Brinhels

2 Haru Dimartino.


Notas iniciais
Bem galerinha, pretendo terminar essa fic, ao contrario das outras, mas estou um pouquinho desanimada, após ler algumas fic (maravilhosas) daqui do Nyah... então, se vocês puderem mandar reviws para minha pessoa, minha pessoa ficaria muito feliz. *-*

Eu olhava para o mesmo teto, que eu já conhecia todos os detalhes. Afinal, já fazia quase nove anos que eu ficava deitada no mesmo lugar, na mesma posição. Desde que entrei pela primeira vez pela porta de madeira clara, que estava à direita do divã onde eu estava deitada.

Nove anos. Nove anos que eu não via minha Irma. Nove anos desde que um assassino em serie matou nossa mãe. Bem na nossa frente.

Bem, ele não sabia que era na nossa frente, claro. Mamãe também não sabia. Ninguém sabia. Pois estávamos brincando; escondidas, no armário de baixo da escada. E depois de ele matar nossa mãe e deixá-la la, jogada no chão na nossa frente, ainda ficamos mais dois dias dentro do armário, sem saber o que estava acontecendo fora dele. Escutávamos vozes, é claro, mas não ousávamos falar nada nem sair. Estávamos com muito medo, e no fundo não sabíamos o que havia acontecido realmente, mas sabíamos que havia sido algo ruim. Muito ruim.

E hoje, nesta segunda-feira, 14 de Junho, faziam nove anos desde que perdi minha família. E hoje também era o meu aniversario, de 14 anos.

E o de minha irmã também, onde quer que ela esteja.

–Haru. – chamou o doutor Edward, meu psicólogo.

Ele era legal. Ele me entendia. A única pessoa capaz disso, já que na minha nova “família”, ninguém nunca ligava para o que eu pensava ou sentia. Então, ele era como um irmão mais velho, para mim. O irmão que eu nunca tive.

Ele tinha 28 anos, era formado em Harvard, e eu fui sua primeira paciente. O que foi quase um problema, pois eu tinha apenas cinco anos na época. Mas, diferente de mim, ele não mudou nada desde que eu o conheci. Ainda tem os mesmos cabelos castanho-avermelhados, que mesmo ele tentando nunca consegue arrumá-los, os lábios finos, queixo quadrado e nariz perfeito, mas quando o conheci ele não usava a barba rala que usa hoje.

Pode-se dizer que ele é bonito, para os padrões da sociedade atual. Tem um corpo atlético e bem definido, é alto – 1,86 metros –, do signo de gêmeos e calçava 42. Gosta de pizza de bacon – eu o fiz gostar disso, mas tudo bem –, prefere cachorros do que gatos e não come queijo, a nãos ser na pizza. Pois é, eu gosto de saber coisas meio inúteis sobre pessoas as quais eu convivo fazer o que. É como um passatempo para mim. É divertido.

–Haru. Pode por favor, me contar o que esta havendo? – Ele tinha um tom calmo e profissional, como sempre. Sua voz era aveludada, o que era um tanto perturbador. Como ele conseguia sempre se manter assim, calmo, com essa voz totalmente aveludada, e o rosto sempre não demonstrando sentimento algum.

–Eu não sei Edward. Eu também estou tentando entender. Já faz muito tempo que aconteceu, e mesmo assim eu não entendo o que esta havendo. – falei me sentando. Mas havia esquecido que estava machucada, novamente, por isso ofeguei um pouco quando finalmente consegui sentar direito.

–Cuidado, Haru-chan. – ele disse e deu um sorriso de lado. Revirei os olhos, me ajeitando no lugar. – Fale sobre hoje. O que temos hoje, Haru?

Respirei fundo, e olhei para o chão. Eu odiava falar alto. Em minha mente eu não me importo de refletir sobre o assunto varias e varias vezes. Mas eu tinha sérios problemas para colocar isso em palavras. Odiava que as pessoas soubessem do que aconteceu. Principalmente por que de acordo com meu “pai”, não importava o que acontecesse, eu deveria sempre me mostrar calma, e prudente, por que se não seria ruim para os negócios.

Meu pai, Michael Dimartino, dono de uma das maiores indústrias de Hyun, um pequeno país que se localiza entre Portugal e Espanha, tendo como capital Ouran, a cidade dos ferreiros e maquinas industriais. O que era um tanto quanto contraditório, pois o resto do país – apenas mais quatro grandes cidades e sete vilas – sobrevivia da agricultura, que era principalmente de frutas, e de nossos pães e doces. Éramos o país dos pães, doces, frutas e maquinas. E eu era praticamente como uma das “princesas” daqui, que acredite, não são muitas.

