Brincando com Segredos

8 O sangue da serpente.


Notas iniciais
AWEOOOOOOOOOOOOOO, pessoal! Como estão? É, é, eu sei... Mil anos depois eu tô aqui vindo postar o capítulo, mas agora que meu pc voltou (*u*) eu vou tentar postar com mais frequência, ok? Também tenho que me desculpar pela milésima vez por ter atrasado tanto assim, então me perdoem. Espero que gostem muito do capítulo, tem sangue, descobertas, suspense, feels, tem tudinho. Segurem essa bomb e vamos ver se algum de vocês já esperavam por isso. Quem acertou, acertou. Quem errou, errou.

Pulo para fora da sala de câmeras imediatamente, após ter enfiado meu celular dentro da primeira mochila que encontro. Ponho uma calça preta, uma blusa branca e uma jaqueta jeans, tentando, com todas as forças que carrego, ignorar os gemidos baixos que minha mãe produz em seu quarto. Ter visto ela se roçando no advogado depois de uma briga familiar já explicava tudo.

A voz de Tass confessando ser a SS na ligação ainda estava gravada em minha mente, reproduzindo-se com frequência, fazendo-me soluçar baixinho. Bom, eu realmente estava destruída como uma boneca de porcelana, mas isso não me impedia de acertar contas com alguém que queria me destruir.

"Eu sou a SS, Emma. Precisamos nos encontrar para resolvermos algumas questões pendentes."

Enquanto colocava uma faca de cozinha no meio das outras coisas, meu celular carregou uma mensagem nova, com apenas um nome: Winston. Aquela porra de colégio era o ponto de encontro? Pelo menos era o que parecia.

Com o corpo trêmulo, atravessei a casa e cheguei até a garagem. Alguns dos empregados da mansão me esbanjaram um olhar assustado, enquanto dois dos guardas cochicharam arduamente sobre mim. Quando avancei, contemplei um céu enegrecido e assustador do lado externo. Era uma noite fria, com ventanias chicoteadoras. Entrei no carro antigo do meu irmão, acelerei e não hesitei em momento nenhum do percurso. Meus pensamentos estavam tão agitados que começavam a se cruzar de forma assustadora, criando justificativas nada aceitáveis para o fato de Tass ser a Serpente Sanguinária.

Cheguei ao colégio sem demora. Passei por duas grades e caminhei pelo gramado vazio, sendo recebida por um rápido coro de cigarras, que não tardaram a se calar. Duas cadeiras de metal balançavam distantes. Subitamente, fui possuída pela atmosfera fantasmagórica do lugar. Era um típico cenário daqueles filmes de terror, onde finalmente, via-se uma conclusão para a história, com a mocinha sendo perseguida por um fanático psicopata de máscara.

O lugar, como esperado, estava completamente deserto. As janelas do prédio estavam todas apagadas e uma pequena caixa de som cantarolava o refrão de algum desses hits pops em algum lugar próximo. A praça que ficava em frente ao colégio estava sendo banhada por uma luz fraca de um poste em ruínas, deixando uma boa parte do restante do centro submerso em uma escuridão assustadora. Foi quando eu vi algo se movimentando entre os bancos, seguindo para trás do poste.

Subi a escadaria sem demora e empurrei a porta que dava acesso ao prédio, afastando-me da figura sorrateira. O corredor ladeado de armários também estava vazio. Uma forte corrente de ar jogou os meus cabelos para trás. Nesse instante, a porta pela qual eu tinha acabado de passar bateu com força, como se alguém tivesse acabado de abri-la.

— Quem está aí? — As palavras escorreram da minha boca como um choro de criança. Talvez não tivesse sido uma boa ideia ir até o ninho da SS.

Sem resposta, continuei o meu caminho, repetindo mentalmente que não iria morrer hoje. Passei pela sala de biologia e pela de matemática, imaginando se Tass apareceria a qualquer momento, tentando me matar. A lembrança de estar no Winston escondida me fez reviver a vez em que fiz a gravação da morte do Michael.

A calmaria se foi com o grito mais assustador que eu ouvira em toda minha vida. Meu coração deu um salto e começou a bater aceleradamente. Por um instante, enquanto comecei a correr em direção ao barulho, pensei que poderia escorregar e cair por cima de minha própria faca. Meu corpo foi tomado por uma força descomunal, já o meu cérebro trabalhava duramente na curiosidade de descobrir de quem era os berros.

O caminho de doces me levou até a quadra com a grande piscina. Senti um enjoo tremendo quando entrei no lugar. Meus olhos se encontraram exatamente com os da garota, que agora estava se equilibrando no topo de um dos trampolins mais altos. Vi que havia uma corrente presa aos seus pés e a uma pequena bola de aço. Ela cessou a gritaria quando passei pela porta e levou a mão a boca, surpresa. Meus joelhos se desestabilizaram e a minha faca caiu. O que mais me surpreendia em Tass não era as correntes nem o rosto evidentemente espancado, mas sim uma luz vermelha, feito laser, que brilhava em seu peito.

