Brincadeira de Criança

1 Porque todas as brincadeiras podem ser mortais


Notas iniciais
Presente pra você, Mah. Espero que goste, e não me ache tão sádica assim depois que terminar de ler.

Adoro você, amiga :3

Brincadeira de Criança

Mizinha Cristopher

Presente para MAHximum

Era um grupo de quatro amigos. Vinicius, Matthew, sem contar os gêmeos, Roy, e Alice Jammie – ou AJ, como ela preferia ser chamada. Deviam ser colegiais, ou algo próximo, pelo menos.

Claro, eles não imaginariam que o destino e a morte iriam brincar com todos de maneira tão perigosa. Naquele dia, a chuva caia pesadamente, e então a única garota ali presente – e a mascote, afinal era a mais nova – deu-lhes a idéia de entrar na casa abandonada e esperar a tempestade passar.

A velha mansão estava fechada havia quase cinqüenta anos. Quando entraram na casa, ouviram o vento batendo pavorosamente nas janelas e nas velhas paredes de madeira. O som fez Matt agarrar o braço de AJ, e ela o empurrou para longe, sentando-se numa poltrona empoeirada e coberta com um lençol.

-- Ei pessoal... – ela sibilou. Sua voz parecia o tilintar dos sinos. – Vocês conhecem um jogo chamado Hyaku Monogatari?

O irmão da ruivinha sentiu seu corpo estremecer. – Nem vem com essa Jailin!

Ela suspirou. – Aff, Leroy! Vocês querem jogar?

Vinicius olhou os irmãos, o olhar voando de um para outro, então Matt falou. – E o que é isso, AJ?

-- O jogo das 100 histórias de terror. É fácil, eu vou colocar uma bacia de água no canto do quarto, e uma vela na frente de cada um de nós. A gente conta cada um, uma historia de terror, e quando acabar apaga a vela.

-- Só isso? – Vinicius disse, mais calmo quando ela assentiu.

-- Você esqueceu das assombrações, maninha.

-- Deixa disso, Leroy. Que assombrações?

Antes que Roy pudesse retrucar, Matthew falou. – Vamos jogar ou não?

A menina riu. – Vamos sim. Vem mano?

O ruivo sentou-se entre Matt e a irmã, de forma que seria quem iria começar. – Bom, vamos lá. Sou o primeiro, certo? – Disse, começando a contar sua historia.

“O nome dele era Theo. Era um garoto doente, que morava em um orfanato, chamado Sétimo Sino. Como tinha saúde frágil, e era o mais novo do local, acabava sempre maltratado pelos meninos e meninas mais velhos. E as professoras não faziam nada, apenas ficam ali, assistindo,”

“Mas um dia, Theo se cansou. Enquanto todos dormiam, foi até o porão e pegou um machado, o qual havia encontrado tinha uns dias, enquanto fugia dos mais velhos. Pegou a ferramenta e seguiu para o primeiro quarto. Era o das professoras. Entrou, e fechou a porta, indo até a primeira cama. Era a de Amy. A única ali que o ajudara e o protegera.”

“Mas agora, ele não podia salvá-la. Mas podia ajudá-la. Foi rápido, um corte no meio do crânio e acabou. Todavia, as outras tiveram uma morte lenta e dolorosa. Assim como todos os outros que o machucaram.”

-- E ele continuou morando lá, o único lugar que seria sua casa. – Roy falou, apagando a vela. – E ai, quem é o próximo?

Matt engoliu em seco. – Eu... Acho...

“Minha historia fala sobre um professor de teatro chamado Kaio. Ele precisava de inspiração para suas historias. Então, resolveu viajar com a esposa, Suzuki, e os filhos Mary e Kouta, para o Japão, terra da mulher.”

“Hospedaram-se em um hotel famoso, mas Suzuki não gostou da idéia, queria fica no templo de sua família, e Kaio discordara.”

