Breaking Kurosaki

5 4º golpe - Um passarinho me contou


Notas iniciais
Hey, pessoas! Cá estou eu para postar o mais novo capítulo de Breaking Kurosaki. Não achei que ia ser capaz de postar essa semana, mas no fim das contas consegui escrever o capítulo. O legal de BK é que consigo escrever geralmente num dia só o capítulo inteiro, diferente das minhas outras fics que tem de 9 a 10k por capítulo. Meu mais sincero "obrigada" a todo mundo que adicionou essa fanfic aos favoritos, aos acompanhamentos, que deixa review e principalmente aos que recomendaram. GENTE, 3 recomendações em 4 capítulos é demais para a minha pessoa!!! Um obrigada GIGANTE pra Vicky Accioli e Amaranthine. Vocês não tem ideia do quão surpresa eu fiquei quando vi a segunda e terceira recomendação chegar e feliz também. Obrigada :3 Jamais vou ser capaz de retribuir tamanho carinho e confiança que vocês sempre me dão, sabe? Obrigada, obrigada e obrigada! Como sempre, darei o meu melhor para continuar a altura de vocês. Obrigada mesmo. Do fundo do meu coração. Vocês são uns lindos Ah, os lugares mencionados no capítulos existem todos no mapa da Cidade de Karakura. Você consegue pegar o mapa no meu perfil ^^ PS: Novamente cap não betado. Então se encontrarem muitos erros, me avisem tá? Boa leitura!


Aquilo de ser humano já estava enchendo o saco.

Se Grimmjow soubesse o quanto a humanidade poderia ser entediante, jamais teria pedido à Rukia que lhe “ensinasse” — e ele gostava de enfatizar que esse ensinar estava entre muitas aspas, muitas mesmo —, como viver no Mundo Real.

Humanos eram chatos. Enfadonhos. Cheios de regras. E Grimmjow, por sua vez, gostava de quebrá-las.

Japoneses, entretanto, eram avessos à desordem, ao caos e à indisciplina — o que o descrevia perfeitamente. A própria shinigami era certinha demais e isso o irritava de alguma forma.

Também o fascinava.

Era contraditório. Um verdadeiro paradoxo — ainda que o Espada só assim a definisse porque certa vez ouvira tal palavra sair da boca do lambe-bolas do Ulquiorra. Não entendia bem seu significado, até um dia pesquisar por si próprio num — até ele detestava admitir — livro.

Não era afeito a leitura. Detestava.

As coisas da mente, tão massivamente apreciadas por Ulquiorra, não lhe despertavam o menor interesse. Tudo que fosse relacionado ao físico era preferível e não, não se considerava burro ou estúpido demais para aprender. Só... Preguiçoso.

Tinha muita preguiça, admitia sem nenhuma vergonha. Preguiça de pensar. O planejado e calculado não era emocionante. Não trazia adrenalina no momento da conquista, por isso gostava mais de seguir seus impulsos.

Era o que estava quase fazendo naquele exato momento ao acompanhar o movimento suave dos quadris da shinigami a sua frente.

A dois passos de distância, o Arrancar a observava caminhar pela cidade por, praticamente, duas horas, mostrando-lhe a cidade. Claro que não estava interessado no que ela tinha a lhe dizer sobre a já o Parque Tsubakidai.

Muito menos sobre o Hospital Abandonado e Amaldiçoado do Distrito de Matsukura — embora ele estivesse relacionado a um caso que ela resolvera com Ichigo, quando o cabeça de cenoura (assim tinha ouvido o adolescente feioso de cabelos vermelhos, Jinta, apelidá-lo) ainda era um shinigami prematuro e idiota.

Ele ainda era idiota. Fato.

Mas as histórias, no geral, eram entediantes. Queria animação, queria algo... Diferente.

Não fora feito para a inércia. A espera o irritava.

Tinha vontade de agir. E agir o quanto antes. Vinga-se. Derrotar seu inimigo favorito. Clamar vitória sobre sua cara patética de decepção.

Queria também se livrar o quanto antes da shinigami.

Era chata, para dizer o mínimo, e a única coisa que a tornava divertida eram as provocações que sempre o levava a receber um tapa ou outro ou a nada sútil, porém doce e deliciosa, ideia de fodê-la até desmaiar — quem desmaiaria primeiro não tinha ideia, mas se fosse ele, tanto melhor, significaria que a trepada fora bem feita e gostosa.

