Breaking Dawn

10 Décimo Capítulo


Notas iniciais
Saudações!
Bem, eu não vou dizer que faz tempo que não atualizo, porque faz tempo que eu não atualizo. Mas fiquei satisfeita de como esse capítulo saiu, vou tentar não deixar spoilers, mas é uma nova fase, o começo de alguns conflitos e... Enfim, leiam e digam o que acharam.
Só para constar, ele está cheio de hiperlinks, particularmente prefiro ler o texto correndo, mas - se todos abrirem - fica bem legal para visualisar.
Até lá em baixo, enjoy!

Décimo Capítulo

Senti o sol entrando pelas janelas arredondadas e me mexi desconfortável no acento. Ainda podia sentir a mão de Edward contra a minha coxa enquanto ele fazia movimentos circulares que faziam sentir-me segura.

Meus olhos estavam pesados, mas eu sabia que não podia continuar dormindo.

- Quantas horas faltam? – indaguei impaciente.

- Não se preocupe Bella, logo estaremos em casa. – ele me informou sempre paciente.

Era cedo, o sol ainda estava baixo quando nos despedimos da ilha Esme. Foi difícil para mim, já que havíamos tido momentos tão importantes, quiçá os mais importantes de nossa relação, naquela ilha. Agora estávamos indo para casa, para começar uma nova fase.

- Continue dormindo e quando acordar novamente estará em Washington.

- Não quero mais dormir. – respondi coçando os olhos.

- Quer que eu peça algo para você? – perguntou atencioso.

- Peça que tragam água. – determinei sentindo minha garganta seca novamente. Não era a primeira, e duvido que fosse a última, vez na viagem.

- Sente-se mal? – alarmou-se se inclinando em minha direção.

- Só estou com sede.

Não se passou muito mais tempo quando anunciaram o pouso, apenas mais uma hora, no máximo. Senti-me muito mais aliviada. Sentia-me à vontade na casa da praia, mas desde que partimos de lá ansiei por voltar para casa, poder olhar todo aquele verde, sentir o ar gelado e a garoa fina.

Meu marido me puxou pelo meio das pessoas e eu me lembrei de anos atrás, naquele mesmo aeroporto. Se eu soubesse como minha vida iria mudar depois daquele dia, teria me faltado o ar. Mas diferentemente daquele dia, Charlie não estava nos esperando junto ao carro da patrulha. Ao invés disso, caminhamos diretamente para o estacionamento.

- Ninguém vem nos buscar? – perguntei confusa.

- Não desta vez, tem um carro nos esperando. – ele me informou com seu sorriso torto no rosto.

- E como sabe disso? – indaguei desconfiada.

- Recebi uma mensagem de Jasper enquanto você dormia, ele me disse que não poderiam nos buscar, mas que mandariam um carro para que pudéssemos voltar para casa.

- Ok. E onde está?

- Bem ali. – ele apontou.

Era uma caminhonete, muito bonita por sinal, muito mais sofisticada do que meu falecido Chevrolet (e ainda mais levando em consideração de que o mesmo havia sido adquirido de graça, que Deus o tenha), no que parecia ser um preto azulado, ou preto safira, para ser mais específica. Ostentoso, muito ostentoso.

Havia também um homem, que eu julguei ser algo como um manobrista, que tratou de entregar as chaves para meu marido que o agradecia gentilmente.

- É um belo carro esse que nos mandaram, sim? – perguntou destravando o veículo.

- Belo demais. O que me faz julgar seus irmãos consumistas compulsivos. Nunca tinha visto esse carro antes...

- Deve ser novo. – me informou. – Quer dirigir? – propôs estendendo as chaves para mim.

- Está brincando! – arregalei meus olhos. Não podia dirigir um carro daqueles. Eu? E se por ventura, ou desventura, eu batesse ou fizesse algo que prejudicasse a integridade e perfeição daquele amontoado de metal tão meticulosamente perfeito?

- Sim, acho que você vai adorar dirigir esse carro, amor.

- Mas se ele é do seu irmão é melhor que você dirija. Eu posso estragá-lo ou sei lá o que... – expressei meus medos.

- Não vai. – abriu a porta do motorista para mim. – Não considerando a forma como você dirige. E se você fizer dele uma sanfona de Hilux – citou minha fala de anos atrás, eu ri disso. – Eu me desculpo com meus irmãos. Agora suba. Suba!

Fiz o que ele ordenou. No banco do motorista tudo era diferente. O inebriante cheiro de carro novo, os confortáveis bancos de couro, o painel novo em folha faziam com que eu me sentisse feliz em conduzir uma máquina daquelas. Ele entrou e ocupou o lugar ao meu lado, batendo a porta. Virei a chave e o motor fez um barulho que me fazia sentir deleite. Pela primeira vez, me peguei cobiçando um carro, ainda mais do que quando vi meu Rolls Royce pela primeira vez.

- Gostando? – ele interrogou enquanto eu fazia o caminho até a estrada.

- É... Realmente um carro muito bonito. – contive minha excitação.

- Ótimo! – exclamou. – Sentindo saudade do Brasil?

- O calor faz falta. – olhei pelo retrovisor. – Mas penso que nossa família faz ainda mais.

Ele sorriu. – Mas saiba que terá que se acostumar. Logo partiremos para Nova Hampshire para comprarmos nossa casa.

- Sim, eu sei. – respondi. – Vamos visitar meu pai, certo? – questionei erguendo as sobrancelhas.

- Assim que quiser. – beijou minha mão livre.

Atrevi-me a acelerar um pouco mais quando chegamos na auto estrada, sentindo-me confortável com aquilo. Logo, as horas de viagem seriam reduzidas.

- Eu aposto que Alice vai fazer uma comemoração quando nos vir. – comentei.

- Eu aposto que eles têm presentes para você.

- Presentes? – indaguei.

- Acelere. – ele mandou mudando de assunto.

A viagem foi calma e agradável. Já estávamos nos limites e a conhecida placa de “Bem-vindo a Forks” nos saudou.

- De volta a Forks! – exclamei com um pouco de alegria.

- De volta ao lar. – ele fraseou. Logo eu podia reconhecer o caminho que nos levaria até a mansão dos Cullen. Não havia diferença na estrada, ela continuava cercada por um verde infinito, a chuva ainda caía e por um momento eu senti como se não tivesse saído de Forks nunca, como se o meu casamento e minha lua de mel ainda não tivessem acontecido, pois tudo era tão nítido, como se eu estivesse indo para a casa de Edward em minha antiga carrinha depois de um dia de aula. Definitivamente, Forks era um lugar que me abrigava. O talvez fosse apenas o fato de Edward estar aqui comigo. Parei para pensar nisso por uns instantes.

