Notas iniciais
Oooooooi, gente! Pessoal, mil perdões por ter desaparecido assim por tanto tempo. Eu estou me sentindo muito mal por isso, mas essas últimas semanas foram extremamente corridas e acredito que para alguns leitores também, então espero que entendem, me perdoem e continuem a acompanhar a história! Esse capítulo tá fresquinho e nele acontece uma porradeira de coisas. A maioria dos personagens do capítulo "Venenosos" aparecem, então se alguém não estiver lembrado de alguns deles, sugiro ler esse capítulo novamente. Pra quem também acabou esquecendo o que está acontecendo, vai um pequeno resumo: "Emma descobre que Adelaide tinha um irmão gêmeo. Madison é obrigada a matar Edward para salvar o seu irmão, Alex. Emma prende Madison e Alex, mas SS os pega. Cristal conta a sua história e a do bebê. Tass se aproxima do jogo novamente, acompanhando o aplicativo de vítimas de SS. Alex morre. Emma e Dylan vão procurar a mãe de criação do gêmeo." Pronto, recordaram um pouco? Então, o nível desse capítulo vai ser classificado como FEELS XTREME! EU TÔ NO CHÃO. Novamente, espero que vocês me desculpem pela demora. Vocês são os melhores leitores e odeio ter que fazer vocês passarem por isso. Espero muito que gostem do capítulo e boa leitura! PS: QUATRO DIAS PARA A ESPERANÇA, EU TÔ DKÇEJQFKÇLJSKG@#$%%%! Por isso, dedico esse capítulo especialmente para essa saga que eu tanto amo!

Ninguém nunca ganha os jogos. Ponto final. Há sobreviventes. Não há vencedores.

(Haymitch Abernathy, Jogos Vorazes)

Enquanto as palavras rápidas de Vanipa serpenteiam até os meus ouvidos, cuspindo a verdade confusa e embriagada em meu rosto, sinto uma terrível sensação de enjoo, como se as entranhas de minha barriga estivessem ao avesso.

Estamos em uma sala apartada e lotada de móveis desnecessários. Os olhos da velha continuam repousados ferozmente sobre o meu corpo espremido em uma de suas poltronas rasgadas. Ela conta a história com rispidez, assumindo um ar robótico, como se estivesse gravado aquele falatório. Em minha mente, as palavras ganham vida, desenvolvendo imagens e assumindo um papel auxiliador para o ponto de vista contado por minha mãe há horas atrás.

— Richard, o meu marido, era muito amigo do seu adorável pai. Muito bonito, aquele jovem homem! Um tanto pomposo e formal, mas foi ele quem nos deu a nossa linda criança. Um bebê muito bonito, você precisava ver, Emminha. — Seus dedos enrugados tremem diante do meu nariz. Emminha? Isso é sério mesmo? Impaciente, corto-a.

— Eu já sei sobre essa parte, Vanipa. Eu sei que está disposta a contar a história pelo simples fato de não ter hesitado ao ouvir minhas perguntas anteriores, então acho que essa é a hora em que você me fala sobre o meu irmão, o seu adorável bebê, o gêmeo da Adelaide...

Ponderando, a velhota se estica para frente, apanha um óculos e mira a unha encardida para o meu peito. Ela me entrega um sorriso de dentes tortos e amarelados, mas não diz nada. Seu corpo frágil se levanta. Ela caminha mais para perto de mim, prendendo os seus braços ao meu redor. Recuo lentamente, colando as costas no suporte da poltrona. O que uma senhora como aquela poderia fazer contra mim?

