Bring Me the Mermaids
26 Terou Island. First Part.
Notas iniciais
Havia passado semanas desde a última batalha vista pelos piratas da Fairy Tail. A ida para o novo desafio criava no coração dos tripulantes algo para além de euforia. Seria esperança ou medo? Talvez estivessem divididos, o futuro os deixava ansiosos para o que fosse aparecer.
Os novos sentimentos proviam da visão privilegiada que tiveram da Heartfilia pintada de vermelho. Ter visto a sereia imaculada suja de sangue sorrindo por ter matado Harag, os fizeram pensar sobre o pouco que a conheciam. Era algo estranho, naquele momento não sabiam o que sentir em relação a ela. Poderiam dizer que gostavam da loira devido ao afeto que a sereia sempre manifestou por eles, porém a cena se repetia e os deixava receosos.
Entretanto, os receios sentidos não foram as únicas mudanças nos comportamentos dos piratas. Meses antes a frota não pensaria duas vezes antes de retirar as espadas de suas bainhas para lutarem bravamente contra o monstro de olhos vermelhos, mesmo que isso os levasse a morte. Mas, a existência de seres antes mitológicos, para além dos poderes que demonstraram carregar, originaram a insegurança em seus âmagos, tornando a viagem um tanto desconfortável. A consciência do fato de que realmente podem morrer os deixaram apreensivos, incapazes de decidir se conseguiriam terminar a jornada pelo tesouro.
O surpreendente era, esse tipo de emoção sentida não era algo restrita apenas para os subalternos da Fairy Tail. Os líderes e o capitão estavam tão confusos quanto qualquer outro. A batalha assistida deixou o local onde as certezas residiam, espaço para as dúvidas. “Acha que sua vida vale tão pouco para se sacrificar pelo tesouro?”, infelizmente, Natsu não saberia dizer se sua vida tinha algum valor.
Com tantos pensamentos ocupando espaço, o capitão saía constantemente de sua cabine e passava o tempo no deck junto com os outros piratas. Não emitia nenhuma ordem ou demonstrava aborrecimento, apenas sentava na polpa os observando trabalhar e, quando cansava de olhá-los, para o céu.
No entanto, o estranho comportamento de silêncio e observação era algo novo para os tripulantes, que acostumados com a fácil irritabilidade do rosado, não esperavam o ver tão quieto. Sua calma incomum fazia com que outros pares de olhos ficassem relativamente curiosos com a mudança. Em outros momentos, suas saídas tinham o objetivo de falar diretamente com Erza, e de repente, não havia mais contato.
– O que tanto olha?
A voz delicada da Heartfilia despertou o rosado de seu transe, deixando ele e os curiosos surpresos diante da presença da loira.
– Acho que estou esperando por respostas. – Levantou a cabeça para olhar o céu azul. – Talvez venha por milagre.
– Além das cores que carrega, o céu não irá lhe entregar as respostas. – A loira deitou na polpa. – Está vendo? – O rosado olhou para trás e viu a sereia apontar para cima, seguiu a direção com a cabeça. – Hoje você está vendo um belo céu azul com poucas nuvens, daqui a pouco vai ser colorido de laranja e assim um azul mais escuro. – Ele assentiu ficando em silêncio em seguida.
Parecia que olhar para o céu e não perceber as mudanças ocorridas era cometer um pecado que dificilmente se perdoa. O silêncio naturalmente formado permitia com que seus pensamentos fluíssem sem haver a entrada de futuras discussões ou possíveis desconfortos. Aquele momento parecia estar perfeito para reflexões, e Natsu não queria quebrar um momento tão solene.
– Por que… – Começou a falar chamando a atenção da loira. – Por que veio conversar comigo? Não vejo motivos para ficarmos próximos.
A pergunta a deixou surpresa, ela não sabia o motivo de ter ido falar com Natsu, quando viu estava ao seu lado. Imaginava que seria curiosidade por vê-lo diferente, mas se fosse apenas isso não deveria estar ali e sim ter perguntado para qualquer pirata. Era algo além, e isso a Heartfilia tinha conhecimento. Talvez fosse por sentir empatia a perceber que Natsu precisava de companhia, mesmo que fosse de uma sereia.
– Não sei te dizer Dragneel. – Trocaram os olhares os sustentando. – Eu não sei o que está passando na sua mente e também não sei o que dizer para melhorar seu humor, só… sinto que precisa de alguém do seu lado. – Sorriu. – Espero que não se importe de ser eu. – Ele sorriu de volta.
– Hoje, e somente hoje, sua presença é bem-vinda Hearfilia.
– Não se arrependa depois Dragneel. – Sentou-se colocando os braços para trás. – Então, o que tanto pensa?
– A nossa… Não, a minha vida mudou muito desde a entrada para a Fairy Tail e depois da sua luta, já não sei mais se vale a pena buscar pelo tesouro. – Virou a cabeça para olhá-la e riu com a surpresa em seu rosto. – Que foi? – A loira negou. – Há muito tempo me perguntou se minha vida vale a pena, mas não sei se tem realmente algum valor. – Juntou suas mãos.
