Breathless

2 Teste e Nuvens.


Notas iniciais
Capitulo 2.

Acordei suando, imediatamente lembrei-me que havia dormido de roupão e de toalha nos cabelos. Olhei no relógio ao lado da cama, eram 7:22, ainda tinha bastante tempo já que os portões da academia ficam abertos até as 8:30. Olhei ao redor do quarto, estava escuro, me senti bem. Tirei a toalha dos cabelos, que já estavam secos, e joguei no chão mesmo, olhei para o teto. Hoje era o dia do teste, se tornar Gennin ou não, dependia de meu desempenho hoje, não podia decepcionar mamãe de jeito nenhum, iria desonrar meu pai, que sempre desejou que eu fosse uma grande Kunoichi. Eu me arrumava bem rápido, então decidi me preparar mentalmente. Me levantei contragosto da cama, fui ao banheiro liguei o chuveiro na temperatura mais quente possível.
Olhei-me no espelho. Minha bochecha já não estava mais vermelha, agradeci à Deus por isso. As pessoas já me achavam esquisita, imagine se me vissem machucada, seria torturante. Enquanto a água esquentava aos poucos, aproveitei para escovar os dentes. Prendi o cabelo num coque firme, tirei o roupão e fui para debaixo da água. Deixei que a água quente caísse em meu rosto, eu devia praticar Jutsus, mas, sinceramente, naquela manhã eu estava um pouco desanimada. Talvez pelos acontecimentos de ontem, ainda estava deprimida. Queria que mamãe fosse feliz, sem se isolar do mundo ou me usar para isso, embora ela só quisesse meu bem. Ou o que ela acha certo para mim. Depois de me ensaboar e enxaguar, desliguei o chuveiro e me enrolei em uma toalha depois de colocar o roupão no cesto de roupas sujas. Ao sair do banheiro senti uma brisa fria que me fez arrepiar, corri para o quarto, indo direto para o closet. Minhas roupas eram todas neutras, longas e largas, desde criança sou acostumada à me vestir assim. Passei até a gostar do fato de que era a única adolescente de 14 anos que se vestia assim nessa nova Era. Acabei por escolher um vestido longo branco meio acinzentado de mangas longas; as tradicionais sandálias ninja e um casaco grande meio esverdeado. A pior parte era o sutiã, mamãe dizia que talvez fosse pelos pecados que cometi, meus seios cresceram exageradamente, sou proibida de usar uma regata ou qualquer blusa muito colada ao corpo, para não, como diz mamãe, “mostrar demais”. Também é bem vergonhoso para mim, poxa, eu não devia ter isso tudo, é meio injusto. Enfim, o sutiã ficava muito apertado e me incomodava, precisava comprar outros mais largos. Talvez mais tarde. Borrifei um pouco de perfume doce no pescoço e estava pronta. Sai do quarto andando lentamente, o barulho de passos no chão de madeira me deixava nervosa, era um ruído irritante. Desci as escadas no mesmo ritmo lento encontrando meu café pronto e mamãe sentada à mesa. Fui até ela e me sentei à sua frente.

— Bom dia mamãe — sorri, ela me olhou e sorriu de volta.

— Hoje é um dia importante não é mesmo Emi? — ela me perguntou ligeiramente. Tomei um gole do café assentindo.

— Sim, é o teste para Gennin.

— Não quero que se decepcione se não conseguir passar querida, — a olhei confusa — ouvi dizer que terão que formar equipes, sabe como são as outras crianças.

— Não se preocupe mamãe, eu vou ficar bem — assegurei sorrindo. Mamãe retribuiu.

— Eu sei. Vamos — ela diz se levantando e pegando seu casaco. Achei estranho, mamãe não costuma à me levar para a academia. Mas não questionei, ela devia ter um bom motivo … ou talvez, fosse por causa do Shikamaru, por que ela me viu conversando com ele ontem. Mas, afinal, a culpa foi minha, eu é que puxei assunto com ele. Sou uma burra.
Me levantei sentindo-me péssima e dei a mão para mamãe que já me esperava na porta, então saímos rumo à academia.

