Brincadeira Perigosa

6 Capítulo 6 Alfinetadas e o primeiro beijo


Notas iniciais
Mil perdões sei que não postei a semana passada, mas realmente não deu, época de prova e corrigi mais de duzentas, essa semana começa as recuperações, mas prometo que vou postar outro capítulo no final de semana que vem, já que nem todos os alunos ficaram de recuperação.
Espero que gostem desse capítulo.
Boa leitura!

Após a chegada de Kurenai e sasuke continuei acordada por um longo tempo, mesmo sabendo que Sasuke não foi atrás dela não consegui dormir direito, acordei varais vezes durante a noite e por volta das seis da manhã levantei e tomei um banho morno para tentar relaxar os músculos, já que o dia prometia ser de sol vesti um macacão jeans e uma frente única estampada em varias cores e uma sapatilha branca e rosa, trancei os cabelos e desci em direção a cozinha, assim que entrei percebi que havia sinais de que alguém tinha tomado café e saído, mas Com certeza não foi Kurenai ela raramente acorda antes das nove e meia.

Preparei algumas torradas fiz um pouco de café e suco de laranja, para minha surpresa Kurenai apareceu logo em seguida vestindo uma camisola e robe de seda verde com detalhes de renda preta, ela parece estar muito bem.

—É café? Por favor, Sakura sirva um pouco para mim, não quero torradas. Nunca pude entender essa mania que as pessoas têm de comer pão queimado. Que pobreza! Se pudéssemos conseguir croissants...

— Maravilha! E onde sugere que procuremos?

— É claro que eu sei que essas coisas finas não existem por aqui, mas isso não me impede de sonhar, se não se importa.

— Por falar no assunto, como vai indo sua campanha para convencer Sasuke a se mudar?

— Ainda não comecei achei melhor deixar passar umas semanas para que ele mesmo descubra como a vida no campo é terrivelmente monótona. Não vai levar muito tempo para chegar à mesma conclusão que eu, Sasuke está habituado demais com a boa vida para se acostumar com o isolamento. Apesar de que devo confessar que fiquei impressionada com o restaurante onde fomos ontem à noite, absolutamente inacreditável, num lugar como este até parecia um cenário de teatro queridinha. Imagine que até diminuíam as luzes entre um prato e outro.

Kurenai começou a descrever o que tinha comido, mas eu não estava nem um pouco interessada e não conseguia esconder.

Aos poucos o entusiasmo dela foi desaparecendo e ela caiu num pesado silêncio talvez por notar que eu não prestava atenção, talvez porque a verdade sobre a noite anterior não fosse tão agradável como tentava aparentar.

Percebi que a expressão dela mudou, conheço aquele olhar já o tinha visto antes, pelo menos duas vezes. Quando o testamento de papai foi lido e quando a butique teve que ser fechada.

Mas, o que quer que esteja acontecendo acabarei sabendo, mais cedo ou mais tarde Kurenai vai me contar não é da natureza da minha madrasta guardar más notícias por muito tempo.

De repente Kurenai disse, servindo-se de mais café:

— Sasuke queria mandar você de volta para a escola. Tive um trabalhão para tirar essa ideia da cabeça dele.

— Posso imaginar. O que foi que você disse?

— Inventei que você tinha sofrido um grande choque por causa da morte de seu pai e que precisava de cuidados especiais

— Isso chega a ser revoltante. Não é melhor contar a verdade? Não é mais fácil e limpo?

— Talvez, mas agora já menti demais. Para todos os efeitos, você é uma adolescente problemática e precisamos manter essa imagem. Pensa que é mais fácil para mim? Ontem à noite ele praticamente me fez um interrogatório sobre você. Deus sabe o que Chiyo andou buzinando no ouvido dele.

— Por que acha que ela contou alguma coisa?

— Porque aquela velha adora se meter em tudo e nada lhe daria mais prazer do que atrapalhar meus planos.

— Pode ser que tenha medo de que você atrapalhe a vida dela.