Mas eu odiava aquilo. Odiava não poder ser quem eu queria ser. Odiava ter sempre pessoas me cobrando estar sempre como uma dama, me falando o que fazer. Esse também era um dos motivos para eu vir todas as segundas e quartas-feiras até o Dr. Edward.

–Temos um aniversario. – falei finalmente, ainda olhando para o chão. – Meu aniversario.

–E o que mais?

–Temos o aniversario de minha irmã... – respirei fundo, olhando para ele. – e o aniversario de morte de minha mãe. Já faz nove anos.

Ele assentiu, e escreveu algo em seu bloco de anotações. Eu ainda vou ler aquilo um dia. Mas, nesse momento, meu estomago reclamou.

Alto.

–Parece que temos alguém com fome por aqui. – Edward falou, rindo. Eu sorri envergonhada. Havia me esquecido de comer algo antes de sair de casa, de manha. E também não havia almoçado. Ai esta o resultado.

–Bem, acho que pode se dizer que sim... – falei baixinho.

Olhei para o relógio na parede dele, um de números romanos. Quando era criança sempre ficava encantada quando ele olhava para o relógio e falava as horas, achando que era algum tipo de magia ou uma letra de uma civilização perdida. Mas faltavam somente 10 minutos para minha consulta acabar. Então, eu poderia sair e comer algo antes de voltar para casa.

–Quer que eu te leve a algum restaurante, Srta. Dimartino?

–Há. – Olhei para ele e voltei a me deitar no divã de couro preto. Era confortável. Fazia estar ali parecer melhor do que realmente era. Olhei para o relógio novamente. Cinco minutos. Suspirei e olhei novamente para o teto. Havia um pequeno lustre com velas de verdade, e algumas luzes pequenas em volta, ao redor do teto da sala, e uma mais forte logo acima da cadeira cujo ele estava sentado, para melhorar sua visão ao escrever no bloco de anotações. O chão era de mármore claro, e a parede era branca, tendo numa delas uma pintura d’uma arvore preta.

–Você pode sair mais cedo hoje se quiser. – ele falou e então atendeu um telefonema da secretaria – que ele trocava a cada semana, praticamente. – Seu motorista já esta ai. Vai ter que sair pela porta dos fundos se não quiser ser levada à um jantar com sua madrasta, novamente.

Assenti e me levantei, pegando minha bolsa em uma cadeira no canto da sala. Despedi-me dele com um aceno de cabeça, e sai de sua sala. No corredor, havia três salas de um lado e quatro de outro. As três salas da direita tinham os nomes de seus donos nas portas, e duas da esquerda também. As outras duas salas da esquerda não tinham nada, e estavam sempre trancadas, desde nove anos atrás.

Se eu seguisse o corredor iria sair na recepção, onde meu motorista, o Sr. Watashi, me espera. Um homem de seus 55/60 anos, que recebia menos do que deveria, por ser o responsável por me achar nos lugares mais estranhos e me levar para casa todos os dias, por mais que eu tente não deixá-lo saber aonde vou.

Então, virei para trás. A apenas quatro metros de distancia de mim, havia as portas de um elevador, prateadas. Apertei o botão e esperei as portas se abrirem. Assim que abriram eu entrei e assim que elas fecharam me virei para onde deveria ser o fundo do elevador, mas ali tinha outra porta. Era à saída de emergência do prédio, e só três pessoas tinham uma chave daquela porta: a proprietária do local, a Sra. Hayleen; a segunda pessoa possuidora da chave era o zelador do local, o velho Sr. Mitch. E por ultimo, mas não menos importante, eu.

Essa chave foi uma das minhas maiores conquistas. Eu demorei quase duas semanas para conseguir por as mãos na chave do zelador e conseguir fazer uma copia dela. Mas depois de alguns meses fui descoberta.

A sorte foi que o Dr. Edward, o super-psicólogo idolatrado pela senhorita Hayleen conseguiu conter a fera antes que ela chamasse meu pai. Ele disse que iria pegar a chave para ele, e que iria guardá-la com cuidado.

Dois dias depois ele me devolveu a chave, na minha consulta, falando para eu tomar mais cuidado e nunca deixar ninguém me ver saindo por ali.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.