– Não posso dizer o quanto sua vida tem valor. – Levantou-se e ficou de frente para Natsu. – Assim como nenhum outro tem esse poder. – Tocou em seu peito. – O que dói para achar que a vida é como um grão de areia? Se olhar para os outros, perceberá o quanto sua existência é importante.
– Mesmo que machuque os outros? – Falou com a cabeça baixa.
– Se é importante não machuca, completa. Apenas machuca aquelas que não querem o seu bem. – Retirou sua mão e afastou-se. – Não tenha pensamentos assim Dragneel, eles são uma traição com aqueles que se importam com você.
Natsu assentiu ainda de cabeça abaixada. Voltaram o silêncio, desta vez com cada um concentrado em seus pensamentos. Em dias como aquele, Natsu lembrava-se das escolhas que fez para chegar onde estava, como a sua vida foi-se perdendo a cada cruel caminho que preferiu seguir, esquecendo-se muitas vezes daqueles que se auto intitularam como sua família. Seu pecado aumentava a cada dia, não havendo possibilidade de redenção. Para ele, o único merecia a morte naquele navio era ele mesmo.
Não havia dúvidas das mudanças ocorridas dentro do navio da Fairy Tail. O ambiente antes animado, mostrava-se mórbido, parecia que alguém havia de fato morrido naquele lugar. Se alguém ousasse fazer algum barulho, rapidamente era calado por olhares acusadores. Momentos assim traziam memórias que antes queriam ser esquecidas por metade da tripulação. Aos poucos, o silêncio foi-se tornando um problema para aqueles que se julgavam baderneiros.
Esse ambiente estranho e hostil não caracterizava metade da pirataria. Se havia algo que Kana, Gajeel e Gray odiavam, era o silêncio promovido entre os próprios companheiros. A morena tentava conversar com seus amigos, mas sequer a amante do Redfox estava animada para manter um diálogo, com o tempo, voltaria a ser quem era anos antes. Já estava ficando farta de tanto sofrimento desnecessário, precisava fazer alguma coisa.
Seus dias precisavam estar mais animados do que sentar na borda do navio e olhar os outros trabalhando. Se perguntassem o que pensava, poderia dizer que estava pensando em suicídio, de tão quieto o navio estava.
– O que está aprontando? – A morena olhou para o homem ao seu lado.
– Nada. – Ele a olhou cético. – Para de fazer essa cara feia Gajeel, tá me assustando.
– Cala boca. – Gajeel deu um tapa na cabeça dela. – Mas sério, que você está aprontando?
– Nada. – Ficou em silêncio. – Ainda. – Ele riu em resposta.
– Vai bagunçar? – Ela assentiu e ele aumentou o sorriso. Estava gostando da conversa. – Quer ajuda?
– Pra bagunçar você sempre aparece. – O moreno deu de ombros. – É só Erza não descobrir, e isso significa que tem manter essa mente quietinha. – Ele a olhou. – A Mira imbecil. – Kana colocou a mão na cabeça. – Tem certeza que é inteligente o suficiente para me ajudar? Acho mais fácil chamar Gray.
– Que tem meu nome? – A morena assustou-se, por pouco não bateu no outro, sabia que se fizesse alguma coisa, ele não poderia ajudar em seu plano. – O que estão aprontando?
– Por que estão me perguntando tanto isso?
– Pensa comigo Kaninha. – A abraçou de lado. – Sempre que estamos juntos, alguma coisa de errada tem que acontecer. – Kana e Gajeel o olhou e começaram a rir. Ele não estava de todo errado. – E aí, qual o plano dessa vez?
Kana ficou em silêncio observando os piratas que andavam de um lado para o outro, não havia expectativa de vida. Bem, se não fosse eles que se animassem, o trio, com certeza, traria de volta aqueles seres com demônio no corpo de volta. Ela deu um passo a frente e se virou para os dois, colocou as mãos para o alto.
– Meninos, essa vai ser a nossa maior e importante bagunça, precisamos caprichar. – Abaixou os braços e os chamou com as mãos. – Tem que fazer tudo direito, senão sai tudo cagado!
Os dois se entreolharam e sorriram em conjunto, se havia algo melhor que estar na Fairy Tail, era realizar bagunças de nível alto, e isso eles conseguiam fazer com maestria.
Gray Fullbuster
A Kana é maluca. Essa foi a primeira coisa que pensei quando entrei na frota. Como filha de Gildarts, provavelmente você imagina uma menina mais séria e bem-sabida das coisas, interessada pelo mundo a volta, o que apenas uma parte está correta. A bêbada sempre tem um plano para infernizar a vida do outro.
Quando acha que tudo está quieto demais, ela logo pensa em alguma coisa que possa animar de volta; em festas sempre faz uma competição de bebida com o prêmio de ficar nua, claro que soubessem o quanto essa mulher bebe todos os dias, os homens não sorriam maliciosamente. Uma mulher pirata sagaz que quase sempre consegue realizar os planos que tem em mente. De alguma forma, alcança o objetivo original.
