Bring me to life
6 We're friends?
Notas iniciais
POV Amy
Acordei um pouco zonza, tentei abrir meus olhos, mas a claridade me incomodava. Cocei os olhos na tentativa de me acostumar com a luz, minha visão foi se acostumando aos poucos e, pude ver com clareza o lugar- desconhecido- onde eu estava. Era um quarto muito bonito com as paredes pintadas de tons pastéis, a decoração muito luxuosa. A cama que eu estava deitada era uma king size, muito macia e confortável, a cada lado da cama tinha um criado mudo, de madeira com detalhes impecáveis. Tinha uma poltrona do outro lado do quarto, não deixei de perceber as portas, que com certeza era o banheiro e closet.
Ainda me sentia fraca, mas juntei o resto de forças que me sobrou- ou seja, quase nada-. Consegui ao menos me sentar na beirada da cama, ainda estava muito tonta. Me levantei, com a minha força de vontade, e adentrei o banheiro. Era muito bonito e grande. Fui até a pia e me encarei no espelho. Estava horrívelmente horrível. Meu cabelo estava um horror, passei a mão molhada pra tentar conter a situação que ele se encontrava. Percebi que estava com um baby doll totalmente rosa pink.
Fiquei meio confusa relembrando da noite anterior, não lembrava de todos os detalhes e como um gesto involuntário, levei minha mão direita ao meu pescoço, que estranhamente não tinha nenhum rastro se quer da noite passada.
"Pode ter sido um sonho"-pensei
Ou não. Porque eu estaria nessa casa desconhecida por mim, se tudo da noite anterior não tivesse sido verdade?
Voltei para o quarto e me sentei na cama, ainda pensando em mil e umas possibilidades de como fui parar naquela casa. Fui tirada dos meus devaneios ao ouvir a porta do quarto sendo aberta e, uma mulher loira, mais ou menos da minha idade, entrar no quarto. Semi-serrei os olhos, tentando reconhecer essa mulher... Seu rosto me era familiar. Ela se aproxima e senta no canto da cama, me fita e um silêncio se estende. Ficamos apenas na troca de olhares.
– Você está melhor?- Me pergunta quebrando o silêncio, apenas confirmo com um movimento de cabeça.
– É... onde estou?- Perguntei meio receosa, ela poderia ser algo daquele cara que me atacou.
– Você foi atacada, ontem por um animal...- Animal? É claro que não, eu me lembro muito bem de que era um homem, ou melhor vampiro. Resolvo não comentar nada, com certeza me acharia maluca.- Meu irmão, Klaus,- Espera ai? Klaus?- te encontrou, você estava desmaiada. Ele não sabia onde você morava, então te trouxe pra cá.- continuou.
– Então você...- ela me olhou, tipo pedindo pra eu continuar.- Você é Rebekah Mikaelson?- ela assente com um sorrisinho.- Eu sabia que já tinha te visto em algum lugar. Você estava na festa ontem, não é mesmo?
– Sim- confirma- e adorei quando você deixou a tonta da Gilbert toda sem graça e com muita raiva.- Falou e acabamos rindo.
– Ahh! Aquela Gilbert é uma songa monga, nunca vi pessoa mais lerda que ela.- rimos- Você parece não gostar dela também.
–Nenhum pouquinho assim- fez um gesto com as mãos, tipo mostrando ''quantidade". Passamos um bom tempo conversando sobre moda, sobre o que gostamos, falando de nossas vidas e acabando com Elena e Caroline- que sinceramente são umas chatas-. Rebekah é muito legal, me disse que vai começar a estudar na Robert Lee na segunda. Pensei em chamá-la pra se juntar à mim e às meninas, que com certeza vão adorá-la.
Estávamos rindo, enquanto eu contava à ela que uma vez eu esbarrei de propósito em Caroline e acabei derramando meu lanche todinho nela. Dávamos altas gargalhadas, até que fomos interrompidas por batidas na porta. Rebekah murmurou um "entre", a porta abriu revelando uma criatura loira, de olhos meio esverdeados, com aquelas covinhas maravilhosas. Niklaus Mikaelson. Ao vê-lo meu coração falhou um batida e acho que iria ter um ataque cardíaco. Ele me fitou, eu apenas corei, abaixei a cabeça pra tentar disfarçar, mas acho que não deu muito certo porque escutei risinhos abafados de Rebekah e, Klaus a olhou com reprovação.
– Vejo que se deram bem.- Rebekah assente.- Que bom irmã, faz tempo que não te vejo assim.- Ele deu um sorriso e agora me encarava.- Você está bem?
– Sim- confirmo- É... o-obrigada, por ontem. Eu pensei que fosse morrer- Falei olhando para um ponto qualquer do quarto, depois viro minha atenção pra ele que estava sorrindo.
– Você deve estar com fome.
"Sim eu estou com muita, muita, muita fome."
–Bekah, pegue algo para Amelia comer.
–Amelia não, por favor. Só Amy mesmo.- Ele rir e percebo que estamos sozinhos.
– Mas, por que "Amelia não?".- Fala dando risadas.- É um nome tão bonito love.