[Narração 3° pessoa]

As pessoas olhavam estranho para mãe e filha que caminhavam juntas rumo à academia ninja. Akemi olhava para as pessoas com desprezo, para ela todos eram impuros e sem respeito pela vida. Seu maior medo era que sua filha se tornasse um deles. Emi era sua única filha, o que aumentava seu medo. Com o pai morto ela não tinha muita motivação, mas sempre estava sorrindo e tratando os outros com gentileza, Emi lembrava muito o seu pai. Tanto em aparência, quanto personalidade. O lendário Isao Arai, um ninja que fez história ao proteger Konoha de uma invasão, mas que infelizmente, morreu ao ajudar Minato à realizar um Jutsu de selamento da raposa das nove caudas. Uma pessoa na qual a jovem Emi se espelha, porém nunca se acha à altura. A menina tinha problemas de personalidade, resultado da criação que teve com sua mãe, isolada das outras crianças, sem amigos. Sempre se achava inferior a todos, achando que era invisível. Apenas o Hokage, que conhecia a mãe da menina, se preocupava, achando que o tratamento que recebia em casa dificultaria a vida ninja de Emi. E de fato, dificulta.

— Esta por conta própria agora, Emi. Boa sorte — Akemi disse à sua filha quando chegaram em frente à academia.


Emi acenou e entrou no lugar de cabeça baixa, como sempre. Ninguém havia à notado. Sentou-se do lado de Amano Haruo e olhou em volta. Toda a turma, exceto Sasuke, discutia com o colega sobre o teste. Alguns diziam que treinaram duro e outros diziam que nem ligavam, Emi por uns estantes pensou em seu pai.

“Será que ele também ficou nervoso em seu teste? ” Ela se perguntou mentalmente. Logo chegou Naruto, alguém que secretamente ela admirava. Por alguma razão, ele nunca desistia, mesmo não tendo ninguém e isso com certeza era ser forte. Perdida em seus pensamentos, a menina nem notou a entrada do preguiçoso Shikamaru. Que ao olhar ao redor e a notou ali, brincando com seus cabelos. Ele não sabia porque, mas ela tinha algo de diferente das outras. Só ficava quieta em seu canto. Nem respondia as provocações de Sakura ou Ino, esse temperamento calmo era raro em alguém. Deu de ombros e seguiu para seu lugar ao lado de Chouji.
Os cochichos se cessaram à entrada de Iruka, que sorriu para os alunos.

— Bom dia a todos. Assim que seu nome for chamado, quero que se dirija à sala de testes. A prova final será o Jutsu Clone das sombras! — ele disse e em seguida saiu. Os comentários voltaram ainda mais altos. Emi suspirou. Para sua sorte, aquele seria fácil. Embora em seu íntimo, ainda estivesse insegura. Logo os nomes começaram a ser chamados. Ela tomou um sustou ao olhar para cima e encontrar Shikamaru a olhando encostado sobre sua mesa.

— Sinceramente, eu esperava algo mais desafiante que isso — ele disse suspirando. Obviamente com preguiça, deduziu ela.

— É-é verdade — Emi amaldiçoou-se por gaguejar.

— Porque você saiu correndo ontem quando eu disse tchau?

“Ai Kami! O que eu digo?!” Ela pensou desesperada. Seu rosto estava vermelho.

— É que eu precisava … chegar em casa? — ela disse mais para si mesma. O garoto ficou em dúvida se aquilo era uma pergunta ou uma resposta. Ele deu de ombros.

— Não sei. Precisava? — ele falou sorrindo do estado dela. Emi queria enfiar a cabeça num buraco, estava envergonhada e não conseguia olhar diretamente para ele. Estar perto das pessoas a deixava incrivelmente nervosa. Começou a gaguejar sem saber o que dizer, enquanto Shikamaru só tentava segurar o riso ao ver o embaraço da menina. Quando ia dizer outra eles escutaram seu nome sendo chamado por Iruka. Emi suspirou, aliviada.

“Salva pelo gongo! Ou melhor, pelo Iruka-sensei! ” ela pensou dando um mínimo sorriso. Shikamaru bufou.

— Te vejo depois — ele disse em despedida indo para sala de testes. Emi ficou confusa. Como assim ele ia vê-la mais tarde? Será que era verdade mesmo? Ela devia espera-lo?

“O que? Mas é claro que não!” sacudiu a cabeça negativamente. Então ela viu Naruto. Ele parecia extremamente nervoso, com as mãos nos cabelos e a cabeça abaixada. Talvez aquele não fosse seu melhor Jutsu, ela sempre ouvia os outros dizerem que as notas dele eram as piores da classe.


Depois de alguns minutos Shikamaru saiu da saiu da sala de testes com a bandana preta em mãos e uma expressão de tédio no rosto. Ele olhou para ela estendendo a bandana, sem saber o que fazer, Emi sorriu timidamente para ele sussurrando um “Parabéns”. Embora Shikamaru não aparentasse estar muito animado. Ele apenas assentiu e voltou para seu lugar ao lado de Chouji.

