Breakeven
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Naquela manhã, eu estava incrivelmente atrasada. Teria de passar em uma livraria antes de me dirigir à universidade, por isso assim que acordei, levantei. Não troquei a regata branca que usava; apenas coloquei uma calça jeans e minha jaqueta de couro preferida, completando com um All star vermelho. Prendi meus cabelos ruivos e rebeldes em um rabo de cavalo soltinho, peguei meu smartphone, a mochila, e saí correndo do apartamento compartilhado.
Scarlet Meibel, 17 anos, quase 18. 1,68 m, magra, muito irritante. Tenho um namorado chamado Brian Key, de 19 anos. Estudante de Medicina. Acho que não comentei, mas sou estudante de história antiga.
Nessa manhã, deveria ir a uma livraria, pegar alguns novos livros para o meu curso, e depois iria me dirigir a uma loja Starbucks para alimentar meu vício, cafeína.
Saí da livraria carregando três livros grossos e antigos nos braços, e apostilas novas na mochila. A Starbucks ficava ao lado da livraria; portanto, entrei na coffe store e pedi um café expresso grande.
Assim que peguei meu café, coloquei meus fones de ouvido e escolhi uma música da banda Bon Jovi. Abri meu copo de café e dei um gole na bebida quente. Era hora de ir para a Universidade.
Caminhava em um ritmo rápido, alheia a tudo o que acontecia. Bebericava meu café, sempre de olho no meu relógio. Eu tinha vinte minutos e três quadras a percorrer.
Cheguei a um cruzamento, e uma vontade estranha me fez mudar meu caminho. Queria ir por outro caminho.
Assim que dobrei a esquina, me bati contra alguém, e o copo de café se derramou em minha roupa.
Sentir o café quente em minha pele me fez derrubar os livros instantaneamente.
– Me desculpe! – O homem exclamou, se abaixando para me ajudar a pegar meus livros. Ele se levantou e me entregou dois dos livros grossos. – Ah, a sua blusa e seu casaco! Por favor, — ele disse, tirando seu casaco e colocando-o sobre meus ombros, sempre falando, de uma forma que não consegui o interromper. – deixe-me levá-la para minha casa... – Ele ficou vermelho assim que percebeu o que disse. – Quer dizer, você precisa trocar essa roupa e... Não pense que sou um tarado, nossa! Ah, eu... Sou o Liam Payne. Moro aqui nessa quadra e se você quiser lavar sua blusa e seu casaco... – Ele fez um gesto circular com a mão.
– Sou Scarlet Meibel, e agradeço seu convite. – Disse, apertando sua mão.
Ele se ofereceu para carregar meus livros, e fomos em direção ao seu apartamento.
Talvez eu seja louca por ir a um apartamento de um cara desconhecido. Mas havia algo nele que emanava segurança, e... Não. Eu precisava trocar de roupa; tirar o casaco e a blusa.
Subimos até o terceiro andar de um prédio no centro londrino, e entramos no apartamento central do corredor.
– Fique a vontade. – Ele disse, colocando meus livros em cima de uma mesa. Tirei meu casaco (e percebi que com o calor, o couro tinha se enrugado. Era uma pena, gostava muito daquele casaco.) e minha mochila. Ele pegou ambos de minhas mãos e os depositou na mesa junto com meus livros. – O banheiro é no final do corredor. Vá tirando sua blusa, levarei algo limpo e seco para você vestir. – Ele sorriu de uma forma encantadora. Assenti, e fui até o banheiro, enquanto ele analisava o estrago no meu casaco de couro.
Depois de dois minutos, ele bateu na porta do banheiro e me entregou uma camisa. A vesti e fui até a sala, com minha regata em minhas mãos.
– Deixe que eu lavo isso. – Liam disse, aparecendo na porta da cozinha.
Sorri, e o entreguei a blusa manchada.
Ele foi até a lavanderia – parando apenas para pegar meu casaco na mesa –, e eu decidi o seguir.
– Adorei seu apartamento. – Falei, me escorando na parede e o observando.
– Obrigado. – Ele disse, colocando minhas roupas na máquina e ficando de frente para mim. – Também gosto muito dele.
Sorrimos, e pensei em algo que minha mãe costumava dizer: “o destino tem formas próprias de agir, e o amor aparece quando menos esperamos”.
– Você é universitária? – Ele perguntou, se aproximando de mim.
– Sim. Faço História, na London University. E você?
Liam me lançou um olhar engraçado.
– Sério que você não sabe o que eu sou?
– Deveria saber? – Perguntei. Ele riu.
– Sou músico. Integrante da One Direction.
– Aaah... Explicado. Eu meio que... Não conheço os integrantes da 1D. só algumas músicas que sou obrigada a ouvir lá na república. – Sorri, sem jeito.