No momento, eu e Gajeel temos uma importante missão a fazer, diria que a tarefa dele é mais complicada que a minha. Kana estabeleceu três dias, precisávamos fazer tudo conforme o plano, senão a bagunça que tanto planeja dá errado e vai ser as nossas cabeças como punição. Enquanto Gajeel tem uma missão impossível, eu tenho que procurar qualquer coisa que possa aguentar água e não deixar vazar. Complicado achar isso em um navio no meio do mar, ainda mais no deck inferior. A ideia é achar alguma coisa nas coisas dos outros, ninguém vai se importar se um objeto sumir.
Só realmente espero que não dê nada errado, nossos líderes são o capeta quando querem.
– Gray. Quem é o capeta quando quer? – Paralisei quando ouvir a voz de Mira, merda. – Todos os tripulantes estão lá em cima, só você aqui em baixo, por quê?
Levantei calmamente do chão, respira Fullbuster, respira. Virei para olhar a albina com um sorriso no rosto, sério, com esse sorriso no rosto parece até que alguma coisa ruim vai acontecer comigo.
– Não é nada inteligente pensar esse tipo de coisa sabia? – Bati no meu rosto, ouvi a risada dela. – Está tudo bem, não farei nada. – Andou para perto de mim. – Mas eu não sou o capeta quando quero! Laxus é mil vezes pior. – Piscou e eu sorri aliviado, Mira é um anjo mesmo. Ela suspirou. – Não é para tanto né Gray.
– Desculpa Mira, mas estou em uma tarefa que vai trazer esse povo de volta. – Ela me olhou seriamente.
– O que você, Kana e Gajeel vão fazer? – Cruzou os braços. – Sei que tem um plano Fullbuster, pode me falar agora. – Neguei com a cabeça. – Gray, é uma ordem.
– E eu não posso cumprir, é para um bem maior. – Olhei para ela. – Juro que não vamos fazer nada que exploda o navio.
Ficamos nos olhando durante por uns cinco minutos, mas foi o suficiente para Mira suspirar e dizer que, se desse problema, ela não queria ser culpada de nada. Menos mal, se Laxus ou Erza resolvessem descobrir o que estamos tramando, não acho que ficaríamos vivos. Tirando Mira, os dois realmente são o capeta. Espero que ela escute isso com o poder da mente que tem.
Olhei nas coisas de todo mundo, e se nem Levy que sempre carrega mil coisas não tem, não acho que o resto tenha. Ainda tenho três dias para achar as coisas, espero que Gajeel e Kana tenham mais sorte do que eu.
Narradora
Imaginava que o corredor dos líderes seria algo melhor que um simples ambiente. Não era muito diferente do deck inferior, o que mudava era que os líderes tinham privacidade, uma porta realmente fazia a diferença. Não que isso importasse, Kana não se importava com esse tipo de coisa. Contudo, o único problema que precisava resolver era o de achar o quarto em que a Heartfilia se encontrava.
Mirajane foi excelente para permitir sua entrada no corredor, mas ela poderia ter sido mais precisa ao dizer qual é o quarto. Bem, agora a Alberona teria que adivinhar onde a sereia estava. Há quatro portas a sua frente em um corredor extenso e largo, todas fechadas e sem qualquer ruído. Não tinha jeito, precisava entrar em cada quarto esperando não entrar no de Laxus. O loiro não havia aparecido pela manhã, e de acordo com a Strauss, ele ainda não tinha acordado e o Dreyar pela manhã era um ser perigoso. Poderia dizer que o líder soltava raios, mesmo aparentando estar calmo.
Andou para a primeira porta. Pensou em bater, mas a imagem do líder soltando raios pela boca a deixou assustada demais para isso. Prendeu a respiração, girou a maçaneta e abriu espaço suficiente para que apenas sua cabeça passasse. Os olhos castanhos rondaram o quarto vazio e logo tornou a fechar a porta novamente. Virou-se para a porta de trás, aproximou-se repetindo o mesmo processo, percebendo que não havia ninguém, fechou.
Certo, falta duas portas e uma pertencia ao líder monstro e o outro a sereia loira. Aproximou-se para a porta a esquerda, abriu cuidadosamente, entretanto o que temia aconteceu: o quarto pertencia ao líder Laxus Dreyar, só não esperava o encontrar em profundo sono. Não conseguia ver seu rosto, mas o ressonar era tranquilizador. E pensar que aquele líder capaz de matar qualquer um com o olhar, estaria completamente indefeso.
No entanto, o que Kana foi capaz de perceber foi a forma que o corpo dele estava modelado. O rosto virado para o outro lado permitia apenas a visão da cabeleira loira, porém metade de suas costas nuas era possível observar, assim como os braços musculosos que abraçavam o travesseiro. Teve a súbita curiosidade de vê-lo de frente, porém o medo de Mirajane fazer algo falou mais alto.
– Mira é realmente sortuda.
