Broken
32 Epílogo
Pés gordinhos batiam fortemente contra o assoalho do corredor e eu podia ouvir a respiração pesada atrás de Elizabeth. Ela veemente corria do pai, não querendo de modo algum, tomar banho. Eu tinha Sophie entre minhas pernas, só de fralda, cabelos despenteados e uma blusinha de ficar em casa. Apesar de estar frio lá fora e ter um enxoval da Gucci e Louise Vuitton, as duas preferiam ficar com menos roupa possível.
Mesmo tendo apenas um ano e nove meses, as duas só aprimoravam a personalidade extremamente forte, e eu agora grávida de quatro meses de um menino, tive Edward me garantindo que conseguiria arrumar as meninas sozinho para ceia de natal, na casa de seus pais. Elizabeth ainda estava brincando de pique-esconde-corre-do-banho com papai e Sophie continuava fazendo minhas pernas de escorrego.
- Precisa de ajuda? – perguntei com uma risadinha e ele me olhou sério. Elizabeth estava pelada, sorrindo para o pai de forma travessa.
- Continue quieta aí. – respondeu-me levemente – Eu posso fazer isso. Você estava com dores nas costas.
Claro que a minha gravidez não era de risco e eu poderia até me arriscar a fazer parto natural, mas eu não considerava a hipótese de sentir dor. Não mesmo. Além do mais, não era porque nessa gravidez eu estava bem, significava que estava livre das vitaminas e remédio para pressão. Só que cuidar das minhas filhas era rotina. Apesar de ter voltado a trabalhar e elas ficarem com Esme e uma ajudante, porque Joseph também ficava por lá, não significava que estava invalida. Mas, explique isso para Edward?
Eu não podia resmungar, que ele vinha correndo. Eu pensei que isso fosse passar. Estar avançando na casa dos trinta estava fazendo-o me enlouquecer. Então, eu sentei e esperei ele se render e pedir ajuda. Elizabeth não iria para o banho por livre vontade. Sophie não iria parar de brincar. A alternativa dele seria pegar a força, mas as duas iam fazer um barraco honrando o sobrenome dos Cullen, ele ia amolecer e fazer o que elas queriam.
Eu já tinha visto esse filme.
- Vem com o papai, Elizabeth. – Edward disse firme e ela parou de correr, lançando um olhar doce e inocente. – Agora, Elizabeth Swan Cullen.
A baixinha chegou a se assustar e projetou os lábios para fora como quem vai chorar. Edward não tinha gritado, muito menos tocado nela. Apenas mandou. Coisa que nunca fazia. Sophie, congelada no lugar, começou a rir, o que fez a irmã chorar e a novela começou. Quando recebi a carranca de Edward, percebi que estava rindo também.
- Ok. Sophie e Elizabeth vão com o papai. – pedi docemente e as duas negaram. Elas faziam isso comigo e eu me irritava com o gênio absurdo de duas crianças. – Sophie e Elizabeth, banho agora.
As duas ficaram do lado uma da outra, me fitando sem se mover. Uma pelada, exibindo as perninhas gordinhas e outra só de camiseta e fralda. As duas eram idênticas nos olhos castanhos puxados para o verde e cabelos com cachos abertos, na tonalidade ruiva do pai. Edward inclinou-se de lado e as duas foram andando devagar.
- Banho. – ele reforçou com elas, seguindo em passos lentos. – Você vem me ajudar?
- Pensei que nunca fosse pedir, bonitão. – sorri de volta e as duas estavam emboladas, puxando a mesma boneca. – Gatinhas, vem aqui.
Elizabeth veio correndo e em um salto, coloquei-a dentro da banheira e Edward começou a tirar a roupa de Sophie, que ficou ocupada puxando o cabelo dele.
- Mamãe, dá? – Elizabeth apontou o dedo gordinho para o pato de borracha. – Fofie! – chamou pela irmã. Eu tentava fazê-la falar certo, mas não adiantava.
- Lilabete! – Sophie gritou batendo palminhas, querendo sair do colo de Edward a todo custo.
Não adiantava. Um dia, elas iam falar certo.
Foi colocar as duas, que a guerra de água começou. Eu ia matar Alice por ensinar essas besteiras as minhas filhas. Tudo bem que Tia Alice era sinônimo de diversão, mas não existia possibilidade de sair seca de um banho com elas. Quando eu digo molhada, é beirando o ensopada. O banho foi tão divertido que elas não queriam sair dele. Foi uma reclamação atrás da outra.
- Papai, não! – Elizabeth puxou o pé não querendo colocar a meia. – Meia, não papai!
- Meia sim. Está frio lá fora. – Edward retrucou puxando os sapatos.
Sophie estranhamente me deixou vesti-la e quando coloquei-a no chão, finalmente pronta, com cabelos penteados e tudo, ganhei um beijo na barriga.
- Oi bebê. – Sophie riu acenando, como se ele pudesse ver. – Mamãe, amor.
