Broken

34 Extra - II


Duas pimentinhas. Sim, era isso. Eu pari duas crianças pimentas e agora tinha um bebê de oito meses de idade que seguia o exemplo das irmãs mais velhas. Fofie e Lilabeth como ambas se chamavam era unidas e adoráveis. Como mãe, eu tinha que aprender a arte de dizer não com mais frequência e cuidar que elas sejam boas moças educadas. Na verdade, eu achava encantador toda vez que encontrava-as aprontando.

Semana passada, por exemplo, encontrei meus cremes caríssimos e exclusivos no vaso sanitário, quando Elizabeth fazia meu pente de colher de pau e Sophie picava papel higiénico no meio. Minha reação foi querer sair correndo e pegar a câmera fotográfica. Tive que brigar, mas secretamente tirei fotos do meu celular e enviei para Edward. Nós sofríamos de corujisse aguda com nossos pimpolhos.

Três filhos davam muito trabalho. De manhã cedo Edward e eu corríamos arrumando as crianças para passar o dia com Vovô Lisle e Vovó Me. Elas ainda não estavam com idade o suficiente para a pré-escola e eu não iria colocá-los em creches ou babás quando meus sogros faziam questão de ficar com netos. Incluindo Joseph, Daniele e meu pequeno menino lindo a cara do pai Anthony. Assim íamos trabalhar, com ligações ocasionais de uma avó animada querendo contar cada descoberta das crianças.

Nós continuávamos trabalhando lado-a-lado, com um ritmo de viagem ainda menor com as crianças pequenas, ainda sim, tínhamos viagens juntos que me cortavam a alma ficar longe dos meus filhos. Sempre que podia eu os levava apenas com minha fraqueza de mãe boba e apaixonada. Isso não era só sobre mim. Edward era o pai mais bobão e presente do universo.

- Mamãe? Uco! — Sophie chamou minha atenção e apontou para seu copinho de girafa — Uva?

- É, suco de uva. — sorri brincando com seu cachinhos — E você, meu amor? Com fome? — perguntei a Elizabeth, que enfiava uvas sem caroço na boca. Minhas filhas tinham algo com uva. Mês passado era cereja...

Ouvi a porta da frente bater, as chaves sendo jogadas no aparador e esperei com o sorriso estúpido colado nos lábios. Continuava tão ridiculamente apaixonada por Edward que meu coração palpitava feito uma adolescente a espera do encontro ao baile.

- Cadê minha família? — Edward gritou e minhas duas pimpolhas sairam correndo no couro de “Papai, papai” e Anthony, que estava no chão com seus brinquedos coloridos desviou o olhar do carrinho de pelúcia para som da voz do pai, o seu ídolo e sorriu todo babado. A fase dos dentes nascendo era gostosa demais para deixar passar em branco. — Minhas princesas lindas! E cadê o garotão do papai? Anthony!

Meu marido apareceu na sala com a gravata frouxa e nossas gordinhas no colo. Ele continuava sendo o homem mais bonito da face da terra. Não percebi nosso menino engatinhar até a ele e puxar sua calça. Era sempre assim quando ele chegava, as crianças ficavam animadas e queriam matar a saudade.

- Olá minha linda esposa. — Edward sorriu torto me beijando delicadamente nos lábios — Senti sua falta.

- Você estava comigo a menos de duas horas.

- Não importa. — piscou me beijando novamente e um borrão azul se equilibrou entre minhas pernas — Toda vez que eu te beijar ele vai fazer isso?

- Você sabe, as meninas ficam com ciumes de você. É justo que alguém defenda minha honra nessa casa.

- Bobinha. — sorriu torto me abraçando levemente com nossos filhos no meio — Você está melhor?

- Era só tpm, amor. Eu queria matar Emmett e seus pedidos de notas ficais. Só queria vir e ficar com meus pimpolhos. — suspirei dando um brinquedo de dentição para Anthony e sequei seu rostinho bochechudo — E ficou tudo bem depois que sai?

- Tranquilo. Emmett se sentiu culpado e queria te ligar, mas para o bem da nação, Rosalie interviu e disse que ele precisava sair mais cedo também.

- Eu amo seu irmão, mas se ele me ligasse, nós teríamos um problema sério. Já temos o jantar pronto, vai se cuidar.

- Eu não irei tomar banho com a minha esposa? Vim para casa de ter minha mulher nua e ofegante comigo...

- De sobremesa. — cortei o assunto. Nada tinha mudado. Edward continuava me enlouquecendo e envergonhando com suas insinuações sexuais. — Vá, tire esse traseiro bonito daqui.

- Tlaseilo! — Elizabeth repetiu e eu quis rir, mas dei um olhar de advertência a Edward que gargalhou alto — Tlaseilo mamãe!