“Enquanto Mary e Kouta brincavam pelo hotel, o casal discutia. Então Kaio se zangou e pegou o punhal, o qual estava sempre com ele. Desferiu um golpe certeiro no peito de sua esposa, no mesmo momento em que Kouta entrava no quarto para pegar sua bola.”

“Quando viu a mãe no chão, banhada no próprio sangue, o garoto tentou fugir, mas foi pego pelo pai. Na hora em que lhe tirava a vida, uma camareira dobrou o corredor. E, claro, Kaio sentiu-se na obrigação de matá-la. Não podia deixar uma testemunha viva.”

-- E assim se seguiu, até sobrar apenas ele e a pequena Mary vivos. – Matt suspirou quando terminou. – Tenho que apagar a vela né? – disse, soprando a chama, que agora atingira um tom avermelhado.

-- Boa historia Matt. – Roy sorriu. – Sua vez, Vini.

O moreno engoliu em seco. – Bom, a minha historia fala sobre a lenda da Bloody Mary,

“Eram quatro amigas, que se juntaram para jogar cartas. Como o jogo estava ficando muito entediante, resolveram que quem perdesse iria chamar a Bloody Mary. Emily foi a escolhida. A loura andou até o espelho da sala. Ficou encarando-o por alguns instantes, mas as outras começaram a provocar. Então ela finalmente falou: ‘Bloody Mary, Bloody Mary, Bloody Mary’. Esperou por uns segundos e se virou para as outras.”

“Quando as moças iam falar para Emily que nada aconteceria, uma menina de cabelos negros, pele alva e pés descalços apareceu, no mesmo lugar onde antes tinha um espelho. Quando Emily caiu morta no chão, a menina sumiu. Então as meninas se acalmaram por um tempo. Claro, até Marina morrer também.”

“As duas sobreviventes se desesperaram. Sentiam a morte próxima. Tentaram sair da casa, mas a porta estava trancada. E cada vez que quebravam vidros para tentar fugir, eles se reconstruíam.”

“Quando por um instante se distraíram, acabaram por se separar. A mais nova do grupo, Emma, começou a se desesperar. Andava sem rumo pela casa. Ela não soube por que entrou no banheiro, mas entrou. E encontrou Isabelle morta, como as outras amigas.”

“Ao perceber o ocorrido, a pequena debruçou-se sobre a falecida e começou a chorar. Chorou até cansar. Quando sentiu que suas lagrimas não caiam mais, calou-se e fechou os olhos.”

-- Ficou daquele jeito, esperando a morte, que não tardaria a chegar. – Concluiu Vinicius, apagando a vela.

-- Ai, cruzes. – AJ reclamou. – E depois eu que sou sádica, né, Leroy?

-- Mas você é. – Ele riu da careta da irmã.

Alice apenas ignorou e começou a sua historia. – Seis estudantes resolveram fazer uma viagem. Escolheram um hotel mais afastado, o qual antigamente havia sido uma mansão. Eles ficaram no ultimo quarto do segundo andar.

“Na primeira noite, ouviram barulhos de pessoas arranhando a parede. Logo que amanheceu, foram até o gerente reclamar. O homem lhes respondeu que aquilo já havia acontecido antes. Foi então que um dos estudantes fez uma pergunta curiosa: ‘Se o segundo andar é igual ao primeiro, por que ele tem cinco quartos, um a menos que o andar de baixo?’. O gerente não soube responder. Estava assim desde que ele comprara o local. Pegou o telefone e ligou para os pedreiros. Ia descobrir que barulho era aquele.”

“No outro dia, quando os trabalhadores chegaram, os seis estudantes estavam juntos, para vê-los derrubar a parede. E o fizeram. Como o esperado, havia mais um quarto por trás da parede. Mas havia algo estranho. A porta estava fechada por tabuas de madeira, e tinha uma fina camada de argamassa tapando suas frestas. Mas então, os pedreiros derrubaram a porta.”

