Breaking The Habit

1 Mudança de pensamento.


Notas iniciais
Gente, os personagens dessa fiz são originais, vieram das profundezas da minha mente maligna xD' Mas enfim, se ler, não custa comentar e deixar a autora feliz

A julgar pelo barulho na rua e pelo pouco de luz, que adentravam na sala por pequenas brechas entre os pedaços de madeiras que lacravam a janela, podias-se dizer que eram quase duas e meia da tarde. A movimentação lá fora era grande e irritava profundamente a jovem.

Mas não adiantava ficar aqui reclamando, afinal isso não mataria sua fome. Tinha de arranjar algo para fazer até lá. Gostaria de voltar a dormir, mas aquelas buzinas e gritos não a deixariam pegar no sono novamente.

- Malditas escórias, nem mesmo tem a capacidade de ter uma sociedade organizada.

Resmungava baixo, enquanto dirigia-se ao banheiro lentamente. Estava fraca, afinal não se alimentava há três dias. Olhou-se no espelho, com certo desgosto. Sua pele estava ressecada e seus olhos eram contornados por fortes olheiras.

Tal imagem deixou-a mais furiosa ainda, não pensou duas vezes, levou o punho fechado ao espelho, a velocidade do movimento fez com que o mesmo quebrasse. Pequenos pedaços dele fincaram na mão da jovem, que olhava seu sangue escorrer lentamente por sua pele.

- Droga...

Disse ela, já se acalmando. Caminhou até a banheira, que já estava cheia, observou por mais algum tempo os ferimentos. Tirava a camiseta branca que usava e entrava na água.

Molhou a mão e retirou os cacos que causaram os cortes, o que os fazia sangrar mais ainda, mas em poucos segundos os cortes cicatrizaram. Era o lado “bom” de ser uma criatura das trevas.

Passou algumas horas deitada ali, sem pensar em nada, não para relaxar, mas sim porque não tinha algo que fosse realmente importante.

Suspirou, levantando-se e pegando uma toalha. Não tinha a mínima pressa, não precisava. Tinha toda a eternidade para seguir aquela rotina monótona, estava condenada a existir para sempre, sem um sentido ou razão, apenas para se alimentar. Era simplesmente terrível pensar em tudo aquilo, apesar de ser a realidade.

Já fazia tanto tempo que se esquecera o que era viver, que às vezes chegava a pensar que nasceu com aquele destino lastimável.

Mas logo imagens perturbadoras voltavam-lhe a memória, aqueles olhos vermelhos, sedentos por sangue, que a encarava fixamente. Pouco atrás daquela figura aterrorizante estavam seus pais, já mortos.

Cerrava os olhos, apertando a camiseta em sua mão.

-Por que...? Porque não me matou junto com eles...?

Sussurrava ao vento, enfurecida. Raiva foi o único sentimento mortal que restou a ela.

Assim que voltou de seus pensamentos, percebeu que já eram quase sete da noite, já estava na hora de se arrumar para ir atrás de uma presa.

Secou os cabelos e apenas jogou-os para traz, passou um batom vermelho, alem de realçar os olhos esverdeados passando sombra e lápis bem pretos.

Abriu um armário de madeira, aparentemente antigo, dele tirou uma calça preta bem justa e baixa, com algumas correntes de enfeite no lado direito, um tomara que caia vermelho, com uma fita preta trançada na frente e um casado jeans também preto. Não demorou a vestir as roupas, completou com uma sandália preta de salto.

Agora estava pronta, aquele tipo de traje realçava as curvas da jovem, que sem demora saiu de sua casa.

Pegou um taxi e foi a um clube, nos subúrbios da cidade em que vivia. Era um tipo de bar, bem movimentado, ótimo lugar para se conseguir um alvo. Apesar de haver uma grande concorrência, afinal, muitos de sua espécie iam até lá com o mesmo objetivo que ela.

Sorriu, entrando no local calmamente. E não devorava para ser notada. Percebeu a aproximação de um rapaz, ele era alto, com o cabelo castanho um pouco comprido e olhos castanho claro. Trajava uma calça jeans meio larga, uma camiseta branca e um casaco jeans bem escuro.

-Boa noite, senhorita. Gostaria de beber algo? Adoraria ter o prazer de sua companhia...

- O prazer é todo meu, senhor.

- Por favor, não me chame de senhor. Sou Nicolas, muito prazer.

Desse ele, fitando-a nos olhos, enquanto pegou a mão dela, dando um breve beijo na mesma. Há muito tempo não conhecia um humano que dispunha de tanta educação.

- Como já disse, o prazer é meu Nicolas. Chamo-me Lucyenni.

Após as devidas apresentações, os dois dirigiram-se para uma mesa bem próxima, onde ficaram conversando. A jovem notou que o rapaz que a acompanhava, chamou a atenção de outras vampiras, então decidiu sair do local, mas teria de convencê-lo a ir junto.

-Nicolas, aqui está muito agitado, seria inapropriado convidar-lhe para ir a um lugar mais calmo?

-Claro que não, essa movimentação de pessoas já estava me irritando também.

-Obrigada.

Ele se levantou primeiro e acompanhou a jovem até a saída. Caminharam até uma praça que havia ali perto, mas numa noite como aquela, ficava vazia.

Sentaram-se num banco e ficaram conversando, a jovem vampira estava com pena de fazê-lo sua vitima, algo naquele rapaz a atraia, de certo modo, estar com ele a fazia sentir-se humana de novo. Era algo inexplicável. Ele a fez repensar a imagem que tinha sobre Humanos, despertou uma grande curiosidade na jovem.

A noite estava maravilhosa, tanto que ela se esqueceu de sua fome. Mas algo lhe dizia que não iria continuar tão bem assim.

Já estavam conversando por horas, mas algo começou a incomodar a jovem, havia mais alguém ali. Já tinha sentido aquela presença varias vezes e isso a preocupava ainda mais.

Antes que acontecesse qualquer coisa com o rapaz, ela inventou uma desculpa, dizendo que teria que ir.

- Entendo, imaginava que uma jovem tão linda quando você teria mais o que fazer, além de jogar conversa fora.

- Não me entenda mal, tenho mesmo que ir, mas adoraria vê-lo novamente, seria possível?

-Seria uma honra!

Despediram-se com um abraço, o que era algo incomum para Lucyenni, afinal estava perto de mais, sentindo o cheiro do sangue do humano que a fascinou.

Ele entrou em seu carro e foi embora, enquanto a jovem ficou parada no meio da praça, olhando para a sombra feita por algumas árvores.

- Juro que não entendo o motivo pelo qual está aqui...

O vento soprou contra o rosto dela, enquanto uma voz um tanto grossa, mas de tom irônico vinha das sombras.

- Minha querida Lucy... Também senti sua falta...

- Odeio seu modo de agir.

- Que garotinha má educada... Respondendo tão mal quem fez tanto por ela e ainda protegendo um humano...

Logo um rapaz de cabelos extremamente grandes e prateados, com os olhos vermelhos e um sorriso encantador, aparece dentre as arvores, caminhando em direção a vampira.

Assim que está frente a frente com ela, leva a mão esquerda até o queixo da mesma, deixando seus rostos muito próximos, enquanto a mão direita era levada até a cintura de Lucyenni.

-Precisamos conversar Lucy...

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Não esqueçam de comentar se gostaram, se não gostaram tambem! xD
Proximo capitulo em breve.