- Por fim! – exclamou, tirando-me de meus devaneios.

Estávamos novamente parados em frente a grande casa. Eu sorri. Edward desceu do carro e rapidamente deu a volta para abrir a porta para mim, auxiliando-me na descida.

- Bella! – ouvi um grito da porta da frente da mansão. Não podia ser outra pessoa que não minha irmã anã.

- Alice. – caminhei em sua direção, não correndo, mas afoita para dar um abraço na pequena mulher à minha frente. Com certeza o sossego da ilha não era ruim, pelo contrário. No entanto, só agora que eu me reencontrava com ela percebi o quanto havia sentido sua falta.

Ela fechou o espaço que havia entre nós e me deu um abraço apertado.

- Como eu senti sua falta Bella. – falou rápido, me apertando. Porém, logo se afastou um pouco para olhar em meus olhos. – Rosalie não me deixa vesti-la.

Fiz cara de ofendida e logo ela se desculpou, dizendo que era apenas uma brincadeira.

Seguindo-a, fiz o caminho até dentro de casa. Na sala estavam todos esperando por nós. Um por um, me deram um abraço apertado, fui até levantada e rodopiada (e não é necessário dizer que o causador foi meu cunhado grandalhão).

- Nós nunca pensamos que essa casa ficaria tão vazia sem vocês, Bella. – Carlisle comentou logo após ter me dado um grande abraço.

- Não só vazia, essa casa ficou muito triste. – Esme falou carinhosa, passando a mão por meus cabelos.

- Legal vocês dizerem isso, mas o fato é que só minha esposa foi abraçada. – Edward reclamou atrás de mim, fazendo com que todos rissem.

- Mas é mesmo um palhaço! – Emmett caçoou.

- É bom ter vocês de volta. – Rosalie disse de seu canto. Era bom saber que ela também tinha sentido a nossa falta e não apenas a do irmão.

- Eu também queria muito ver vocês outra vez.

- E porque voltaram tão cedo? Pensei que o plano era ficar lá por pelo menos mais uma semana. – Jasper indagou se referindo a nossa volta repentina.

- Hm... Bem... – procurei por palavras. – É que eu senti saudade de casa. Mas deixando isso de lado, essa casa parece mesmo vazia. Onde está o piano? – perguntei realmente curiosa para saber o que havia acontecido com o maravilhoso piano. Foi uma das primeiras coisas que eu notei quando coloquei os pés nessa casa pela primeira vez e sua ausência fazia com que essa casa ficasse sem grande parte de sua graça.

- Bem, enquanto vocês estavam fora nós tomamos algumas decisões. – Esme tentou explicar, mas me faltava contexto.

- Decidiram se livrar do piano?

- É claro que não, não poderíamos nos livrar do piano. Nós apenas estamos levando os móveis maiores para a nossa casa de Nova York. Nós estamos de mudança.

Fiquei sem palavras por algum tempo. Os Cullen estavam de mudança.

Não apenas Edward e eu estávamos começando uma nova vida, mas todos os outros e eu sabia o que isso significava. Tudo isso ficaria para trás, toda a minha história com Edward em Forks, os Cullen não poderiam voltar até que todos os que conhecemos estivessem mortos e eu também não.

- Quando? – perguntei simplesmente.

- Ainda temos tempo, sequer chegou o natal. – Carlisle acalmou. Eu apenas caminhei até o sofá e ali me sentei.

- Vou sentir falta daqui. – comentei com o ar um pouco triste.

- Voltaremos. – Emmett respondeu ao meu lado. – Nós sempre voltamos. Sabe que Rose adora aqui, e nós também.

Eu sorri amarelo. – Claro, voltaremos. É só que eu não tenho experiências muito boas com partidas. – falei sem pensar e vi meu marido olhar para baixo. Pedi desculpas com o olhar.

- Certo. O que vocês acharam da viagem? – Alice perguntou chegando mais perto de mim.

- Eu achei incrível! – exclamei me animando imediatamente. – Se dependesse de mim, não sairia de lá nunca mais. É uma linda ilha, Esme. – elogiei.

- Eu me senti tão maravilhada quanto você quando a ganhei. É realmente um lugar maravilhoso não?

- Ok, como eu sei que elas vão tagarelar até o resto da vida eu me disponho a fazer qualquer outra coisa. – Emmett resmungou. – Quer que eu te ajude com a picape, mano?

- Muita gentileza a sua. – Edward agradeceu.

- Aliás, o que vocês acharam? – o sempre calado Jasper indagou olhando para mim, fazendo com que eu quebrasse minhas falas sobre o quão maravilhoso era o Brasil.

- Do que? – juntei as sobrancelhas.

- Gostou da Hilux? – Rosalie desviou o olhar de suas unhas para tornar a fala de Jasper um pouco mais clara.

- Claro, é um carro realmente muito bonito.

Apesar de ter que admitir que o Toyota me encantou, não compreendia a sessão de perguntas a respeito do mesmo.

- Você sabe que aquele carro é seu, certo? – Jasper voltou a perguntar.

- Não, eu não... – pausa. – O que? – indaguei exasperada.

- É seu. – reafirmou.

Meu queixo ficou caído pelo que pareceu muito tempo. Eu ouvia as risadas, mas não consegui me importar com isso.

- Você está bem, Bella? – Edward perguntou divertido.

- Seu cretino! Você não me contou nada. – ralhei com ele.

- A surpresa não era minha, achei justo que meus irmãos contassem. – se defendeu.

- Eu não posso aceitar. – recusei o presente que era muito mais do que um simples regalo.

- Já aceitou. Ela veio dirigindo e eu pude ver o quanto ele amou. – ele me delatou. – Apenas agradeça.

- É claro que eu vou agradecer. – me levantei e tratei de abraçar Jasper que consentiu relutando. Logo depois abracei a loira. – Foi você que teve a ideia?

- Na verdade não, eu só escolhi o carro que achei que você gostaria. – contou enquanto nos desvencilhávamos do abraço.

- Eu gostei muito. Obrigada.

- A ideia foi minha, sabia? – o grande homem reclamou.

- Eu já estava chegando aí. – me defendi, sendo mais uma vez rodopiada.

- Certo. Agradecimentos feitos, mais uma vez eu fui deixado de lado, mas agora eu acho melhor Bella descansar, foi umas boas horas de voo. – meu marido comandou.

- Não quero descansar. – retruquei. – Eu quero visitar meu pai.

- Não precisa ser agora... – ele se aproximou de mim, passando um braço por minha cintura.

- Eu quero vê-lo, avisar que já chegamos. – pedi com os olhos brilhando. Como era de se supor, Edward concordou.

