Breakeven
6 Capítulo 5
Notas iniciais
- Scarlet. – Ele murmurou. – Há quanto tempo.
Continuei sorrindo sem jeito, enquanto tentava formular uma frase coerente em minha mente. Acabei soltando um “pois é” esganiçado.
Liam ficou em silêncio, olhando em meus olhos. Ficamos assim por algum tempo, parados, apenas nos olhando. Quase pulei de alegria quando uma garota chegou ao lado dele e interrompeu nosso contato visual. Ela estava pedindo um autógrafo, então aproveitei a deixa.
- Tenho que ir. Foi ótimo revê-lo, Liam. – Falei.
- Posso buscá-la na universidade para almoçarmos juntos? – Ele perguntou, assinando o caderno da garota.
Dei de ombros. Não quis dizer não, mas também não quis aceitar. As lembranças da última vez que saímos juntos ainda estavam muito vívidas em minha memória.
Afastei-me, de cabeça baixa.
Pelo menos esta manhã teria um final diferente da última manhã em que me encontrei com ele. Ao menos eu espero.
•••
O sinal para o almoço tocou. Em uma ansiedade desconhecida por mim, praticamente corri até a frente da universidade, procurando por ele.
Não me senti impressionada e nem surpresa ao ver o carro dele parado do outro lado da rua. Ele estava lá, parado, do lado de fora do veículo, acenando para mim. Podia sentir a aura de inveja de outras garotas que estavam ao meu redor.
Atravessei a rua com um sorriso brincando no meu rosto.
- E então, você veio. – Brinquei, o abraçando.
- É claro que vim. – Ele beijou minha bochecha, e abriu a porta do carona para eu entrar.
Como de praxe, assim que entrei, ele fechou a porta e se dirigiu para o assento do motorista.
- Como foi a aula? – Liam perguntou, sorrindo.
- Foi boa. E a sua manhã?
- Ótima. Eu acho.
- Eu acho? – Perguntei. – Por que “eu acho”?
O homem deu de ombros, com um sorriso maroto no rosto.
- Não sei. Não consegui pensar em nada. Apenas fiquei pensando em você, e nas mil maneiras de você me dar um fora.
Soltei um riso nervoso.
- Normalmente não volto atrás nas minhas escolhas. – Murmurei, fazendo uma careta involuntária.
- Você fez de novo.
- O que?
- Uma de suas caretas. Você sempre faz isso ao falar. – Percebi que ele não estava tirando sarro. Era apenas uma observação.
- Tem gente que pensa que é proposital. Mas não é. Só tenho esse costume. Desde criança. Diziam que eu era muito expressiva, seja lá o que isso significa.
Liam riu, balançando a cabeça.
- Gosto de pessoas expressivas. – Ele disse, batendo com a ponta do dedo indicador na ponta do meu nariz.
- Por que você fez isso? – Perguntei. Não gosto quando tocam no meu nariz.
- Adoro ficar incomodando as pessoas. – E após essa grande revelação, ficamos no mais absoluto silêncio até chegar ao restaurante.
•••
Liam abriu a porta para eu poder sair do carro. Não deixei de reparar que ele era extremamente galante; realizando gestos que eu jurava estarem mortos há muito tempo.
- Obrigada. – Murmurei. Ele afastou uma mecha do meu cabelo de meu rosto.
- Não agradeça, é o mínimo que posso fazer.
Sorri, olhando para o chão. Liam depositou um beijo suave em minha testa.
- Vamos?
Assenti, e começamos a adentrar o estabelecimento.
- Espero que não se importe, mas tive de trazer os outros garotos. Eles querem tanto a conhecer que chega a ser um pouco irritante. – Liam disse, me levando até uma mesa com outros quatro homens. – Scar, lhe apresento o One Direction. Este é Niall – ele apontou para um garoto loiro, que se levantou e beijou meu rosto. –, Louis – o garoto de olhos azuis apertou minha mão –, Zayn – um moreno, do tipo fatal, veio me abraçar –, e Harry. – O garoto de cabelos encaracolados e olhos esverdeados veio me cumprimentar.
- Finalmente a conhecemos. – Harry disse. – Com todo respeito.
Sorri, divertida. Liam afastou uma cadeira e me ofereceu. Me sentei, e ele ocupou a cadeira ao meu lado.