— Emi Arai! — Iruka gritou assustando a mesma. Ela demorou alguns estantes para seu cérebro processar que ela deveria se levantar e fazer o teste.

— VAI DEMORAR MAIS?! AINDA TEM MAIS GENTE PARA FAZER O TESTE!! — Ino gritou com ela. Emi suspirou pesadamente e se levantou de modo lento. Como se quisesse adiar o máximo possível seu teste.

— Retardada! Ande logo ou vou te arrastar pelos cabelos! — exclamou Sakura. Emi tratou de se apressar, quase correndo para a sala de testes. Ao entrar, ela fechou rapidamente a porta atrás de si e suspirou aliviada.
Iruka e Mizuki lançaram olhares confusos para a mesma, que apenas corou, abaixou a cabeça e andou até estar de frente para a mesa deles.

— Emi, deve criar três clones para passar — Iruka disse recebendo um aceno de compreensão dela. Ela fechou os olhos, se concentrando e fez o sinal de mão. Contou mentalmente até três para se preparar.

— Jutsu clone das sombras — disse num sussurro inaudível. Logo ouviu o típico barulho dos clones aparecendo.

— Wow! Muito bom Emi! — ouviu Iruka. A menina abriu os olhos confusa e tomou um susto ao ver dez clones perfeitos ao seu redor. Não conseguiu conter um mínimo sorriso e retirou o Jutsu. Andou até a mesa lentamente e pegou uma bandana azul, assim que levantou a cabeça se deparou com Mizuki lhe dando um sorriso malicioso. A pobre menina sentiu seu rosto esquentar e saiu as pressas da sala. Voltou correndo para seu lugar e respirou fundo.
Ela nunca havia visto aquele homem na vida e ele sorri daquela forma maldosa? Estranho. Muito estranho. Shikamaru estranhou o fato dela voltar como se quisesse tirar o pai da forca, mas não falou nada. Os nomes continuaram a ser chamados, então chegou a vez de Naruto.

“Boa sorte Naruto! ” Emi desejou mentalmente.

Os minutos passaram se rapidamente e Naruto não voltou. Emi não podia negar que estava preocupada, podia ter acontecido algo grave com ele. Contudo, Iruka abriu a porta e entrou na sala com um sorriso orgulhoso.

— Parabéns à todos que conseguiram! Amanhã será o último dia na academia. Uma reunião de Gennins que determinará as equipes, não faltem! Estão liberados — disse juntando uns papéis em sua mesa e saindo em seguida. A maioria saiu correndo, animados. Os novos formandos.

Emi se levantou lentamente e foi em direção da saída, fora da academia ela sentia o vento jogar seus cabelos para trás. O dia estava em meio ao crepúsculo, que ela se perguntou como o tempo podia passar tão rápido sem que percebesse. Começou a andar mais parou bruscamente ao ver Naruto, estava sozinho, de cabeça baixa no balanço que havia em frente à academia. Ela não sabia o que fazer, mas sentiu uma angústia enorme no peito. Emi odiava ver as pessoas tristes. Ela respirou fundo e foi até ele.

— Er? N-Naruto? Você está bem? — Naruto ouviu uma voz doce o chamar, chegou a pensar que era Hinata, mas ao levantar a cabeça viu uma menina desconhecida. Por alguns segundos ele se hipnotizou com a beleza da menina. Cabelos loiro esbranquiçado, olhos verdes escuros brilhantes, e a pele pálida. Suas bochechas estavam vermelhas.

— Ahn? Quem é você? — ele perguntou ainda em contato visual com ela.

— Sou Emi Arai, somos da mesma turma. — ela disse rapidamente — O que você tem?

Naruto abaixou a cabeça, Emi amaldiçoou-se ao perceber que ele estava sem sua bandana.

“Como não notei? Burra! ” ela se xingou mentalmente.

— Olha eu sinto muito mesmo... talvez possa treinar mais. Se quiser, eu te ajudo — disse ela tentando amenizar a situação. Ele apenas balançou a cabeça negativamente. Emi sentiu uma presença atrás deles. Se virou rapidamente vendo Mizuki os observando.

— Posso falar com você um pouco Naruto? — ele pediu ignorando o menina. Naruto acenou se levantando e então eles sumiram por entre as árvores. Emi se perguntou o que ele queria falar com um aluno reprovado. Mas então deixou pra lá.

