Break the cycle

5 Capítulo 5-Open Door


Notas iniciais
Perdão pelo capítulo grande pessoal, não consegui condensar, mas gostaria de colocar tudo em um cap só! Espero que gostem

Vinham os dois montado em Akamaru o mais rápido possível até a montanha. Viram uma Hinata fatigada pela luta e um homem inconsciente aos seus pés.

Kiba descera do cão, ficando ao lado da antiga companheira.

—Hinata, quanto tempo hein? Mas o que acabou de acontecer?

—Tentei interroga-lo, mas ele recusou responder qualquer pergunta que fosse. E tinha intenção de matar. –Olhou para o homem caído enquanto apertava o pescoço. O esforço cansara seu corpo.

O homem aparentava ter seus 20 anos, usava vestimentas simples: uma calça larga cinza e uma camiseta de algodão amarela. Os cachos castanhos caíam sobre a testa. Não havia identificação de qualquer vila.

—Poderia ser um rebelde? -Perguntou Kiba.

A Uzumaki olhou-o confusa.

—Rebelde?

O moreno analisava o misterioso homem.

—Ele estava mirando Boruto, não?

—Certamente. Depois que ele fugiu ele apenas tentou me atacar com tudo.

Akamaru farejara suas mãos e Hinata acariciou os pelos espessos do cachorro que parecia satisfeito, balançando a cauda. Boruto ainda permanecia em cima, olhando apreensivo para o ambiente.

—Então ele estava atrás de mim? –Perguntou intrigado.

—É uma possibilidade. –Respondeu Inuzuka. –Talvez na cabeça dele, ter como refém o filho do hokage seria significativo.

—O que esses rebeldes planejam? –Perguntou Hinata.

—Aproveitar o colapso do mundo ninja e criar novas aldeias. Tentar criar uma nova guerra. Arranjar algum meio de ter dinheiro, quem sabe. As motivações são várias.

Hinata sentia-se apreensiva. Sabia que o mundo shinobi não ia bem, não ter guerras infelizmente representava uma falta de propósito da existência de ninjas. E era assim que a situação de konoha se alastrava, armas de guerra sem guerra.

Kiba devia estar lhe contando de uma condição privilegiada de ANBU, afinal esse tipo de serviço é especialidade deles. A kunoichi ficou de certa forma aliviada.

—Kiba-kun, tenho um favo a lhe pedir. Você poderia falar que estava treinando Boruto?

—Claro... –Kiba concordou confuso.

—Boruto, entendeu o recado, certo?

—Sim, vim treinar com Kiba! –Sorriu.

—Por que não vai brincar com Akamaru, querido?

—Certo! –Boruto pareceu compreender a situação. Correu entre as árvores altas do lugar até se afastar do plano de visão dos dois ninjas mais velhos e Akamaru o seguiu.

—O que está acontecendo, Hinata?

Respirou fundo, finalmente tiraria todo aquele peso das costas. Contou o impasse dos Hyuugas, as ameaças, a carta, a desconfiança em relação a Naruto ter revelado sobre Himawari para seu clã. O pesar de que lhe tomassem Himawari era tão grande que finalmente chorava, deixando o medo tomar conta de seu ser.

Kiba abraçou-a tentando confortá-la.

—Hinata, mantenha a calma! Naruto não é idiota, ele não vai deixar que façam algo para Himawari. –Hinata se afastou.

Engoliu as lágrimas e por fim revelou.

—Ele nunca soube sobre a condição do meu clã, eu nunca o contei. Apenas disse que iria me aposentar das missões, que gostaria de cuidar da nossa casa.

O amigo assustou-se.

—E ele nunca disse nada?! Por que você escondeu tanto tempo isso dele, Hinata?

—Acho que ele até ficou feliz. –Forçou um sorriso, porém sua aflição era nítida. –Ele sempre se preocupou muito quando saía em missões, ainda mais quando descobriu que eu estava grávida. Quando disse isso, era como se fosse uma preocupação a menos na vida dele. Eu não podia o envolver mais ainda nos assuntos do clã, são informações sigilosas... Nem você deveria estar sabendo disso. Achei que envolve-lo mais só iria causar mais condições adversas. Você conhece o temperamento dele, ele tentaria quebrar todo o clã se precisasse. Isso é, ao menos antigamente... –Mordeu os lábios cerrando os punhos. –É como se eu estivesse pagando por tudo isso agora, por ter escondido dele...