Após anunciar que já voltávamos, subi para o segundo andar e entrei no quarto de Edward. Tudo estava igual, até seu cheiro ainda era presente.

- Eu vou tomar um banho e nós vamos até Charlie, ok? – propus.

- Hm, eu realmente acho que você devia descansar.

- Eu já disse que não quero descansar.

- Mas... – ele ponderou por um minuto. – Você sabe que... Nos ainda não fizemos nada aqui nesse quarto. – não usou a voz na última parte, apenas mexendo os lábios.

Automaticamente senti um frio correr minha espinha, meu corpo todo se derreteu em seus braços. Ele se aproveitou disso e me arrastou até a cama, me deitando e ficando por cima de mim. Atacou meu pescoço com beijos e minhas mãos agarraram suas costas. Quando ele chegou a meus lábios, reuni forças para brecá-lo.

- Charlie. – sussurrei.

- O que?! – ele perguntou assustado, com os olhos arregalados.

- Nós vamos visitar Charlie.

- Nossa! Que susto, Bella, eu pensei que... Deixa pra lá! – riu bastante e eu estreitei os olhos, tentando compreender o que ele tinha pensado. – Vá tomar um banho que eu vou buscar sua mala. – me levantou e deu umas batidinhas em meu bumbum. Corri para o banheiro antes que ele me atacasse novamente.

Fechei a porta atrás de mim e respirei pesadamente. Olhei-me no grande espelho do banheiro e analisei cada traço de meu rosto. Eu parecia diferente. Meus olhos tinham um brilho desconhecido e o branco estava ainda mais branco, meu rosto estava ainda mais pálido, apesar de eu ter passado vários dias sob o sol da América latina. Tirei o casaco que vestia e o pendurei no gancho, tratei de me despir para tomar uma ducha, o choque térmico havia me afetado. Por baixo de minha camisa, podia sentir minha clavícula mais saltada e, sustentados por meu sutiã, meus seios pareciam mais redondos.

- O casamento tem me feito bem. – concluí. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, eu gostava de como eles pareciam, e me despi por completo tratando de entrar na banheira e deixando a ducha enchê-la comigo dentro.

Foi um banho muito agradável, eu me sentia fresca novamente. Enrolei-me em uma grande toalha negra e marchei para fora do quarto. Sentado na beirada da cama, estava Edward olhando para o nada. Levantou os olhos para mim quando sentiu minha presença. Em um átimo estava com seu corpo junto ao meu, distribuindo beijos pela minha face.

- Você está ainda mais bonita Bella. Como posso sobreviver a isso?

- Bem... – eu me retorci até que pudesse me livrar dele. – Você poderia fazer algum esforço. Veja, eu vou me vestir e logo eu desço. – empurrei-o em direção a sala.

- Descemos junto. – ele propôs, mas eu tinha que recusar, isso implicava em muitas coisas.

- Eu não demoro, vai logo. – consegui colocá-lo para fora e bati a porta em sua cara. Respirei fundo.

Abri o closet na intenção de encontrar algo comportado, não queria instigar meu marido. Nós não fazíamos amor há alguns dias e com certeza ele estava sentindo falta disso, eu havia o acostumado mal. E também a mim mesma, era um sacrifício estar longe de seu corpo quando eu queria cada vez mais. O fogo que parecia tão real parava de me queimar quando nossos corpos não estavam unidos, mas em compensação o desejo nunca abandonava meu corpo e eu não sabia que uma simples humana poderia se sentir assim.

Para minha grande surpresa, mas que talvez não devesse ser assim tão surpreendente, os cabides de Edward estavam repletos de roupas de mulher, novas em folha. Era até difícil encontrar uma peça masculina no monte de modelos caros. Alice.

Meus instintos falaram mais alto e logo eu não sabia o que vestir. Procurei até encontrar algo simples. Uma blusa e uma calça bastavam. Satisfeita, encarei a prateleira dos sapatos. Logo em baixo dos sapatos de Edward eu encontrei o que presumia ser os meus. Ficava claro que meu estilo não tinha vez ali, já que os sapatos, que eram lindos, eu concordava, não se pareciam nada com os meus usuais tênis. Cheguei até a me perguntar que fim eles tiveram, estariam na casa de meu pai ou no lixo?

Decidi desistir de tentar achar algo confortável e optei pelo segundo quesito: beleza. Parece que era assim que eu devia pensar.

Com muito custo, após ter conseguido amarrar aquele monte de fios, demais para apenas um par de sapatos, soltei meu cabelo e desci pronta para passar um sermão em minha mais nova irmã. Agora eu entendia o motivo de ela ter sentido tanto a minha falta, não tinha mais um manequim para vestir.

- Lá vem ela! – eu ouvi lá em baixo na sala, mas me concentrei em coisa mais importante, como por exemplo, descer as escadas, lembrando-me de sempre segurar no corrimão. – Como você está linda! Finalmente um look que eu aprovo. – exclamou quando entrei em seu campo de visão.

Esperei até estar no fim da escada para poder encará-la. Fazendo minha melhor careta furiosa, comecei a falar.

- Eu entendo que você queira que eu ande na moda, mas, se não for pedir muito, gostaria que você compreendesse apenas uma coisa: Eu não sei andar de salto! – ralhei, mas ela apenas riu de mim.

- A prática leva à perfeição. – ela se defendeu. Era esse o seu objetivo, que seria alcançado, nesse ritmo. Não havia nenhum sapato sem salto naquela sapateira!

- Sinto muito Bella, não conseguimos pará-la. – Esme, sentada no sofá da sala ao lado de Rosalie, tentou se desculpar. Edward entrou pela porta e me analisou.

- Eu é que deveria sentir. Pelo que fiquei sabendo, foi necessário abrir espaço no meu roupeiro, mas será que você não pensou em outra maneira de fazer isso sem ter que jogar fora metade das minhas roupas, Alice? – ele só desviou o olhar de mim na última palavra, quando teve que olhar para a irmã.

- Você devia me agradecer, escolhi as roupas que você já havia usado! Além do que, como eu sei que Bella ficaria indignada, doei todas as peças. – ela se vangloriou como se tivesse acabado de salvar o dia, como as superpoderosas.

- Vamos embora logo, Bella. Até mais mãe, Rose. – despediu-se. As duas responderam e voltaram a olhar para qualquer coisa na TV.

- Esperem! – Alice falou atrás de nós. – Você precisa de uma joia.

Eu fechei meus olhos de me acalmei. – Não. – respondi simplesmente, agarrando a mão de meu marido e saindo porta a fora.

Ele parou por um instante, eu me virei para encará-lo. – Algum problema? – indaguei.

