Breathless
14 Fourteen
Notas iniciais
*Naquela noite, na minha casa*
Eu e Matt estavamos na frente da minha casa, ele havia vindo me trazer até em casa, Mayumi preferiu ficar na casa do Kurt e de lá, ela iria para a sua casa. Eu estava um pouco nervoso, geralmente quando um casal vai na casa do outro e eles estão conversando... sempre acontece algo... bom... vocês sabem...
— Lucas, oque foi? — Matt me perguntou enquanto acariciava minha face.
— N-nada... — respondi.
— Você tem certeza? — ele perguntou.
— Tenho...
— Ok, então... eu vou embora... — ele disse e me deu um beijo.
— Dirija com cuidado. — eu disse enquanto acenava. Droga, esse era o melhor que eu podia fazer? Dirija com cuidado, da onde eu tirei isso, meu Deus?!
— Obrigado por se preocupar com a minha segurança. — ele disse e me puxou para um forte e caloroso abraço, naquele momento meu coração parou e mais uma vez eu senti minhas bochechas queimarem. Ele se afastou lentamente e foi em direção ao seu carro, mas quando eu o vi dando a partida eu perguntei:
— Matt, você quer entrar?
Ele sorriu. — Você quer que eu entre?
— Mas é claro.
— Está bem. — ele disse e saiu do veiculo.
Matt entrou e se sentou no sofá, fiquei apavorado, eu não sabia oque dizer ou fazer. Então ele fez um gesto para que eu sentasse ao seu lado, eu o fiz. De repente percebi que o clima estava totalmente tenso, mas Matt o quebrou quando deu uma leve risada.
— Do que você está rindo? — perguntei um pouco irritado.
— Você é tão tímido.
— O-Oque?!
Sem mais nem menos ele simplesmente me beijou. Eu o puxei para mais perto de mim, então ele me deitou no sofá e colocou seu corpo sob o meu, ele estava se esforçando para não deixar todo seu peso sob mim, então ele nos inverteu. Ele se deitou no sofá e eu fiquei em cima dele. Matt deu leves mordidas em meu pescoço, eu me lembrei do dia em que estavamos no banheiro e não podemos continuar aquilo, mas dessa vez... não estavamos no banheiro do colégio. E eu estava nervoso, nunca havia feito sexo com ninguém, nunca havia me masturbado, era tão estranho...
— Matt... eu... me desculpe... — eu disse enquanto me afastava um pouco dele. Eu não estava pronto para fazer algo daquele tipo, me senti envergonhado por recuar naquele momento tão importante, mas eu simplesmente... não estava pronto para aquilo. Eu me sentei no sofá e Matt se sentou ao meu lado, eu nem conseguia olha-lo nos olhos. Comecei a pensar em todos os rapazes que ele já devia ter transado, me senti como se eu fosse o único que não tivesse feito isso... que sensação horrivel.
— Ei... — ele disse me dando um beijo. — Por que está triste? — ele perguntou.
— Você deve me achar um medroso.
— Por que eu acharia isso? — ele perguntou parecendo confuso.
— Ué, porque eu não quis...
— ... Por que você não quis transar comigo? Lucas, eu não estou apenas afim de transar com você, talvez antes eu quisesse apenas isso. Mas agora... eu quero que isso realmente de certo, eu não vou te forçar a fazer nada que você não queira, eu acho ridículo isso. Eu te amo e vou esperar o tempo que for... até que você se sinta preparado, e quando você estiver... eu prometo que será perfeito. — ele acariciou minha face e e mexeu nas pontas do meu cabelo. Ele sorriu e me fez sorrir também, aquele era um lado dele que eu nunca havia visto, um lado romântico sem segundas intenções.
— Mas... e as outras garotas e garotos com quem você já... transou?
— Isso ficou no passado, Lucas. — ele disse. — Eu te amo.
Ao ouvir aquilo, eu o beijei. Eu estava tão feliz, que se eu morresse naquele momento, eu teria certeza de que morreria feliz. Talvez o Matt fosse a pessoa com quem eu gostaria de passar o resto da minha vida, eu sentia que apesar de tudo ele me amava e eu o amava também. É, com toda a certeza... eu o amava profundamente e depois daquele dia... eu sabia que ele era a pessoa certa para mim. Era ele, sempre fora e sempre seria.
