... – choraminguei e ela suspirou, batendo o dedo na têmpora.
- Eu preciso organizar tudo nessa casa, não é? Bella, querida, pode deixar, eu vou escolher tudo. Na verdade, acabo de ter uma ideia! Vem aqui, sabe aquele canto esquerdo do salão? Pensei em colocar o buffet ali... – Joguei meu corpo teatralmente na cama conforme ela contava animada, falando cinco mil palavras por segundo, apontando coisas no meu computador e tendo mais ideias.
Esme estava na porta olhando para a filha que a muito tempo não víamos agindo assim. Sendo tão... Alice. Foi mágico passar a noite inteira com ela ao meu lado, depois Esme veio, Charlotte e por fim Rosalie. Nós jantamos aquela noite sem realmente falar muito, porque todas as palavras acumuladas durante os últimos dois meses foram vomitadas na mesa do jantar.
- MEU DEUS! – gritou e saltamos da mesa – EDWARD SEU IMPRESTAVEL, AMANHA É ANIVERSÁRIO DA SUA NAMORADA!
- Aniversário de quem? – perguntei confusa e Edward olhou pra mim rindo. Amanhã era que dia?
- Bom, Isabella Marie Swan nasceu no dia 13 de setembro, não é? – Carlisle brincou
Meu. Aniversário. Amanhã. Vinte e três anos. Eu. Esqueci. Completamente.
Notas finais
Agora...
Jasper traiu Alice? Para as Alisper, acalmem a piriquita, ok?
Qual será a surpresa dos Cullen para Bella?
Deixem review!
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