Vez por outra, era assaltado por tais pensamentos sujos ou apenas um desejo incontrolável de bater em algo, ou preferivelmente em alguém.

Mas se controlou.

Palavra chave para lidar com a shinigami. Sua usual imprudência e impulsividade o levariam a nada com aquela vadia diminuta e atrevida.

— Você tá me ouvindo? — perguntou ao parar alguns metros a frente dele e se sentar num balanço no parque.

— Não — admitiu com sinceridade.

Bem que poderia ter mentido, mas não era do seu feitio. Analisou suas feições, esperando algum sinal de raiva, desapontamento ou qualquer outra coisa que pudesse demonstrar sua desaprovação diante de tal ato de desconsideração.

Não encontrou nada.

Rukia estava, por algumas horas já, apresentando-lhe a cidade. O mínimo que devia a ela era um pouco de respeito, uma vez que tal trabalho era cansativo e...

Foda-se! Ela mesma parecia morrer ao lhe dar as explicações.

Também detestava sua presença.

Ótimo. Tinham mais coisas em comum do que pensara de primeira.

— Por que você quer aprender a viver no Mundo Real? — perguntou de supetão quando ele tomou o assento a sua direita.

Era tão alto e tão largo que mal coube no assento que era claramente projetado para crianças e adolescentes. Não deu a mínima. Ficou lá, curvado, balançando-se de leve com um suave impulso de suas pernas.

Rukia o copiou, mas devido ao seu porte delicado e diminuto, cabia perfeitamente no balanço. Movimentava-se com graça e velocidade, levantando suas pernas para cima cada vez que o banco ia muito para frente.

Abriu a boca para responder, mas se deu conta que devido ao vento forte de final de tarde precisaria gritar para que ela lhe ouvisse. Não faria isso. Ela tampouco parou de se balançar para ouvir a resposta do que perguntara.

Foi então que percebeu.

Não estava de fato interessada na resposta.

Se estava, não o deixaria saber.

Isso o fez sorrir.

— Já disse. — Sorriu quando ela parou levemente o balanço com uma perna e se voltou para encará-lo. — Não é da sua conta. E você? Qual a sua principal razão para pedir a minha ajuda para entrar no Hueco Mundo?

— Não é da sua conta, tampouco. — Diferente de Grimmjow, não sorriu quando lhe respondeu.

Levantou-se do banco e começou a caminhar sem rumo. Se iria longe ou perto, não sabia. Só estava cansada de ficar o dia inteiro com Grimmjow e não ter nenhum avanço no que concernia às suas próprias escolhas. Sempre que mencionava o Hueco Mundo, era respondida com frases obtusas e extremamente rudes.

A rudez dele, entretanto, era o menos lhe incomodava para ser bem sincera. Mas se sentia enganada de alguma forma. Estava lhe ensinando tudo o que poderia por praticamente dois dias, aguentando-o ao seu pé para não receber uma mínima informação sequer.

Já estava praticamente deixando o parque quando, após dias de pura calma, sentiu o mundo tremer.

Não precisou olhar para seu Soul Phone apitando loucamente para saber do que se tratava.

Já esperava por isso.

#

Matar o primeiro hollow foi fácil. O segundo também. Mas eles vieram aos montes. Muitos e muitos e vários outros.

Infinitos hollows.

Rukia se viu cercada. Não tinha para onde fugir. Usava shunpo para se movimentar e enganar seus inimigos que pensavam tê-la nas mãos, e então contra-atacava. Primeiramente com kidous, depois fazendo uso de sua Zanpakutou e, por fim, quando a situação realmente se complicou, uma combinação dos dois.

Esperava tal ataque. Já havia cronometrado o tempo que eles demoravam para aparecer na cidade de Karakura. Dois dias. Três no máximo. E então a suposta paz voltava a reinar.

Sempre escolhiam um lugar onde muitas almas ou pessoas com alto nível espiritual pudesse vagar. Por sorte, pelos dois últimos ataques, escolheram exatamente o lugar em que ela estava.

Sendo uma shinigami com um poder espiritual grande — não tão grande quanto um capitão por exemplo, mas o suficiente para atrair hollows sedentos — era sua escolha óbvia.

Mas tal assalto fora massivo.

Tampouco se tratava de hollows comuns. Adjuchas e Menos Grande saíam das Gargantas que se abriram de supetão, jorrando diversos hollows em sua direção.