— Bem, essa é uma outra história de que terei que cuidar mais tarde. No momento o que interessa é que Sasuke está mudado. Sempre foi o diferente, a ovelha negra da família. Agora se comporta igualzinho aos outros Uchihas com a mesma teimosia e tudo. Chiyo não será grande problema para mim é óbvio que tem piorado da artrite e que não demora muito ficará inválida e lugar de gente velha e inválida é o asilo.

— O caso é: Sasuke também acha isso tão óbvio?

— Não. Aí é que a situação se complica, não estou disposta a bancar a babá daquela velha e sei que ela quer isso tanto quanto eu.

— Mas Sasuke espera que você cuide dela?

— Mais ou menos não falou claramente, mas é o que vai acabar acontecendo se Chiyo continuar vivendo aqui como ele pretende.

— Não esqueça que a casa é dele e que ele gosta muito dela.

Kurenai me encarou desconfiada.

— Parece que você está muito bem informada sobre o assunto.

— Ele mencionou isso ontem, mas nem era preciso basta ver a preocupação que teve mandando construir um apartamento especialmente para ela.

— Também mencionou isso?

— Não. Eu mesma vi quando jantei com Chiyo.

— Sério? Você tem andado um bocado ocupada hein garota? E o que foi que aquela velha falou de mim?

— Nada de mais.

— Duvido. Bem queridinha você não pode lutar em duas frentes é melhor decidir agora de que lado está.

— Não seja ridícula! Não há nenhuma luta e não estou tomando partido de ninguém, acontece apenas que fiz um monte de comida e achei uma pena jogar fora. Só isso.

— Está falando do jantarzinho caseiro que preparou com tanto amor? Para o seu bem espero que seja só isso mesmo, mas caso comece a fantasiar é bom saber que já preveni Sasuke contra você. Com muito tato, claro insinuei que se não for cuidadoso e lhe der muita trela você pode criar uma fixação paterna por ele. Garanto que não gostou nem um pouquinho da ideia.

— Há mais alguma coisa que você tenha dito ou insinuado e que eu deva saber?

— Não. Acho que foi tudo e não olhe para mim desse jeito queridinha no meu lugar você teria feito o mesmo.

— Teria? (disse com ironia)

— Teria sim se significasse tanto para você quanto significa para mim. Acha que tenho gostado da vida que estamos levando desde que seu pai morreu? Não quero mais viver assim e farei tudo... tudo, entendeu para me certificar de que não preciso mais passar por tudo aquilo.

— Claro, entendo. Só queria não ter sido envolvida.

— Como se eu tivesse escolha! Como se você tivesse escolha! Para esse novo Sasuke todo cheio de bons propósitos e defensor dos fracos e desamparados você e Chiyo são exatamente iguais: duas infelizes que não têm onde cair mortas. Antigamente ele não gostava de responsabilidade não ligava a mínima para o que a família queria ou deixava de querer. Veja só, o curso de arte que resolveu fazer metade dos ancestrais devem ter se virado nos túmulos. Era isso que o tornava tão atraente para mim.

— Era o que importava para você? O fato dele não ser um típico Uchiha?

— É lógico que não! Você não pode ser tão ingênua o que estou dizendo é que ele era cheio de imaginação, impetuoso e atrevido. Muito... Satisfatório mesmo, para qualquer mulher.

Seu tom de voz e o brilho nos olhos não deixam dúvidas sobre o significado das palavras.

— Só espero que as mudanças que notei nele não tenham sido... bem, não tenham sido muito radicais.

— Provavelmente não foram.

Não sabia mais o que dizer não estava gostando nada do rumo que a conversa estava tomando.

— Ora não me venha com esse ar puritano não estou falando de nada que uma garota de sua idade não saiba. Está levando muito a sério o papel de adolescente tola, basta apenas não esquecer que para Sasuke você é uma menina problemática que sente falta de um pai. Assim não terá dificuldade para manter distância dele.

— Se é o que você quer... Estou surpresa por não ter dado força à ideia de me mandar de volta para a escola ou ainda não ficou nada decidido sobre isso?

— Mas não quero que você vá queridinha. É suficiente que fique no seu lugar e não alimente nenhuma ideia tola sobre ele. Depois como é que eu ia me arranjar sem você?