— Não demoramos em perceber que ele tinha algo de diferente. — Sua voz rouca sai tão subitamente da boca, que no momento em que ela começa a falar, solto um pequeno gemido de susto. Bafo e melancolia é uma mistura nauseante. Ela continua: — Sempre matando os gatos da vizinhança. Sua infância foi extremamente conturbada. Eu passava muito tempo tentando mantê-lo nas penumbras da ilegalidade, e isso nos afastou bastante. O pai não conseguia manter laços com ele. Era como se tivéssemos uma visita indesejada em casa. Ah, Emminha... O meu sonho de ser mãe morreu no dia em que aquele garoto nos foi presenteado. Acredito que Richard e eu não somos culpados pelo que ele se tornou. A verdade é que o garoto se distanciou de nós. Não sabíamos muito sobre a sua vida. Seus amigos moravam longe e ele sumia por dias. — Ela avançou ainda mais. — Querida Emma, os filhos de Cristal Thompson foram amaldiçoados por uma praga antiga. A praga da luxuria, das mentiras e ilusões. Adelaide, Ben, você e Connor são as crias marcadas por uma serpente maligna.

Sou atingida violentamente por um sopro frio em meu peito, como se tivesse deixado um saco de ar gelado estourar ali. Connor, ela disse. Eu não conhecia ninguém com esse maldito nome. Talvez eu tenha me acostumado com a ideia do assassino ser alguém que convivesse comigo, anulando a hipótese de ser apenas um desconhecido. Ou Connor decidiu mudar o nome para que, quando eu chegasse a esse ponto, continuasse com a dúvida a respeito de sua identidade.

Sem processar as informações recentes, reajo instintivamente a um barulho abrupto no andar de cima da casa fedorenta. Vanipa cambaleia para trás, tombando em outra poltrona.

— Quem mais está aqui? — Grito para a mulher, o medo cada vez mais evidente em minha voz. — O que aconteceu com o Connor?

— Ele está morto. Achei que você soubesse, Emminha. — Assustadoramente, o seu olhar torna-se enfurecido, enquanto a sua voz assume um aspecto humorado e irônico. — Na última vez que nos encontramos, Connor me falou sobre como Adelaide o estava guiando por um caminho bom. Finalmente ele despelou e percebeu que o verdadeiro lugar dele – e nesse momento eu senti uma breve e estranha sensação de que havia alguém atrás de mim – não é como um jovem qualquer, e sim como um assassino. Todos podem renascer, certo? Pois ele decidiu voltar como uma serpente. E que a sorte esteja sempre a seu favor...

Primeiro escuto o barulho da serra elétrica estrondando inesperadamente em meu ouvido, depois percebo o corpo pelancudo da mulher segurando-me contra a poltrona, enquanto o ferro rodopiante começa a rasgar o forro perto da minha cabeça. Toda a situação embola-se em minha mente. Não escuto o meu grito, mas sei que o estou reproduzindo. As unhas apertam os meus pulsos, a morte puxa-me para um abraço cortante. Forçando as pernas contra a barriga de Vanipa, sem medo, chuto-a longe, rolando para frente antes de a serra rasgar a poltrona no meio, horizontalmente.

Antes que eu possa me levantar, sinto a serra rasgar uma caixa ao meu lado direito, triscando a minha cabeça, enquanto vários pratos despencam do material, espatifando-se aos meus pés. Impulsiono o meu corpo para cima de Vanipa, suspendendo-a no momento exato, enquanto viro-me, em que a serra transpassa diretamente o lugar em que eu estava anteriormente, agora ocupado pela velha. Sem tempo de desviar, a arma afunda em sua barriga, respingando sangue para todos os lados. O grito da mulher só cessa segundos depois, quando SS, que estivera no controle da máquina, desliga a lâmina, percebendo a merda que acabara de fazer.

A figura encapuzada desaba ao lado de Vanipa, que agora se estira, ensanguentada, no chão. Sem demora, pulo para o lado, correndo desesperadamente na direção da porta. Trancada. Viro-me para a escada, mas dessa vez, SS parece muito mais irritado, incomodado com o fato de eu ter feito a mulher como escudo.

O barulho agonizante irrompe mais uma vez pela sala. Corro mais do que nunca pelos longos corredores, batendo o rosto brutalmente em portas trancadas, enquanto atrás de mim, SS marca um “X” com a serra, destruindo o forro mofado da parede. Talvez Dylan, do lado de fora, esteja desconfiando da algazarra.