Lutou com firmeza, empunhando sua Zanpakutou branquíssima contra os hollows. Cortava alguns de primeira, outros precisavam mais do que alguns golpes para serem derrotados.

Outros ainda exigiam o uso de sua primeira ou segunda dança. Mas a shinigami não gostava de fazer um uso abusivo de sua Zanpakutou, preferindo mesclar golpes e utilizar o Hakuren ou Tsukishiro quando tinha um número considerável deles reunidos, assim poderia derrotar mais deles de uma só vez.

Quando a pilastra de gelo desapareceu a um gracioso movimento de mão, preparou-se para mais. Não procurou por Grimmjow. Havia esquecido da existência do Espada no momento em que o primeiro hollow gigante com um formato de uma serpente a atacou.

Seus instintos, então, voltaram-se exclusivamente para a luta.

Nada mais importava.

Foi então que se viu cercada por três Menos Grande e alguns Adjuchas que se aproximavam. Quando os três monstrengos negros abriram suas bocas para acertá-la com um Cero, Rukia acreditou que era seu fim.

Não tinha para onde correr. Até procurou uma saída, mas para onde quer que olhasse, hollows de todos os tamanhos e formatos se aproximavam.

Juntou as mãos.

Preparou-se.

Só tinha uma única escolha.

Fazer o uso de um kidou que nunca havia utilizado em uma luta, mas que já vira seu irmão utilizar com maestria.

Esperava que desse certo.

Abriu os lábios, começou a murmurar o encantamento, mas foi interrompida por uma forte luz azul.

— Cero — murmurou para si mesma quando os hollows que a cercavam foram exterminados.

Os outros rapidamente retrocederam, entrando em Gargantas. Rukia pensou em segui-los, mas foi barrada por Grimmjow, que a segurou pelo braço.

— Hey, tá pensando que vai aonde?

Com um olhar de esguelha, a shinigami se desvencilhou de seu aperto, retrocedendo alguns passos. Olhou para cima e encontrou os olhos cerúleos de Grimmjow focados nos seus. Assim como ela, o Espada adotara sua forma real e as roupas brancas que comumente usava — incluindo calças hakamas e a jaqueta curta que expunha seu peitoral amplo — contrastavam com seu quimono preto e modesto.

No céu, ambos se olharam por alguns segundos enquanto a última Garganta se fechava e os hollows fugiam, amedrontados, de volta para a segurança de seu lar.

No chão, Chappy e o Gigai roubado que Grimmjow utilizava olhavam para cima, para seus hóspedes e então de volta um para o outro, apreensivos. Nenhum deles pareciam satisfeitos um com o outro.

— Você os atacou. — Seu tom era de acusação, mas uma leve pontada de surpresa ainda jazia em sua voz enérgica.

— Salvei sua vida — Grimmjow corrigiu.

— Por que você usou um Cero contra eles?

— Gran Rey Cero — corrigiu-a novamente.

— Matou diversos deles — continuou em seu tom acusativo que apenas confundiu ao Espada. — Por quê?

— Por que o quê? — Franziu as sobrancelhas com irritação. — Salvei sua vida! Você deveria me agradecer, shinigami!

— Agradecer o quê? — devolveu tão irritada quanto ele. Tinha os punhos cerrados a essa altura. — Nunca pedi sua ajuda. Não deveria ter me parado. Eu iria verificar o que acontecia lá e....

— E o quê? — Aproximou-se dela a passos largos, tronco inclinado para frente, a verdadeira postura de um valentão. Era tão cabeça dura e estúpida que sentia vontade de lhe dar uns tapas para fazê-la compreender que salvara sua vida em um único ato não apenas uma, mas duas vezes. Duas vezes. — Você ia morrer, sua vadia bur—

Não terminou a frase. Também não esperava. A mão dela o acertou em cheio uma vez. E duas. A terceira não chegou a acontecer. Não poderia deixar.

Gostava de seu atrevimento, verdade, mas isso beirava a humilhação e Grimmjow jamais seria humilhado por ela. Nem por ninguém.

Parou-a. Sua mão esquerda grande e máscula envolveu o fino pulso feminino. A direita aparou o outro braço no ar. Já esperava mais um ataque. Kuchiki Rukia era uma bruta, grosseira. Uma verdadeira cavala, como tinha ouvido dizer das pessoas com tal temperamento em seus poucos dias no Mundo Real. Não estranharia se um dia a ouvisse relinchar e sair trotando por aí.

Incivil e valentona.

Maria-macha.