- Nenhum. Você só está um pouco gelada. Está com frio?

- Não. – respondi tocando a pele de meu pescoço. Não senti a diferença na temperatura, se existia, era mínima.

Descendo as escadas, caminhamos até a caminhonete estacionada ali em frente. Carlisle e seus outros dois filhos estavam comentando a respeito de algum detalhe técnico do carro, que eu não entendia.

- Rose fez uma boa escolha, esse é um bom carro para Bella. Ela fez umas mudanças no motor... — blá blá blá blá blá blá blá. -... E a blindagem... — blá blá blá.

- Bobagem, o que influenciou na escolha foi o GPS integrado. Levando em consideração que a Bella vai dirigir, é uma coisa a menos para se preocupar. – Emmett fez piada, só por eu estar perto.

- Vamos até a casa do meu pai. – informei não dando ouvidos para o grande homem.

- É melhor você dirigir, Edward. – ele zombou novamente.

- Me aguarde Emmett. – ameacei. Meu marido revirou os olhos e abriu a porta do motorista para mim. Entrei no carro e pude perceber que ele trocou algumas palavras com seus irmãos do lado de fora. Não consegui ouvir do que se tratava, mas eles ficaram rindo enquanto Edward entrava no carro irritadiço.

- Perdi a piada? – perguntei enquanto acelerava para longe dali.

- Nem se importe. – revirou os olhos mais uma vez.

Dirigi o carro com destreza pelas estradas de Forks, que eu conhecia como a palma de minha mão. Provavelmente aquela seria a última vez que eu fazia o caminho da casa de Edward até a casa de Charlie.

- Nós já passamos por esse caminho tantas vezes. – lembrei. Ele soltou uma risadinha e pegou uma de minhas mãos.

- Você ficou sentida em saber que vamos deixar Forks, não é?

- Um pouco. Bem, eu sei que nós estamos começando uma nova vida, mas é que saber que nossos vínculos com esse lugar terão de ser quebrados me entristece um pouco. Foi aqui que nós nos conhecemos.

- Mas não só esse lugar é uma lembrança de nós dois, nós dois somos uma lembrança desse lugar. Enquanto estivermos juntos, você vai ter um pedacinho de tudo o que viveu aqui. – eu sorri. Já estávamos chegando à casa de meu pai, desacelerei.

- Você é incrível, sabia? – estacionei o carro e em seguida virei meu rosto para dar um beijo nele.

Seus lábios eram, como sempre, doces contra o meu. Mas logo o beijo foi se aprofundando e eu tratei de quebrá-lo. Ele ainda insistiu, mas isso não durou por muito tempo.

- Você quer ver seu pai, não é? – deduziu.

- Uhum. – concordei um pouco afetada pelo beijo.

- Só por isso eu vou deixar passar, senhora Cullen. – ele tratou de sair do carro e eu, acostumada com isso, esperei que ele abrisse minha porta.

Nós caminhamos em silêncio, subindo as escadas, até alcançar a porta de Charlie. Não demorou muito tempo e ela foi aberta, mas não pelo meu pai. Era a conhecida Sue Clearwater, mãe de Leah e Seth, quem atendeu a porta.

- Bella! – ela saudou.

- Olá Sue. – fiquei espantada com o estágio no qual a relação entre ela e meu pai havia chegado. Ela abriu espaço para que eu e Edward entrássemos, dando um aperto de mão em meu marido.

Ouvi o barulho das botas do meu pai em passos largos vindos da cozinha. Logo ele entrou em meu campo de visão, me perecia igual ao que eu tinha deixado, com exceção de uma coisa: onde estava seu bigode?

O bigode marca-registrada de Charlie Swan havia sumido! Concordo que ele parecia ter perdido vários anos, mas eu não conseguia compreender. Decidi não tocar no assunto quando olhei em volta e analisei o que poderia tê-lo feito tirar o bigode (que não era simplesmente um amontoado de pelos acima de sua boca, ele também demonstrava um estado de espírito que havia sido mantido por anos) e encarei a viúva Clearwater.

Ele sorriu quando me viu e veio rapidamente me abraçar.

- Filha, que saudade! – disse quebrando meu coração. – Quando você voltou?

- Hoje. Edward e eu decidimos chegar mais cedo. – informei sorrindo.

Eu não sabia se ele já havia notado a presença de Edward ali, mas assim que eu disse, meu pai se virou para ele e apertou sua mão, assim como Sue havia feito. – Olá, filho.

- Como vai Charlie? – meu marido foi educado.

- Bem. Não fiquem parados aí. – apontou para o sofá. Sentei-me ao lado de meu marido e Sue se postou ao seu lado, com uma das mãos na perna de meu pai. Troquei olhares com Edward, que deu apenas um sorriso torto.

- Que bom te ver aqui Sue. Tem cuidado bem do meu pai? – perguntei erguendo uma sobrancelha, vendo o velho corar.

- Então, eu soube que vocês foram até a América do Sul. – comentou, mudando de assunto.

- Meus pais têm uma casa lá. – foi Edward quem respondeu.

- Foi boa a viagem? – ela se pronunciou com um leve sorriso no rosto. Fiquei agradecida por ela ter usado a palavra “viagem” e não “lua de mel”. Não queríamos que meu pai tivesse um ataque do coração. E pensando bem, era até um pouco sujo pensar sobre isso na presença do chefe.

- É um lugar encantador. Mas o que tem acontecido por aqui? – indaguei.

- Nada de especial, deveria saber que Forks não é uma cidade muito agitada. Só alguns fatos e... Eu fiquei sabendo de algumas coisas. – sua feição mudou de repente enquanto ele falava isso.

- Sobre o que? – indaguei curiosa.

Ele limpou a garganta. Edward segurou em minha mão, era claro que ele sabia do que se tratava e seu gesto fazia com que eu acreditasse que precisaria de apoio para o que quer que fosse.

- Fiquei sabendo que os Cullen estão de mudança. – tentou dizer de forma casual. Então era essa a preocupação, o nosso distanciamento.

- Carlisle recebeu uma oferta de emprego em Nova York, é um hospital grande. Ele pensou que, já que estamos indo para a faculdade, seria uma boa oportunidade. – Edward se explicou.

Eu ficava triste em ter que mentir para meu pai, mas sua cara se iluminou ao ouvir a palavra faculdade. Estava certa, seria um grande orgulho para ele.

- Carlisle é um bom médico, nunca entendi como ele ficou tanto tempo em um lugar tão pequeno quanto Forks. – concordou. – Mas eu pensei que os planos de faculdade tivessem sido adiados devido ao casamento.

- Não pai, nós pretendemos ir para a universidade.

