Bringing Hope (interativa)
14 Capítulo Quatorze
Notas iniciais
– Nossa... – comentou Guilherme ao entrar na cozinha. – Que cheiro maravilhoso é esse, Chico?
O cozinheiro ergueu um pouco o olhar para encarar o garoto e sorriu.
– É escondidinho de frango! – respondeu gentilmente. – O jantar está quase pronto.
– Oba! – o garoto comemorou. – Eu não aguentaria muito tempo com esse cheiro tão bom...
Ambos riram.
– Quer ajuda Chico? – questionou Gabriela entrando apoiando uma das mãos sobre o encosto de uma cadeira.
– Não, obrigado Gabi. – Chico pousou uma pilha de pratos sobre a mesa. – Na verdade, eu agradeceria se você fosse chamar seus amigos, a Carol e o Junior para jantarem.
A garota encarou friamente o cozinheiro por alguns instantes.
– Meus únicos amigos aqui são o Guilherme e o Lucas. – arqueou uma sobrancelha. – Chamarei os outros – enfatizou “outros”. –, já volto.
A garota deixou a cozinha a passos largos. Guilherme encolheu os ombros.
– Ela é assim. – explicou.
Chico assentiu receoso.
Poucos minutos depois, Larissa, Marina e Clara já estavam na cozinha.
– Adoro escondidinho de frango... – comentou Clara servindo-se.
– Eu também – Larissa sentou-se com seu prato já feito. –, principalmente se for preparado pelo melhor cozinheiro que eu já conheci.
Chico riu com o elogio.
– Pelo visto conhece poucos cozinheiros. – sorriu modestamente.
– Que nada Chico, sua comida é a melhor de todas! – Marina elogiou.
– Obrigado meninas...
– De nada! – responderam em uníssono.
Logo Emma, Anie, Gabriela e Lucas, acompanhados de Carol e Junior, entraram na cozinha.
– Ah, eu adoro esse cheiro... – comentou Junior. – Lembro-me de quando você fazia escondidinho de frango para mim e para a Gabi quando éramos crianças!
– Bons tempos – Chico desatou o nó de seu avental. –, bons tempos...
– Aproveitaram a última sexta-feira de férias meninas? – Carol sentou-se ao lado de Larissa e Emma.
– Nem me lembre Carol... – Anie fez uma careta. – Acordar cedo é horrível.
– Concordo... – disseram todos.
– Pessoal... Só é ruim no começo, depois nos acostumamos! – Carol argumentou.
Ficaram em silêncio.
– Gente, onde está o Cadu? – questionou Emma repentinamente.
– Não sei. – alguns responderam.
– Eu não consegui achá-lo... – Gabriela justificou-se.
Todos se entreolharam.
– Eu vou procurar ele. – Anie limpou a boca com um guardanapo e se levantou. – Volto em poucos minutos! – não esperou nenhuma resposta, simplesmente deixou a cozinha.
A garota procurou o amigo por todo o orfanato. Quando estava quase desistindo, encontrou Cadu perto do chafariz. Aproximou-se e tocou-lhe o ombro.
– Cadu, o jantar já está pronto, vamos? – perguntou docemente.
– Não Anie, eu não vou comer. – respondeu virando-se para ela.
– Por que não? – seus olhos encontraram os olhos castanhos de Cadu.
– Promete que não contará a ninguém? – encarou-a sério.
– Você está me assustando Cadu! – a loira tinha um olhar preocupado. – O que houve?
– Eu vou fugir Anie! – disparou as palavras. – Vou trazer minha irmã para cá, ela não pode ficar nem mais um dia perto daquela bruxa, não pode!
Anie suspirou.
– Não há nada que possa fazer para te impedir, há?
– Não, não há. O único que você pode fazer é me deixar ir.
– Então... – murmurou cabisbaixa. – Será que eu posso ir com você?
– Não, de jeito nenhum! – ele elevou um pouco a voz. – É perigoso Anie, não vou deixar você se machucar! – o garoto sentou-se na beira do chafariz e cobriu o rosto com as mãos.
Ela se sentou ao lado do garoto.
– Está bem. – disse após uma longa pausa. – Não vou insistir, sei que você não vai me deixar te ajudar. – bufou.
– Não vou deixar mesmo.
Ficaram ali encarando um ao outro por longos minutos.
– Então... Boa sorte! – murmurou a loira.
Anie aproximou-se de Cadu e sem aviso selou seus lábios nos dele em um beijo doce, porém breve. Quando a garota ia se afastar, Cadu impediu-a pousando suavemente a mão sobre seu rosto e acariciando-o. Fitaram-se por um pequeno segundo
– Obrigado. – murmurou antes de selar novamente seus lábios.
Tudo deixou de importar por um breve momento.
Cadu finalmente permitiu que Anie se afastasse. O garoto se levantou e caminhou até o portão, seguido pela garota, quem deixou alguns metros de distância. Cadu abriu lentamente o portão e suspirou.
– Vai ficar tudo bem Anie... – tentou acalmá-la antes de fechar o portão atrás de si. –. Amanhã estarei de volta, eu prometo! – sorriu saindo a passos largos e sumindo da vista de Anie.
– Boa sorte Cadu... – murmurou para si mesma encarando a rua deserta e escura. Ela poderia ficar ali a noite toda.
De repente Emma abriu a porta, assustando Anie. A morena fitou a amiga com uma expressão indecifrável.
– Achou ele Anie?
A loira apenas balançou cabeça em sinal de negação.
– Vem... – Emma agarrou a mão de Anie e puxou-a para dentro do orfanato. – Temos que avisar a Carol, ele não pode ter sumido assim!
Chegaram à cozinha rapidamente. Todos as encararam preocupados.
– Carol o Cadu sumiu! – Emma disse de uma só vez, sua voz de estava trêmula.
Todos se entreolharam. Esperaram alguns segundos, pensando que fosse apenas uma brincadeira.
– Não... Não pode ser! – quando percebeu que era verdade, Carol levou a mão até a boca para abafar um grito.
– Acalme-se meu amor... – Junior abraçou a esposa em sinal de conforto. – Vocês têm certeza meninas? – questionou voltando um olhar preocupado para elas.
– Sim... – Anie gaguejou, lembrando-se de que Cadu lhe havia pedido para não contar nada a ninguém.
– Será que ele fugiu? – Larissa encarou Carol com uma mescla de medo e preocupação no olhar.
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