Com um tranco, puxou a Maria-Machadão para si, mantendo os dois braços presos com uma mão para trás.

— Vai me bater de novo? — perguntou, inclinando-se sobre ela. A diferença entre suas alturas deveria intimidá-la, mas teve o efeito contrário. A garota ergueu o queixo e olhou desafiadoramente.

Não tinha medo. Nem um pouco.

— Você me chamou de vadia burra.

— E chamo de novo: vadia burra e mal agradecida.

Dessa vez, nenhum dos dois teve tempo para trocar golpes, embora Rukia estivesse pronta para acertá-lo com uma joelhada entre as pernas, ao que Grimmjow também já estava pronto para se defender.

Uma flecha de energia azul os atingiu em velocidade descomunal e foi parada por pouco pelo Arrancar que a segurou com sua mão direita. Soltou-a tão logo a aparou e olhou para sua pele que queimava.

A shinigami se aproveitou desse breve momento para escapar, retrocedendo tanto quanto poderia.

— Você está bem, Kuchiki-san?

#

Tinha ouvido muitas notícias naquela tarde.

Claro, em sua condição patética de humano sem poderes não deveria ter ouvido nada. E tudo que acabara por saber fora por puro descuido de seus amigos.

Ichigo se inclinou para pegar a bola. Caiu no chão. Levantou-se e a passou para o zagueiro.

O treino estava tranquilo, o que era particularmente ruim, uma vez que lhe dava muito tempo para pensar. E pensamentos, o adolescente, sabia, às vezes não trazem nada de bom.

Sobretudo quando o deixavam tão confuso.

Houvera um ataque massivo de hollows.

Não num ponto focal, mas em toda a cidade.

Não era a primeira vez que ouvia falar de tais ataques. Não fazia muitos dias desde que pegara Inoue, Chad e Ishida comentando sobre um estranho ataque de hollows na cidade.

Dois ou três dias, se não estava enganado.

Mas isso não era o que o surpreendia. Não mesmo.

Ataques de hollows na cidade de Karakura eram uma constante, muito antes dele se tornar um shinigami substituto e não seria diferente agora que perdera seus poderes.

Mas havia algo a mais. E esse algo a mais tinha nome e forma: Kuchiki Rukia.

Sua amiga, sua nakama, estava de volta a cidade.

Até tinha vontade de se perguntar porque ela não o havia visitado, mas já sabia a resposta. E não queria vê-la tampouco.

Passara mais de um ano afirmando para todos, inclusive para si mesmo, que não sentia falta dela. E de fato não sentia. O que sentia falta era de...

Não sabia...

Na verdade sabia, mas não tinha coragem de admitir.

Estava acostumado com sua nova vida e mesmo que não fosse a melhor, era o que tinha. Era pelo que sempre pedira, afinal. Normalidade estava a sua porta e não iria reclamar.

Reclamar não o levaria a nada, sabia disso.

Mas ainda havia mais: encontraram-na com alguém. Um hollow.

“Que hollow?” perguntara-se.

Perguntara-se infinitamente, mas nunca chegara a uma resposta concreta.

Não conseguira ouvir as características de quem a acompanhava. Mas conhecia Rukia e duvidava que ela se juntaria a um hollow.

Além do mais, ouvira tal excerto de conversa não das fontes originais, mas de Keigo e Mizuiro. Sabia que seu amigo tinha uma tendência a aumentar tudo o que ouvia e o próprio Keigo usara o termo: Um passarinho me contou... ao lhe perguntar o que achava da volta de Rukia e o fato dela estar com atracada com um hollow por aí.

Ichigo não respondeu, obviamente. Mais do que ninguém, sabia que nunca poderia confiar naquilo que seus próprios olhos não lhe mostravam.

Muito menos em Keigo.

Agora tinha um treino para terminar. Se um dia topasse com Rukia um dia desses, saberia que de fato ela estava de volta e então, só então, perguntaria se a Soul Society se unira aos hollows de fato.

Por hora, não iria confiar em coisas que um passarinho lhe contara.

#

Tão logo recebeu o cardápio da lanchonete, viu a figura alta e poderosa deslizar no banco a sua frente.

Praticamente rolou os olhos ao ver o sorriso irritantemente branco tomar conta dos lábios do Arrancar. Perguntava-se se algum dia poderia ficar em paz, sem ser perseguida por ele.

Nunca iria se acostumar a tê-lo ao seu lado aonde quer que fosse, todas as horas de seu dia. No entanto, não iria reclamar. Precisava dele, infelizmente.

