Brisa de Verão
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Brisa de verão: capitulo dois
No centro de Prontera dezenas de mercadores gritavam suas ofertas nas ruas, muitos sentados ao lado de seus carrinhos e mercadorias esperando os compradores.
Entre eles, desfilava um lobo e uma caçadora, que parecia estar indiferente a tudo enquanto seguia seu caminho.
Ela, procurando um no meio de tantos mercadores, cruzou a cidade. No portão oeste ela parou diante de uma pequena discussão, com o lobo sempre ao seu lado.
Alguns passos a frente da caçadora, um mercador excêntrico e um aprendiz exaltava-se:
- isto aqui vale muito mais! Dizia o mercador indicando um item em sua mão.
-mas eu não tenho como pagar tanto!
-pensasse nisso antes de me enche o saco!
O mercador só notou a caçadora entediada quando esta lhe falou:
-não sabe negociar. Não sei como se tornou mercador.
-Evangeline?! É bom ver você também. Retrucou surpreso enquanto examinava-a, ela estava bem diferente desde a ultima vez que cruzaram o olhar, e era isso que mais lhe chamava atenção na garota, o novo olhar que ela parecia ter adquirido. Logo ele viu o lobo por traz da garota, com seu modo ameaçador de sempre. Cansado o aprendiz se retirou indo ao centro da multidão enquanto a caçadora continuava a falar.
-preciso que fique com ele por um tempo, por mim. Dizia a caçadora acariciando o lobo, logo este se aproximou do mercador.
-quanto tempo?- o receio exibia-se nas palavras do mercador.
-não muito, e não precisa tremer desse jeito, ele não vai atacar você, ele só come carne de boa qualidade- respondeu Evangeline com seu desprezo jogando uma bolsa cheia de zenys a ele- ai tem o suficiente para os gastos dele. Despedindo-se do lobo ela seguiu rumo à multidão e sumiu da vista do mercador.
- agora você vai ficar quietinho ai-disse o mercador, fazendo com que o lobo ficasse de um lado do carrinho e ele do outro.
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Por conta do dia quente o lobo agora dormia a sombra do carrinho com o mercador do outro lado bebendo seu suco de maça, observando um grupo de noviças mais adiante, sem preocupações, pena que aquela calma não duraria muito tempo para ele.O lobo abria agora os olhos lentamente voltando a ver o movimento das pessoas, mas nada de sua caçadora, entediado com sua situação, passou a caminhar lentamente para longe do carrinho sem que o mercador percebesse de inicio, para o azar do mercador que apenas repararia nisso e passaria a correr atrás do lobo quando este já estivesse muito longe. O animal agora caminhava por entre as pessoas assustando alguns aprendizes por seu porte imponente e aguçando a cobiça daqueles em busca de desafio até virar em um beco e sumir da visão de todos, bem quase todos, agora um homem acobertado pelas sombras do lugar se abaixava e começara a sibilar sua magia, e lhe prendia uma coleira passando a controlar os movimentos do grande animal.
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Evangeline agora voltava do ferreiro com uma única visão, a do bruxo com que trombara a caminho, o homem sem expressão havia lhe lançado um doce sorriso para logo voltar a sua falta de feições, ela realmente não entendia nada, e apenas voltou à realidade quando viu a figura de um mercador desesperado e pelo visto bem encrencado, pois ela não via seu lobo ali:- onde esta meu lobo? Sibilou perigosamente as costas do mercador que pareceu gelar ao ouvir a voz da mulher- Evangeline eu posso explicar. Dizia ele pausadamente e muito receoso – eu estava olhando possíveis compradores, quando aquele monstro... Digo seu adorável lobo saiu pelo visto tentando fugir sob minha forte supervisão e agora ele simplesmente sumiu, juro pra você que procurei na cidade inteira, mas ele desapareceu, evaporou, eu te juro, me desculpe Evangeline. Por favor.Evangeline agora o olhava irritada:- então espera ai, revendo os fatos você quer me dizer que você estava babando por um rabo de saia qualquer e deixou meu lobo provar que tem mais cérebro que você te deixando igual um trouxa atrás dele, nossa pelo visto teria sido melhor que eu tivesse o deixado olhando você né, quer saber esquece, obrigado mesmo viu. Disse pegando a sacola de dinheiro que havia deixado com ele e guardando em sua bolsa passava a armar seu arco e a voltar a andar com cara de poucos amigos entre a multidão, mas não sem antes dizer para o mercador assustado: — dessa eu não vou esquecer, se acontecer algo a ele, me aguarde.