– Bonito?- eu ri- Só você acha então, por que é muito estranho. Por isso prefiro Amy, só Amy.- Digo rindo e ele acaba rindo também.
– Então, "Só Amy"- fala fazendo aspas com as mãos.- O que a senhorita fazia andando sozinha na rua aquela hora da madrugada?
– Eu precisava de... um tempo.- falei procurando palavras, pra que ele possa me entender.- Um tempo só pra mim.
– Oh sweet, não foi um ideia muito inteligente.- Oi? Ele tá me chamando de burra?
– Ok, ok. Posso não ser a pessoa mais inteligente do mundo, mas burra já é demais.- Falo em tom de irritação e ele acaba rindo.- Além de burra sou palhaça?- ironizei.
– Não sweetheart, você não me entendeu. Eu não quis te ofender... É que... você é engraçada quando está brava.- ele rir mais e eu não acabo aguentando e rindo também.
– Tudo bem, me desculpe.- Falo meio sem graça, ele apenas continua rindo da minha vergonha. Não tenho mais assunto pra continuar a conversar com ele, se fosse à um mês atrás eu iria falar tanto que ele se cansaria. O silêncio é desconfortável, mas prefiro assim mesmo, do que ele conhecer a Amy muito faladeira.
– Você não é muito de palavras, não é sweetheart?- Eu o olho e começo a rir, acho que ele não entendeu. É, é melhor parar por aqui.- Qual a piada?
– Nenhuma, é que... — paro e ele pede pra que eu continue.- É que se você tivesse me conhecido à um mês atrás, você se cansaria facilmente.- Ele arqueia a sombra celha e mostra cara de confuso.
– Cansaria?- Pergunta.- Mas por que?
–É que eu era muito faladeira, até demais, tinha assunto pra tudo.- Dei um sorriso e continuei.- As pessoas chegavam a reclamar, eu era impulsiva, fazia coisas malucas e era a mais feliz.- Meu sorriso se desfez ao lembrar que o passado não pode voltar, ele ouvia atentamente a história.- E hoje... você fala que eu não sou de palavras. Irônico não acha?- Perguntei e ele afirmou.
– Adoraria conhecer essa Amy faladeira.- Disse e eu parei para encará-lo. Surpresa. Eu estava surpresa. Ele realmente estava me cantando?
–Acredite... você não me aguentaria.
– É claro que sim. Eu aguento minha irmã, por que não aguentaria você.- Eu ouvia sarcasmo em sua voz, mas também tinha sinceridade. Ele falou de um jeito divertido,acho que para me animar. Na hora comecei a rir da piada dele, eu não achava Rebekah chata, ela era apenas sozinha. Continuamos a rir, até a criatura loira adentrar o quarto com uma bandeja em mãos.
– Falando de mim, Nik?- Klaus afirma e ali se forma uma pequena discussão que me fazia dar risadas. Há tempo que não me sinto assim de novo. Eles são tão divertidos, brigam como duas crianças. Rebekah me lembra Alison, mimada, espontânea, divertida. Klaus me lembra o meu irmão que morreu há um tempo atrás. Ele se chamava Rick, brigávamos muito, mas amávamos uns aos outros. Posso dizer que tive uma família feliz.
Comi tudo o que tinha na bandeja, realmente estava com fome. Ficamos conversando, eu, Bekah e Klaus. Eles me faziam rir, acho que de propósito. A conversa estava tão boa que nem reparei que estava ficando tarde. Shane deveria estar preocupado,ou não.
– Que horas são?- Perguntei à Klaus.
– São...- Olha pro relógio no pulso e depois olha pra mim.- São exatamente 16h.- Olhei pra ele espantada. Como o tempo passou tão rápido?.- O que foi sweet?
– Meu Deus! Eu preciso ir pra casa.- Vou me levantando, mas eles me empurram de volta pra cama, me impedindo de sair.
– Não vamos te deixar sair, pelo menos não hoje.- Se pronuncia Klaus.- Quero que jante conosco hoje, amanhã poderá ir pra casa.
– Mas, o Shane deve estar preocupado.- Rebato.
– Não se preocupe, Klaus ligará para ele.- Disse Bekah, só pude assenti. Logo ela me puxou me arrastando para fora do quarto. Estávamos nos corredores do andar de cima da casa, entramos na última porta do corredor. Ali era o quarto dela. Era bem no estilo... Rebekah. Era um cômodo diferente dos outros da casa, era mais vivo. Talvez por ela ser garota. Ela me arrastou até o closet, era cheio de roupas. Eu tinha um quarto, tinha um closet, tinha uma casa, tinha família. Eu só queria que aquilo tudo voltasse. Ela escolheu uma roupa pra mim, percebi que eu e Rebekah temos o mesmos gostos. Ela adora moda, Alison também adorava.
Lembrar do passado me doía, era desconfortante, saber que aquilo tudo não vai voltar. Que eu não vou ouvir mais as gargalhadas estéricas de minha irmã, que não vou mais tropeçar nos sapatos do meu pai que ficavam largados na sala, por ele chegar tarde e cansado. Também não vou mais comer as horrorosas panquecas de minha mãe e que ela não vai mais invadir o meu quarto pra me acordar. Só queria voltar ao começo.