— Não faço a menor ideia, mas talvez fosse interessante descobrir. Kurenai vamos mandar para o inferno a herança, afinal nenhuma de nós vai passar fome. Você tem Sasuke e eu... eu me arranjarei de um jeito ou de outro. Estou certa de que você pode inventar uma de suas histórias para explicar meu desaparecimento.

— Não! Você prometeu ficar comigo e me ajudar. Não pode me deixar. Não pode! Você não pode me deixar Sakura, não pode!

E não posso mesmo no fundo acho que devo isso ao meu pai, cuidar de Kurenai como ele queria, olhei para ela com pena e paciência Kurenai estava descontrolada.

— Não vou conseguir me arranjar sem você Sasuke está planejando festas, jantares e espera que eu colabore. Não posso Sakura nem mesmo com a ajuda de pessoal especializado. Tentei contar isso a ele juro que tentei, mas mudou de assunto. Começou a falar do nosso acordo se eu não conseguir realizar esse trabalho vai fazer com que pague de outro jeito. Os Uchihas podem ser terrivelmente frios quando se trata de dinheiro e de negócios.

— Mesmo com os próprios parentes? Não se preocupe Kurenai vou ficar aqui o tempo que for preciso.

— Obrigada minha querida. Reconheço que não tenho me esforçado muito até agora, mas vou tentar. Prometo.

Quando me virei para responder Kurenai não estava mais lá talvez tivesse ido retocar a maquiagem estragada pelas lágrimas não acredito em uma palavra do que minha madrasta disse ela jamais conseguiria trocar os robes de seda pelo avental e o pano de prato.

O bom senso me diz sem parar que devo deixar de ser louca e fugir daqui o mais rápido possível, mas o coração me diz para ficar sei que vai existir dor, ciúme e desespero, se eu for embora seria como morrer um pouco, passarei o resto da vida me perguntando como teria sido se tivesse ficado, acredito que o único modo de não me sentir presa ao passado é seguir meu caminho sem olhar para trás enfrentando a situação por mais que doa preciso ver Sasuke apaixonado por Kurenai abraçando-a, beijando-a, talvez até casando com ela. Depois não seria por muito tempo somente um verão. Um verão de sofrimento que poderá salvar uma vida inteira de agonia e arrependimento.

A cozinha estava quente e abafada então saí para o jardim respirando fundo e sentindo-me melhor por ter tomado uma decisão consciente em vez de ceder apenas às chantagens de Kurenai segui pelo caminho ao lado da casa que ainda não conhecia aqui a vegetação é mais selvagem com muitos arbustos onde os pássaros cantam, cheguei a um portão de ferro e quase não consigo abri-lo, pois as dobradiças estavam enferrujadas pela falta de uso, mas finalmente depois de muito esforço ele acabou cedendo com um gemido estava tão absorta em meus pensamentos que a voz de Sasuke atrás de mim assustou-me.

— Você tem memória bem curta, hein menina?

Agarrei-me ao portão tentando colocar uma barreira entre nós dois, mas ele me segurou.

— Pensei que tínhamos combinado que não haveria passeios sem roupa adequada e sem acompanhante.

— Eu... eu não ia me afastar muito preciso dar um passeio, respirar ar puro fazer um pouco de exercício, acho que não é contra o regulamento, é?

— Não seja atrevida menina, vou ficar aborrecido de verdade se tiver que repetir minhas ordens, se quiser andar por esses atalhos vista uma roupa mais conveniente melhor ainda fale comigo que vou com você.

— Não acho que seja necessário posso ser a tonta que Kurenai diz, mas não preciso de guarda.

— Não é esse o problema enquanto estiver sob o meu teto siga minhas instruções ao pé da letra. Será que deixei isso bem claro, agora?

— Claríssimo e é óbvio que não tenho escolha.

— Exatamente, mas se é só de exercício que precisa então pode me dar uma mãozinha com a jardinagem.

— Não tem medo que eu me suje toda de terra e fique subindo nas árvores?

Sasuke me olhou com a expressão aborrecida.

— Desculpe foi uma piada de mau gosto. Não estou acostumada a obedecer ordens.

— Isso é mais do que óbvio e explica muita coisa também. Bem vai me ajudar ou não?

— Não entendo muito de jardinagem.