O comentário, feito em alta boa voz, acabou por fazer Laxus se movimentar, ato que a assustou e a fez dar-se conta do local em que estava, e tão rápido quanto entrou saiu. Uma coisa estava certa, deveria ter ouvido a pequena parte da razão que dizia que aquela porta não era a certa. Virou-se e olhou a porta a sua frente, andou para perto e, diferente das outras, pensou que não haveria necessidade de ser tão silenciosa, ainda mais quando sua amiga se encontrava dentro.
Abriu entrando sem cerimônias, e se não fosse por um movimento do antigo capitão, teria mostrado sua presença. A visão chegava a ser interessante: a sereia dormia debruçada na cama enquanto Makarov, que estava sentado na cama, a observava e fazia carícias em sua cabeça. Kana apoiou na porta olhando a cena com certo alívio, afinal o seu atual capitão não se mostrava tão amigável com a Heartfilia, houve um momento sutil, porém isso ocorreu dias atrás. Pensava que a antipatia pertencia aos líderes, ficou feliz por estar errada.
– Tive o todo o trabalho do mundo pra achar ela e ela dormindo.
Sussurrou sorrindo. Andou para próximo da cama e sentou no espaço vago. A loira dormir em um local tão simples como aquele expressava o cansaço que ela estava sentindo, o que não era de todo mal. Kana pensava em como a sereia agiria caso soubesse dos receios criados pelos piratas da Fairy Tail, talvez voltasse a ficar reclusa.
– Como tá capitão? –Dirigiu o olhar para o antigo capitão preocupada, a última notícia que soube era que ele estava acordado, além não tinha conhecimento. – Não te vi desde que chegou no navio desmaiado.
– Estou melhor, minha memória ainda está perdida, mas esta pequenina recupera aos poucos. – Olhou para a loira deitada. – É um trabalho cansativo, exige muito dela, então hoje resolveu descansar um pouco. – Olhou para Kana. – Como está seu pai?
– Continua velho. – Deu de ombros. – Vi ele em Singapura antes de te buscar. Ele conversou com a loirinha e sabe de muita coisa agora. – Suspirou. – Espero que nada aconteça com ele.
– Você preocupada com seu pai? – Makarov cruzou os braços. – Devolva a Kana que conheço.
– Não seja ridículo velho, muitos anos passaram desde que a gente se viu. – Olhou para a sereia e suspirou novamente, ela dormindo atrasaria seus planos. – Ela tinha que estar dormindo? Precisava falar com ela hoje.
– O que vai aprontar? – Retornou com o carinho na sereia e tornou a sorrir ao receber o olhar assustado da morena. – Acha que não te conheço? Sei muito bem o que é capaz de fazer, por isso mesmo, – A olhou rapidamente. – o que vai aprontar?
– Nada demais, só uma pequena “baguncinha”. – Deu de ombros olhando para os lados.
Makarov entendia que nada de bom sairia daquela “baguncinha”, provavelmente a sereia sairia envolvida no processo e do jeito que Kana pensa, não se surpreenderia caso Juvia fosse encontrada no meio, afinal se a loira se encontra em um local, logicamente é percebido a presença da outra irmã. O antigo capitão olhou a morena o suficiente para saber que seria algo que ele ouviria no meio da madrugada, ninguém tem coragem de bagunçar quando Erza está acordada.
Kana esperava que ele não perguntasse nada, não saberia mentir para o antigo capitão. Se surpreendeu quando viu que ele apenas balançou a cabeça negativamente e desejou boa sorte, pois ela precisaria tendo Erza e Natsu de líderes. O problema em si era a ruiva, o capitão não se envolvia tanto com a tripulação ao ponto de descer ao deck. A Alberona assentiu sorrindo, garantiu que nada de ruim ocorreria, ato sem credibilidade por parte do Dreyar.
Os dois começaram a conversar sobre os momentos que ocorreram, Kana foi clara ao dizer que desde a luta contra o monstro de olhos vermelhos, toda a coragem que havia antes sumiu como se fosse ar. Para além, se inicialmente a Heartfilia era tratada com hostilidade pelos tripulantes, atualmente a tratavam como se fosse outro monstro que os mataria. E isso fazia com que ela se irritasse não somente com a forma que o ambiente se transformou, mas também nos pensamentos cruéis que eles tinham para com a sereia. Em meio a conversa, colocou sua mão também na cabeça da loira com o intuito de também fazer carícias, no entanto, o estranho toque a acordou.
– Kana! – A felicidade poderia ser percebida apenas por sua feição. A Hearfilia contornou a cama rapidamente abraçando a morena com toda força que poderia ter. – Há quanto tempo! Sinto tanta sua falta!
– Eu sei loirinha, eu sei. – Ouviu a risada da sereia e riu em conjunto. – Você passa muito tempo aqui dentro, mal vai para fora. – Se afastou e apontou para ela. – Na verdade, você largou a gente, nem vai no deck como prometeu.