-- E dentro do quarto, ao olhar para as paredes, viram escrito ‘Papai, me tira daqui, por favor’, em letras vermelhas.

-- E depois diz que não é sádica. – Roy resmungou.

-- Nunca disse que não era. – a menina sorriu.

-- Mas a historia da AJ foi a mais curta, só que a mais assustadora. – Matt elogiou.

-- Obrigada. – agradeceu, apagando a vela.

O que aconteceu depois, ninguém soube explicar. Os quatro começaram a ouvir um barulho ensurdecedor, como o de alguém arranhando uma parede. Quando ele parou AJ pode jurar que vira uma menina no espelho, igual a Bloody Mary. Embora isso não tenha sido o mais estranho. Afinal, quando a menina sumiu, um punhal apareceu dentro da bacia de água, que estava esquecida no canto do quarto. E depois, Roy se viu pisando em uma poça de sangue, surgida do nada.

-- VIU AGORA O QUE VOCE FEZ, ALICE JAMMIE?! – gritou.

AJ sibilou um ‘me desculpe’ e depois de olhar para trás do irmão, gritou para todos fugirem.

Quando o gêmeo olhou para a pessoa que estava na sala, e ao percebê-lo indo até Matthew, abraçou a irmã para que ela não visse o que aconteceria, o que não funcionou. Claro, somente por que Roy não foi rápido o suficiente para tapar os olhos dela, então AJ vira o homem enfiar o punhal no peito de Matt.

A menina tentou falar algo, mas sua voz não saiu. O choque era maior. Lágrimas caiam descontroladas de seus olhos. Fechou-os e deitou a cabeça no peito do irmão. Até que sentiu um liquido quente tocar seu rosto. Antes que pudesse olhar, ouviu Roy dizer que a amava, e respondeu, falando que sentia o mesmo. Quando levou o olhar para o pescoço do irmão, entendeu o porquê do ‘eu te amo’ fora de hora: um corte fatal na jugular.

Vinicius gritou, chamando por ela. Assim que virou para olhá-lo, viu a menina parecida com a Bloody Mary de novo, mas dessa vez estava parada, atrás do amigo.

-- VINI! – gritou.

Mas de nada adiantou. Vinicius caiu morto no chão. Bloody Mary matou-o, cortando sua respiração, com aquele ar mórbido que respirava. A pequena Alice estava praticamente se afogando em suas próprias lágrimas. Caiu ajoelhada no chão, em cima de uma poça de sangue, do próprio irmão. Quando olhou para si, viu-se completamente banhada nesse liquido escarlate.

Levantou-se e foi até a porta. Talvez fosse ser considerada culpada, mas não ia ficar ali, esperando a morte. Roy morreu para protegê-la. Não ia fazer isso com ele. TINHA de viver. Tentou virar a maçaneta. Estava trancada, mas não se lembrava de tê-lo feito, assim como os garotos também não. Ela fora a ultima a entrar na casa.

Tentou as janelas, mas do mesmo modo que não abriam, não quebravam. Vasculhou a casa inteira, atrás de uma saída. A qual não encontrou. Sentou-se no chão, ao lado do corpo morto do irmão e pensou em seu pai. Ele e Roy eram os únicos que ela tinha. Afinal, a mãe havia fugido com um amante quando ela e Leroy tinham apenas cinco anos.

Imagens de seu pai vieram a sua mente. Então, teve uma idéia. Hesitou um pouco, mas mergulhou a mão alva no sangue do irmão e foi até a janela. Tocou-a com os dedos sujos, e começou a escrever. Fê-lo em todas os vidros da casa, a mesma frase, esperando que alguém visse:

“Papai, me tira daqui, por favor”

Notas finais
Bom, e o que acharam?
Entenderam que cada um morreu de um jeito muito parecido com o que foi contado nas próprias histórias, senão igual?
Bom, se gostaram, review por favor :3
Não faz mal a ninguém.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!