Brincadeira De Crianças
8 O início da brincadeira
Continuei olhando para as vitrines, mesmo quando o ouvir sussurar meu nome.
Hoje era o dia do grande primeiro encontro, estavamos todos juntos na aréa de entrada do shopping à espera de Mori, que devido a certos problemas se atrasara.
-Ok! Ok! A gente esta perdendo muito tempo... – Utau, inquieta, comentou. Ela vinha agindo assim desde de que lhe contara o que ocorrera entre eu e Ikuto, mas nada falou sobre esse assunto, nem quando cheguei chorando em seu quarto pedindo-lhe um abraço... – Já que é assim, vocês dois – Ela apontou para Ikuto e Hebi, esta que nem dirigia a palavras para mim – Vão começar seu encontro agora! Nagi, você fica com eles!
Nagihiko se mexeu incomodado com a forma como Utau utilizara as palavras, já que o probrezinho, pelo que eu reparara, estava meio estranho desde que chegara aqui. Aproximei-me dele.
-Você esta bem, Nagi? – Perguntei em voz baixa para os outros não ouvirem.
Ele encarou-me surpreso. Acho que meus amigos realmente não acreditam, que eu tenha a capacidade de prestar a atenção nas pessoas. Que consideração!
-Eu... Eu to bem, Amu-chii. Não precisa se preocupar – Ele falou meio vermelho. Lancei-lhe meu melhor olhar de “Sei...“.
-Vai, fala logo! Qual o problema? – Nessas horas eu assumia a pose de chefe do grupo, aquelas que resolvem mil e um problemas – Não me diga que tem algo a ver com a Rima?
-Nã.. Não...Não!!! – Ele balançava as mãos a sua frante, nunca claro gesto de nervosismo, nada que seu rosto corado, já não tivesse revelado. Continuei na minha pose séria, ele cedeu. — ...Tá bom... Eu briguei com a Rima... Ela pediu um tempo...
Quase ri com aquela revelação, meu faro para problemas entre casais era realmente bom, não que houvesse muitas opções também....
-Hum... Posso perguntar o por que dessa briga? – Falei já recuperando minha compostura. Vamos ver, que tipo de besteira causou essa briguinha.
Antes, que ele pudesse começar a falar, Utau aproximou-se quase soltando fogo pelos olhos e puxou o braço de Nagi.
-Pare de fofocar, seu marica! – Ela quase gritava, já muito estressada. Era meio raro ver essa lado negro dela. – Vai logo atrás daqueles dois! E nada de pegação viu! Fiquei de olho no inutil e na vaquinha!!!
Ai! Nagihiko, prezando sua vida saiu correndo na direção que Utau apontara. Depois nós continuariamos nossa conversinha, ele que me espere!
-Ei! Tudo bem, Utau? Parece que vai arrancar seus cabelos a qualquer instante – Tentei amenizar o clima tenso envolta da mesma; não consegui – Então você arranjou um apelido para Hebi também... Eu até que gostei, mas por que esse?
Ela não respondeu, apenas se aproximou da parede e socou-a. Não me dei ao trabalho de perguntar se ela havia se machucado, pois sei que se for pra algo rachar ali, com certeza não vai sua mão. Pobre parede!
-Aquela cadela estava se insinuando pro baka do meu irmão!!! – Ela socou novamente a parede, atraindo o olhar de diversas pessoas. Suas palavras não me chocaram, eu conheica muito bem Hebi, ela não jogava limpo, nunca jogou... – E sabe o que aquele Aho tava fazendo?
Segurei seu braço antes que ela batesse novamente na parede. Um guarda do shopping já havia reparado em nós, vi pela sua pose, que a qualquer momento ele se levantaria e pediria para nos retirarmos.
Puxei Utau para a fora do lugar, a mesma tremia de ódio.
-Aquele idiota... Ele sorria feito a anta que é – Ela começou a chorar, mas no momento não chorava por si, mas sim por mim. Entendi sem que ela precisasse explicar o que estava acontecendo, ele estava se apaixonando por Hebi... – Desculpa, Amu! Não posso fazer nada! Ele ... Ele não estava mentindo ontem, mas... Eu sabia, que ele sentia algo por você, mas acho que apesar de tudo ele ainda esta confuso... Desculpe-me! Talvez não seja nada, pode ser apenas minha imaginação!