- Dartmouth? – ele perguntou me parecendo um pouco incerto, por saber minha posição quanto as grandes universidades.

- Claro! – concordei. Ele sorriu largamente. Eu vi meu cônjuge sorrir também.

- Eu fico muito orgulhoso filha. E por você também Edward. – nos felicitou. – E quando vocês pretendem partir? – de repente essa pergunta não soou tão dolorosa quanto eu esperava.

- Eu pensei em partirmos no começo de setembro. – Edward informou. Eu não estava realmente ligada nas datas.

- Mas já estamos na segunda metade de agosto... – juntei as sobrancelhas.

- Creio que seja suficiente. Escolhemos nossa casa e poderemos comemorar as festas antes de arrumarmos tudo para a... Faculdade.

Eu jurava que ele iria dizer “para a sua transformação”. Essa era mais uma coisa na qual tínhamos que pensar: minha imortalidade. Eu estava ansiosa, claro.

- Sua mãe ligou, ela quer te ver.

Fiquei um tanto balançada por pensar em minha mãe. Charlie eu ainda poderia ver dentro de alguns anos, apesar de que seria mais fácil me desvencilhar de vez, Forks sempre seria um lugar seguro, mas a Flórida não seria tão conveniente. O prazo da relação entre eu e minha mãe estava acabando e eu gostaria de aproveitar o quanto pudesse.

- Eu ainda pretendo vê-la mais uma vez. – anunciei.

- Ela vai ficar feliz. Vou passar o natal em La Push com Sue, vocês poderiam ficar aqui e visitá-la na virada do ano.

- Hm... La Push. A propósito, como estão todos lá? Seth e Leah estão bem? – desconversei, voltando minha atenção para a calada mulher ali presente.

- Seth está bem, ele anda muito feliz com os amigos, você sabe, os rapazes. – os lobos. – E Leah, bem, ela tem andado um pouco esquisita. – informou. Meu pai, automaticamente, olhou para ela como se a estivesse repreendendo ou impedindo-a de dizer algo.

- Por quê? – encorajei.

- Sue... – ele chamou a atenção.

- Ela e Jacob andaram de segredinhos durante um tempo. – informou. De certa forma era bom saber que meu melhor amigo tinha agora uma companhia.

- Edward, de quem é aquele carro que vocês vieram? Vi chegando pela janela da cozinha. – meu pai mudou de assunto.

- Meus irmãos deram a Bella como presente de casamento. É realmente um belo carro, certo?

- Concordo. Eu fiquei triste quando a carrinha de Bella morreu de vez, mas agora ela tem essa. – soltou um assobio. – Qual o modelo?

- É uma Nova Hilux. Vamos dar uma volta. – propôs.

- Tudo bem, vamos deixá-las conversando por uns minutos. – ele se levantou do assento. Eu balancei minha cabeça em descrença.

- Um minuto. – Edward sussurrou e me deu um selinho. Sequer olhei para meu pai para analisar sua reação, mas eu senti minhas bochechas corarem um pouco.

Ele se levantou e os dois partiram porta a fora. Na sala fiquei eu e Sue, tratei de retomar o assunto.

- Vamos fazer um refresco? – ela propôs. Eu concordei de pronto.

Na cozinha mais um susto. Onde estavam todos os móveis antigos? As paredes haviam sido pintadas de um tom palha; os armários já não eram mais os mesmos, no lugar dos antigos pintados de amarelo, estavam um de madeira branca; até os vidros do gabinete da pia haviam sido trocados, assim como a mesa que agora era de um mármore novinho, com cadeiras combinando.

- O que aconteceu aqui? – perguntei olhando tudo ao redor. Era impossível que Charlie tivesse mudado tanto em tão pouco tempo. Mas de certa forma, eu deveria esperar isso. Aquela cozinha lembrava a minha mãe, ela havia montado tudo ali e eu me lembrava. O que me deixava de queixo caído era que em mais de quinze anos essa mudança não tinha vindo e agora ela aparecia.

- Outro dia eu entrei aqui e acabei comentando que a cozinha precisava de uma reforma. Acabei me sentindo uma intrometida e me repreendi por falar sem pensar. No outro dia tudo já estava mudado, as paredes, a pia, os armários, a mesa. Até o chão parecia mais limpo! – ela riu.

Eu notei e a acompanhei, gargalhando. – Tem razão, está menos encardido do que eu achei que estaria. Bem, eu fico feliz que você esteja ao lado de meu pai. Não sei como ele pode sobreviver sozinho. Espero que ele amadureça cada dia mais e aprenda com essas mudanças.

- Seu pai é um bom homem. – ela disse. – Eu sei por que meu Harry gostava tanto dele. – sorriu ao lembrar-se do falecido marido.

- Eu acho que nunca disse isso, mas eu sinto muito pelo seu marido. Imagino como deve ser difícil para seus filhos, principalmente Seth. Ele é tão novo.

Ela apenas sorriu. – Mas ele tem aos rapazes da matilha que são como irmãos mais velhos. É um exemplo para ele, principalmente o Sam. Sei que meu filho o tem como um tutor. – disse em seguida.

- E Leah?

- Leah? Pensei que perguntaria do Jacob. – ela ergueu uma sobrancelha, muito astuta.

- Eu sempre tento fugir desse assuntou. Sinto-me muito culpada por tê-lo deixado e isso dói em mim. Mas eu tenho Edward que supre todas as minhas necessidades, já Jacob... – encostei-me a pia enquanto ela tirava uma jarra d’agua da geladeira.

- Ele tem estado bem... Íntimo da minha filha. – foi sugestiva, soltando uma risada no fim.

- O que quer dizer com isso? – arregalei os olhos e implorei por mais informação.

- Eu comentei com Charlie e ele discorda, na verdade disse para eu não falar mais isso, mas vou dizer de qualquer forma... – largou o refresco e chegou mais perto de mim. – Há algum tempo, dois ou três dias depois do seu casamento eles andaram de segredos pelos cantos, não se desgrudavam, até que um dia, do nada, Leah chegou em casa tremendo, um pouco chorosa e como sempre se isolou. Eu procurei saber do Jake, já que ele estava com ela, mas quando eu fui vê-lo na casa de Billy ele me pareceu tão acanhado, não sabia onde colocar a cara. Isso não foi esclarecido, mas eu tenho minhas desconfianças do que aconteceu. – novamente, fui sugestiva.

Recusei-me a acreditar no que ela estava falando.

- Você está insinuando que o Jacob e a Leah se envolveram? – perguntei incrédula.

- Eu só estou interpretando o que vi. No dia do conselho eles ficaram afastados, sentaram-se o mais longe possível um do outro na fogueira. Mas eu conheço minha filha, se eles tivessem brigado ela não agiria daquela forma.

