Breakeven
9 Epílogo.
Notas iniciais
Scarlet POV’s.
Acordei no meio da madrugada com um beijo suave de Liam em minha testa.
- Não está conseguindo dormir, amor? – Perguntei, acariciando levemente seu rosto.
Um ano havia se passado; eu estava grávida de oito meses, e agora tudo era desconfortável.
- Só estava pensando em como será a vida dessa criança, e estava pensando em como você é linda. – Ele disse, sorrindo e acariciando gentilmente minha barriga enorme.
Comecei a sentir espasmos musculares anormais.
Liam não percebeu; eram suaves e ainda nem um pouco doloridos.
- O que houve? – Ele perguntou, talvez percebendo que havia algo acontecendo.
- Só alguns espasmos. Ela deve estar se mexendo. – Sorri, acariciando minha barriga junto com ele.
Liam ficava olhando em meus olhos, sorrindo docemente. Ficamos nesta posição por alguns minutos, até que senti um espasmo forte, que me fez arfar. Então, mais um. E outro.
- Liam, eu acho que ela... Liga pra ambulância... – Falei, respirando fundo. Ele pulou da cama, sem se importar em pegar um casaco. Pescou o telefone rapidamente, enquanto tirava de dentro do roupeiro a mala de emergências. O médico dissera que o parto poderia ser por entre esses dias, mas iríamos ao hospital na próxima manhã. Ainda não estava na hora.
Liam falou rapidamente nosso endereço, e colocou um sobretudo por cima do meu pijama de ursinhos cor-de-rosa. Ele fez menção de me pegar no colo, mas o parei.
- Eu posso andar. – Sorri, colocando minhas pantufas de pele. – Catherin ainda não me impede de fazer isso. Apenas me ajude a levantar. – Liam me puxou delicadamente, me colocando de pé.
- Tem certeza que está bem?
- Tenho, pare de se preocupar tanto. – Falei, depositando um beijo em seus lábios. – Pegue a malinha de emergência. E as chaves do carro. Espero que você não tenha chamado a ambulância.
Ele riu, e passou uma de suas mãos pela minha cintura.
- Me pergunto porque Catherin não podia ter esperado mais algumas horas.
- Talvez ela seja como eu. – Sorri, sem jeito. – Amando tanto seu pai que não quer passar mais um segundo longe dele. Não é, bebê? – Senti-a se mover, como se concordasse com o que disse.
•••
Assim que entrei no hospital, uma equipe de médicos me colocou em uma maca e me moveu até o quarto.
O médico entrou alguns minutos depois, e fez alguns exames.
- Parece que a menina está ansiosa para nascer. Acho que você ficará por uns dois dias internada. – Ele disse, e então se dirigindo ao Liam. – Vai ficar com ela?
- Sim, doutor. – Ele falou quase pulando da cadeira.
Ele assentiu, e se dirigiu ao corredor. Busquei o olhar do meu marido.
- Estou com medo. – Murmurei. Ele acabou com a distância de um metro entre nós, me beijando nos lábios.
- Tudo vai ficar bem. Eu vou estar com você o tempo todo. Eu prometo.
•••
Dois dias já tinham se passado, e o clima estava tenso. Catherin já deveria ter nascido. Eu não sentia dores, e frequentemente chorava.
Os médicos cochichavam pelos cantos, sempre olhando de esguelha para mim. Nestes momentos, procurava pelas mãos de Liam, e o puxava para mim, para que me abraçasse, para que sentisse que não estava sozinha.
- Senhora Payne – o médico entrou, nos interrompendo. –, teremos de induzir o parto. Em meia hora, o anestesista estará aqui. Desculpe.
E assim, sem mais explicações, se distanciou, nos deixando aturdidos.
- Você vai estar na sala de parto? – Perguntei à Liam.
- Sim. – Ele respondeu, me abraçando.
Liam POV’s.
Saí do quarto para que a preparação para o parto começasse. O médico chegou ao meu lado, e depositou sua mão sobre meu ombro.
- Quer observar o parto? Acho que ela ficará mais calma se ver você lá.
Assenti, observando Scarlet pela janela. Ela estava com o rosto avermelhado, o que demonstrava que ela estava com medo, e chorando.
Coloquei uma mão no vidro, e murmurei “fique calma. Eu te amo”, e um dos enfermeiros me chamou até o vestiário para pegar os trajes apropriados para entrar na sala de parto.
Já vestido apropriadamente, e vendo a minha mulher deitada na maca cirúrgica, um arrepio de medo começou a percorrer minha espinha. Cheguei ao lado de seu rosto, afastei a máscara que usava e a beijei.
- Boa sorte, meu amor. – Murmurei, pegando em sua mão. Os médicos começaram o processo da cesárea lentamente.
Horas se passaram, mas se pareceram com dias. Os médicos estavam a cada momento mais tensos, e o pior já se passava por minha mente. Isso durou até o momento mágico, em que ouvi o choro de uma criança.