Utau tomada pelo desespero tentava arranjar uma desculpa. Abraçei-a.
-Tudo bem, maria chiquinha. Não precisa se desculpar por nada. Esse problema é nosso, se for para sofrer, que apenas nós soframos – Falei calma, tentando esconder em meu interior a dor e impedindo as lagrimas de cairem – Agora limpe essas lagrimas! Como você espera observar meu encontro se estiver chorando!
Ainda triste, Utau apenas concordou e guiou-me de volta para o ponto de encontro, onde Mori-kun me esperava.
-Agora vamos começar o encontro de vocês! – Ela falou mais animada, andando rapido ao meu lado – Eu vou ficar pra trás observando de longe, não se incomodem comigo, ok?
-Ok !
“Não esconda suas lagrimas de mim, menina de cabelos rosa” Utau sussurou para mim antes de sair andando em uma direção oposta.
Suspirei alto. Essa era minha amiga!
-Vamos logo, rosada! Eu quero chegar em casa antes do jantar, se não se importa.
Utau arrastava-me em direção ao grande carro preto, parado na entrada da escola. Sua animação era contagiante, porém meu nervosismo vencia.
-Calminha, maria-chiquinha! Eu não vou fugir! Eu prometi, que ia dormir na sua casa hoje e é isso, que vou fazer! – Falei firme, apesar de sentir medo com a perspectiva de conhecer a família de Utau. Medo e receio.
Fazia cerca de dois mês, que eu me mudara para aquela cidade e me tornara amiga de Utau. Nossa amizade, admito, é muito estranha, somos do tipo que brigam e depois se reconciliam...
À uma semanas Utau me convidou para dormir na casa dela, ela queria que eu conhecesse sua família, e agora aqui estou eu, na frente de uma super mansão com a Utau me arrastando para dentro da mesma.... O que fiz para merecer isso...
-Velho! Mamãe! To em casa com minha amiga! – Ela entrou sem muitas cerimonias e foi gritando. No hall haviam algumas mulheres, que vestidas todas da mesma forma, deviam ser empregadas da família.
Fui levada até um comodo mega grande, paredes altas e brancas, muito arejado com enormes janelas que ocupavam uma parede inteira e com três sofás ao centro em frente a uma TV de não sei quantas mil polegadas. Minha boca caiu quando vi aquela maravilha moderna, eu devia estar babando.
-Vai rosinha, pode encostar nela, eu deixo – Utau percebendo meu fascinio, usando o eufemismo, falou zombeteira.
Agarrei com força meu orgulho impedindo-me de abraçar aquela Tv ali mesmo.... Era uma droga ser louca por televisões, mas o que posso fazer se sou uma viciada....
-Não, obrigada! Apenas fiquei surpresa com o tamanho desse – Fiz um gesto de menosprezo – aparelho.
-Sei! – Ela sentou-se no sófa e ligou A TV, sem aguentar sentei ao seu lado e fiquei a observar as imagens passarem por aquela beleza de tela.
Ficamos ali apenas apreciando a visão por cerca de meia hora até que com um estrondo a porta da sala onde estavamos foi aberta e uma mulher e um homem entraram sem folego. A mulher tinha cabelos loiras e olhos castanhos, certo porte de modelo e um ar de elegancia ao seu redor, igual ao cara a seu lado, esse tinha cabelos negro e olhos azuis, parecia ser alguem que visitava muito a academia, além de parecer meio infantil, mas essa era apenas minha impressão. Ambos aparentavam ter não mais do que 25 anos.
-Querida! -Falaram os dois, jogando-se na direção de Utau, que só agora eu reparara havia se escondido atrás do sofá.
-Não se aproximem seus loucos! – Ela gritou ao ser abraçada por ambos. E apesar dos gritos e xingamento eles pareciam uma família feliz, senti o buraco em meu peito comprimir-se com aquela imagem.
Uma lagrima caiu em minha face, e apressada a sequei, ganhando assim a atenção dos adultos.
-Essa é sua amiga, filhida amado do papai? – O homem, que pelo visto era seu pai, observava-me.
-Sim, velho. E ela vai dormir aqui hoje, por isso não a assustem, por favor! – Utau gritou, ou falou. Pelo que vi até agora naquela família não existe o falar baixo, só gritar mesmo.