- Oh, eu sei. – concordei sabendo a quão cabeça dura a filha de Sue podia ser.

- Agora eles estão viajando. – continuou, retomando sua atividade.

- Eles estão viajando?! – me exaltei. – E... Você permitiu que ela fosse com ele, mesmo desconfiando de tudo isso? – tentei falar em um tom mais baixo.

- Leah já é uma mulher. Eu a vi sofrer por Sam e isso cortou meu coração, não vou impedi-la de encontrar uma companhia boa, como a de Jacob. E ele é um bom rapaz e também precisa de uma companhia. – concluiu.

- Mas ele ainda é um garoto, não seria errado ele se envolver dessa forma com Leah? – insisti.

- Ele é seu amigo, você sempre vai encarar isso assim, mesmo que ele tenha cem anos. Como acha que ele se sente ao te ver casada?

Foi um choque de realidade. – Tem razão. Eu sempre me prendi ao fato de... Você sabe, ter escolhido me casar com Edward e não parei para pensar no quão bizarro isso é, ainda que os sentimentos de Jacob não estivessem tão confusos.

- As pessoas costumam errar da primeira vez, mas se elas continuares tentando, e aprenderem com os primeiros erros, elas acertam. – a viúva filosofou. Pergunto-me se foi assim com seu falecido marido, mas pensar em Harry Clearwater só fazia com que eu ficasse com um nó na garganta.

- Está sendo assim com meu pai. Foi mais de uma década e meia, ele ainda é tão jovem... – divaguei.

- Seu pai é um bom homem. – repetiu.

Sue separou alguns copos, ela parecia conhecer tudo na cozinha, e tirou alguns biscoitos do armário. Eu me lembrava deles, comecei a comprá-los quando cheguei aqui, sempre os comia na casa de minha mãe. Esperava que ela também não os deixasse faltar, seria um pouquinho de mim na vida de meu pai.

Nessa hora, ouvi a porta da frente ser aberta.

- Chegaram rápido. – disse da cozinha. Não demorou até que pudesse ver os dois.

Charlie parecia muito satisfeito, supus que ele havia dirigido. Compartilhava o mesmo apreço.

- Edward me deixou dirigir. É um belo carro, um belo carro. – ele cantarolou enquanto se sentava na ponta da mesa. Edward o seguiu.

- A conversa foi agradável. – meu lindo vampiro anunciou sorrindo.

- Aqui também. – informei.

A senhora Clearwater tratou de colocar um prato com biscoitos e distribuir um copo de refresco par cada um de nós.

- Me lembro de que foi você quem comprara esses biscoitos Bella. – meu pai notou pensando no mesmo que eu. – Sempre que eu os como me lembro de você. E Sue os adorou.

- O senhor tirou a sorte grande, vai receber um bom tratamento enquanto eu estiver fora.

- E eu espero que você também receba. – ameaçou. Edward compreendeu e tratou de se defender.

- Não tenha dúvidas!

Eu não sabia se Charlie havia se esquecido de tudo que tinha se passado, nunca soube ao certo se as rixas e as mágoas tinham sido superadas, mas eu entendi que, por hora, tudo estava em paz e começando a entrar nos eixos.

Foi uma tarde bem agradável. Eu pude conhecer um pouco melhor o lado fraternal de Sue e vi que Charlie estaria seguro na companhia dela. Também havia os lobos, todos estavam vivendo muito bem, e enquanto Charlie estivesse envolto nesse meio – ainda que às cegas – estaria seguro. Meu amado Jake estava em fim se entendendo com uma pessoa que poderia aprender com ele e ensiná-lo a curar as feridas do que se passou. Atrevi-me a escrever uma carta, na escrivaninha de meu quarto, destinada não só a Jacob, mas citando todos de La Push. Enquanto isso, Edward ficou deitado em minha cama e eu tentei da melhor forma possível guardar aquela imagem em minha memória. Cada detalhe da casa estava gravado e foi assim que eu saí. Com essas boas lembranças eu me despedi de meu pai na porta de casa.

Não derramei nenhuma lágrima sequer, não era o caso. Eu sabia que ele ficaria bem e feliz enquanto eu também buscava minha felicidade. Dei um tchau e entrei na caminhonete.

- Gostaria de ficar um pouco mais? – Edward perguntou atencioso e eu não deixei de notar a preocupação.

- É claro que eu gostaria de ficar, mas não é necessário. A felicidade vem para todos Edward, e eles estão conseguindo a deles, aos poucos.

Vi-o sorrir pelo retrovisor. As rodas rodaram rápidas pela estrada até que estivéssemos novamente em frente à casa dos Cullen.

O tempo se passou muito rápido e a casa a cada dia ficava mais vazia. O mês de agosto havia passado e com ele a nossa estadia em Forks chegava ao fim.

A mansão Cullen nunca me pareceu tão vazia, e essa foi a pior parte. Por quê? Por que eu sabia que não restaria alegria nesse lugar também. Ao contrário, nossa imagem seria cada vez mais esquecida com o envelhecer dessas paredes. Forks ficara para trás.

Minhas malas estavam prontas, junto com as de Edward. Tudo seria levado, até meu pequeno cacto, trazido da casa de meu pai.

Um por um, os Cullen foram abandonando a casa. Primeiro Carlisle e Esme. Soube que todos ficaram muito tristes com a partida do médico e que outro chegava à cidade para tomar seu lugar. Emmett e Rosalie seguiram para Ithaca, eles pretendiam ter um refúgio só para os dois também, minha melhor amiga e Jasper estavam de partida, sendo atrapalhados apenas pela grande quantidade de roupa que a fanática teria que levar.

E assim chegava a nossa vez. Edward me pareceu muito ansioso em ter a nossa própria casa, nossa privacidade. Ele almejada uma extensão da lua de mel, que poderia durar tempo indeterminado e novamente eu me punha a pensar sobre isso.

Ele iria dirigir seu Vanquish até nossa casa em Nova Hampshire, o Volvo ficaria com seus irmãos, e eu, tristemente, tive que escolher entre um de meus dois carros. Decidi levar o Rolls Royce, já que foi Edward quem me dera. A picape também ficaria com os demais Cullen.

Dei uma última olhada na grande casa, Edward acariciou meus ombros tentando me confortar e cada um de nós entrou em seus respectivos carros. Eu ainda olhei para trás algumas vezes, coloquei o cinto de segurança e segui o carro de meu marido pela estrada.