– Ainda com essas promessas? – Makarov falou atraindo ambas e a sereia sorriu timidamente. Ele olhou a morena. – Não se preocupe Kana, ela fez essas mesmas promessas para meus tripulantes, um dia ela cumpre. – Ela assentiu e a loira o olhou.
– Ora Makarov! Não sou desta forma, sempre cumpro com minha palavra. – Cruzou os braços irritada, ato que os fez rir. Não demorou muito para participar. – De qualquer forma, o que está fazendo aqui? Achei que não poderia entrar.
– E não posso, mas pedi para Mira então tá tudo bem. O negócio é o seguinte loirinha: eu preciso de daqui a dois dias.
Dois dias depois.
A noite, os tripulantes descansavam do árduo trabalho que tiveram pelo dia. Poucos realmente dormiam, seus pensamentos os deixavam inertes sobre quando chegariam no local perigoso. Alguns pequenos grupos conversavam baixo, como se não quisessem atrapalhar os outros.
Milagrosamente, o grupo que mais bagunçava estava em total silêncio. Os piratas não achavam estranho, acreditavam que os quatro também estavam pensativos, o que era de fato, porém suas mentes apenas pensavam em quando o plano seria realizado. Tudo dependia da habilidade social de Gajeel para com Juvia, o que para Gray, fez com que a azulada se assustasse com o moreno e simplesmente desistisse de descer para o deck. A espera era tanta que os deixava apreensivos.
No entanto, parecia que as habilidades de Gajeel realmente fizeram efeito, pois minutos depois, a azulada aparece no deck. Mas, diferente de sua usual feição, presidia na azulada um misto de surpresa por ver que o deck estava preenchido por murmúrios e não a usual gritaria. Afinal, não era para algo já ter acontecido? Ignorando os olhares dos tripulantes, andou em direção a Kana. Uma coisa Juvia tinha certeza: o mal cheiro pertencia somente aos humanos. Tentou ao máximo não demonstrar o quanto desgostava desse odor.
– Kana, não era para vocês estarem animados?
A morena levantou ficando ao lado da outra, chamou seus amigos e logo o grupo estava reunido.
– Meu bem, olhe para esses paspalhos. – Apontou para os tripulantes desmotivados. – Mesmo que eu e esses dois idiotas falassem alguma coisa, não adiantaria de nada. Por isso mesmo que você, – A abraçou de lado. – vai me ajudar. Gajeel já explicou tudo não foi? – Ela negou e Kana bateu no Redfox. – Por que não falou com ela?
– Esqueci. – Deu de ombros. – Gray, pega o que conseguiu. – O moreno foi para sua rede e voltou trazendo depois uma pequena trouxa. – Quanto que conseguiu?
– Pouco, muito pouco. Estamos no mar, é impossível achar alguma coisa de útil. – Abriu a trouxa os mostrando. – Talvez o capitão tenha, mas…
– Mas você não é maluco de entrar naquela cabine. – Os outros dois responderam por ele. Os três suspiraram, talvez não fosse dar certo.
– O que é isso? – A azulada falou chamando a atenção do grupo. Os três a olharam e ela apontou para a trouxa.
– São pedaços de pano para segurar água. – Gray explicou olhando para os panos. A azulada começou a rir. – O que foi?
– A água não é algo que possa segurar – Pegou os panos. – Além do mais, se colocar água aqui, o máximo que acontece é ele molhar. Veja. – A azulada fechou o punho, rapidamente os tecidos ficaram encharcados. – Viu? Não tem como. – Observando o ato, os três deram-se conta que, definitivamente, essa ideia não daria certo. – Porém, eu posso fazer algo. – Kana a olhou interessada.
De forma rápida, a azulada explicou e mostrou o que poderia fazer. Não gastaria poder nenhum, isso foi percebido depois de observarem que os olhos da sereia não ficavam em um tom mais claro. Para não ficar haver erros na realização do plano, Kana relembrou a todos o que era para fazer, esclarecendo todas as dúvidas.
Sem perceberem, a reunião dos três com a sereia atraiu curiosos, que por verem a sereia conversando com eles de forma tão normal, imaginava que algum assunto interessante estava acontecendo. Percebendo a pequena movimentação, Juvia criou uma pequena bola de água, que na parte interna a água se mostrava líquida e no externo, a borda era um pouco sólida. Um objeto perfeito para acertar alguém e não machucar.
A primeira parte do plano necessitava de uma grande quantidade de água, e ter no navio uma sereia que controla a própria água, facilitava todos os seus problemas. Kana tinha em mente a necessidade de melhorar os ânimos de seus companheiros, nada mais justo do que preparar uma bagunça que os faria levantar da rede e querer brigar com ela. Obviamente, Gajeel e Gray não escapariam, se há sinônimo de bagunçar, eles estariam no meio.
O moreno, percebendo as aproximações, pegou a bola de água e jogou na pessoa mais próxima a ele. A vítima escolhida era Gray, que nervoso pelo ataque, pegou outra bola de água formada e jogou no moreno. Por um momento, ambos ficaram jogando as bolas de águas em si até perceberem que nenhuma outra pessoa além deles estavam molhados. Sorrindo diabolicamente, a dupla pegou duas bolas e jogou nos outros companheiros. Tão rápido como começou, os piratas passaram a aproximar-se de Juvia para pegarem as bolas e jogarem nos outros.