Tive certeza de que se tratava da mira de uma arma potente. Parei exatamente onde estava quando Tass deu um passo frouxo para frente, com a expressão de que não era o que realmente queria fazer. Se ela caísse, o peso da bola de aço faria com que a garota se afogasse na piscina abaixo. Os olhos da garota marejaram e seus lábios começaram a tremer.

— Emma, você não deveria ter vindo! — Ela gritou do alto, olhando ameaçadoramente para uma pequena janelinha em cima da arquibancada. Estiquei-me para na mesma direção e notei o cabo de uma arma sair por ali. Me senti aliviada, afinal, Tass não era a SS e só estava sendo chantageada, cheguei a conclusão. Por outro lado, ela estava sobre a mira de alguém. Senti um nó se formando em minha cabeça, mesclado ao medo que corria pelo meu corpo.

— O que está... — Fui bruscamente interrompida por um baque atrás de mim. Corri para frente, me abaixei e agarrei a minha faca no chão, jogando-me para o lado momentos antes de ouvir o ruído pesado de um facão acertando o ponto exato onde eu estava anteriormente. Levantei a cabeça horrorizada, fitando a figura diante de mim.

Minhas pernas se moviam com tamanha lentidão e não sabia mais o que fazer. O assassino trajava uma jaqueta de mangas longas e preta, uma calça folgada da mesma cor e, para esconder o seu rosto, usava uma máscara esverdeada de muitos detalhes. Duas fendas vermelhas representavam os olhos e um rasgo horizontal fazia menção a uma boca animalesca. Era a máscara de uma serpente.

Arrastei meu corpo para trás e evitei ser atingida pelo seu facão novamente. Minhas costas bateram na segunda arquibancada e eu levantei assustada, pulando para cima da primeira fileira de cadeiras quando a lâmina passou triscando pela minha garganta. Por uma fração de segundos, meus pés ficaram na altura do tórax do assassino. Sem hesitar, chutei-o com força, fazendo-o cair para longe, aparentemente sem ar.

Tomei consciência da faca em minhas mãos e, ignorando a vontade de fugir, pulei até o assassino caído, chutei o facão em sua mão com violência e pressionei a sua garganta com a minha arma. Meu corpo estava em chamas e o desejo de esfaqueá-lo me consumia como uma doença. Meus dedos trêmulos dedilharam a máscara e eu a pressionei sem calma, puxando-a ferozmente.

Tudo aconteceu rápido demais. Enquanto removia a máscara de serpente, outro grito de Tass inundou a quadra, dessa vez pedindo que eu fugisse. No segundo seguinte, o ponto vermelho da mira da arma deslizou para fora do peito da garota e parou exatamente em minha testa. Parei o que estava fazendo e não arrisquei olhar pra o rosto descoberto sobre as minhas pernas. Meu corpo inteiro gelou e a máscara caiu de minha mão.

— Se você olhar para baixo, eu atiro em você, vadia de merda. — Uma voz abafada, impossível reconhecer se era feminina ou masculina, ecoou do alto-falante da quadra. Olhei para a janelinha em cima da arquibancada, onde uma grande sombra humanoide se curvava para poder me observar, um microfone em uma mão e a arma potente com a mira na outra.

Porra, eu estava ferrada. O que aquilo significava? Haviam duas serpentes sanguinárias? Quem mais estaria contra mim? Bom, eu tinha a chance de descobrir, mas não poderia arriscar a minha vida. Então, ainda olhando pra cima, levantei do corpo imóvel do assassino mais próximo de mim e corri para o lado, ainda sobre a mira do segundo assassino.

— Vamos brincar um pouco, ok, Emma? — A terrível voz no alto-falante surgiu novamente, e eu, sem pensar, apenas balancei a cabeça em concordância. — Tass está sobre a prancha do nosso barco pirata, e você tem uma escolhe importantíssima pra fazer. — Um tom de felicidade psicodélica foi tomando a voz que, por apenas um momento, pareceu-me feminina.

—Não vai haver jogo algum! — Tass gritou do trampolim, depois se virou pra mim com os olhos arregalados. — Fuja!

Então, correu para a ponta do trampolim, arrastando a bola de aço e, sem hesitar, pulou para a piscina. Naquele instante, a mira correu de mim para a espuma na água. A garota tinha me dado tempo e espaço para uma fuga, mas mesmo confusa com o que estava acontecendo, tinha certeza de que não poderia, em hipótese alguma, abandoná-la. Por isso, virei-me depressa para encarar o assassino que estava do meu lado, mas ele já havia posto a máscara novamente. Tinha acabado de perder a oportunidade de desvendar o meu inimigo.