- Não amor... É bumbum. — bati no seu bumbum levemente com a fralda — Bumbum do neném.

- Caca. — Sophie riu batendo no seu próprio bumbum — Caca, Lilabeth.

- Elizabeth. — corrigi a Sophie — E-li-za-bee-th.

- Lilabeth! — Sophie gritou de volta nos fazendo rir. Tão malditamente adoráveis.

- Vamos trocar essa fralda, mocinha. — chamei e ela saiu correndo de mim. Era sempre assim. Até tirar a roupa e trocar a fralda, as duas fugiam de mim ou de Edward. — Sophie, volte aqui.

As palavrinhas mágicas para fazê-la gargalhar e sair correndo pelo casa. Edward pegou Anthony e deu a mão a Elizabeth e peguei minha pestinha fujona e coloquei embaixo do braço fazendo cócegas. Enquanto Edward tomava seu tempo com banho, troquei a fralda de Sophie e dei banho em Anthony enquanto elas se distraiam com o desenho do Bob Esponja. Elas amavam a risada e o Patrick.

Nós comemos com as crianças fazendo uma bagunça na mesa. Elizabeth enfiou a mão no purê e passou no cabelo da irmã enquanto eu tentava dar um pouco de sopa morna de ervilha para Anthony. Edward achava divertido as duas interagirem e esquecia de repreender que não se brinca com comida.

- Elizabeth e Sophie! — chamou severamente e eu suspirei.

Nós não brigávamos na frente das crianças, muito menos dizíamos o que o outro tinha que fazer na hora de educar com eles presentes. Isso ficava salvo para o quarto, sozinhos. Eu detestava sua maneira brincalhona de deixar as meninas se divertirem livres. Eu era muito mais disciplinadora do que educadora e Edward era o educador babão. Nós tínhamos maneiras diferentes de controlar nossos furacões. No fim das contas, eles sabiam como obedecer e quando obedecer com meu olhar e o tom de voz grosso do pai.

As meninas pararam de brincar e passaram a prestar atenção nas colheiradas que ele dava a elas e Anthony parou de querer rir das irmãs. Virei para Edward e soprei um beijo para mostrar que não estava chateada e então, Elizabeth surpreendeu fazendo bico de beijo, mas olhou para seus lábios, ficando vesga e depois fazendo barulhinhos estalados.

Mandei outro beijo bem devagar e barulhento para fazê-la repetir com calma e isso foi o desatar de beijos na mesa do jantar. Anthony adormeceu no meu colo antes do fim e isso fez com que nós dois déssemos banho nas meninas beijoqueiras. Elas beijaram o sapo, o pato, a banheira, uma a outra, a esponja, o vidro de xampu, eu, o pai, as bonecas do berço até adormecerem.

- Hoje elas estavam... — suspirei rindo das bonequinhas dormindo — Três bebês pequenos. E lindos.

- Como a mãe. — Edward me abraçou — Sabe, daqui a uns anos...

- Se você começar com a palhaçada de saco para mais um filho, Edward, eu juro que não faço sexo com você!

- Sabe, daqui a uns anos vamos sentir falta disso. — continuou me ignorando e eu ri — Peguei você.

- Que tal você aproveitar e me pegar de verdade agora?

- Certo, a sobremesa.

- Eu prometi, não prometi? — brinquei dando tapinhas no seu ombro — Eu amo você.

- Eu também te amo. — Edward sorriu me erguendo no seu colo — Vamos lá... Antes que Anthony acorde e queira acabar com a brincadeira do papai. — sussurrou espiando o quarto do nosso menino.

Anthony era campeão de acordar nas melhores horas, impressionante! Até eu ficava frustrada no quase lá e de repente, no monitor do bebê, explodia um choro magoado que acabava com tudo. Eu particularmente tinha sorte porque Edward fazia questão de continuar de onde paramos, mesmo que isso resultasse os dois morrendo de sono pela manhã. Como dizem por aí, a noite é uma criança.

Reunimos os monitores de bebê e corremos para o quarto. Tempo é dinheiro. Ok. Tempo no nosso caso era tão dinheiro quanto filho acordando de madrugada, porque os três faziam isso. Ser mãe é algo lindo, mas é preciso tempo, paciência e muito amor. Não faria nada diferente... Ser esposa e mãe era tudo que mais amava. É tudo que eu sou.

- Espere... — sussurrei no banho que estávamos tomando junto — Acho que alguém acordou...

- Mama!Mama? Papa?

O choramingo estava baixo, mas podia ouvir claramente. Sorri para o olhar brilhando de Edward.

- Eu faço a mamadeira... — Edward levantou da banheira, secando-se rápido e enrolando no roupão.

