Brilho
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Amava Osomatsu, até de uma forma que pessoas poderiam considera-lo mais guilt que o normal, mas seria um dos últimos seres em que atribuiria a palavra “gracioso”. Pelo menos, com relação a sua atuação em um cotidiano que conhecia.
Contudo, quando nenhum outro irmão poderia ver, o primeiro filho brilhava aos olhos de Karamatsu pelos movimentos cuidadosos a piruetas, pela extensão do ar até o chão. Do início ao fim, a dança fazia um som tão leve como uma concha do mar poderia trazer, era uma música concreta como nunca poderia tocar. Ainda assim, um aconchego certo se instalava em seu peito.
Era uma pena que Osomatsu não via um valor em seu dom, apesar de também não conseguir abandonar.
Karamatsu sabia que Osomatsu adorava dançar, desde pequenos. Até que o mais velho teve a sua chance de brilhar e essa chance foi arruinada a ponto de que nunca mais quis que algum deles mencionasse o assunto. Lembrava-se o quanto tinha se sentido triste, porque Osomatsu parecia triste. Naquela época, não sabia o que aquilo poderia significar. Tinha concluído que era apenas uma preocupação de irmão para irmão, nada mais.
Com o decorrer dos anos, entretanto, viu que não era o caso e, bem como ele, seu irmão mais velho dava sinais de que sentia o mesmo. Contudo, como o caso do ballet, não era algo que Osomatsu visse algum futuro, o que os fadou a ficarem apenas em alguns olhares prolongados demais.
Depois de tudo, aquele assunto, aquele dom realmente havia morrido para a família. E para Karamatsu também, pois não queria que o irmão ficasse preso em uma memória amarga. No entanto, naquele teatro descoberto por acaso, em seus vinte e poucos anos, o segundo filho teve aquela visão inimaginável outra vez e que agora não conseguia mais se ver sem.
Tinha se apaixonado mais do que poderia ter pensado, mais do que poderia suportar. Pescavam, e Karamatsu via em Oso o rosto da sua musa que sua Vênus lhe presenteou. Queria tocar seu rosto, mas “ah, não é nada, era apenas um mosquito, brother”. Todos os seus pequenos esforços terminavam naquele ciclo de tentativa e camuflagem do verdadeiro sentimento.
Visitou-o incontáveis vezes no teatro de forma que aquele amor fosse trabalhado de algum jeito ou enlouqueceria. Descobriu as datas das apresentações de um jeito ou de outro, tentando tomar todo o cuidado para não ser ele mesmo exposto. Todavia, qual foi o susto do primeiro irmão ao ouvir as palmas incontidas de Karamatsu, depois de uma peça que fez o segundo irmão até chorar de emoção.
Ao ver sua situação revelada, Osomatsu não conseguiu deixar de ficar embaraçado. Então, o primeiro filho puxou Kara para um lado afastado do teatro e ficou sério como em poucos momentos poderia ser visto. O segundo irmão engoliu em seco, prevendo uma possível briga entre eles.
Adorava brigar para proteger os demais, apesar de que queria esconder isso a todo custo por conta de seu discurso pacifista. Todavia, se tinha algo que tinha receio eram aquelas em que haviam coisas a se perder.
Deveriam ser desapegados em tudo, era o que Karamatsu costumava pensar, pois, desse modo, eles poderiam ser verdadeiros consigo mesmos e, desse jeito, poderiam seguir em frente. Não uma briga que os impedia em um canto, acorrentados em uma questão mal resolvida.
Porém, Osomatsu fez com que Kara ficasse bem perto dele, segurando o ombro do segundo filho para que não viesse a fugir. Osomatsu o conhecia muito bem. No entanto, diferente dos cenários que Karamatsu poderia ter pensado, o Matsuno vestido de bailarina disse em um tom incerto:
— Você tem que me prometer que não vai contar a ninguém o que viu aqui. Para os outros, eu não estou mais interessado nisso, tá?
Karamatsu relaxou depois, estranhamente confortado ao ver que seu irmão, na verdade, queria uma ajuda sua.
Adorava ajudar seus irmãos, ser visto como alguém em que se pudesse confiar, assim como o próprio Kara confiava neles. Contudo, mais do que tudo, principalmente, ele não queria que Osomatsu se negasse a dançar outra vez, não mesmo.
— Alright, você tem minha palavra, brother. — Karamatsu disse, sem querer revelar que já tinha estado ali tantas vezes antes.
— Assim eu fico menos preocupado... mas para garantir. — Osomatsu se aproximou dele e nossa, estava sonhando? Tinha caído do telhado mais uma vez sem se dar conta?
Os lábios de Osomatsu, cobertos com brilho, mancharam os seus e Kara nem ao menos estava pensando o que diria aos irmãos quando saísse dali.
“Ah, a deusa Vênus em pessoa trouxe a ele a sua predestinada” Talvez fosse uma boa desculpa.
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