Bring Me To Life
1 How can you see into my eyes like open doors?
Notas iniciais
Caro Math,
Olha só, aqui estou eu, escrevendo uma carta para você. Uma carta que espero ser bem grande, porque tivemos muitas coisas juntos. Cartas são clichês, você não acha? Bem, eu acho. E, para falar a verdade, não faço ideia de porque exatamente estou escrevendo isso. Não deveria ter escutado nenhum dos meus amigos, deveria ter deixado isso de lado e olha só! Já estou na sexta linha! E o que virá depois? Isso aqui ficará tão grande que deverá ser vendido como livros ao invés de uma simples carta de adolescentes? Terão repórteres me entrevistando, estarei no show da Oprah?
E é nesse momento que você diz: hora de parar, Charlie, já sonhou demais.
É claro que estou sonhando demais, idiota. Porque todas as noites eu sonho com você antes de dormir, e a primeira coisa em que penso quando acordo é no seu nome, e...
Deixemos os detalhes de lado. Talvez não seja muito legal eu ficar falando muito das coisas que sinto. Mais uma para a minha lista de coisas clichês.
Você acha isso necessário? Esse negócio de eu ficar aqui, escrevendo coisas melancólicas e bestas que fariam uma garotinha qualquer viciada em A Culpa É Das Estrelas chorar. Afinal de contas, você sabe o que sinto antes mesmo de eu própria saber.
E me pergunto como faz isso. Como pode olhar dentro dos meus olhos como se fossem portas abertas?
Você, antes de qualquer outra pessoa, sabe o que guardo dentro de mim mesma. Sabe quando meu coração acelera apenas segurando minha mão, sem força. Sabe quando preciso de um abraço simplesmente ao olhar para o meu rosto. Sabe que o abraço do qual mais preciso é o seu.
E, você, mais do qualquer outro, sabe que não sou muito boa em demonstrar minhas emoções.
Não sei quando foi que senti aquilo, mas sei que você já tinha percebido muito antes de mim. Talvez seja por isso que se afastou; afinal, não deve ser muito legal ser o melhor amigo de uma garota apaixonada por você. Ou, talvez isso seja muito legal. Sei lá. Pelo que eu sabia, meu melhor amigo não está apaixonado por mim. Porque eu não sei olhar dentro dos seus olhos como portas abertas.
E acho que preciso aprender a fazer isso. Tipo, ia ser legal. Eu seria uma amiga melhor, iria te entender melhor e não precisaria que ficasse me contando quando precisa de ajuda.
Às vezes, me sinto mal por não ser tão incrível com você quanto é comigo. Queria poder te abraçar com a mesma força que me abraça. Poder saber quando está prestes a desabar e saber quando realmente está feliz.
E eu sei que você sabe que, nesse exato momento, estou sentindo meus olhos arderem. Porque você sabe tanto de mim que chego a ficar assustada. Talvez seja algo nos ligando.
Foi o Peter quem me deu a ideia de escrever uma carta. Conversávamos normalmente quando ele deixou isso escapar. Por alguns instantes, encarei-o, sem dizer nada, e vi seu rosto enrubescer levemente. Fiquei pálida e suspirei.
– Talvez isso não dê certo – falei.
– Talvez dê – ele respondeu.
– Mas... tenho tantas coisas para dizer.
– E acho que ele está disposto a saber disso tudo. O Math se importa com você, né, Charlie?
– Já experimentou perguntar para ele?
Acho que ele disse isso porque, há alguns minutos atrás, tínhamos visto uma garota que eu não conhecia dando em cima de você.
Mas não se preocupe. Todo mundo pode dar em cima de você quando quiser, e você pode deixar. Não quero que pense que vou te matar assim que vir uma menina desconhecida querendo roubar os seus lábios que nem ao menos pertencem à minha pessoa, porque, por acaso, você NÃO sente o mesmo.
Tipo, de verdade. Estou sendo sincera com você. Até porque você realmente sabe o que sinto, mesmo sem eu dizer uma única palavra.
E espero que esteja mesmo disposto a ler essa carta. Porque quero que ela seja mais longa do que as cartas normais de declarações normais escritas por garotas normais.
Porque isso não é uma carta normal, essa não é uma declaração normal, e, com certeza, eu não sou o que se diria normal.
E você diz: defina normal.
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