Breathless

5 Pela Promessa.


Notas iniciais
Oii! Então.. eu meio que esqueci de avisar que aqui na fic eles têm entre 14 e 15 anos ta bom? Desculpa, eu só fui lembrar agora! Enfim, boa leitura!

— Aqui é o Sasuke. Estou no ponto B — ouvi a voz de Sasuke pelo comunicador. Sinceramente, eu não conseguia parar de rir. Só de pensar nessa missão.

— Aqui é a Sakura estou no ponto C.

Acho que essa não era bem uma missão. Era mais uma tarefa diária, se é que seu gato sempre foge diariamente, por que aqui nós estamos atrás de um gato. O gato de estimação da esposa do senhor feudal. Já havia dois dias que fazíamos missões rank D, que era muito entediante, mas eu que não reclamava, porém, Naruto, este estava frustrado e fazia questão de demonstrar. Eu estava feliz porque já estava me acostumando com minha equipe, menos com Kakashi. Acho que nunca vou conseguir esquecer o que houve no teste dos sinos, só de pensar nisso sinto meu rosto esquentar. Só havia uma coisa que estragava minha felicidade, o fato de ter que ir para casa depois. Mamãe estava muito estranha, quase não falava comigo e estava mais rigorosa. Eu não sei porque, mas isso está me assustando muito.

— Emi? — pulei de susto ao ouvir a voz de Kakashi me chamando. Nossa! Fiquei perdida em pensamentos.

— Ah! desculpe. Estou no ponto D — e ficou um silêncio. Fiquei me perguntando onde estava o Naruto com essa demora para responder, e isso me fez pensar em amizades. Desde de que me tornei Genin, via Shika, Chou e Ino todos os dias indo para o ponto de encontro com seu sensei, que descobri ser o Asuma. Eles já haviam feito uma missão rank C. Quando me via, Ino praticamente pulava em mim falando de vários assuntos ao mesmo tempo. Ela ordenou que tirássemos um dia para fazer compras, e quando eu me oponho a isso, ela dava mil e um argumentos contra o meu estilo de roupas. Quanto a isso, Ino havia me dado a saia vermelha, isso depois de fazer certas modificações, como cortar a parte de trás da saia alegando que parecia uma cauda. Resultado, ela ficou com os lados simétricos e mais ou menos uns dois centímetros acima do joelho. Mas eu ainda usava a legging por baixo, claro. Só coloquei um suéter beje largo em vez da blusa marcante. Me senti mais confortável com isso.

— Aqui e o Naruto, estou no ponto A, tô certo!

— Você está lento Naruto. — segurei o riso — Ok time 7, o alvo mudou de posição.



Andei umas duas árvores à frente. Eu conseguia ver o gato, era marrom e com uma fita rosa na orelha. Era ele.

— Qual a distância?

— 5 metros. Eu estou pronto — Naruto respondeu. Eu também conseguia o ver, olhava para o gato como se fosse um criminoso.

— Eu estou pronto também — disse Sasuke.

— Eu também — falou Sakura. Suspirei.

— O mesmo aqui — falei.

— Tudo bem. Vamos pega-lo, em três, dois, um..— Kakashi foi interrompido pelo barulho que se assimilava a uma batalha. Corri para aonde Naruto estava e não consegui segurar os risos.


Realmente estava tendo uma batalha ali. Era Naruto contra um gato, respirei fundo e me agachei. O gato estava ganhando, arranhava Naruto que chegava a dar dó. Puxei o gato, o tirando de cima do loiro que ainda estava desconcertado pela luta. O gatinho ronronou em meu colo, o acariciei. Ele era fofo!

— Pegamos ele — disse Sasuke no comunicador.

— Fita na orelha confirmada? — ouvi Kakashi perguntar.

— S-sim — respondi ainda encantada com o gato. Naruto parecia querer explodir a qualquer momento. Isso era mal sinal. Tirei o comunicador rapidamente evitando perder a audição.