— Hey, shinigami! — cumprimentou, esticando um braço sobre o encosto do banco onde estava sentado. Fez o mesmo com suas pernas, sob a mesa, fazendo com que elas roçassem contra as de Rukia. Com um tranco, ela empurrou-o para longe.

— Eu tenho nome, Arrancar — pontuou, tirando o cardápio da face.

Grimmjow a ignorou e endireitou as pernas, colocando-as para o outro lado. Roçou contra as dela levemente, mas se afastou tão logo recebeu um olhar de repreensão. Com um sorriso de lado, pegou o cardápio que jazia na mesa e começou a analisá-lo.

Hollows se alimentam de almas e outros hollows, nunca de comida. Mas quando se tornara um Espada, descobrira que a comida podia ser algo agradável. Dentro daquele corpo humano, era necessário.

Como a pantera que era, sempre estava sedento por carne, preferencialmente sangrenta, diferente dos demais Espadas que preferiam outro tipo de alimentação.

O silêncio os envolveu enquanto ambos escolhiam o que comer. Grimmjow não demorou muito para se decidir e então abaixou levemente o cardápio e começou a observá-la.

— Foi mal — disse num tom baixo, muito a contragosto, copiando o que o garoto dissera naquela noite.

Desculpar-se não era seu forte. Era um Rei e um rei nunca pede desculpas. Ao contrário, sempre tem a tudo e a todos a obedecer e ceder aos seus caprichos sem nunca questionar, também a aceitar tudo o que fazia sem questionar.

Era a primeira vez que fazia algo desse tipo.

A palavra “desculpa” não fazia parte de seu vocabulário. Era quase humilhante dizê-la para alguém como Rukia, mas também necessário.

Lentamente Rukia abaixou o cardápio e o encarou, impassível.

— Não entendi.

— Foi mal — repetiu, desgostoso. — Não deveria ter te chamado de vadia burra.

Nenhuma palavra deixou a boca da shinigami. Ela continuou a olhá-lo da mesma forma, sem esboçar qualquer reação.

Isso de alguma forma o irritava.

O deixava bravo e com vontade de sentar a mão em sua bundinha redonda e macia até deixá-la vermelha e dolorida.

E bem humilhada.

Como ela queria fazer com ele agora.

Logo o cardápio voltou a cobrir seu rosto e assim permaneceu pelos próximos pares de minutos. Foi praticamente uma surpresa quando tal palavra deixou os lábios dela.

— Obrigada.

Grimmjow estava chocado. Pasmo.

Mas, sendo o bastardo que era, copiou o que ela disse.

— Não entendi.

Rukia respirou fundo, praticamente revirou os olhos diante da atitude infantil do homem à sua frente. Quando dissera “não entendi” era porque realmente não entendera o que ele queria dizer com “foi mal”.

Aquilo era mesmo uma forma de se desculpar?

Não.

Não em seu mundo ao menos.

Mas Grimmjow não fazia parte de seu mundo pomposo e polido. Poucas pessoas o faziam e era, de certa forma, natural que alguém como ele se valesse de outras formas para se desculpar.

— Obrigada por me salvar ontem — murmurou por fim.

— Ah você sabe agradecer — devolveu, sarcástico.

Revirou os olhos. Não acreditava que ele iria usar isso contra ela. Já não estava agradecendo? Não era o suficiente? Não precisava ouvir sermão! Muito menos dele!

Ficaram em silêncio quando a garçonete se aproximou. Pedidos anotados rapidamente, a moça se retirou, deixando-os a sós.

— Sei sim agradecer e pelo visto você também sabe se desculpar, idiota! — disse, irritada.

— Idiota é você! — devolveu no mesmo tom irritado.

Silêncio os envolveu novamente. Dessa vez, sem o cardápio para esconder suas faces, cada um se virou para a janela, observando as pessoas caminharem na rua. Logo a garçonete voltava com seus pedidos e a comida foi só um pretexto para que ambos continuassem em silêncio, ainda que pelejassem com os olhares.

— Enfim... — Rukia abaixou seus ohashi e olhou diretamente para ele. — Não esperava que você me ajudasse.

— Você ficou bem brava — o Arrancar pontuou com a boca cheia. Dava mordidas vigorosas no lanche que pedira e bebia goladas de coca-cola para ajudar a carne descer.