Com a brincadeira formada, os tripulantes acabaram por ficar desatentos do ambiente, portanto sequer perceberam que a Heartfilia estaria com eles. Dias antes, a loira foi chamada por Kana para descer, não poderia negar, já que era algo para animar os tripulantes abatidos. O que ela não esperava ver, além da bagunça produzida, era a participação de sua irmã. Juvia não somente fornecia o recurso como também atacava os demais.
Entretanto, a presença da Heartfilia foi sentida por Juvia, que animada com a situação, formou uma grande bola de água capaz de molhar a loira por inteiro. Focalizando a irmã, arremesso. Por sorte não atingiu outro tripulante no deck, no entanto, acertou a única pessoa dentro do navio da Fairy Tail que tem a capacidade de produzir o pior tipo de punição possível: Erza Scallet.
– Vocês… – Os olhos castanhos passaram pelos tripulantes que tremiam de medo. Se havia alguém dentro do navio que temiam mais que Laxus e Natsu, era Erza, e eles sabiam que a morte estava próxima. – Quem foi o demente que me acertou?
Certo, se fosse em um dia normal e a ruiva aparecesse, eles rapidamente falariam o culpado, mas depois de um momento descontraído e a volta de seus humores, os piratas não acharam justo dizer que foi a sereia azulada a autora. Todavia, a paciência da ruiva estava em níveis catastróficos. Tinha pensado em descer apenas para saber o motivo da gritaria, ser de repente atacada por uma bola de água capaz de molhar seu corpo inteiro a deixou incrivelmente nervosa.
– Não vão dizer? – Cruzou os braços, sentir eles molhados a deixou ainda mais nervosa. – Quer dizer que agora todos são amigos? – Colocou as mãos na cintura. – Vão se arrepender de ter ficado em silêncio.
Em um momento como esse, Juvia e a Heartfilia se arrependeram de terem se aproximado tanto dos humanos. Sem poderem explicar em como chegaram no local, ambas foram obrigadas a participar da punição. Algo que a Heartfilia não conseguia acreditar era: o único momento em que esteve com os tripulantes foi quando realmente desceu as escadas, quem deveria ser punida era sua irmã e não ela!
O cheiro horrível que os humanos carregam parecia ter aumentado com a punição. Era algo simples: todos os tripulantes, incluindo as duas sereias, deveriam limpar o deck inferior, e isso queria dizer que as redes, trouxas de roupas e objetos deveriam ser lavados também. Usar magia foi proibido pela ruiva, poderiam usar escondido, mas o olhar severo da vice capitã não era fácil de escapar.
Durante toda a madrugada os piratas limparam o deck e deixaram as trouxas secando, finalizaram acreditando que poderiam finalmente descansar. A entrada de Laxus Dreyar no deck inferior impossibilitou o possível repouso. Internamente amaldiçoavam Kana e seus planos mirabolantes, por qual motivo mesmo eles entraram naquela brincadeira?
Enquanto os piratas passam a manhã limpando o deck mediano, ajustando os mastros e velas para irem rapidamente para o próximo local, as sereias aproveitaram o dia para dormir.
[…]
Ninguém assumiria, mas a bagunça realizada pelo grupo fez com que os tripulantes voltassem a ser quem eram. Brigas por qualquer motivo aparente já era parte do dia a dia deles, o ambiente mórbido não fazia presente e ter conhecimento disto, fazia com que Kana, Gray e Gajeel aumentassem o ego e dissessem a todos que isso era graças a eles. Obviamente ocasionava em brigas entre os outros tripulantes e eles.
No entanto, por medo de acabarem serem envolvidas em punições, as sereias se limitaram a observar os acontecimentos. Durante as manhãs, Juvia acompanhava a Heartfilia no processo de cura de Makarov, a tarde passavam oras observando o navio com Erza oras junto com os tripulantes. A noite poderia variar de acordo com as vontades das sereias, em algumas noites passavam juntas conversando com os tripulantes, outras observavam o céu estrelado.
Naquela tarde, enquanto Juvia conversava com os poucos tripulantes que estavam parados, a Heartfilia estava sentada no deck superior junto com Erza. Por alguns momentos, conversavam sobre assuntos variados. A ruiva observava cuidadosamente os piratas, se um desobedecer, a punição seria efetivada. Por diversão, a sereia loira se atentava aos detalhes das feições realizadas pela vice capitã.
– Então, já sabe o final do livro? – A loira olhou para a ruiva confusa. – Natsu não estava lendo um livro para você? – Arqueou uma sobrancelha e a loira entendeu.
– Tanto naquele momento quanto agora, ele se encontra ocupado. – Sentada, cruzou as pernas e depositou suas mãos. – É impossível no momento.