— NÃO TEM OUTRA MISSÃO MELHOR?! EU ODEIO GATOS!


••••••••••••••••••••••••••••••••

Estávamos indo para o prédio Hokage. Eu ria com o fato de Naruto se manter o mais distante possível de mim, só porque eu carregava o gato nos braços. Durante o caminho, ele havia tentado fugir umas três vezes, isso porque toda a vez que Naruto se aproximava, mesmo sem perceber, o gato ficava alarmado e tentava fugir. Achei que a dona devesse maltrata-lo para que ficasse dessa forma, não tinha outra explicação. Senti pena do pobre gatinho que terá que voltar para a mulher. Não era justo com ele.

— Hum…tomara que essa mulher leve esse gato para longe e nunca mais volte! — Naruto disse irritado.

— N-Naruto não seja tão malvado assim — falei me colocando na defensiva pelo pobre Tora.

O loiro apenas bufou e cruzou os braços. Tora estava mais calmo agora, qual será sua reação ao voltar para sua dona? Fiquei curiosa. Pensando um pouco, por mais que fosse divertido caçar um gato, eu não podia negar que estava um pouquinho frustrada, só um pouquinho. Tipo, nós deveríamos ter feito alguma missão importante para ganhar experiência, tudo bem que temos que começar da maneira mais simples, só que se não tentarmos, nunca saberemos como é ser um ninja de verdade. Eu meio que me sentia inútil fazendo essas missões, mais inútil do que normalmente sou. Estou me esforçando para melhorar, sério. Se ao menos eu pudesse olhar o diário de meu pai — sim, ele tinha um —. Eu saberia as suas técnicas de batalha e seus Jutsus preferidos, mas mamãe não me deixava nem chegar perto dele, ficava numa caixa em cima de seu guarda-roupas. Quando eu pedi para ver, ela apenas disse que não, e que meu pai não gostaria que eu ficasse xeretando as coisas dele, mas eu discordo. Não acho que meu pai era como ela, pelo menos acho. Pensando nisso, como será que meu pai conheceu a mamãe? Nunca tive coragem de perguntar isso a ela, afinal, eu não era muito de falar sobre o meu pai, com medo de reabrir antigas feridas.


Notei uma certa aproximação de Sakura.

— Então. …como tá o gato? — ela perguntou um pouco embaraçada. Franzi o cenho confusa, mas tentei sorrir.

— Bem, eu acho — ela assentiu e voltou para o lado de Sasuke. Tinha algo estranho na Sakura. Desde o teste dos sinos, ela não me xingou, nem gritou comigo, nem mesmo deu uma indireta. Algo estava errado. Até mesmo me deu bom dia! Eu estava começando a me preocupar com ela, embora ainda esteja dando em cima do Sasuke e batendo no Naruto, seu comportamento comigo mudou.


Logo já estávamos em frente ao prédio Hokage. Naruto saiu correndo na nossa frente alegando que tínhamos que nos livrar do gato o mais rápido possível, achei isso uma maldade. Então começamos a subir a longa escada espiral ao redor do lugar. Confesso que aquela escada me assustava um pouco, era alta e perigosa, e eu nunca fui muito fã de altura. Podia ouvir algumas lamentações vindas de dentro do prédio, uma voz grossa e embargada que chegava a ser um pouco difícil de se entender o que ela falava, essa deve ser a voz da dona. Senti as garras do gato em meu braço. Realmente, ele queria fugir só de ouvir a voz dela. Mordi os lábios sentindo as unhas afiadas se afundarem na minha pele. Eu não posso nem pensar em solta-lo, tivemos que procurar ele por toda a vila. Não posso fracassar em uma missão como essa! Naruto entraria em pânico se tivéssemos que procurar de novo.


A medida que nos aproximamos da entrada, mais a dor aumentava.

— Esta tudo bem Emi? — Kakashi perguntou. Não, não mesmo!