•••
Estar com os garotos era um tanto quanto irreal. Almoçar com eles, rindo de suas piadas e conversando como se fôssemos velhos amigos; a maior loucura que poderia um dia vir a acontecer comigo.
Senti uma simpatia intensa por Niall desde o primeiro momento.
- Então, você faz História? – Niall me perguntou, levantando os olhos de seu prato (um dos poucos momentos que ele olhou para outra coisa que não fosse seu almoço).
- Sim. – Falei simplesmente.
- E isso me recorda – começou Liam –, que você tem mais algumas cadeiras hoje à tarde, não?
Assenti.
- E você não está atrasada? – Liam ergueu as sobrancelhas.
- Não, é cedo e... – Olhei no relógio. Já eram 1:13 p.m., o que significava que eu já havia perdido treze minutos da cadeira extra de Arqueologia. – Perdi treze minutos da cadeira de Arqueologia. – Repeti meus pensamentos. – Incrível como o tempo voou estando com vocês. – Sorri, olhando para Liam. – Vou abusar de sua gentileza.
Liam ergueu as mãos em um gesto de rendição.
- Eu a trouxe, eu a levo. Vamos? – Ele perguntou. Peguei minha mochila e meus livros. Dei um beijo de despedida em cada um, e Harry disse que “deveríamos marcar mais alguma coisa!”.
Quando chegamos na universidade, uma garoa leve começava a cobrir o pára-brisas do carro.
Fiquei por um tempo sentada, observando os alunos atrasados que corriam de um lado para outro.
- Obrigada. – Falei, me preparando para sair do carro.
- Pelo quê? – Liam perguntou.
- Por tudo. Posso dizer que há muito tempo não me sentia assim.
- Feliz? – Ele chutou.
- Viva. – O corrigi. – Obrigada, de novo.
Saí do carro, fechando a porta com um baque surdo, e no que fui começar a caminhar, Liam me chamou.
- Posso te ligar? – Ele perguntou. Assenti, e comecei a correr até o prédio mais antigo, disposta a inventar uma boa desculpa por ter me atrasado.
Liam POV’s.
Fiquei parado na frente da universidade a vendo correr até a segurança dos prédios. A garoa já se tornava uma chuva, e por instinto, toquei levemente em meus lábios com a ponta dos dedos, me recordando da última vez que a havia visto. Do beijo proibido, e de como meu coração disparou.
Sorri involuntariamente, e murmurei para o nada:
- Também não me sentia vivo há muito tempo, Scarlet.
•••
Dez minutos haviam se passado, e Dani ainda não havia descido. Já estava cansado de ficar dentro do carro, mas quando peguei meu celular para ligar para ela, a porta se abriu, e ela entrou.
- Oi, amor. – Ela me deu um selinho.
- Tudo bom? – Perguntei. Dani sorriu.
- Muito melhor agora. E você?
- Também. – Murmurei, e liguei o carro. – Para onde você quer ir?
- Algum lugar que possamos ficar sozinhos. Estou com saudades de você. – Dani disse, passando sua mão pelo meu peito, por cima da camisa xadrez.
- Nenhuma preferência mesmo? – Perguntei novamente. – Para algum lugar especial? Você escolhe, qualquer lugar.
Ela riu, e pediu para irmos até uma propriedade a alguns quilômetros da cidade.
Dirigi por cerca de uma hora, talvez mais ou talvez menos. A verdade é que chovia muito, e a estrada estava péssima.
Parei o carro no acostamento e bati no volante.
- Não tem como ir adiante. Está chovendo muito. – Falei, bufando.
Dani tinha no rosto aquele seu olhar de quando há algo a decepcionando.
- Liam – ela começou –, quando você saiu, aquele dia, no último temporal, para onde você foi?
Tentei me lembrar de que dia ela estava falando. É claro, não precisei. O último temporal tinha sido há duas semanas, na noite que saí com Scarlet.
- Fui ao cinema, como já lhe disse. – Respondi calmamente.
- Sozinho?
- Gosto de estar sozinho às vezes.
- Liam. – Ela disse naquele tom de “você está me escondendo algo”. – Com quem você estava?
Balancei a cabeça. Não adianta, eu não poderia mentir para Dani.
- Com ninguém importante. – Murmurei, a puxando para um beijo.
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