Sem perder tempo, corri em direção à figura desarmada, envolvendo os meus braços em sua cintura, jogando-a para trás. Coloquei a faca em seu pescoço e usei-a como escudo até chegar à beirada da água. Sentia que a cada segundo que se passava, Tass morria afogada aos poucos.

— Largue a arma e eu não matarei seu parceiro. — Gritei para a janelinha, pressionando a lâmina com todas as forças naquela garganta. A movimentação na água começava a diminuir, como se Tass não estivesse tentando mais subir para a superfície. — Rápido!

— Por favor, não me mate! — A voz abafou por trás da máscara, mas senti a forte presença do desespero em suas palavras. — Larga logo essa merda! — O assassino gritou para o outro, que tirou a mira da nossa direção no mesmo momento.

A arma se espatifou na arquibancada e a sombra fechou a janelinha, correndo pra longe. Então, ainda com o assassino preso em meus braços, virei-o com força. Meu coração acelerou decisivamente, deixando-me tonta e nervosa. Levantei a faca sem demora e enterrei em sua barriga com uma violência fatal. Sua mão agarrou o meu pescoço com fraqueza, mas eu continuei a perfurá-lo, sentindo o metal pontiagudo rasgar sua jaqueta e atravessar sua pele macia sem dificuldade. Eu estava matando uma pessoa.

Só me dei conta disso quando joguei seu corpo no chão, mas não tinha muito tempo pra pensar. Ainda nauseada pela sensação do que acabara de fazer, agarrei o facão do inimigo e pulei na água gelada, nadando até o ponto em que o corpo de Tass estava, inconsciente, preso a corrente. Bati com o facão várias vezes, mas o aço que a prendia era mais forte. Então, desesperada, agarrei a bola pesada e passei o braço por baixo dos da garota, nadando com ela pra cima. Pareceu que nunca chegaríamos à superfície. A piscina era bastante funda e o peso não ajudava, mas eu não tinha chegado até ali para simplesmente morrer daquela forma.

***

Quando voltamos para a superfície, não havia mais ninguém na quadra. Um rastro tenebroso de sangue serpenteava até os fundos do lugar. O ferimento que eu causei ao inimigo foi sério o suficiente, mas não tinha espaço para me sentir culpada.

Tass e eu nos arrastamos molhadas pelos corredores do Winston agora. A garota tossia bastante, seu rosto passando do tom avermelhado vivo para o pálido mórbido. Com a arma da segunda SS em mãos, fui mirando para qualquer coisa que parecesse suspeita. Afinal, algum dos dois/duas ainda poderia nos atacar.

Chegamos ao carro depois de um tempo. Tass ainda estava tonta, por isso deitei-a no banco de trás. Voltei para o banco do motorista, dei partida no motor e acelerei o carro, olhando uma última vez para o maligno prédio do colégio. Ao mesmo tempo, uma forte sensação de medo tomou conta do meu peito. Tudo isso tinha sido sério demais. Minha mão fraquejou ao me lembrar do combate e do barulho da faca rasgando o corpo do meu inimigo. Meus olhos marejaram e o restante do caminho foi marcado pela triste trilha sonora do meu choro.

Já era bem tarde quando chegamos à mansão. Aparentemente, minha mãe não ligara para me procurar ou algo do tipo, não estava nem um pouco preocupada. Tass e eu entramos pelos fundos, depois seguimos até o meu quarto. A garota se jogou na cama, tossiu um pouco e não tardou a cair no sono. Fiquei uns minutos sentada, observando minha amiga cochilar. O palmo de minha mão estava ensanguentado e um corte rasgara metade da minha calça.

Aquele realmente tinha sido um dia difícil. Primeiro com a briga no café da manhã... Baque. Algo se fechou, provocando um pequeno ruído. Virei-me em alerta, puxando a faca de dentro da mochila mais uma vez. Caminhei sorrateiramente para fora do meu quarto. Meus pés descalços deslizavam pelo chão gelado de madeira, provocando alguns poucos barulhos.

Crak. Corri para o quarto de Adelaide, de onde notoriamente o novo ruído tinha partido. A porta meio aberta me concedeu uma visão parcial, mas suficiente para me fazer escancarar o máximo a minha boca. Soltei um pequeno suspiro de exclamação. Felizmente, a garota estava muito mais entretida em fazer curativos para um ferimento terrível em sua barriga do que vigiar sua porta.

Em sua cama, uma máscara esverdeada pendia meio torta. Os olhos avermelhados da Serpente me fitavam com seriedade, e eu pensava, horrorizada, se deveria escancarar a porta e terminar de abrir o ferimento. Afinal, Adelaide era a Serpente Sanguinária.

***

Serpentes Sanguinárias.

Afinal, o que garotas safadas procuram fazer no meio da noite em um inferno como o Winston? Em breve, vocês, seguidores do meu maravilhoso blog, poderão saber! Com direito a vídeo e tudo mais... >:)

Notas finais
HAHAHAHAHAHAHHAHA, gostaram? Até o próximo o/ >:)