Kiba parecia transtornado, não sabia nem o que falar. Então balbuciou:

—É realmente uma condição complicada... A vila não pode se dar ao luxo de perder os Hyuugas, logo agora. –A kunoichi sentia o peito apertar-se. –Mas ele não pode simplesmente deixar que Himawari sofra por isso! Vocês são uma família, tente o lembrar, Hinata.

—É estranho quando você precisa lembrar alguém disso...

—Desculpe, eu não devia ter dito isso...

—Não, está tudo bem. Naruto tem muitos problemas da vila para resolver. –Deixou Kiba apreensivo. –Eu vou proteger Himawari, mesmo que custe minha vida. –Cerrou os punhos. –Irei voltar para casa, Kiba-kun, muito obrigada por tudo! –Abraçou fortemente o amigo, que correspondeu. –Céus, senti tanto sua falta! –Sentia as lágrimas se formarem em seus olhos.

—Sabe, Hinata, é estranho ouvir você falar o nome do Naruto tão seca, e não um “Naruto-kun”. –Deu um pequeno sorriso, como se a nostalgia lhe invadisse. -Vê se se ajeitem logo, você mais do que ninguém sabe que ele é um cabeça oca.

—Eu... tentarei. –Soltou-se do abraço. –Sobre o homem, o que devemos fazer? –Olhou para o ninja ainda caído.

—Você o nocauteou legal, hein Hina? Mas não se preocupe com ele. Eu o levarei até a prisão e ele será interrogado por mim mesmo ou por meus parceiros, falarei que ele tentou atacar quando Boruto o descobriu enquanto treinávamos.

—E se ele contar de mim...

—Não se preocupe, o que acontece na ANBU, fica na ANBU. Nem o hokage tem permissão para interferir em nossas investigações.

—Certo... Obrigada por tudo, Kiba-kun!

—Não há de que! Vê se aparece mais, nos vemos por aí. –Colocou o homem nas costas como se fosse um saco. –Akamaru! –Chamou!

O cão veio com um Boruto imundo e sorridente em suas costas.

—E aí! –Disse o loiro.

—Já devemos voltar, Boruto, está ficando tarde e Himawari está sozinha.

—Ok, ok. –Respondeu o garoto descendo do cachorro. –Da próxima vez você poderia me treinar mesmo, hein Kiba-san? Junto com o Akamaru! –Sorria.

—Claro! O akamaru também gostaria. –Respondeu o sorriso enquanto o cão lambia as bochechas do pequeno. –Cuida da tua mãe, hein? Até mais! –Subiu no cachorro.

—Pode deixar, até mais! –Viram os dois se afastarem.

Andavam em rumo ao lar silenciosamente, até Boruto iniciar a conversa.

—Não consigo você fazendo time com ele, mãe. Muito menos com o Shino-sensei... –Pareceu um tanto temeroso a contar.

Hinata riu.

—Por que não? Éramos imbatíveis! –Sorriu em lembrar. –Éramos o melhor time de espionagem.

—Até mesmo que a formação Ino-Chika-Chou?! –Pareceu surpreso.

—Uhum. A especialidade deles é a tática e a ofensiva.

—Demais! –Os olhos do pequeno brilhavam.

Hinata sentia ser a primeira vez que o pequeno a observava com tanta admiração.

Quando se aproximaram de casa Hinata ouviu o choro de Himawari. Correu o mais rápido possível e derrubara a porta.

Vira Naruto desesperado com vários bonecos tentando entreter a pequena. Quando ela pôs os olhos na mãe, correu como se não houvesse mais nada ao arredor.

—Mamãe, eu tive um pesadelo!

—Está tudo bem querida, eu estou aqui. –Ergueu-a em seu colo.

A pequena enxugava as lágrimas.