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Akira agora caminhava rumo à entrada de Prontera enquanto o sangue escorria de algumas manchas em suas vestes e armas, ela não tinha culpa de que aquele espadachim resolvesse não cumprir com a idéia de uma morte honrada, e começasse a fugir desesperadamente floresta adentro fazendo com que ela tivesse de matá-lo de forma bem dolorosa e brutal.A mercenária caminhava agora pelas vielas da grande cidade onde varias pessoas passavam a se esconder ou a olhar com desprezo, ou quem sabe até medo, pois sinceramente ela não estava se importando com idéia alguma, seu cansaço falava mais alto que tudo, falava mais alto até do que um dos guardas dos portões que agora a perseguia enquanto incansavelmente dizia que ela não poderia trazer boa influencia com aqueles modos, “eu por um acaso quero trazer boa influencia para alguém”, pensava enquanto apenas olhava ameaçadoramente para o soldado, que logo se cansou e com o medo desistiu da perseguição.-tenho apenas de repor meus mantimentos e sair desse lugar, antes que olhares feios criem o poder de matar. “Se bem que isso facilitaria meu trabalho” pensava divertida enquanto um irônico sorriso surgia em seus lábios em seu caminhar até os mercadores. Chegando ao primeiro carrinho onde viu boa parte do que precisava, simplesmente falou com a voz tranqüila colocando uma lista nas mãos do mercador:-eu preciso disso agora. Ao que teve o pedido atendido rapidamente por um mercador amedrontado. “Eu não sou tão ruim assim pra ele tremer tanto segurando um vidro com uma poção” pensava rindo internamente enquanto o via juntar mais uma poção aos outros itens.-aqui esta. Disse entregando uma sacola e recebia outra como pagamento, mas essa cheio de dinheiro. A mercenária apenas acenou com a cabeça, mas assim que se virou não teve tempo de raciocinar, um grande lobo se encontrava agora parado a certa distancia com suas coisas bem presas a boca:- isso é meu seu animal. Dizia enquanto agora corria atrás do lobo com um punhal já em mãos.Correram por metros, sempre o lobo na frente e a mercenária logo na sua cola, até o animal fazer uma curva e se ver preso, perante uma parede, sua única saída seria subir até o telhado da casa, saída que pelo visto ele enxergou rapidamente:-droga. Murmurou a mercenária que agora seguia os saltos do lobo e escalava o telhado até o ver encurralado:-agora você é meu, pestinha peluda. Dizia a mercenária caminhando habilidosamente até ele quando uma voz interrompeu seus passos: -eu não acharia isso se fosse você. Dizia a caçadora no telhado da casa vizinha com uma flecha apontada em sua direção.
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Momentos antes...Eva havia se misturado rapidamente a multidão, não acreditava que agora seu filhote, já não tão pequeno quanto antes se encontrava perdido em uma cidade cheia de engraçadinhos atrás de um animal de grande porte que o fizesse parecer “o poderoso” e bem, seu lobo era uma animal que daria essa fama a qualquer um. Com esse pensamento passou a se preocupar muito mais, quando ouviu de longe um pequeno grito de algumas sarcedotizas, onde soltavam exclamações sobre um lobo incontrolável que as assustara sendo consoladas por um grupo de templários prontamente apostos para protegê-las, sabia que seu lobo não era assim, mas também sabia que seu lobo seria um dos únicos presentes na cidade, correndo agora já munida do arco seguia a rota, de alguma bagunça ou alguém reclamando de uma moça correndo atrás de um bicho, e bem o bicho só poderia ser ele.E moça, bem não havia gostado nem um pouco da idéia, ”se alguém encostar nele, ou sonhar com a possibilidade de o ter vai morrer por minhas mãos”pensava a caçadora sem parar a corrida,visualizando agora a sombra de um lobo e alguém de estatura media em um beco. “Deve ser a garota” pensava agora correndo enquanto os via subir no telhado,” droga” pensava agora enquanto fazia o mesmo que eles só que na casa ao lado a tempo de ouvir a mercenária sibilar:-agora você é meu, pestinha peluda. Eva sentiu apenas uma raiva crescer dentro de si, como ela poderia falar assim com seu lobo, apontou rapidamente o arco na direção da mulher e já cheia de raiva disse: -eu não acharia isso se fosse você! Permanecia imóvel vendo-a parar de andar.