— E-ele… ta me arranhando — ele suspirou. Aquela missão deveria estar sendo um tédio para ele. Kakashi se aproximou e tirou o gato dos meus braços. Tenho certeza que meu lábios quase sangraram de tão forte que mordi quando senti as unhas sendo bruscamente retiradas da minha pele.

— Nossa! Isso tá feio! Deveria passar alguma pomada — Sakura disse apontando para o meu braço. Tinha várias marcas vermelhas. Puxei a manga do suéter para tampar.

— Esta tudo bem — falei.

Então entramos. Agora as vozes estão mais altas, olhei para Kakashi com o gato. Como é que com ele o bicho fica quieto? Incrível. Acho que até os animais devem ter medo dele. Enfim, para chegar à sala do Hokage tem que se dobrar uns dois corredores e ainda contando com o tempo que tivemos que esperar até que finalmente pudéssemos entrar. Sério, era extremamente desconfortável ficar com um Naruto bufando e uma Sakura dando em cima do Sasuke, fico me perguntando aonde Iruka-sensei estava com a cabeça ao formar este time? Naruto e Sasuke são rivais e Sakura, bom, é a Sakura. E tem a mim, inútil. Sasuke e Naruto podem até conseguir conviver um com o outro, mas duvido que um dia cheguem a ser bons amigos.


Mal entramos na sala e uma mulher grande veio correndo e praticamente tomou o pobre Tora em um abraço de urso. Coitado, vi a expressão de sofrimento na sua face. O Hokage acenou fazendo gesto para nos aproximarmos. Iruka-sensei também estava lá.

— Agora sim esse gato está recebendo o que merece! — Naruto disse sorrindo.

— Não me admira que tenha fugido — falou Sakura. Concordei.

— Espero que consiga fugir de novo — murmurei. E para bem longe de sua dona.


A mulher pagou pela missão e saiu com Tora jogado no ombro. Me senti mal por ele.

— Ok time 7, sua próxima missão é... vejamos, — tomara que seja algo bom, tomara que seja algo bom — fazer compras para um cliente, ficar de babá para o neto de um idoso — epa! Essa eu faria, eu amo crianças — ajudar uma senhora a colher batatas e…..

— NÃO! Eu quero algo legal! Não essas missões bobas! — Naruto gritou cruzando os braços em um X. Suspirei. Ele até que tem um pouco de razão.

— Seu idiota! — gritou Iruka-sensei — Vocês são apenas Genins! Tem que começar com missões simples!

Um reflexo de sempre. Naruto e Iruka-sensei discutindo aos gritos.

— Mas… mas… como colher batatas vai nos ajudar a ser bons ninjas? — Naruto disse indignado. Então Kakashi lhe deu um cascudo que deve ter chacoalhado o cérebro dele.

— Vai interromper de novo?

O Hokage começou um discurso sobre como as missões eram divididas entre Genins, Chunins e Jounins. Porém Naruto não parecia prestar atenção em nada do que ele dizia, só ficava falando sobre os lamens.

— Ontem eu comi um tradicional e hoje. … acho que vou comer um de porco! Você quer vir Emi? — ele disse animado. Pensei bem.

— Hum… não sei Naruto.

— NARUTO! — gritou o Hokage. Senti meu rosto esquentar. Que falta de modos a minha!

Naruto bufou. Mas dessa vez estava diferente.

— Hum… você só sabe dar aulas! Quer saber, eu não sou mais aquele moleque irritante!

Sorri. Ele estava crescendo. Isso era bom.

O Hokage riu.

— Então, você já não é mais um moleque não é? Pois bem, vou lhes dar uma missão rank C. Irão escoltar uma pessoa.

O que?! Ele cedeu!

— SÉRIO?! — ele gritou — Quem? Um senhor feudal? Uma princesa?

— Não seja tão apressado. Vou apresenta-lo à vocês. Entre!

