- Mãe! Mãe!

- Tem calma, querida, já passa…

- Mãe, isto dói! O que se passa? O que é que me está a acontecer?

Ouve-se um suspiro de desalento. A mulher que estava ao seu lado olhava-a com lágrimas nos olhos.

- Estás-te a recordar do que devias ter aprendido durante os últimos três anos… já vai passar… — dizia ela enquanto lhe afagava os cabelos ensopados em suor.

Nova onda de dor. A cabeça parecia que lhe ia explodir a qualquer momento. Mais valia…

- AHHH! MÃE, FAZ COM QUE PARE! NÃO AGUENTO!

- Já vai passar, filha, já passa… Shh… desculpa mas tem de ser…

- Mas porquê? Dói tanto!

- Tu és diferente… és especial…

- Estou farta de o ser! Não quero ser especial!

- Isso não é algo que possas escolher, já nasceu contigo…

- Quem me dera não ter nascido…

Tinha falado demais. Conseguia agora ver dor profunda transparecer dos olhos daquela mulher que era a sua mãe.

- Desculpa… — começou a menina.

- Chega. – cortou a mãe com olhar distante – Não digas essas coisas… se não fosses tu estaria completamente sozinha… achas bem?

A menina fez um esforço para abanar a cabeça, já que se abrisse a boca apenas conseguiria gritar.

A mãe dela chegou-se mais perto, colocando a pequena cabeça entre as mãos, olhando-a bem nos olhos – Eu amo-te mais do que imaginas, mais do que a minha própria vida. Ainda não consegues perceber bem o que isso implica, mas acredita em quem nunca te mentiu na vida. És minha filha e és única! Jamais te trocaria por outra pessoa. Jamais! – e acrescentou mais serenamente — Ainda nos hás-de salvar a todos, minha pequena…

A pequena Line, embora com a dor de cabeça a aumentar de novo, percebeu que havia mais alguma mensagem nas entrelinhas do que acabara de ouvir.

Subitamente, a dor de cabeça aumentou vertiginosamente, fazendo com que a menina deixasse de ver e pensar alguma coisa… só restava a reacção natural e inerente ao ser humano: gritar.

Antes de desmaiar, ainda ouviu uma pequena voz a dizer-lhe que tudo ficaria bem.

Gritos…

- Tudo vai ficar bem, minha pequena…

Gritos a aumentar de volume… gritos que não eram os seus…

Abriu os olhos em sobressalto. Com um pulo, pôs-se direita na cama, a olhar em frente sem nada enxergar por um momento.

Eram apenas recordações… pensou ela.

Voltou a ouvir gritos de novo.

Agora notava bem de onde vinham: a entrada da enfermaria estava com alguns professores que transportavam algo ou alguém. Ao olhar para a janela, percebeu que ainda estava de noite; no entanto, estava bem desperta.

- Sim, sim, coloquem-no aqui, ao lado da menina Nelini…

Ninguém parecia ter reparado que ela estava acordada. Ao ter a vista desimpedida pela mme. Pomfrey, viu quem era a nova vítima: Draco Malfoy.

- Draco… — balbuciou com voz fraca sem despregar os olhos dele.

O loiro estava inconsciente. Tinha a roupa manchada de sangue rubro, fresco, recente. Os cabelos normalmente perfeitos estavam desmazelados.

- … Mas quem é que o mandou vir para estas bandas? Que mania que têm em pensar que nada lhes vai acontecer a eles…

Line estava a iniciar a sua martirização de novo. Afinal, ele tinha ficado preocupado com ela! E tinha-a ido visitar àquela hora da noite para não a ligarem a ele e à sua fama… para a proteger! E ela nada fizera para o ajudar…

- A culpa é minha… perdoa-me Draco…

Dumbledore também lá estava. Foi o único a reparar no que ela dizia e como olhava para o loiro. Ao se chegar ao pé dela, reparou que os ses olhos estavam brilhantes e que não se despregavam do jovem desacordado. Tapava a boca inconscientemente com uma das mãos.

- Line…? — chamou carinhosamente para não a assustar – Está tudo bem contigo?

Apenas quando acabou de falar é que a jovem olhou para ele. Estava com ar desesperado, desalentado.

- Não pude fazer nada… — segredou ela – Não pude…

- Não, não podias… estavas a dormir. Além disso, duvido que conseguisses fazer alguma cois…

- Ele vai ficar bem? É muito grave?