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Conheci os outros irmãos de Klaus e Rebekah. Elijah é muito nobre, moreno, alto e bem vestido. É bem educado, coisa que me deixou encantada, e muito bonito também — não mais que Klaus-. Já Kol é insuportável. Ficava jogando piadinhas pra mim durante todo o jantar, me deixava desconfortável, mas eu me divertia entrando no joguinho dele. Além de ser irritante, confesso que ele é muito bonito.
Enquanto Kol jogava comentários maliciosos direcionados à mim, eu, Elijah, Klaus e Bekah ignorávamos. Já tínhamos terminado de jantar, ficamos na sala conversando. Rebekah e eu falávamos de futilidades e os homens prestavam atenção, não deixando de rir com nossas maluquices. Os Mikaelson's são bem legais, apesar de Elijah ser muito sério e, Kol bastante irritante, eu também gostava deles. Estava rebatendo as piadinhas de Kol, quando Rebekah me chama.
– Hey Amy!
– Sim?- Falo dando minha atenção à ela.
– Soube que Klaus se ofereceu para ser seu tutor.- Assinto confirmando.- O que você acha?- Pergunta.
– Confesso que no início, achei um pouco estranho.- Falo e vejo todos arquearem a sombra celha.- Porque eu não o conhecia direito, mas agora que eu já conheço, não seria uma má ideia.- Termino de falar e vejo Bekah dá pulinhos de alegria. Kol sorria malicioso- como sempre-. Elijah mantinha a expressão séria, mas parecia gostar da ideia de eu morar com eles. Depois olho para Klaus e ele tinha um brilho nos olhos e tinha um sorriso de orelha à orelha, apenas retríbuo com o meu melhor sorriso. Rebekah ainda dava gritinhos de felicidade e todos gargalhavam.
– Sabe Amy, agora que você vai morar aqui. Podemos aproveitar bastante. — Kol sorria malicioso e eu reviro os olhos.- Qual é Amy, quem prova de Kol Mikaelson, sempre aprova.- Mordi meus lábios para não cair na gargalhada. Cara que cantada mais ridícula, puff.
– Essa coisa não tem botão de desligar não?- Pergunto para os outros, me referindo a Kol. Eles só riem da nossa infantilidade.
– Bom, eu já vou dormir. Boa noite.- se pronuncia Elijah se levantando e se retira.
– Acho que nós também não é Amy?- Me pergunta Bekah. Quando eu vi, já estava sendo arrastada por ela.
– Boa noite Klaus.- O cumprimento, ele acena.
– Sabe eu também estou aqui tá?- Fala Kol, se fingindo de ofendido.
– Nem percebi.- Falo irônica, e depois saio.
Quando vi, já estávamos no quarto. Bekah me emprestou um pijama, dessa vez não era rosa. Resolvemos fazer as unhas, na verdade ela fez as minhas. Era legal ter Rebekah como companhia e era legal fazer companhia à ela também, ela é muito sozinha.
– Você gosta de cor clara ou escura?- Pergunta do nada pra mim.
– Hmm... minhas amigas dizem que eu combino com cores escuras.- Ela sorri e, mexe nas coisas dela procurando algum esmalte que ficasse legal. Ela escolheu um da cor vinho, ficou realmente bonito.
Quando o esmalte secou, nos deitamos, mas eu não tinha sono e vi que ela também não. Ela abria a boca, acho que tomando coragem pra perguntar algo, mas logo fechava.
– Pode perguntar Bekah.- Ela me olha surpresa e abaixa o olhar.
–Sabe... eu só tive uma amiga nessa vida. Ela se chamava Tatia.- ela para e peço que ela continue.- Ela era muito especial, porém ela morreu.- a olhei chocada, deve ser muito ruim perder a única amiga. Rebekah não tinha irmãs, só irmãos. E a única amiga morreu?- Depois dela, nunca mais fiz amizade com ninguém.- Me olha com os olhos marejados.- Daí, apareceu você e, somos bastantes parecidas. Temos os mesmos gostos e tudo mais... Acho que até os meus irmãos perceberam que eu não conversava com uma garota da minha idade há muito tempo, geralmente eu pego inimizade com as garotas de minha idade. Mas... com você não Amy.- escutava tudo com muita atenção.- ... Em você eu vi a oportunidade de ter a irmã que eu nunca tive.
– Oh Bekah!!!- Exclamo surpresa, estava tão atenta no que ela dizia que nem percebi que estava chorando. Mas, eram lágrimas de alegria, nem me importei com elas.
– Somos amigas?- me pergunta e eu apenas a abraço. Nós duas chorávamos.
– É claro que somos.- falo quebrando o abraço.- Sabe Bekah... você me lembra a Alison.
– Alison é sua irmã, certo?- murmuro um "sim" e ela apenas sorrir. Passo minhas mãos em meu rosto pra enxugar as lágrimas que insistiam em escorrer.- Pronto, agora que somos oficialmente amigas, já podemos dormir em paz, ok?
– Boa noite, AMIGA.
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