Ela se demorou um minuto ou dois observando o Espada comer. Era algo visceral, meio nojento e sem modos nenhum. Completamente desagradável. Rukia se perguntou o que seu irmão, Byakuya, diria se o visse comer daquela forma.

Deselegante, para dizer o mínimo.

— Você matou seus... — demorou-se, como se escolhesse as palavras certas. — Companheiros.

Tal sentença arrancou uma gargalhada profunda de Grimmjow. Espasmos percorreram o corpo do Espada, sacudindo levemente seus ombros fortes.

— Eles não eram nada para mim — disse, bebendo mais goladas da coca-cola.

— Você é um monstro.

— Não sou muito diferente de você, shinigami. Aposto que já matou seus companheiros.

Essa foi a vez de Rukia reagir fortemente a sentença escolhida por Grimmjow, mas ao invés de rir, sentiu-se péssima. Sim, havia matado um companheiro. Havia matado Kaien e se arrependia profundamente por isso.

— De qualquer forma, eu salvei sua vida e isso deveria bastar. Quem eu matei no processo... — Sacudiu os ombros. — Não importa.

Ainda não gostava da forma como ele reagia. Era tão desumana que chegava a beirar o absurdo. Mas, Grimmjow não era humano. Poderia culpá-lo por agir como sua espécie?

— Não sentiu nenhuma... Empatia por eles? Pena ou... O que seja? — perguntou, curiosa.

Ele também a olhou com curiosidade. Que pergunta estúpida era aquela?

— Você sente algo quando sabe que algum shinigami é morto? — perguntou com um sorriso no rosto, mas ao ver que ela se preparava para responder rapidamente, emendou: — De verdade. Por muito tempo.

Não tinha resposta. A verdade é que nunca ficara muito tempo incomodada com isso. Deveria? Eram muitas vezes pessoas que nem conheciam.

Grimmjow riu levemente. Seus caninos apareceram marcando os lábios. O sorriso entretanto, sumiu tão logo a viu se levantar e deixar algumas notas de iene na mesa.

Copiou seu movimento e a seguiu para fora da lanchonete. Próximo a entrada, parou-a. Uma mão em seu pulso, puxou-a para si.

— Não tá achando que é de graça, né?

— Huh? — Rukia perguntou, com os olhos extremamente arregalados.

O riso voltou a dominá-lo quando viu sua reação. Com o polegar direito, secou o canto de seus lábios, levemente molhados pelo suco que ela bebia há alguns minutos.

Inclinou-se sobre ela e a vontade de arrebatar seus lábios deliciosos num beijo lascivo, mas se conteve.

Ainda não era o momento certo.

Mas só de deixá-la daquela forma já era mais do que o suficiente.

Por hora.

— Nada é de graça, shinigami. Todo mundo faz algo com um interesse e eu... — Inclinou-se ainda mais, dessa vez tão perto que sua respiração praticamente se misturava a dela. — Tenho os meus.

Removeu o dedo dos lábios dela e pressionou sua boca contra a dela, num rápido selinho, provando do gosto amargo e forte do suco de laranja que ela pedira. Não lhe deu tempo para reagir, tampouco esperou que esboçasse qualquer reação.

Ficar a imaginar, dessa vez, era mais divertido.

Abriu a porta e saiu, ganhando as ruas da cidade. Não se preocupou em deixar a porta aberta para Rukia, ou segurar para que ela pudesse passar.

Simplesmente deixou que batesse contra sua face.

Mas a shinigami não estava surpresa.

Tampouco atônita.

Sua mente estava em branco. Não conseguia processar qualquer informação no momento, muito menos uma porta que praticamente acertara seu nariz.

Esse grosseirão era, no fim das contas, o famoso Grimmjow Jeagerjaquez.

Notas finais
E aí? Que acharam? Sei que ainda está lerdo, mas prometo que o novo cap trará mais desenvolvimentos, tá? Esse cap é mais introdutório em relação a esse novo acordo deles. E eu também o parei por aí porque estava ficando grandinho já. E não quero deixar os caps aqui iguais aos das minhas outras fics ^^ Também tivemos essa introdução em relação aos hollows. Não se preocupe. Não há um mistério muito grande em torno disso. Não vou transformar essa fic em DCYH hahaha. Relaxem ^^ E me perdoem se os personagens estiverem OOC, mas conforme a fic avança fica mais complicado mantê-los completamente IC. Nesse caso, peço desculpas antecipadas ^^ Não deixem de comentar ^^ Beijos, Velvetsins