– Entendo. – Aproximou-se da sereia e sentou ao seu lado. – Por que não pede para ele agora? – A loira a olhou assustada. – O que foi? Tenho certeza de que está fazendo nada, como todos esses dias.
– Acha que ele está desocupado? – Erza assentiu. – Tenho a impressão de que está errada, mas falarei com ele.
Ainda receosa, a Heartfilia desceu as escadas do deck e foi para a cabine. Supondo que talvez o capitão estivesse ocupado, entrou silenciosamente e fechou a porta, não ficando totalmente surpresa ao vê-lo em meio aos papéis. Parece que os pensamentos dele finalmente encontraram um caminho.
– Por que você, de todas as pessoas, não consegue se identificar antes de entrar? – Natsu disse atraindo sua atenção.
Sorrindo, aproximou do rosado e sentou em uma cadeira próxima. Sempre se perguntou se Natsu não se enjoa de estar sentado fazendo as mesmas coisas todos os dias. Apoiou o cotovelo no apoio da cadeira e passou a sustentar sua cabeça.
– O que tem de tão interessante nesses papéis? – Ele a olhou de relance e voltou para a olhar para os papéis. – E eu não sou uma pessoa, sou uma sereia.
– Que, no momento, está como humana. Seguindo a minha lógica, você é uma pessoa. – Depositou a pena no tinteiro e passou a escrever. – Esses papéis são descrições de ordens para as nossas bases, preciso que afirmem algo para mim.
– Sua lógica não tem fundamento. – Sorriu ao vê-lo fechar os olhos.
Talvez irritar Natsu Dragneel se torne um hobbie a considerar. Ele, intrigado com o aparecimento da sereia, colocou a pena em cima de um papel e passou a observá-la. Ignorar a beleza da sereia era algo impossível de se fazer. Os cabelos longos e ondulados que se assemelhavam ao mais puro ouro; os olhos castanhos, tão expressivos e marcantes; seus lábios levemente avermelhados, despontava um sorriso singelo e gentil; o som de sua voz, tão graciosa e delicada quanto ela aparentava ser. Os traços simples e airosos encantavam até o mais duro coração. Sua beleza o fazia ficar hipnotizado.
– Não vou discutir lógica, não estou com tempo para isso. O que quer exatamente?
– Queria saber quando continuará a ler para mim? – Ele arqueou a sobrancelha. – Lembra do trato que fizemos? – Ele assentiu. – Nesse caso, quero saber quando poderá ler novamente para mim. – Envergonhada pelo pedido, abaixou a cabeça
– Como disse, não estou com tempo. – Pegou a pena e voltou a escrever. – Mas, pode pegar o livro se quiser. – A Hearfilia o olhou surpresa. – Se for depender de mim para ler, dificilmente saberá o final.
Ainda surpresa, a Heartfilia apenas assentiu levemente com a cabeça. Sabendo que a sereia não saberia onde o livro se encontrava, o rosado levantou e andou para a estante, olhou rapidamente procurando a obra e, o achando, depositou em frente a sereia. Pegou cuidadosamente o objeto, não imaginava que aquele objeto era tão resistente, de longe parecia ser frágil.
A parte da frente continha palavras escritas em um tom dourado, virou o livro achando que havia também mais letras douradas, porém encontrou apenas o tom vermelho. Suas mãos passeavam pela obra encantada com tamanha simplicidade. Com cautela, abriu o livro ficando maravilhada com as páginas brancas que eram preenchidas por diversas frases. O fascínio da sereia era observado pelo rosado. De início acreditava que ela estava vendo como a obra era, porém os olhos brilhosos e boca surpresa, parecia que era a primeira vez que a sereia estava segurando um livro. O que, em sua concepção, passou a crer que era verdade. Poderia observá-la durante toda a tarde, as feições formadas eram simples, mas que o atraia sem perceber.
– Heartfilia. – Assustada com o chamado, depositou o livro em suas pernas e o olhou. – Sei que está animada para ler, mas infelizmente não pode ler aqui. – Sentou. – Será que não pode fazer em outro local?
– Sim! – Levantou animada. – Obrigada Dragneel. – Curvou-se levemente e se retirou da sala.
Com o silêncio, o capitão focou sua atenção aos papéis em sua mesa. Sem dizer a ninguém, a Heartfilia subiu rapidamente para o deck superior, tentando ao máximo guardar sua felicidade, ato que foi percebido pelos tripulantes. Sentou-se em seu lugar novamente e abriu o livro.
– O que aconteceu lá dentro? – A ruiva aproximou-se e sentou ao seu lado.
– Dragneel entregou-me o livro, em razão de não poder ler para mim. – Respondeu sorrindo. – Agora posso saber o final. – Começou a leitura.
No entanto, o livro de cabeça para baixo mostrava que dificilmente a loira entenderia o que estava escrito. A princípio, Erza supôs que a sereia conseguiria ler daquela forma, possivelmente sua instrução didática tenha sido formada diferente da maneira como humanos aprendem, para mais, ela era uma lendária, se espera que saiba ler, mesmo de forma estranha. Todavia, o semblante formado pela Heartfilia revelava que, embora o livro esteja de cabeça para baixo, ela não conseguia entender o que estava escrito. Perceber isto fez com Erza começasse a rir.