Passo de ladinho por uma passagem estreita para um cômodo completamente encardido. Connor, ou que SS for, mantem-se ocupado em derrubar os caixotes que estão em sua frente. Sem portas e janelas, sou obrigada a pular na direção de um pequeno elevador manual de madeira, do tipo pequenininho, que abastecem e levam roupas sujas e alimentos para outro cômodo.

Puxo a corda com pressa. A minha vida está em jogo, então não poupo esforços para fazer a caixinha em que estou metida descer. No meio do caminho, o barulho da serra simplesmente aumenta. Como se estivesse prevendo o que aconteceria, apoio as mãos nas paredes do quadrado, tentando não morrer enquanto o elevador despenca até o último cômodo do lugar. Em seguida, tudo se paga.

Não sei ao certo quanto tempo se passa, mas quando abro os olhos, não estou mais na casa de Vanipa. Sinto uma dor pontuda em minha cabeça, enquanto vou finalmente adequando-me ao novo lugar. Trata-se de um quarto frio e quadricular. As paredes são de pedra e o chão revestido por um piso branco encardido. O cheiro de podridão não demora a queimar pelo meu nariz, nauseando-me pra caramba. Todo o meu corpo está amarrado, então não consigo me movimentar muito. Alguém sussurra o meu nome.

Viro o rosto assustada, fitando os olhos arregalados de Dylan. Atrás dele, mais quatro corpos se enfileiram, todos também amarrados. Demoro um pouco para reconhecer Thomas, recostado no corpo de Jenna Springs. A sua irmã, Melanie Springs, encontra-se do outro lado da sala, encolhida próxima a Brooke Watson. Fico sem reação por cinco minutos, tentando entender o que aquelas pessoas estavam fazendo ali. A última vez que os vi fora na festa da Brooke, antes de ter sido dopada por Edward e Madison.

— Você vai ficar calada por quanto tempo, vagabunda? — Jenna grita pra mim, contorcendo-se, tentando arrancar as cordas que a prendem. — Que brincadeira é essa? Você está louca?

Permaneço calada, sentindo uma vontade enorme de desaparecer.

— Emma, o que está acontecendo? — Thomas desliza para perto de mim, paciente.

As vozes surgem juntas, mas a única coisa que eu consigo processar é o olhar duvidoso de Dylan, transformando-se em um de ódio. Fico mais confusa ainda, mas ele apenas levanta a cabeça, olhando para o canto do teto. Olho também. Naquela direção, uma tv que eu não havia notado, brilha fracamente, repetindo um vídeo.

Meu coração parece socar o meu peito. Sei exatamente o que aquele vídeo é. Me vejo na gravação, completamente destruída, diante de três corpos encapuzados, ajoelhados. SS também surge na filmagem, e aponta para um dos três. Sei que ele está pedindo para que eu escolha um, e antes mesmo da reprodução do vídeo terminar, sei que Gabriel, o pai do Dylan estará morto. No fim, não demora muito para acontecer. O machado afiado vai cortando cada pedaço do advogado, assim como aconteceu naquela noite. A tela fica escura e recomeça segundos depois. Não tenho coragem de olhar para o garoto, mas a sua voz, enraivada e poderosa, irrompe pela sala, calando todos os outros.

Você escolheu que ele fosse morto! Você matou o meu pai, Emma! Você sempre soube da verdade e esteve a escondendo de mim durante todo esse tempo, sua filha da puta! Eu odeio você! Eu juro que vou arrastá-la para o inferno, para você queimar para sempre! EU VOU TE MATAR!

As lágrimas escorrem pelo meu rosto com cautela, como se estivessem com medo. Aquela talvez fosse a carta na manga de SS, pronta para ser usada na rodada final. Eu merecia aquilo. Apesar de cada palavra ser como um soco, entendia que nada se comparava a dor de Dylan. Subitamente, a única porta do quarto vazio se abre. O corpo ensanguentado de Madison passa por ele, desabando de joelhos aos meus pés.

