Breaking The Habit
5 Confie em mim
Notas iniciais
Virou seu rosto rapidamente, a procura da voz que falava, fitando a expressão decepcionada no rosto do moreno. Ele encarava-a fixamente, com aqueles olhos castanhos, que sempre pareceram sinceros. Ela não soube como reagir, foi pega de surpresa e em uma situação um tanto complicada.
- Desculpem, não quero mais atrapalhá-los, vou me retirando...
Disse o humano, virando-se e caminhando para uma mesa afastada da que a vampira estava. Lucyenni levantou de sua mesa, caminhando de forma rápida até Nicolas, sem ao menos se importar com o loiro que deixava para traz, afinal, para ela, aquele belo humano não passaria de uma refeição, já Nicolas não, algo naquele humano a encantava, algum laço prendia-o à seus pensamentos. Ele por sua vez, viu a aproximação da jovem e tratou de se retirar do bar, caminhando apressadamente para a praça, onde conversaram da ultima vez, que estava vazia novamente.
Lucyenni o seguiu, nem mesmo entendia o porquê, não entendia o motivo de se importar tanto com aquele humano, não podia estar sentindo algo por ele, já havia até mesmo esquecido o que era sentir algo que não fosse raiva. Em passos firmes, continuou seguindo-o, falando um pouco irritada.
- Nicolas, não aja dessa forma!
- Ah! Desculpe-me, como gostaria que eu agisse?! – Disse ele Em tom irônico. – Você se mostrou uma pessoa quando conversamos, mostrou-se uma mulher fascinante, alguém que valesse a pena conhecer, mas agora, vejo que foi um mero engano que cometi.
A vampira abaixou sua cabeça, deixando que seus longos cabelos negros cobrissem seu rosto. Estava furiosa por ter um humano falando daquela forma com ela, mas por algum motivo aquelas palavras a machucavam, ouvi-lo dizer tais coisas a entristeciam. Apertou seus braços com as próprias mãos, praticamente se abraçando, enquanto murmurava ao rapaz.
- Você sequer faz idéia de como é duro, pra mim, ouvir isso, pelo menos de você...
- Você fala como se eu fosse importante, mas como acreditar nisso, depois de presenciar tal cena...?
Sentia algumas lagrimas invadirem-lhe o rosto, portanto manteve seu rosto coberto pelos cabelos, enquanto o tom de voz ia aumentando.
- Você não imagina pelo que passei... Não sabe os motivos pelo qual estava com aquele homem... — Ergueu a cabeça, mostrando uma expressão de raiva misturada com tristeza, revelando as lagrimas que insistiam em percorrer seu rosto. – Você nem mesmo poderia imaginar toda a verdade!
O rapaz olhou-a, não imaginava vê-la naquele estado, mas ainda não entendia o porquê da mesma ter agido de tal forma, ainda sentia raiva por vê-la com aquele rapaz que nem mesmo a respeitava.
- Não, não sei... Como posso saber algo sobre você, se não confiou em mim para contar? – Disse enquanto se aproximou da mesma, fitando atenciosamente aqueles olhos verdes, que eram tão lindos e misteriosos.
- Não se trata de confiança... É algo que, nem mesmo você, seria capaz de compreender... Ou melhor, acreditar.
- Nunca saberá se acreditarei ou não, se não contar. Desde o começo você se mostrou uma pessoa misteriosa... Esse mistério me fascinou.
- É algo muito mais complicado do que você pode imaginar Nicolas...
Num impulso, ele passou as mãos pelas costas da garota, puxando-a pra si. Deixou o rosto da mesma apoiado sobre seu ombro, enquanto manteve uma das mãos nas costas da jovem e a outra em seus cabelos.
Lucyenni confortou-se naquele abraço, faziam muitos anos que não se sentia protegida nos braços de alguém. Nunca imaginou voltar a se sentir assim, ainda mais com uma criatura tão mais frágil que ela, como um humano.
