Break My Heart

11 Uma noite inesquecível


Cassandra Miller encontrava-se em seu quarto, tentando tirar o vestido. Mas o botão teimoso emperrou e ela enfureceu-se, querendo tirar a qualquer custo aquela roupa pesada e asfixiante. Na verdade, quis tirá-lo desde o momento em que o pusera. Controlava-se para não coçar as partes femininas, devido ao tecido que pinicava.
Bufou de raiva e seus ombros doíam; de tanto levar os braços para trás para realizar um trabalho que parecia quase impossível.
Olhou ao redor, à procura de uma tesoura para utilizar da ponta fina como um auxílio para desfiar o tecido até que conseguisse tirá-lo. E se isso não bastasse, picá-lo em pedacinhos ia.
Mas isso não foi necessário quando um par de hábeis mãos enluvadas veio prestar-lhe ajuda.
Sebastian aparecera do nada, desabotoando o botão que estava emperrado. Cassandra espantou-se e, virando o com um ar de exaspero, o peito arfante e as veias saltando; não conseguiu dizer o nome dele.
E poupando-a de iniciar a conversa, Sebastian tomou a frente:
– Tudo bem?
– O que você está fazendo aqui? Já é meia-noite!
Sebastian tirou seu relógio de bolso e viu os ponteiros.
– São 23:59. Mentirosinha... — balançou o indicador autoritário.
– Eu preciso me trocar. Por favor, saia. — estendeu a mão em direção a porta e notou que ela estava fechada. A chave que usara para trancá-la ainda permanecia deitada, indicando que o trinco não fora mexido.
O que deixava a pergunta de como Sebastian havia entrado ali; já que as janelas nem foram abertas.
– Eu fiquei preocupado com você. — pegou a mão dela, deu-lhe uma piscadela e pôs uma mecha negra atrás da orelha.
– Mesmo?
– Sim.
– Só uma dor de cabeça.
– Mas não foi apenas uma dor de cabeça, não é? Vi que você passou mal. — aproximou-se dela e cassandra, recuando, sentiu seus joelhos se dobraram ao encontrar o batente da cama. Caiu sobre o colchão, os braços abertos e o penteado desfeito.
Sebastian debruçou-se sobre a garota, prendendo seus pulsos.
– Me conte o que você sentiu.
O sangue voltou a circular pelas bochechas de Cassandra e o coração acelerou os batimentos. Os lábios recuperaram a cor escarlate e mexendo-os em palavras incoerentes e mortas, serviram como uma atração aos olhos do demônio.
– Quer que eu saia ou que eu te ajude a tirar o vestido?
Cassandra mordeu a bochecha interna e disse:
– Quero que me ajude.
Sebastian sorriu, malicioso.
Seus dedos deslizaram pelas dobras do tecido e alcançaram a linha dos botões, que desciam até o quadril da moça. Foi desabotoando-os com calma, pois já era acostumado. Em questão de segundos, as costas de Cassandra foram expostas e possuía uma palidez exuberante e a superfície lisa. Nenhuma marca ou mancha. Perfeita.
Ele tirou as luvas — jogando-as em qualquer canto do quarto -, e passou as mãos pela cintura dela, para sentir a textura da pele. Era macia e quente. Delirante sensação era aquela que ambos os amantes sentiam. Arrepios percorreram o corpo de Cassandra enquanto Sebastian massageava a sua lombar.
Aproximou o rosto e percorreu os lábios por toda a linha da coluna, provocando uma nova série de arrepios. Os pelinhos se eriçaram e o tremor tomou conta dos membros de Cassandra.
Girou os ombros dela, posicionando-a de rosto para cima. Sebastian puxou o vestido para baixo e exibiu o peitoral feminino. Os seios eram firmes e bastante atrativos para um homem, fazendo-o perder por completo toda a sua consciência; tornando deste um servo da tentação e da possessão.
Mas não para aquele mordomo, já que ele nem mesmo era humano e nunca em toda sua miserável existência sentiu atração pelo desejo carnal. O que havia no interior era o que lhe interessava.
Nervos percorreram os nervos de Cassandra quando Sebastian agarrou sua coxa direita e foi arrastando as mãos por toda a perna, trazendo consigo a meia que antes a cobria. O mesmo fez com a esquerda. Ele cheirou os dedos dos pés dela e depois foi o tornozelo e em seguida voltou para a coxa.
Gemidos foram emitidos de Cassandra enquanto o entrelaçamento de corpos ocorria. Notou que havia uma deformidade, — pequena -, na região da nuca; um pouco abaixo da orelha.
Era como uma cicatriz; uma marca feita por um ferro aquecido. E fora feita recentemente, porque tanto quanto a sensibilidade da pele queimada e os gemidos que Cassandra dava quando o dedo de Sebastian a tocava, ambos davam a entender de que era exatamente isso.
– O que houve com você? — perguntou ele, se referindo à cicatriz.
Ela pareceu hesitar em responder, mas logo disse:
– Foi um acidente com o meu irmão quando éramos crianças. Nosso pai era ferreiro e nós brincávamos com os avivadores de brasas, imaginando que eram espadas. Ele acabou me ferindo com a ponta do ferro ainda fervendo do fogo onde se encontrava descansando.
Aquilo já era uma prova de que ela mentia. Desde a infância o ferimento ainda doía? "Estranho", pensou ele.
Sebastian, quando abriu a braguilha, preparando-se para a série de perguntas que com certeza trariam a verdade de Cassandra a tona, ele quebrou o laço que ligava seu olhar ao dela; olhando por cima de seu cabelo e vendo que apenas um retrato comprometera toda a sua artimanha.
A foto era amarelada e sem cor. A mansão Phantomhive tinha seus habitantes postos na frente. Ciel, sempre de expressão séria; Tanaka, com seu chá na mão; um risco de fumaça saindo do cigarro de Bard; Finnian ajeitando o chapéu de palha; Sebastian, atrás de Tanaka. E Meyrin, sorrindo gentilmente para a câmera.
Parecia que ela olhava para a cena que ocorria diante de si. Como se presenciasse. Foi quando ele percebeu que aquele aposento pertencia a antiga empregada.
Sentindo que uma pontada de culpa vinha juntamente com a terrível sensação de ser o culpado de traição, Sabastian hesitou e rangeu os dentes.
Ajeitou a blusa e percebendo que não poderia permanecer mais ali, como se algo o empurrasse para fora do quarto, saiu sem deixar explicações.
– Sr. Michaelis? O que foi? — perguntou Cassandra.
– Nada. Só não estou me sentindo bem. — e saiu. Fechou a porta atrás de si.
Sebastian esmurrou a parede ao lado e uma pequena cratera formou-se sob seu punho cerrado. Frustado, ele rosnou:
– Que droga! Por quê? Por que não consigo fazer isso?
Mas ele não sabia que esse seria o menor de seus problemas, pois os verdadeiros iriam começar a surgir a partir da foto que fora tirada de um ser que espiara tudo pela janela. Trincava os dentes pontudos e os lábios moviam-se em palavreados nada agradáveis sobre a cena que acabara de presenciar e, na sua concepção, fora insultante.