E então apareceu um senhor de idade com uma toalha nos ombros. Ele estava com uma garrafa de sakê nas mãos. Aparentemente estava bêbado. O senhor fez uma careta estranha ao nos ver. Inconsciente de meus atos e assustada com a atitude do velho, dei uns passos para trás me afastando um pouco da equipe.

— O que é isso? Um bando de pirralhos catarrentos para me proteger? — ele ofendeu — E o baixinho com cara de idiota? Acha mesmo que eu vou acreditar que você é um ninja?

Provavelmente ele estava falando de Naruto.

— Hey! Quem é o baixinho com cara de idiota? — disse Naruto irritado. Então Sakura e Sasuke ficaram do seu lado provando que ele realmente era baixinho. Sasuke era o mais alto e em seguida Sakura. Eu devia ter a mesma altura dela — Eu vou acabar com você!

Naruto foi pra cima do velho, mas foi impedido por Kakashi, que segurou a gola de seu casaco.

— Não pode acabar com o cliente Naruto — eu ri daquela cena. Foi impossível evitar.

— Eu sou Tazuna, o construtor de pontes, e espero que vocês me protejam acima de tudo. Mesmo que custe sua própria vida — o senhor, Tazuna, disse.

— Esse cara está bêbado! — Naruto exclamou.

— A ponte de Tazuna é muito importante para o País das Ondas. Devem ir agora, a viagem é. …..

— Emi!

Congelei no lugar. Conhecia aquela voz que parecia muito irritada nesse momento. Tudo o que eu menos queria era me encontrar com ela agora. Me virei vendo ela vindo em passos rápidos na minha direção, seu semblante era de pura raiva. Senti meu coração acelerar.

— Mamãe, eu. ..

Não pude terminar a frase. Devido a forte dor no lado direito de meu rosto. Ela havia me batido, na frente da minha equipe, na frente do Hokage, na frente do Kakashi. Tive que repetir isso mentalmente milhares de vezes, eu não queria acreditar, não podia ser…


Senti o gosto metálico na boca, aquilo não foi um tapa, foi um murro. A dor era lancinante. Foi tão forte que me fez desequilibrar e cair. Naquela hora, agradeci por meus cabelos caírem no rosto formando uma cortina, assim não podia ver ninguém e esperava que ninguém pudesse me ver. Por Kami! Aquilo doía muito!

— Como pode sair assim sem me avisar! Acha que pode fazer o que quiser só porque virou ninja garota?! — fiquei calada no chão, apenas ouvindo suas acusações contra mim. Não tinha coragem de levantar a cabeça e encarar meus colegas. Eu havia esquecido de avisa-la que faria missão hoje. Como? Eu falhei novamente. Senti a primeira lágrima rolar por minha bochecha seguida por várias outras.

— Senhora Arai! O que pensa que está fazendo? Isso não é jeito de…. — o Hokage se manifestou, porém, foi interrompido.

— Escute aqui, cuide de sua vila que dá minha filha cuido eu!

Senti suas mãos me puxando para cima fortemente, me fazendo levantar. Mantive minha cabeça baixa evitando o olhar dos outros. Minha sorte foi que mamãe me puxou rapidamente para fora da sala e senti um alívio por isso, não estava mais na presença deles, não tinham que ver isso.

Durante o caminho, mamãe não deu nenhum pio, apenas me puxava fortemente pela camisa. Eu não conseguia segurar as lágrimas. Sentia meu rosto latejando. As pessoas olhavam para nós de maneira estranha. Eu só conseguia pensar na vergonha que sentia, de mim mesma. Não vou mais conseguir encarar meus colegas. E a missão? Já era pra mim?

Quando chegamos em casa, eu não podia conter a tremedeira de medo.

— M-mamãe….d-desculpa ..

— Calada! — ela gritou enquanto andava de um lado para o outro. Eu nunca tinha a visto tão nervosa. Tudo por causa de mais um erro meu. Mamãe passou por mim me empurrando com tanta força que cai no chão. — Eu não consigo entender, ser uma boa Kunoichi é tudo o que mais desejou na vida! Agora você simplesmente se torna uma rebelde como todos esses seus amiguinhos!