- Não, se reparares apenas lhe acertou os braços e creio que a clavícula… não creio que corra perigo de vida.

Line expirou longamente, fechando os olhos. O Director acabara de lhe tirar um peso de cima.

- 'Ele' já respondeu? – perguntou ela bruscamente.

O Director sabia de quem ela falava. Suspirou – Ainda não… mas ele pode estar em qualquer lado! A coruja precisa de tempo para fazer uma viagem, principalmente se for a longas distâncias…

- Acha que ele vai responder? – e olhou para Dumbledore novamente.

- Tenho a certeza.

- Como é que pode ter a certeza?

Silêncio. Olharam-se longamente, um tentando perscrutar os pensamentos do outro.

- Não quero ser rude, mas creio que conheço Voldemort melhor do que tu. Afinal, fui professor dele; convivi com ele durante muitos anos…

Line olhava-o estranhamente – Sim, certamente que o conhece melhor do que eu… espero sinceramente que tenha razão.

O velho Director era bastante perspicaz, notando a estranheza da conversa – Line, há alguma coisa que me queiras contar?

Ela abanou a cabeça após ponderar um momento — Não… nada.

Tal e qual o Harry… oh, Merlin! Já não me chegava um?

Acenou suavemente, sem despregar os olhos dela – Muito bem, então…

Pomfrey dirigiu-se a Dumbledore muito depressa – Albus, preciso de ajuda aqui! Algumas agulhas passaram muitíssimo perto do coração, abaixo da clavícula… os estragos foram um pouco piores do que pensávamos ao início… vou precisar de alguém aqui… há algumas noites que não durmo, isto está a pôr-me louca…

Perto do coração? Oh meu deus… Draco…

O Director pareceu ter mais anos em cima depois da declaração de Pomfrey. – Bem… talvez um aluno? – ponderou mais um pouco, olhou para Line e respondeu à enfermeira sem desviar o olhar – E que tal a menina Granger?

Line ficou alerta. A Granger a tratar do Malfoy?

- Ela é extremamente competente, excelente aluna e creio que apenas algumas dicas e ela já poderia ser a sua ajudante…

Pomfrey ponderou na proposta, até lhe surgir um brilho nos olhos – Creio que ela será perfeita! O senhor Malfoy tem de aprender a lidar com qualquer tipo de pessoa… está demasiado habituado a mordomias.

Line quase que deixou escapar um sorriso. Isso seria perfeito! Ele não iria morrer de certeza… só se fosse de amores.

- Menina Line… de certeza que não tem nada para me dizer? – perguntou Dumbledore mais uma vez.

Line sorriu desta vez – Nada… apenas estou feliz por saber que a Granger vai estar aqui a tratar dele… ela é uma feiticeira fabulosa, de certeza que vai cuidar muito bem dele…

- Mas creio que é do conhecimento geral a antipatia que nutrem um pelo outro… não tens receio que o plano possa correr mal?

- Não. A Granger parece demasiado íntegra para matar o Malfoy apenas pela inimizade… é, acho que ela vai cuidar bem dele, mesmo que ele não o mereça…

- E da parte do senhor Malfoy? Não acha que ele pode deitar tudo a perder?

- Ao início pode parecer que sim… mas não se vão matar um ao outro, isso é certo.

- Como tens tanta certeza?

Line utilizou as palavras do Director — Não quero ser rude, mas creio que o conheço melhor do que o senhor. Afinal, fui colega dele, da mesma casa; convivi com ele durante muitos anos, e mesmo o senhor sabendo surpreendentemente tudo o que se passa neste castelo, não pode vigiar todas estas pessoas 24 horas por dia…

O mais velho olhava-a intensamente – Sim, certamente que o conheces melhor do que eu… — e atentava no olhar com que a jovem olhava para o loiro. Esta rapariga… é única, com certeza. O que será que sabe acerca do jovem Malfoy que mais ninguém aparenta saber?

Notas finais
N.A.: Mais uma rixazinha entre a Line e o Dumbledore! XD eu adoro pôr estes dois um contra o outro... mas tudo tem uma razão de ser! ;-P lol E então? Pra quem estava preocupad(a)o com o Draco, já está mais descansado(a)? ^^ não acharam mesmo que eu o ia matar, pois não? huhuhu, mas ainda muita água vai correr debaixo da ponte, como se costuma dizer... Hasta la vista!

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