Por um momento, me senti flutuar. Procurei ver o rosto do bebê, e vi que os médicos agora cortavam o cordão umbilical. Lágrimas rolaram pelo meu rosto ao ver o rosto de Catherin pela primeira vez. Seu choro era como música, a mais suave e bela de todas as melodias.
Senti o aperto frágil de Scarlet em minhas mãos. Ela havia se mantido em silêncio durante toda a cirurgia.
- Ela é perfeita, como você. – Falei, já chorando. Ela sorriu, e fechou seus olhos.
Então, bipes começaram a soar, e um enfermeiro pediu passagem. Soltei a mão dela, e observei enquanto uma agitação estranha se iniciava.
- O que está acontecendo? – Perguntei. Instrumentos médicos surgiam de todos os lados, e um enfermeiro me empurrava para fora da sala. Tentei voltar, saber de Scarlet ou Catherin, mas o máximo que pude ouvir foi “ela está com uma hemorragia interna...”.
•••
Estava há quase duas horas na sala de espera. Os médicos apenas me olhavam, e voltavam a conversar. Era impossível ficar parado. Eu andava de um lado para o outro, chorando, em desespero. Sem conseguir ligar para alguém, sem conseguir pensar.
O médico chegou com um olhar de pesar no rosto.
- Sr. Payne? – Ele disse, olhando no fundo de meus olhos. As piores coisas se passaram pela minha mente, e quase voltei a chorar.
- Eu mesmo. – Consegui responder.
- Acho que você gostaria de ver sua mulher... Antes que levem sua filha para o quarto dela. – Ele abriu um sorriso, e paralisei.
- Ela... Está viva? – Perguntei, mal conseguindo conter as lágrimas.
- Sim. Praticamente um milagre. Ela está acordada, e no quarto. Quer vê-lo.
Corri até o quarto dela, sem me importar com os olhares estranhos que recebia.
Abri a porta do quarto em um entusiasmo que beirava o desespero.
Quando a vi, ali, deitada, de olhos abertos, com o casual agito de suas mãos, não me contive.
- Scarlet... – Consegui murmurar.
Scarlet POV’s.
Liam abriu um sorriso gigantesco ao me ver. Lágrimas escorriam por sua face, e ele acabou com o espaçamento até minha cama com apenas cinco passos.
- Você sobreviveu... – Ele sussurrou, acariciando meu rosto.
- Não ia deixar você e nossa filha sozinhos. – Peguei em sua mão, e a beijei. – Desculpe por assustá-lo. Só estava cansada.
Ele me abraçou, e chorou. Os soluços dele enxeram meus olhos de lágrimas, e o acompanhei.
Fomos interrompidos pela enfermeira, que trazia um pequeno bebê embrulhado em uma manta rosa.
- Desculpem interromper, mas sua filha está faminta. – Ela disse, trazendo Catherin até meus braços. Quando a peguei, senti como se todo o peso do mundo fosse retirado de meus ombros, e senti meu mundo se diminuir e formar uma pequena bolha, que incluía apenas a nossa família.
- Ela é linda... – Consegui murmurar, observando o rostinho delicado dela.
- Parece com você. – Liam murmurou, sentando-se ao meu lado e passando um de seus braços pelo meu ombro. – Posso apostar que será tão linda quanto a mãe.
- E tão talentosa quanto o pai. – Sorri; Catherin começou a chorar em protesto. – Acho que ela está com fome.
Liam sorriu, se levantando.
- Vou na lanchonete. Volto já. Catherin, cuide de sua mãe. – Ele disse, brincando.
- Bobo. – Respondi, ajeitando melhor a criança nos meus braços. Ainda me sentia fraca, e falar exigia muito esforço. Mas era um esforço válido.
Era a minha família; Liam e Catherin, os meus dois amores. Esperei até ele sair, e comecei a amamentar a minha pequena.
Cinco anos depois.
Narrador POV’s.
A menina corria feito louca pela casa. Derrubava tudo que estava em seu caminho. Suas pernas rechonchudas não conseguiam dar muitos passos sem tropeçar, e isso a deixava cada vez mais nervosa. Scarlet e Liam riam enquanto Catherin não conseguia subir na cadeirinha alta.
- Mamãe! – A menina gritou em protesto.
- Vem cá, amor. – Liam a chamou. A menina caminhou desconfiada até seu pai. – Eu a levanto. – Ela confiou nele, e subiu em seu colo. Ele começou a fazer cócegas nela, a fazendo rir enquanto gritava em protesto.
- Liam, pare. – Scarlet disse, pegando a menina. – Ela só quer subir na cadeirinha. – Catherin fechou o rosto para sua mãe, olhando para seu pai. Os dois tiveram um acordo, e quando a menina gritou AGORA, os dois começaram a fazer cócegas em Scarlet, que, surpresa, baixou a sua posição de mãe, e entrou na brincadeira.
Era uma fria noite de inverno em Londres, e a neve era testemunha da alegria da família Payne...
FIM.
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