*Algumas horas depois*
O tempo passou tão rápido enquanto eu estava com o Matt, por que coisas boas sempre acabavam tão rápido? Já eram onze e quarenta e cinco, ele já devia ter ido embora. Porém, eu teria que dormir sozinho aquela noite, estava um pouco assustado para dizer a verdade. O Matt foi até a porta e se despediu de mim:
— Então... eu já vou indo. — ele disse.
— Matt... eu estava pensando... você poderia dormir aqui hoje? — perguntei.
— É sério? Nossa, eu vou adorar! — ele disse. — Mas vou ter que passar em casa para pegar algumas coisas, tudo bem? — ele disse.
— Ah, sim. — respondi. — Mas prometa que vai voltar.
— Ué, você não quer ir comigo? — ele perguntou.
— Você quer que eu vá? — perguntei sorrindo.
— Mas é claro. — respondeu.
— Então vamos. — eu disse.
Nós entramos no carro do Matt e ele começou a dirigir em direção a sua casa. Demorou um pouco, a casa dele era bem longe. Ficamos um pouco sem assunto no caminho, mas estava tudo bem. Quando finalmente chegamos na casa do Matt eu fiquei impressionado com o tamanho da casa dele, era enorme.
— Vamos?
— Sim. — respondi.
Saimos do carro e entramos na casa enorme, os pais dele pareciam desesperados. Afinal, Matt não havia passado em casa desde a noite passada, mas ele pareceu não ligar para a preocupação dos pais. Ele simplesmente sorriu para eles.
— Filho, onde você esteve? — perguntou a mãe dele.
— Você quase me matou de preocupação. — disse o pai.
— Eu estava na casa do Kurt, a bateria do meu celular descarregou, o celular do Kurt estava sem crédito, o celular da casa dele estava quebrado e o pneu do meu carro estava murcho. — ele explicou aos pais.
— Ah, filho... oque importa é que você está bem, afinal. — disse a mãe dele dando um suspiro aliviada.
— É verdade. — concordou o pai.
— Mas... quem é seu amigo? — perguntou a mãe dele sorrindo em minha direção. — Ele é uma graça. — comentou.
— Esse é meu namorado, o Lucas. — respondeu Matt.
Eu fiquei totalmente corado, aquele era o Matt safado que eu conhecia. — Matt! — exclamei dando-lhe um tapa na barriga. — Não fale besteiras. — acrescentei.
— Ah, você não sabe oque esse menino apronta, Lucas. — disse a mãe dele me puxando em direção ao sofá. — Você acabou de achar um grande problema para cuidar. — ela disse rindo.
— É verdade, ele vive se metendo em confusões... — disse o pai sentando-se ao meu lado. — Sempre está com alguém. — ele continuou.
— M-Mas... eu e ele... não...
— Não precisa ficar assim, Lucas... — disse a mãe dele. — Nós sabemos que o Matt gosta de meninos...
— Mas... eu... ele...
Droga, os pais dele eram mais loucos que ele. E agora como eu iria explicar que eu não estava namorando com o Matt, ou ... estava? Ai, concordo com os pais dele... o Matt era um problemão.
— Lucas, vamos... — ele disse enquanto descia as escadas. — Já peguei minhas coisas. — ele carregava uma mochila e um saco de balas. — Tchau mãe, tchau pai. — ele disse enquanto pegava em minha mão e me arrastava para fora de sua casa em direção ao seu carro.
De volta para casa e o silêncio permaneceu, por que tudo aquilo era tão difícil? Era tão confuso apesar de fácil. Os pais do Matt sabiam que ele era gay e aceitavam na boa, falavam mal do filho e ainda achavam graça... que tipo de família era aquela?
Chegamos em minha casa finalmente. Entramos para dentro e trancamos as portas, já estava tarde e eu estava com um pouco de sono, arrumei alguns colchões na sala e nós resolvemos dormir ali mesmo. Matt me cobriu com um lençól e me abraçou.
— Boa noite, meu amor. — ele disse me dando um leve beijo no rosto.
— Boa noite, Matt. — eu disse e fechei os olhos, rapidamente cai em um sono profundo. Aquele dia havia sido estranho e perfeito, eu estava muito feliz, essa era a verdade.
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