Breaking day
1 Feliz dezesseis anos !
Notas iniciais
Já eram 3:00 horas da manhã , mas eu não conseguia dormir , com aquilo ainda acontecendo. Desde umas semanas para cá , a dor que sinto nas minhas costas veio se tornando muito mais frequente do que o normal .
Mas o pior era quando chegava meia-noite , não era mais uma simples dor , era algo que ficava pressionando meus músculos de dentro para fora , como se tivesse uma coisa querendo sair a todo custo e consequentemente rasgando a minha carne, causando uma dor alucinante , que me fazia ficar tonta e febril , que me dava vontade de gritar . E quando essa hora estava para chegar , eu preparava o máximo que podia o meu psicológico , mas eu nunca me acostumava.
A dor finalmente estava cessando . Senti meus músculos voltarem a estar um pouco mais perto e a tonteira parando , meu corpo voltando ao normal. Isso sempre era um grande alívio. Virei de bruço e tentei dormi , o que não foi difícil para alguém que ficou se contorcendo de dor por três horas.
Acordei com o barulho estridente do despertador do meu celular , que estava debaixo do travesseiro. Eram 6:30 , já estava na hora de me arrumar .
Me levantei e fiquei de frente para a janela que havia em cima da cômoda . Afastei a cortina e vi o céu ainda cinzento se tornando um azul limpo , o sol nascendo tímido no horizonte , observei a rua da vila que eu morava , algumas das casinhas que havia ali já tinham as luzes acessas , as árvores que tinha por toda a volta balançavam com a brisa leve que passava. O dia prometia ser bonito , mas eu tinha certeza que estava frio , afinal , moro no Canadá . Me afastei e virei para observar o meu quarto.Era pequeno , mas cabia o que eu precisava .As paredes eram azul claro e o piso era de madeira . A cama de solteiro ficava encostada na parede e do lado tinha a minha cômoda branca com a janela logo acima fechada por uma cortina da mesma cor. A frente da cama tinha a minha estante de livros e , ao lado , a minha mesa de estudos com meu computador e vários papéis em cima e uma cadeira logo a frente com a mochila em cima. Bem no meio do chão do quarto tinha um alçapão que dava direto a sala de casa.
Peguei uma roupa de frio minha mochila e meu celular , que coloquei na cintura , e fui para o cento do quarto . Coloquei as coisas no chão e me ajoelhei para abrir o alçapão com cuidado . Depois de aberto eu joguei as coisas pelo buraco e desci as escadas que davam acesso a sala , que tinha as paredes brancas e os mesmos pisos de madeira do meu quarto . Havia um sofá marrom de três lugares no meio do cômodo virado para uma televisão , que tinha em baixo uma lareira.
Peguei a minha roupa e me dirigi ao banheiro . Fechei a porta e me observei no espelho . Meu cabelo ruivo e liso ia até a cintura , meu olhos castanhos médios expressavam uma vividez que não combinava muito com o rosto sério que me fitava com intensidade . Não era muito magra , mas tinha um corpo bom , eu acho .As únicas coisas que me irritavam era a falta de sardas e as marcas longas e vibrantes roxas que habitavam as minhas costas , mas eu convivia com isso.
Depois de ter me arrumado fui para a cozinha e me encostei na parede de entrada e a observei . Como sempre , minha avó já estava acordada , sentada na mesa fazendo palavra cruzada e bebericando sua xícara de café. Ela era linda , tinha um cabelo moreno curto que quase não dava para ver , por causa dos fios brancos da velhice , seus olhos eram os castanhos escuros mais amigáveis que eu já vi. Era robusta e tinha a pele amarelada . Pelo que ela me disse , eu sou a única ruiva da família.
– Bom dia , dona Amélia. — digo naturalmente.
– Bom dia ! — diz ela em um tom alegre e levantando seu rosto , que tinha um óculos de armadura rosa claro que ela usava para ler , bondoso com um ar de riso . Ela nunca se esquecia. — Feliz 16 anos , Melly ! — disse calmamente.
Ela se levantou e me deu um abraço bem apertado, não pude conter um sorriso enorme nessa hora , e devolvi o abraço de boa vontade.
Quando ela se afastou olhei em seus olhos e pude perceber um tom de tristeza e preocupação.
– O que foi vó ? — pergunto preocupada
– Nada...nada... -diz ela fazendo um gesto com as com como se dissesse "deixe para lá " — e as dores nas costas ?