– Heartfilia, não é desta forma que se lê um livro. – Pegou o exemplar e o virou, colocando de volta nas mãos da sereia. – Viu?
A sereia, envergonhada de ter sido pega no ato, envergonhou-se. Seu rosto pálido tornou-se rubro, como a cor da humana ao seu lado. Curiosa, a Scallet perguntou o motivo dela ter colocado o livro desta forma.
– Não ria desta vez. – Escondeu o rosto no livro. – Eu não sei ler.
A nova informação deixou a vice capitã chocada. Uma sereia lendária, que aparentava saber línguas não humanas, não saber ler, era algo de difícil entendimento. Enquanto a pobre sereia procurava entender as complexas frases escritas, Erza a olhava tentando compreender o que ouviu. Vendo a dificuldade enfrentada pela Heartfilia, a ruiva se pergunta qual foi a instrução didática transmitida, imaginou ter sido fraca.
– Veja, aqui está escrito: “[…] deu a ele bênção à sua montanha, a qual lhe fez profundas reverências e voltou para a Irlanda pelo mesmo caminho por onde tinha vindo.” – A sereia a olhou. – Não vou ler o livro todo, mas te ensino a ler.
Sem saber o que dizer, a sereia assentiu levemente a cabeça. O dia para ela estava estava estranhamente bom. Em meses dentro do navio, jamais teve uma conversa educada com Natsu, se for contar a forma como ele a retirou da cabine, diria estar impressionada com tamanha gentileza. Sem dizer que a vice capitã se mostrava amistosa com ela. A Heartfilia não poderia se sentir melhor, com o avanço das relações, suas memórias voltavam nos tempos em que Makarov era o capitão. Em seu íntimo, desejava com que os vínculos criados atualmente se mostrem melhores do que o passado gerou. Ela não poderia estar mais ansiosa.
Espaço Gaisa
Paraíso Intocado
O os olhos azuis olhavam para baixo procurando algo de interessante a observar. Em alguns momentos observava as cidades esperando com que algo de interessante a atraísse, porém sabia que dificilmente ocorreria. Os humanos pensavam de forma tão simplória que a deixava mergulhada em profunda chateação. O mundo humano não havia mudado desde sua criação afinal.
– Mestra. – Murmurou em resposta. – Está na hora.
– Romeo. – A jovem menina levantou de seu leito. – O que acha do mundo humano?
– Acho maçante e perverso.
– Mas, o mundo humano é seu lugar de origem. – Pegou o robe pendurado no dossel e o vestiu. – Como diz algo sobre seu próprio mundo?
– Mestra, perdoe-me por respondê-la. – Curvou-se. – Meu lugar é este, pois o reconheci como meu lugar, não identifico o mundo humano como parte de mim. – A jovem suspirou. Romeu, preocupado com sua Mestra, levantou-se e a olhou preocupado.
– Está tudo bem Romeo, imaginava que esta era sua resposta. – Tocou no ombro do jovem e saiu de seus aposentos, sendo seguida pelo outro. – Afinal, convive conosco há décadas, é natural aceitar-nos como um dos seus.
Os passos dados tornavam o ambiente mais sereno e imaculado, protegendo não somente sua existência, mas também daqueles que habitavam no solo sagrado. Os seres, percebendo sua presença, curvavam-se em respeito, obtendo como resposta simples acenos da jovem. Diferente do jovem que a seguia, seu contato com os outros era escasso, na qual somente a viam quando saia para realizar rituais.
Próxima ao aposento sagrado, virou-se subitamente para trás, olhando seriamente para Romeu. Os olhos castanhos miravam nos azulados, estes esperando com que fosse algo sério, a Mestra tinha o péssimo costume de olhar para ele e dizer que era apenas uma brincadeira.
– Não se esqueça de quem você é, Romeo. Posso parecer uma dos seus, mas sabes que somos diferentes. – Colocou a mão no peitoral dele e a outra em seu. – Sou uma ser lendária, tu és um humano que, apesar dos rituais, pisa em solo sagrado. – Aproximou o rosto do dele, que devido à proximidade, envergonhou-se. – Ainda não entendo o motivo de ficar tão vermelho quando me aproximo, os outros não ficam desta forma.
– Olha! Romeu está se aproveitando da Mestra novamente! – Devido ao grito, ambos se separaram. O jovem olhando para baixo se recuperando do ato e a pequena rindo olhando os seres voadores.
– Ora, não brinquem com ele desta forma. – Acariciou um que voava próximo.
– Não deveria deixar com que o humano a toque Mestra, pode perder sua virtude.
– Não diga coisas cruéis Charlie. – A azulada tocou na cabeça do jovem humano. – Uma Sacerdotisa não perde com tanta facilidade a virtude que carrega. – Sorriu para o jovem humano e voltou a andar. – Vamos, há um ritual para ser realizado.
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