-Utau lembre-se que somos seus país, não somos tão irresponsaveis e irracionais a ponto de querer assustar sua amiga! – A mulher falou e se proximou de mim.
-Sim, mamãe. Desculpe-me – Ela abaixou a cabeça fingindo.
-Filhinha amada, por que você também não me chama de papai? Não é valido você só chamar a mamãe assim – O pai dela parecia preste a chorar. Isso me trouxe lembranças, acolhedoras lembranças.
-Para de encher o saco, velho! – Utau falou colocando os braços a sua frente numa tentativa de impredir seu pai de abraça-la.
Ri sem aguentar, surpreendendo todos na sala. Aquela cena era muito família... Familiar demais, a ponte de me fazer rir para não chorar....
Aquela tarde foi uma das melhore de minha vida. E eu não sabia naquela época, que mais tarde a família Tsukiyomi, se transformaria em um dos meus maiores tesouros. Ou que a Sra. e o Sr. Tsukiyomi, ou como eles me permitiram chamar-los, tia e tio(ou velho), acabariam ocupando a posição de meus pais.
Mas eles não foram as unicas pessoas importantes, que conheci naquele dia. Não foram mesmo....
Acordei com o coração aos pulos e a mente pertubada. Olhei para meu lado, onde Utau dormia pacificamente. Ela havia insistido, que ambas dormissemos em sua cama de casal, e acabou, que concordei.
Levantei e sai do quarto. Caminhei pelos grande corredores escuros do lugar sem medo das sombras que tremeluziam sob a luz da lua, a escuridão já não me assustava mais. Ela tornara-se uma companheira.
Ao chegar finalmente a sala de estar, o segundo comodo que conheci dessa “casa”. Ignorei a linda Teli, apelido que dei para a Tv de não sei quantas mil polegadas, e sentei em frente a umas das janelas, que iam do chão ao teto, e fiquei ali observando o céu e as estrelas.
Como eram belas e intocáveis, tão distantes, mas capazes de nos fazer sonhar como qual quer outro.... Divaguei...
Senti um vento atrás de mim, então algo soprou minha orelha.
-Ah... – Tentei gritar, mas alguem tapou minha boca. Começei a entrar em desespero, será um ladrão? Eu vou morrer? Eu não pude me despedir da Teli!!!
-Calminha... Foi apenas uma brincadeira... – O ser, que logo percebir ser um garoto talvez um ano mais velho que eu, falou me soltando – Eu moro aqui, e me chamo Ikuto. Prazer, rosinha!
Ikuto? O inutil do irmão da Utau?!
-Prazer o caramba! Você quase me mata de susto agora! – Apesar de mais calma, meu coração ainda batia descompassado no peito. E não sei se devo tal feito ao susto ou a beleza do menino a minha frente... – Humm... Meu nome é Amu...
Falei tentando não se mal-educada.
Ele nada mais disse, apenas desviou seu olhar para as estrelas, sentando ao meu lado e ali ficando. Tentei ignorar-lo.
-Você é realmente amiga da chata da minha irmão? – Após alguns minutos ele perguntou.
Hesitei um pouco.
-Sim... Por que essa pergunta?
Ele parou de olhor o céu virando sua face para mim.
-Você parece ser muito legal para ser amiga dequela coisinha irritante – Corei com o elogio. Pelo visto era de irmãos esse ódio...
-Hummm... Obrigada... – Desconcertada falei encarando-o – Mas apesar de tudo, gosto muito da sua irmã, ela é minha primeira amiga verdadeira...
Surpreendi a mim mesma falando tal coisa, e torci para que ele não tivesse prestado tanta atenção.
-Já que é assim eu serei seu primeiro amigo! – Ele falou decidido, e vendo sua alegria em falar isso não tive forças em corrigi-lo e comentar sobre Mori-kun meu amigo de infância. Apenas sorri feliz.
-Então apartir de agora nós somos amigos Amu!
Não sei ao certo o que houve depois, talvez alguns empregados tenham acordado com a nossa voz alta e tenham nós levado de volta para o quarto, mas isso não importa.
O que realmente importa é o fato de que nessa noite conheci e me apaixonei por Tsukiyomi Ikuto, o irmão de minha melhor amiga. E que também a partir dessa noite eu começei a ocupar o lugar de amiga ao seu lado.
“O amor de infância é surpreendentemente puro, já o meu era absolutamente honesto e vazio”
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