***

Do outro lado da cidade, uma empresária acabara de realizar seu dever e estava cansada. Seus pés doíam por conta dos sapatos apertados e o chapéu irritava seu couro cabeludo. Mal via a hora de tirá-los.
Chegando fadigamente ao aposento em que hospedara, trancou a porta e jogou-se na cama de braços abertos; entregando-se ao tão merecido descanso. Fechou os olhos, chamando o sono que não veio. Ouviu a voz de uma pessoa e logo pôs-se de pé.
Um homem vestido socialmente de preto sentando de pernas cruzadas em uma poltrona a fitava, com o par de olhos verdes reluzindo sob a luz das velas. Deixava no quarto um ar romântico. Ele deu um sorriso que fez a garota enrubescer.
– Eu pensei que você já tinha ido... — disse ela, ajeitando a blusa quase desbotada.
– Fiquei te esperando. Demorou, hein?
– Não é fácil subir naquele prédio com esse vestido e atirar de uma posição desconfortável, Saitou.
– Ora, eu pensei que isso seria muito fácil para você, Meyrin. — Saitou se ergueu e andou até ela. — Está cansada?
– Sim. Esses sapatos me mataram. — disse massageando os dedos dos pés. — Estão cheios de calos!
– Sabe qual é o melhor jeito para expulsar a dor? — Saitou estendeu a mão para ela — Dançar.
Meyrin olhou incrédula para a mão à sua frente, esperando tocar a sua. Ela cedeu e aceitou o pedido.
Saitou a trouxe para perto de si e segurou a cintura dela com a esquerda, enquanto erguia seu braço fino com a direita. Meyrin apoiou-se no ombro forte dele. E então os dois começaram a girar pela sala, ela pisando a todo instante nos sapatos dele e tropeçando na saia do vestido em algumas partes. Saitou parecia não se importar. É claro, pois aquilo não era nada formal; apenas uma maneira inteligente e divertida de fazer os pés doloridos dela relaxarem. E de fato Meyrin os sentiu mais leves, e o efeito não ocorreu apenas nos pés, como também em seu coração. Ela o sentiu palpitar com força, como sempre sentia quando estava ao lado de Sebastian.
Logo aquela dança era algo a mais.
Ela já havia pegado os passos, que agora tornaram-se mais lentos e suaves. Não tirava os olhos de Saitou e o mesmo poderia se aplicar a ele. Ambos sentiam-se suspensos no ar, como se estivessem flutuando.
Saitou enrolou o indicador e o polegar no queixo pequeno dela e ergueu a cabeça. Aproximou o rosto do dela e a beijou.