Eu tinha essas dores desde que me entendo por gente , mas eram raras e fracas, só contei sobre ela para minha avó quando elas ficaram mais fortes e mais frequentes . Quando eu perguntei porque ela não me levava ao médico ela me disse que era uma problema raro que eu adquiri durante a formação , do qual ela já sabia que eu tinha desde que eu nasci , e pediu para eu não comentar isso com ninguém , pois podiam dar risada de mim . Até os meus dez anos ela dormia comigo , mas depois disse que eu teria que aprender aguentar a dor sozinha , pois já estava grande demais.
– Ontem estava um pouco mais forte que o normal . Mas eu aguentei . — completei rapidamente para deixa-la mais tranquila. Ela assentiu com a cabeça , mas mesmo assim ela pareceu não se tranquilizar .
– Bem , sente-se e tome café , fiz seu preferido , waffles com mel , e para beber... limonada .
Depois de comer com os olhos o prato de waffles cheios de mel em cima da mesa , ataquei o café da manhã.
Quando já estava saindo ela me puxou para perto e falou que eu podia faltar aula , mas eu falei que não , pois não queria perder matéria.
Já estava chegando na escola quando penso em como seria legal se eu tivesse amigos , eu não era solitária , ok ? Mas é que eu era calada , então me achavam estranha , mas é que eu não me sentia bem ali , na verdade em nenhum lugar sem ser ao lado da minha avó. Deixei esses pensamentos de lado e me dirigi a entrada da escola com o pensamento de que hoje seria legal , minha avó faria um bolo , delicioso , e uma panela de brigadeiro e nos divertiríamos .
Os tempos de aula passaram rápidos , e quando chegou a hora do intervalo me sentei na grama do campus , esse era o 17 de julho mais lindo que eu já tinha visto , tudo estava mais colorido e vivo , o céu era o mais limpo do ano até agora . Quando chegou a hora de voltar para a classe , me senti meio mal deixando aquela paisagem natural , para voltar as quatro paredes da sala.
Cheguei em casa e estava tudo como eu imaginava . Na nossa cozinha minha avó tinha colocado uma toalha branca rendada na mesa e em cima estava o seu delicioso bolo . Ela estava atrás da mesa com uma panela de brigadeiro nas mãos.
– Vamos ao ataque ! — falou ela balançando a panela em suas mãos , soltei uma risada e fui até ela dando-lhe um abraço bem forte.
– Eu te adoro — sussurrei
– Eu também te adoro — sussurrou de volta
Minha avó me criou desde sempre , ela me disse que meu pai e minha mãe se gostavam muito e apesar de morarem longe dela , eles sempre a visitavam . Mas teve um tempo que eles pararam de mandar notícias , e depois meu pai chegou comigo no colo e pediu para que ela cuidasse de mim , ela aceitou , depois disso nunca mais os viu... Sempre que eu perguntava o porque de eles me deixarem ela desconversava .
Ninguém da família da minha mãe estava vivo e a do meu pai o único membro que sobrou foi minha avó. Um dia a perguntei se eles estariam vivos , e ela me disse que meu pai sempre cuidaria da minha mãe , não entendi muito bem , mas preferi ficar calada.
Depois de muita conversa , comida e xadrez , eu olhei para a janela e vi que já estava escuro demais , eu não dormia cedo , estava mesmo era preocupada com uma certa velhinha.
– Vó , está tarde , é melhor você ir dormir — disse tentando ao máximo ser carinhosa.
– Melly , não se preocupe — disse séria
– Dona Amélia , você já é uma senhora de idade , não pode ficar abusando ! — disse estressada
Ela sabia que não adiantava muito discutir comigo quando a questão era a saúde dela.
– Tudo bem — disse em tom de derrota — , mas dormi comigo ?
– Claro , só deixa eu me trocar.
Antes de ir vestir o meu pijama , vi em seus olhos a mesma expressão de tristeza que tinha visto essa manhã.
Quando eu voltei ele estava de pé me esperando , segurei sua mão e a levei até o quarto , me acomodei de baixo das cobertas da cama de casal e a desejei boa noite.
Fitei o teto atentamente , e imaginei como teria sido a minha vida até agora com eles aqui...
Nunca procurei o paradeiro deles , pois eu sabia que tinha acontecido alguma coisa para me deixarem com a minha avó e desaparecerem , e também sabia que se eles um dia pudessem voltar , voltariam.
Até que eu percebi que a dor nas minhas costas , que já devia estar aqui desde meio dia , nem deu as caras . Estranhei muito mas decidi ir dormir.
Mas não era porque hoje era meu aniversário que ela me abandonaria . Quando estava meio sonolenta a dor veio . De repente e rápida sem nem começar fraca e depois aumentando . Ela veio com força total , sentia os músculos das minhas costas se separando de forma brutal e dolorosa fazendo com que berrasse de dor e me contorcesse violentamente.
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