Break Of Dead

1 Prólogo - One Far Memory


Notas iniciais
Volume 1 - --Forget the Costums-- "Forget about values, forget good manners. Death surrounds us and the last thing you want to do is teach them something ..."

O meu nome é Bruce Willson Owen, tenho 27 anos e nasci em Richmond no estado de Virgínia, Estados Unidos da América. Ainda podia lá viver, mas já não, pois à algum tempo que de lá sai e tão brevemente não penso colocar os pés novamente.

Estou aqui, sentado sobre uma caixa de papel dura à algumas horas, sozinho, num acampamento improvisado apenas pelas minhas mãos e que amanhã já deve estar desfeito novamente, já que não sou pessoa de ficar muito tempo parado a viver no mesmo sítio. Está a escurecer novamente e assim mais um dia vai passar. Sinceramente já perdi a contagem dos dias e não me interessa muito em que preciso dia estamos. A civilização que conheci desapareceu e alguns dos velhos costumes foram sendo diluídos nas mentes das pessoas. Afinal, apareceram novas prioridades, muito mais importantes para aquilo que eu nunca tinha necessitado de fazer, sobreviver.

Como disse, a minha memória dos dias que passaram foi sendo destruída aos poucos e como tal, não sei mais o tempo que passou. Mas na melhor das hipóteses, não estarei a enganar ninguém se disser que tudo deu para o torto lá para o Natal, no final de Dezembro. Faltavam dois dias para a véspera dessa mesma festividade. Isso lembro-me perfeitamente como se fosse ontem. Tinha ainda algumas aulas de condução para dar, já que trabalhava como Instrutor de condução numa das maiores escolas da cidade. Nesse dia já cheguei tarde a casa, algumas horas depois do jantar. A minha noiva não estava e eu estranhei logo esse facto.

Jantei algo rápido e antes de ir para a cama depois de um dia estafante, sei que primeiro liguei a televisão para ver as notícias do dia. Não sei se isso me deixou mais alerta ou não, só sei que tudo o que me aconteceu até aqui, está relacionado com aquilo. Falavam de uma morte misteriosa lá para os lados de Miami. Algo como um assaltante que levou um tiro no peito e quando o levavam para a morgue, tentou atacar os paramédicos, mas foi imobilizado e tiveram de injetar-lhe algo para que morresse antes de fazer mais algum disparate. Sei que antes de desligar a televisão com o comando remoto, apareceu logo a seguir uma outra notícia do género e eu não fiz caso. Afinal, quando aparece algo nas notícias, é normal que logo a seguir apareçam outros casos assim. “Malucos”, pensei eu na altura. Emily ainda não tinha chegado, mas eu sabia que ela tinha de fazer horas extra à noite, por isso descansei e fui dormir.

Tudo piorou nos dias seguintes. Mais supostas mortes e logo a seguir, como que voltavam à vida e tentavam atacar tudo o que era humano. A polícia fazia sempre um bom trabalho ao imobilizar as pessoas que o faziam e arranjar forma de não causarem mais danos pessoais, mas o grande problema era que tais casos estavam a ocorrer com mais frequência e com menor controlo. O Natal acabou por passar e até ao ano novo não passou dai. A partir de Janeiro foi o descalabro total.

Os pivôs deixavam de dar enfase à situação, mas os casos continuavam, até em Richmond, se ouvia histórias de velhotas cujo coração parava e depois acordavam do nada e até de um caso em que a pessoa que tentou socorrer uma vítima de atropelamento, acabou por ser mordida no ombro, como um animal faz. Nós, a população tentava-mos viver em harmonia com os boatos, mas chegou a uma altura que isso deixou de ser normal. A polícia começou a cortar as ruas no meio de um dos dias e logo depois, estas encheram-se de tanques militares. Bloquearam qualquer tentativa das pessoas se mexerem de onde estavam naquele momento e eu estava no meu carro de instrução, com o Brian e a Marie, os dois alunos de condução que estavam agora a começar as aulas. Ficamos retidos com outros alunos e professores na rua onde estava a escola e à nossa volta, apenas militares que tentavam acalmar-nos. Quando perguntei a um o que se passava, apenas recebi resposta de que faziam parte de um programa confidencial do governo e como tal, apenas podiam dizer que estavam a zelar pelas nossas vidas.