— Mas imagino que saiba pelo menos a diferença entre uma urtiga e uma flor quando vê, não é?

— Ah, é só isso? Então, tudo bem.

Mas não tinha tanta certeza pensando na provável reação de Kurenai.

— O seu entusiasmo me contagia, olhe Sakura essa pode não ser uma situação ideal, mas as coisas ficarão bem mais fáceis se houver um clima de colaboração entre nós.

— O que significa que em sua opinião não tenho colaborado muito até agora.

Eu disse em voz baixa e aborrecida. Sem dúvida Kurenai fez muito bem seu trabalho.

— Tire as conclusões que quiser, estou decidido a virar a página e apagar o passado, é o futuro que me preocupa e me diz respeito Kurenai não vai conseguir se sair bem no serviço aqui se ficar o tempo todo preocupada com seu comportamento. Você entende, não é?

— Entendo é melhor me mostrar logo de uma vez o que você quer que eu faça no jardim.

Ele me mostrou os canteiros e percebi que ele esteve trabalhando neles.

— Não quer proteger as mãos? Tenho luvas.

— Não acho importante.

Ele olhou para minhas mãos e sacudiu a cabeça.

— Deveria.

— Quer parar de me criticar? Por hoje pelo menos, está bem?

Sasuke me deu um sorrisinho de simpatia e não fez mais nenhum comentário. Trabalhamos em silêncio por um bom tempo Sasuke preparava as covas e eu de joelhos ia colocando as mudas das flores, depois de algum tempo ele tirou a camisa pendurando-a em um arbusto ao lado sua pele exala testosterona e o físico mais musculoso do que havia notado no dia em que o vi saindo do chuveiro, aquela lembrança me fez enrubescer.

Que tolice! Não tem nada demais no incidente do banheiro nem no fato de estarmos aqui agora, não sou nenhuma puritana então por que me sinto tão confusa e agitada? Preciso evitar a todo custo que ele perceba, não quero acrescentar a precocidade sexual à lista de rótulos que Kurenai arranjou para mim.

Pode ser bobagem, mas quero partir do Ninho dos Falcões no fim do verão com a certeza de que Sasuke ficará com uma boa impressão de mim, isso é muito importante.

Distraída peguei um punhado de sementes e ao fazer isso rocei o braço em folhas de urtiga, ardeu como fogo, gritei e me sentei esfregando o pulso.

— O que foi? (Sasuke aproximou-se e pegou minha mão) — Fique calma, você vai sobreviver, tem que prestar mais atenção no que faz.

— Não perde a chance de me passar um sermão, não é? Eu não tinha visto, até que foi tarde demais.

— Cuidado para isso não se transformar na história da sua vida Sakura.

— É um absurdo deixar o jardim nesse estado.

— E o que você sugere? Que eu mande Chiyo até aqui com a enxada na mão?

— É lógico que não, mas podia ter contratado um jardineiro, não me diga que ela cuidava sozinha da casa toda antes de ficar com artrite.

— Não, tínhamos alguns criados, mas se pensa que vou contratar mais gente para dar boa vida a você e Kurenai está muito enganada. Quanto ao jardim o último jardineiro não fez nada para merecer o salário. Além do mais, gosto de tratar das plantas eu mesmo.

— Mas por quanto tempo? Um jardim não é feito um brinquedo que a gente pega e larga quando quer.

— E quem falou que pretendo fazer isso?

— Claro que não. (Disse sarcástica) — As pessoas que quiserem ser retratadas pelo famoso artista virão até aqui de tão ansiosas que estão de serem pintadas pelo gênio.

— Meu entusiasmo pela pintura já não é o mesmo de antigamente, duvido que aceite mais encomendas. Pelo menos, não do tipo das últimas que aceitei.

— Por que não? Você é famoso, é um tremendo sucesso.

— Talvez tenha resolvido me tornar um jardineiro famoso.

— Não acredito numa palavra do que diz, não acredito que pretenda se enterrar aqui pelo resto da vida.

— É assim que você encara o Ninho dos Falcões? Como um lugar aonde uma pessoa vem se enterrar?

— Não. Estou falando isso do ponto de vista de uma pessoa como você.