Foram dois dias. Fizemos várias paradas e Edward sempre me comprava café, com medo de que eu dormisse ao volante, mesmo com as sonecas que ele me obrigava a tirar. Tentei dizer a ele que dirigia bem, mas de nada isso adiantava. De certa forma a culpa foi minha por ter dito que seria mais prático viajar de carro ao invés de pegar um avião e mandar trazer nossas coisas, agora me cabia ter que suportar a preocupação excessiva de Edward. “O número de pessoas que morrem em acidentes de carro é grande”, dizia ele.

Quando finalmente chegamos à Hanover, onde moraríamos, era meio do dia. O tempo estava escuro, fazia frio, mais ou menos 50 Fahrenheit e as ruas não estavam muito cheias. Olhei tudo ao redor enquanto dirigia. Havia um rio, muito verde e as construções eram muito agradáveis. Perguntei-me se a nossa seria tão bonita quanto todas aquelas.

Ele desacelerou e eu fiquei excitada em deduzir que estávamos chegando. Passamos pelo que me pareceu ser o centro e as ruas começaram a se tornar cada vez mais vazias, até que não enxergássemos mais as pessoas. Ao longe, vi altos muros que pareciam cercar um grande terreno, era um muro de pedra, com plantas a se pendurarem, um pouco envelhecido. Ali ele parou o carro e desceu para abrir um grande portão de madeira que nos daria passagem ao interior da propriedade. Fiquei cada vez mais animada.

Quando o portão foi aberto, e ele já estava novamente dentro do carro, mantive a primeira marcha enquanto passava por um caminho de pedras. Quando paramos definitivamente, tratei de me livrar do cinto de segurança e saí rapidamente. Meu corpo reclamou e eu não pude resistir a me espreguiçar. No entanto, meus movimentos foram parados quando eu encarei a grande casa que se posicionava a frente de um grande campo.

Tinha dois andares, era feita de tijolos que variavam entre mais claro e mais escuro, muito aberta, com grandes janelas de vidro e uma grande chaminé no topo, minha boca se abriu enquanto eu encarava aquela beleza.

- E então? – ele chegou por trás de mim. – O que achou da casa? – indagou. Contudo, eu não sabia o que responder. — Não gostou? Não se preocupe, ainda tenho outras em vista. Casas maiores, menores, como você quiser.

- Edward... – consegui encontrar minha voz. – É linda! – exclamei e pulei em seus braços. – Nós vamos mesmo morar aqui? – perguntei com minha cara enfiada em seu peito. Nunca havia morado em uma casa tão encantadora como aquela.

- Claro, se você quiser.

- É claro que eu quero! – exclamei feliz.

- Mas ainda temos que olhar o lado de dentro. – riu de mim, tratando de me puxar para dentro da grande casa.

Subimos uma pequena escada feita de pedra, como era toda a frente da casa e ele abriu a porta. Demos em um salão com uma grande escada que levava ao andar de cima. Virando minha cabeça para a esquerda, em um piso mais baixo cerca de dois degraus, estava uma sala encantadora, pequena, com as paredes em um amarelo pálido. Havia dois sofás com estampa floral e uma pequena estante com livros ao lado da lareira, acima da mesma um grande quadro mostrando uma paisagem com neve, uma mesa de centro com tampo de vidro e um tapete, em cima do piso de madeira, nas mesmas cores que a estampa dos sofás, completavam a decoração.

Era um cenário de filme e Edward não falava nada, apenas observava minhas reações enquanto eu analisava cada detalhe.

Virando a cabeça agora para o lado direito, mais uma passagem. Com passos largos, me desvencilhando de meu marido, eu encontrei a cozinha. Num esquema de cores parecido com o da sala, o cômodo estava decorado de forma convencional e eu já podia me imaginar cozinhando ali.

- O que há ali? – perguntei para meu marido que me seguia.

- Uma varanda. Vá. – encorajou-me.

Andei até lá quase pulando e abri as persianas que me revelaram uma vista incrível.

- Edward! – exclamei quando ele chegou perto de mim.

- Esse é o Rio Connecticut. Eu pensei que você poderia gostar, já que nossa casa de Forks também ficava perto de um rio. Nos dias de sol nós poderemos nos sentar aqui na varanda sem que ninguém nos veja, ou até mesmo dar um passeio de barco.

- Você achou que eu poderia gostar? Edward, essa casa é incrível. Não temos que analisar, é perfeita! – me segurei na pilastra para ter uma vista, ao me inclinar, da quantidade de verde e do rio, que se perdia em nossas vistas.

- É a primeira vez que eu venho aqui também, que tal se nós fossemos explorar lá em cima? – propôs. Tomei sua mão e deixei que ele me guiasse, para fora da cozinha, escada acima.

Havia uma quantidade absurda de portas e eu me perguntava se isso seria mesmo necessário. Mas foi até que uma delas fosse aberta para revelar um grande quarto de casal.

O quarto era diferente de todo o resto da casa, como algo à parte. Era ainda mais pálido do que a cozinha e o salão, suas paredes, ao invés de amareladas, eram de um tom acinzentado e tudo era muito, mas muito sofisticado, desde os adornos até os lençóis da cama. A cama era enorme, ocupava uma grande proporção do quarto. Ao lado um espelho que ia desde o chão até quase o teto, atrás de uma penteadeira de madeira.

- Esse é o nosso quarto! – anunciou, segurando-me pela cintura e depositando um beijo molhado em minha nuca. Arrepiei-me e tentei me contei.

- É incrível. – respondi deixando de lado as provocações de meu marido.

- Veja, foi uma longa viagem, talvez você queira tomar um banho e descansar. Eu posso preparar algo para você comer e então nós ficamos deitados.

- Hm... Então vá. Eu vou tomar um banho. – tentei não ser rude ao expulsá-lo.

Ele saiu, mas não sem antes me dar um grande beijo, segurando minha nuca com força e mantendo meu corpo colado ao dele.

Meu coração acelerou e eu me vi obrigada a me sentar no estofado em frente à cama, caso não quisesse cair no chão. Mesmo depois da lua de mel intensa que tivemos, eu ainda me sentia tão balançada com sua presença, com suas atitudes e era como se fossem os primeiros dias, como se nossa estadia na ilha de Esme nem tivesse acontecido.

Abalada, entrei no banheiro e me tranquei, com medo de que ele me procurasse aqui também. Despi-me e entrei debaixo da ducha. A água era abundante e bem quente, fazendo com que meus músculos relaxassem. Lavei-me por completo sentindo a quão cansada eu realmente estava, apensa de não estar com sono realmente, mas queria me deitar debaixo das cobertas.

Com certo custo, desliguei o chuveiro e me enrolei em uma grande toalha branca, secando meu cabelo com uma menor. Saí do banheiro e me deparei com Edward olhando para o espelho, mas logo ele se virou para me encarar.

- Melhor?

