Breakfast
1 Único.
Notas iniciais
O relógio marcava seis da manhã em ponto. Hanbin ainda estava absorto em sono; sono calmo, ainda que pesado, e a respiração escapava por seus lábios em uma estranha melodia. Resmungava baixinho, sonhando, algumas vezes torcendo a expressão, como a criança que aparentava ser.
Antes que pudesse notar seus dígitos corriam pela tez quentinha do menino, desde as têmporas tensas, que ele tanto forçava entre o polegar e o médio no decorrer do dia, à bochecha de pele macia sob a qual seu osso surgia saliente. O pequeno esquilo estava mais para panda ultimamente, as olheiras como prova de que ele permanecia se esforçando demais.
Os miúdos olhos brilhantes correram então para os lábios cheios e secos; a mão hesitava, com o polegar ainda desenhando círculos em sua bochecha.
O dorminhoco respirou fundo, esticou o corpo ainda deitado, espaçoso, quase jogando Jiwon para fora da cama. Os olhos de formato engraçado estavam inchados e com certeza não era por dormir em excesso. A primeira risada do dia ele deu ao amigo que rolara da cama ao chão queixando-se. — Kim Bobby, devia dormir em sua própria cama.
E o mais velho abriu seu primeiro sorriso do dia, aquele típico sorriso que fazia os olhos sorrirem junto, enquanto acariciava as costas doloridas. — Bom dia pra você também, criança! Ia te acordar, mas fiquei com pena, sabe, parece estar exausto. — Torceu o lábio inferior para baixo e o outro revirou os olhos, como se dizendo: não tenho tempo para perder dormindo.
Jiwon não comentaria que esqueceu o que tinha a fazer ali, que ele ficou distraído o observando dormir tão tranquilamente — e que a paz em seu rosto o fazia ainda mais belo.
Hanbin bocejou, esfregou os olhos tentando livrar-se de todo aquele sono restante e enfim levantou; os cabelos marcados pelo travesseiro e a cara amassada. — Onde estão os outros? Já saíram? — Não sabia se as roupas largadas ali eram suas ou não, não importava, tirou o pijama e as vestiu — exageradamente largas como eram, talvez o dono fosse Jiwon.
O garoto mais velho prendeu o riso diante a cena. — Sim, senhor. — Ajudou o menor com a camisa, da qual ele não encontrava uma das mangas para vestir o braço. — E Jinhwan ainda fez o nosso café, então ande logo e vamos comer! — Tropeçando em seus próprios pés, Hanbin agarrou o pescoço do outro, pondo todo seu peso ali; Bobby estava quentinho, aconchegante. Outro bocejo, longo e ruidoso, exagerado como um hipopótamo.
Murmurou algo, se ajeitou nas costas do maior, agarrou com as pernas seu corpo e apertou os braços em seu pescoço. Não estava tão pesado quanto antes. E cochilou com a cabeça sobre o ombro de Jiwon durante o curto percurso dali até a copa.
Hanbin naquele dia tomou não só o seu café da manhã como também o de Bobby.
Fale com o autor