– Bom, talvez tenha sido melhor assim. Ao menos para meus ouvidos. – Ele piscou, divertido. – Quer suco?
Fomos para a sala, ambos bebendo suco de uva. Conversávamos sobre tudo; ele já me conhecia melhor que muitos de meus amigos.
Liam era o garoto mais divertido, sensível e bonito que um dia eu conhecera. Seus cabelos castanhos e um pouco rebeldes davam a ele uma feição engraçada e cativante. Em poucas horas (e aí vale a pena ressaltar que ao lado dele eu esqueci que tinha de ir para a faculdade) ele me fizera rir muito, e me cativara de uma forma inacreditável... seus olhos, seu sorriso, seu jeito... Ele era perfeito.
– Você tinha de estar na universidade, não? — Ele perguntou quando meu celular começou a tocar.
Olhei no visor. Brian chamando. Desliguei a chamada e o telefone.
– Acho que mereço um dia de folga. – Falei, piscando e o fazendo rir.
Minhas roupas já estavam secas, e completamente arruinadas.
– Acho que estou te devendo uma blusa e um casaco. – Ele fez uma careta olhando para a mancha gigantesca de café no tecido branco.
Dei de ombros.
– Na verdade, você me fez um grande favor jogando café na blusa. Odiava ela com todas as minhas forças. – Disse, pegando o casaco e analisando a área de couro franzido. – E este casaco, posso customizá-lo. – Olhei para ele, e ele tinha um olhar de culpa no rosto. Liam sorriu, afetado, pegando o casaco de minhas mãos.
– Você gostava desse casaco, não é?
Dei de ombros.
– Foi o primeiro presente que ganhei de Brian e... – Percebi que havia tocado no nome do meu namorado pela primeira vez no dia, e isso fez com que eu me sentisse culpada. – Desculpe. – Falei, fitando o chão.
– Brian é seu namorado? – Ele disse, um sorriso sendo perceptível em sua voz.
Assenti.
– Bom, então... – Liam fez uma careta. – Acho que se você não tiver esse casaco, será um problema. E você não estar em casa, também. Ainda mais se ele souber que você estava na casa de um cara estranho. Se bem que do jeito que é, ele já deve saber. Até minha namorada já deve estar sabendo. – Ele deu de ombros, sorrindo.
– Não sabia que você tinha namorada. – Falei, sentindo um sentimento estranho... Não era algo que eu pudesse identificar. Ok, na verdade eu poderia identificar, mas não queria. Eu estava com ciúmes.
Liam deu de ombros.
– Não achei que fosse necessário tocar neste assunto. – Ele riu, pegando as chaves do carro dele. – Desculpe falar dessa forma, mas é que já são oito horas p.m., e as garotas que moram com você devem estar preocupada. E daqui a pouco, terei de sair...
Recolhi minhas coisas e fui me dirigindo ao banheiro para colocar minha blusa.
– Aonde você vai? – Ele disse, caminhando ao meu lado.
– Trocar de blusa.
– Não, não vai não. Essa camiseta ficou muito melhor em você. Pegue-a. É sua.
Parei no meio do caminho.
– Não, eu não posso aceitar. – Falei, tentando pensar coerentemente.
– Não só pode como deve, e vai aceitar. – Liam pegou em minha cintura e começou a me arrastar para fora do apartamento. – Já tomei a liberdade de pegar suas coisas. Não vou aceitar que uma garota tão linda e gentil como Scarlet Meibel carregue muito peso enquanto posso impedi-la de fazer isso.
Balancei a cabeça.
– Fala sério! – Protestei.
– Estou falando. – Ele disse, pegando minha mochila que estava no chão e colocando-a sob seu ombro esquerdo. – Agora vamos, vou deixá-la em casa.
Liam estacionou seu carro na frente da república. Peguei minhas coisas, e abri a porta do carro.
– Obrigada. – Falei. – Por tudo.
Liam sorriu, seus olhos brilhando como dois cristais castanhos.
– Poderia ficar com o número de seu telefone? – Ele disse, quando comecei a me dirigir à porta. – Sabe como é, para... Manter contato. – Liam sorriu, sem jeito. Percebi que ele havia saído do carro.
Tirei um pedaço de papel e uma caneta da mochila; escrevi meu número e entreguei a ele.
– Pelas manhãs e nas primeiras horas da tarde estou na faculdade. É mais fácil me encontrar depois das cinco horas. E durante a madrugada.
Ele segurou o papel com força, e me deu um abraço e um beijo na bochecha.
– Te ligarei, prometo.
Sorri, enquanto ele se dirigia ao carro. E ali fiquei, até o carro desaparecer na saída da viela de onde eu morava.
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