Encontrei meu menino sentado no berço, com o rostinho sonolento e meio molhado pelo choro. Anthony era chorão, gostava de um drama e era mimado feito Edward. Esme dizia que a pouca diferença de idade entre Edward e Emmett fazia os dois bem pimentinhas, mas quem realmente deu trabalho foi Alice. Minhas filhas sorriam arteiramente como a tia. Era de família.

- Mamãe está aqui, amor. — sussurrei afagando seus cabelos bronze arrepiados como do pai — Com fome? Advinha que papai foi fazer?

Anthony fez barulhinhos estalados com a boca e resmungou esfregando o rostinho no meu ombro. Sua mãozinha foi para meu seio. Não tinha mais tanto leite porque até os sete meses estava amamentando, mas agora não dava mais. Meus seios estavam molengas e brochantes, me irritava muito. Resolvi que iria fazer mamoplastia para colocar tudo no devido lugar, o que ocasionou uma briga enorme entre Edward e eu.

Não tinha feito ainda, porque ele não queria, apesar de achar um absurdo. O corpo era meu, mas no fundo, no fundo, queria fazer por ele. Era Edward quem me via nua e no começo do namoro meus seios eram durinhos, em pé e sem ter três crianças penduradas neles.

Meu corpo em si não estava ruim... Malhava todos os dias de manhã. Talvez tenha ficado meio neurótica... Mas algumas coisas não mudam. Jamais. Principalmente ver o olhar de tesão, luxuria e satisfação de Edward com meu corpo. Fora que nós mulheres sabemos que é muito fácil homem procurar uma diversão fora de casa. Ainda mais para Edward, que se eu desse mole, tinha uma se oferecendo descaradamente.

- Mama? — Anthony mordeu meu queixo e eu ri esfregando meu nariz com o dele.

- Lindo. Eu te amo, meu príncipe.

- Chegou a mamadeira! — Edward comemorou e Anthony sorriu lindamente para o pai — Vem cá, meu meninão.

Assistir Edward interagir com nosso filhos me deixava muito, mas muito, abobalhada. Edward alimentou e ninou nosso menino apaixonadamente.

- Vamos dormir, baby. Amanhã temos o dia inteiro com três pimentinhas com pilhas carregadas.

.~.

- PAPAI, PAPAI, PAPAI!

- Edward... — murmurei sonolenta — Suas filhas acordaram. — resmunguei de olhos fechados. — E elas estão te gritando...

- Quê? — gemeu bocejando me puxando para seu lado — Mais cinco minutinhos.

- PAPAI EWAAAAAAARD. — dessa vez foi Sophie.

E então, Anthony começou a chorar com a gritaria das irmãs. Adeus cinco minutos de soneca, porra!, seis horas da manhã. Levantei muito emburrada e desci com minha criança no colo, e Edward veio atrás com as duas já tagarelando terrivelmente.

- Bom dia amor. — Edward me deu uma bitoca rápida sabendo que eu não estava bem. Eu estava de tpm, de verdade, por isso fiquei na minha dando comida para Anthony, que depois de mim, sofria pelas manhãs com o bom humor das meninas.

- Mamãe! — Elizabeth me chamou e soprou um beijo. Meu coração derreteu e todo péssimo humor sumiu como fumaça.

- Linda... — suspirei dando outro beijo.

Edward e eu brincamos com as crianças na piscina até a hora do almoço. Meu lindo marido grelhou diferente carnes e comemos com eles já cansadinhos. Quer dizer, eu e Anthony cansados. Acabei adormecendo quando fui fazer meu menino dormir. Acordei com notas suaves e gargalhadas gostosas ecoando pela casa. Anthony abriu seus lindos olhos quando me movi.

Segui o som pela casa com ele no colo. Encontrei as duas pimpolhas no colo do pai, no piano da biblioteca. As duas tocavam o ‘ano’ como ouvi e o pai riu tocando mais algumas notas. Ele deixou as duas livres e elas fecharam aos mãozinhas em punhos e socando as teclas brancas. Anthony soltou um grito e sacodiu o corpinho animado.

- Oi. — sorri para Edward — O que foi isso?

- Passar o tempo. Elas reconheceram a música que toquei com a da caixinha delas. — deu os ombros batendo no lugar ao seu lado — Assim que elas ficarem maior, quero contratar um professor.

- Maior ao ponto de poder decidir se gostam ou não... — murmurei sentando-me ao seu lado — Não quero ser aquela mãe que obriga os filhos. Tirando a escola e a alimentação, quero que elas decidam o que gosto.

- Baby, estamos falando da Fofie e Lilabeth. Essas duas vão dar um trabalho... — Edward riu de Sophie ficando em pé para bater melhor — Assim não, devagar princesa.