Engoli seco. O que eu poderia dizer?

— Mamãe, m-me perdoa, foi um erro. Nunca mais vai se repetir, eu juro! — ela sorriu com descrença.

— Não Emi, você está se tornando uma deles. Você mesma está jogando sua vida fora — ela não sabia o quanto palavras machucavam — Você mesma desonra seu pai.

Respirei fundo. Eu só poderia estar ficando maluca.

— SÓ PORQUE EU ESQUECI DE TE AVISAR SOBRE A MISSÃO?! — gritei — Eu não vou jogar minha vida no lixo! — sim. Eu enlouqueci completamente. Eu gritei com ela, mas não pude segurar.

— Va para o seu quarto agora — ela disse lentamente cuspindo ódio em suas palavras. Eu sei o que ela quer. Quer me prender lá. Eu não posso. .. abandonar a missão, abandonar meus companheiros.

— Mãe por favor, eu tenho uma missão hoje — disse me levantando.

— Que missão?

— U-uma missão de escolta. V-vamos escoltar um senhor até o… o País das Ondas.

Eu tenho que ir. Tenho que achar um jeito dela deixar eu ir. Eu sei que terei que encarar Naruto, Sasuke, Sakura e Kakashi de novo, mas não posso fugir. Não agora. Todas aquelas lágrimas derramadas no teste não podem ser em vão. Prometi que orgulharia meu pai, e farei de tudo para cumprir essa promessa.

— Você não vai — ela respondeu andando até a escada.

— Mamãe, por favor, a senhora não entende. — ela se virou para me encarar — Eu fiz uma promessa. Prometi em frente ao memorial que orgulharia meu pai acima de tudo, por isso não posso fugir.

— Você já está quebrando essa promessa. Suba para o seu quarto já!

— Não. Papai defendeu uma aldeia inteira! — ela suspirou — E eu aposto que ele não precisou se isolar do mundo e ser perfeito para isso.

Murmurei a última parte, mas sei que ela ouviu.

— Você é como ele. Doce e gentil, mais ao mesmo tempo, insolente e corajosa. Esse lado que eu nunca vou entender — eu nunca havia parado para me comparar ao meu pai, mas se minha própria mãe dizia que eu parecia com ele, eu acredito.

— Mamãe. …

— Vá para sua missão. A responsabilidade é sua — ela diz e sobe para o segundo andar.

Sinceramente eu não sei se fico feliz ou não. Quer dizer, eu consegui ir para a missão, mas quando ela disse “a responsabilidade é sua”, eu me senti meio abandonada. Será que isso era normal? Eu sempre dependi de mamãe para tudo. Contudo, balancei a cabeça tentando me livrar desses pensamentos e subi as escadas. Nem lembrei do ruído do chão, apenas corri para o meu quarto e enfiei na mochila tudo que achava que tinha que levar. Me olhei no espelho tomando um susto.


Tinha uma marca roxa enorme no meu rosto, ia do fim da minha sobrancelha direita até a maçã do rosto. Suspirei, isso dificulta muito as coisas. Joguei o cabelo um pouco de lado tentando cobrir um pouco a marca, não era totalmente eficaz, mas disfarçou um pouco. Peguei a bolsa de kunais e sai em disparada para fora do quarto. Quase cai a escada correndo daquele jeito, mas tinha que ser, eu devia estar mais atrasada que o Kakashi. Tinha medo de que eles já tivessem ido e me esquecido aqui, mas torço pra que não.

Corri pelas ruas de Konoha que nem um furacão. Estava tentando não pensar em tudo o que aconteceu, fazendo de tudo para a pagar aquilo da minha mente, porém era impossível, a cada metro à menos de distância do portão da vila, as lembranças martelava minha cabeça. As palavras que mamãe me disse agora pesavam em minha consciência. “Você é como seu pai”, não consigo pensar em mais nada, eu me sinto muito mal por ela. Aquele mal estar misturado com a culpa, era terrível, tive vontade de voltar para casa, mas isso não vai acontecer. Nem a pior das dores vai me fazer voltar atrás. Eu enfrentei minha mãe, mas não me orgulho disso, terei que pedir desculpas quando voltar.

