Brincadeira Perigosa

8 Capítulo 8 Tempestade


Notas iniciais
Oi, finalmente estou de volta depois de um longo mês, finalmente meu PC foi concertado o problema foi a placa mãe que queimou e o rapaz demorou muito pra arrumar, uma enrolação só. Mas o bom ou melhor ótimo é que não perdi nenhum arquivo.
Quero agradecer a todos os reviews que a fic recebeu durante esse período, e um agradecimento especial para essas quatro leitoras que recomendaram a fic
Duda Haruno Uchiha
Saky Uzumaki Uchiha
Sakura Sabaku Uchiha
Naylline Sakura Uchiha Haruno
Muito obrigada pelos reviews e recomendações.

Apesar dos maus pressentimentos as semanas seguintes passaram tranquilamente e comecei a gostar muito do trabalho não é um serviço que exige grande esforço intelectual, mas compenso isso procurando aconselhar os fregueses e explicando como as peças são feitas.

Naruto está ocupado demais com os estudos para me incomodar, mesmo assim todo dia aparece na loja para um conversa quando volta da escola. Tudo seria quase perfeito se eu não começasse a perceber que Minato e Kushina torciam para que nós dois saíssemos juntos. Não tenho dúvida de que os Uzumaki aprovam o interesse do filho pela nova vendedora e esperam que nossa amizade se transforme em namoro.

Com o tempo descobri o motivo, fiquei sabendo por Kushina que Naruto está saindo com a garota da mercearia da cidade, Karin, o que não agrada à família. Karin é uma boa menina, mas o irmão, Juugo, parece estar sempre metido em problemas, um arruaceiro conforme a sra. Uzumaki.

Sasuke tinha contratado o rapaz para cuidar dos jardins do Ninho dos Falcões, mas por algum motivo que Kushina não sabia a coisa não funcionou e Juugo foi demitido. Koharu Utatane, tia dele, era quem costumava ajudar Shiyo no trabalho da casa, até Kurenai e eu chegarmos, então de uma só vez houve dois desempregados na família.

— Foi por isso que achei as duas tão esquisitas quando fui à loja delas pedir informações no dia em que chegamos.

— Pode ser isso e pode ser também só esquisitice da parte delas, as duas sempre foram estranhas mesmo.

Costumo conversar muito com Kushina e sempre tenho que tomar cuidado para não esquecer que devo me comportar como uma menina de dezesseis anos, ela acredita que por causa da morte prematura do meu pai e da vida difícil que levo amadureci mais cedo. Isso resolve em parte o problema, no entanto há ocasiões em que quase me denuncio. Como no dia em que sem pensar me ofereci para dirigir o caminhão até a cidade do Som para fazer uma entrega urgente. Na última hora percebi o fora e corrigi.

— Isto é, adoraria ir se tivesse idade para dirigir.

— Mesmo que tivesse precisaria tirar uma carteira especial para dirigir o caminhão. Já passamos por isso com Naruto e o examinador ficou tão feliz de ainda estar vivo depois da viagem, que acho que o aprovou só para agradecer ao Criador pela sorte que teve.

Fiquei irada comigo mesma pelo deslize, cheguei em casa de mau humor e fiquei ainda mais irritada ao encontrar Kurenai sentada calmamente lendo uma revista.

— Não estou sentindo cheiro de comida. Não vamos jantar hoje?

— Vou sair com Sasuke, estou simplesmente exausta, trabalhei feito um burro de carga o dia inteiro.

Olhei em volta procurando alguma evidência do tal trabalho estafante, mas não encontrei nada, manter essa casa bem organizada exige muito mais esforço do que minha madrasta está preparada para empregar.

— Recebeu o salário hoje?

— O dia do pagamento é amanhã. Por quê?

Abri a geladeira verificando se ainda sobrou um pouco de torta de limão.

— Ocorreu-me que é hora de você contribuir com alguma coisa pelo seu sustento.

— Meu sustento? Poupe-me Kurenai! Olhe em volta, já terminei a relação dos cardápios para a semana inteira e o congelador está abarrotado de comida. Pensei que isso fosse o meu sustento.

— Como quiser. Só achei que não ia querer continuar vivendo à custa de Sasuke agora que tem um emprego. Quanto é que vão lhe pagar? Você ainda não me disse.