— E que diabo sabe uma criança de sua idade sobre o ponto de vista de alguém como eu?

Estremeci com o olhar gelado de Sasuke quando nossos olhos se encontraram.

— Sinto muito. Talvez eu tenha sido um tanto presunçosa, mas...

— Não há talvez. Agora respondendo à sua pergunta impertinente pretendo ficar aqui até que alguém me prove que há um bom motivo para sair. Este é o meu lar, lembra?

— Não parece. Até hoje você mal apareceu por aqui.

— É exatamente isso que estou querendo remediar, sinto se minha decisão atrapalha os seus planos.

— Não tenho planos.

— Essa é outra coisa que também quero remediar não concordo inteiramente com a teoria de Kurenai de que você está presa ao passado e sem interesse pelo futuro, parece apenas uma desculpa para não fazer nada.

— E qual é a sua desculpa?

— Para quê?

— Para não fazer nada, acabou de dizer que vai desistir da sua carreira.

— Não é verdade, a pintura nunca foi minha única atividade, não sei o que a levou a pensar isso.

— É lógico que não. Você também é um homem de negócios.

— Do jeito como falou parece até uma coisa indigna, mas eu entendo durante muitos anos eu me senti do mesmo jeito a respeito.

— Não se sente mais?

— Vamos dizer que agora sou indiferente, houve muitas pressões para que eu fizesse algo mais do que apenas ocupar um cargo na direção das empresas da família. Talvez tenha chegado a hora de me curvar a essas pressões, antigamente pensava que isso seria um sacrifício, não queria ser responsável por coisa alguma, além de mim mesmo.

— E o que sente agora?

— Não estou muito certo, só sei que ando decepcionado com minha carreira de pintor. Essa história de retratos... Meu último cliente era um sujeito cheio de dinheiro e sem um mínimo de sensibilidade ou cultura tudo que queria era um retrato da mulher, o artista não importava desde que fosse o mais caro, eu já estava no meio do trabalho quando percebi que grande farsa era aquela e não foi a primeira vez, sempre pintei porque gostava e não porque precisava, mas ultimamente o prazer diminui mais e mais, Marcela foi o ponto final.

— Ela era bonita?

— Na superfície, sim. Muito, mas por trás da imagem havia uma alma mesquinha.

— Você terminou o retrato?

— Oh, sim. Todos acharam que a semelhança era impressionante, mas não passava de um quadro tecnicamente bem feito e frio, no fundo foi uma boa experiência me ajudou a tomar certas decisões em que vinha pensando há muito tempo.

— Mas você não pretende abandonar a pintura de vez, não é?

— Vou pintar para meu próprio prazer, vivendo aqui isso não será difícil.

— Certamente vai querer pintar Kurenai.

— Não sabia que ela queria ser pintada, mas não creio que Kurenai possa pagar o meu preço.

Ele está se fazendo de desentendido de propósito é evidente que vai querer fazer o retrato da mulher com quem se casará. Posso até visualizar o lugar onde o quadro ficará na enorme sala. Porém lembrei-me de que minha madrasta está decididamente resolvida a convencê-lo a mudar dali.

— Parece que você está perdendo a briga com essas sementes é melhor ir fazer um café para nós, pode deixar que eu me arranjo sozinho por aqui, quando voltar tentaremos descobrir quais são os seus interesses na vida. Se é que existem.

— Não há nada para discutir deixei a escola e não consegui trabalho, há milhares como eu.

— Não me convence, pelo que soube você não tentou conseguir trabalho e não me parece que seja assim tão desprovida de talento.

— Muito obrigada, caro senhor.

— Ironias não ajudam amor, você por acaso pretende viver às custas de Kurenai pelo resto da vida?

A injustiça dessa pergunta me fez hesitar por um momento.

— Vou embora... (disse, numa voz irreconhecível)

— Para onde? Não estou tentando me ver livre de você Sakura a única coisa que quero é que saiba que tem um futuro pela frente e que precisa pensar nele, se precisar de liberdade, ajuda, conselhos, basta nos pedir.

— Não banque o meu tutor. Não você que nunca aceitou que alguém lhe dissesse o que devia fazer com sua vida, não acha que é muito tarde para descobrir o senso de responsabilidade?