- Isso, bebê da mamãe é o nosso novo amor. – concordei e ela riu.
Observei Edward lidar com a personalidade explosiva de Elizabeth sozinho. Quando finalmente conseguiu, ela esticou os braços para abraçá-lo e deu-lhe um beijo na bochecha, fazendo com que toda impaciência se dissipasse e um enorme sorriso se abrisse.
- Vamos nos arrumar? – perguntei saindo do quarto. Eu sabia que seria seguida pelos três.
Edward foi tomar banho primeiro enquanto separava sua roupa e colocava no cabide, em uma das portas do closet. Fui escolher a minha e aproveitei para admirar meu pequeno ovo, bem diferente de quando estava grávida de duas. Não sabem o alivio que senti quando Dr. Grace afirmou ser um só. Eu não esperava estar grávida. Edward me engravidou de novo.
Era mais fácil “culpá-lo”. Eu tinha esquecido de tomar o remédio, que havia mudado para uso oral. Maior besteira da minha vida. Edward quem lembrava, mas depois de um tempo, ele passou a “fingir” que esqueceu. Ele nunca esquece algo. Quer dizer, quando minha boca estava em alguns lugares do seu corpo, eu particularmente me gabava por fazê-lo esquecer de seu próprio nome.
As meninas estavam comigo dentro do closet, abrindo e fechando gavetas, por vezes mexendo nas minhas roupas intimas e ainda por cima, brincando de vesti-las. Eu tinha que rir. Era malditamente fofo e engraçado, porque além de fazer isso, conversavam entre si, falando algumas coisas incompreensíveis, outras não, mas elas se entendiam. E fingiam que eu não estava ali.
- Vamos lá, ajudem à mamãe... – chamei atenção das duas. – Vermelho ou bege? – coloquei os dois vestidos a minha frente. Elas olharam pra mim por quantidade de tempo infinita, sem me responder. Eu desisti e bufei.
- Mermelho! – Sophie gritou batendo palminhas e Elizabeth também começou a se sacudir, como se fosse pular.
- Então, será o vermelho. – sorri puxando o vestido novamente. – Venham meninas.
Edward saiu do banheiro enrolado em um roupão e fechou a porta do closet para se vestir. Meu lado mãe tarada hormônios em fúria quis pular lá dentro, mas eu tinha duas verdadeiras pestes como filhas, que não podiam em hipótese alguma, ficarem sozinhas. Apesar de todas as tomadas da casa serem tampadas e não existir nada “perigoso” ao alcance das mãozinhas gordinhas, elas conseguiam fazer algo inédito.
Pouco tempo depois, nós descemos para rua encontrando Rosalie e sua barriga de sete meses, com Emmett e Joseph rodeando suas pernas. Ele sorriu lindamente pra mim que segurava Elizabeth e Edward carregava Sophie nas suas costas. Nós descemos a rua com alguns seguranças perto de nós e uma conversa leve, no espírito natalino e o cenário branco, com luzes coloridas que nos rodeava.
Emmett tirou os poucos minutos para me encher à paciência.
Joseph se animou com o boneco de neve e nós paramos brevemente para tirar fotos, mas quando Demetri atravessou a rua e pegou um paparazzi, decidimos que era hora de entrar e saborear nossa ceia de natal familiar. Diferente de muitos anos, Alice não estava quicando na porta ou tagarelando sem limites. Ela não era mais uma adolescente e sim uma mulher forte e bonita. Sentada ao lado do pai, com uma taça de vinho, sorria ternamente e eu pensei: Minha garotinha é Diretora da Fundação e agora tem uma cadeira executiva na empresa.
Eu estava com muito orgulho dela.
- Mamãe dê! – Elizabeth sacudiu as perninhas apontando para o visco. Edward do meu lado sorriu e se inclinou para me beijar. Era a tradição, afinal de contas. – Mamãe!
- Calma criança. – resmunguei colocando-a no chão e ela saiu correndo para o colo do avô. Sophie viu e quis fazer o mesmo. – Amor, estou com fome. – comentei e Edward riu, me puxando até a mesa, cheia de coisas gostosas.
- Você quer algo em especial?
- Tudo que for gostoso. – respondi rindo e Esme soltou uma risadinha do meu lado.
- Grávidas e suas fomes. – Esme brincou docemente, afagando minha barriga. – Eu vou buscar os cookies. Tive que esconder. Carlisle quase comeu tudo. – comentou – Como sempre.
- Eu faço especialmente pra ele, sogra. Não tem problema. – respondi e a sala ficou em silencio. Carlisle era o único a sorrir – Que foi?
- Então, você faz cookies especialmente a Tio Carlisle? – Charlotte apareceu no vão da escada e Ethan desceu correndo, me abraçando pelas pernas. – Você disse que fazia especialmente pra mim, no natal passado. – provocou vindo me abraçar.