Seu rosto sombrio levanta no mesmo instante em que a porta é trancada novamente. O seu cabelo, agora mais sujo do que nunca, cai pesadamente sobre uma parte dos seus olhos, rodeados de olheiras. Nos encaramos por longos segundos, até que ela, em um choro agudo e terrível, puxa uma pequena faca e começa a cortar as amarras, resmungando, solenemente, que Alex, o seu irmão, estava morto.

***

Tass

Acelero o carro de minha mãe até o departamento policial de Ohio, mantendo o celular ao meu lado. As imagens da garota sendo morta no banheiro permanecem vívidas em minha mente. Aquela porcaria não poderia ser real. Imersa em meus pensamentos, a principio, não dou muita atenção ao ponto avermelhado que surge distante, ao lado direito da estrada. Os sons das sirenes policiais são os elementos que me despertam. Como uma criança juntando um mais um e vendo o resultado, noto que o ponto avermelhado são chamas, e que estou, inegavelmente, passando por uma mansão Thompson completamente devorada pelo fogo.

Freio o carro imediatamente, descendo do veículo, seguindo, em uma corrida desesperada, até o lugar. Milhões de ideias surgem em minha cabeça, situações terríveis que envolvem Emma. Repreendendo esses pensamentos, sou assolada por outro pior ainda. Uma lembrança terrível do aplicativo de SS, exibido na sua página DOCEVENENO, as letras garrafais indicando o próximo vídeo: “Vítima número dois: Explosão.” A ficha cai definitivamente quando os meus olhos miram Samantha. A mulher, próxima a um bombeiro, grita assustadoramente com alguém no seu celular. As chamas ganham mais vida, crepitando e escapulindo pelas janelas, aquecendo a multidão na frente do lugar.

Os jardins se converteram a uma pilha enorme de cinzas. Do primeiro ao último andar, o estrago é absoluto. Uma rajada de água parte de um caminhão de bombeiro, mas nada muda. O império Thompson podia ter caído, mas o castelo havia permanecido intacto até agora.

Agradeço por não ser notada por ninguém. Todo o barulho se silencia à medida que o fogo parece cada vez maior. Ajoelho-me na estrada em que Adelaide fora atropelada, sentindo uma dor absurdamente grande no meu coração. Emma, preciso tê-la. Afinal, a esperança é a única coisa mais forte do que o medo.

É então que eu a vejo. Não, não Emma Thompson, mas a sua mãe. Cristal, completamente diferente, é levada para dentro de uma ambulância. A sua pele, agora tostada, varia, em alguns pontos, de cinza para vermelho. Uma parte da peruca queimou, juntando-se as feridas do pescoço. O rosto, inchado e repleto de profundas queimaduras, permanece imóvel. Vejo um médico analisando-a com cautela. Depois de um tempo, vejo as sua boca se movimentar, formando a tenebrosa frase: “Ela está morta.”

A minha cabeça pesa decididamente para frente, enquanto os meus pés fraquejam. Nesse instante, um SMS chega ao meu celular. Abro-o imediatamente, horrorizada com o que leio.

Mensagem para: Tass.

De: Serpente Sanguinária.

O aplicativo não deu muito certo, podendo apenas exibir duas vítimas, por conta dos riscos que seria me expor dessa forma. Acontece, querida, que ainda existem muitas vítimas, agora juntas e abraçadinhas em um lugar só. Toda essa confusão de hoje nos deu tempo de reunir os jogadores para a última fase, menos você, danadinha. Parece-me que falhei em tentar captura-la, então não se sinta excluída, a sua amada Emma estará representando as coladoras de velcro no tabuleiro. Esse é um aviso que deve ser repassado por você, certo? Afinal, todas as minhas obras de arte precisam ser descobertas, já que essa é a graça. Se demorar de nos encontrar, talvez todos já estejam mortos.

Que os jogos comecem!

Doce veneno, SS te ama.

Notas finais
Tchururu com muito shock de monstro e tristeza, né não? Apesar disso, the mockingjay lives!