— Não, não disse. Não acho que seja de sua conta nem da conta de ninguém. Por acaso foi Sasuke quem sugeriu para que eu contribua com o orçamento?

— Não com essas palavras, mas imagino que deva estar surpreso por você ainda não ter se oferecido. Não sei o que faz com o seu salário. Não sai nunca nem compra nada.

— Estou economizando. Minato teve a gentileza de me levar a um banco da cidade do Som quando comecei a trabalhar. Abri uma conta e deposito quase todo o meu dinheiro e por falar em surpresas ele também ficou intrigado por você não ter se lembrado de fazer isso para mim.

— Mesmo? Tenha a gentileza de informá-lo de que não sou sua guardiã.

— Mas foi essa a impressão que você fez questão de dar a todo mundo, lembra?

— Hum!

— De acordo com sua própria história tenho dezesseis anos, querida madrasta. Então, não pode se queixar quando as pessoas me tratam como uma adolescente, mas não pense que isso também não me cria problemas. Hoje por exemplo, Minato e Kushina precisavam com urgência de alguém para dirigir o caminhão e por causa de sua mentira estúpida tive que ficar quieta, não pude dizer que tinha carteira de motorista e me oferecer para ajudar.

— Coitadinha! Sabe que acho isso muito engraçado? A mentira devia ser sua segunda natureza. Seu pai mentiu um bocado no fim da vida. Por exemplo, me fez acreditar que era um homem podre de rico.

— Sua vagabunda!

Eu tremia de raiva, bati a porta da geladeira e avançei para minha madrasta disposta a dar uns tapas naquele rosto bonito e sonso. Com um grito Kurenai deu um pulo do banco.

— Afaste-se de mim Sakura! Sasuke ainda bem que chegou... Oh, querido me ajude! Tire essa menina daqui. Parece que ficou maluca.

Senti-me ser agarrada pelos ombros, encarei-o com os olhos cheios de lágrimas.

— O que pensa que está fazendo? (Sasuke perguntou furioso)

— Eu mencionei o pobre queridoSatorue ela ficou histérica. Não consegue aceitar o que fomos um para o outro.

Deixei-me cair no banco incapaz de reagir.

— É melhor subir para o seu quarto e ficar lá até se controlar. Já é tempo de crescer Sakura e saber que certos comportamentos são inaceitá­veis. Fazer cenas de ciúme com a viúva de seu pai é um deles. Concorda?

— Não espera mesmo que eu responda, não é?

— Não espero muito de você a respeito de absolutamente nada. Está sempre me decepcionando garota. Quando é que vai começar a se comportar como um ser humano normal?

— Provavelmente quando for embora daqui.

Saí da cozinha tremendo de raiva, quando cheguei ao quarto minha vontade era ir à cidade do Som na manhã seguinte, tirar todo o dinheiro do banco e voltar para a Nuvem ou até mesmo Konoha, mas depois pensei nos Uzumaki, eles contam comigo para ajudá-los nessa estação, não posso deixá-los na mão.

Talvez eles possam me acomodar no quarto de hóspedes. Eu não posso fazer isso, eles são amigos de Sasuke e se eu abandonar a casa vão querer saber a razão.

Apesar de tudo tenho que admitir que a chegada de Sasuke foi oportuna. Não sei o que seria capaz de fazer se pusesse minhas mãos em Kurenai naquele momento. Os homens são todos uns idiotas, acreditam em qualquer mentira, desde que seja dita por uma mulher bonita. Primeiro meu seu pai, agora Sasuke vai pelo mesmo caminho.

Queria odiá-lo, queria desprezá-lo por não conseguir enxergar o que Kurenai realmente é fútil e interesseira, mas não consigo.

Pelo menos dessa vez não serei testemunha de um casamento infeliz, não estarei aqui para ver o quanto ele vai sofrer. Quem sabe tendo dinheiro minha madrasta se torne uma esposa melhor do que foi para meu pai.

Decidi ficar no quarto até a raiva passar, tranquei a porta com receio de que Kurenai aparecesse e eu acabasse perdendo a cabeça novamente.