“ Mas afinal, Mizuki é um ninja de Konoha. O que ele pode fazer de mal? Mesmo que seu comportamento seja estranho ”

Ela virou-se na direção contrária e começou a andar sem rumo. Sua mãe iria trabalhar hoje, e provavelmente só chegaria à noite. Emi não gostava de ficar em casa sozinha, embora tenha vivido a maior parte da vida assim. Enquanto pensava nisso, ela nem notou o preguiçoso e seu companheiro comilão saindo de uma churrascaria ali perto.

— Hey! Shikamaru, aquela não é a garota com quem você estava falando na sala? — Chouji disse apontando para a menina.

— É. É ela. Emi! — ele disse a gritando. Emi parou de andar na hora. Não era comum as pessoas a chamarem na rua, e ela conhecia aquela voz. Shikamaru e Chouji andaram até a menina que olhava de um lado para o outro, sem saber o que fazer ou falar.

— O-oi — ela disse com o rosto corado e a voz fraca.

— Olá! — Chouji disse olhando a garota descaradamente. Ela era bonita.

— Acho que já conhece meu amigo, — Shikamaru falou vendo ela assentir — para onde tava indo?

Emi ficou sem saber o que responder, aliás nem ela sabia.

— Eu não tinha... um destino exato — ela disse dando de ombros. Shikamaru suspirou. Meninas eram problemáticas.

— Ei! A gente estava indo ver as nuvens, quer ir? — Chouji perguntou. Ela pensou bem, não tinha nada para fazer e eles eram os primeiros que a convidavam para fazer algo na vida.

— Claro. Por que não? — ela disse sorrindo gentilmente. Chouji riu.

— É! Vamos nessa! Só vamos parar uma vez para comprar batatinhas! — ele exclama fazendo os outros rirem. Então eles começam a andar conversando sobre coisas banais.


Quando Emi disse a eles que fez dez clones ao invés de três, ficaram chocados. O que fez a garota rir. Pararam para comprar batatinhas como Chouji dissera, acabando por levar balas e refrigerantes também. A menina se perguntava aonde eles olhavam as nuvens, ela nunca havia ido para aquela parte da vila antes. Eles chegaram a um edifício, onde subiram as escadas de emergência para chegar em lugar lindo, na opinião dela. Dava para ver Konoha inteira. Tinha uma pequena tenda de madeira, onde Chouji colocou as coisas. Shikamaru se deitou no chão com as mãos debaixo da cabeça. Chouji se deitou ao seu lado puxando a garota que ficou vermelha ao se deitar perto de Shikamaru.

— Aquela tem o formato de hambúrguer! — Chouji falou baixo totalmente hipnotizado pela nuvem. Emi fez careta ao ver que a nuvem não parecia um hambúrguer.

— Ignore o Chouji, tudo para ele se parece com comida — ele falou baixo também. Ela riu vendo uma que se parecia com um coração. Ela apontou para a que olhava.

— Parece um coração — disse baixinho também. Chouji exclamou:

— Parece aquelas balas de coração que compramos.

Shikamaru e Emi riram.

— Isso é estranho... — ela disse inconscientemente e quando notou que a olhavam confusos, ela corou — ér.. quero dizer, estar aqui com vocês.

— Por que é estranho? — o Chouji perguntou. Shikamaru bufou.

— É que ela não é muito sociável, eu até entendo — Shikamaru disse sem os olhar.

— Eu acho que as pessoas é que não são muito sociáveis comigo — ela disse igualmente sem os olhar. Shikamaru ficou surpreso, nunca havia a visto falar com confiança como havia feito agora.

— Ah! Ignore as pessoas! — Chouji exclamou.

— É. Acho que ele tem razão, os outros só sabem julgar sem saber de nada. É problemático — Emi riu com a última frase. Tudo é problemático para Shikamaru.

— Tudo bem. Eu não me importo muito também — ela falou. Shikamaru suspirou se sentando com a bandana em mãos.

— Aff! Eu nem sei onde coloco isso! — ele falou. Emi pensou bem e se sentou também. Pegou a bandana das mãos dele o surpreendendo e a amarrou em seu braço.

— Assim fica legal em você — ela disse meio corada voltando a se deitar. Ele riu se se deitou também. Talvez não fosse tão problemática assim.
E voltaram a ver as nuvens.

Notas finais
Obrigada a quem leu e gostou! ❤ criticas e comentarios são bem vindos