Avisto o portão à alguns metros e já dá pra ver o casaco laranja brilhante do loiro. Tenho que achar um jeito de driblar as perguntas deles. Tudo o que importa agora é a missão. Apenas isso.

— Emi! — Sakura exclamou assim que me viu. Agora sim todos me notaram. Kakashi não estava ali ainda. Pelo menos isso.

— O-oi.

— V-você ta bem? — Naruto perguntou meio desajeitado. Ai Kami! Eu só quero enfiar a minha cabeça em um buraco.

— Estou si-sim — desviei o olhar.

— Eu achei. …que você não vinha mais — Sakura falou.

— E-eu também — murmurei sem pensar. Senti um toque em meu rosto. Era Naruto, ele afastou meu cabelo e viu a mancha.

— Nossa Emi! Isso ta feio! — Sakura deu um soco nele. Coitado, não era culpa dele.

— NARUTOO!

— Aquela era a sua mãe? — Sasuke perguntou. Suspirei.

— Era — então ficou um clima meio tenso entre nós, reparei que o senhor Tazuna estava parado um pouco mais à frente de nós — Então…. ca-cadê o Kakashi-sensei?

— Hum! Onde você acha? Esta atrasado de novo! Eu aposto que ele faz de propósito! — Sakura disse irritada. Tentando ocupar minha mente, comecei a pensar em por que o Kakashi se atrasa. Será que ele não tem nenhum relógio em casa? Não, ele tem o despertador que usou no teste dos sinos. Talvez ele se perdesse muito no caminho da vida, sei lá. Enfim ficamos esperando por uns dez minutos até que o abençoado aparecer.

— Oi!

— VOCÊ ESTA ATRASADO! — Sakura e Naruto gritaram juntos. E lá vamos nós. Me virei de costas para ele.

Vou disfarçar, talvez ele não me viu.

— Tudo bem com você Emi?

Poxa! Quando eu quero ser invisível não dá né?

— T-tudo sensei — me virei tentando sorrir. Fracasso total. Eu não conseguia ler a sua expressão, era enigmático. Só ficava me fitando intensamente. Desviei o olhar sentindo a familiar queimação nas bochechas. Fomos interrompidos por Naruto que, a mando de Kami, resolveu fazer algo.

— É isso aí! Vamos nessa! — ele gritou.

— Por que você está tão animado assim? — Sakura perguntou. Naruto se virou com um sorriso.

— Por que eu nunca sai da vila antes. É! Agora sou um viajante!

O senhor Tazuna bufou.

— Ah devo confiar a minha vida à esse debiloide? Ele é uma piada! — eu preferiria que ele não caçoasse do Naruto, só vai arranjar mais confusão.

— Não se preocupe. Ele está comigo e eu sou um Jounin — Kakashi disse tentando amenizar a situação.

— Ei! Escuta aqui, eu sou um ninja incrível! E um dia eu vou virar um grande Hokage e todo mundo vai me respeitar! Inclusive você!

— Um Hokage é sábio e poderoso, você é um debiloide fraco! — ele continuou — No dia em que você se tornar Hokage, eu vou bater asas e voar.

Ok, foi a gota d'água pro Naruto. Ele tentou atacar o senhor Tazuna de novo. Mas foi segurado por Kakashi, de novo, vale ressaltar.