- Está na hora de fazê-las dormir um pouquinho ou vão desmaiar antes do jantar e acordar cedo demais amanhã. — bocejei e Anthony que até então, estava distraído com a chupeta, bocejou também. Fiquei toda boba porque nessa fase eles começam a ter reflexo. — Soninho ainda, preguiça?

- E quando eles dormirem, vamos fazer o quê? — Edward perguntou tentando soar casual, mas o sorriso sexy denunciou suas intenções.

- Você sabe o quê.

- Sei? Não sei, o quê?

- Se continuar dando uma de joão sem braço é que não vai saber... — resmunguei levantando com Anthony — Vem meninas, vamos com a mamãe.

Seus passinhos pesados me seguiram até o chão do quarto delas, onde sempre tinha uma cama pronta para os três dormirem juntos. Elas, gordinhas que só eu sei o quanto era dificil ficar perto sem morder, se jogaram no meio. Edward deu um tapa na minha bunda quando abaixei para colocar Anthony, a mania irritante me enervava, ele fazia isso sempre.

Com o pai cantarolando, os três dormiram rapidinho. Liguei o monitor do bebê e agarrei a mão dele, rebocando para o quarto. Edward riu da minha pressa e me pegou no colo.

- Pode parando — bati na sua mão boba apertando meu bumbum — Nós não vamos fazer isso.

- Não? Você disse que íamos.

- Não disse nada. Eu pensei que você soubesse que nós íamos dormir também. — provoquei empurrando-o de cima de mim — Vou buscar uma camiseta confortável no closet, já volto.

Nua, me olhando no espelho esqueci completamente da camiseta e fiquei reparando no meu corpo. Pernas, ok. Barriga, ok. Braços, ok. Seios... Não. Joguei a camisa pela cabeça e vesti um short de sarja.

- Eu preciso te mostrar algo... — Edward entrou no closet e abriu seu armário — Lembra disso?

- Claro, eu estava procurando para colocar mais fotos... — sorri vendo nosso album de família.

- Eu coloquei minhas anotações... Vem ver. — puxou-me para sentar no seu colo, no sofá do cantinho — Aqui desde o dia que começamos a morar juntos.

Foram anotações desde o inicio, de cada momento da minha primeira gravidez, o nascimento das meninas, cada momentinho e descoberta delas, minha segunda gravidez, festas, aniversários, eventos, viagens e vários momentos a dois. Embora, uma foto em especial me chamou atenção. Era minha amamentando as meninas. Na verdade só Sophie estava mamando e Elizabeth estava deitada entre minhas pernas. A nota era seguinte:

Nunca me achei um homem agraciado por Deus. Mesmo sendo rico e bonito, não era completo. Nos olhos castanhos-chocolates mais bonitos encontrei meu mundo. Minha maneira de ser feliz e a mulher que escolheu ser minha me deu dois presentes lindos. Minhas princesas. Nada seria perfeito se seu corpo fosse projetado especificamente para cuidar, proteger e alimentar, algo que eu, sendo apenas o pai jamais poderia fazer com tanta perfeição como ela. Eu te amo, Isabella. Amo pela vida que tenho e por tudo que só você é capaz de me dar.

Minha vida, minha alma, meu corpo, meus filhos era de Edward. Nada no mundo mudaria isso.

- Eu te amo. — sussurrei chorosa no seu colo e um barulhinho nos chamou atenção.

Anthony estava engatinhando até nós dois, com a chupeta na boca, olhar sonolento mas um sorriso travesso nos lábios. E então, um som familiar começou a surgir do corredor e várias risadinhas ecoaram nos meus ouvidos.

- As meninas encontraram o ‘ano’ novamente, papai. — provoquei pegando nosso bebê, indo até a biblioteca.

As meninas estavam em pé, na pontinha mesmo, tocando nas teclas e rindo. Edward limpou a garganta fazendo as duas saltarem de surpresa e soltarem gritinhos animados. Ele praticamente correu na direção delas, fazendo um barulho de rosnado com a boca e garras com as mãos. As risadas gostosas dos três encheram meu coração de alegria. Dane-se minhas inseguranças tolas. Eu, definitivamente, tinha tudo na vida. Nada me faltava.

- Vem amor, preciso de reforço com as cosquinhas nessas pipoquinhas gorduchas!


N/A: Deu para matar saudades? Review!

N/B: Preciso dizer que lacrimejei com esse finalzinho. Crianças mais mordíveis e nosso casal lindo formando essa família incrível. Ai que saudade que eu estava dessa fic, e fiquei muito feliz porque a Mari escreveu esse Outtake, tenho certeza que vocês também né? Então deixem uma review fofuxa!! Beijos xx LeiliPattz

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!