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Akira agora se virava para a caçadora enquanto possuía um pequeno riso irônico em seus lábios:-e por que não acharia? Sua voz possuía o tom de desafio-porque eu não seria tola de mexer com minha ira. Dizia Eva sem abaixar o arco-e isso é pra me amedrontar? Perguntava a mercenária sem mudar o tom-eu não costumo dar medo nas pessoas, não gosto disso, acho esse método um quanto grosso, eu apenas alerto ou não elas, e com você eu estou tendo boa vontade. Dizia inexpressiva a caçadora-nossa! quanto honra. Continuava zombeteira a mulher – mas acho que você só esta com essa marra toda por conta desse arco em suas mãos.-eu não precisaria disso se você não estivesse com esse punhal ameaçando meu lobo. Devolvia no mesmo tom Evangeline-é tão linda sua preocupação com ele. Dizia a mercenária voltando sua atenção para o lobo, que agora parecia sair de um transe estando o máximo acuado da mulher a sua frente e pelo visto com o maior desejo de se aproximar de sua dona, mas não chegando a tocá-lo ao ouvir aquela voz de novo:-mais um passo e você vai sentir uma flecha, no que eu diria bem rápida, atravessando sua cabeça.A mercenária apenas riu e voltou-se a ela:-nossa agora eu tremi. Dizia rindo ironicamente enquanto continuava: – queria ver você sem esse arco, e se o único problema é meu punhal... então esta resolvido. O punhal fora jogado e assim fixando-se nas telhas perto das patas do lobo. -ótimo. Disse a caçadora pela primeira vez abaixando o arco, deixando o telhado com um rápido e preciso movimento saltando para o telhado onde estava a mercenária. -desce agora, eu quero você longe. E ao ver que seu lobo já estava a salvo no chão voltou-se a mercenária e com um sorriso irônico disse: -agora estamos de igual pra igual, afinal. Você tinha um refém meu. A mercenária riu como se aquilo fosse uma piada, retrucou: -Eu não sou uma pessoa de reféns... Isso é ridículo. Mas eu ainda tenho contas a acertar com você e aquela peste... Ela completou ríspida e ameaçadoramente exibindo seus katars ainda cobertos pelo sangue do ultimo “trabalho”, e então foi atrás do lobo que ainda estava com suas coisas. A caçadora não ficara apenas assistindo a mercenária ir, Evangeline desceu do telhado, armara o arco com a flecha, procurando a mercenária entre as vielas silenciosas que apareciam no seu caminho, corria a ver sombras, sempre desejando que a do sue lobo se mantivesse longe de Akira.De longe era possível se ouvir a respiração ofegante dos três, os pés e patas batendo contra o duro chão enquanto o sol passava a desaparecer aos poucos no horizonte, o lobo mantinha-se correndo enquanto carregava a sacola, até parar em outro beco vendo a mercenária se aproximar, mas não só ela, para sua felicidade sua ama já aparecia atrás dela aos gritos nervosos:-pare de persegui-lo agora, o que quer afinal. Dizia com o arco mirando a cabeça de Akira novamente-eu só quero minhas coisas. Dizia a mercenária apontando para a sacola na boca do animal-se é isso porque não me deixa pegar suas coisas, e então você sumiria daqui. Disse a caçadora com a voz amenizada-porque ele tem de aprender uma lição, e pelo visto não só ele. Dizia enquanto voltava sua visão para a caçadora-é não é só ele, você também precisa. Concordava ironicamente a caçadora-você é patética! Retrucava-não tanto quanto você, eu já avisei uma vez, agora eu cansei disso, pela ultima vez, larga as armas.-e se eu não largar. Desafiou-eu vou fazer isso. Disse enquanto atirava a flecha contra a mão da mercenária pegando de raspão e a fazendo derrubar a katar-perdeu a noção do perigo? Dizia irritada vendo um filete de sangue escorrer de sua mão enquanto a caçadora armava novamente seu arco com ela na mira-olha que eu ainda avisei. Dizia sem nem se importar com a feição assassina da mercenária-mesmo, então você prefere me atingir fisicamente, pois acho q vai doer muito mais em você, se eu te atingir nos sentimentos. Disse enquanto caminhava perigosamente em direção ao lobo que se preparava para atacá-la caso chegasse mais perto-você não vai encostar nele. Dizia a caçadora sem se importar com mais nada partindo pra briga derrubando a mercenária no meio do caminho, recebendo um soco, mas mantendo-se bem o suficiente para devolvê-lo.