Boruto vinha logo atrás.

—Acho que a porta já era. –Disse indiferente, quando cruzou os olhos com o pai.

—Boruto, sobre hoje...

—Não se preocupe, velho, treinei com Kiba-san. Ele prometeu treinar comigo outros dias. –Olhou para Hinata, que compreendeu a situação. Sorriu para o pequeno. –Tô exausto, vou tomar um banho e descansar um pouco. –Subiu as escadas.

—Kiba? –O loiro arqueou a sobrancelha enquanto fitava a esposa aninhando a filha que caía no sono em seu colo.

—Sim, demos um jeito nisso. –Hinata respondeu sarcástica. Lembrou quando disse sobre o clã treinar Himawari. Deitou-a no sofá.

—Farei a janta. –Se dirigiu até a cozinha.

Naruto a seguiu, parecendo confuso.

—Eu fiquei preocupado, você não estava, e você está usando seu traje ninja... –Disse enquanto sentava-se na cadeira observando-a de costas.

—Fico feliz que tenha vindo cedo pra casa, Himawari ao menos não ficou sozinha.

—Para falar a verdade, eu cheguei agora pouco... Mas ela estava dormindo. Quando ela acordou não quis saber de mim, era como se eu fosse um estranho, na minha própria casa...

Conseguia sentir o semblante cansado do marido, mas isso não causava nenhuma reação. Não depois de toda aquela discussão.

—Para falar a verdade, você não estava nem um pouco preocupado comigo. –Pensou em dizer, eram as palavras que o coração almejava em soltar.

—Ela só estava assustada. –Disse.

—Talvez você tenha razão. Mas ainda assim foi uma sensação estranha... –Levantou-se. –Faz tanto tempo que não te vejo usando suas roupas de missão que esqueci como ficava tão atraente nelas... –Disse com a voz rouca tentando se aproximar da esposa.

Em um ímpeto Hinata se lembrara da luta com o homem mais cedo, quando ele tentou surpreende-la por trás com movimentos incrivelmente ágeis. Como se seu corpo respondesse sozinho a lembrança, virou-se rapidamente com a faca nas mãos. Viu apenas um filete de sangue escorrer pela mão do marido, que estava confuso com a movimentação.

—Ai meu deus, me desculpe! –Correu até o banheiro onde guardava seu kit de primeiros socorros e então voltou para a cozinha.

Naruto estava sentado na cadeira, atônito. Limpou o sangue e então colocou um curativo sobre o ferimento.

—Hinata...

—Me desculpe!

—Você está estranha... O que aconteceu? –Seus olhos azuis fitavam-na, perdido.

Explodiu.

—O que aconteceu? O QUE ACONTECEU? Vejamos. Mais uma vez você sai de manhã e sequer me avisa. Você prometeu novamente coisas que não pode cumprir a Boruto. Você não me disse nada sobre estar fazendo companhia para a princesa. Você não me contou absolutamente nada sobre meu clã... –As lágrimas se formam em seus olhos. –VOCÊ PRETENTE ENTREGAR HIMAWARI!

Naruto desvia os olhos, erguendo a sobrancelha em frustração.

—Himawari não será criança para sempre. Ninguém a treinará melhor do que os Hyuug... –A frase fora interrompida.

Marcas de mãos vermelhas ardiam em sua face.

—Você não entende nada mesmo! –Hinata chorava. –Aposto que quando você disse que estava preocupado você estava mentindo! Você realmente se importa com a gente? Comigo e nossos filhos? Você não se importa nem um pouco!

Correu até o quarto onde se trancou e se jogou na cama.

—Hinata! Abre a porta, vamos conversar!

—VÁ EMBORA! –Gritou enquanto engolia as lágrimas.

Afundou a cabeça no travesseiro, tentando conter as lágrimas e os soluços que se aproximavam. Sabia que ele obedeceria, iria embora e não a encheria mais.

Fechou os olhos pensando nas palavras do amigo.

“Vê se se ajeitam logo.”

—Desculpa, kiba-kun, eu não consegui... –Balbuceou.

E então sonhos tomaram conta de sua noite.