- Nicolas, eu prometo que contarei tudo a você, apenas me de um tempo para pensar em como fazer isso.
O rapaz assentiu com a cabeça, voltando a apertar aquele abraço. A vampira cedeu dessa vez, retribuindo o gesto com carinho.
Logo se soltaram e Lucyenni fitou o rapaz mais uma vez. Ainda que estivesse feliz por estar em sua companhia, não entendia sua fascinação pelo mesmo. E, pelo visto, não conseguiria entender o fato tão cedo.
Caminharam pelas ruas, até que resolveram sentar-se num banco qualquer que o humano avistou.
Conversaram um pouco sobre o passado de Nicolas, mas a jovem tinha a sensação de estar sendo vigiada. Olhou varias vezes ao redor, disfarçadamente, a procura de alguém.
Após algum tempo, avistou uma jovem, infelizmente conhecida, que os observava de cima de um pequeno prédio residencial. Esta, lógicamente, percebeu que havia sido descoberta, mas não parecia se importar, apenas sorriu sádicamente e caminhou até sumir da vista da vampira.
Lucyenni teve de cortar o assunto com o rapaz, olhando-o de forma preocupada.
- Nicolas, eu sei que isso vai soar estranho, mas você esta em perigo agora... Precisa sair daqui logo. E não poderemos nos encontrar no bar novamente.
- Isso me parece desculpa...
- Juro que não é. – Ela o abraço, deslizando uma das mãos até a cintura dele, escondendo ali, um pequeno pedaço de papel, logo depois aproximando os lábios do ouvido dele. – Me encontre nesse endereço amanhã a noite e, por favor, não abra esse papel na rua.
Mais uma vez ele assentiu com a cabeça dando um beijo amigável no rosto da vampira e saindo do local. Ela correu para cima do prédio em que havia visto à jovem. Lá encontrou Emili, que estava sentada, como se esperasse a outra vampira.
- Que bonitinho... você fez do seu janta um bichinho de estimação, que gracinha! – Dizia ironizando.
- Por que esta me vigiando, ao invés de estar se esfregando no seu doninho que a ignora?
- Cala a boca sua vadia! – Alterou-se rapidamente, levando as duas mãos ao pescoço de Lucyenni. – Você não merece a atenção do Apollo! Eu quem deveria estar sendo a preocupação dele, pois fui sempre eu que o ajudei, obedeci e segui. Você é a única coisa que me atrapalha. Portanto vou cuidar para que seu humano de estimação receba uma grande visita...
- Não se aproxime dele! – Lucyenni fez com que a outra vampira a soltasse, derrubando-a no chão e a imobilizando. – Isso serve como aviso... Fique longe dele, afinal ele não tem nada haver com essa historia.
A vampira a soltou e correu, sumindo da vista de Emili, que demorou a se recompor. Agora, mais que nunca, queria acabar com a raça de Lucyenni, tratou de se levantar e correr ao encontro de Apollo.
Ao encontrá-lo, abriu um largo sorriso, Apollo levantou da cadeira onde estava e caminhou até a ruiva, segurando seu queixo e juntando seu corpo ao dela, fazendo-a mostrar seu pescoço.
Distribuiu ali alguns beijos, logo depois sussurrando de forma provocadora em seu ouvido.
- Qual o motivo desse sorriso...
- Hoje posso dizer que sou sua serva mais fiel...
- Por que diz isso querida Emili...?
- Pois acabei de ser atacada por sua preciosa Lucy, por causa de um humano...
O vampiro foi tomado pela fúria, segurou o pescoço da vampira ruiva e atirou-a ao chão, como um mero inseto. Seu olhar demonstrava a raiva por ouvir aquilo, parou ao lado do corpo da ruiva, fitando-a fixamente.
- Você vai descobrir o paradeiro de Lucy o mais rápido possível, ou melhor, descubra onde mora o brinquedinho dela, farei uma visita a ele... – Disse Apollo com um sorriso maligno no rosto, enquanto caminhava até uma mansão, deixando Emili caída no chão.
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