— Não pode acabar com o cliente Naruto, não é assim que funciona.
Depois que o loiro se acalmou, só aí, começamos a missão. Estávamos andando tranquilamente. Não sei porque, mas eu estava com um pressentimento ruim, como se algo terrível estivesse pra acontecer e não conseguia controlar uma torrente de ansiedade. Olhava para os lados a cada dez segundos tendo uma sensação de que estávamos sendo seguidos, nisso mal prestei atenção a explicação de Kakashi das cinco grandes nações ninja. Mas lembro que começou com alguma pergunta de Sakura. Enfim, respirei fundo diversas vezes na tentativa de acalmar o coração, enquanto tentava me convencer de que essa ansiedade foi causada pelo fato de ser a primeira vez que eu saia da vila e que talvez estivesse sofrendo estresse pós-traumático depois daquele episódio no escritório do Hokage. É só por isso, só por isso, só por….

De repente senti duas mãos me segurando pelos braços e vi minha situação: estava tão ocupada me convencendo que quase cai da pequena ponte na qual atravessávamos.

— Toma cuidado — Sasuke disse. Ele havia me salvado de tomar um banho no pequeno rio.

— O-obrigada Sasuke — falei me afastando. Aff! Bochechas queimando de novo. Me recompus e recomecei a caminhada, sinceramente não sei se essa missão era exatamente o que queríamos. Escoltar uma pessoa para outro lugar é legal, mas… . não há muitos perigos. Se tiver complicações, serão no máximo ladrões ou algo do tipo, e nem sei se isso é uma complicação para um ninja. Ainda sim, tento evitar pensar nisso. Só a possibilidade de termos um combate no meio do caminho me deixa aflita.

Ai Kami! Tenho que prestar atenção no caminho! Por que será que eu fico me perdendo em pensamentos?! E por falar em prestar atenção, por que tem uma poça de água no chão? Quer dizer, não chove a semanas. Isso é bem estranho.

— Hey! Emi você tá bem? — ouvi Naruto perguntar. Ai não! Me perdi de novo. Estava parada à alguns centímetros da estranha poça.

— Tô... e-eu só. … estou bem — falei toda embolada me apressando para alcança-los. Devem achar que estou louca!

— Hum. .. não sei não, acho que aquele tapa mexeu com seu cérebro — o senhor Tazuna disse. Abaixei a cabeça envergonhada.

— Ora seu velho! — Naruto gritou.

De repente ouvi o som de correntes sendo arrastadas. Quando olhei para trás, senti meu coração disparar. Havia dois ninjas vindo na nossa direção. Jogaram uma espécie de corrente em volta de Kakashi, que parecia surpreso demais para reagir. Senti espasmos no corpo, o coração martelando o peito e podia ouvir o sangue bombeando. Meu Kami! Eu precisava fazer algo! Eu tinha que fazer algo! Mas estava completamente paralisada. Então os ninjas puxaram a corrente. …. NÃO!


O mundo parou. Tudo ao meu redor estava em câmera lenta. Eu não acredito…. o Kakashi não. Não pode ser! Ouvi o grito de Naruto que estava de meu lado e pareci voltar a realidade. Senti meus olhos arderem com as lágrimas já formadas. Mal pude entender, só olhei para trás e os ninjas estavam atrás de nós.

— Agora é a vez de vocês! — um deles gritou. Vão nos matar! Eu não posso deixar que machuquem Naruto!


Me coloquei na frente dele esperando o golpe, mas ele não veio. Sasuke jogou uma shuriken nas correntes as prendendo na árvore. Depois jogou uma kunai por cima e pulou em cima dos braços dos dois ninjas, os chutando logo em seguida. Mas aquilo não foi o suficiente, eles se soltaram. Um correu para atacar o senhor Tazuna e o outro veio em nossa direção. Me mantive na frente de Naruto. Sakura se colocou na frente de Tazuna e Sasuke na frente dela. O ninja que vinha em nossa direção jogou as garras para cima de nós. Empurrei Naruto para o chão para tentar desviar, mas senti um corte no braço. Quando o ninja veio novamente em nossa direção…. O que?! O que está acontecendo afinal?!

Notas finais
Muito obrigada a quem esta lendo! os comentários que estou recebendo me instigam a continuar, então obrigada mesmo! Então, até o próximo!