— Amanhã eu enfrento mais essa (disse a mim mesma em voz alta)

Entrei no banheiro, me despi, liguei o chuveiro e entrei embaixo do jato de água morna, fiquei assim por algum tempo deixando a raiva escorrer junto com a água, ultimamente são os banhos mornos que tem me ajudado a relaxar e tirar um pouco do estresse. Ensaboei o corpo, lavei os cabelos e retirei toda a espuma com a água que caia, desliguei o chuveiro, peguei a toalha e me sequei, vesti uma camisola de malha confortavel e fui dormir.

Quando despertei a casa estava silenciosa, e lá fora muito escuro, percebi que uma tempestade se aproximava, sai da cama e desci até a cozinha, preparei chocolate quente cremoso com canela e peguei um cupcake também de chocolate com cobertura de chantilly e uma cereja por cima, delicia, coloquei meu lanche em uma bandeja e fui me sentar perto da janela comtemplando os primeiros trovões, Kurenai pode aproveitar o pretexto para se agarrar a Sasuke fazendo-se de fraca e indefesa... Seu papel favorito.

A temperatura vem caindo muito e gotas grossas começam a bater na janela da cozinha, o temporal veio logo em seguida com muitos raios e trovões que ecoam por toda a casa. Encolhi-me toda, desde criança tenho pavor de tempestades e para piorar a situação as luzes se apagaram.

Não está completamente escuro, mas logo estará, sei que há lanternas guardadas na cozinha, mas não me lembro onde e nunca vi velas por aqui, que droga.

Talvez Shiyo tenha algumas, ela também pode estar assustada, fui até o apartamento e bati.

— Sou eu a Sakura. Você está bem?

Não houve resposta só ouvia o barulho do vento nas árvores lá fora, bati novamente com mais força.

— Shiyo, por favor, responda. Tudo bem?

O silêncio é absoluto, já estou ficando preocupada, girei a maçaneta e a porta se abriu, o apartamento está imerso na penumbra, entrei e chamei, mais uma vez não tive resposta. Será que a ela saiu com Kurenai e Sasuke? É a coisa mais improvável do mundo já que as duas se detestam.

Sentindo-me uma bisbilhoteira vasculhei a sala, talvez Shiyo tenha tomado uns comprimidos e ido dormir mais cedo, não encontrei nenhum sinal de que ela tivesse passado por aqui recentemente, nem um livro aberto, nem uma xícara de chá.

Talvez Shiyo tenha saído para seu passeio habitual pelo jardim e a tempestade a apanhara, sendo assim não teria onde se proteger. Ficar nessa chuva não é nada agradável para uma pessoa jovem e saudável, quanto mais para uma idosa que sofre de reumatismo.

Fui até o armário peguei uma capa e vesti, sai em seguida, a chuva desaba com ferocidade e está fria como gelo. Mais adivinhando o caminho do que propriamente vendo, fiz a volta na casa chamando por Shiyo já estava desanimando quando ouvi a resposta numa voz muito fraca.

— Shiyo? Já estou indo... Espere.

Ela não poderia mesmo fazer nada, além de esperar. Apavorada encontrei-a caída no chão toda encolhida. A coitada gemia de dor.

Corri até ela e ajoelhei-me a seu lado, o cabelo branco e as roupas estavam encharcados, o rosto contorcido de sofrimento. Mesmo assim Shiyo tentou sorrir.

— Minha querida criança parece que a terra cedeu sob os meus pés, escorreguei e caí. Quando tentei me levantar torci o tornozelo também.

— Está tudo bem agora. Estou aqui.

Tentei controlar o pânico. E agora o que posso fazer? Será que consigo levanta-la e carregá-la para casa? O tornozelo torcido não me preocupa, o perigo é ela pegar uma pneumonia, preciso levá-la para um lugar protegido e seco e procurar socorro médico, essa tempestade parece que vai durar horas... e o Sasuke quando se precisa dele não de encontra, ele tinha que sair justo hoje.

— Não sou muito forte, mas vou tentar levantá-la, os braços pelo meu pescoço e se segure bem, farei o possível para não machucar você.

—- Sou muito pesada, minha querida. Vá chamar Sasuke.

— Ele e Kurenai sairam, estamos sozinhas, temos que nos arrumar sem ajuda. Agora, faça o que mandei e tenha calma, vamos conseguir, prometo. Você não pode ficar nem mais um minuto aqui, está encharcada.

Notas finais
Deem uma olhada no blog.
http://persefone-hagne.blogspot.com.br/