- Eu nunca disse isso. Carlisle sempre foi o único a declarar amor eterno aos meus biscoitos. – respondi rindo e Emmett bufou, ainda magoado. – Além do mais, ele é o avô preferido das minhas filhas. Preciso mimá-lo.
- Bom, só porque Bella está querendo mimar alguém é que vamos ficar chateados? – Peter provocou e eu dei língua a todos eles.
Natal sempre seria uma data mágica para nós. Não importava o que fosse acontecer. Seria algo extremamente especial. Minhas filhas rodando ao redor da árvore, querendo puxar os efeitos e já descabeladas, sem presilhas e vestidos amarrotados. Ethan, o mais velho, estava sentado com um carrinho e Joseph ao seu lado, atrapalhava sua brincadeira.
Rosalie sentada ao lado de Alice, que estava solteira, sem mais nenhum namorado, rolo ou compromisso descompromissado. Ela e Jasper agora eram amigos, apesar de não terem se visto mais. Foi algo combinado. Até que ambas as partes estivessem prontos para o que fosse acontecer, eles se mantinham em e-mails, telefones, Skype e até mesmo, cartas. Era bem bonito e romântico. E no fundo, torcia muito para que desse certo.
Voltei a prestar atenção na minha cunhada loira, que já sabia falar inglês perfeitamente, ainda com delicado resquício do seu sotaque francês. Emmett completamente feliz ao seu lado. Do galinha convicto da família ao homem apaixonado, pai de família, sendo inteiramente meu melhor amigo. Depois, obviamente, do irmão dele.
O homem que tinha se afastado de tudo e de todos por conta de uma maldita clausula que o impedia de assumir os negócios da família. Ele morava longe, sozinho e era fechado ao universo. Tinha uma vadia como assistente. E então, caímos de paraquedas na vida um do outro. Construindo uma vida e suturando nossas feridas. Nós nos apaixonamos e construímos um amor.
- Mamãe? – Sophie chamou-me puxando minha roupa – Papa?
- Quer comer, amor? Senta aqui. – puxei-a pra cima e procurei por Elizabeth e ela comia junto com Alice. – Alice, não dê presunto ou carne de porco, ok?
- Sim, mamãe. – respondeu rindo.
Sophie comeu bem e desceu para brincar depois com Elizabeth. As duas se davam bem. Às vezes se irritavam, mas não era nada sério. Também disputavam Edward a tapas. O colo, as brincadeiras, as histórias e colinhos. Edward era o pai que toda mãe quer para seus filhos. Atencioso e cheio de amor para dar.
- Baby, você está satisfeita? – Edward perguntou baixinho e eu ri, negando. – O que você quer agora?
- Um pedaço de peru com arroz branco. Sophie partilhou do que queria. – respondi sorrindo e ele levantou, levando meu prato. – Elizabeth, não puxe o enfeite! – ralhei e ela, sorrindo travessa pra mim, encolheu as mãozinhas.
- Então, vocês tem ideia de algum nome? – perguntou-me Peter. – Nossa pequena Danielle já tem enxoval completo. – afagou a barriga de Rosalie.
- Sim. Edward e eu decidimos por Anthony Evans Swan Cullen. – respondi sinceramente e Carlisle congelou – Anthony do avô de vocês e Evans de Carlisle. – completei fazendo-o entender melhor – Se nós somos o que somos, foi por esses dois homens que constituíram nossa família. Não poderia ser outro.
- Estou muito orgulhoso. Obrigada. – Carlisle abraçou-me apertado.
- Nós não seriamos nada sem você, pai. Obrigado por ter me ensinado ser quem sou. – Edward o abraçou e de repente, todos na sala estavam envolvidos com aquela gostosa magia do natal ou melancolia familiar.
Não importava o que fosse acontecer no mundo. Nós éramos uma família e nada pode abalar essa essência. Então, quando todos perdidos em seus pensamentos de gratidão, a sala perdeu boa parte da animação e duas risadinhas gostosas denunciaram as culpadas. Elizabeth e Sophie estavam com os fios na mão, rindo por terem apagado tudo.
- Sophie e Elizabeth! – Edward chamou as duas e elas riram.
Não teve jeito. Todos acabaram rindo. Ele ia ficar de cabelos brancos com as duas pestinhas que se esconderam atrás do avô para não levarem bronca do pai. E assim a noite de natal ocorreu. Nossas trocas de presente, um jantar delicioso, muito amor e carinho.
Isso nunca ia mudar.
N/A – Sempre um prazer. Eu volto em breve! Já leram? http://www.fanfiction.com.br/historia/169959/My_Life_Would_Sucks_Without_You
N/B: Spoiler da fic que só eu sei: EDWARD VAI ABRIR UMA CRECHE. Se depender dele a Bella tem um filho atrás do outro. Coitada haha. Amei essas meninas lindas e fofas ♥ Família linda essa, muito perfeita *-* xx LeiliPattz
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