Tive de ligar à Emily com o meu telemóvel, mas as redes estavam lotadas. Não devia ser só eu a tentar contatar os meus e mesmo que por mais duas vezes a tentasse contatar, não consegui. Só me restou acalmar os meus alunos e esperar que eles resolvessem fazer algo mais que nos colocar quase que em quarentena. Anoiteceu depressa, mas eu nem pelas brasas passei, aquilo tudo era stressante demais para mim e como não tinha levado tabaco naquele dia, estava a ser tudo muito mais difícil.

Por algum motivo de madrugada a confusão instalou-se. Primeiro gritos, depois os militares começaram a mover-se para uma área distante. Ouviu-se disparos e mais alguns gritos. Alguns deles não voltaram mais. Ao meu lado, muitas outras pessoas aproveitaram tal coisa para de alguma maneira se revoltarem e pegaram nos seus carros, aceleraram a fundo e contornaram aquilo que anteriormente era o perímetro bem vigiado das forças de intervenção. Nem eu perdi tempo, afinal tinha dois jovens de 17 anos a meu cargo e as suas famílias contavam comigo para os levar sãos e salvos para casa novamente. Segui o último carro que vi a sair dali e fomos dar a uma estrada que não tinha qualquer polícia. Algumas luzes estavam acesas outras não, por isso era difícil guiar-me, mesmo sendo instrutor. Foi a primeira vez que vi “aquilo”, mas na altura, apenas me apercebi que tinha acabado de atropelar um vulto negro e volumoso, que ficou estendido no chão. Claro que na altura sai do carro e fui ver o que se tinha passado. Juro que foi um dos maiores sustos da minha vida. Assim que me aproximei, levantou a parte superior do corpo e tentou alcançar-me com a mão. Guinchou um “grr” do fundo da garganta e mesmo perante a noite, consegui ver que a boca daquela mulher estava completamente desfeita.

Gritei e afastei-me, não sabia o que era, mas sabia que não era normal e por isso fugi para o carro outra vez. Tentei não vomitar com a imagem que ainda me corria na cabeça e sabia que os alunos também o tinham visto. Nada dissemos a respeito daquilo naquele momento. Só sei que preguei a fundo e só parei quando cheguei por ordem, à casa da Marie e depois do Brian. Em nenhuma delas tinha gente, melhor dizendo, nenhuma da casa da vizinhança por onde tínhamos vindo tinha gente dentro. Até a minha casa estava vazia quando lá cheguei à procura da minha noiva.

Os pais de Marie deixaram uma nota da porta, estavam de partida para os campos a norte da cidade, quando deram a hipótese de as pessoas se manterem em quarentena no interior da cidade ou partir para as redondezas. Com sorte eles deixaram alguma comida na casa, a pensar na filha certamente e como tal a mala do carro ficou meio cheia. Era melhor levar algo que comer quando não se sabe bem o que se está a passar. Fosse uma guerra ou qualquer outra coisa do género, o comer não se dispensava. O Brian não se queixou quando combinei com eles que o melhor a fazer era partir dali o quanto antes. Nenhum de nós sabia realmente o que se passava.

Existia ainda uma estrada para fora que não estava trancada pelos tanques e foi essa que escolhi. Deixei de ver os outros que tinham saído da escola comigo, mas sempre pensei que eles ficariam todos bem.

Passamos a noite no meio do nada, numa estrada onde aos poucos aparecia menos carros. Sei que depois, resolvemos não sair dali, tanto para ver se os pais de Marie estavam por ali, assim como os de Brian, ou pela minha esperança que reencontrar Emily depois de perder-lhe o contacto no dia anterior. Nenhuma das três coisas aconteceu depois de passarem mais uma noite no descampado. Decidi voltar para trás e ver o que se passava, parei numa encosta que sabia que tinha vista para Richmond. Arrependo-me de ter voltado atrás.

Existiam casas a arder, movimentos de tanques por todos os lados. O chão das ruas estava ora aqui ora ali com entulho e parecia cada vez mais um autêntico campo de guerra. Podia jurar que via lá ao longe nas ruas, pessoas a cambalear e a andar de forma estranha. Perguntava-me porque aquilo estaria a acontecer. Ainda não sabia a resposta, mas algo mau seria. Foi essa a ultima visão que tive da minha cidade e não voltei a olhar para trás. Levei novamente os alunos para o carro, ambos assustados com tudo aquilo e voltei a ligar o carro. Sabia para onde ia agora. Aquilo que ainda não sabia era que aquela viagem mudaria a minha vida…

Notas finais
Fico à espera de opiniões. Em breve postarei o primeiro, já que já tenho vários escritos ^^