Houve um pesado silêncio.

— Você tem uma língua afiada menina e um temperamento que combina com ela. É feito uma vespa, no verão as vespas passam a maior parte do tempo voando e são absolutamente inúteis, geralmente têm um triste fim como vai descobrir se tiver o atrevimento de especular sobre a minha vida particular e fazer julgamentos morais. Meus parentes ou qualquer outra pessoa das minhas relações não são de sua conta é melhor se lembrar bem disso.

—Sim, senhor. (ergui a cabeça em desafio) — Há mais alguma coisa?

— Não me provoque, pelo seu bem não se meta em coisas que não pode entender e fique fora do meu alcance.

— Eu gostaria de poder fazer isso... para sempre. (Senti que engasgava com as lágrimas)

— Infelizmente para nós dois ainda não tem idade para tomar esse tipo de decisão. (Sasuke parecia exausto de repente) — Enquanto esse dia feliz não chega, trate da sua vidinha e não faça nada de útil, se é o que deseja.

É um bom conselho, ainda que em parte seja impossível. Seria bem melhor mesmo ficar fora do alcance desse homem e mais seguro. Pelo menos não terei nenhuma ilusão de reviver aqueles poucos minutos de companheirismo que acabávamos de partilhar enquanto trabalhávamos, ele até esqueceu que tenho dezesseis anos. Falou como se fosse uma mulher, ainda bem que não durou qualquer tipo de relacionamento mais íntimo com Sasuke é muito perigoso.

Está cada vez mais difícil desempenhar o papel que Kurenai me designou principalmente porque no início pensava que seria apenas por algumas semanas, mas as semanas se transformaram em meses, não sei se consigo passar tanto tempo fingindo ser uma criança birrenta enquanto Kurenai rouba tudo o que mais quero na vida bem debaixo de seu nariz.

O nó que sinto na garganta ia crescendo, olho para Sasuke desamparada, mas parece que ele esqueceu completamente de minha existência, muito concentrado abria covas na terra escura, dava para perceber pelos músculos que é um homem acostumado com exercícios físicos trabalhando no jardim, nadando, fazendo amor...

Sasuke virou-se de repente e nossos olhos se encontraram, antes que eu pudesse disfarçar o desejo senti um calor estranho pelo corpo, ele aproximou-se... ou talvez tenha sido eu, não sei dizer, estava hipnotizada por aquele peito forte.

Senti a mão de Sasuke em meu cabelo e estremeci levantando o rosto, ansiosa por aquele beijo, estava me oferecendo, mas não importa não consego nem pensar direito.

Mas o beijo não foi nada do que esperava, foi cruel como uma punição, um castigo, agarrei-me a ele transtornada pela emoção selvagem e nova que a paixão violenta daqueles lábios despertava em mim, sentiu medo sim, mas eu não sou a princesinha dos contos de fadas e ele não é o príncipe encantado, estou à mercê de um dragão. Havia perigo, mas também havia excitação e fascínio.

Desde o momento em que o vira pela primeira vez na sala de meu apartamento fui dominada por uma estranha compulsão e não estava preparada para resistir à envolvente sensualidade desse homem. Mesmo assim, mesmo sabendo os riscos que corro sinto-me feliz por ele ser o primeiro a me fazer vibrar como mulher.

Tudo terminou tão de repente como havia começado Sasuke afastou-me violentamente e quase cai, ele nem sequer tentou me ajudar a me equilibrar nas pernas trêmulas, seu rosto estava tenso e quando falou foi com inesperada frieza.

— Se espera que eu me desculpe Sakura vai esperar para sempre, quando mandei você fazer o que bem entendesse não estava pensando nesse tipo de brincadeira perigosa. (Sorriu) — Mas você tem um talento inato para criar problemas, não é? Não vou perguntar onde aprendeu, não quero saber, mas tome cuidado comigo não vai me apanhar desprevenido novamente.

Sasuke me olhou estranhamente, essa história está indo longe demais eu preciso contar a verdade. Preciso esclarecer o mal-entendido.

Notas finais
Postarei no blog a roupa da Sakura e da Kurenai, passe lá e confira e comente se gostou, bjs e até o próximo.