-sua idiota. Dizia a mercenária levantando e acertando um chute na caçadora que deu alguns passos para trás segurando a perna da garota, e no instante que recuperou o ar a arremessou contra a parede onde o lobo não estava mais, o animal agora se encontrava uivando na entrada do beco, como se pedisse ajuda ou pedisse que sua dona acabasse logo com isso e não se ferisse o que era bem difícil afinal apenas se via uma caçadora e uma mercenária aos socos, tapas, chutes ou qualquer outro golpe que elas conseguissem deferir uma contra a outra, já que se encontravam feridas agora.-você vai pagar por sonhar em machucar meu lobo. Gritava à caçadora enquanto desviava de mais um soco, mas era atingida por um chute:-e você vai me pagar por ser insolente sua vira lata. Dizia agora recebendo um soco nos lábios, que passavam a sangrar, como resposta:-vira lata? Olha quem fala, não era eu que estava toda suja de sangue. Dizia Eva dando mais um soco nos lábios já cortados de Akira, antes dela com um movimento rápido a puxar pelo braço e soca-la contra a parede:-então agora você esta igualzinha a uma, como merece! Dizia a mercenária a estrangulando, mas sem contar com a possibilidade de que a caçadora usaria toda sua força para dar dois passos para trás e arremessá-la contra o chão por cima de sua cabeça enquanto pegava um punhal em sua bota, ao mesmo tempo em que a mercenária encontrava sua katar que jazia no chão a um bom tempo, fazendo com que ambas apontasse para o pescoço da outra as armas ao mesmo tempo:-e agora nos matamos? Perguntou irônica a mercenária-seria uma grande perda matar duas das melhores assassinas que esse lugar já viu não? Dizia a caçadora sorrindo da mesma maneira irônica para agora uma abobada mercenária:-por isso que não consegui te matar ainda?! Quem diria uma caçadora assassina de aluguel. Dizia agora sarcasticamente-e quem diria que uma mercenária estaria apanhando pra uma caçadora. Respondia no mesmo tom, de modo que Akira apenas riu e lhe disse da mesma forma:-mas ainda não decidimos se nos matamos? O que acha, porque eu sinceramente acho que seria um desperdício acabar comigo e você até que tem talento, estaríamos jogando grandes mulheres fora nos matando não?!-e o que você propõe? Que não nos matemos e saiamos uma para cada lado esquecendo isso?-ou que não nos matemos e formemos uma espécie de sociedade, acho que assim cumpriríamos nossos prazos muito mais rápido nos ajudando. Completou a mercenária.-você ta falando serio? Perguntou uma duvidosa caçadora – ou assim que nos soltarmos pretende me matar?-é uma idéia tentadora, mas não vou? Dou minha palavra.-como se ela valesse muito!-hei. Retrucava uma Akira ofendida, mas que foi logo interrompida pela caçadora.-eu aceito. Disse por fim largando o punhal tento o gesto copiado pela mercenária-ótimo, porque graças a essa interrupção estou atrasada com um assassinato, então você o faz!-tudo bem, me passa o nome que eu já o faço!-muito bem. Dizia a mercenária agora limpando o sangue dos lábios – sua próxima vitima então é um noviço chamado Boone LeBlack, acho que ele não tem muitos amigos. Ria irônica – pronta para cometer o pecado de matar o padre?-eu sempre estou pronta. Dizia a caçadora antes de lhe jogar a sacola que antes seu lobo segurava e passava a se preparar para mais um serviço, deixando uma mercenária ali que logo sairia atrás de sua outra vitima mostrando que elas sempre estariam prontas, com suas diferenças é claro, mas sempre formando a dupla perfeita, sabiam que iam se encontrar depois para combinar muitas outras mortes, para decidir o destino de tantos, sabiam os movimentos que tinham de fazer, e sabiam o que iam enfrentar, mas o que elas mais tinham certeza é de que passariam por cima de tudo e todos e que nada as deteriam de cumprir seus objetivos, cada uma com seu próprio motivo, a impulsionando, fazendo com que elas sempre os cumprissem, não importando mais nada, a não ser a perfeição no que faziam de melhor, no que elas poderiam resumir em decidir o futuro dos outros, ou como os mais bruscos diriam, matar.
continua...
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