- Muito. – respondi sorrindo.

Caminhou até a bandeja que ocupava o lugar no qual me apoiei antes do banho e pegou uma xicara grande, levando-a até a cama. Eu o acompanhei e agradeci pelo saboroso chocolate que ele me trouxera. Tomei devagar enquanto ele me observava.

Entretanto, sentia que ele gostaria de me dizer algo, mas não foi até que eu terminasse e deixasse a louça de lado.

- Eu tenho um presente para você. – anunciou.

- Mais presentes? – indaguei tentando fazer com que ele lembrasse que eu não gostava de ganhar nada, porque ele já me dava tudo, apensar de que nos últimos dias eu havia ganhado muito presentes sem discutir.

- Sim. – ele tirou uma caixinha do bolso, me entregando. – É um aparador de alianças. – informou enquanto eu analisava a pequena joia prateada e dourada.

- É linda. – estendi minha mão para que ele a colocasse.

Assim ele o fez, colocando-a juntamente com minha aliança de ouro branco. Após isso, deu um beijo em minha mão, subindo, distribuindo-os por todo o meu braço, meus ombros e meu colo descoberto.

- Não, Edward... – falei sem folego enquanto ele se atrevia a desfazer o nó de minha toalha, mas não adiantava.

Continuou com seus beijos e suas carícias até que eu me encontrei nua diante dele. Seus olhos brilharam e eu sabia que tinha alcançado um estágio no qual não havia mais volta, ele estava focado. E eu me sentia cada vez mais entregue enquanto me deitava voluntariamente na cama.

Esbaforido, parou o beijo por um instante para se livrar de sua camisa, que foi arremessada em qualquer canto. Logo seu cinto começava a ser desfivelado e tomou o mesmo rumo da peça anterior, alcançando o chão com um barulho. Fechei os olhos e minha mente se tornou uma confusão.

Meus pensamentos corriam entre o que estava acontecendo agora e o receio que eu guardava há alguns dias. Se aquilo fosse mesmo verdade, se eu pudesse conceber um filho de Edward, fazer amor agora só aumentaria as chances de uma possível fertilização, se é que eu já não estava grávida, segundo o que estava escrito no pequeno pedaço de papel.

Ele veio por cima de mim, já nu, e me invadia, enquanto suas mãos e sua boca experiente exploravam meu corpo com toques ousados. Ele chamava meu nome e tudo que eu fazia era pensar, quebrar a cabeça imaginando se seria ou não verdade.

Talvez nossa relação fosse apenas algo que não estava escrito, talvez nós estivéssemos indo contra as leis da vida. Mas eu o amava tanto, e como poderia ficar longe dele?

O prazer de sentir seu corpo contra o meu me deleitava, a cada vez que ele se forçava para dentro de mim, mais e mais. E o receio crescia.

- Edward, eu te amo. – senti a necessidade de dizer. – Eu te amo. – repeti.

Seus movimentos eram precisos e, quanto mais próximos do prazer nós estávamos, mais minha mente se tornava nublada. Arranhava suas costas compulsivamente enquanto um urro se formava no peito de meu marido.

Ele prolongou isso por mais algum tempo, e eu não pude dizer se foi por um átimo ou por vários minutos. Perdi-me na contagem de quantas vezes ele vinha por cima de mim, hora lento, hora fazendo aquilo como se não houvesse amanhã, esquecendo e me fazendo esquecer de que éramos diferentes. Naquele momento éramos um só. Segurou minhas mãos quando eu já beirava o ápice e eu apertei bem meus olhos, permitindo que meus gemidos escapassem por entre meus lábios.

Os músculos de suas costas relaxaram e ele se jogou ao meu lado respirando fundo.

- Você não sabe como eu te amo. – ouvi-o dizer.

Meu corpo reagiu de forma estranha. Aquele estranho calor, que eu costumava sentir na nossa lua de mel, voltou, mas nessa subindo por meu peito e atingindo minha cabeça, como uma queimação. Eu me senti fraca e minha mão começou a tremer entre a sua.

- Bella? – ele me chamou, erguendo-se para me encarar. – Bella, tudo bem? Você está tremendo. Fale comigo. – sua voz se tornou impaciente e eu não soube o que dizer, apenas coloquei minha mão livre em minha testa. – Eu te machuquei?

- Eu não estou bem. – admiti tentando me erguer.

- Não, fique deitada. – ordenou. – O que você está sentindo?

- Mal estar. – procurei por uma palavra que descrevesse.

- Eu vou procurar um remédio para você.

- Não. – eu o retive. – Já está passando. – tentei acalmá-lo.

- Não faça isso Bella, não negligencie isso. – ele se tornava aflito a cada segundo.

Sentia o mal estar passando aos poucos e podia falar com ele de forma que o fizesse acreditar.

- Eu já estou melhor, foi só um mal estar. – fez questão de olhar em meus olhos para saber se eu mentia.

- Você precisa ficar em repouso. – ordenou desconfiado.

- Eu já disse que estou bem.

Edward me olhou de maneira estranha, um pouco incrédulo, e eu me dei conta de que havia sido grosseira demais, quando ele só estava sendo atencioso e preocupado com o meu bem estar.

- Desculpa. Eu só preciso dormir um pouco. – passei a mão por meus cabelos úmidos e deitei minha cabeça no travesseiro, ficando de costas para ele.

Senti ele se sentar na beirada da cama, em silêncio, mas depois de um minuto ele se encostou à cabeceira. Meus olhos começaram a pesar e senti que, assim como eles, meu peito se fechava, apertando meu coração.

- Edward? – chamei baixinho. – Eu te amo.

Não o encarei, mas podia visualizar seus dedos por entre seu cabelo cor de cobre.

- Eu te amo mais. – foi sua resposta.

O sono demorou a vir, mas em dado momento, caí na inconsciência enquanto eu mesma cantarolava minha canção de ninar.

Notas finais
E então, o que acharam?
Primeiro eu vou deixar o link do album no imageshack, lá tem todas as fotinhos da casa (http://imageshack.us/g/1/9965423/), a roupa da Bella (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=68591344&.locale=pt-br), a Hilux que é um sonho de consumo (http://www.toyota.com.br/Images/Preto-Safira-1H2_tcm305-210416.jpg), o aparador de aliança (http://imageshack.us/photo/my-images/28/19471m.jpg/).
E agora, o que acharam? Deixem os comentários, eu leio todos, apesar de não responder a todos. Isso me faz lembrar que nesse momento estamos com 96 reviews, quero ver quem vai enviar o número 100!
Um grande beijo e até mais, Nara Rosa.
PS.: Pra quem acompanha em "Ainda", ela será a próxima a ser atualizada!